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Método científico, pseudociência vs ciência e mais! Nunca Vi 1 Cientista no #TecInverso

24 de abril de 20261h48min
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Como é o dia a dia de um cientista? Como funciona o método científico e como não cair em pseudociência? Como a desinformação pode ser perigosa? Ana Bonassa e Laura Marise, do canal Nunca Vi 1 Cientista são as convidadas do TecInverso! Com muito bom humor, as duas combatem a desinformação em ciência e saúde, usando a palavra do conhecimento para tornar a informação correta acessível a todos! Episódio gigante, não perca! 🎧 Ouça o TecInverso nas plataformas de áudio: Spotify:https://open.spotify.com/show/6M5Bc5TwbdNcIiCepA3cpC?si=5026f7759e1047fdApple Podcasts: https://podcasts.apple.com/br/podcast/tecinverso/id1832574534Se inscreva! Canal Cortes do TecMundo: https://www.youtube.com/@CortesTecMundo💡 Participe dos grupos do TecMundo e fique por dentro das novidades! - Telegram: https://bit.ly/tlgtecmundoCRÉDITOSConvidadas: Ana Bonassa e Laura MariseApresentação: Derek Keller Técnica: Lucas GhitelarProdução: Vitória Schmitz e Derek Keller Arte da thumb: Arthur Russo#TecInverso #TecMundo #Ciencia #DivulgacaoCientifica #MetodoCientifico #Pseudociencia #Saude #FakeNews #Educacao #CriadoresDeConteudo #CienciaNaInternet #PodcastAoVivo #YouTubeBrasil #Conhecimento #Internet

Participantes neste episódio3
D

Derek Keller

HostApresentador
A

Ana Bonassa

ConvidadoCientista
L

Laura Marise

ConvidadoCientista
Assuntos7
  • Método científico
  • Importância da ciência
  • Pseudociência
  • Desafios da Ciência no Brasil
  • Desinformação em ciência
  • Dia a dia de um cientista
  • Comunicação Científica
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Senhoras e senhores, muito boa tarde, espero que você tenha terminado de almoçar, porque eu, sim, eu sou o Derek Keller, um dos apresentadores aqui do TecMundo, e está começando mais um TecInverso, podcast do TecMundo, que mostra que tecnologia vai além de celular, vai além de notebook, vai além dessa coisa que você está assistindo agora, vai além de TV, tem muito mais coisa pra falar de tecnologia, e hoje, queria falar pra você que esse episódio é pra você...

Que assim como eu, amo a ciência. E assim como eu, também tem parente que acredita em tudo que vê na internet. Então, senhoras e senhores, o pessoal do Nunca Vim Cientista, Laura e Ana, muito obrigado por estarem aqui. E sejam bem-vindas ao TecMundo. Obrigada, obrigada pelo convite. Obrigado, vocês almoçaram também, né? Almoçaram. Essa entrevista jamais aconteceria sem comida, sendo envolvida.

Então, gente, muito obrigado por estarem aqui. E eu queria lembrar pra você que tá assistindo aqui de assinar também o nosso clube de membros. Ó, você tá vendo aí, o Mundo PSD comentou um monte de emojis esquisitos. Se você quiser ter acesso a eles também, acessa o nosso clube de membros, que tá aqui embaixo, em algum lugar. Você pode ter vídeos exclusivos, lives adiantadas, grupos no Telegram e muito mais coisa, tá bom? Mas, vamos começar esse papo com vocês, meninas.

Queria começar perguntando... É uma pergunta batida já, mas eu vou fingir que não sento. Vou perguntar para vocês como vocês se conheceram. E de onde veio o nome Nunca Vim Um Cientista?

Quer começar a explicar? Eu vou começar, então. A gente vem de caminhos diferentes. Eu, quando estava... Para quem não sabe, quando a gente faz graduação, mestrado, você ainda está ali, está safe. Quando você entra no doutorado, o bagulho começa a ficar louco, porque...

Você começa a ficar tenso, depois do dia que você defender a sua tese, você sai do futuro do país para desempregado, de um dia para o outro. Então você começa, e agora? O que eu faço? Eu vou fazer concurso? Mas não tem concurso para absorver todos os profissionais que fazem doutorado. Ah, eu vou para a indústria? Mas que indústria que eu vou? Ah, o que eu vou fazer? E aí eu comecei a ver que...

Poxa, a gente faz uma coisa muito diferente, que é pesquisa científica, que as pessoas não têm contato com isso. Aí eu falei assim, eu vou começar a gravar uns vídeos aqui, mostrar o que é... Como que faz a ciência? O que é feito no laboratório? Mas eu meio que não tinha os recursos para fazer isso ainda. Isso, gente, antes de 2018...

O YouTube não era igual, era hoje. As redes sociais também não eram iguais, são hoje, né? Hoje o negócio tá muito mais consolidado. Não tinha essa profissão, influencer, comunicador, do jeito que tem hoje. As coisas estavam sendo formadas. E aí eu não tinha muito o conhecimento de como que falar, como que traduzir a linguagem. E ficou aí essa ideia. E aí a Laura tem a parte dela.

No meu caso, eu trabalhei como voluntária presencialmente numa ONG, em que eu tinha que fazer exatamente o que a gente faz no canal presencialmente para as pessoas que estavam lá. Então, eu trazia informação sobre medicamentos, como farmacêutica era a minha função ali, prestar atenção farmacêutica para aquelas pessoas, mas eram pessoas dos backgrounds mais variados possíveis. Então, tinha gente que tinha estudo e instrução, tinha gente que não tinha.

Então, eu tinha que achar uma forma de comunicar com elas que todo mundo entendesse.

E ali eu percebi que eu gostava de fazer isso, né? Principalmente eu gostava e era importante pra mim. E as pessoas queriam aprender. Elas tinham interesse, elas tinham vontade de saber mais coisas, de entender como o corpo delas funcionava, de entender como aquele remédio podia ou não ser usado na gravidez, ou na amamentação, por quê, quais os motivos. E aí eu comecei a querer fazer algo maior.

Ela queria fazer algo mais, que atingisse mais pessoas, não só as pessoas da ONG pra quem eu trabalhava. Mas era isso, né? Era 2013, era pior ainda do que no doutorado, porque o YouTube, sei lá, tinha pouquíssimo tempo que a gente tinha os canais sendo consolidados, né? Tipo, tinham poucos canais muito grandes. Era mais os tutoriais de pessoas fazendo coisas com alguma câmera cyber shots. Tutorial e videogame. Tutorial e videogame.

Então, isso meio que ficou na minha cabeça, assim, eu quero fazer algo maior, mas não sei como, não sei que ferramentas usar, não sei onde. E aí, a gente se conheceu em 2018 numa competição de comunicação de ciência. A gente era competidor, eu sempre vou falar. Não é inimiga, é competidor. Competidor. Adversário, adversário. Adversário, é. E aí, nessa competição, era uma competição, claro, mas também era um treinamento. Então, tipo, a gente recebia treinamento de comunicação, de técnica de palco, de treinamento de mídia, várias coisas, né, relacionadas à comunicação.

E ali a gente primeiro angariou muitas ferramentas técnicas para poder falar de ciência, fazer comunicação. E também a gente viu que a gente tinha ideias muito similares do que a gente queria fazer. A gente queria falar de ciência de alguma forma. E aí juntou eu, a Ana e mais algumas pessoas e a gente falou assim, não, vamos... Aí eu falei para eles o que eu tinha em mente. Falei, olha, eu quero falar dessa forma.

E eu quero que a gente faça isso nas redes sociais. Porque as redes sociais estão crescendo, as pessoas estão usando muito. E eu quero que... Não quero que as pessoas tenham que descobrir que eu existo. Eu quero que ela pegue o celular e a gente esteja lá.

E aí a gente entrou de cabeça na história, e o nome a gente fez várias rodadas de ideias, e o nome que a gente tem hoje foi uma ideia que a Ana trouxe, que meio que reflete a ideia de que as pessoas, por mais que elas vejam cientistas todos os dias, elas não sabem que são cientistas. Então é uma ideia de que nunca vi um cientista.

Mas na verdade você provavelmente é vizinho de um, sabe? Você é vizinho de alguém que faz mestrado ou doutorado e essa pessoa é um cientista. É porque na cabeça das pessoas o cientista é um homem branco, velho, antissocial, que fica sozinho no laboratório falando eureca. Tem uma pesquisa de percepção pública da ciência que foi feita em 2016, antes foi... Não lembro. Bom, enfim. Que perguntavam... Essa última é de 2019.

É, então foi antes, né? Foi antes dessa, foi a anterior. Em 2016, então. Acho que é cada três anos. Perguntaram assim, ah, você sabe o nome de algum cientista brasileiro vivo? E aí muitas pessoas respondiam, a resposta mais obtida foi Albert Einstein.

É o hospital ali. Brasileiro vivo. E aí é isso, as pessoas não sabem associar a figura do cientista a uma pessoa comum, uma pessoa que faz pós-graduação, que está ali na universidade. Elas acham que é quase uma entidade, uma figura inacessível. Não, você já viu um cientista, né? Vamos desestereotipar a figura do cientista e falar que pode ser qualquer um, inclusive para incentivar as pessoas. Porque quanto mais pessoas fazem...

Foi um dos nossos primeiros posts, assim, né? Porque a gente não começou com vídeos, a gente começou com posts estáticos.

E um dos primeiros que a gente fez, a gente pegou várias imagens e fez uma montagem, assim, tipo, ah, e colocou o número em cada imagem. Aponte quais são os cientistas. Foi o primeiro post. E aí eram fotos nossas, né? Do grupo, assim, da competição. E tinha gente de jaleco. Aí o povo, ah, esse de jaleco é cientista. Não, não é! Esse é só um vendedor de colchão. É.

E aí, isso foi uma das primeiras coisas que a gente fez, que era realmente, a nossa ideia inicial era mostrar assim, olha, você conhece cientistas, você já viu cientistas e você provavelmente está mais imerso na ciência do que você imagina. Então, essa foi a ideia por trás de tudo que a gente criou. E dessa turma que se formaram com vocês nesse curso, que vocês eram adversárias e inimigas mesmo, era assim. Mas alguém seguiu essa área que vocês estão agora também, de comunicação?

No início, a gente, todo mundo meio que fazia, quem estava com vontade de fazer coisas assim, fazia parte do grupo inicial, que formou no caminho cientista.

Aí, no fim, só eu e a Ana acabamos ficando no canal, cada um segue a sua vida. Eles até têm Instagrams, mas assim... O Lucas fez um pouco, né, que ele tinha um mural científico, mas eu não sei se ele tá tocando isso ainda hoje.

E que eu saiba profissionalmente só sobre a gente. Só sobre a gente, é. Porque assim, dá pra produzir conteúdo. É o que a gente sempre fala. É uma pergunta de um milhão, né? Dá pra fazer a pesquisa científica e fazer a comunicação científica? É muito difícil. Não, peraí, dá. Você faz mal as duas coisas. É, você faz mal. Exatamente. Tanto que foi por isso que eu saí. Eu tava no pós-doutorado.

Uma bolsa FAPESP, porque quem não sabe, a bolsa FAPESP é a melhor bolsa. É a bolsa mais gordinha. É, assim, eu tava... O melhor salário. No topo da carne seca, assim. Aí eu tinha mais um ano ainda pra eu poder renovar a bolsa. E eu falei assim, eu vou tomar uma decisão. Eu não tô conseguindo... Eu tô sentindo. Eu não tô conseguindo fazer os dois. E eu nunca vi um sentido. Isso nem era tão grande. Não era gigante. É, sério.

Ai, sigam a gente, vamos pegar um milhão logo. Mas enfim, ele era bem menor. Isso que eu quis dizer. E eu já sentia que não dava. Eu não conseguia. Eu falava pra minha supervisora, olha, ela não. Desculpa se eu não deixei claro pra você, mas assim, eu acho que você tá fazendo um trabalho fantástico.

mas eu não acho, eu acho que eu poderia estar fazendo mais aqui e mais aqui. Então, eu saí da área de pesquisa e fiquei só na divulgação científica. Então, é isso que a gente sempre fala, assim, dá para fazer os dois, mas para você ser relevante nos dois é bem complicado, é mais difícil.

É, isso que eu ia perguntar, como é que era equilibrar um doutorado com... Não, na verdade a gente começou no Cabeu Cientista quando a gente já tava saindo do doutorado. A gente se conheceu em abril de 2018, eu defendi em agosto de 2018 e a hora de defender no setembro. Setembro. Setembro ou novembro? Não lembro. Setembro. Foi 11 de setembro. Ah, então é isso, a gente redefendeu junto ali. YouTube não... Eu também fiquei meio...

Então a gente, o Nucamista Dentista nasce quando a gente já terminou o doutorado, né? A gente já estava ali no final, a gente já entrou no pós-doutorado. E aí no pós-doutorado a gente desenvolveu junto o nascimento do canal. E aí foi curioso que a gente se conheceu na competição. A competição foi no Rio de Janeiro. A gente nunca tinha se visto antes. E aí eu fazia doutorado no interior e a Ana fazia doutorado aqui em São Paulo.

E aí eu vim pra São Paulo pra fazer o pós-doutorado e a gente acabou sendo vizinha no mesmo instituto. Nós fomos as duas pro mesmo instituto fazer pós-doutorado de uma forma completamente coincidente. E aí era ótimo, porque a gente tava um corredor de distância, né, todos os dias e a gente conseguia se encontrar pra gravar vídeo e fazer as coisas que a gente tinha planejado. Mas foi difícil, assim, de...

Acho que no começo talvez foi mais fácil, porque no começo a gente fazia de uma forma não profissional. Então era assim, ah, quando dá a gente faz. Aí quando as coisas começaram a ficar um pouco maiores, aí começa a ser uma coisa de demanda mesmo, porque você tem um público, você tem uma expectativa, porque se você não postar vídeo...

Nos tais dias que você se programou, a sua renda no final do mês já não vai ser tão boa. A rede social consegue... Então, você começa a ter... O seu vídeo vai ser menos distribuído. Enfim, tem várias coisas. O algoritmo não perdeu. A Ana ainda saiu direto da carreira acadêmica pra ficar só com o canal. Eu ainda tive um período que eu trabalhei numa empresa. Então, eu saí do pós-doutorado pra uma empresa.

E aí fiquei nessa empresa e eu vi que, tipo, cara, não é isso que eu quero. Eu gosto de falar e de ter liberdade pra falar e na empresa não ia ter, não ia conseguir fazer as duas coisas. Tem compliance, tem um monte de coisa que podia dar errado. E aí, a decisão foi também de ficar só com o canal. Mas é um processo muito complexo, porque você tem que lidar com muitas coisas. Se você chegar à conclusão de que você quer isso como uma parte do que você faz, e isso não vai ser a sua profissão,

Eu acho que você consegue. Ah, tem um tempo que eu li pra aqui. Vou gravar um videozinho aqui. Tá tranquilo. Agora, se você se propuser a fazer X vídeos por semana, postar sempre e querer que isso seja a sua fonte de renda, aí é mais complicado levar as duas coisas ao mesmo tempo. É. E essa parte de curiosidade, de querer saber como é que funcionam as coisas, vem desde criança? Ou quando vocês começaram a trabalhar, vocês nem sonhavam em trabalhar com ciência?

Olha, eu... É, vou começar falando. Começa porque a minha história é diferente. É, também tudo diferente. É assim que é bom. Eu só fui indo, assim. Eu sabia... A Ana foi sendo levada pela vida. Eu fui ser levada. Eu era uma aluna muito dedicada. Eu era a primeira da classe. Eu era o nerd clássico.

sentava na frente cheia de espinha sem amigo, horrorosa triste, minha vida solitária e aí eu sabia que eu queria fazer, eu queria sair da minha cidade e eu queria pra sair da minha cidade eu falei assim, bom, vou prestar um vestibular pra sair da minha cidade

E eu já queria fazer alguma coisa, assim, eu gostava muito de estudar todas as áreas. Química, física, biologia, história, eu gostava de tudo. Talvez matemática não entenda. Mas eu gostava de muita coisa. E aí eu fiquei muito na dúvida. Eu falei assim, bom, vou prestar biologia. Aí eu prestei biologia, passei. Passei em segundo lugar, falei assim, bom, que legal, vamos fazer. E aí, fazendo a faculdade, eu morei com uma menina que estava fazendo mestrado.

E aí ela falou assim, olha, você tem que fazer mestrado, hein? Eu falei assim, ah, então tá bom, vou fazer mestrado.

Eu meio que foi indo, sabe? Foi ideia, né? Mas, assim, a partir do momento que eu tive contato com pesquisa científica, eu me apaixonei. Na hora. Porque, assim, eu assisti uma aula numa semana da biologia. Imagina, a biologia, no primeiro ano, a gente tem coisas muito, muito básicas. Não vai adentrando ainda nas matérias específicas da biologia. São os... Estatísticas. Sabe? Um negócio geralzão.

E aí eu tive uma aula de fisiologia. Fisiologia, biologia, tem no quinto ano. E eu tava no primeiro. Então, a professora chegou lá naquela lousa, giz e uma lousa, e desenhou uma célula beta pancreática, falou, olha, o que que acontece com a secreção da insulina? Chega a glicose aqui, não sei o que, aí o glúteo entra aqui pra cela, libera cálcio, né? E ela ficou meia hora falando e falou assim, então é assim que é a secreção da insulina pelo pâncreas. E eu olhei aquilo e falei assim, eu não entendi nada.

Eu não fazia ideia do que era aquilo, mas eu achei sensacional. Os olhos brilhavam assim, ó. E eu tinha conseguido um estágio num laboratório de Ictilparasitologia, que estudava parasitos de peixe, né? Você precisa fazer esse controle pra saber como estão os peixes. A gente estudava os peixes da bacia do Rio Paraná, ali perto da UEM, né? Eu fiz Universidade Estadual de Maringá. E aí, eu já tava com esse estágio.

E aí eu falei assim, eu quero mais um, eu quero esse outro. Eu quero mais precious. Eu quero mais. Aí eu cheguei, porque não dá você abandonar. Eu já tinha um projeto já nesse laboratório de hidroparantologia, então eu ia ter que terminar esse projeto. Aí eu bati lá segunda-feira no laboratório dessa professora que explicou.

E aí eu falei assim, você está aceitando um aluno de iniciação científica? Ela, olha, não estava precisando não, mas tem uma mestranda aí que está precisando de ajuda, então pergunta para ela se ela quer. E aí eu fui, passei um ano basicamente limpando rato, cuidando de rato, ajudando, aprendendo a tratar rato, não sei o que, enquanto eu tocava o negócio do peixe, o negócio do rato, o negócio do peixe. Aí eu terminei o negócio do peixe, me dediquei mais ao rato, e aí ganhei um projeto só meu, e aí eu falei assim, eu quero essa área, fisiologia. E aí eu falei assim, ah...

Não tem aqui. Lá em Maringá não tinha ainda um departamento mestrado em fisiologia. Eu falei assim, ah, em São Paulo tem. Então, vou para a USP. Vou passar. Vou passar. Estudei, estudei, estudei. Passei. E aí, é isso. Então, a partir do momento que eu tive contato com a pesquisa científica, o olho brilhou assim e nunca mais... Quer dizer, eu...

É achar comunicação científica e aí eu... Achar uma coisa que eu gostei mais. E aí eu saí pra comunicação científica. É, não. A gente tem trajetórias muito diferentes. Porque a Ana, enquanto ela foi sendo, tipo, ah, tá bom, vai descobrindo e vai indo, sabe? Eu não, eu era uma criança muito determinada. Eu queria... Eu sabia, eu tinha certeza que eu queria ser cientista. Mas aí, como toda criança tem a fase do dinossauro, durante a minha fase do dinossauro, eu achava que eu queria ser paleontóloga.

Mas eu já tinha na minha cabeça que eu queria ser cientista desde criança. E aí, muito vem de eu ser muito nerd e gostar muito de estudar e querer entender. Eu tenho uma necessidade quase patológica de querer entender como as coisas acontecem.

E aí, isso sempre aconteceu, né? Inclusive, isso gerou atritos meus acadêmicos durante a minha trajetória, porque eu queria saber mais o que o professor estava explicando. E aí, nem todo professor está aberto a fazer isso. Tinha professores que me davam tarefas além, né? Tipo, tinha uma professora de inglês que eu fazia toda aula de inglês separado, do resto da turma. A de química também. Mas tinha professor que não gostava.

Então, isso foi uma questão. Mas eu cresci dentro da Unesp. Meus pais eram funcionários da Unesp. Então, literalmente, eu cresci dentro da Unesp. Não é um eufemismo. Porque quando eu nasci, minha mãe já era funcionária. Então, eu tenho foto sentada dentro do... Como é que chama? Pbx, que era a central de telefones. Os jovens não treinaram o dedo, que é o Pbx.

E eu sentadinha lá no PBX com a minha mãe, atendendo o telefone, assim, tipo uma fotinha. Então, eu tinha contato com o mundo acadêmico mesmo, não só com a ciência em si. Para mim, a ciência não era um negócio tipo, ai, que legal ser cientista. Não, eu via como era ser cientista, eu achava aquilo incrível.

E eu também tinha contato com os professores, tinha contato com os alunos. Meu pai, ele sempre foi motorista da universidade. Então, às vezes eu viajava junto com ele e junto com os professores. E aí eu conversava com os professores. Tinha um professor que eu adorava, ele adorava que eu fosse junto. A gente ficava conversando. Então, tipo, era muito gostoso ter essa troca.

E eu fui decidindo fazer, não, eu quero isso aqui. É isso que eu quero. Eu quero ser cientista mesmo. Eu quero seguir a carreira acadêmica. Aí eu só não sabia direito pra onde ir, né? Que área e tal. Aí nos anos 2000, tava tendo o boom da genética, né? Sequenciamento do genoma humano, clonagens acontecendo. E eu achava aquilo incrível. Eu ia dizer, caraca, isso é muito da hora. Você tá manipulando o DNA, sabe? Isso é maravilhoso.

E aí eu achava que eu tinha que fazer biologia, porque o nome da área grande é biologia molecular. E eu achava que eu tinha que fazer biologia pra isso. Aí conversando com professores e alunos da Unesp, eu acabei decidindo por fazer farmácia. E aí eu fiz farmácia não porque eu queria ser farmacêutico, sim porque eu queria ser cientista. Porque um dos professores me disse, olha, a faculdade que vai te preparar pra isso é a faculdade de farmácia.

Então, faz farmácia. Se você quer, faz farmácia. E aí você pode estagiar no meu laboratório, porque ele tinha um laboratório de biologia molecular.

E aí foi assim, tipo, eu entrei no laboratório dele no primeiro ano também.

que eu aproveitei uma greve que teve na faculdade que eu não tinha aula. Aí ele mandou um e-mail, ele falou assim, já que você está sem nada para fazer... Porque a gente tinha conversado, ele falou assim, olha, faz o primeiro ano de faculdade, no segundo ano a gente conversa. Muito cedo você entrar a fazer pesquisa agora. Mas aí como teve a greve, ele falou assim, ah, você está sem nada para fazer? Vai para o laboratório. Chega aí. E aí foi assim, aí eu comecei, comecei a ajudar uma doutoranda.

E aí depois uma parte do projeto dela veio pra mim, desenvolvi o projeto. E aí eu falei, tá bom, já aprendi isso, agora eu quero trocar. E aí eu troquei bastante, assim, de linha de conhecimento ao longo da minha carreira acadêmica, porque eu tinha vontade de aprender coisas novas. Então eu fiquei um tempo na hematologia.

trabalhei com biologia molecular, que era o que eu sempre quis. Aí fui pra hematologia com biologia molecular também. Depois eu voltei pra trabalhar com bactérias, que foi o que eu sempre amei. E aí, no doutorado, aí eu mantive a linha de bactérias, porque era o que eu gostava mais. Eu sou uma pessoa apaixonada por bactérias. Só uma coisa, ela fala, bactérias eu sempre amei. Fala isso de novo em 2050.

Não, é. Veja bem. O fato de elas poderem nos matar e talvez voltarem a ser como eram antes dos antibióticos sirentes cobertos é uma coisa. Você vai mesmo jogar essa bomba aqui. Não, já, já. Isso não elimina o fato de que elas são seres incríveis. Ah, são maravilhosas. Linda, linda. Eu sou literalmente doutora em bacteriologia. Porque realmente eu amo bactérias. Doutora, bactéria aí, ó. Você comentou agora sobre querer entender.

tudo, o que leva por trás e tudo mais, acho que foi o que mais me atrapalhou na parte de matemática, eu não precisava atenção na parte de números, eu queria entender tá, por que que é X? De onde vem, né? Quem colocou X? E Y? Por que os colchetes? Eu ficava pensando nisso, eu nunca prestei atenção, eu sou péssimo em matemática, é a minha pior matéria. Então, acho que a culpa é um pouco disso, eu queria entender mais do porquê disso tá aqui, do porquê como funciona.

Isso me bloqueia às vezes em alguns assuntos, porque se eu não consigo entender como a gente chegou até aquela informação, eu não consigo sair daquele limbo. Às vezes, quando a gente está escrevendo um roteiro, às vezes eu falo para a Ana, eu estou travada aqui no roteiro, daqui a pouco eu avanço. Porque aí eu vou parar em artigo de 1837 para entender de onde surgiu.

Ah, era o que eu entendo. Ah, era isso. Ah, tá bom. Aí eu avanço. Eu fico presa ali naquilo até eu entender como é que funciona. Mas isso é um inferno. Você precisa produzir coisas. Não, aparece bastante agora nos jornais da guerra de Irã com os Estados Unidos. Eu fico...

Por que Irã? Por que mudou? Por que mudou? Aí você vai ver, você tá estudando cuneiforme. Nossa senhora! Então assim, você lê um livro inteiro pra entender o porquê da guerra do Irã. Então assim, minha cabeça funciona desse jeito. E bom que eu não tô sozinho. Não, eu te entendo.

Eu te entendo. Às vezes mais atrapalha. Às vezes tem coisas que eu não começo, porque eu sei que eu vou ter que ir muito a fundo. E a gente tem alguns exemplos clássicos de vídeos nossos, assim, que eu viro pra ela e falo assim, cara, a gente tem um problema. Porque um roteiro clássico de YouTube, pra gente, é cerca de quatro, cinco páginas de Word, assim. É.

Aí, às vezes, teve um vídeo que eu não tinha acabado ainda. Eu falei assim, Ana, eu tenho 18 páginas escritas. Esse é o do café? Era o do café. Ela se empolou café, gente. Ela ama café. E do chá também, né? Eu lembro que o do chá... Eu até esqueci que eu tinha que falar do Masterchef. Era uma análise do Masterchef. É verdade. Eu comecei, foi tipo... E aí, tipo, caraca... Ah, é o Masterchef, é verdade.

Mas isso às vezes é um problema, porque aí eu não consigo ter limite. Não, mas esse problema é ótimo. Não, é, pra quem produz conteúdo, sim. Porque assim... Pra vida, não. Vira cinco vídeos. Ah, vou fazer um vídeo só pra ver. Ah, vai ser uma série. Pronto. Não, café, acho que eu fiz oito vídeos. É, oito vídeos. É que dá dó de tirar alguns conteúdos. É, porque tem coisa que é muito legal. Acho que isso aqui é importante colocar.

É, tem coisa que é muito legal. E aí eu faço assim, as pessoas precisam saber disso. Eu preciso só contar pra elas que isso existe. E é isso.

E vocês comentaram sobre trabalhar no ramo de ciência e tudo mais. Como é que é o dia a dia de um cientista? O que vocês fazem? O que vocês comem? Como é que vocês vivem? Olha, hoje eu almocei uma sopa de cebola.

você é uma tilápia com o pacote. É, então, mas... A gente é muito mais normal do que as pessoas imaginam, né? É. A gente não é mais cientista. É, atualmente. A Laura me lembrou que a gente não pode mais fazer um pós-doc. Porque já faz sete anos. Já fez sete anos que a gente defendeu o doutorado. Nossa, tem isso também?

É, você só pode entrar no... Porque o pós-doc, ele é um estágio, né? Ele chama de estágio, chama de pós-doutorado, que é um nome bonito, pra nomear um limbo acadêmico que você se encontra, que você é um desempregado. Você não é professor. E ainda não é um professor. Então, é um limbo acadêmico, é o pós-doutorado. E aí, pra você poder pleitear uma bolsa, né? Uma posição de pós-doutorado, você tem que fazer isso dentro de sete anos depois da defesa.

E a gente teve feito em 2018. Como ela falou isso, que é uma lágrima. A gente não pode mais ser postdoc. Não pode, né? Enfim. A não ser que a gente faça isso de maneira informal, sem bolsa. Sem bolsa. Com financiado, não pode mais. Mas no dia a dia, antigamente, como é que era? Como é que era o trabalho de vocês? Porque muitas pessoas veem cientistas, astrofísicos, e não sabem o que eles fazem no dia a dia. Talvez eles achem que é uma descoberta todo dia ou não. Como é que é?

As pessoas acham que a frase que a gente mais diz é eureca, no sentido de, nossa, descobri. A frase que a gente mais diz é, puta, merda. Eu tenho que repetir isso, cara. Merda. Porque, às vezes, você faz o experimento, um pouco de como era a minha rotina. Eu trabalhava com bactérias, e do doutorado para o pós-doutorado, eu comecei a trabalhar com biofilme de bactérias. Biofilme é como se fosse um condomínio de bactérias grudado em alguma superfície.

Então, isso se forma, por exemplo, aquele lodinho verde que a gente vê no chuveiro, na piscina, aquilo é um biofilme.

na boca também a placa dentária é um biofilme e aí eu demorava 15 dias pra crescer um biofilme pra eu depois mexer, manipular ele do jeito que eu queria, então nesses 15 dias, eu não tinha muita coisa pra fazer então eu ia lá cuidava das bactérias, preparava alguma coisinha aqui, uma coisinha ali de material o resto era estudando, escrevendo um relatório

estudando outros artigos, entendendo pra onde você iria, planejando o protocolo. É muito mais chato do que as pessoas imaginam. Porque você vai fazer o experimento, você tem um protocolo. Então, você tem que ver todas as etapas de que você vai fazer, por quanto tempo, quais os materiais, se você tem tudo, se você não tem, se você tem que preparar, se você tem que comprar. E aí, tem todo um... Ah, vou ter que reservar equipamento pra fazer isso?

Não vou... Então, é todo um processo de você listar, realmente, protocolarmente cada uma das coisas que você vai fazer.

diariamente. E aí, no meu caso, isso era muito mais simples porque eu não tinha que lidar com animais. A Ana tinha uma rotina muito diferente da minha, porque ela trabalhava com animais. Eu só trabalhei com células, seja células de mamíferos, seja células, né, micro-organismos. Trabalhei com leveduras, células de humano e bactérias, só. E larvas. Trabalhei com larvas de mosquito Aedes aegypti.

Então são coisas mais fáceis de cultivar Você bota pra crescer, ela cresce e você faz o seu experimento Mas a maior parte do tempo É estudando, é lendo artigo É escrevendo, quando você tem bolsa Você tem que fazer relatório Burocracia, relatório é uma desgraça Mas eu diria que o cientista passa muito mais tempo Planejando o que fazer

Do que, basicamente fazendo, assim, gente, varia muito da minha área. Depende muito da área, claro. A minha área era o seguinte, eu trabalhava com animais, isso foi no mestrado e no doutorado. Então, animais, você tem que, dependendo do seu protocolo, ah, você tem que tratar por dois, três meses. Eu tratava os bichos, então eram bichos muito valiosos, você fica muito tempo...

De domingo a domingo, indo no laboratório tratar eles, às vezes duas vezes por dia, limpava o bicho, tratava o bicho, fazia as intervenções. Então, quando chega o momento de coletar os resultados, traduzindo aí para a galera, é o momento que o bichinho...

Vai embora. Não tem que fazer, a ciência... Encerra a assinatura da vida dele. Encerra a assinatura da vida. E aí, é um bicho muito valioso. Eu tenho que saber exatamente se eu for fazer um tipo de teste pra saber alguma coisa. Eu tenho que saber, tem aquele reagente? Esse reagente, se eu pedir agora, vai chegar a tempo? Ah, vai chegar. Às vezes, demora seis meses a importação. Ah, e não vai chegar a tempo. Então, eu preciso procurar um professor associado aqui pra pedir emprestado. Dá seus pulos. Então, tem que estar tudo...

perfeito pra quando chegar o momento de fazer todos os experimentos e coletar o que eu precisar coletar, e aí depois disso, aí vem o tempo de processar tudo aquilo, analisar, fazer gráfico, mostrar pro seu orientador, discutir, ter reunião. Então...

É bem legal, é bem trabalhoso, mas assim, talvez seja um pouco menos empolgante do que as pessoas imaginam. Que o povo mistura líquido e colorido. Eu acho que avisou que todo mundo... Uma explosãozinha. Todo mundo ganha um kit alquimia. Se tiver explosão, pelo amor de Deus. Se tiver explosão...

Ou olhar no microscópio e falar assim, olha. Aí chega todo mundo, vem, olha. E as células assim, ó. Ou pior que isso já aconteceu comigo, mas até hoje ninguém... Eu não consegui descobrir. Ela é a terceira cabeluda? Eu não consegui descobrir até hoje o que era. Nenhum professor quis me ajudar nisso. E aí eu desisti.

Ela viu uma bactéria cabeluda, por isso que ela gosta de bactéria. O tratamento que eu fiz na bactéria fez ela criar, tipo, uns tentáculos, assim. E ninguém nunca tinha visto aquilo, eu também nunca tinha visto aquilo. E aí ninguém sabia explicar, e aí minha orientadora cagou. E aí eu desisti. Aí eu abandonei o...

A brincadeira caiu e a bactéria cabeluda. Caramba. Mas é isso, a gente acaba sendo um bom cientista, uma pessoa que é muito boa de planejamento e organização. Se você não for organizado e bem planejado, você não consegue fazer. É verdade. Uma coisa importante para mencionar é que aqui no Brasil é um pouquinho mais difícil. A gente tem que ser ainda mais organizado e ainda mais planejado.

Porque tudo que você vai impedir demora, realmente demora. Às vezes, realmente demora seis meses. São importações, né? Os reagentes vêm todos de fora. Porque você não pode, tipo, ah, vou pedir um delivery do reagente. Não, ele vem todo de fora. Então, precisa ajuntar as pessoas no laboratório pra pedir o que todo mundo quer. E isso demora meses pra tabelar e aí faz um pedido. Então, peço lá pra empresa tal. Essa empresa tem tudo isso daqui?

Ah, então vou fazer esse pedido de importação. E isso vai demorar meses pra chegar.

Então, você precisa se planejar bem. E o brasileiro, o pesquisador brasileiro, meio que aprendeu isso. Então, esse é um pesquisador muito valorizado lá fora. Porque, assim, primeiro, que a gente tem um bom planejamento. Segundo, que a gente tem jogo de cintura no sentido de... Qual que é a palavra lá? Ajuste técnico? Gambiar?

A gente se vira muito. A gente se vira. Então, ai, não tem esse equipamento pra ficar mexendo o meu reagente aqui. Às vezes tem que mexer por seis horas. Tem que chacoalhar assim. Ah, silver tape aqui. Põe, bota aqui o negócio aqui. Vai lá. Sabe, a gente tem jogo de cintura pra fazer as coisas acontecerem com pouco que a gente tem. Então, isso é muito valorizado lá fora.

Eu vi isso na prática duas vezes, assim, eu fiz estágio no exterior duas vezes. Nas duas vezes eu ficava, tipo, mano, isso aqui é Disney do cientista, porque você tem disponível, tipo, um mercadinho de coisas do laboratório. Coisas que aqui pra gente pode demorar até seis meses pra chegar, lá eles saem da portinha do laboratório deles, pegam um carrinho, vai até na outra portinha, pega as coisas que eles precisam e volta. Sabe, tipo, em meia hora você tem tudo o que você precisa.

E aí se não tem ali, e você vai pedir, vai comprar, e alguém vai mandar entregar...

No máximo na semana seguinte, tá ali, sabe? Então, era um negócio muito absurdo. Eles não dão valor pro quanto eles têm de facilidade de fazer pesquisa. E aí, eu cheguei no segundo estágio e eu precisava usar um equipamento meio que... Quase que todo o meu estágio foi planejado pra usar esse equipamento.

E aí eu cheguei lá, ah, o equipamento não tava funcionando. Tá quebrado. Ele tá desalinhado, porque tinha um jogo de lasers, assim, que fazia a leitura da amostra. Ah, ele tá, não tá, a gente tá esperando o técnico aparecer, não sei o que tem, sei lá. Há meses ninguém usava o equipamento porque o negócio não tava funcionando. Aí eu peguei, era um jogo de espelhos, assim. Aí eu tinha um laser pointer, eu botei aqui onde, eu falei assim, é aqui que entra o... É, tá bom.

Botei o laser pointer. Alinhei os espelhos pro caminho fazer o... Pro laser fazer o caminho que ele tinha que fazer e sair do outro lado. Botei minha amostra ali. Falei, professor, isso aqui? É, ele... Ficou em choque! Ele ficou em choque! Porque eles estavam esperando um técnico especializado vindo da sei lá onde, há meses. E nenhum dos alunos conseguia pegar o negócio e fazer o que eu fiz. O que era? Era um citômetro?

Não, era tipo um leitor de infravermelho. Era como se fosse uma espectroscopia Raman, mas era adaptado para biofilme. Era diferente. Essa leitura servia para eu saber qual era a composição do biofilme de bactérias que eu estava crescendo. Se tinha mais proteína, mais gordura, mais carboidrato, era mais ou menos nesse sentido.

E aí, se eu não tivesse feito isso, eu tinha perdido o meu estágio de doutorado. Caramba! É, ia ter que ter um plano B. Ia conseguir, porque, né? É, eu tinha que me virar e falar assim, não, tá bom, então esse experimento eu vou abandonar e vou ter que criar outro experimento pra fazer o que eu preciso. Então, e aí, isso...

às vezes as pessoas ficam assim, ah, porque o cientista brasileiro não faz nada, não sei o que bicho, a gente faz muita coisa e a gente faz muita coisa com muito pouco, eu fico imaginando o que o Brasil não ia conseguir fazer de ciência se a gente tivesse todos os recursos disponíveis como outros países tem imagina se a gente tivesse um mercadinho de reagente

Em seis meses fazer o doutorado. Nossa, sim. É, porque não tem... Por que isso? Porque a gente passa muito tempo esperando coisas chegarem. Ah, esperando consertar equipamento porque não tem verba pra consertar equipamento e não tem equipamento reserva. Ou estrutura mesmo. Às vezes, quando você vai num laboratório no exterior...

um equipamento que um instituto inteiro compartilha, lá eles têm dois, três. Ah, nesse andar aqui tem três ali, você pode pegar esse, se não tiver ocupado vai naquele ali. Sim, tinha uma sala com equipamentos. Eu lembro a primeira vez que eu estava ainda na iniciação científica, lá na graduação, né? Então, eu estava fazendo o laboratório lá do rato. E aí, eu fui no meu primeiro congresso, né? Você vai apresentar os seus primeiros resultados e tal.

Então, você tem contato com várias pesquisas que dão muitas ideias. E aí, eu cheguei para mim, eu fui anotando. Então, eu sei.

olha, dá pra fazer esse teste, esse teste, aí pega o rato, bota aqui. Aí eu cheguei pra minha orientadora, eu falei assim, olha o que dá pra fazer ela. É, eu sei, eu sei que dá pra fazer tudo isso, só que a gente não consegue fazer aqui. Ela foi um balde de água fria, porque assim, não era novidade pra ela, claro que ela sabia. Eu tava sabendo pela primeira vez.

Você estava deslumbrada, né? É, mas precisava do equipamento tal, tal, tal, tal, tal. E aí, não dava para fazer. Quando eu vim fazer o estágio na USP, porque antes de passar no mestrado, eu vim conhecer o laboratório para ver se o orientador aceitava me orientar, caso eu passasse na prova de inclusão, né? No mestrado. E aí, ele falou assim, ah, vem aqui, fica uma semana aqui para conhecer o laboratório, ver se você gosta e tal, né?

Conhecia São Paulo, eu não conhecia São Paulo. Aí, eu cheguei... Você arrependeu, chegou aqui e você arrependeu.

Ah, loucura. Aí eu cheguei e eu vi que eles jogavam fora uma... Chama-se ponteira de pipeta. Quando você vai transferir o líquido de um lugar para o outro, você pega como se fosse um bagulho que parece assim, né? E ele tem uma ponteira que é descartável. Ela é descartável. Ela realmente é para jogar fora. Só que lá na UEM, em Maringá, a gente não tinha verba para ficar... jogar fora, assim. Então, a gente reutilizava. Então, a gente ficava horas... Tchau, tchau, tchau, tchau.

Chacoalhando, chacoalhando, lavando, lavando, secando Pra reutilizar, porque é um plástico caro Quando eu cheguei lá na USP, o povo usava, descartava, descartava E eu vendo aquele pote encher Aí eu falei assim, o que menina?

Vocês não limpam com pinho sol? Eu peguei aquelas ponteiras, fiquei essa uma semana vendo todo mundo lavando. Eu levei pra Maringá um saco de ponteira lavada. Olha, profissão, o que eu trouxe? Dá pra gente fazer muita coisa com isso aqui. E com balde no ombro assim, ó.

É recurso, né? É falta de recurso. Então, assim, eu só saí de Maringá pra USP e eu já vi uma grande diferença. Imagina sair, sei lá, de Maringá e ir pra um laboratório no exterior que tem o tal Mercadinho, que eu nunca vi. Gente, é uma coisa que você fica abismada. O Mercadinho, a primeira vez que eu vi, eu fiquei muito chocada. Então, imagina a gente ter estrutura. Não só acesso a todos os reagentes que precisa, mas equipamento.

verba... Equipamento e manutenção, né? Manutenção. Imagina ter acesso a tudo isso. O quanto que a gente não publicaria, o quanto que a gente não descobriria de coisas locais que ninguém tá pesquisando, porque, assim, os Estados Unidos tá fazendo pesquisa que, basicamente, atende muito aos Estados Unidos. Então, tem os problemas deles, tem as doenças deles, tem, sabe? As prioridades. As prioridades dele. Agora, uma...

uma doença que não aflige eles, um remédio que não vai ajudar eles, alguma coisa que... Você tá entendendo? Então, diversificar e colocar outras pessoas trabalhando com estrutura pra ciência poder progredir seria extremamente importante. Então, seria extremamente importante os países levarem a sério a pesquisa científica. É só assim que um país sai da bosta.

Porque é assim que a gente cresce. A gente tem que pesquisar, a gente tem que conhecer as coisas pra inovação, pra tecnologia, pra avanço científico, pra novo medicamento. Todo mundo gosta de um novo medicamento que vai melhorar a vida. Que antes você tomava igual a nova injeção de insulina, né? Que vai ser agora semanal, depois vai ter umas até menos tempo. Então, todo mundo quer melhora na sua vida, com uma doença que é difícil, com uma doença que você tem que tratar pro resto da vida.

Então, essas inovações, assim, é só com pesquisa científica. E só com investimento.

É isso que eu ia perguntar para vocês, qual que é a maior dificuldade que vocês veem hoje em dia para se tornar um cientista, um estudante na área aqui no país, na parte de verba, essas coisas. E se vocês acham que isso acaba refletindo na população também, né? Porque aqui é um país que a gente tem lidado todo dia com informação falsa, seja de política, seja de ciência. Acho que ciência, o mais grave foi uns anos atrás, né?

Ah, não, ainda tem bastante coisa bem problemática, sim. Mas eu acho que, eu não sei se a gente, eu não sei se mais pessoas se tornarem cientistas muda a questão da desinformação, porque a gente vê profissionais da saúde que são antivacina, por exemplo. Então, nem sempre a formação acadêmica combate a desinformação nesse ponto, né?

Mas acho que a gente tem muito mais acesso hoje, né? Tipo, a gente tem mais acesso das pessoas à universidade, né? Tem vários sistemas que permitem mais acesso das pessoas à universidade. E aí dentro da universidade a gente tem mais acesso das pessoas à pesquisa científica. Mas é muito difícil em muitos casos elas se manterem na pesquisa porque o salário que a gente chama de bolsa porque não é um vínculo trabalhista...

Mas não é um auxílio social do governo, né? A bolsa de pesquisa, ela é o nosso salário. Para muitos casos, essa bolsa é inviável para a pessoa se manter, né? Por exemplo, a bolsa federal, né? Que é do CNPq ou da Capes. Agora a gente teve um reajuste, mas é tipo, para você fazer um doutorado, ela é menos de 4 mil reais para você morar em São Paulo. Nossa, não dá.

E aí é dedicação exclusiva. Você não pode trabalhar, você não pode ter outra fonte de renda. Nem que você faça home office, ah, eu vou, sei lá, escrever textos para um blog em troca de dinheiro. Não pode. Sério? Não pode. Caramba. A FAPESP, que é aqui do estado de São Paulo, que é a Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de São Paulo, cada estado tem a sua FAP.

A FAPESP abriu algumas exceções para permitir algumas atividades extras para as pessoas poderem ter uma renda extra. Mas é um rol bem limitado de atividades, mas que, beleza, está permitido. Outras FAPES e as agências federais já não permitem. Então, você começa a ter uma limitação muito grande de fonte de renda.

Para muitas pessoas que não vêm de famílias que podem dar um suporte financeiro, é difícil se manter na pesquisa. Ainda mais porque, pensa, quando você está no doutorado, você está numa fase que você começa a criar família, por exemplo. Então, como é que você vai criar, sustentar a sua casa, filho, cachorro, sei lá o quê, com menos de 3, 4 mil reais? Quando eu cheguei em São Paulo, a minha bolsa de mestrado era 1.500 reais para viver em São Paulo.

É, a gente tá falando, e é que eu tô falando isso, porque assim, eu sei que tem pessoas que vivem com muito menos do que isso, mas a gente tá falando de pessoas que estão dedicando a vida a se formar, né? Você tá produzindo pesquisa para o país, os doutorados e mestrandos são quem faz efetivamente, bota a mão na massa na pesquisa, e essas pessoas ganham 1.500, 2.000 reais por mês.

É, e são pessoas que não são jovenzinhas, né? Estão ali, já chegando nos 30, está realmente a época de estar tentando construir uma família, uma carreira, e está sendo assim, tratado assim, com bolsa, não é? É, a bolsa de mestrado antigamente era R$ 1.500. R$ 1.500, aí depois quando vira para doutorado, você acha que dobra? Não.

Tem reajuste, alguma coisa? O doutorado era R$2.200, né? R$2.200 de doutorado na época que eu fiz. Agora teve um reajuste, porque eu falei menos de R$4.000, porque eu não sei quanto que tá o valor agora. Eu não sei também, é porque mudou, é. Mas é menos de R$4.000, com certeza. Eu tenho uma fofoquinha, não vou contar nomes, é óbvio, mas tinha uma pessoa na laboratório, que esse negócio de dedicação exclusiva é realmente, e as pessoas denunciam. Ela vendia Mary Kay.

E aí... Denunciaram a venda de barco. O orientador recebeu um e-mail da agência de fomento comendo o couro dele e falando que você tem aí uma orientanda que está fazendo... O que é a agência de fomento? A agência de fomento é isso que a Laura falou. A FAPESP é uma agência de fomento. Ela fomenta a ciência. Então tem a FAPESP, tem o CNPq. De onde vem as bolsas e as verbas de pesquisa no geral. Então tipo, o projeto... Ah, eu quero fazer um projeto de genoma humano.

Você pede dinheiro para agências de fomento. Às vezes tem as federais e as estaduais. É.

E aí o orientador foi lá conversar com a moça, falando, olha só, você não pode vender Mary Kay aqui no laboratório, porque fizeram uma denúncia anônima e você está exercendo uma atividade remunerada extra, e isso é ilegal. Então ela perigou ter que devolver toda a bolsa. De que ela trabalhou, ela trabalhou, ela estava produzindo e tal, e por causa da denúncia, ela não pode fazer isso. Ela falou, não, professor, não peço perdão pelo vacilo, não vendo mais. Uau, toca o fogo aqui na resistência.

Vamos ser, vamos ser as laquias. Eu tive um colega que foi denunciado porque eu tava dando aula. Ai, gente, pelo amor de Deus. E teve o nosso colega que foi denunciado porque tava fazendo conteúdo científico. É verdade, é verdade. Porque assim, ah, você tá na internet produzindo conteúdo científico, você deve tá ganhando dinheiro, não é possível. Tá ganhando dinheiro. Ele não tinha ganhado um tostão. Mas aí, por exemplo, outros por estar na internet acharam que...

Fizeram a ideia de que ele tinha, que tava ganhando dinheiro. Foi denunciado também.

Essas denúncias vocês acham que vem Ah, é de gente mal amada É de gente mal amada Tem muito isso na academia Tem que falar isso, é cobra comendo cobra É isso que eu ia perguntar, como é que é Essa relação acadêmica Porque Eu tava ouvindo um podcast que temos atrás

era de cientistas da parte de física, astronomia e tudo mais. E eles falam que eles tentam como vocês trazer para o público um linguajar que é difícil falar para o público, só que na parte de astronomia. E eles falam que quando eles estudavam e tudo mais, os cientistas todos eram sérios, não gostamos... A informação que nós temos é informação importante e a gente vai passar para o público quando eles puderem souber.

Castelinho de areia. É o... Ah, vamos deixar isso aqui dentro dos muros, do nosso castelinho aqui. Não vamos... Eu batalhei tanto pra ter essa informação. Como é que eu vou entregar assim de mão beijada? Como é que eu vou traduzir pra galera? Não, eles que passam em uma universidade. Tem muita gente que não gosta. Tem muita gente que pensa assim. É ego. Tem muito ego. Tá diminuindo? Tá.

Ah, não sei. Tá quem? Tá quem do esperado. A gente precisa difundir. Mas tem muita gente que não gosta do que a gente faz, de como a gente faz. Porque a gente fala de uma forma descontraída, a gente é debochada, a gente é engraçada. Quer dizer, eu acho. Tenta. A gente tenta ser. A gente tenta ser. Mas as pessoas não gostam, né? Tem uma parcela da carreira acadêmica... Da carreira acadêmica, não. Tem uma parcela do mundo acadêmico que não gosta desse tipo de comunicação científica que a gente faz.

Que o público entenda o certo. É, porque a gente brinca, né? A gente não é um negócio chato. É, e no fundo, na cabeça deles está dando de mão beijada um conhecimento aqui. O povo não está preparado. Como assim, gente? Será que eles não pensam que talvez isso esteja atrapalhando, talvez, o crescimento do... Pode até pensar, mas o ego foi analisado. A população, algo do tipo.

O ego é sempre muito maior. Tem cientista que fala que... Ah, se você não é professor, doutor, titular da puta que pariu... Você nem é cientista. Você nem é cientista. Ah, só Nobel pode ser chamado de cientista. Ou só quem ganhou prêmio Nobel pode falar de ciência. Um negócio assim, sabe? Eu tenho uma galera que... Eu tenho isso printado do comentário. Printado. Não é tipo coisa da minha cabeça. Pra você? É, uma treta. Eu tenho isso por escrito. A pessoa falando isso na minha cara, sabe? Tipo...

E ela nem era professora titular. Ou seja, ela também não era cientista. Mas é um processo complexo, porque sempre foi uma posição muito elitista, né? Essa semana a gente falou sobre isso, né, de como no começo era uma coisa feita por quem tinha muito dinheiro mesmo, porque não era uma profissão, né? Era uma curiosidade. Ah, eu tenho curiosidade de saber disso. Então, você já tinha que ter um dinheiro prévio.

Pra poder falar, fazer a ciência. Você imagina uma época... Surge daí, né? Pré-agência de fomento. Então, não tem uma agência que dá dinheiro pra uma bolsa, uma verba pro pesquisador. Quem vai fazer pesquisa científica? Quem já tem dinheiro! Quem não precisa de dinheiro pra viver, né? Quem não precisa trabalhar pra viver. Quem já tem... é herdeiro. Então, fala assim, ah, eu vou me dedicar às artes. Ah, eu vou me dedicar a estudar. Vou me dedicar às ciências. Vou me dedicar às ciências.

É, e aí vai, aí pode, e não tem conta pra pagar, pode ir, vai no laboratório, pode fazer um intercâmbio ali na Universidade de Paris, pode voltar e não sei o que, aí trazer, olha, coisas legais. Então, assim, era pra elite. A partir do momento que se cria agências de fomento, que se cria políticas públicas pra incluir pessoas mais diversas na pesquisa científica, isso muda de cenário. Ah, pode tá aquém, pode tá um pouquinho aquém. Tá bem aquém, tá bem aquém.

Pode, mas assim, já mudou bastante A gente espera que mude mais, né Que cada Que os governos, eles levem a sério A ciência, pra cada vez mais Ter pessoas que não teriam Acesso, não teriam como, né E possa se dedicar, possa Realmente levar a ciência como trabalho Que é muito trabalhoso Outro dia eu vi um vídeo de uma menina Mostrando como que é Ser uma pesquisadora de doutorado Na Dinamarca, acho que era Termida

E aí eu até comentei, eu falei, nossa, tô chorando em brasileiro aqui, porque, tipo, me deu uma agonia, porque ela tem um salário, ela tem a parte de previdência, ela tem férias remuneradas, ela tem licença maternidade, ela tem tudo o que um trabalhador tem pela CNT do Brasil.

E aqui a gente não é nem trabalhador, né? A gente não tem direito trabalhista. Agora que começaram, eu falo, ah, tá bom, então os anos de bolsa vão contabilizar para o INSS. Isso aqui é pelo passado. É, foi, né? Sabe, tipo, um negócio mega recente. Há dois anos, assim, ah, tá bom, acho que a gente pode dar uma licença maternidade para essas pessoas que tiveram filho. Caramba.

Porque até então, nossa, o que é esse gap aqui de sei lá quantos meses no seu currículo? Ai, que eu tive filho. Ah, tá bom, então próximo. Ah, então, mas você não produziu nesse tempo? Você não publicou o artigo, então vamos chamar o próximo. O artigozinho, ó.

E isso é um negócio, assim, tem que fazer, tem que mudar as regras, tem que mudar a lei. Na França, eu tenho uma amiga pesadora na França também, lá também ela tinha férias remuneradas, tem até sindicato, então o rolê é bem... Décimo terceiro, sabe, todos os direitos, direito à greve, é um direito. Qualquer direito, né? Qualquer direito, a gente só tem deveres. É só deveres.

Mas isso foi mudando por conta de uma movimentação do pessoal que estuda? É, pressão das associações, dos próprios pesquisadores. Porque, assim, se depender de quem tá lá em cima no poder, não vai mudar nada, né? Mas quando a gente começa a fazer pressão, a gente consegue obter algumas coisas. Demora? Demora? Nossa, mas tá demorando bastante, né? Mas, todas as vezes, com uma pressãozinha, a gente chega lá. Caramba, nossa, que... Não sabia que era... Que triste. É, é.

assim, gente, se vocês têm o sonho de ser cientista, essa conversa não é pra desanimar, é pra vocês saberem onde vocês estão se enfiando. Pra não saber que, ah, me entrei desavisado. A gente tá tentando informar que não é tão simples, tão idealizado, romantizado com as pessoas. E se entrar lá, batalha pra melhorar. Porque aí, né, porque quanto mais luta, mais melhora. Vocês sabem se tem alguma pesquisa que podia ser revolucionária ou...

ser importante, que acabou parando por conta de falta de verbo? Ah, teve na época da pandemia, não teve os cortes? Cara, na real, assim, quando a gente começa a pesquisa, a gente nunca tem como prever onde ela vai dar, né? Um exemplo muito clássico dentro da minha área. Você tenta. Quando o Brasil, ele é muito rico em ciência básica, que é a ciência de base, que é a ciência que vai...

criar o corpo de conhecimento pra gente entender como o mundo funciona e a partir disso a gente entender pra onde a gente vai, pra que caminho a gente segue.

estudando o veneno de cobra, descobriram que o veneno da jararaca tinha uma substância que baixava a pressão arterial. Tipo, os camundogos mordidos pela cobra tinham pressão baixa. Aí eles falaram assim, que interessante, vamos ver o que tem no veneno da cobra. E aí começaram a investigar, chegaram numa molécula que tinha esse efeito de causar a queda da pressão arterial.

Depois de mais um tanto de pesquisa, essa molécula virou o captopril, que é um dos medicamentos mais clássicos, é um dos medicamentos mais usados para baixar a pressão no mundo. E a partir dele, vários outros foram desenvolvidos. E essa é uma pesquisa que se originou no Brasil, a partir do veneno da jararaca, da pesquisa, numa pesquisa de base.

que não teve a patente do medicamento, porque a parte de desenvolvimento do medicamento em si, a gente não tinha estrutura para fazer aqui. Então, ela foi feita fora do Brasil. E aí, a pesquisa feita fora do Brasil é que ficou com a patente do medicamento em si. A gente contribuiu com o conhecimento inicial.

Mas assim, quando eles começaram a estudar a verenda de araraca, eles não tinham ideia de onde isso ia dar. É por isso que a pesquisa, ela precisa ser financiada pelos governos. E não por empresas. Porque quando a gente financia com dinheiro público, a gente dá liberdade para os pesquisadores explorarem o mundo. Então, eles conseguem investigar coisas, às vezes, a partir de relato de populações originárias.

Tem uma área... Tem um bicho aqui voando sombrio. Tem uma área que se chama etnofarmácia, por exemplo. Então, eu converso com povos tradicionais e que tem, por exemplo, uma cultura de usar ervas para algum tipo de doença.

Eu posso investigar essa erva. De repente, essa erva tem alguma substância que possa ser útil para virar um medicamento. E aí, isso vira um medicamento que eu posso vender e atingir mais pessoas, não só quem está cultivando a erva. Então, a gente consegue, com o apoio da pesquisa, financiada por governos públicos, de forma pública,

explorar o mundo. E a partir disso a gente pode... O céu é o limite, né? A gente nunca sabe de aonde vai chegar. Então, seria injusto dizer que, ah, essa pesquisa foi cortada e essa pesquisa teria um sucesso, porque a gente não tem como prever. E aí, até mesmo quando a gente fala de ah, teve sucesso nos testes em animais. Cara, 3% do que teve sucesso nos animais vai ser sucesso em humanos também. Então, é muito difícil de prever aonde ela daria.

Olha só que louco, que ela falou assim, a maioria da pesquisa científica, a grande maioria, precisa ser fomentada por instituição pública, por dinheiro público. Por quê? Quando chega uma empresa, o que ela vai pegar? Ela vai pegar o conhecimento que existe, feito pela pesquisa de base. Financiada a publicação.

Ela vai pegar o conhecimento e vai falar assim, bom, como podemos lucrar com isso? Como podemos transformar isso para uma inovação, uma tecnologia na vida das pessoas? Uma farmacêutica, ela vai pegar o conhecimento e vai falar assim, eu quero um remédio. Eu quero um remédio para uma doença que todo mundo tem, então eu quero ficar com muito dinheiro. Então, se essa pesquisa aplicada não transformar no medicamento, basicamente a indústria farmacêutica não tem interesse em injetar bilhões.

ali, porque ela vai gastar muito dinheiro mas ela quer o retorno dela com dinheiro público não é que a gente não quer retorno é que a gente quer produzir conhecimento e o conhecimento é a base para a inovação e a indústria, ela não quer gastar dinheiro então não tem como obrigar, gaste seu dinheiro na base ela vai pegar o conhecimento e só dá para produzir o conhecimento se você óisも rado

Injetar verba. E assim, não tem como esperar que aquilo vai virar uma tecnologia. Saber disso quebra uma das falácias da galera que é tipo contra a Big Pharma, né? Que tipo, ah, é porque as pesquisas são financiadas. Meu amor, se a pesquisa fosse financiada, a gente não tava lavando coisa descartável no Brasil. É. Se a gente tivesse financiamento de indústria, a gente tava nadando em dinheiro pra fazer pesquisa. Era o nosso sonho que todas as pesquisas fossem financiadas.

Mas é isso, a gente realmente precisa ter o investimento principal e a maioria do investimento de todos os países que investem em ciência é sempre público. É óbvio que tem parceria público-privada, é óbvio que tem parceria entre universidade e indústria e isso é muito benéfico para ambos os lados.

porque a indústria consegue absorver pessoas bem formadas das universidades para trabalhar e a universidade consegue pegar recursos da indústria para se desenvolver. Então, é sempre benéfico que isso aconteça. Mas a gente não pode deixar que toda a pesquisa seja financiada dessa forma, porque é isso, a indústria vai ditar para onde o cientista tem que ir e dessa forma a gente não produz conhecimento, a gente só produz produtinhos que vão dar lucro no final.

Qual o país hoje em dia que mais aposta em pesquisa? China, né? China. Opa, o boom que ela teve foi assim. É pior que acho que a China está apostando em muita coisa ultimamente. A gente, na parte de tecnologia, a gente acompanha mais a parte de carros, celulares, mas a parte de pesquisa é algo que a gente não... É você ver o final, né? A parte do carro, não sei o que, é o final, é o produto.

A China ultrapassou os Estados Unidos investimento em pesquisa há uns 10 anos, mais ou menos. Levou a sério. E a Coreia teve um grande investimento na educação de base, mas a China teve um grande investimento na pesquisa científica. Tem até um memezinho assim entre cientistas que é tipo, eu aqui me preparando para fazer um experimento que o Zhang e colaboradores publicaram há 3 anos, sabe? Porque você vai procurar, vai ter um artigo de algum chinês que já fez aquilo que você quer fazer, sabe? Porque realmente eles produzem muita coisa.

Porque, né, eles têm muita gente. Muita gente. E também tem muita verba. A China investe muito, muito, muito mesmo em pesquisa atualmente.

E isso acaba impulsionando o país também, né? Dependendo da pesquisa, vai lá em frente. Só que alguns lugares acho que não pensam assim, né? Que é um negócio pronto. É, para muitos lugares a ciência gasta no investimento, né? Daí que vem a ideia de, ah, preciso cortar a verba. Ah, corta da ciência. Corta da educação. É uma das primeiras coisas a receber corte de verba quando precisa economizar em algum ponto. Porque entende que é uma área de gasto.

Lembra aquele print que eu tenho, que até uso em palestra? O que o CNPq, que é uma agência de fomento, o que o CNPq fez nos últimos 10 anos? Qual a pesquisa boa saiu daí? Primeiro tem que cortar mesmo e investir em hospitais, escolas. Quando a pessoa fala isso, ela não faz ideia de como a ciência influencia na vida dela, de como investir em ciência poderia melhorar a vida dela. E de como a ciência levou à modernização do hospital pela que é.

O hospital é baseado em ciência. Todos os lados tem ciência no hospital. Como que assim? Ah, inveja no hospital e não... Ah, é raso e triste, mas... Isso é parte da divulgação científica, né? A nossa função é tentar mostrar pras pessoas que elas estão imersas em ciência pra que elas valorizem a ciência. E que pelo menos elas não fiquem do lado do corte. Tipo, mesmo que elas não lutem contra o corte, que elas não apoiem, sabe? Pra não...

O bicho caiu na sua... Quase caiu na água. Não, ele tava... Ah, ele caiu na água? Não, ele tava só, tipo... Ele tentou. Então, pra que... Ah, se ela não quiser se engajar pra evitar que o... Mas que pelo menos ela não fique a favor, sabe? Porque quando a gente tem uma pressão popular pra evitar que o corte aconteça, a gente pelo menos mantém as coisas como estão e não ficam piores. Então, essa é uma das nossas metas, assim, mostrar pras pessoas, olha, ciência é importante, que tal se você pelo menos...

Não atrapalhar. Não apoiar. Não apoiar o corte. O desmonte das verbas das universidades já é um bom começo. Tivemos só uma atualização aqui. O Carlos Eduardo falou que parece que a CAPES agora permite ter um emprego desde que seja na área da pós. Ele falou que a bolsa CAPES de mestrado é 2.100 e o doutorado é 3.100. Ah, então eram os números que eu tinha na cabeça mesmo. Obrigada pela atualização. A parte que a CAPES permitia ter um emprego agora eu não sabia.

O que será que é trabalhar na área, né? Tipo, dar aula, essas coisas. Não vem da Americanidade. Deve ser dar aula. Deve ser, né? É. Ou no máximo, sei lá, tipo, ah, eu trabalho com bactérias, eu produzo bactérias em algum lugar. Não sei se isso seria... Ainda deve ser bem limitado o negócio, mas... É, deve ter um hall de coisinhas que você pode fazer.

E vocês falaram agora sobre mostrar para o público que é importante você investir na ciência. Vocês fazem muito isso no canal de vocês. Vocês acham que quanto mais gente acompanhando esse tipo de conteúdo, talvez...

Tem um maior levante de pessoas querendo investir na ciência? Porque eu acredito que é um bom jeito de mostrar para as pessoas que, ó, isso aqui é legal, se investir nisso aqui, segundo eu vi nesse canal, é uma boa ideia. Vocês pensam assim também ou começaram a pensar depois de algum...

Algum vídeo? Cara, eu acho que sim. Uma coisa que a gente tem feito é o NB1C News, né? O NB1C News é um quadro que a gente criou pra falar de pesquisa, de... pesquisa. De notícias científicas recentes. E a gente tenta dar um enfoque muito maior em coisas do Brasil. Então, tipo, há medicamentos ou coisas que estão sendo desenvolvidas aqui, ou qualquer pesquisa que está sendo feita aqui no Brasil que tenha sido noticiada recentemente, a gente tenta dar um enfoque nesse quadro.

E a ideia é, tipo, que nem o que você falou do cara, ah, não consegue citar uma pesquisa recente feita, a nossa ideia é que as pessoas vejam o quanto de coisa está sendo feita dentro do Brasil, sabe? Tipo, mesmo com tantos recursos limitados. Porque, com certeza, isso vai, pelo menos para quem está consumindo conteúdo, entender que, nossa, se a gente investisse mais aqui, seria legal. E o povo se choca, né? Fala, nossa, nem sabia que tinha tanta coisa boa brasileira saindo.

Menino, menino, que coisa, agora você sabe. É, isso que a gente tá dando a mostrar pra vocês. Então tá, tá. Mas é, isso com certeza ajuda. Não sei se influencia o governo diretamente, né? Pessoas que estão em posição de poder diretamente. Mas com certeza influencia pessoas que colocam pessoas na posição de poder, sabe? Então, pelo menos a gente consegue ter um direcionamento. Não sei se vai mudar algo no futuro. Mas é uma contribuição pra pelo menos as pessoas terem um repertório do que tá acontecendo.

E vocês acham difícil pegar um assunto que é maçante e mastigar pro público pra que eles entendam? É a parte mais difícil. Tem, tem, teve o, quando eu falei assim, ah, vou fazer o vídeo sobre a minha tese de doutorado. E aí eu falei assim, Laura, tá muito difícil, foi um dos vídeos mais difíceis, porque assim, como eu sabia muito daquilo, eu, ah, parecia tudo que é, tem que falar. Tudo é importante. Mas aí eu falei, não, não posso falar desse jeito, tem que ficar traduzindo, aí tem que, aí tem que fazer desenho, tem que explicar. Que isso, que que isso?

É a luz, tá tudo bem, tá tudo... Socorro. Gente, foi mal, é o fantasma que tava morando lá em casa. É, o fantasma do casa. Tem que fazer analogia, tem que... Nossa, e assim, aí empaca. Fala assim, nossa, porque parece tudo tão interessante. Então, às vezes, a parte... Essa é a parte mais difícil de transformar um assunto extremamente complexo. Há duas semanas eu tava tendo... Eu falei pra Laura. Laura, não dá pra falar. Eu tava tentando...

Era pra ser simples. Era pra explicar por que que suplemento de NAD o povo tá tomando. NAD, já ouviu falar? Não. Ai, que sorte. Eu tenho inveja das pessoas. O povo tá tomando suplemento de NAD, já existia em cápsula, agora chegou em canetinha. Muito, muito, muito mais caro. E aí perguntaram, ah, isso daqui faz alguma... Porque promete rejuvenescer, um monte de coisa.

E aí eu falei, bom, era pra ser simples, não tem evidência. Então você procura lá, fala assim, mas aí eu tenho que... É, mas são vídeos de uma linha. Gente, que não tem evidência, beleza. Eu mostro o artigo, isso é fácil. Mas eu queria explicar o que é o Nádia. Nádia é uma molécula real dentro do nosso corpo. E aí? As pessoas nunca ouviram falar isso. O que eu falo? Aí eu falo, bom, então vamos ter que ir lá pra mitocôndria. Aí eu tenho que explicar, tenho que fazer um desenho.

Meu Deus, tá ficando complexo, mas tá ficando legal. Peraí, eu vou conseguir. Aí eu... Tentando, e aí uma hora, eu acho que é um vídeo legal. Não, deu óbvio. Uma menina de 10 anos entendeu. É verdade. Nossa, isso daí foi muito legal. Porque a mãe mandou mensagem pra gente. Olha, minha filha teve uma prova. Aí ia cair um negócio aqui de células e tal. E aí ela não só respondeu a pergunta da professora das células. Só que ela complementou e falou com as coisas do seu vídeo.

Do Nádia, da mitocôndria, não sei o quê, não sei o quê. E aí a professora chegou e falou assim. Oi!

Onde você aprendeu isso? Ah, eu vi num canal no YouTube de ciência. Dois pontos e meio a mais nessa questão. Só por causa que você escreveu esse negócio aí. A minha professora tinha ideia. E aí ela falou, nossa, não, isso aqui tá certo. E ela escreveu certinho e aprendeu.

Então, trabalha só com isso. Se alguém não entendeu, a culpa não é sua. Essa não. Essa é a parte mais complexa. Porque, primeiro, você parte de uma linguagem muito técnica, com termos e palavras que as pessoas nunca tiveram contato. Então, você não pode simplesmente pegar aqueles todos os termos e jogar no vídeo para a pessoa ouvir. Porque ela vai falar assim, tá, você está falando outra língua. Não tem uma ideia do que você está falando.

Então, isso a gente já tem que traduzir o termo em si. Então, a gente evita usar termos técnicos e quando a gente precisa, porque tipo, putz, não tem outra palavra, eu preciso falar isso aqui. A gente explica automaticamente o que aquele termo significa, para a pessoa não se perder no vídeo.

Mas é um processo que você tem que, tipo, tá, qual dessas informações é mais importante? E aí você tem que fazer o tempo todo, tá, talvez isso aqui é mais importante do que isso. E aí você tem que simplificar algumas palavras, você tem que... O próprio português. Ou você tem que simplificar o português, porque você não pode falar no mesmo português que você escreve os artigos, que é um português muito mais rebuscado, mais formal, você tem que usar um português mais simplificado.

Então, você passa por um processo bem complexo mesmo de tradução, que eu imagino que seja quase um processo de tradução de línguas mesmo, porque é como se fosse, né? Estou saindo de uma linguagem para a outra, então é como se eu estivesse traduzindo duas línguas diferentes. E aí, nesse processo, inclusive, a gente às vezes recebe comentários meio raivosos de algumas pessoas, porque assim, ah, mas não é esse nome.

Por exemplo, quando eu vou falar de alguma alteração no DNA, a palavra que todas as pessoas conhecem é mutação. Todo mundo deve falar. Todo mundo entende, quando eu falo mutação no DNA, que alguma coisa no DNA mudou. Tecnicamente, a maioria das coisas de alteração no DNA se chama polimorfismo.

Porque a maioria das pessoas não faz mais puta ideia do que é o polimorfismo. Então não faz sentido eu usar essa palavra para falar com pessoas que são leigas. Não vai mudar nada no entendimento dela se eu usar polimorfismo ou mutação. Pelo contrário, vai facilitar o entendimento. Mutação, mas não entender polimorfismo, não. Não quero dizer assim no entendimento geral, né? O que eu quero passar para ela, ela vai entender quando eu disser mutação.

Mas vem gente reclamar que eu falei mutação e não polimorfismo, porque não é a palavra... Tipo, bicho, esse vídeo não é pra você. É, você já sabe. Se você sabe a diferença entre mutação e polimorfismo, esse vídeo não é pra você. Vai ao artigo acadêmico. É, vai ver outra coisa, entendeu? Vai adicionar. Olha esse exemplo. Na academia, usava muito... Usa glicose, né? E assim, ai, se você falar açúcar, meu Deus do céu. Ah, é... Glucose stimulated.

Então, é a glicose que estimula a secreção pancreática. E aí, foi muito difícil pra mim.

Quando eu falei açúcar. Ah, porque o açúcar chega no sangue. Ah, o açúcar no sangue. Parecia errado, sabe? Parecia que tinha alguém puxando a sua orelha por trás, né? E aí, você abre mão desse preciosismo. É porque é um preciosismo acadêmico. Tá, é rápido falar açúcar.

Tá, também que tá, mas assim... Na verdade não, porque a glicose é um assunto. É, mas é um assunto específico, não tem que lembrar. Sabe? Aí, por exemplo, outra coisa. A gente aprendeu que um exemplo do moço lá que tava falando, olha, o que que era na TV? Falou assim, ah, tecido de coisa. Ah, é. Era uma pessoa explicando sobre a gordura marrom. Gordura marrom. Todo mundo tem no maior ou menor grau, mas recém-nascidos tem mais gordura marrom.

E ela é uma gordura que gasta energia ao invés de acumular energia, ao contrário da gordura amarela, né? É, a amarela é mais que a de armazenamento. Só que o moço não estava usando o termo gordura marrom. Ele estava usando o termo tecido adiposo marrom. Aí, o que o senhor entendeu? O que é tecido? Tecido. Ele entendeu, ah, está falando do tecido marrom, da roupa marrom. Se eu usar roupa marrom, amagrece. É. Foi essa a mensagem que ele... Você está vendo? Agora corta para a Renner, tudo em promoção. Tudo que é...

Marrom, porque é marrom. Isso foi uma colega que falou, ela tava assistindo essa matéria com o avô, e aí o cara ficava repetindo a matéria, tecido adiposo marrom, porque eu tecido adiposo marrom. Você entendeu? Ah, entendi, fia, entendi. Tem que se usar robo marrom é uma grande assim. Então, é isso. Pra que eu vou usar a palavra tecido adiposo quando eu posso dizer gordura? É.

Esse tipo de cuidado, muita gente não se dá conta, não percebe que a gente faz, mas assim, eu acho que é a base do entendimento da galera. Porque se você for excluindo as pessoas com o próprio português, aí o propósito já se perdeu. Já perdeu.

Tinha um professor meu na faculdade que a gente, quando ia entregar trabalho, entregar BNT, tudo bonitinho, a gente escreve igual Shakespeare. Então, tudo... Você encarna o Machado de Assis. É, então, tudo bonitinho, estuda verbo. E ele outra vez leu e falou, gente...

O que é isso? Vocês estão querendo me impressionar? Isso aqui tá horroroso. Aí uma coisa que ele falou pra gente, que eu nunca esqueci, foi vocês precisam escrever pra que quem está lendo entenda. Você não tem que surpreender a gente, porque isso aqui vai depois pra biblioteca, o pessoal vai ler no futuro. Vocês tem que ler pra que alguém entenda.

E é um pouco do trabalho que vocês fazem também, né? Tipo, quanto mais o público entender, mais o pessoal vai atrás. E acho que falta um pouco disso para os acadêmicos também, né? É, porque é muito tempo falando dessa forma entre si, né? Tipo, entre os pares. Tipo, você ficava falando sempre muito mais rebuscadamente. Então, você vai escrever numa linguagem rebuscada, você vai explicar com termos técnicos, você vai num congresso, você vai conversar com outros pares com os termos técnicos.

Então, você meio que desaprende a falar simples, sabe? E aí, falar simples parece errado. Mas, tipo, o nosso conteúdo, ele é para pessoas leigas. Pessoas interessadas em ciências, sim. Mas pessoas leigas, que não têm a mesma formação que a gente. Então, eu tenho que partir do pressuposto de que essa pessoa não tem a menor ideia do que é um polimorfismo.

E a partir disso eu trabalho em cima da informação. Então a gente sempre parte de um lugar, tipo, ah, talvez ela tenha um breve conhecimento do que é o DNA, mas ela não tenha o nome, conhecimento do que acontece no DNA. Se eu falar, se eu falar, a depressão do DNA, porra, já foi, já perdi, entendeu? Entendeu. Então aí a gente vai falar, ah, porque tem alteração. Uma alteração no DNA, pronto. Uma alteração no DNA pode ser qualquer coisa. Mas ela entendeu que o DNA tá alterado de alguma forma.

E aí a gente vai trabalhando os termos dentro desse espectro para não passar informação errada, mas ao mesmo tempo de uma forma compreensível. E vocês começaram em 2018, e de 2018 para cá, não sei se vocês perceberam que teve uma grande mudança na parte do público, principalmente em ficar preso na... Vou pegar água para você já. Ah, eu aceito também. Felpão, consegue pedir aí para vir? Desculpa, não queria estrapalhar. Não, relaxa, está tudo bem, gente.

Valeu! Direção tá trazendo água. Direção disse que sim. Então, de 2018 pra cá, a gente teve uma grande mudança no público, principalmente na parte de atenção. Com a vinda do TikTok, Instagram, conteúdos mais curtos. Vocês sentiram uma diferença no público de vocês? E tá sendo mais difícil prender o público de vocês do que há sete anos atrás? Sabe o que eu lembrei? Eu lembrei uma vez de uma professora que deu um vídeo nosso como trabalho.

Nossa, é verdade. E aí, era um vídeo no YouTube de 16 minutos. Aí, chegou o Enzo lá, reclamando absurdos. Falando assim, eu não acredito. 16 minutos, que absurdo. Ele comentando no nosso vídeo. É. Que isso, gente. E a gente achou um absurdo. Porque, nossa, mastigadinho. O que você aprenderia numa aula. Se você acelerar, você assiste em 8. É.

Você aprenderia numa aula, a gente colocou, mastigadinho, 16 minutos, pau na máquina. E a gente nem imagina aqui naquilo. A gente estava feliz do Enzo reclamando 16 minutos, porque hoje o povo não presta atenção em um. E aí eles vêm reclamar, mas você não falou isso? Falei, está literalmente no vídeo. Não, mas não vi. E a pessoa teima. Eu falo, olha um minuto. Ah, mas não está aí. Tipo, não consegue, sei lá, as pessoas estão...

mestilizadas, não sei o que acontece. Esse negócio da atenção, não prestam atenção mais. Não, é muito absurdo. A gente recebe o comentário que mais me irrita, mais me irrita, é o comentário da pessoa que pergunta uma informação que está no vídeo de um minuto e meio.

Tem 90 segundos de vídeo. Ai, gente. A pessoa foi incapaz de assistir ou até o final, ou prestando o mínimo de atenção. E aí ela pergunta uma informação que tá ali, tipo, cara, eu dediquei tanto tempo pra chegar nesse roteiro, sabe? Tipo, pra que esse roteiro tivesse 90 segundos e tivesse a informação traduzida pra que você pudesse assistir. E fizer sentido, e começo meio e fim. E começo meio e fim. Sabe o que a gente tem que fazer? Tem que dividir o vídeo assim. A parte de cima, alguém cortando o sabonete.

Eu já fiz isso aqui, já. Infelizmente deu certo. Infelizmente deu certo. Ah, porque a pessoa pelo menos fica olhando na tela, né? Eu vou começar a gravar, falar e deixar em cima o vídeo de eu pintando. É, pronto. Aí eu vou, ah, tá pintando ali, a pessoa vai ficar vendo a pintando. Apertando um gatinho, assim, apertando a bochechinha do gatinho. Amassando pão. É.

Gente, tá difícil. Tá complicado. Assim, no YouTube, acho que as pessoas que consomem YouTube, elas já são pessoas mais propensas a assistir vídeos longos. Então, tipo, se você se inscreve no canal no YouTube, você quer assistir aquele conteúdo. Agora, nas redes de vídeo curto, todo dia a gente se estressa. Todo dia eu fico indignada. Hoje em dia eu nem respondo mais. A pessoa falou... Ah, queria saber tal coisa. Tá no vídeo.

Se vira. A minha parte eu fiz. Foi publicar o vídeo. Não dá mais, não dá. Aí eu deixei pra Darwin resolver. Saúde mental é importante. Exatamente. A atenção mudou muito. E a maior atenção em vídeos longos também. Porque às vezes a pessoa começa a fazer outra coisa enquanto você tá vendo vídeo longo. Aí ela vem puta comentar no vídeo. Por que você não falou tal coisa? No YouTube é bom que você coloca a minutagem, né? Aí a pessoa clica e vê.

É, um menino recente. Ele falou assim, povo da biologia, tinha que ter mais noção. Porque eu tava aqui tomando meu café da manhã. Colocaram uma foto grotesca na tela. Eu falei, meu amigo. Apareceu um sinal sonoro. Pim! E um aviso assim. Em 10 segundos vai ter uma foto grotesca. Se você for sensível. Aí, 9, 8, 7. Teve um timer gigantesco na tela. Pim!

E aí, apareceu. Ele tava olhando pra tela, comendo café, não viu aquele sinal. Pim! O timer regressivo. Dez, nove, oito. Apareceu a foto, ele...

isso? Ah, vocês têm que avisar. Mas eu falei, avisei, com imagem na tela, com aviso na tela e aviso sonoro. Não, não tá. Não tá. Aí ele comentou a minutagem, não, porque olha em 3,46. Eu estou falando do 3,46. Quando você clica 3,46, tá lá o aviso deste tamanho. É que ele viu em vezes 2. Então os 10 segundos viraram 3. Aí eu...

Aí teve um outro também que começou a xingar outras pessoas no comentário. Porque ele falou assim, é porque ela não falou tal coisa. Não, ela falou assim. Não falou, sou idiota, seu demônio. Sei lá, umas coisas assim. Aí foi, querido. Sempre dentro do tom, né? Muito sempre dentro do tom. Só sempre amado, educado. É, sempre. E eu falei, gente, era só ter prestado atenção. Era só ter prestado atenção. É. Então, a gente, no YouTube é menos.

Eu confesso que essas pessoas são exceção. É. Mas o Instagram, TikTok, assim. Às vezes eu tô no shorts dentro do YouTube. Yeah.

Doideira? Complicado. É doideira. E como é que chegam pra vocês os vídeos, os famosos vídeos, vocês desmentem informações? As pessoas nos odeiam, né? Então elas marcam a gente em comentários, elas marcam a gente no threads, marcam a gente no Twitter, mandando inbox, mandando e-mail.

No e-mail. Eu tenho uma aba lá, eu tenho uma tag no meu e-mail, tipo, a comunidade, sugestões, dúvidas da comunidade. As delas mandam tudo. A gente não precisa se mexer. Se a gente quiser conteúdo, a gente não vai fazer nada. A gente pode só abrir o inbox, que a gente tem tudo. Inclusive, nosso algoritmo...

É o pior possível. Às vezes é triste, né? Inclusive, eu evito abrir as coisas com o meu Instagram pessoal. Ah, é? Que é pra eu poder continuar vendo vídeo de gato e passarinho. É, sim, sim. Eu também. Porque, né? Se aparece alguma porqueira no meu pessoal, eu falo, não, não tenho interesse não mostrar mais isso aqui. Mas no... É, tu nunca vi, a gente acaba dando. Não tem como, a gente precisa ver. Então, as pessoas mandam no inbox, a gente clica no vídeo, assiste pra poder ver o que é o absurdo, poder fazer o roteiro.

Então, aquele algoritmo é perdido. Não, aquele algoritmo, ele não sai pra nada. Perdido. É um algoritmo...

Só por Jeová. Mas as pessoas mandam. Elas mandam. Ou porque elas têm dúvida, ou porque elas só querem que a gente veja. E teve algum que vocês viram que era muito absurdo, mas que você pensa, pô, o vídeo tá bem feito, por isso que caíram na falada. Ah, mano, não. Porque tem umas pessoas que caem no vídeo de fruta falando. Alô, pai?

Alô, pai, é ótimo. Então, assim, nem precisa ser bem feito, entendeu? Nem precisa. Alô, pai. Agora tem uma moda de um senhor idoso que... Ah, e é no vídeo escuro. É, que ele fala, não sei o quê, porque o açúcar no cérebro é Alzheimer. E o açúcar, ele fica... E, assim, é um vídeo velho, batido já, e aí botaram a IA pra falar, que é o senhor... Aí dá mais autoridade, né? Ele tem cara de autoridade, e ele fica... E o povo fala, nossa, é verdade. Nossa, tem que... Teve um, que é esse da água com sal.

que ele fala assim, não, você precisa comer mais sal, e aí esse senhor idoso falando, assim, tem um cara, uma IA, assim, virando um pote de sal na boca, sal escorrendo, assim, aí o povo nos comentários, eu vou botar sal no filtro de barro hoje em dia, hoje aqui em casa vai ser sal, ah, eu vou botar sal no café, hoje todo mundo só vai botar café, sal, e as pessoas caem, então assim, não é nem elaborado, é a IA, é um cara que não existe, uma pessoa que não existe falando isso, e elas acreditam, colocando a saúde delas na mão de uma coisa que foi tirada do botico, tá,

E vocês coçam o dedo pra querer, tipo, ou comentar ou tentar alertar as pessoas? Eu comento em coisas que eu vejo que é de outros profissionais da saúde, sempre de uma forma assim, olha, não é bem assim, é assim, assim, assado, porque eu vejo que tem pessoas acreditando.

Quando eu comento, é pra ser respeitosa, pra alertar. Ou então, quando é página dessas páginas que não tem uma pessoa por trás, que essas páginas tudo geradiar, aí eu comento alguma coisa meio irônica, assim, debochada, porque as pessoas dizem, ah, eu tava procurando um comentário de vocês. Porque aí a pessoa vê o nosso comentário, às vezes ela diz, quem se acreditava? Eu conheço elas, eu não vou. Então, eu escolho algumas coisas pra comentar. É, mas geralmente não compensa. Geralmente não, é.

É raro, é raro. Porque você tá num perfil de um cara, com a comunidade dele, você vai ser achicalhado lá. Você vai falar assim, olha, isso daí não tem base científica, cadê a fonte do que você tá falando? Aí vai vir a comunidade dele e vai te xingar. É bem raro fazer isso hoje em dia. O que compensa mais é pegar o conteúdo e ir fazer um vídeo desmistificando pra alertar a nossa comunidade, né? Ou, assim, fazer um vídeo sobre o assunto, não mostrando a pessoa em si. A gente tá com uma meta esse ano de evitar processo. Sim.

É, então já tem umas histórias aí. A meta é zero processo. Estamos conseguindo até agora, estamos em abril. Até o 23 de abril não temos um processo. A gente venceu já. Alguns processos já. É, a gente venceu, a gente venceu. Então a gente também. A meta é vencer todos os que estão em aberto. Falta vencer alguns aí. E não pegar mais nenhum. Nenhum, então a gente tá tentando evitar. Mas eu fico curiosa com essa parte de processo.

Assim, falem até onde puder, mas se não, não. Mas geralmente vem por conta de informação falsa ou porque a pessoa se sentiu... É sempre porque a pessoa se sentiu afim de mim. Uso de imagem. Mesmo ela usando... Ah, uso de imagem. Isso pega bastante.

É, porque ela se sentiu ofendida, e a gente pôs a cara dela. E agora a gente tem jurisprudência, pra falar assim, né? Querido, ela pode usar sim, você é pessoa pública, você escolheu mostrar seu rostinho, então se alguém quiser criar um conteúdo dentro do Fair Play, naquele, ó, dentro do meu extrapole, não tô falando de você, tô falando do seu conteúdo, eu posso sim. O STF que falou que a gente pode.

Pior que tem agora uma... Tem uma lei na China, não sei se ela está em vigor ou não. Não sei se já entrou. Ela exige formação, né? É. Mas no Brasil não adianta nada. Porque com o tanto de gente com diploma que está falando bobagem. É, exatamente. Não adianta nada. O primeiro processo, o cara era diplomado. E ia cair a galera que é influenciador, só influenciador, né? Que não tem formação acadêmica. Mas o tanto de nutricionista, o tanto de médico, o tanto de educador físico, o tanto de gente que está falando bobagem com diploma. Com diploma.

Então no Brasil eu não ia nem vingar. Será que não ia botar um medo? Ah, acho que lá... Ah, não, assim, a lei pode existir, mas eu não sei se ela vai ser eficiente pra filtrar a picareta de não picareta. Porque, assim, não dá possível que na China não tenha profissional com diploma que fala merda. Ah, tem. É, mas tem muita gente lá. Claro que tem gente que fala lá. A mostragem é muito grande pra muita ninguém. Eu não sei se isso vai funcionar nem lá. Então eu não sei se isso funcionaria em nenhum lugar.

Pior que tem um influencer que eu sigo, que o foco dele é história, ele é historiador. E ele pega muitos vídeos de histórias absurdas que aparecem em IA e ele vai desmentindo coisa por coisa. E eu gosto de ver porque é cada informação tirada também do botígico.

Que eles colocam no vídeo e ele fala, não, não foi exatamente assim. E ele conta todo o contexto da informação que não existe. Eu adoro vídeo assim. Então, é um jeito, no caso dele, é um jeito meio grosso de mostrar para o público, mas é legal, porque depois você vai atrás de saber e tudo mais. E é bem divertido. E acho que tem alguns vídeos que o público de vocês gosta também.

É, tem alguns que a gente evita fazer muito isso, porque isso acaba usando muita imagem, dependendo do tipo de conteúdo, né? Mas a gente tenta, pelo menos, pegar o tipo de informação e desmembrar. Por que aquilo não é correto, e aí a gente explica parte por parte. A gente, às vezes, faz isso com vídeo de fofoca, né? É. Porque o vídeo de fofoca já tá fofoca ali, e aí a gente faz assim, olha, essa parte é assim, assim, assim, assim, sabe? Então...

Nada exime do processo. Nada. Se a pessoa quiser processar, ela pode, mas ganhar outros 500. Então a gente faz tudo pra não perder processos. Mas a gente tá fazendo agora pra não ganhar também. Pra não receber. Pra não receber. Pra não receber. Gente, é. Pra não receber. Não ganhar processos. Não receber processos. Não ter novos processos. Isso, isso.

E como é que é o processo de vocês... Não processo judicial, processo de escolher o que vocês vão fazer de vídeo ou não. Tipo, dando de exemplo agora, o dos ovos do Davi Brito. Maravilhoso aquele vídeo. Era um homem fazer esse vídeo. Muito, muito bom. E vai ser um segundo, hein? Olha o spoiler, né? Vai ser outro vídeo. Porque teve muito conteúdo, as pessoas ficaram com dúvida. O Davi é uma pessoa que traz muito conteúdo, né? O Davi traz muito conteúdo.

É assim, contra a minha vontade, né? Mas ele traz. Tudo que eu sei dele é contra a minha vontade. Porque eu não acompanho, né? Tipo, no sentido de que eu não acompanho a vida dele. Eu fico sabendo das coisas que ele faz.

Mas é muito... Às vezes algumas coisas a gente quer falar, né? Às vezes são temas que a gente acha legal. Tipo, pô, esse tema que é legal, vou falar sobre isso. Às vezes é coisa que aconteceu com a gente. E a gente quer alertar as pessoas. E explicar o que está acontecendo. Basicamente uma doença. Uma doença nova. E a gente tem várias, né? A gente tem muita doença. Muita doença.

E aí, ó, nisso a gente traz a ciência e a nossa experiência, o que para muitas pessoas, para as pessoas é importante, porque você se conectar com alguém que tem a mesma coisa que você acaba sendo um processo mais fácil de levar a doença, né? Tipo, deixa o processo mais fácil.

Então, às vezes a gente fica de olho nas fofocas pra ver o que a gente consegue trazer de científico pra dentro do assunto. E sempre dá, gente. É absurdo como que dá. Esse ano eu falei da maquiagem falsificada, eu falei do ovo do Davi, falei do geladinho gourmet. Eu falei da Mayra Card, que já tem o PMMA no rosto. Primeira semana do Big Brother também, teve bastante coisa, né? A gente fez um vídeo só comentando coisas de ciência da primeira semana do Big Brother.

A Ivete Sangalo que falou pra tomar água com sal no Big Brother. É, isso aí, quando eu vi no dia ela falando, eu fiquei...

Já o Twitter vai estar comentando. E tava, e tava. E aí eu botei no top surdos. Mas é isso, a gente vai meio que fica de olho em coisas que estão acontecendo, em tendências, em comentários, matérias e tal. Essa semana eu tava lendo algumas revistas normal, assim, e aí eu falei, pô, só que não, tá mais legal. Vai anotando. Vai anotando a ideia, tipo, ah, vou falar sobre isso. Hoje eu fiz um vídeo que eu mandei pra Ana, que eu tava olhando threads, assim.

Aí tinha um cara comentando sobre mosquitos de DNA. Ele falou assim, se a muriçoca me pica e pega o meu DNA, tem um filho meu muriçoca por aí? E aí, assim, a resposta é muito simples, mas é que eu acho isso incrível. Porque algum cientista um dia pensou isso. Sim. E aí ele foi investigar se isso era verdade ou não, sabe? Então, tipo, esse tipo de questionamento é muito divertido. E eu fiz um vídeo sobre isso. Tipo, eu fiz o roteiro hoje, mandei pra Ana antes da gente vir pra cá. E aí

E aí, então, várias coisas vão virando conteúdo. Porque ficar só desmentindo informação também é chato pra gente, sabe? Porque é chato pro público que só vê, tipo, ai, nossa, mais uma coisa sendo desmentida. E é chato pra gente, porque a gente quer falar de coisas legais. A gente quer falar de coisas... Tem tanta coisa massa pra explicar, sabe? Eu fiz o da comida do astronauta.

Muito bom. Quando eles voltaram, eu falei assim, gente, você sabe como é a comida de astronauta? Você come comida de astronauta. Era uma coisa super simples, porque eu não tinha competência técnica pra falar de foguete nenhum, mas eu tinha competência pra falar de comida. Então, a gente vai tentando ver o que tá em alta e trazer o nosso olhar científico dentro da nossa área pro assunto. São várias editorias, né? A gente desmistifica ativamente uma picaretagem, aquela que fala de coisas legais, aquela que conta histórias, o povo tá gostando bastante. É, histórias, né? Que o mundo mais gosta que vocês façam?

Essa o povo tem gostado bastante. As histórias, eles gostam muito. Eles gostam muito de fofoca também. Eles gostam da fofoca. Acho que da fofoca ganha. Eles gostam muito de fofoca. É que atrai bastante gente, né? Mas o das histórias, a gente faz pensando em ser um negócio que a pessoa possa ouvir. Então, é bem sonoro, bem contado, falado devagar, assim. E tem muita história na ciência, muito louca. Tem muitas injustiças. Tem muita treta.

Então, a gente faz um roteiro pra ser mais consumido com calma, assim. E as pessoas têm gostado bastante. Sim.

O próximo que eu vou escrever é a tuberculose. Ah. E aí eu tô terminando de ler o livro pra... Interessante. Interessante. A gente não usa legal. Interessante. É, interessante. A Ana me proibiu de falar que bactérias são legais. É, interessante. Eu não posso mais falar que é legal. E vocês pretendem seguir nessa carreira de criação de conteúdo daqui pra frente? Ou vocês pretendem voltar pra área científica? É, já não pode, né?

Não pode mais... A gente pode entrar no... Ó, o fantasma tá ativo. Não gostou da pergunta. Não gostou da pergunta.

Não, a gente pode fazer outro doutorado, se a gente quiser. Ah, é? Não quero... Não, não, não, não, não, não. Se a gente quiser. Ok. Um dia. Futuro do... No máximo, eu faria outra gradação. Preparo, sei lá.

Faria outra graduação, mas eu não sei se eu teria saco pra fazer outra graduação. Fazer prova, seminário de novo. Imagina, com o jovem. Com o jovem. Acho que não. Jesus, é melhor. Mas acho que sim, eu pretendo pelo menos continuar na área de comunicação. Porque acho que eu me encontrei melhor na área de comunicação. É divertido. Mais do que na pesquisa, né? É, quando a gente começou a se dedicar só ao canal, que eu falei... Será, mano? Eu acho que eu não gosto de fazer experimento.

Ah, você descobriu! Porque aí eu vi que, tipo, pô, quem faz experimento é trabalhoso, né? E é frustrante também. O que eu gostava do experimento, o que eu não gostava era todo depois. É o relatório, é o gráfico. Mas é que o experimento envolve isso, né? Então, pra mim, o processo todo acabava sendo frustrante. Gente, o relatório anual, pelo amor de Deus. Ai, que ladainha. Ou então você ficar 15 dias cultivando a bactéria pra chegar no 15º dia que você vai trabalhar com ela lá.

Não quero. E aí dá tudo errado. Você perdeu 15 dias do seu mês, você tem que recomeçar tudo. Então essas coisas acabam sendo frustrantes. Então eu gosto muito mais da comunicação porque a comunicação me permite estudar. Que é uma coisa que eu gosto muito. E eu basicamente sou paga para estudar. E aí eu transformo esse estudo em conteúdo.

Então, acho que eu pretendo permanecer na comunicação. Também, também. É isso. É nosso projeto de vida, né? Literalmente abandonamos as outras carreiras pra ir pra seguir. Pra dar um salto de confiança. Porque, assim, foi bem isso, né? Ela saiu da indústria que eu achei ela louca.

louca, era o emprego dos sonhos, e ela escolheu, nunca vi um cientista, e eu saí do pós-doc, uma bolsa FAPESP, também que era um negócio, todo mundo fala, eita, você vai abandonar isso mesmo? Ah, vou, vou, vou dar esse salto de confiança, e tem dado certo, então eu pretendo continuar.

E o Nunca Vi Um Cientista, vocês pretendem expandir esse projeto para além de YouTube, redes sociais, para algo maior? A ideia é dominar o mundo. Não, a gente todo dia acorda tentando dominar o mundo. Talvez existam coisas que aconteçam ainda esse ano. É, tá demorando, né? Mas vamos lá, tentar. É que a gente não pode falar nada ainda, mas talvez existam coisas que aconteçam fora das redes sociais esse ano.

Ah, que legal. Estamos aguardando. Cresça bem off. Chegaram algumas perguntas aqui do pessoal. O Mundo PC dele perguntou se os fatos científicos são verdades absolutas ou podem ser relativizados.

Não existe verdade absoluta na ciência. A ciência serve pra afastar a gente do erro. E não pra chegar na verdade. Então, tipo, toda vez que a gente faz um experimento, a gente faz um experimento ou cria novos conhecimentos pra se afastar do erro e tentar chegar mais próximo possível do que é real e verdadeiro. Então, nenhuma verdade na ciência é absoluta, porque com um novo corpo de conhecimento ela pode mudar. Existe uma verdade até o momento.

Então, até o momento, temos um corpo de conhecimento. Esse corpo de conhecimento é atualizado sempre com novos dados. Se chegar algum novo dado, que é o que... Voltou.

Porque ele voltou. Se chegar um novo dado, que é o sonho de todo cientista que quebra o consenso, porque todo cientista tá buscando isso, é aquele negócio, breaking news! Até o dia da evolução, agora foi provada que não é bem assim, sabe? Todo cientista quer isso. Então, se chegar algum novo dado que mude o consenso atual, isso vai ser atualizado. Mas a verdade, ela é baseada no que a gente tem agora. Então, é absoluto. É até o que a gente tem agora.

Toda vez que a gente ia falar alguma coisa, a gente sempre fala até o momento o que temos de informação é tal coisa. Porque, sei lá, o ano que vem o meu vídeo pode ser desatualizado porque outra coisa, outra informação surgiu. Então a gente não tem nenhuma verdade. Eu lembrei de uma coisa. Uma menina falou assim, ela tomava um suplemento lá e eu falei, olha, até o momento todos os estudos apontam que isso aqui não tem evidência nenhuma.

Até o momento não temos evidência que isso faça algum sentido. Ela falou assim, eu quero ver quando sair estudos que provam que ele é bom, que se você vai voltar pra pedir de

desculpa. O que é isso? Eu peço desculpa, eu trouxe a informação certa? Eu trouxe a informação até o momento. Como que eu vou saber, gente? Eu volto no passado, eu peço desculpa. Mas por que eu tenho que pedir desculpa? Se eu não tirei... Se essa é a informação que tem. Eu não inventei nada.

muito doido isso, pensar, nossa, a ciência mudou. Porque imagina se a ciência não mudasse conforme novos dados chegam. Seria o quê? Um dogma? Uma religião? Alguma coisa assim? Porque é um negócio que não muda, né? Agora, a ciência, ela muda conforme novos dados. E isso é ótimo pra ciência. E as pessoas deveriam gostar disso, então... A ciência é ferramenta, né?

As pessoas não entendem que a ciência é uma ferramenta. Ela serve para a gente navegar no mundo e entender como o mundo funciona. Então, ela traz para a gente algumas informações e a gente junta essas informações e elas podem mudar, porque às vezes a gente não tem a tecnologia agora. Há 100 anos, a gente não tinha a tecnologia que a gente tem agora para enxergar as células no microscópio eletrônico. Então, a gente não tinha conhecimento de como todas as estruturas são formadas. Então, as coisas vão mudando conforme a gente ganha mais conhecimento.

Vocês chegaram a pegar essa parte de inteligência artificial durante o estudo de vocês? Não. Não, não. A gente saiu antes. Querido, quando eu fui à faculdade, não tinha nem Wi-Fi no campus. Não existia isso. O celular não era smartphone. O celular não tinha internet no celular. Era 3G. Era só um... Não, não tinha. Não, não tinha. Era pra ligar, era pra ligar.

Eu tinha... Não sei se você lembra. Mas tinha uma propaganda quando lançou o celular mais fino do mercado no momento. Que era uma propaganda com a Yasmin Brunet. Que o celular passava embaixo da porta dela. Assim, era o máximo. Eu tinha esse celular. E não era o smartphone. E não era o smartphone. Ele tinha jogo da cobrinha. Nossa, será que era a Nokia? Será que era... Não, era o Samsung esse.

Era um Samsung fininho, assim. Fininho. Tinha mais de um dedo de espessura, mas, tipo, pra época ele era fininho. Nossa, é um pejoulo. Quando eu entrei na faculdade, só tinha Wi-Fi no departamento de pesquisa, e você tinha que ser aluno do departamento pra poder ter acesso àquele Wi-Fi, e era um Wi-Fi restritinho. Não existia esse Wi-Fi no campus, não. Não existia 3G, não existia internet no celular. O iPhone foi lançado no ano que eu entrei na faculdade. Obviamente não tinha dinheiro.

Tem dinheiro, nem wi-fi, né? Nada, nada. Sobra nada. O Carlos Eduardo, ele perguntou se ele, como doutorando, tem direito a um estagiário. Doutorando? Ué. Ué, eu fui estagiária de uma doutoranda. É que vai muito do orientador, né? Mas, normalmente, sim. Eu fui, eu entrei como estagiária de iniciação científica de uma doutoranda. É, eu entrei de uma mestranda. É.

Eduardo, vai atrás de seus direitos aí. Vai atrás de seus direitos, Eduardo. Aparentemente pode, viu? Acho que você tá sendo... Ele quer botar alguém pra cuidar dos ratos dele, igual eu fui. Lavar a vidraria dele. O Marcelo Vivam, ele perguntou se tem mais alguém da Gangue da Lhama por aqui. Opa! São os nossos seguidores. Ah, bonitinho. São os lhameiros, Gangue da Lhama.

Porque uma vez a gente fez uma camiseta, que era uma lhama debuchada, falando, liamento, né? Aí o povo, ah, liamento, assim, você não tá...

A ciência não tá nem a pessoa pediu. A ciência não tá nem a pessoa pediu. Porque assim, não importa a opinião da ciência, tem o corpo de conhecimento dela e você aceitando aquilo ou não, não vai mudar o conhecimento científico. E aí era isso. Aí eles amaram, foi a camiseta mais vendida e aí eles se intitulam a Gangue da Lhama. E eu vi que vocês têm o selo Science Vlogs Brasil. O que é esse selo? Tem mais canais que tem aqui? Eu não conhecia. Então, foi uma iniciativa feita em 2000.

tinha, há muito tempo, e era primeiro Science Blogs Brasil, aí depois veio um advento no YouTube e tal, e aí a gente transformou em Science Vlogs Brasil, que era quase um braço ali do Science Blogs, que era um selo que assegura canais que produzem conteúdo de qualidade, baseado em ciência.

A última vez que eu soube tinha 60 canais. É, eles não estão mais ativos atualmente, mas eram alguns canais. Era isso, era meio que assim, olha, venha fazer parte da nossa comunidade porque o seu conteúdo é um conteúdo científico de responsabilidade, né? Era meio que isso. É, mas ele tá meio... Que pena que morreu, né? Pois é. Porque hoje em dia seria bom ter um selo importante assim, né? Pra alguns canais brasileiros. Sim, sim.

E tem algum outro canal brasileiro que vocês talvez recomendem para o público, além do Nunca Vim Cientista? Eu acho que é muito injusto, porque se a gente recomendar um, a gente esquece o outro. Tem diversos, muita gente boa, para começar todos do Science Logs.

Ah, e tem muita gente que não necessariamente tem a canal no YouTube, mas está produzindo bastante conteúdo nas redes sociais, conteúdo curto que está engajando e que está levando a galera a querer conhecer mais sobre ciência. Mas, assim, tem muito... O que a Laura falou, se a gente segue, é um bom indicativo, né? Se é só a pessoa que a gente segue. Estamos seguindo, então pode confiar porque a gente... Eu vou recomendar um canal. Para quem faz farmácia, como eu.

O da Flavonoide. Ah, é muito bom. A Flávia, ela é farmacêutica também. E ela dá aulas no YouTube. Ela tem várias aulas mesmo, assim. E uma galera que estuda pra prova com os vídeos dela, assim, sabe? E ela tem cursos. E ela desenha. Ela desenha, ela rica. Ela é muito foda na área de farmácia. Eu tiro muita dúvida com ela, porque às vezes eu preciso de uma farmacêutica premium pra... É, farmacêutica premium? É, porque eu sou farmacêutica de bactéria.

Ela é farmacêutica de medicamento. Então, às vezes eu preciso de uma farmacêutica de medicamento pra tirar dúvidas.

Eu tenho vários farmacéticos prêmios de algumas áreas. Eu tenho de cosmético, tenho de medicamento. Eu vou migrando. Mas o canal da Flavonoide é bem legal. Eu pergunto porque eu consumo muito canal gringo. Então, o meu favorito é o Roundtown. Não sei se vocês conhecem. Que são dois jornalistas que eram da Vox, que é um canal também de jornalismo focado em ciência, física e tudo mais. E esses dois, eles criaram um projeto paralelo rado. Não.

É totalmente focado em ciência, que é lindo, lindo, lindo de ver. É muito bonito. Então, fica até a sugestão pra vocês. Pra quem tá assistindo também, Haltown. É muito bom. Além do Vissols também, que o cara era... O Vissols é bom, o Veritasium, o Syshow. O Inanatiel. É que o Inanatiel é muito bom também. Tem um outro que eu assisto, que é uma moça que eu nunca lembro o nome. A moça da Cosmeto, não é?

Não, essa é a Lab Muffin, mas não é o dela. Tem um outro que ela é química. A Lab Muffin é uma química de cosméticos, mas é que é uma outra que é química química. Tipo, química pura. Que é muito bom também. Mas é que, na verdade, no meu tempo livre no YouTube, eu acabo consumindo coisas que não são ciência.

Porque senão vira trabalho. É, aí fica chato, aí... Então eu acabo consumindo os canais de ciência, tanto nacionais quanto gringos, quando eu tô estudando. Ou quando é um tema muito curioso, que eu quero muito saber, aí eu boto pra tocar, mas normalmente eu tento consumir conteúdos que não são científicos, pra não virar trabalho no meu momento de lazer. Tipo o quê? Um gato curioso.

Cara, eu sou uma devota fiel do James Hoffman, que é o pai da seita do café. Né? Tipo, ele é... Todo mundo que faz parte da seita do café especial conhece o James Hoffman. Se não conhece, tá fazendo parte da seita do café errado. Alguém comentou de café aqui.

O James Hoffman, ele foi o campeão mundial, barista campeão mundial em 2006, 2005? Sei lá, faz muito tempo. E o canal dele é um canal que eu amo porque o cérebro dele funciona como o meu. Então, ele... Eu quero saber se tem cafeína aqui. Mano, ele compra o equipamento pra medir cafeína, tá ligado? Ah, eu quero saber o que acontece se eu fritar café. E aí ele...

Frita café. E aí eu acho maravilhoso. Eu gosto muito do conteúdo dele. E eu gosto muito do conteúdo de uma moça da Bernadette que ela faz conteúdo de roupas. Ela costura e ela é historiadora. Então, ela fala muito de roupas de época. Mano, ela passou um mês costurando, bordando contas.

Missanga, no vestido, assim, tipo, eu adoro os vídeos dela, ela fala muito de tecidos, assim. Ah, você me mostrou uma vez um vídeo. Te mostrei, né? Tem um vídeo dela que é muito maravilhoso, tem milhões de views, que ela criou um OnlyFans do tornozelo dela.

Porque era pra, tipo, na era vitoriana, sei lá, você não podia mostrar o tornozelo. E aí é um OnlyFans com fotos do tornozelo dela. Tipo, ela mostra no vídeo todo o processo ela criando o OnlyFans, sabe? Meu Deus do céu. Então, qual é o tipo de conteúdo que eu gosto de consumir no meu tempo livre? Você, Ana, tem... Ah, eu consumo muito canal brasileiro de fofoca.

Os de fofoca eu também consumo todos. Eu treino vendo fofoca. Matando o Matheus Gritos, o E-mail. Matheus Henrique Show, Beta Boachá, o Jean, o Desce a Letra Show, eu gosto bastante, todo dia. O Cauê eu assisto bastante também. É, então, eu gosto bastante. A gente quando não sabe muita fofoca. É isso. Sempre bom, né? Fofoca é sempre bom na vida. Fofoca edifica. E a fofoca sempre tem também alguma coisa que a gente pode aproveitar.

Exatamente. Tem um negócio em alta, vamos falar da ciência por trás. Então, aí, é um jeito de estourar a bolha.

Ah, achei o comentário do café aqui. Foi o Renato Cunha. Aliás, abraço, Renatão. Espero que você esteja aí ainda. É um dos apresentadores aqui da casa também. Ele falou, legal... Opa, tirei aqui. Legal que elas contam a história e é tudo baseado em amor ao estudo. Querer saber mais. É triste ver que hoje a ciência virou briga política. É algo para o bem de todos. E ele complementou com... Ah, mas café precisa mesmo ter um tempo para explicar. Porque é o elixir da vida.

Já tomei três copos hoje. Terminando aqui, eu vou pro quarto. Eita, coisa boa. E você dorme a noite de boa? Eu trabalhei em fábrica de automóvel e eu dormia no papelão na hora do almoço. Então, assim, qualquer lugar pra mim é... Nossa, e eu tenho que botar o tampão de ouvidos. Você tem mais de 30? 31.

Ah, não, não vi ainda. Vai chegar, vai chegar. Hoje em dia já dá um pouco mais, tá? Não é mais as minhas coisas, não. O meu começou a virar aí, ó. A gente tá indo pro final aqui. Tem uma pergunta que eu faço pra todo mundo que aparece aqui no podcast. Mas antes eu queria fazer outra.

que é relacionada a filmes e séries. Vocês assistiram, por acaso, o Devoradores de Estrelas? Ou chegaram a ler? Não, ainda não. Eu assisti. É o filme, né? Do Ryan Gosling. Isso. Não assisti ainda. Vi no cinema. O que você achou da parte da biologia?

Assistir filme de ciência pra gente é sempre uma tortura. É, assim, o cientista é gênio. Ele conhece identificar uma nova espécie, ele consegue pilotar uma nave, ele fala uma nova linguagem, ele cria um equipamento. Isso não existe. Isso não existe. Eu tava lendo o livro e eu fiquei, caramba, ele é um professor do ensino fundamental. E o cara faz tudo. É.

E acho que todo mundo que assistiu... Ele programa o... Ah, eu vou dar isso por... Não, não é assim. Ele consegue fazer uma programação lá que ele consegue se comunicar com o alienígena. Que biólogo vai fazer isso, gente? Meu Deus!

Eu não sei nem da minha área direito. Mas não. É sempre assim. Não, pra gente assistir filme de séries é difícil. E a pior coisa, que eu queria ter feito vídeo na época, mas aí eu perdi o timing, a pior coisa daquele filme é ele pegar uma centrífuga pequenininha da Sandy Eppendorf, ele abre a tampa da centrífuga, coloca dois Eppendorf do mesmo lado. Ah, mentira! E fecha! E liga! Aí o cientista na sala, eu no caso...

Aí eu ainda fiz assim, aí o Jorge... Eu falei, ah, então tá bom. Isso que eu tô curioso, porque eu vi o filme, li o livro e achei maravilhoso. Porque o escritor, se não me engano, ele tem alguma... Não sei se ele é...

Físico ou se é engenheiro ou uma coisa assim. Mas ele... É detalhadinho. Nunca entrou no laboratório de biologia. É, é. E ele tem uma base por trás. Só que da parte de biologia, eu não... Eu fiquei curioso pra saber se muita coisa ali, inclusive, se é possível existir um astrofágico ou não. É, até onde a gente sabe, né? Nosso conhecimento hoje. Até o momento. Um bicho pedra...

Aí já é outro papo. Mas a parte de biologia mesmo. Dentro do filme ele consegue acelerar... O negócio do sol lá, né? Isso, aquela mebinha. Ele consegue acelerar o processo de evolução dela em algumas semanas, eu acho. É possível fazer isso?

Dependendo do micro-organismo, você até consegue, porque a evolução, na verdade, é uma pressão sedativa do ambiente. Então, a gente sempre pensa... Só que aí tem o conceito de evolução que as pessoas entendem errado, que é evoluir para melhor. Não. A evolução das espécies é aleatória e ela seleciona os mais aptos daquele ambiente.

Então, se eu exerço uma pressão no ambiente para, por exemplo, a bactéria resistente a antibiótico, por exemplo, se eu boto muito antibiótico no ambiente, vou matar todas as que não são resistentes, vai sobrar que é resistente, a resistente se reproduz, e aí essa espécie evoluiu para ser resistente, entendeu? Tipo, é meio que isso. Então, para micro-organismos, que têm um tempo de formação mais rápida, você consegue criar ambientes artificiais em que você seleciona aptos dentro do ambiente que você quer.

forçar esse bicho a evoluir não era evolução no filme era forçar o bicho a ter bastante material de bicho pra poder usar com combustível, não era isso? é, que se não me engano no filme as amebas dali não vivem em lugar com nitrogênio

daí elas vivem só no lugar X. Aí ele começa a colocar nitrogênio dentro, faz testes, para que essas bactérias sobrevivam ao nitrogênio, para que aí sim elas possam...

Ah, isso na nave, né? Isso. Ah, tá bom a pensar. Detalhe, dentro de uma nave, há anos luz na Terra. Não, eu vou te falar, era muito mais fácil fazer uma clonagem e meter um gene que sobrevive no nitrogênio lá e pronto. Meia hora tava pronta a bactéria. É, isso dava pra fazer. Eu fazia isso tudo inteiro. Mas numa nave? Ah, se você levar os plasmídeos de clonagem, você vai ter. O plasmídeo é um anel de DNA, que é próprio das bactérias, que a gente consegue manipular.

Então a gente pega um anelzinho de DNA e diz, ah, eu quero botar um gene pra bactéria sobreviver com nitrogênio.

Aí você dá para a bactéria comer, a bactéria come. É como um cavalo de Troia. Ela pode virar bactéria que come nitrogênio. É, mas na nave... Um professor do fundamental fazer isso na nave... Aí é mais complicado. Eu tenho formação em biologia molecular, né? Aí ele já não sei. Ele tem. Tanto é que eu acho que o doutorado dele no filme é sobre vida, sobreviver sem água. O grande plot é esse. Ó, voltou. É, voltou o nosso vídeo. Ele está participando do podcast.

A defesa dele foi que vida pode existir sem água. Daí depois é provável que não, mas depois que sim. É doido. Assista. Assista pra rir. Quer dizer, pra se divertir. Pra se divertir. É leve. E por favor, faça um vídeo sobre isso. Porque esse filme tá estourando na parte de bilheteria. Ah, tá no cinema ainda? Ainda tá. Eles esticaram. Tá fazendo tanto sucesso que eles esticaram a permanência dele nos cinemas. É, vai ver, mas vai com a mente aberta.

É, assim, veja como uma pessoa leiga. Veja... Na parte da centrífuga, você faz assim. O Bruno é um escaputo de assistir as coisas comigo, porque eu fico quieta, mas eu fico, tipo... Você bufa, né? Eu também bufo. Aí ele olha pra mim e ele fala... Amor, só assiste o filme. Vai aí, vai.

E eu faço coisas sobre filmes e séries também. Tipo essa que o pessoal ama. Eu amo assim. É que eu sou muito ruim pra ver essas coisas. Tô fazendo um da Emergência Radiativa. Tô quase terminando o roteiro. A gente já tinha feito um vídeo em 2019. Contando, né?

Contando a história do acidente. Do acidente e contando o que é radiação, né? O que é um isótopo, né? Coisas, conceitos mais básicos, assim, pra essa pessoa entender qual foi o problema dali. E aí surgiu a série, né? E tá todo mundo comentando. Falou assim, ah, vou atualizar o vídeo, né? Porque... Comentar a série, sim, né? O vídeo é... Nossa, a gente é duas pessoas completamente diferentes. Fete anos, não.

edição, era eu que editava olha se imagina, tava um negócio a gente tinha mais colagem é, nossa é que eu assisto séries também meio, por exemplo, tô assistindo uma série italiana sobre uma advogada do século XIX entendeu? aí fica meio difícil, porque meus gostos particulares fora da ciência

Não pode transformar filme em série também em trabalho. É, em trabalho. É, então é isso. É isso. Meio que isso. Às vezes quando a gente vai se dedicar a fazer algo, aí a gente vai falar, tá bom, então nós vamos assistir essa série para fazer um conteúdo. Mas se não, aí vira tudo trabalho, você não consegue descansar nunca. Uhum.

Eu só quero ler um livro. Só quero ler. Não quero... Estressar com o erro e... Não quero fazer um conteúdo sobre isso. Às vezes, às vezes, tem que fazer. Faz, faz Devoradores de Estrela. Faz Perdida em Marte também, que eu vou adorar assistir. Ah, então tá. E ó, pra finalizar, eu queria saber, desde que vocês começaram nesse ramo de criação de conteúdo e tudo mais...

Tem algo de mais legal que aconteceu com vocês, que vocês se orgulham? No caso, o projeto, alguém que vocês conheceram, algum reconhecimento, que vocês olham para trás e pensam, nossa, eu cheguei aqui e olha que legal que aconteceu.

Pô, um monte de coisa legal. Nossa, muitas coisas, né? Muita coisa. Caramba. Já foi no programa da Regina Volpato. Já foi no programa do Rony Voão na TV. Nossa, o cara é um príncipe. É, o Rony Voão é maravilhoso. Ele é cheirosíssimo, inclusive. Muito. Uma pessoa queridíssima. Mas, cara, a gente recebeu alguns reconhecimentos que acho que são...

É interessante porque, por exemplo, a gente ser chamada pra trabalhar com o Ministério da Saúde do país. A gente ser chamada pra trabalhar com o Ministério da Ciência do país. Tipo, pô, quando que a gente teve oportunidade disso antes, sabe? Eu tava me recuperando da cirurgia e o Ministro da Saúde, Padilha, me mandou um vídeo de recuperação. E a Ministra, a Luciana, da Ciência...

me mandou uma mensagem desejando boa recuperação. Então, tipo, a gente chegar no Ministério da Ciência e da Tecnologia e da Saúde, eu acho que mostra o quanto o nosso trabalho tem sido feito com muita responsabilidade. Então, para a gente, isso é um grande reconhecimento. Acho que outros reconhecimentos são parcerias do YouTube que a gente tem feito, por exemplo.

O YouTube levou a gente para eventos pré-copy e pré-copy, porque entendeu que o nosso conteúdo também era importante de estar ali, era importante que nós estivéssemos ali vivenciando aqueles eventos para trazer as informações para as pessoas. Tudo isso são pequenas coisinhas que vão mostrando que a gente está no caminho certo. A gente conseguir publicar livro, a gente conseguir publicar quadrinho, tudo isso vai trazendo um reconhecimento em pequenas pílulas.

Acho que não tem um grande reconhecimento, assim, tipo, nossa, isso aqui é muito, né? Acho que é tudo um conjunto de coisas que vão acontecendo e que vão trazendo reconhecimento pra gente. É, e muita pessoa legal que a gente conhece também, muita pessoa...

Agora foi com Deus. Ele foi caindo em etapa. Será que o povo ouve? Quando a gente se assusta aqui, acho que talvez é o povo. O que elas estão fazendo ali? Tá caindo. Ah, muita gente legal. Era isso. Prêmios que a gente recebe. Prêmio, né? Estamos aí no caminho. Então, acho que é isso. Pequenas coisinhas. Vê que algumas pessoas seguem a gente. A Ana Paula do BBB segue a gente. Nossa, que orgulho. Ela já seguia antes de ir pra casa.

Ana Paula, segue a gente. Eu não sabia disso, eu fiquei chocada. Que legal.

Xará. Que legal. A gente tem várias pessoas famosas que a gente vê que nos seguem. Às vezes mandam mensagem perguntando coisas. Tipo, tem um menino que era ator da Malhação que segue a gente e que mandou mensagem que eu assistia ele na Malhação, sabe? Tipo, que legal. E ali, eu queria saber tal coisa. Eu, claro. Alô, Piovani comentando. É isso aí. Alô, Alô, Piovani. Tamo junto, amiga. Alô, Alô, Piovani me chamando de amada. Eu, meu Deus.

Nossa, que legal. E eu, ai, caraca, que legal. Então, é que isso, assim, o reconhecimento vai vindo de várias formas diferentes.

Pô, legal, gente. Parabéns pelo trabalho. Parabéns pelo projeto também de vocês. Obrigado por terem vindo aqui conversar com a gente hoje. Obrigada pelo convite. E se vocês quiserem mandar uma mensagem para o pessoal, tanto das redes sociais, onde encontrar vocês, quanto alguma mensagem de... Se vocês queiram falar para o pessoal também, pode olhar para essa câmera e falar com eles.

Ah, e a gente tá em todas as redes. O nosso nome é Nunca Vi Um Cientista. Segue a gente no Instagram, a gente tá quase batendo um milhão. Falta 35 mil, pelo amor de Deus, gente. Olha, eu tenho que... Tem que ser esse mês... Não, mês que vem. A gente tá tendo a nossa meta, né? Até o final do ano, pelo menos. A gente também tem um site que é nv1c.com

Que reúne todos os nossos conteúdos. Então, se a pessoa... Ah, quero saber se elas têm vídeo de feijão. Você edita feijão na busca. Todos os vídeos que estiverem falando sobre feijão vão aparecer para assistir. Então, é uma forma que a gente encontrou de facilitar as pessoas encontrarem tudo o que a gente já fez. Porque a gente já tem mais de 1.200 conteúdos no Instagram. Tem não sei quantos mil vídeos no YouTube. Então, é muita coisa.

coisa. E no YouTube até é fácil de achar, né? No canal e tal, mas no Instagram, busca é péssima. Então, o site lá, ele dá uma ajudada. Usem! A gente paga a cara no site, usem! No site também tem o link pro nosso livro, pro nosso quadrinho e contato. Contato tanto comercial, quanto contato normal, de só querer mandar coisas e insanidades pra gente saber que tá acontecendo.

Perfeito, gente. Muito obrigado mais uma vez. Sucesso pra vocês. E pra você que tá assistindo, muito obrigado por estar aqui até agora. Não se esqueçam de se inscrever no TecMundo, de se inscrever no Estadão, de seguir a gente nas redes sociais. E sigam também, arroba o Derek Keller. Se não tiver aqui embaixo agora no GC, porque eu não sei se o diretor foi rápido de colocar, vou colocar nos comentários também. E se liga que daqui a pouco, daqui a mais uma semaninha, vai ter mais Tec Inverso aqui, tá? A gente voltou agora e voltou pra ficar.

Gente, beijos, abraços e até a próxima. Tchau, tchau.

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