43: Como o empreendedor pode cuidar da própria Saúde Mental com Jéssica Vilela
Neste episódio, recebemos Jéssica Vilela para uma conversa sobre saúde mental, empreendedorismo, burnout e NR1. Uma reflexão necessária sobre os desafios de empreender sem se desconectar de si mesmo.
- Saúde Mental nas Empresas e NR1Maior erro: empreendedor fora do problema · NR1 como investimento, não custo · Pessoas felizes produzem mais · Mudança de mindset sobre bem-estar corporativo
- Dores do Empreendedorismo: Mulheres vs. HomensMulheres: cansaço do cuidado e dupla jornada · Homens: demanda por eficácia e performance · Inviabilização do sofrimento masculino
- Trajetória de Jéssica VilelaTransição do mundo corporativo para o empreendedorismo · Formação em processos gerenciais e psicologia · União do mundo empreendedor e do ser humano · Atuação com psicologia da sexualidade e empresários
- Psicologia da SexualidadeAbordagem ampla além do sexo · Gênero e sofrimento social · Busca por encaixe no padrão social · Compreensão da complexidade humana
- Equilíbrio Trabalho-VidaEquilíbrio como movimento contínuo · Conexão consigo mesmo para fazer escolhas · Gerenciamento de prioridades e demandas · Adaptação de estratégias conforme o terreno
- Preconceito e Diversidade nas EmpresasEmpresas como ecossistemas de pessoas · Preconceitos no Brasil (racial, gênero, misoginia) · Necessidade de políticas públicas e mudança cultural · Padrão normativo e o que foge dele
- Recomendações para EmpreendedoresLivro 'Execução' de Larry Bossidy e Ram Charan · Importância do autoconhecimento e repertório · Personalização do atendimento e consultoria
- Ferramentas e Diagnóstico para Empresas (NR1)Diagnóstico como ponto de partida · WellCheck: questionário psicossocial · Plano de ação personalizado e acompanhamento · Equi-balance: psicologia e segurança do trabalho
Hoje eu quero falar sobre um tema que, na minha visão, ainda é muito negligenciado, principalmente por quem empreende. A gente fala muito sobre crescimento, resultado, estratégia, mas pouco sobre o impacto disso tudo na nossa mente. E para esse episódio, eu trouxe a Jéssica Vilela.
A Jéssica é psicóloga, atua com psicologia da sexualidade e também com empresários, entendendo de perto as dores emocionais de quem está à frente de negócios. Além disso, ela também é empreendedora e faz parte de uma empresa voltada para bem-estar corporativo.
trabalhando diretamente com a NR1, ajudando empresas a estruturarem a saúde mental dentro do ambiente de trabalho. Ou seja, ela vive isso na prática, tudo aquilo que a gente fala. Jéssica, seja muito bem-vinda ao podcast.
Muito obrigada, Júlia. Eu estou super animada para conversar aqui com ela, porque quando a gente conversou pela primeira vez, ela me contou um pouquinho da história dela. Conta para a gente se você já tinha essa bagagem muito forte em gestão antes da psicologia, como que foi essa transição? Bom, Júlia, na verdade, o mundo corporativo foi onde eu me iniciei.
Eu trabalhei desde os meus 18 anos dentro de uma empresa multinacional e foi lá que eu conheci esse mundo. Então, eu passei desde a operação até a parte administrativa nessa empresa e conforme o tempo foi passando, conheci o meu esposo, ele, o empreendedor nato, eu até brinco que ele...
não tem nem carteira de trabalho, e ele me apresentou esse mundo do empreendedorismo.
e aí foi onde eu decidi vislumbrar desse mundo também. Então, eu saí do mundo corporativo como CLT e fui me aventurar nessa vida que é empreender. E aí, nisso, eu me formei em processos gerenciais. Nós criamos as nossas empresas, que hoje nós temos duas empresas em sociedade.
E depois de tudo isso, dentro do próprio curso de processos gerenciais, eu me vi ali muito afinada com a parte de processos organizacional, cultura. Então aquilo para mim era um mundo que eu adorava. E sempre pegando tudo aquilo que eu aprendia lá na escola, na faculdade.
e trazendo para minhas empresas. Então, dali surgiu esse lugar de afinidade com o mundo organizacional, mas voltado para essa parte mesmo cultural e também de processos.
E a psicologia veio em um outro momento, né? Eu já havia me formado e eu me encontrei, assim, com a psicologia. A gente sempre fala que uma pessoa que decide se colocar na faculdade de psicologia sempre vai para entender alguma coisa dela, né? Então, eu não fui diferente, né? Eu fui...
vislumbrar esse mundo buscando entender a minha mente, as coisas que eu pensava, a forma que eu pensava, nossa, será que isso é normal? Será que não é? Será que todo mundo pensa assim? E aí, conseguir juntar esses dois mundos que são a minha paixão, que é o mundo empreendedor e o ser humano. Então,
a psicologia veio para unir esses dois lados. E hoje eu tento conciliar esses dois mundos, atendo como psicóloga clínica, com a parte de psicologia sexual.
trabalho focado em mulheres empreendedoras, e também trabalho com essa parte organizacional, que é a parte de consultoria, e é onde nasceu a EQ Balance, para também ajudar esses empreendedores neste momento tão novo, tão de dúvidas, que é essa regulamentação nova aí.
Nossa, no final a gente sempre fala de pessoas, né? Porque você está lidando com pessoas dentro das empresas e fora também, né? Como psicóloga. E isso é muito interessante porque no final do dia a gente lida com as pessoas. E eu vejo que quanto mais conhecimento a gente vai adquirindo, mais a gente aprende a lidar com as situações. Então, eu adoro quando...
A pessoa chega e fala assim, ah, não parei de estudar, sempre fui atrás, porque é assim que a gente vai se desenvolvendo realmente, né? E você tem uma visão muito interessante, porque você entende tanto o lado do colaborador quanto do empresário, né? Na sua visão, qual que é o maior erro hoje quando a gente fala de saúde mental dentro das empresas?
eu acredito que é essa colocação do empreendedor, do empresário fora desse problema. É como se esse fosse só um problema dos operadores, da parte operacional, e eles esquecem de verificar isso pelo topo dessa pirâmide. Então, quando a gente pensa numa estrutura organizacional, a gente vai ter ali o estratégico, o tático e o operacional.
Quando vem essa questão do bem-estar e dessas alterações devido à regulamentação, pensa muito nessa parte operacional, o que precisa fazer. Vem muito também hoje a dúvida do, agora eu vou ter que cuidar do meu funcionário, do meu colaborador, também fora da empresa. E o que eu vejo como diferencial em tudo isso é a gente começar pelo...
Empreendedor. Porque é ali que vem a clareza, é ali que vem toda a estrutura para ela ramificar para as outras bases ali dessa pirâmide. Então, hoje, como que está esse empreendedor?
E ainda tem mais essa para também colocar mais uma pressão dentro de tudo isso que tem que se organizar. Com certeza. É interessante você falar como que está, porque às vezes a pessoa está lidando toda com a empresa, lidando com o funcionário e acaba não se vendo e vendo o que está passando para os próprios funcionários, colaboradores. E a gente hoje vê muito a NR1...
como uma obrigação, né? Nossa, vou precisar fazer, vou precisar lidar ali. E algumas pessoas trabalham isso de uma forma mais leve. O que que hoje, na sua visão, as empresas ainda não entenderam sobre o verdadeiro objetivo do NR1, né? Qual que é a diferença que vai fazer na vida ali da empresa, da pessoa?
Eu acho que o primeiro ponto é a gente conseguir entender esse movimento como um investimento e não como um custo. Existe essa obrigatoriedade, mas também existe muito benefício quando você olha para a saúde mental, quando você olha para todos esses aspectos que estão na NR1, mas como um investimento e também como crescimento da sua corporação.
Hoje, já existem estudos mostrando que pessoas felizes produzem mais. Então, a gente tem essa opção de olhar isso como uma obrigatoriedade, que é isso que torna pesado, torna até mais estressante para esse empreendedor, mas a gente pode pensar também nisso como uma forma de investimento.
E aí é onde a gente começa esse investimento, pensando em como você se organiza, como a sua saúde mental, enquanto dono, enquanto CEO, diretor dessa empresa, você se organiza nessa sua saúde mental, para você conseguir entender também o quanto isso é importante para a operação. Porque hoje, o que eu vejo muito quando a gente conversa com o empreendedor?
Ele inviabilizando e ele negligenciando a sua própria saúde mental. Logo, como ele vai entender a importância disso para a sua operação? Porque ele está ali se sobrecarregando, ele está ali exausto, ele está ali pensando, eu tenho que dar conta de tudo. E aí, como ele vai olhar para essa base, para esses colaboradores, e pensar que ele precisa entregar uma coisa que ele mesmo não está conseguindo ter? Então...
Para mim, eu acho que o foco dessa alteração mesmo de mindset, de você olhar isso como uma possibilidade de crescimento e principalmente também de um crescimento de bem-estar para o próprio empreendedor.
Com certeza. É interessante quando você fala, né? Que quando a gente está na nossa trajetória do empreendedorismo, a gente sabe do que você está falando, né? Que a gente não olha para nós. Você mesma que é empreendedora, depois que o seu marido entrou aí no jogo também. É interessante ver que a gente vai passar uma hora por isso, mas tem que saber sair, porque às vezes acaba ficando no looping, né? E acaba não resolvendo essa situação.
E hoje, quando você atende como empreendedora, como psicóloga ali, o que você mais vê repetindo ali nos empresários? É alguma atitude? É alguma crença? O que você vê mais acontecendo hoje?
Eu vou dividir isso em dois cenários, né? Porque a gente tem uma dor da mulher empreendedora e a gente tem também a dor do homem empreendedor. São coisas distintas, né? Quando a gente olha e vê uma mulher que empreende, ela tem ali um cansaço, um esgotamento do cuidado.
porque eu até brinco que os homens não foram lá queimar cueca para ter o direito de ser donos de casa, de cuidar dos filhos, e as mulheres foram atrás dos seus direitos, mas o que aconteceu? Foi ali uma...
uma colocação extra de deveres extras para essa mulher. Então, ela precisa dar conta de empreender, mas ela também precisa dar conta do cuidado. E aí, muitas vezes, essa mulher chega num set terapêutico com essa...
com essa ansiedade, com essa frustração, com esse sentimento de que ela não está dando conta. E a gente precisa resgatar essa jornada, a gente precisa fazer com que essa mulher entenda que ela tem muitas tarefas, e quando ela deixa muitas dessas tarefas que é colocada para ela...
como o cuidado da casa, ou ela se abdica de ter um filho, alguma coisa nesse sentido, ela também sofre pela cobrança desse não padrão que é esperado dessa mulher. Então, quando a gente pensa na mulher que empreende, a gente tem aí várias camadas, e muitas vezes veladas, e muitas vezes ela vai estar ali...
encoberta por uma frustração, por uma ansiedade, por uma culpa. Então a gente tem aí esse cenário dessa mulher tentando dar conta de tudo.
E aí a gente tem o outro lado, que é o lado dos homens, que é essa demanda e essa coisa com a eficácia, essa coisa com prover e essa eu preciso performar, eu preciso performar no meu trabalho, eu preciso me performar na minha relação. E aí fica esses dois mundos.
separados, o homem ele ainda tem muito essa situação de que eles não podem se sentir exaustos ou emocionalmente cansados porque senão você é fraco senão você não aguenta então assim existe um sofrimento desse homem também esse sofrimento ele é muito
inviabilizado e até muitas vezes nem, eles não param nem para pensar nisso, porque eles precisam manter ali a sua eficácia. Então, geralmente dentro do SETI aparece esses dois mundos, não é uma lei, não é algo...
determinado, mas geralmente a gente encontra esses sofrimentos nessa causa. A mulher nessa sua busca por dar conta de tudo, e o homem nessa busca da performance, da riqueza, dessa coisa de eu preciso ser um homem bem-sucedido. Então, ambos ali estão caminhando pra um sofrimento.
Sim, toda regra tem a sua exceção, né? Acaba que a gente vê alguns casos à parte, mas é interessante o que você traz, porque ambos os lados precisam equilibrar isso tudo que está acontecendo, né? Para que haja uma solução mesmo.
E você, sendo empreendedora também, vive tudo isso na prática? Negócios, responsabilidades? Existe equilíbrio mesmo entre essa vida? Ou isso é só uma ideia? Porque algumas pessoas que já passaram no podcast falam que se você tem um objetivo, você precisa seguir ali firme e forte nesse objetivo até alcançar. E não quer dizer que você vai ter equilíbrio nessa fase.
Mas outras pessoas falam que tem que aproveitar a jornada, ter o equilíbrio, sim. Então, o que você acredita? Qual é a sua visão sobre isso? Bom, eu acredito que o equilíbrio é como andar de bicicleta. Se você estiver na bicicleta parada, você não tem equilíbrio. Você precisa que ela esteja se movimentando. E aí, dentro desse movimento, você consegue o equilíbrio para você caminhar.
Então, eu penso que o equilíbrio seja muito isso. A gente precisa se organizar nesse movimento. E aí, o que a gente precisa para entender o que a gente demanda naquele momento é a gente estar conectado com a gente para a gente entender o que vai demandar naquele momento. Então, eu como empreendedora, não é todo momento que eu estou conseguindo manter todos os meus pratos equilibrados.
Eu tenho horas que eu preciso escolher qual desses pratos eu vou continuar rodando. E outros vão ficar ali no cantinho, esperando o momento dele para eu colocar e equilibrar. Só que existe um movimento que se eu tentar equilibrar todos ao mesmo tempo, ele vai cair e vai quebrar.
Então, eu preciso olhar um pouco antes desse momento, um pouco antes disso, e é escolher qual é o prato que eu vou equilibrar. Para eu não chegar nesse momento de tentar equilibrar todos e todos caírem.
Então, eu acredito que equilíbrio está dentro dessa escolha, do que eu sustento agora, do que me demanda mais tempo, do que me demanda mais energia. Então, se eu estou num momento de criação de uma empresa, ou de um projeto, ou de alguma coisa...
É óbvio que esse momento, esse meu lado vai estar me demandando mais energia, mais tempo. Aquele momento eu vou estar, até muitas vezes, estendendo um pouco o meu horário, o meu pensamento vai estar fixado mais naquilo. Mas a gente precisa ter essa consciência de que isso não é por um tempo muito longo.
Isso precisa ter essa consciência de que, opa, peraí, já concluiu o meu objetivo, já fiz, então, o que agora eu preciso visualizar, eu preciso colocar mais energia? Então, ora, você mantém ali aquelas outras coisas funcionando, não parada, e alguma coisa em volta. E aí depois você vai fazendo essa troca pra gente conseguir se organizar dentro desse movimento. Né? Né?
Então, voltando ao exemplo da bicicleta, né? Então, se eu tô no morro, eu vou mudar a marcha, pra eu conseguir, com mais leveza, concluir ali aquela etapa, né? Se eu tô num lugar plano, se eu tô em algum outro tipo de terreno, eu vou alterando ali.
a forma com que eu vou pedalar, mas o importante é continuar pedalando, que é pra gente não desequilibrar. Eu acredito que o equilíbrio seja isso. E é muita consciência, então, né? Porque querendo ou não, pra você entender...
Em que momento acelerar, em que momento frear, em que momento você precisa se equilibrar mais, é entender da situação, né? E hoje eu vejo que o que me ajuda bastante é o repertório. Então, se eu preciso...
entender mais sobre gestão, sobre estratégia, sobre ter mais criatividade. Eu vou em busca desse conhecimento. Para você que está ali lidando com empresários no dia a dia, você recomenda algum livro, algum estudo ali para que a pessoa consiga lidar melhor com aquilo? Tem alguma tarefa que você designa para eles?
Bom, a forma que eu trabalho, ela é muito autêntica, né? Eu sempre busco entender qual é a pessoa na qual eu tô lidando, o que ela gosta, a forma com que é mais fácil ela absorver algum tipo de conteúdo, o que ela realmente precisa naquele momento. Geralmente, nessas consultorias que a gente faz, tanto individual, né?
empresário como da empresa, a gente precisa entender quem é essa pessoa. E aí, depois que a gente entende isso, aí sim, a gente coloca aí alguns cursos para a pessoa se organizar para fazer algum treinamento, algum livro, até mesmo alguns podcasts. Então, a gente...
Eu, pelo menos, gosto de trabalhar muito com a pessoa. A empresa, para mim, é um subproduto.
ela vai ser sempre reflexo daquele que guia. Então, eu preciso me conectar com essa pessoa, eu preciso me conectar com aquilo que ela entende, que ela acredita como verdade. E aí, dentro disso, eu vou organizando ali essas referências. Mas é claro que a gente faz essas referências, sim. Eu, particularmente, dentro desses trabalhos, eu gosto muito de trabalhar com o livro Execução.
Só não lembro o autor. Execução. Esse livro aqui. Que legal! Nossa, eu nunca ouvi falar desse livro. Esse livro é muito bom, porque ele é como se fosse um guia prático para você...
organizar o seu negócio. Então, assim, tudo aquilo que a gente faz dentro de uma consultoria, né? Que é fazer as coisas acontecerem, né? Os planos de ação saírem do papel. Esse livro, ele ajuda muito pra o empreendedor, ele entender qual é o papel dele dentro da empresa dele. Tomar atitude ali, né?
Exatamente, porque muitas vezes a gente acha que ficar no estratégico não está diretamente ligado com o operacional. E aí esse livro ajuda a entender bastante isso, a gente se colocar nos nossos lugares de potencialidades, de valor.
para fazer essa roda aí girar. E aí, quando eu trabalho com mulheres, eu tenho mais algumas outras referências para a gente se entender enquanto mulher. E falando disso...
Eu acredito que pouquíssimas vezes eu ouvi falar sobre psicologia da sexualidade. Como que é isso, né? O que é esse termo e como que diferencia ali entre outras psicólogas também? Bom, essa é uma pós-graduação que eu fiz para trabalhar e direcionar justamente os meus atendimentos clínicos para um olhar mais direcionado.
ao sofrimento humano, né? E o que que eu percebi? E o porquê que eu fui pra esse lado da psicologia da sexualidade? Porque quando a gente fala de sexualidade, a gente não está falando de sexo em si. A gente está falando de uma gama de temas, né? De situações que englobam o ser humano. Então, quando eu falo de psicologia da sexualidade, eu estou falando de gênero.
Eu estou falando de sofrimento de gênero, então, como a sociedade se estrutura para gerar fatores de sofrimento para uma mulher, para gerar fatores de sofrimento para um homem, para gerar fatores de sofrimento para pessoas de outros gêneros, de outras opções sexuais. Então, eu entendi que eu precisava primeiro entender.
quem é esse indivíduo, para depois eu conseguir ali entender o porquê que ele sofre. E aí, se a gente for parar para se organizar, muitas das nossas questões de sofrimento, ela está nessa busca de nos encaixar dentro daquilo que a sociedade nos colocou como o padrão.
Então, isso envolve as nossas relações, isso envolve a forma como a gente se vê, isso envolve a forma como a gente vê o outro e também a forma como a gente vê as nossas relações sexuais, as nossas relações de amizade. Então, a psicologia da sexualidade, ela permite a gente entender com mais amplitude esse ser humano. E hoje...
é muito tabu falar sobre isso, né? É falar de como essas situações se organizam na nossa cabeça. E muitas vezes a gente não sabe se é certo, se é errado, se tem certo ou errado, né? Então, isso me ajuda, essa formação me ajuda a lidar com essa...
com esse ser humano em sua complexidade e a sua completude. Nossa, você falando isso me traz muito na visão da sociedade que a gente está hoje, né? Porque como atualmente eu não estou no Brasil, a minha visão mudou um pouquinho dessa parte de sociedade, porque dependendo da cultura tem muito mais diferença nessa parte de sexualidade, né? Então, hoje em dia a gente fala muito sobre a...
a aceitação do LGBT, QIA+, eu acho que tem mais alguma sigla, mas eu não me lembro agora, mas a sociedade entender também o que está acontecendo nesse universo, né? Porque hoje em dia ocorrem muitas limitações e eu ia te perguntar, isso ocorre dentro das empresas?
Qual que é a sua visão sobre isso, né? E você que está há muito tempo no mercado, trabalhou dentro de empresas, sabe que antes era super diferente de hoje, né? Me conta um pouquinho dessa sua visão que você estava mais nesse assunto. Quando a gente pensa em empresa, a gente sempre tem que lembrar que são pessoas. Uhum.
Então, ali é um ecossistema organizado por pessoas. E quando a gente fala de Brasil, o brasileiro, ele é preconceituoso. E aí a gente engloba todos os tipos de preconceito.
Então, a gente vai falar de preconceito racial, de gênero, de a própria misoginia, que é esse ódio que é aferido contra a mulher. Então, sim, isso dentro das empresas ainda é uma situação que precisa ser muito trabalhada. Mas a gente não pode pensar só nessa redução. Então, é claro que...
A gente trabalhar um micro é muito melhor do que não trabalhar nada. Mas a gente precisa entender que isso é uma estrutura, e isso é uma questão de políticas públicas, é uma questão que precisa ser vista muito e organizada muito mais no macro.
porque isso é uma cascata de informações e de essa organização que se dá na cultura do Brasil. Então, existe ali um padrão normativo, existe ali algo que é dito como normal, e tudo aquilo que foge desse normal é visto como algo digno de um preconceito.
E aí a gente pode englobar todos os tipos.
Nossa, acontece muito, né? A gente ainda tem muitos casos acontecendo no Brasil. E eu vejo que cada vez mais com conhecimento, principalmente com essa vinda do NR1, trazendo mais essa... Menos ignorância sobre o assunto, né? Então, eu acredito que vai fazer muita diferença nesse novo momento da sociedade, do mundo em si. E... E...
você fala que a gente precisa criar formas, criar ferramentas, ao invés de ignorar o problema, né? Porque, às vezes, a gente tem ali uma crença limitante, a gente tem uma barreira, e acaba que a gente precisa de alguma ferramenta para que a gente possa aprender a ir ajudando outras pessoas.
Me conta um pouquinho dessa ideia sua, porque às vezes a ferramenta acaba sendo aplicada dentro de uma empresa, então com aplicação do NR1 e também próprio do empreendedor, né? Como que você avalia ali o que a pessoa precisa para poder lidar melhor com as situações? Tanto na questão de atendimento da NR1 como uma consultoria empresarial, a gente sempre vai partir de um diagnóstico.
Então, a gente precisa sempre partir de fazer uma fotografia daquele cenário e entender quais são as demandas daquele local. Quando eu direciono isso para a NR1, então a gente vai fazer ali o nosso diagnóstico, que é próprio para identificar essas situações da parte de psicossocial.
Então, a gente pode usar o nosso próprio, que é a WellCheck, que é um questionário, que a gente vai fazer o quê? A gente vai pegar esse questionário, a gente vai visitar essa empresa, a gente vai olhar os documentos dela, para a gente entender como ela funciona. Depois disso, a gente vai fazer uma entrevista com os próprios donos, e a gente vai organizar isso. O que é?
que a gente viu e o que é que ele vê da empresa dele. E aí a gente vai tentar buscar essa coerência e essa melhoria dentro dessa empresa. Então é só depois que a gente tem um diagnóstico que a gente consegue partir para um plano de ação. E aí depois, para um planejamento desse plano de ação. E aí depois a gente consegue fazer a implementação e o acompanhamento desse plano de ação.
Então, assim, a nossa empresa, falando agora como a Ikebala se trabalha com as empresas, a gente vai sempre partir daquilo que a gente identifica como um fator de risco. Então, uma coisa que a gente tem como propósito é justamente entregar para a empresa aquilo que ela realmente necessita. Então...
Não é esse lugar da gente ir para uma empresa e fazer uma palestra sobre bem-estar. É personalizado, né? Exatamente. Sendo que essa empresa, ela está com um fator muito alto de assédio sexual, por exemplo. Então, entende que eu não estou atingindo o problema levando uma palestra, por exemplo, que eu preciso fazer aqui todo um processo, todo um trabalho para...
Eu reduzi essa situação de assédio sexual. Eu preciso entender quais são os fatores causadores, se tem um setor específico, o que está acontecendo ali naquela empresa.
Então, o nosso trabalho enquanto o equi-balance é esse. É a gente fazer esse olhar vivo, clínico, porque a gente junta vários profissionais. Então, a gente uniu a psicologia com a segurança do trabalho. Então, não é um trabalho separado. A gente trabalha junto e aí a gente consegue se organizar pra fazer isso de uma maneira mais eficaz. E o nosso objetivo é a gente consegue a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente a gente
trazer isso como investimento. Então, a gente também precisa criar indicadores que mostrem para esse empreendedor que esse trabalho que ele está fazendo está gerando um ROI, está gerando lucro para ele. Essa é a nossa intenção, esse é o nosso diferencial enquanto empresa.
que não é uma preocupação de atingir e pensar, focar só na legislação. A gente quer fazer essa parceria com esse empreendedor e a gente quer fazer com que isso se torne um investimento para ele.
Ter o retorno, né? Isso é muito importante, porque hoje em dia um bom empreendedor, um bom empresário, ele investe no que vai ter retorno para ele, porque ele tem essa visão, né? Essa estratégia. E lidando, que você falou, que seu marido te trouxe para essa área do empreendedorismo, aconteceu o mesmo aqui em casa, nem pensava em ter empresa e o meu marido também me trouxe, o Jean.
E é interessante porque a gente acaba lidando com outros tipos de situações do que a gente imaginava do corporativo, né? E você, tendo ali mais de uma empresa, tendo negócios de roupa fitness, queria que você contasse um pouquinho como que é lidar ali...
família, negócios, misturar tudo isso, como que você lida com isso e aconselha a gente a lidar também, né? Porque muitas mulheres hoje em dia acabam tendo negócios com familiares, muitas vezes marido, mas muitas vezes com a mãe, com a família. O que você aconselha nessa situação? Bom, o primeiro que eu vejo...
e aí eu vou falar de uma parte mais pessoal minha, né, vendo todo esse cenário, é a gente entender que a gente não consegue separar trabalho e vida pessoal. Esse é o primeiro lugar que a gente precisa olhar, porque assim como a gente não pode, não deve, né, negar os problemas que acontecem na nossa empresa, a gente também não pode negar os problemas que acontecem nas nossas relações.
Então, esse é o primeiro caminho para a gente conseguir se organizar. O segundo é a gente entender que são pessoas que, por mais que a gente ame, são pessoas diferentes da gente. E que essas pessoas, quando a gente decide fazer uma sociedade, elas precisam ter potencialidades e características. Eu falo que isso eu errei.
Pouco, porque eu sempre tive isso muito claro na minha cabeça. Não é porque é da minha família que eu preciso empregar. Essa pessoa, ela também precisa ter características que complementem a minha ou que converse com o meu negócio. Esse é o ponto-chave para você evitar dores de cabeça, de contratação de pessoas nas quais você ama e talvez ela não corresponda àquilo que você espera. Então, tratar essa contratação como uma contratação de um...
uma pessoa de fora, e aí você olhar se essa pessoa está apta a trabalhar no seu negócio ou não. Essencial, né? Exato. E aí, o que facilita é essa indicação. Então, você está com aquela pessoa próxima, você já conhece mais as características dela, você sabe se ela pode agregar ou não. Mas não se cegar desse afeto, porque isso pode gerar alguns problemas futuros depois. E em relação a trabalhar com o marido,
às vezes não dá. Às vezes são sessões de terapia de casal mesmo para organizar. Porque precisa ter alguém de fora para ser esse norteador e fazer essa aproximação de ideias novamente. Porque a gente queria que fosse fácil, mas não é. Não é fácil lidar com pessoas de uma forma geral.
e ainda mais você não ter esse escape, você não ter esse lugar onde você existe sem ele. Então, vocês são 24 horas, um só. E aí, o que funciona bastante, o que ajuda, é organizar rotinas e colocar ali coisas inegociáveis. Então, e ali parte do respeito. O que é inegociável para você?
enquanto esposa, enquanto sócia, e o que é inegociável para ele. Então, esses são aqueles lugares que a gente não esbarra em cuidado, em carinho com o outro. Então, eu acho isso muito importante, não só para uma relação societária, mas uma relação enquanto casal também. E assim, a gente consegue seguir e respeitar principalmente um espaço do outro.
são potencialidades diferentes, são formas diferentes, então quanto antes conseguir fazer essa separação de cargos, né, e colocar ali quem fica com o quê, quais são as suas responsabilidades, fica muito mais fácil, porque senão é aquela coisa, né, eu jogo, quem pegar, pegou.
E aí, se não pegar, vai ficar, mas era você que era para fazer? Mas eu achei que você ia fazer, e aí aquilo não acontece. Então, essa parte de deixar claro os papéis é muito importante também. É verdade, não deixar só no feeling ali, né? Nossa, achei que você ia fazer. Não, não fiz. Acaba gerando discussão à toa, né? A gente sabe que isso acontece no dia a dia.
E, Jéssica, nossa, essa conversa trouxe muita visão para a gente, né? Que é empreendedora, para a gente que sabe que precisa investir no bem dos nossos colaboradores, da nossa sociedade e, principalmente, para quem empreende e sente que essa pressão constante de dar conta de tudo não precisa ter, né? A gente acaba direcionando ali as demandas.
Eu queria que você deixasse uma mensagem para os empreendedores e empresários que estão ouvindo e que você também, se a pessoa quiser entrar em contato com você, onde que ela te acha para poder te acompanhar, para poder entender mais o seu trabalho. Legal. Bom, a mensagem que eu deixo é nós não somos o nosso trabalho. Antes de ser o que empreende, a gente é um ser humano, a gente tem as nossas questões.
os nossos sonhos, né? E não deixar isso fazer você se perder nesse caminho, porque depois no fim o caminho é sempre de volta pra gente, né? E o que eu gosto bastante também de falar é curta o caminho. A gente não sabe onde a gente vai chegar, né? Pode ser mais, pode ser mais trabalhoso.
pode ser algo inimaginável, mas um lugar que a gente sabe que é certo é o lugar que a gente está aqui e agora. Então, a gente precisa curtir esse momento, ter todas essas coisas que acontecem como aprendizado. Então, não tem nada que aconteça no nosso dia, por mais difícil que seja, que a gente não consiga tirar dali uma reflexão, um aprendizado.
Então, é curtir o momento pra gente conseguir fazer isso com mais leveza e descansar. Esse é o maior dos conselhos que eu poderia dar. Então, descansem também. E o pessoal pra te achar pode ser no Instagram, LinkedIn? O que você acha melhor? Sim, eu tô no Instagram, é jessicavilelapissi. Então, vocês me acham por lá.
e lá vocês também conseguem todos os links aí das outras redes que eu me aventuro. Ai, que bom, fico feliz. E para você que está ouvindo, se esse episódio fez sentido, compartilha com alguém que precisa ouvir essa mensagem também, porque saúde mental realmente é a base de tudo, né? E esse foi mais um episódio do Pode Virar Referência. A gente se vê no próximo episódio. Tchau, tchau.
E aí