Episódios de Isso não é uma sessão de análise, com Vera Iaconelli

A maior podcaster do Brasil conta a sua história – Déia Freitas

07 de abril de 202643min
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Déia Freitas é criadora e apresentadora do “Não Inviabilize”, um dos podcasts mais ouvidos do país, com cerca de 12 milhões de plays mensais. Lá, ela conta histórias reais de pessoas comuns. Aqui, com Vera Iaconelli, ela conta a sua própria história. Fala sobre crescer em uma família marcada pela morte precoce dos pais, e fala também dos laços que construiu com primas, tias e amigos. Conta como aprendeu cedo a se organizar diante da finitude e a recusa consciente de certos roteiros, como casamento, filhos e a dependência de um homem.

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Participantes neste episódio2
V

Vera Iaconelli

HostPsicanalista
D

Déia Freitas

ConvidadoPodcaster
Assuntos3
  • Historia do FrevoFinitude e morte na família · Relação com primas e tias · Decisão de não ter filhos · Impacto da classe social · Sucesso e destaque na carreira
  • Relacionamentos FamiliaresCuidado entre mulheres · Amizades como família · Luto e humor
  • Menopausa e Envelhecimento
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Trovão Mídia. Oi, eu sou a Véria Conelli e isso não é uma sessão de análise, um podcast criado por mim e pela Trovão Mídia.

Em todo episódio, uma pessoa me conta sobre a história da família dela, das origens às mudanças que surgem pelo caminho. E a partir desses relatos, particulares e diversos, a gente também entra em contato com o que soa familiar em nós. Minha convidada de hoje é a podcaster Deia Freitas, filha de Euridze e de Ezequiel, prima da Janaína.

E se uma música pudesse te levar mais longe? Tá perto de novas histórias, misturando sonhos, culturas e pessoas na energia da latinidade. Com a Latam, você garante sua viagem completa e chega onde todo mundo vai se encontrar. O Rio de Janeiro, Latam Airlines. Bem-vindo a ir mais alto, é viajar com o ritmo da música. Companhia Aérea Oficial do Todo Mundo no Rio 2026.

Bem-vinda, Deia. Obrigada, oi. Deia, é um prazer estar aqui com você hoje. Prazer é meu. Uma alegria para a gente poder te escutar de outro lugar. E eu começo com uma pergunta que você já deve conhecer. Imagino que é, da forma mais ampla possível, o que é a sua referência de família? Bom, eu acho que a primeira palavra que me vem na cabeça quando eu penso na minha família é finitude.

Minha família foi morrendo todo mundo muito rápido. Eu fiquei órfã muito cedo. Então eu tenho essa relação de família, finitude, morte, muito presente na minha vida.

Como é que foi essa experiência para você? Bom, meu pai, eu sou filha única, né? Então, assim, não tenho irmãos. Mas fui criada numa família de muitas mulheres, onde todas as mulheres cuidavam de todas as crianças. Então, eu tenho muitos primos e primas.

Só que os adultos da minha família tinham sempre doenças crônicas, né? Doenças que eu acho que estão ligadas muito ao estilo de vida de pessoas mais pobres, hipertensão, diabetes. Então, com 12 anos eu perdi meu pai, com 16 anos eu perdi minha mãe. E aí eu fui...

Criada por uma tia, que é a mãe da Janaína, minha prima, que também faleceu um tempo depois de diabetes. E depois o meu tio, o marido dela. Então, assim, a minha família tem esse histórico onde os adultos morrem cedo e os jovens, as crianças, vão se virando. Escuta, mas eles morreram, estou entendendo, de doenças? Doenças, sim, sempre doenças crônicas. E aí, então, essas crianças...

Viram esses adultos adoecerem e precisarem de cuidados? Sim. Como é que foi a tua relação com cuidar e ser cuidada? Então, na minha família, todo mundo sempre cuidou de todo mundo. Então, as crianças não tinham tanto acesso aos adultos doentes. Mesmo os meus pais, por exemplo. O meu pai teve um infarto, então não precisou desses cuidados, né? Ele teve um infarto fulminante e morreu.

Mas a minha mãe, a minha tia, elas foram cuidadas por outras mulheres da família, né? Por exemplo, a minha tia cuidou da minha mãe. Eu, já mais adulta, cuidei da minha tia junto com a Janaína. Então, assim, a gente sempre foi cuidando um dos outros, né? Mas as crianças, no começo, não tinham acesso aos adultos doentes. Então, a gente trabalhava essa finitude do tipo, a pessoa está doente e daqui a pouco a gente está num velório.

era mais ou menos isso que acontecia na minha família porque até a questão da longevidade em certos territórios em certas situações fica muito mais difícil você pode ter uma sobrevida gigantesca com diabetes que não é uma doença necessariamente fatal mas naquele ambiente você tem um recorte é um recorte de classe mesmo, de ambiente e aí fica você e Janaína com quantos anos as duas ficam?

Olha, sozinha, sozinha, sem o meu tio, que foi o último a morrer, acho que com... Eu tinha 29, acho, a Janaína 27, não lembro bem, mas assim, já adultas, né? E só nós duas, daí pra frente. Lógico que eu tenho tios e tias mais distantes, né? Sempre do lado da minha mãe, né? A família do meu pai eu não tenho contato. E aí, no final, ficou a minha Janaína.

Como é que foi essa relação? Vocês são primas. Sim, irmãs. Praticamente irmãs. Primas e irmãs, literalmente. Porque a gente prima irmã é uma... Mas se tornaram irmãs afetivamente. Sim, afetivamente. E se cuidam? Nos cuidamos. Até hoje vocês estão... E essa questão da morte na nossa família é uma coisa tão...

prática, eu acho que é a palavra, que quando eu tinha vinte e poucos anos, eu fiz um testamento, porque eu não tenho herdeiros e a Janaína não tem herdeiros. Então, eu juntei um dinheiro e paguei o meu testamento e o dela, para que a gente pudesse se proteger, caso uma das duas viesse a faltar. Então, desde muito cedo, até essa organização, a gente conseguiu fazer as duas só. Antes das mortes, como é que era?

Eu tive uma infância muito feliz, muito na rua, com muita criança. Eu sempre fui uma criança muito curiosa, muito tímida, mas muito curiosa. E sempre cercada de muitas mulheres, né? Muitas mulheres cuidando uma das outras. Então, eu tive uma infância muito feliz, assim. Não me lembro de nenhuma passagem mais traumática ou algo assim. Odeia, eu sempre me impressiono muito, principalmente pensando nesses espaços mais periféricos.

Como quando a gente vai falando de família, o caldo que vai escorrendo aqui é um monte de mulheres. Família, família, mas um monte de mulheres, que cuidava de mulheres. É muito interessante isso. Você também viveu esses homens que são... O que acontece com eles, né?

Na minha família eles não iam embora, eles trabalhavam muito, né? Venho de uma família da classe trabalhadora do chão de fábrica. Trabalhavam em turnos, né? Em fábrica. Então os homens, as mulheres também trabalhavam nas fábricas. Mas eu lembro que os homens faziam mais horas extras, talvez. O pouco que eu me lembro tinha essa separação de os homens ainda trabalhando e as mulheres um pouco em casa com a gente, assim, cuidando.

É, mas assim, você tinha um entorno maior, né? De outras famílias funcionando, onde tinha?

Sim, no meu bairro, por exemplo, minha mãe, quando ela trabalhava, ela não podia ir na reunião da escola, por exemplo. Aí tinha uma vizinha minha que ia na minha reunião de escola. Então, até as mulheres ali da rua onde eu morava também tinha isso. Uma ia na reunião da escola da outra, uma levava a outra no posto de saúde, a criança da outra. Então, assim, elas se ajudavam.

Fora as famílias com os maridos, pais, não estavam lá. Ou não voltavam pra casa no fim do expediente. Iam pro bar, iam fazer as coisas. Então, a gente repetidamente vai encontrando essas mulheres juntas, cuidando de si e do outro. Como é que fica pra você, a partir dessa experiência, o que você chama, o que seria a sua referência de família hoje? O que depende dessa experiência?

Minha família hoje é Janaína, somente. Eu tenho só a Janaína como referência familiar. E eu me preocupo muito com essa questão de longevidade mesmo. Eu não tenho medo da morte. Eu acho que é uma questão que todo mundo devia pensar. Poucas pessoas pensam na finitude, na morte.

E hoje me preocupa um pouco o quanto eu vou viver ainda, porque todo mundo está vivendo muito, né? Então, eu tenho, por exemplo, uma neuro agora. Minha mãe morreu, ela tinha 53 anos. Eu vou fazer 53? Será que eu vou passar? Ou eu vou ter o mesmo histórico da minha mãe e vou morrer na mesma idade? Então, eu tenho essas...

Neuros, assim. Isso é tão interessante você falar, como pra gente, os pais parecem o teto de algumas experiências. Sim, sim. E como ultrapassá-los, e não só em relação à morte, né? Então, assim, meu pai morre com 50, então eu acho que eu vou ter um ataque cardíaco com 50. Mas tem muitos ultrapassamentos que a gente fala, será que eu posso? Será que... Será que vou, é... O que tem depois disso? Sim. O que passa aí pra tua cabeça quando você pensa, bom, você vai fazer 53.

Olha, quando eu tinha 30 e poucos anos, eu sempre fui uma pessoa que viveu aquele script familiar de casar e ter filhos. Mas com 30 e poucos anos eu entendi que eu não queria casar e ter filhos. E foi muito sofrido pra mim. Eu tinha um namoro sério de um homem que eu amava, mas ele queria casar e queria ter filhos. E eu não sabia como resolver essa questão até que eu rompi.

E fui tratar isso em terapia para entender se eu não queria casar e ter filhos com aquele homem ou se eu não queria casar e ter filhos com ninguém. E eu cheguei a essa conclusão, que eu não queria casar e não queria ter filhos. Eu tenho muita dificuldade de...

ter um homem mandando minimamente em mim. Isso é uma questão muito forte para mim. Tanto que hoje no trabalho, eu tenho o meu próprio negócio, eu lido com alguns homens, e às vezes eu tenho que ser a pessoa que fala um pouco mais grosso, eu falo, não, esse negócio é meu. Porque os homens às vezes têm a tendência de querer achar que... Só às vezes, né?

Que dominam tudo. Então, é uma questão muito forte isso pra mim. Então, eu acho que a minha questão de nunca querer casar tem muito daí também. De ser um pouco selvagem, mesmo na questão de pônei selvagem. Mas é...

Mas eu acho sensacional você falar isso, porque, assim, embora a gente possa dizer não, mas existem casamentos e casamentos, o que a gente tem estatisticamente é mostrando que, ao casar, as mulheres se prejudicam e os homens se beneficiam.

Mas, por exemplo, se eu fosse olhar os casamentos da minha família, as mulheres sempre foram dominantes. Sempre foram bons os casamentos, onde acabaram, porque as pessoas morreram. Então, não é pelo histórico da minha família, não é uma questão familiar. Mas, às vezes, ser dominante não quer dizer que você não faça a maior parte do trabalho. Ah, faziam. Que você não se desgaste mais, que você não se preocupe mais. Então...

São mulheres que, o que os estudos vão mostrando, é que as mulheres estão muito mais sobrecarregadas nos casamentos, mesmo que elas mandem, mas que elas mandam mais no território privado e menos no espaço público, porque o homem sai, faz tudo o que ele quer no espaço público, a mulher não pode sair à noite sozinha, por exemplo, tem uma série de restrições de várias naturezas. Então, quando você diz, bom, talvez eu não queira casar, não é tão pessoal só.

É algo da ordem de... Bom, tem algo na estrutura do casamento hoje... Que não me apetece. Que prejudica as mulheres mesmo, né? E será que os homens estão na condição, pras mulheres heterossexuais, de terem relações amorosas, que não passem pelo modelo do casamento e filhos? Simplesmente relações amorosas? Porque eu nunca recebi no consultório um homem que vem, estou em crise, porque não quero casar e ter filhos.

Porque pra eles é fácil. Não se apresenta como uma questão. Mas a mulher, ela tem que se perguntar o que tem para além de casar e ter filhos, né? E aí você banca isso com 30. Eu banco isso com 30. E com muita cobrança. De quem? Com muita gente falando de amigos, de todo mundo. De amigas também, né? De amigas também. Tipo, vai chegar uma hora que você não vai conseguir. Ou eu cheguei numa fase de congela seus óvulos. Sim.

Eu não quero ter filho, não quero gerar um ser humano dentro de mim. Eu tenho essa questão também do alien mesmo dentro de mim. Nunca quis. Então não tem porque eu congelar meus ovos, mas até eu chegar quase aos 40, que eu vou fazer 51 agora, né? As minhas amigas tinham essa questão. Não, mas tem um filho só, porque aí alguém para cuidar de você, que é outra questão também, né? Que eu acho muito problemática.

Mas eu banquei. Falei, não, não é uma coisa que eu quero. Bom, você fez isso há 20 anos atrás, onde esses assuntos simplesmente eram meio traço, né? Hoje se fala, se discute. É, não, era uma coisa meio, por que você está terminando? Não existia um motivo, pelo menos para as pessoas, né? Ah, ele é tão legal, ele é tão bonzinho. Realmente, ele era legal, bonzinho, mas ele queria uma coisa que eu não podia.

oferecer, né, não podia estar ali, eu não queria estar ali, eu fui começando a ficar angustiada, e foi muito difícil tomar realmente a reação, né, chegar ao ponto de falar, não quero mais. E aí você, depois desse estranhamento, porque é um estranhamento que é assim, como é que você banca um desejo diferente do meu, porque eu tenho que me perguntar se o meu desejo é autêntico, ou se ele é só, vai da valsa, todo mundo vai, também vou.

E se existe essa possibilidade, eu fico em xeque com o meu próprio desejo, porque eu sou obrigada a repensar se existe essa possibilidade. É muito interessante. E isso, há 20 anos atrás, era uma coisa que estava...

Eu sempre comparo isso com a discussão sobre a virgindade feminina, né? Era uma discussão, não dá mais pra ter essa discussão, mas ficou um tempão falando que não dá mais pra ter essa discussão. Até uma hora que não tem mais essa discussão, né? Eu acho que a gente ainda tá no momento que a gente tá discutindo ter ou não ter filho, até uma hora que eu falo assim, gente, dá licença, isso não é um assunto, né? Mas hoje ainda é, muito forte.

Você encontrou sua praia depois? De mulheres e homens, que, principalmente mulheres que não, que falam, bicho, eu não quero ter filho, nunca pensei em ter filho. Não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não

Nunca procurei a minha praia, eu acho. Eu convivo muito bem com pessoas que são casadas, que eu amo criança. Eu nunca quis ter os meus próprios filhos. Mas eu sou uma rede de apoio, por exemplo, pra amigas que têm filhos. Então não é uma questão pra mim.

Então eu não procurei uma praia, eu não procurei um grupo de pessoas. Eu concordo plenamente. Fica aquelas coisas identitárias horrorosas. Mas no sentido de você foi encontrando mais mulheres que falam, eu também não. Você foi encontrando pessoas que também tinham essa... Ah, sim, ao longo do caminho, algumas. Algumas, algumas. Mas a maioria, eu recebia conselhos do tipo, casa depois divorcia. Porque divorciada é diferente de solteira. Isso é...

Incrível isso, sim Tanto que a gente tem uma coisa Que eu acho sempre muito bizarra Eu fui casada, né Toda vez que eu vou cuidar de um documento É divorciada Faz 23 anos Faz 25 anos Eu tenho essa capivara Você nunca vai voltar a ser solteira Então eu tenho que ficar Puxando o nome do meu ex Eternamente E hoje, você fala isso, eu fico pensando assim Eu acho que a gente tem um documento Eu acho que a gente tem um documento

Olha, eu já fui casada, tá? Olha, então, né? Que loucura isso pra mulher. É uma loucura. Eu tenho uma amiga que demorou 10 ou 12 anos pra tirar o nome do marido. Nunca dava. Sempre pedia um documento a mais. Sempre tinha um enrosco. E ela com aquela... Falou, André, meu Deus, eu tô sufocada com o sobrenome deste homem. Até que ela conseguiu tirar por causa de documento. De coisas que eles tinham em conjunto no divórcio. Então...

É uma coisa que eu escapei, né? E aí você falou da questão de ter alguém pra cuidar de você na velhice. Exato. Como é que é esse fantasma que acompanha as pessoas também? É, eu não tenho essa preocupação. Eu acho que vai chegar um ponto que se eu precisar de ajuda, eu vou ter que recorrer a uma clínica, né? Se não tiver a Janaína ou ela não tiver disposta a isso, eu tenho que procurar um lugar que eu consiga, né? Ficar.

É que você não está sozinha nessa questão. As pessoas têm pensado, inclusive com uma resposta tipo, ah, eu vou juntar com medo de amigo, nós vamos fazer um residencial. A gente brinca sobre isso muito, né? Sobre dar um residencial nosso. Mas ainda assim, seria um residencial que inspiraria cuidados. A gente ia ter que ter uma enfermeira, né? Em determinado momento da vida. É mais fácil pagar uma enfermeira quando você está com quatro, cinco pessoas, né? É, então, não sei, mas eu não penso muito nisso ainda, não.

Mas sempre achei horrível essa carga de que você vai gerar um filho pra cuidar de você no futuro, né? Um cuidador, né? E não um indivíduo com vontades próprias, enfim. Sim, que pode querer morar do outro lado do mundo, né? Exatamente. Vai cuidar de você como você mora na Austrália, né? Mas tem uma questão que você é uma pessoa de tremendo sucesso.

Então, uma pessoa que acaba se destacando muito do teu território, no sentido de ultrapassamento. Porque você falou de ultrapassamento de tempo de vida dos pais. Sim. Mas você também... Ainda tenho essa meta. Não passei de 53. Isso é uma questão para mim ainda. Sim. Mas como é que ficam esses outros ultrapassamentos?

Você diz em relação à carreira, essas coisas. É, é. Olha, eu... Porque você fala que seus pais vêm de um chão de fábrica. Chão de fábrica, total. De uma outra condição social, cultural, né? A vida que eu levo hoje é meio surreal pra mim, assim. Em relação às pessoas que me conhecem, conhecem o meu trabalho, eu não consigo me acostumar muito com isso, assim, de não ser mais uma pessoa só.

Uma pessoa ordinária, uma pessoa da rua, uma pessoa por aí. Então, eu sempre tive esse lema de que ninguém é especial. E quando eu me vejo minimamente especial em alguma coisa, me causa um incômodo. Não consigo achar tão bom isso, eu acho.

É, o que tem de ruim pra você? Eu acho que é o próprio destaque, não sei. Eu sou uma pessoa muito tímida também, né? Então me incomoda um pouco essa... Alguém me achar especial, importante, não sei. É estranho pra mim. Tô tentando pensar aqui junto com você, né? Vai supor que a pessoa te conhece de algum jeito? Sabe quem você é de um jeito um pouco mais complexo?

ao contrário, né? Porque é difícil você conhecer alguém, né? Pela internet. E essa suposição pode ser muito desconfortável, né? Porque a pessoa não te conhece, ela conhece uma faceta sua. Exato. O mínimo ali do trabalho, né? É, é. Não, eu acho que o que me pega mesmo é porque eu sou muito tímida.

Então, qualquer destaque mínimo possível, eu já me fecho, talvez. Fico pra morrer, assim. Com muita vergonha. Eu tenho muita vergonha. É, vergonha é uma palavra importante aqui. Sim. O que você pensou?

Eu sou uma pessoa muito envergonhada de tudo, eu acho. Estar aqui hoje é um... Assim, eu fico com vergonha. Poxa, eu tô aqui, tô falando. Será que seria necessário eu estar aqui falando? Por quê? Assim, eu não sei explicar bem, mas eu sempre fico desconfortável com qualquer tipo de destaque, assim. Mas tem uma coisa interessante na vergonha, né? Que me ocorrem duas coisas. É claro que eu vou estar falando de mim, óbvio, né?

Uma é que a gente sabe que a gente não é só isso. As pessoas, muitas vezes, quando a gente se destaca, elas destacam uma parte de excelência no que você faz, mas ela não vai lá te ver de manhã acordar com aquela cara mal-humorada, xingando o vizinho que fez... Ela não sabe dessa parte, você também não vai mostrar, porque não cabe a você mostrar, mas fica um pouco impostor, né? Porque fica a sua parte pelo todo e você sabe que você... Eu brinco com as minhas filhas, vocês me dão a real todo dia.

Em vocês eu acredito, meu marido acredito, porque o resto é só a parte pelo todo. Exato, sim. Mas também tem um outro lado da vergonha, também tô falando de mim, mas talvez a gente conversa um pouco sobre isso, que é bom, você se destaca e outras pessoas que talvez você ame muito não se destacarem, mereciam ou você gostaria que, ou por que que, sabe, sei lá. Talvez uma culpa. Sim, sim.

Acho que tem um lugar assim de... E também é uma certa impostura. A gente não sabe muito bem porque as pessoas elegeram a gente num certo lugar. Sim. É sempre uma projeção do outro. Mas eu acho que nessa ultrapassagem, a vergonha é uma palavra muito chave. Como é que você está vivo se eles não estão? Como é que você faz sucesso se não fizeram? Como é que você... E isso, principalmente...

Não só, porque a gente vê isso o tempo todo, mas principalmente quando você fala de uma ultrapassagem de classe, de território. Sim. Às vezes a pessoa não consegue. Às vezes a pessoa tem a chance de fazer e ela escolhe não fazer porque como é que ela vai se haver com essa culpa, com essa vergonha, né?

bom, não sei, eu ainda estou aprendendo a lidar com isso primeiro ano do podcast eu não aparecia eu consegui ficar um ano sem aparecer até o Bruno me convencer, meu agente que eu tinha que fazer uma foto nem lembro pra que pra que, pro que era eu tive que fazer uma foto não lembro se era pra um jornal pro Estadão, talvez acho que pro Estadão de domingo a junta a junta

que eu saí no Estadão, eu fui obrigada a fazer uma foto e, nossa, foi um terror, assim, eu passei uma semana toda pra fazer uma foto. E falei, agora todo mundo vai ver quem eu sou, né? E aí podia piorar as coisas, sei lá. Piorar como? Não sei, eu acho que também é um pouco a insegurança. Uma coisa que aconteceu realmente quando eu postei a primeira foto, as pessoas achavam que eu era loira.

Olha, que interessante. Um recorte de raça interessante. Então, eu tinha muito medo disso, do racismo, de talvez perder ouvintes. Então, foi uma coisa muito louca. E aí, postamos a foto. Eu tive que fazer, fui obrigada a fazer.

E a partir daí eu comecei a aparecer um pouco mais, né? Mas sempre foi uma coisa que me incomodou. Se eu pudesse, eu seria anônima ainda, só uma voz no podcast, eu acho. Ao mesmo tempo, você aparecer tem uma força de representatividade?

Então, tem, né? Porque aí o outro que tem medo de ultrapassar fala, não, mas eu não vou ultrapassar. A ideia já tá lá, eu posso chegar lá. Uma criança que fala assim, mas eu posso ter um podcast de sucesso? Sendo uma menina negra, periférica, lá, lá, lá. Pode, porque tem gente que já foi. Então você não precisa ultrapassar, você pode chegar, né? É, tem esse lado. Mas se eu pudesse optar, eu ainda seria uma voz anônima, como no rádio. Aham, sim.

Família também é amigo? Amigo é família? Você formou uma família amigo, você te chamaria de família ou não? Eu acho que sim. Meus amigos, sim. Totalmente. Hoje, muito. Nossa, eu tenho muitos, tenho grandes amigos, assim, que eu considero como família, assim. E funcionam nessa estrutura? Funcionam como uma estrutura familiar, assim, de apoio, de tudo, sim.

Você tem uma coisa muito horizontal nas suas relações, né? Você disse que você manda aqui, o programa é meu, né? Ah, sim. Eu gosto de deixar algumas coisas claras. Sim, uma hierarquia de lugar, mas você tem uma coisa muito horizontal com a tua equipe. Essa equipe fica um pouco no lugar de família? Não.

Porque família é um nome que pode ser usado pra coisas muito ruins, né? Eu acho que no campo do trabalho é meio perigoso misturar um pouco, né? Mais pro trabalhador do que pra quem é o chefe, né? Mas eu tenho a minha equipe com, assim...

um destaque na minha vida, como familiar mesmo, assim, um... Eles são muito importantes na minha vida hoje, além do trabalho, acredito que isso sim, né? Então, eu acho que, de certa forma, eu tô envolvida com a minha equipe além do trabalho, em outras coisas, assim, que eu tenho preocupações genuínas com eles, além do trabalho, então, sim, eu acho que nesse ponto, sim.

É porque a gente tem feito uma banalização do termo família. É. E ao mesmo tempo, defendendo em nome da família as piores coisas, né? Sim. Então em nome da família pode... Então virou uma palavra complicada, família. E no entanto, tem aparecido muito frequentemente aqui pessoas que colocam de um jeito que eu acho que é bem autêntico mesmo, esses amigos com os quais se formou uma família, né? Ah, sim, eu tenho. A Mariana Salomão trouxe muito claro, né? Sim. A amiga, né? A Mila que tá lá nos livros dela como...

uma parte da família mesmo, que vai herdar, que enfim, que vai... Eu tenho grandes amigos que eu considero família, assim. E tenho preocupações de família, inclusive. Eu acho o luto, você traz a família associada ao luto, um tema que me é muito caro, eu gosto tanto na psicologia como estudo, mas na experiência pessoal. Na verdade, uma análise é um grande processo de luto, né? De tudo que a gente perde, da infância, da existência, enfim, das coisas que a gente não pode...

realizar, mas eu acho que também você traz uma questão que às vezes as pessoas não se dão conta, que as famílias elas têm ciclos de começo meio e fim, porque assim, tudo bem, o teu foi muito precoce.

Eu diria até violento, né? Porque seguido de mortes de outros familiares que também eram responsáveis. Mas as famílias, elas acabam, né? Quer dizer, às vezes você não tem uma descendência. Sim. E elas vão se dividindo, né? E as pessoas têm uma expectativa de forçar essas relações por toda a lei. Quer dizer, algum momento esses pais iam morrer, algum momento esses tios iam morrer, e você e a Janaína ainda não tendo descendência, iam de fato. O problema é que foi tudo muito precoce. É.

Mas o luto tá aí, ele tá colocado da família também, né? É, mas talvez eu encarasse de outra forma, não sei, né? Porque o tempo é importante aí, né? Hoje é uma questão, é engraçado, por exemplo, pra mim a morte, o luto, tratar o luto é muito, entra no prático também, por exemplo, eu tenho uma grande amiga que perdeu o marido semana passada.

baque, um baque, mas na minha cabeça era, tá tudo certo, os documentos estão todos certos, como é que ela vai ficar agora, será que esse cara, esse marido deixou ela amparada?

E aí eu conversei com uma outra amiga minha sobre isso. Minha amiga falou, Andréia, um dia que o cara morreu. Calma, né? Não dá pra você falar sobre isso com ela. Só que no dia seguinte já aconteceu uma coisa da família do cara invadir a casa dela pra querer pegar coisas do marido. Então, quer dizer, a minha preocupação... Aham.

Era genuína, né? Pelo menos naquele caso. Mas eu acabei não falando com ela do jeito que eu queria. O meu jeito de cuidar, talvez, seja esse lado prático. Então, quando eu vejo alguém rodeado pela morte, já me vem todo o trâmite que eu passei com a minha família. Você quer contar um pouquinho como é que foi esse trâmite?

Eu acho que, assim, na minha família, dos meus pais, eu era muito nova, né? Então, eu não passei, eu não vivei esse... Você ficou com essa ameaça de que... Burocrático. Eu tive uma parte burocrática muito grande, que assim, meus pais morreram, eu era menor de idade. Então, teve todo um trabalho de um assistente social, de um fórum, de uma tia minha que teria que ficar com a minha guarda.

Então teve toda essa questão burocrática ali pra resolver pra onde eu iria. Porque corria o risco de ir pro orfanato. Exatamente. Se eu não tivesse ninguém, era isso que ia acontecer. Você tava ciente disso? Era uma coisa que tava... Tava. Tava ciente disso. Tava ciente disso. Sabia que isso não ia acontecer, porque a gente já vivia em comunidade. Minha família sempre foi um cuidando muito do outro, né? Mas, por exemplo, eu tinha muito medo de ir pra família do meu pai.

Que é uma família que a gente não tem contato, né? Que eu rompi com a família do meu pai ainda criança. Eu que rompi, eu criança rompi com a família do meu pai. Então eu tinha muito medo disso, de talvez se não desse pra minha tia ficar comigo, eu fosse parar.

Na casa de alguém da família do meu pai. Aí eu preferia ir pro orfanato. Você corria esse risco? É, então... De ficar com a família do seu pai. Se um juiz resolve que família... Mas eu cheguei a perguntar pra assistente social se caso isso fosse uma possibilidade, se eu poderia escolher um abrigo. Porque eu ia preferir ficar num abrigo, né? Mas não, mas minha tia sempre foi minha primeira opção. E ela nunca nem pensou em não ter a minha guarda, né?

Mas se por acaso meus tios faltassem e eu e a Janaína a gente fosse menores, a Janaína iria pra um lado e eu pro outro, né? Por isso que eu acho que eu sou muito a doida da burocracia. Eu falo pra todo mundo, faz testamento, tá tudo certo, essas coisas são todas certas, né? Seus documentos. Porque a morte tá aí.

É muito assustador o que você fala, né? Porque ainda mais a gente acompanhando casos de conselho tutelar, casos de guarda e juiz malucos. Sim. De como eles vão determinando, às vezes, relações. Ah, então a família do pai é mais próxima do que a tia. Então, podem...

E eu lembro que foi uma discussão que não passava por mim. Eu já tinha... Quando minha mãe morreu, eu tinha 16 anos. Eu sabia o que eu queria, né? Mas isso não passava muito por mim. Era assistente social falando com os meus tios. E o juiz falando... Acho que só o juiz que me perguntou com quem eu queria ficar. Alguma coisa assim. Mas bem no final do trâmite, né? Toda essa correria de documentação, ninguém me perguntou nada, né?

Então eu acho que é por isso que eu sou a doida da burocracia hoje. Sim, porque a gente vai encontrando em relação a isso. Vai encontrando jeitos de sobrevivência e eles podem ficar muito arraigados dentro da gente. A gente usa sempre aquele modelo, mesmo quando a coisa não é tão premente. Mas você descobriu um jeito de se organizar diante

porque tem uma coisa, eu até anotei pra não esquecer que é a gente atende muitas vezes pacientes que perderam os pais a pessoa tá com 50, 60 anos e perdeu os pais porque os pais estavam com 80 90 anos, até mais né e o paciente com mais idade e a perda dos pais é uma rasteira você já tá lá, teu pai tá todo

doente, já tá dando mais trabalho do que alegria, você já tá velha, você tem netos, e no entanto, a perda dos pais é uma perda simbólica mesmo, de uma garantia simbólica. Você é o próximo, né? E você ter isso na adolescência, saber da finitude, num tempo em que a gente ainda vive uma ilusão de que vai viver para todos sempre, amém? Como é que foi isso daí?

Na época foi muita dor, eu acho. A palavra era essa, assim. Mas depois eu fui tentando entender, porque já tinha acontecido antes, por exemplo, a minha avó, que era a mãe da minha mãe e das minhas tias, era também muito presente na minha infância e também tinha morrido. Então eu fui uma criança, eu e minhas primas, que a gente sempre estava em velório de algum familiar. Então, por mais que a gente tinha...

dor, também tinha essa questão de saber que aquilo era possível, né? Porque às vezes eu tenho amigas que nunca perderam ninguém, que nunca foram ao cemitério. Isso é uma coisa muito louca, assim. Eu não consigo imaginar isso.

E a minha família também sempre teve um traço de muito bom humor. Então, a gente sempre tinha o lado das piadas, mesmo nos velórios. Então, eu acho que sempre teve um alívio cômico, né? E isso ajudou muito. Eu acho que muito do meu humor hoje tem a ver com esse humor.

de velório da minha família. Gente, eu acho o humor salva. Politicamente, psiquicamente. Tem um livro inteiro do Freud sobre o humor, que é o livro do Schist, que justamente vai falar como o humor realmente consegue fazer a gente elaborar questões muito duras, né? Então, fico feliz que a tua família tenha usado... Muito humor!

E me conta como é que essas tuas questões, e se essas questões aparecem no teu trabalho, naquilo que te fez produzir um dos podcasts mais famosos, de maior sucesso que a gente tem.

Eu acho que hoje, eu acho que aparece, talvez, no jeito que eu lide com as histórias que chegam. Tem histórias que chegam para mim, por exemplo, que eu sei que eu não posso ainda contar, que aquela pessoa, talvez ela não vá suportar tão bem aquele ponto do luto que ela está agora.

E eu acho que pra mim é um pouco mais fácil de identificar esse tipo de questão. Uma sensibilidade. É, maior talvez em relação a isso. Uma maturidade também pra escutar.

Mas é muito difícil achar famílias como a minha, que tem muito essa questão do luto e das mortes, né? Sempre aí. Tanto que chegou uma época na minha família que quando o telefone tocava e a gente atendia, não era alguém que morreu, a gente já ria. Não foi titia tal, não foi fulano. É porque você traz um tipo de morte, que são mortes naturais.

Sim, naturais. Por falta de qualidade de vida, de acesso a uma alimentação melhor, um sono melhor, né? E também de cuidados mesmo, né? De assistência médica, de tratamento, quer dizer, uma morte ligada à pobreza também. Sim. Mas naturais. Naturais. Naturais. A gente acompanha muitos casos de mortes violentas em algumas famílias, né? Mais periféricas.

Mas fica algo quase como uma coisa da vida. A vida é assim. Muita gente morre, mas não é verdade. Tem famílias que as pessoas só vão morrer o bisavô, não sei quando. Duram pra caramba. E te estranha isso. É, agora acho que a minha geração tá durando mais. Eu tenho os primos mais velhos, né? Então a gente tem essa brincadeira também, ó. Passou, já passou da tia que morreu.

Já sabemos que talvez dure um pouco mais. E essa família que vai se renovando, também tem a ver com poder aquisitivo, com acesso a mais informação? Eu acho que sim, um pouco. Eu acho que da minha família, a primeira pessoa a cursar uma universidade que eu fiz psicologia, né? Fui eu.

Então, assim, eu tenho primos mais velhos que fizeram faculdade depois de mim, né? E tenho primos ainda que estão nesse caminho agora, que têm a minha idade e que vão começar a fazer uma faculdade. E como foi essa ultrapassagem pra você?

No começo, a minha família não foi um marco, eu acho. Quando você vem de um lugar muito pobre, que todo mundo precisa trabalhar, está todo mundo muito preocupado em trabalhar, em fazer as suas coisas. Então, eu acho que não teve um destaque tão grande ser a primeira a estar numa faculdade. Mas depois que eu me formei, eu achei que a gente tem uma psicóloga na família.

E pra você, como é que foi? A formatura? A formatura foi um outro marco de classe muito importante e frustrante na minha vida, porque eu entendi ali que o meu recorte de classe não ia me possibilitar sair do trabalho que eu tava.

para começar a clinicar. Eu precisava sobreviver e não ia conseguir sair do trabalho. Então, foi frustrante nesse ponto de entender que eu estudei muito e que eu não ia conseguir trabalhar na minha área. Isso foi um...

Que a gente vê todo um trabalho sendo feito na USP, com os optantes, os bolsistas que chegam, cotistas, cheios de esperança, depois de ter se matado estudar, orgulho da família, não só não conseguir ficar, porque tem que fazer, tem que ler o livro do...

Às vezes é integral. É, tem que ler o livro do Tenório, do Jefferson Tenório, né, de onde eles vêm, que mostra exatamente isso, né, quão é difícil ficar lá. E, bom, e depois você pega o teu diploma e como é que você vai viabilizar isso. Então, e aí o que a gente vai ter, a gente vai ter um monte de suicídio, a gente vai ter um monte de doença mental, a gente vai ter um monte de...

Não adianta, não basta inclusão, você tem que ter a permanência no campo e não só no campo da faculdade, né? Porque a gente vem trabalhando com os psicanalistas optantes, bolsistas, assim. Como permanece no campo da psicanálise, no caso, né? Trabalhando com aquilo, né? Então esse depois foi complicado também pra mim. Eu não conseguia sair da minha área.

Pra poder começar uma área nova, né? Mas quando você vê hoje a tua família, porque o que a gente acabou trazendo muito, né? Você me despertou muito essa questão. Quando os outros familiares vêm depois de você e falam, não, mas a Andréia, a gente já tem uma pessoa nessa família que fez, né? Isso é um marco que a outra pessoa não precisa romper. Já foi rompido por alguém, né? Sim, é.

É algo que você deixa lá, um legado, né? Hoje eu tenho primas que são assistentes sociais, estão na área da saúde também, né? Que foram pra essa área. Eu acho muito bacana, assim. E hoje, de onde eu tô, eu também proporciono isso pra alguns familiares. Então, quem da minha família quiser estudar, pode contar comigo. Pode ter um apoio que eu não tive, né? No passado.

Que lindo isso. Isso é muito lindo. A gente fica com vergonha de ultrapassar, mas depois a gente leva um monte de gente junto. Um monte de gente junto, é. Você me fez lembrar que quando eu me formei em psicologia, no dia eu não queria ir porque meu irmão não se formou. Ele morreu no ano que ele ia se formar, alguns anos antes.

Ah, e em psicologia também. E em psicologia também. Tem umas barreiras pra gente enfrentar quando a gente quer bancar o desejo, né, Déa? É. Super obrigada por ter vindo, por ter contado a tua história. Por ter mostrado a sua carinha. Foi muito bom. Agradeço. Amei. Muito bom.

Déia, agora que você me respondeu várias perguntas, nada mais justo do que você me perguntar algo também. O que você gostaria de saber? Bom, eu te trouxe uma pergunta de uma fase que eu estou agora. Menopausa. Uhul! Quando eu entrei na menopausa...

Eu senti acho que todos os sintomas que a gente lê nas revistas, nas coisas, e eu fiquei mais burra, é a palavra, esquecendo de tudo, com muitos calores. E tá sendo muito difícil. Eu queria saber como é pra você, como foi pra você a menopausa.

A resposta para essa pergunta capriciosa da ideia eu dou no próximo episódio, no bônus Pergunta Vera, que é publicado na quinta-feira, aqui no feed do Isso Não É Uma Sessão de Análise. Até lá.

Esse foi o podcast. Isso não é uma sessão de análise, um original da Trovão Mídia. Na semana que vem, a gente faz mais uma visita às várias casas que compõem uma família. Até lá.

A direção e a produção executiva desse podcast são da Trovão. A produção, roteiro e montagem de som são da Laila Moalem. E a trilha sonora original foi criada pelo Arthur Decloé.

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