Episódios de Matando Robôs Gigantes

Spider-Noir: O Nicolas Cage de homem-aranha funcionou? | MRG 820

02 de junho de 20261h9min
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O multiverso do Homem-Aranha continua ficando cada vez mais estranho, e talvez nunca tenha sido tão estranho quanto agora. Com Spider-Noir, a versão sombria e investigativa do herói finalmente ganha sua própria série estrelada por Nicolas Cage, misturando clima noir, ação pulp e aquele caos característico que parece acompanhar qualquer projeto envolvendo o ator.

No episódio de hoje do Matando Robôs Gigantes, Beto Estrada, Affonso Solano e Didi Braguinha recebem Northon Domingues para comentar tudo sobre a nova série Spider-Noir. Entre expectativas, bizarrices, teorias e muito papo sobre adaptações do Homem-Aranha, o grupo debate se Nicolas Cage era realmente a escolha perfeita para viver essa versão alternativa do herói ou se estamos diante de mais uma maluquice do multiverso.

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Participantes neste episódio4
A

Affonso Solano

Host
B

Beto Estrada

Host
D

Didi Braguinha

Co-hostPodcaster
N

Northon Domingues

ConvidadoGameplays
Assuntos9
  • A atuação e genialidade de Nicolas CageVersatilidade de Nicolas Cage · Nicolas Cage como ator experimental · Nicolas Cage e o meme · Nicolas Cage e o cinema noir · Nicolas Cage em 'Spider-Noir' · Nicolas Cage em 'O Vidente' · Nicolas Cage em 'Fúria Sobre Rodas' · Nicolas Cage em 'O Senhor das Armas'
  • Spider-Man Noir sérieFotografia em preto e branco · Versão colorida da série · Planos holandeses e sombras · Uso de cores saturadas · Influência de Dick Tracy e Seven · Refilmagens para versão colorida
  • Cinema e CulturaOrigem do termo 'noir' · Cinema preto e branco vs. colorido · Expressionismo alemão · Neo-noir · Chinatown · Blade Runner · Falcão Maltês · Dick Tracy
  • O personagem Ben Reilly e sua diferenciação de Peter ParkerBen Reilly como clone de Peter Parker · Diferenças na personalidade e origem · Nome Ben Reilly como homenagem · Dúvida existencial do clone · Ben Reilly em Spider-Noir
  • A transição da série de investigação para açãoFoco inicial em investigação · Introdução de vilões e poderes · Mudança de ritmo e tom · Comparação com Os Intocáveis · Efeitos visuais dos poderes · Eletro e Homem-Areia
  • A personagem Cat Hardy (Felicia Hardy)Femme fatale · Poderes de sorte e probabilidade · Dona de um cabaré · Ambiguidade moral · Lee Joon-li como atriz
  • Envelhecimento e LongevidadeHerói envelhecido e suas limitações · Comparação com Peter Parker em Aranhaverso · Nicolas Cage e a idade do personagem · Suspensão de descrença · Movimentação e fisicalidade do Homem-Aranha
  • Café e estilo de vidaHábito de reutilizar ou lavar copos · Pingado (café com leite) · Chá · Café · Leite · Sede e hidratação · Percepção de sabor e higiene
  • Desenvolvimento de PersonagensSpider-Noir como spin-off · Separação de nomes conhecidos · Potencial para novas abordagens · Graphic novels filmadas
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Beto Estrada:Bom dia!

Affonso Solano:Boa tarde!

Voz D:Boa noite!

Voz E:Boa madrugada, soltando o tênis por aí.

Affonso Solano:Estamos começando mais um Matando Robô Gigante, disse o host daquele podcast enquanto a chuva caía pesada no telhado do QG.

Voz E:Ai não, ai não, ai não.

Beto Estrada:Eu sou o Beto Strade e estou aqui com Afonso Fumando Solano. Diretamente de Brasília.

Voz D:E aí, broto?

Affonso Solano:Diogo não dá no ar. Diogo é muito surfista, cara, né?

Voz D:No ar não.

Voz E:Nossa, no ar do Rio de Janeiro tem que ter regionalizar, né?

Affonso Solano:Tem uma parada no ar, a gente falar um broto é você sem camisa, vendedor de coco, ingerir quaquara, tipo futebol também.

Beto Estrada:O Diogo, para quem tá, quem tá aí, o Norte tá aqui com a gente também, mas ó, para quem Não quero emoção nessa porra, não. Não, não deixa também.

Affonso Solano:E o Norton também, ninguém se importa.

Beto Estrada:É só para quem tá ouvindo e não tá vendo, o Diogo, ele tá num plano holandês do nada. O Diogo resolveu.

Affonso Solano:Ah, explica aí para galera o que que é um plano holandês.

Beto Estrada:Você achou que todo mundo vai falar muito hoje?

Affonso Solano:Ah, é por causa do cinema, Beto. Beto Cinema. Beto é cinema.

Voz E:Absolute Cinema.

Beto Estrada:Beto é cinema.

Affonso Solano:Você trouxe o seu cap hoje, Beto?

Beto Estrada:Que nem o amigo do Diogo lá.

Voz D:Que é música.

Beto Estrada:Que era música. Eu sou cinema.

Affonso Solano:Beto é cinema.

Beto Estrada:Ó o Diogo, ó o Diogo lá, mudou do plano holandês pro plano fechado. Ah lá, Diogo no ar, viu?

Voz E:Eu nem vi, foi muito rápido.

Beto Estrada:Caramba. Tá vendo? Diogo no ar.

Affonso Solano:Isso é porque o Beto faz sacanagem porque, vou entregar, a gente tem entregado muito backstage. Eu tenho dito pra gente fazer a conversão de podcast. Eu não sei se você sabe, Norton, mas os podcasts de um tempinho pra cá vêm fazendo a conversão pra vídeo, sabe? Agora existe podcast em vídeo.

Voz D:É mesmo?

Affonso Solano:É, não sei se já viu. Não tem, tem uns cara assim com fundo meio de cortina e um monte de microfone, sabe? Eles falando assim sobre, sobre tudo. E aí o Beto, rádio, é tipo uma rádio filmada. Só que o Beto Jogo não querem, não querem, então tem vergonha de aparecer na câmera, entendeu? Por isso. Aí o Beto agora fica descrevendo as paradas, as pessoas com cadê, cadê. Aí ninguém pode ver, Beto. Por que você tortura a nossa audiência?

Beto Estrada:Você tá usando isso para você tentar convencer? Eu vou ganhar o público primeiro.

Voz D:Eu tenho uma dúvida aqui que eu que eu queria compartilhar com vocês e saber que vocês me ajudassem a tomar a melhor decisão.

Voz E:Tá.

Voz D:Quando você vai estar bebendo, por exemplo, um suco, tá? Vou dar um exemplo mais próximo, pra mim, pelo menos. Um pingado, um café com leite aqui na tua casa, tá? Você tá lá, aquele copo, tá no copo, tal, café com leite. Aí tu terminou, mas deu aquela sede, você fala assim: "Pô, tô com sede." Existe uma escolha que você tem que fazer nessa hora, que vou botar 3 só opções. E aí você toma essa decisão. E essa decisão, ela separa os indivíduos, separa os terráqueos todos. Queria saber qual é a certa e onde você se encaixa. Você pode pegar o copo que você acabou de tomar, né? Acabou de tomar aquela parada, Ficou aquele fio de caldinho e você só vai lá e enche de água e bebe. Fica aquela aguinha meio sujinha e você bebe. Fala assim: "Porra, fui eu, sei exatamente que tava aqui, né? Mas eu dei aquela, porra, dei aquele sabor, aquele chazinho, né? Tá ali aquele chazinho e tal." Você pode pegar o teu copo, dar uma jogada de água na torneira da bica da cozinha, saculeja, tira a água e enche ele. Você deu uma pseudo-limpada e toma, que é o lavar o copo. Ou você pode trocar o copo, deixa aquele copo lá e pega um novo, se você for um soberbo. Sei lá, essa é a tua parada.

Affonso Solano:Quebra o copo logo, joga, quebra logo o copo. Ele foi usado uma vez.

Voz D:É uma outra opção que eu não tinha pensado. João Dória, né, cara? Queria saber qual é o certo ou qual que vocês fazem dentro dessas opções.

Affonso Solano:Norton, você que é convidado aqui, pô.

Voz E:Ok, eu preciso, sou uma pessoa muito mais metódica, eu preciso de mais informações. Eu tô sozinho na cozinha.

Beto Estrada:Mais, porra, tu acabou de beber o copo, tu terminou, acabou de tomar sozinho em casa.

Affonso Solano:Tá sozinho em casa, tá sozinho, ninguém tá vendo.

Voz E:Tá sozinho em casa. É, não, vamos combinar, o O que vai determinar meu comportamento é se eu tô sendo observado ou não.

Affonso Solano:Ah, é assim que você tá.

Beto Estrada:É um ponto bom.

Voz D:É um ponto bom.

Affonso Solano:Eu estou te observando.

Voz D:Ah, não, cara.

Voz E:Eu estou sozinho, eu vou dar só uma enxaguada ali, pegar água e tomar. Agora, se eu estou com vários jogadores, julga, estão me olhando, o que você vai fazer com esse copo? Aí eu vou lavar ele, pegar um que tiver seco e vou deixar esse que eu peguei lá no corredor de louça, tal, etc., entendeu? Eu vou lavar ele e passar para frente.

Voz D:Então tu acha que é errado você encher d'água logo depois Depois de ter tomado um negocinho, a besteirinha, um suquinho, um pingado, um café.

Voz E:Sim, mas eu acho que o meu bagulho é: aos olhos de quem? Aos meus olhos não está errado, mas eu não quero ser julgado.

Affonso Solano:Se tiver um belo date na sua casa, você não vai, você vai trocar o copo, né? Você fala: com licença, vou trocar a minha taça.

Voz E:Vou trocar o copo e vou agir na maior naturalidade. Eu sempre troco o copo. Agora, se eu estou sozinho, por exemplo, eu tô entre uma partida de Overwatch e outra e eu tenho exatos 2 minutos, meu, vai só enxaguada e já era.

Voz D:Ah, mas tu enxágua ainda? Ah, mas aí enxágua.

Beto Estrada:Enxaguada é o padrão, Diogo. A enxaguada, o copo sujo vai dar ruim.

Affonso Solano:Acho que depende do, porque assim, como o Diogo falou, é o pingado.

Voz E:Lembra que é pingado?

Voz D:Foi exemplo, foi exemplo.

Voz E:Não, não, a gente tá trabalhando em cima do pingado.

Voz D:Pode ser um suco de laranja.

Affonso Solano:Não, estamos trabalhando em cima do pingado, concordo com o Diogo. O leite, pô, com café ele marca muito. Se ficar um fio de leite com café, você botar água vai ficar esquisito.

Voz E:Água turva, aquela água branca, né?

Affonso Solano:E se for um chá, se você tiver tomando um chá, um mate, Vou até arriscar um cafezinho. Você tomou um cafezinho, ficou só uma... Aquela linhazinha negra ao redor ali do círculo... Do choro, né? Sim, o chorinho assim, bem pequenininho, e você botar água pra dar um golão rápido, o café e o chá eu acho que passa. Agora, leite com café não rola. Tem que ser... Mas rola com chá.

Beto Estrada:Mas mesmo o café, mesmo o café, tu dá uma enxaguadinha. Dá uma enxaguadinha.

Affonso Solano:Mas não tem tempo na vida de hoje, Beto.

Voz D:Mas qual é a preocupação de vocês? Não vai me estourar na barriga?

Beto Estrada:Não, você abriu a torneira, fez... Jogou fora. Não precisa, não é, não é complexo. É, abre a torneira, enche até a metade, joga fora, e aí enche d'água que tu vai beber, entendeu?

Affonso Solano:Mas se a pessoa não tiver tempo, Beto, é que o Norton falou, não, mas espera aí, não foi?

Voz E:Você pega o copo com o finalzinho do líquido lá e você faz aquele, sabe, que você chacoalha o braço assim e para tirar a água, aquilo ali já não conta como uma enxaguadinha.

Affonso Solano:Sim, essa enxaguadinha tá de boa.

Beto Estrada:Não custa nada, só encher o copo até a metade, gente, só para tirar o excesso do sabor do a fé.

Voz E:Vai ficar aquele espesso horrível depois de tomar leite. Você acabou de tomar leite, você vai encher o fundinho com água e vai tomar, vai vir uma água espessa com o retrogosto de pingado.

Affonso Solano:Retrogosto.

Voz E:E você não vai matar sua sede, você vai ficar com muito mais nojo do que pensando em como isso matou sua sede.

Voz D:Nojo?

Voz E:Nojo do quê? Óbvio. Do quê?

Voz D:Eu não tô entendendo.

Beto Estrada:Eu discordo do nojo, mas só vai ser Podia ser mais agradável, é só isso.

Voz D:Mas não é algo puramente estético isso aí? Vocês acham que tem alguma coisa?

Voz E:Não, é sabor, tinha pingado ali, Didi. O pingado faz parte da água agora.

Beto Estrada:Ah, o sabor, é, tinha pingado, lógico.

Voz D:Mas olha só, quando a gente vai tomar água, água pura, né, água real, ali você tá tomando um negócio que é zero sabor. Então assim, você tá tomando uma parada que não tem sabor de nada.

Affonso Solano:Pois é.

Voz D:Então foda-se, é só estético. Beber água é uma parada só estética.

Affonso Solano:Que água com gosto? Água com gosto é algo que a nossa natureza apita. Não, não. Você fala: opa, tem algo errado com essa água. Claro, é um instinto de sobrevivência.

Voz D:Agora eu vou revolucionar sua vida agora. Preste muita atenção agora, tá? O que que é o café? É uma água suja com o pozinho. O que que é o chá? É uma água suja com uma ervinha. O que que é um refresco? É uma água suja com um suquinho, com um liquidozinho.

Affonso Solano:Entendi.

Voz D:Tudo que a gente bebe que tem sabor é uma água suja com alguma porra, alguma coisa.

Affonso Solano:É verdade, alguma parada.

Voz D:Então assim, tecnicamente, tudo que tem sabor tá sujando a água, certa forma.

Affonso Solano:Acho que eu concordo com você nesse ponto.

Voz E:Estou convencido, estou Ah, então tá bom.

Affonso Solano:Argumento do cara é perfeito, realmente tudo depende da quantidade de sujeira, entre aspas, que você bota na água. Se você bota pouca sujeira, se você bota pouco café, fica uma água horrível. Cara, vou te falar que de tempos para cá eu comecei a conviver com o Bruno Bloch, e o Bruno ele bebe café o dia inteiro. Cara, como é que você não morre? Não fala que nem um jazzista, né? E aí, galera? De tanto café. Ah não, porque eu tomo um café X aqui. Aí quando eu provei, é tipo um chafézinho. É bem fraquinho pra tu poder tomar o dia inteiro. Mas pô, tu diminui demais, fica uma água estranha.

Voz D:Você pode chamar de homeopatia também.

Affonso Solano:Homeopatia de café.

Voz E:É o filme Drunk lá, só que com café, né? E se a gente bebesse o dia inteiro pra ficar animado?

Affonso Solano:Exato.

Voz E:Só que na versão de café.

Affonso Solano:O segredo da vida é o quanto você a dilui. Olha a filosofia da minha região.

Voz D:Pode crer.

Voz E:Podendo ser um pingado com água tudo sujo no copo, né?

Affonso Solano:Pois é, cara.

Voz E:Diluindo tá beleza. É isso.

Beto Estrada:Gaba gaba, we accept, we accept One of Us, One of Us, senhoras e senhores. Estamos falando de uma adaptação que veio aí do nada e ninguém sabia o que esperar. Porém, meus amigos e minhas amigas, Spider Noir está no ar na Prime Video para a gente ver aí e acompanhar. Antes de qualquer coisa, Foncinho Solano, traga-nos a sinopse desta série inusitada.

Affonso Solano:Nicolas Cage interpretando o Homem-Aranha na estética do cinema negro francês. É isso, é uma adaptação. A sinopse é isso, é, quer dizer, é o personagem Spider Noir, que eu diria que mainstream aí, a galera que não acompanha tantos quadrinhos deve ter conhecido ali no desenho animado do Miles Morales, né, aquele Homem-Aranha de— sobretudo, né, ele vem de um universo da Marvel, um dos, tá, porque aquele ali não é exatamente do— tem essa treta também, mas a gente não precisa entrar tanto nesse detalhe, mas é um universo—

Voz E:ah, eu vou—

Affonso Solano:é um universo da Marvel, galera, onde tudo, os super-heróis estão surgindo ali nos anos 20 para 30, na era da— como é que chama? Da Grande Depressão, onde os caras não podiam— isso, a Lei Seca norte-americana. E aí vocês já viram, mesmo os mais novinhos, né? E nós somos novinhos aqui, incluindo eu, Beto, Didi e Norton, comparado a quando que esse— não, quando esse cinema surgiu, né? É, a gente não somos dessa época. O Nicolas Cage é dessa época, né? Então é uma estética dessa coisa do preto e branco. Sin City brinca um pouco com isso. E no caso, o personagem ali, o Ben Reilly, não é Peter Parker, é o Ben Reilly, que se aposentou de ser o Aranha no Ar, combatendo lá os máfia e tal, porque a amada dele foi, morreu, né, de uma forma muito trágica. Ele precisa retornar, pois o Silverback, o Cabeleira Branca, como é que foi em português?

Voz E:Cabelo de prata.

Affonso Solano:Cabelo de prata, isso, tá de volta aí. Uma turma com superpoderes, com uma origem muito, muito interessante, contextual, histórica, vêm para criar novos paralelos desse universo que não para de se multiplicar da Marvel.

Beto Estrada:E aí, Didi Braguinha, e aí, e aí, cara, essa série aí, porra, para começar, é levantada de bola rápido, tá?

Voz D:A gente tem um quadrinho, né, a gente tem quadrinhos de Spider-Man no ar, mas a primeira vez que eu vi o personagem foi na animação do Aranhaverso. Laço lá que ele aparece e tal.

Voz E:Poser, poser, poser, poser da parada.

Affonso Solano:Esses caras são uns merdas, mano, pra caralho, né?

Voz E:Você nem é nerd, meu, você nem é nerd, nem é nerd.

Voz D:Se o PeeWee pode falar de games, a gente pode falar de quadrinhos também.

Voz E:Calma aí, friendly fire, friendly fire.

Affonso Solano:Calma, calma.

Voz D:Caralho, é muito bizarro a galera batendo no PeeWee porque ele não pode falar de game. Vai se foder, caralho!

Affonso Solano:Rolou isso? Rolou essa parada?

Voz E:Rolou, porra!

Voz D:A galera caindo em cima, os caras estão loucos, vou falar de videogame, vai tomar no cu, vai falar do que eles quiserem, porra.

Affonso Solano:O rosto dele. Caralho, que doideira!

Voz D:Nada a ver, mas assim, aí eu, pô, vi lá, achei o personagem do caralho. Ele, pô, já era o Nicolas Cage na primeira concepção. Você olha para aquele personagem, ele é o Nicolas Cage, né?

Affonso Solano:E dublado, pô, né? A Lilian era dublado pelo Nicolas Cage no desenho, no original em inglês.

Voz D:E aí, cara, quando essa série veio chegando, a gente foi olhar e tal, eu, pô, falei, meu irmão, vamos dar pesquisada aqui, vou dar lida, né, nas HQs, né, da Mulher-Aranha no ar e tal. E curiosamente ela Não tem, meu irmão, eu não posso falar que não tem nada a ver, porque toda estética e tal, a época, ela é a mesma coisa. Mas na história, nada a ver com a série.

Beto Estrada:Tá, então, já que você foi por esse caminho e você leu recentemente, pelo que você tá falando.

Voz D:Eu li, sei lá, semana passada, terminei de ler semana passada.

Beto Estrada:Ah, legal. Deixa eu lembrar de coisas aqui pra poder... Você me diga se a minha mente está correta. No quadrinho do Spider-Noir, o Homem-Aranha é o Peter Parker, ele não é o Mysterio. Isso, é o Peter Parker. Exato.

Voz D:Então já temos aí a primeira, é um outro Peter Parker, claro, mas o nome dele é Peter Parker, que também é o jornalista nos quadrinhos.

Beto Estrada:Isso, temos aí a primeira mudança.

Affonso Solano:Aqui na série ele é um investigador, galera que tá ouvindo aí, né? Ele é um investigador de crimes, um private detective.

Beto Estrada:Isso aqui é o Ben Reilly, não é o Peter Parker na série.

Affonso Solano:O Ben Reilly, para quem lembra, nos quadrinhos tradicionais da Marvel ele foi o clone do Homem-Aranha, o Aranha Escarlate. Olha a zoeira, ó, confusão! E aí vira bagunça.

Beto Estrada:Mas aí, cara, eu Eu achei interessante, porque eles se afastam do quadrinho e eu, apesar de não ter gostado, de ter uma visão de por que eles se afastam do quadrinho, eu achei uma boa decisão, na verdade.

Voz E:Eu falei assim: "Cara, caramba, eu fiquei muito confuso, Beto, agora." É porque, olha só, vou te explicar.

Beto Estrada:O quadrinho, ele tá na época da Grande Depressão ali e o quadrinho, ele é muito mais neo-noir do que noir, né?

Voz D:Foi exatamente isso que eu não gostei. Sacanagem, não. Não sei nem o que é o noir.

Beto Estrada:E assim, só que o quadrinho, ele se apropria de uma das coisas que o cinema noir faz, que é o momento do cinema noir, porque o cinema noir surge ali no meio, logo depois da Segunda Guerra Mundial, e ele traz isso que o Afonso falou do filme noir. Para quem não sabe, o noir significa negro em francês. E quando o cara lá, o crítico francês, ele deu esse nome aos filmes americanos, que eram esses filmes de detetives e tal, não sei o quê, é porque existia um cinema ali nos Estados Unidos que tratava do que a Grande Depressão. A Grande Depressão, ela foi um momento onde dizia-se na América o seguinte: "Ó, é só trabalhar que vai dar certo." Aí a Grande Depressão vem e mostra que não é bem assim. E aí as pessoas foram pra aquelas filas que a gente vê, né, pedindo comida, trabalhos informais, e um monte de coisa aconteceu ali. E surge um movimento, que é um movimento socialista dentro da América, sindicatos e um monte de coisa, por conta da Grande Depressão. E aí o cinema noir, ele surge depois da Segunda Guerra Mundial, mas ele ainda traz um pouco desse desespero. É quase que como ele traz a embriaguez da Grande Depressão com o sofrimento da Segunda Guerra Mundial que tava acontecendo.

Affonso Solano:Isso é legal, é legal. Porque a galera acha às vezes que o cinema noir era o cinema preto e branco. Não, não é isso.

Beto Estrada:Isso não é noir.

Affonso Solano:O cinema noir é essa parada assim, as histórias elas eram mais pessimistas, como o Beto tá falando. Os personagens eles eram mais ambíguos, especialmente moralmente, né? Essa coisa do cara ser um bêbado que se separou da esposa e aí entra a mulher fatal, né? E essa estética visual, evidentemente, aí que a gente conhece.

Beto Estrada:Beleza. Então, mas aí, Afonso, é por isso que eu acho que o quadrinho é mais neo-noir, porque o noir, cinema noir, ele era muito— não tô fazendo de propósito, mas ele era muito preto e branco. Você tinha o herói que vai vencer o criminoso. E o cinema americano, ele vivia— eu não vou lembrar o nome, tá? Mas ele vivia sobre uma regra, "hasse", "hasse", eu não me lembro o nome, que era uma regra que dizia que assim, você não pode ter policial de uma Você não pode mostrar cenas muito violentas, você não pode fazer essas coisas.

Affonso Solano:Até porque, lembremos que a Lei Seca vem muito dessa falsa moralidade americana, os caras queriam passar a ideia de que não, nós somos uma nação de sóbrios.

Beto Estrada:Exatamente, exatamente. Então tinha essa regra no cinema. E aí quando os cineastas alemães vão para os Estados Unidos fugindo da Segunda Guerra Mundial, eles imprimem o que é chamado de expressionismo alemão ali que você tem dentro do cinema, que é exatamente essa coisa de de trabalhar o preto e branco, mas usar as sombras pra contar histórias, usar o que eu brinquei aqui do plano holandês, que é a câmera meio torta. E a câmera meio torta mostra que naquela cena quem tá falando é um personagem meio torto. Então eles trazem muito essa linguagem dentro do cinema pra pesar o clima e esconder. "Ah, eu não posso mostrar uma cena de violência? Então eu vou mostrar na sombra a violência acontecendo." E aí você vai...

Affonso Solano:A silhueta e o espirro, né?

Beto Estrada:E aí você vai criando a característica característica do que a gente chama de cinema noir. Só que depois, com Chinatown especificamente, cria-se o neo-noir.

Voz D:Por quê?

Beto Estrada:Porque mantém-se o detetive meio que ele não é bonzinho, só que a parada aumenta, deixa de ser sobre o criminoso e começa a ser sobre um sistema corrupto, começa as cenas de violência são expostas e é colorido. E aí quando eu olho para o quadrinho do Spider-Noir, ele traz essa coisa da Grande Depressão, mas ele foca muito mais no que o Chinatown e o Blade Runner estavam fazendo de noir do que o Maltese Falcão Malteixo, que é um dos filmes, né, se não o grande filme no ar que existe.

Voz D:Então eu, só que a série, não confundir com Falcão Azul, também era um herói bacana, com seu desenho, era mais animado, né? Esse era um pouco mais animado, que começa uma cena deles num helicóptero silenciado, silencioso, vendo uma mulher trocar de roupa numa casa.

Affonso Solano:Mas você é safado, né?

Voz D:Eles estão na janela da Mané, é bom de crer, mané.

Affonso Solano:Olha o dinheiro do contribuinte, Norton, pra gente, mané.

Beto Estrada:Eu vou te falar, eu vou te falar. Então, deixa eu falar.

Affonso Solano:A Beto, a sala de cinema tá maneira, não tá zoando não.

Beto Estrada:Mas vamos falar do Nicolas Cage. Calma, vou chegar. E aí o meu ponto é: a série, eu senti que a série ela abandona os quadrinhos pra ela focar muito mais no cinema noir clássico do que... Por isso que eu achei, entendeu? É tipo, o quadrinho ele é muito sobre o socialismo, tinha a May, é uma líder socialista, tem os sindicatos, tem isso tudo. E obviamente que eles não botaram porque eles não querem participar dessa... É, quando saiu o quadrinho em 2009, ninguém falava que era um quadrinho lacrador, era só uma história legal. Hoje, se fosse na série, seria uma série lacradora. Mas eles focaram no cinema no ar. É muito foda como eles—

Affonso Solano:Você gostou então? Você achou que eles trabalharam bem essa parte?

Beto Estrada:Eles simplificam certas dualidades e olham pra série como cinema no ar. Cara, eu achei isso muito foda.

Voz D:Norton Domingues, antes de você começar a tecer me persuade aqui dentro desse podcast. Você escolheu, porque isso aqui é quase um jogo interativo, você escolheu assistir em cores ou no original?

Voz E:Então, eu sou um homem de decência, eu sou um homem que sigo as regras, tô aqui na minha nação sóbria. Eu escolhi preto e branco, gente, pelo amor de Deus.

Voz D:Então eu, todo previously, todos os eram coloridos para mim.

Affonso Solano:Como assim?

Voz D:A série era preto e branco. É porque ela tem aquele, anteriormente, né, o resumo da parada anterior, que eu gostava de ver as cenas coloridas. Aí quando entrava no episódio mesmo, eu botava preto e branco. Todo episódio foi assim, cara.

Voz E:Não anda comigo não, hein, mano.

Beto Estrada:E você, Afonso?

Affonso Solano:Não, eu vi, eu vi tudo preto e branco. Teve um que eu vi colorido para ver, aí eu falei, o terno desse cara é coloridasso, do amigo dele lá e tal. E mas o resto eu vi preto e branco porque entendi que, bom, a proposta era essa. Mas fala, Nortinho, antes de eu entrar aqui entrar aqui também. É, vamos lá, fala você para entrar aqui também.

Voz E:Não, e você, Beto?

Affonso Solano:Não, Beto acabou de falar, ele jogou para você, jogou para você.

Beto Estrada:Ele não quer que eu fale, você não percebeu? Eu não falei, mas ele não quer que eu fale. Você não percebeu?

Affonso Solano:Não, você é preto, eu falo.

Beto Estrada:Eu espero a minha vez de falar, você me sinaliza, por favor.

Affonso Solano:Você tem razão.

Voz E:Eu tô tentando, cara, mas claramente eles se odeiam mesmo assim.

Affonso Solano:Não falou assim, viu? Mas tu acha que ele Depois dessa aulinha do que foi boa, tô zoando porque é obrigação quando a gente tem que zoar um amigo no MRG. Foi excelente lembrança aqui que a gente fez, até para galera saber o que que é cinema no ar.

Beto Estrada:Mas porra, Beto, se tu viu uma parada colorida, eu vou dar uma dica, eu vou dar uma dica, e eu depois, porque eu não posso falar muito segundo o Afonso, eu explico o porquê. Eu vi até o 4º episódio em preto e branco e da frente eu vi colorido. E tem um porquê.

Voz E:Meu Deus, meu Deus, não, sério.

Beto Estrada:E assim, a série é feita para ser vista em preto e branco. Ela foi filmada, a fotografia foi pensada em preto e branco, mais ou menos pensada em preto e branco para funcionar a cores. E eu achei isso genial, porque quando eles botam a cor, é o colorido saturado do Blade Runner, é o colorido do Chinatown, é o colorido.

Voz D:Tá entendendo por que que o Afonso não quer que tu fale? Era só uma resposta, era só um—

Voz E:pois é, então eu vou assinar aqui com Afonso, só porque por causa de pessoas igual o nosso amigo Beto, eu fui atrás de fontes, tá?

Beto Estrada:Vamos lá.

Affonso Solano:De fontes.

Voz E:O KC Lau, que é um dos caras da produção do show, ele falou no Threads que, ó, os cenários foram todos pintados de verde, marrom e rosa para complementar os gradientes de cinza em preto e branco. A passagem de cor não estava originalmente planejada e exigiu refilmagens por um ano. Eles tiveram que refilmar.

Beto Estrada:E claramente a série é feita para ser vista em preto e branco, claramente.

Voz E:Por pessoas que, igual você, Beto, a série demorou um ano para sair. Feliz, espero que seja feliz.

Affonso Solano:Essa merda aqui, mas tem um porquê que eu vi o que ele queria que o Nortinho falasse. Eu vou trazer um pouquinho do Nicolas Cage, que eu assisti uma entrevista bem legal com ele.

Voz E:Eu gosto desse homem.

Voz D:Mas o que que tu achou, Nortinho?

Affonso Solano:O que que tu achou?

Voz D:Fala, Nortinho, foi sua experiência, meu.

Voz E:Assim, primeiro assim, o quadrinho, eu estava lá em 2009 quando ele saiu. Na época ele já não tinha sido qualquer coisa.

Voz D:Já, cara, vocês estão me tirando. 6 anos, leu o bagulho com 6 anos, cara.

Voz E:Olha aí, vocês estão diminuindo cada vez mais a minha idade. A galera tá acreditando, tá? A galera tá acreditando. Não é só porque vocês são velhos, eu sou muito novo.

Voz D:Foi mal.

Voz E:Quando eu li o quadrinho, na época eu já não tinha achado lá grandes coisas. Inclusive, eu acho a arte dele meio feia assim, não era uma coisa muito legal de ler assim. Só que ele abriu novas portas assim, tinha homem, depois saiu Homem de Ferro no ar, Luke Cage no ar, que entrava muito mais essa questão do que o Beto falou, né. Eles entravam muito mais nessa questão sindicatos, sociedade, Estados Unidos, Grande Depressão. Só que o próprio quadrinho do Homem-Aranha era qualquer nota, assim. Era bem qualquer coisa. Agora, a série, vamos combinar que assim, fez muito bem de sair pra longe dos quadrinhos. Pegou ali um elemento ou outro e tal. Mas foi muito longe dos quadrinhos. E foi o que fez funcionar melhor pra mim, eu acho. O próprio nome, Ben Reilly, eu já acho que já deixa muito claro pra gente essa diferenciação, sabe. Esse não é o Peter Parker. Não vai achando que você vai ver o Homem-Aranha clássico. "Ah, tio Ben, ah, mataram meu tio, essa aqui é minha tia." É um personagem diferente, com muito mais personalidade, muito mais do mauzão mesmo assim, falando um monte de besteira. E é legal que o nome... Mas também já dá um pouco de estofo também, né? Porque o próprio nome, nos quadrinhos, o Ben Reilly, ele pega esse nome porque Ben é o nome do tio Ben, né? Ele tá homenageando, porque ele era o Peter Parker até então, mas ele descobre que ele é um clone e fala: "Então vou mudar meu nome." Aí ele usa o nome sobrenome do Ben, do tio Ben, e Riley é o sobrenome de solteiro da tia May.

Voz D:Ah, que legal, sabia não.

Voz E:E aí ele usa os dois nomes assim, uma homenagem aos dois tios. Ele também foi criado por eles.

Beto Estrada:Isso tem a ver com, para mim, a transição do personagem para série, porque é o seguinte: o grande conflito do Ben Riley nos quadrinhos era assim: essas memórias que eu tenho não são minhas, então quem eu sou? Ele tinha uma dúvida existencial por ser o clone, né? Então é, eu gosto dessa brincadeira.

Voz E:Não que no Spider-Man Noir o Ben Riley um clone. Mas eu acho que usar o nome especificamente do clone é um pouco isso também, sabe? É uma história parecida com a do Peter, mas é outra história assim.

Beto Estrada:Mas ele tá tentando entender quem ele é, né, o Nicolas Cage assim.

Voz D:Isso tem a ver com o Ben Reilly, mas todo herói é essa porra, todo herói é essa punheta. E eu entendo isso porque eu tô em 40 porrada e também tô tentando entender.

Beto Estrada:Diogo não gostou da série.

Voz D:Não gostei, eu gostei. Não, eu só tô trazendo que assim, eu não acho que isso é uma exclusividade dos Pé no ar. Não, não, é a exclusividade. Pé no ar é um cara já com idade, o Nicolas Cage. Então, o próprio personagem, ele não é um cara novo, ele não é, ele não se passa ali um maluco com 30 e pouco, ele tem lá 40/50.

Beto Estrada:Mas quando ele vai enchar roupa, ele tomou os epiques, aí quando ele tira a roupa, ele volta a ser o Nicolas Cage.

Voz E:Então, honesto, honesto, honesto, para mim é assim, cara, bota um cara cheipado ali mesmo para fazer Homem-Aranha. Todo mundo sabe que não é o Nicolas Cage, tá todo mundo de boa com isso, pode parar.

Voz D:Honesto, honesto.

Affonso Solano:Eu não estou. É hora então, é hora.

Beto Estrada:Eu achei que a japonesa reconhece ele. Como que ela reconheceu? Ele tá mais magrinho.

Voz D:Pera aí que chegou aranha venenosa, aranha venenosa chegou.

Affonso Solano:É hora do etarismo, etarismo no MRG.

Voz E:Ai, eu pensei em você na hora que eu tava assistindo, na hora que eu tava assistindo, eu falei o Afonso vai, que eu lembro que, ó, acompanha galera, tem live lá no canal do YouTube do MRG. Quando saiu o trailer, nós conversamos lá na na live, e o Afonso já tinha dado essas pequenas pistas de que ele ia encrencar com o etarismo, de que ele ia ser anti-idosos, anti-velhos na televisão. Pode falar, por favor.

Voz D:O poder desse veneno aí, dessa aranha aí. Vamos lá, Solano, o que que tu achou, cara?

Affonso Solano:Essa brincadeira do cara tá velho e tal, eu acho maneiro. O próprio desenho lá do Morales no multiverso, lá Aranhaverso, você tem o Peter Parker lá meio que principal que já tá com dor nas costas, tá com uma dificuldade de lutar aqui e ali, mostra ele cansado, cabelo branca. Eu acho isso maneiro, o herói envelhecido, né? Cavaleiro das Trevas. É que aqui eu acho que vira esse bagulho, o cara quando bota a roupa não demonstra que ele, cara, o Nicolas Cage tem já o quê, 60?

Voz D:62, alguma coisa, né?

Affonso Solano:Pois é, então você demonstra, então quando ele está humano, então demonstra que ele não tropeça, que ele tem equilíbrio, que ele não se machuca, entendeu? Que ele é mais forte. Ele quando tá humano É tipo, por que que você não tá— você parece um cara de 60 normalmente, aí bota a roupa, você fica mágico? Apesar dos poderes dele serem mágicos, né, no quadrinho, e aqui não serem mais. É, não sei mais, aí eu já me confundi, mas fica para mim desconexo.

Voz D:Mas olha, eu defendo o seguinte, eu acho que assim, existe uma suspensão aí, ponto. Eu tenho que suspender um pouco porque ele não tem— o Nicolas Cage, ele era um herói de ação, foi um herói de ação do cinema, né, se movia, tinha aquela parada que a gente ama, que a gente gosta, tal. Mas ele é um cara que ele entra, ele tem um movimento, ele tem tipo um ombro que fica mais para cima, ele é mais— não é que ele seja corcunda, mas ele é um pouco mais envergado, ele tem um jeito de—

Beto Estrada:um action hero?

Affonso Solano:Não, não foi.

Beto Estrada:Claro que foi, Ben. Ele tem, ele fez filmes de ação, mas não é assim um action hero, pô.

Voz D:Conner, A Rocha, Motoqueiro Fantasma. Vamos só seguir.

Voz E:Homem de Família.

Voz D:Não, cara, ele tem vários filmes de vários tipos, mas ele é um cara que segue.

Affonso Solano:Não, não sei se Motoqueiro Fantasma, mas virou um action Action Hero, pegou um pouco a gente. Eu acho que ele pegou um pouco a gente, porque se não, se for assim também, sei lá.

Voz D:Então vamos lá, O Vidente, O Vidente é um pouco action, é um pouco, é um pouco, é super action. Mas olha só, eu entendo que ele faz com o maluco de cabeça branca, o Fearman da bruxa, temporada das bruxas, a outra face, a outra face, a outra face, caralho.

Affonso Solano:Agora a gente passou, agora a gente venceu. Agora. Não, mas o lance é o seguinte, o Nicolas Cage, agora pouco lá, o Pig também, ele entrou nessa, né? Não, agora, mas aí são todos, né? O lance seguinte, o Nicolas Cage tá aqui justamente nessa— aprendiz feiticeiro, aprendiz feiticeiro, um clássico do Nicolas Cage. Teve alguma emergência aí? Agora vai que todo mundo ficar falando. Teve alguma emergência recente que eu já me O Doutor Perdido, o próprio multiverso do MRG. Já não sei se foi 60 Segundos, 60 Segundos, é o mercenário do Nicolas Cage, cara.

Voz D:Ele fez mercenário antes da galera fazer.

Affonso Solano:O cara é foda, patroa! A gente falou Caça às Bruxas, falou, falamos do Ron Perlman, é fã para caramba.

Beto Estrada:É Doutor Perdido, verdade, também Fúria sobre Rodas.

Affonso Solano:Fúria sobre Rodas, total, total. O próprio Vampiro lá, que ele fez, né, recentemente aí também, uma espécie de verdade. Porra, ainda não vi, cara. Teve alguma MRG recente que a gente tava mencionando assim grandes atores e tal dessa coisa, eu mencionei lá, não sei qual que a gente comparou, é tipo Marlon Brando assim e tal, foi, cara, o Nicolas Cage para mim é um ator desse nível assim, dos grandes caras. Ele não é citado, eu acho, entre os grandes, Leonardo DiCaprio, Daniel Day-Lewis, não sei o quê, porque ele fez muitas escolhas galeóficas e ele é um cara muito experimental. O cara fez filme tailandês de porrada, mais um filme aí, ó, que a gente não tá lembrando, mas tem um filme dele na Tailândia que ele é um cara de ação que dá soco, porrada, Ele fez tudo, tudo.

Beto Estrada:Oferecer $10 que ele fazia o teu filme.

Affonso Solano:Exato, mas o cara ele vai de interpretar Gêmeos, adaptação com filme genial, maravilhoso, entendeu? Até fazer filme tailandês de porrada. E aí o cara vai com o Senhor das Armas e, meu irmão, o cara faz tudo. O Drácula dele, desse filme aí do, acho que esse é o nome do Rainfield aí, né? Esse filme que é galhofinha, tal, de pancadaria, meio super-herói. Cara, o Drácula dele, você assiste as entrevistas, depois você vê a interpretação, meu irmão, o cara fez um puta Drácula, um puta Drácula, muito foda. O filme é qualquer coisa, divertidinho aqui e ali e tal.

Beto Estrada:Mas ele se destaca muito no filme, é verdade.

Affonso Solano:Porra, ele é forte. Então assim, eu adoro o Nicolas Cage para além do meme. Ele é um meme, ele aceita o meme, ele zoa com o meme, mas ele, para mim, realmente ele tem esse nível de genialidade. Eu assisti uma entrevista, eu me preparo, porque eu me preparo, tá? Vocês falam que eu não assisto os filmes, os filmes ruins, mas eu Eu me preparei para esse programa, assisti uma entrevista de uma hora e meia do Nicolas Cage no The Interview Podcast, que é um nome merda, né, convenhamos, senhores. The Interview Podcast.

Voz E:Ah, seu preparo foi o podcast, vamos continuar.

Voz D:O meu é Hermes e Renato.

Affonso Solano:Eu digo que a entrevista do Nicolas Cage não é Hermes e Renato.

Voz D:Não, não, eu digo o nome, tipo, o nome é podcast entrevista, é tipo jornal jornal, né.

Beto Estrada:Isso, isso, jornal jornal.

Voz D:Jornal jornal, jornal que é muito mais jornal que o jornal que você compra na banca de jornal.

Affonso Solano:E o Cage, ele tava explicando que o que ele tentou fazer com Ele realmente tem uma... ele é muito... vou resumir de uma forma muito boboca: cinéfilo. Cara, ele ama a arte do cinema. Ele até se define como... não como ator, mas tem um outro termo. Eu não sei se o Beto vai lembrar ou se a gente pega um Google. Tem um termo que os grandes atores, eles se definem. Que é tipo: "Eu não sou um ator, eu sou um rufião." É um nome assim desse que eu e o Diogo, a gente gosta às vezes, sabe?

Voz D:É o termo de 2026.

Affonso Solano:Eu acho que é um termo que uma turma assim de cinema tentou forçar, sabe? Vamos nos chamar de tipo, tipo quando eu tentei fazer a gente ter os nossos próprios apelidos.

Beto Estrada:Isso era um negócio muito doido.

Affonso Solano:Os atores, eles queriam ser chamados dessa parada aí. Enfim, bota aí nos comentários. Mas, e ele tava falando que o que ele sempre gostou de super-herói também, porque ele sempre teve uma pegada meio Roy Litchfield, Lichtenstein. Pessoal, talvez lembre desse Lichtenstein, que era um artista, um pintor americano, que ele tinha essa associação com pop art. Todo mundo já viu essa imagem dele, que é uma imagem de uma mulher estilo quadrinhos dos anos 40, bem pontilhadão, onde ele tentou trazer essa coisa do quadrinho para o museu. Ele queria dizer que tipo, o quadrinho pode ser arte também, ao mesmo tempo que a arte realizou e tem todo um movimento que é muito mais complexo do que isso, evidentemente, né? Mas o objetivo dele era essa parada assim. E aí o Nicolas Cage, ele falou isso: eu queria tentar usar o Aranha no Ar como uma ponte para toda uma geração ou gerações que não conhecem o cinema noir, que conhecem talvez no máximo um Sin City, mas que quem sabe eles vão se interessar em assistir filmes lá com Humphrey, como é que era o nome daquele clássico?

Beto Estrada:Bogart.

Affonso Solano:Exato, os clássicos lá, o próprio Falcão Maltês. E nessa entrevista ele fala muito disso e eu achei, cara, a intenção é bacana, mas eu duvido muito que uma molecada vá se interessar em ver os filmes muito antigos assim. Eu acho que a obra ela tem que sobreviver por conta própria. E assim, se o cara vai conseguir ou não é outra história, mas falando da série em si, pra passar a palavra pra vocês, ela em si funcionando sozinha zinha, sem essa porrada de referência que a gente gosta, brinca e tal, eu achei ela é ok. Não achei o plot, é, achei ela ok, cara. Não achei que o plot é assim como outras obras até clássicas ou neo-noir, como o Beto puxou, que tem que o mistério é um negócio. Tu vê um filme do Hitchcock, você fala, caralho, você não consegue parar de ver, que que tá rolando, que que é isso, tal. E nessa aqui eu Achei que demora até ele chegar em quem são esses caras, de onde eles, o porquê deles ganharem superpoderes, essa datação, os caras no laboratório sendo testados ali pelos alemães. Isso achei muito foda, achei muito bacana, historicamente contextual, bacana e tal.

Voz D:Ainda fala com a Marvel, né? Ainda combina com a Marvel, pela coisa do Soru Sasaki.

Affonso Solano:Agora, a obra em si eu achei arrastada e não Não porque é noir, porque tem muitos filmes noirs bacana ou filmes que brincam com o noir, como a gente falou, Sin City, Dick Tracy, cara, que é um filme da nossa geração, né, que é coloridaço de propósito, também faz essa coisa meio pop art.

Beto Estrada:É o saturado, né, o outro lado.

Affonso Solano:Exato. Mas eu achei que a própria fotografia, cara, isso que o Norton lembrou, o Nicolas Cage fala nessa entrevista, ele falou: "Cara, eles insistiram que tinha que ter uma versão colorida, porque eles ficaram apavorados. Fazer uma obra preta e branca? Não, e a mulhercada?" Aí o cara, você vê a cara do Nicolas Cage na entrevista e ele falou: "É, não, não, vamos filmar colorido." também. Então assim, não dá para você fazer todo esse trabalho de fotografia foda que a gente tava lembrando, esses planos. Você tem que preparar a parada para ela ficar dramaticamente relevante em preto e branco. Se você vai filmar dos dois jeitos, você vai filmar em cor, depois vai converter, não é a mesma coisa. Eu não achei, com raras exceções, uma aqui, outra ali, eu não achei que tinha nenhum plano foda, nada assim que você fala: porra, aquela cena ali, meu irmão, olha só como é que ficou essa luz aqui, essa chuva caindo. Não sei, me passou como qualquer nota.

Beto Estrada:Mas Afonso, é A questão do Diogo aqui, que eu queria entender do Diogo, porque assim, isso que o Afonso tá falando é o motivo pelo qual eu acho que a primeira parte, sei lá, 4 episódios, o legal é ver em preto e branco, porque a primeira parte ela não é uma série de herói, ela é uma série de investigação, beleza, o Spider-Noir aparece ali, né?

Affonso Solano:E aí, isso é muito mais legal, vocês não acham?

Beto Estrada:É muito mais legal, não, é muito mais legal.

Affonso Solano:Uma série de 3 é foda.

Beto Estrada:Essa primeira parte é muito, e aí tem a viradinha e a sacada do detetive, "Como ele faz pra virar, né?" Depois vira super-herói mesmo. Depois do 5º episódio, a série realmente mergulha nos vilões do Homem-Aranha e vira uma série de super-herói. E aí, pra mim, por exemplo, faz sentido essa cor saturada, essa busca pelo Dick Tracy, né? Pelo que o próprio Seven, Pecados Capitais, faz muito na cor. Ele parece ter muita influência aqui no filme. Você achou isso, Diogo? Porque assim, pra mim foi tão inocentemente deliciosa. Série, sabe?

Voz D:É, cara, eu particularmente achei, eu adorei o caminho que eles tomaram para ir. Essa gente já falou do início, eles se desconectarem do Peter Parker, aquele meu personagem, com aquela mesma história. E aí ele falando: não, não, isso aqui é outro bagulho. Aí tipo, opa, eu falei: opa, do caralho! Porque no começo eu achei que o Ben fosse o tio, né, do Peter, não era?

Beto Estrada:Aí depois, porra, muito tio.

Voz D:Eu acho que no começo, quando ele era bem, bem, bem, isso aqui, a todo momento que eu via, ele meio que não tinha nada a ver, não tinha nada a ver com esse, essa, essa porra, esse humano que era O Homem-Aranha era o Peter Parker, ele deixou essa história completamente de lado e focou no uniforme, né? Focou no poder. O Homem-Aranha é esse poder, esse conjunto de habilidades e tal. E aí, um pouco diferente, entrando na parte da física, pincelando rápido, eu obviamente tive que suspender, a gente tem que suspender fisicamente o Nicolas Cage e tal. Mas ao mesmo tempo, eu também, em momento nenhum, eu pontuei esse personagem com agilidade que o Homem-Aranha que a gente conhece tem. Ele não era um cara esguio, ele não era o cara Habilidoso. A sensação quando ele pendurava para balançar, bastante, né? Ele apanha bastante. Quando ele tá se balançando, a sensação é que ele tá no desespero, tipo assim, caralho, segura, deixa eu ver se eu pego ali do outro lado. Ele tá sempre numa pegada meio—

Beto Estrada:mas como Spider-Man, tu achou isso?

Voz D:Como Spider-Man, para mim, ele não tinha essa elasticidade, cara. É só você olhar a postura das ações que ele tomava quando ele tava se balançando. O Homem-Aranha, quando se balança, ele não é um Tom Holland, ele não balança como uma aranha, ele Ele mexe, ele fica naquelas posturas meio aracnídeas. Esse cara, de forma nenhuma. Nem dobrar, nem ficar 90 graus direito, ele fica. Assim, eu concordo. Ainda assim, mesmo com essa limitação...

Affonso Solano:Ele é um atleta.

Voz D:Ele é um atleta.

Affonso Solano:Ele é um atleta. Ele é um atleta, é.

Voz D:Um atleta antigo, porque ele tem aquela coisa e tal. Mas ainda tem uma distância etária, né, da idade do Nicolas Cage enquanto pessoa pra lá. Mas eu suspendi, foi o que eu falei. Agora, no quesito visual e da história, Cara, eu gostei do Caminho porque não me pareceu prepotente em nenhum momento, como se ele quisesse revolucionar alguma coisa, como se ele quisesse ser alguma coisa muito maior do que ele tava se propondo a ser. Ele tem sempre um tomzinho de comédia, sempre uma parada meio engraçaralha. Diferente de um Sin City, por exemplo, que a gente leu, que é um noir meio, um noir bem mais hardcore, mais denso.

Affonso Solano:Estilizadão, ele é um noir estilizadão.

Beto Estrada:É um noir forçado ali, né?

Affonso Solano:Isso, é.

Voz D:Mas ele tem uma aura mais pesada, o Sin City. Ele é para baixo, né?

Affonso Solano:Sim, é mais deprimente do que aqui.

Voz D:Muito, cara. E aí, nesse lado aqui, eu já não vi isso. Eu vi um bagulho que vai num caminho mais Dick Tracy e tal. E aí eu me lembrei de uma outra obra da Marvel que eu gostei muito, que era preto e branco. E não só pelo fato de ser preto e branco, mas que ela também fazia homenagem a um tipo de cinema diferenciado, uma coisa mais pulp, de monstro, criatura, que Aquele lobisomem que a Marvel lançou.

Affonso Solano:Sim, sim, que é legalzinho, né?

Voz D:O Madster.

Affonso Solano:É maneiro.

Voz D:Eu achei muito divertido. E um dos motivos, além da história ser divertida, o personagem, todo o contexto, mas a história em nenhum momento ela tentou ser mais do que aquilo ali. Eles não tentaram enfiar uma parada a mais, um negócio, uma explicação, uma super conexão. Não, não. Irmão, isso aqui começa e termina, sabe? Isso aqui tá aqui, tá resumido pra cá. É essa parada aqui que a gente quer te mostrar. Espero que você goste. Fiquei com essa sensação. E me agradou muito, muito. O Homem-Aranha no Ar me agradou muito, cara.

Voz E:Muito.

Voz D:Eu achei muito melhor que o quadrinho, concordo com o Norton. Acho que por essa diferença, por ele sair completamente do Peter Parker, deixar o Peter Parker pra lá e focar nesse novo cara, achei muito legal, cara.

Voz E:Olha que legal! Eu acho que trocar o Peter Parker e trazer o Nicolas Cage aí também, eu acho que deixa uma porta aberta pra esquisitice muito legal, que não daria pra fazer com o Peter Parker. Mesmo que você não fosse... Nicholas Cage e Peter Parker. Não daria pra fazer, porque o Ben Reilly, ele é o Nicholas Cage, ele é esquisito.

Affonso Solano:Ele fala de uma maneira... Você achou ele esquisito?

Voz E:Cara, e não só isso, eu ia falar isso da minha parte da suspensão de descrença. Quando ele aparece como Homem-Aranha, claramente mais novo e tal, um outro cara, ele tem uma fisicalidade que ele fica mexendo a cabeça, ele fica com os bracinhos assim, ele parece meio que um...

Voz D:É, pode crer.

Voz E:Uma dança assim. E aí, cara, logo no começo você não pega isso do Nicholas Cage. Só que quando você vai mergulhando na história dele, você vê que ele tem os tiques, né? Faz os bracinhos quando ele tá vestido de aranha, ele cai assim. Ele tem esses tics. Então quando ele tá vestido de Homem-Aranha, teoricamente, ele liberta esses tics de aranha esquisito. Então seria um jeito dele tipo se libertar daquilo que ele fala que ele está—

Beto Estrada:Ele sentando é maravilhoso, cara. Ele sentando na cadeira que ele tem que fazer os movimentos de aranha pra ser— Ele dormindo, ele dorme com o braço pra cima assim.

Voz D:Não, mas eles até explicam bem isso, né?

Voz E:E aí quando ele vira Homem-Aranha o Homem-Aranha. Aí quando ele vira Homem-Aranha, ele faz isso, só que ao extremo assim. Ele se mexe de uma maneira bizarra, coisa que ele tenta suprimir quando ele tá de civil. Então para mim isso, isso, beleza, tem uma suspensão de descrença, mas eu acho que isso explica um pouco a suspensão de descrença assim.

Voz D:E conecta com a história, conecta um pouco a história, porque quando eles mostram, né, a relação que eles têm com os animais, né, que eles meio que, porra, eles transferem o sangue dos animais. É meio zoado isso, mas eu achei muito simples essa porra. Eles Espalharem o sangue do animal pro ser humano e pra ver o que acontece.

Voz E:É uma porra dessa. É muito Dr. Evil assim, sabe? Tipo, vou colocar sangue de enguia em você, sabe?

Affonso Solano:Porra, que porra é essa, mano? Porque era aquela visão do sci-fi dos anos 40 pra 50, né? Uma ciência, uma pseudociência muito experimenta— Não que a ciência não seja experimental, mas uma coisa até mais inocente, que os quadrinhos pegaram. O Homem-Aranha, ele é um herói da ciência que herda essa parada. O que aconteceria se você fosse mordido por um animal animal radioativo, né? Nada, provavelmente você vai ter que, né? Mas assim, os caras, eles— e mais ali combina essa parte, realmente combina. O que não acho que combina é, por exemplo, vocês acharam a cena de ação assim, uau, muito legal?

Voz E:Achei. E digo mais, se tivesse segunda temporada, minha única, minha única, o meu único pedido é mais Homem-Aranha mais cenas de ação, porque eu gostei de todas, todas, todas, todas.

Beto Estrada:Engraçado, eu tenho a visão contrária ao Norto. Eu acho que se tivesse mais muita parada, eu queria que eles fossem mais na coisa detetive assim, porque eu achei que a parte que mais funciona na série—

Voz E:Eu quero ver o Homem-Aranha, Beto!

Beto Estrada:Então, mas o Homem-Aranha, ele por ser o Nicolas Cage velho, e o Nicolas Cage ele chama muita atenção, né? É muito legal ver o Nicolas Cage em cena.

Voz E:Então é legal que eles enfiam a cara do Nicolas Cage na câmera assim, Então você tá com uma televisão gigante, você vê o nariz do Nicolas Cage em 55 polegadas em preto e branco.

Affonso Solano:E ele explica que ele se esforçou em emular justamente desde a movimentação, desde os ângulos que os atores trabalhavam melhor para pegar naquela estética, e até a fala. Ele falou a maneira como eu falo, ele já fala esquisito, mas ele falou que até a maneira como o ar dele sai da boca ele trabalhou para tentar acumular esses caras, esses homens, e que não eram, não eram, cara, ele é foda.

Beto Estrada:Os filmes noir lá, eles não tinham assim super realista. Realista é o que é depois, é o Chinatown, é a tentativa do Blade Runner e tal. Mas o Dick Tracy, por exemplo, tem a caricatura, pois é a caricatura desta época. E que eu vi essa caricatura, eu vi muita gente criticando o Nicolas Cage, assim, tá exagerado, achou aqui caricato?

Affonso Solano:Não achei nada caricato.

Voz D:Achei, achei, achei. A maneira dele andar, dele portar, ele faz as coisas.

Beto Estrada:O que é isso? Caricato é bem gostoso assim. O que eu digo assim, Afonso, não é zoado, tá? Não é zoado, mas você vê claramente que ele tá forçando.

Affonso Solano:Sim.

Beto Estrada:Porque o Humphrey Bogart lá atrás, ele não tinha uma atuação igual aos filmes que não eram filmes de detetive no ar. Era uma atuação diferente, sabe? Ah, eu sei do que você tá falando.

Affonso Solano:Até porque a gente tem que lembrar que essa galera vinha do rádio ou do teatro.

Voz D:Isso, total.

Affonso Solano:Então era tudo muito, muito novo, era muito exagerado. Eles foram se desentendendo.

Voz D:Não, e o exagero deriva disso, porque você precisa passar aquela intenção, é uma qualidade que você já não tinha tanto. Teatro tinha distância, então as maquiagens têm que ser muito maiores. Um batom, ele tinha que ser mais borrado para pessoa de longe reparar. Não podem ser coisas finas. Conforme a qualidade vem chegando para o cinema, você consegue fazer super close, movimentos de câmera muito mais diferenciados, que fazem com que o ator ele possa se expressar de uma maneira mais contida e passar aquela emoção real. Mas muita gente ficou— até a questão do filme mudo para o filme falado, muita coisa, né?

Beto Estrada:Mas vamos lembrar que, tipo, quando a gente fala de cinema noir, por exemplo, no começo eu brinquei com Freaks, né? O filme Freaks, que eles fazem uma referência no Freaks, e eu acho que tem tudo a ver. O Freaks é de 30, beleza, desse momento. Cinema noir é tipo assim, gente, 50, 60, já tava rolando cinema, já era de Hollywood, já tinha uma outra visão.

Affonso Solano:Acho que é o auge do noir, né? Ali, mas porque quando você começa a introduzir a cor, justamente o interesse da turma vai embora. Aí você fica até, entra uma discussão que eu acho legal, que é jogando até para o videogame um pouquinho, tipo, ah, vou fazer um jogo novo que homenageia o Resident Evil, vou fazer aquele estilo jogatina tanque. Cara, o estilo jogatina tanque, ele é nostálgico durante 5 minutos, depois é só Atraso de vida, cara, não tem mais essa necessidade. Então acho que se você não aguenta não mexer a câmera, não aguenta. Então assim, o que eu acho que o Sin City faz melhor, eu nem gosto do filme, muito do filme do Sin City, não, eu acho meio chato, tal, tal. Mas o que o Frank Miller nos quadrinhos fez, depois o Rodrigues, que eu também não gosto, se esforçou em fazer no cinema, é você pegar aquela estética e você, bom, o que que eu estou tirando? Algo que agora não necessidade. Porque nós temos cor, vai tirar cor pra quê então? Ah, porque eu quero fazer uma referência. Então se você fazer uma referência, você coloca um certo exagero, você— porque se você só reproduzir o que se fazia antes, eu acho que fica meio tipo, tá bom, é um filme preto e branco. É como eu falei, eu não senti nenhuma cena assim, sabe? É meio que o que o Tarantino faz, que a gente gosta, tipo, o cara ele não faz simplesmente um filme com estética chinesa dos anos 60, onde você tinha as grandes heroínas lá voando para lá e para cá. Não, ele pega emprestado aquilo e ele retrabalha, ele exagera, ele pega, entendeu? Aqui eu achei que ficou assim, é, tá bom, é mais um filme preto e branco do que um filme noir para mim.

Beto Estrada:Algumas coisas acerta, claro, mas você não acha que também nessa visão está a grande dificuldade? Porque assim, você pega livro e faculdade de cinema Tudo, você percebe que nunca ninguém consegue definir se noir é um estilo ou é um gênero. Na verdade, existe esse território nublado, né, do que é o noir. Talvez também não fosse uma expectativa, porque eu concordo com você que eu acho que o que a série fez— ou talvez eu discordo de você com o que eu vou falar, não sei se eu concordo ou discordo, mas enfim, você julga aí.

Voz E:Como assim, não entendi?

Affonso Solano:Caramba, Beto tá confuso, tá confuso.

Beto Estrada:É, eu tô construindo aqui enquanto eu falo.

Affonso Solano:Ele é ambíguo, como os protagonistas no ar. O Peter é ambíguo.

Beto Estrada:Eu acho que a série ela focou muito mais em trazer a coisa do noir desde a estrutura dos personagens ambíguos, desde a estrutura da cidade ser opressiva, do sistema ser corrompido, que isso tudo é noir, não é só preto e branco. Mas ela traz também plano holandês até demais. É exagerado.

Affonso Solano:Muito cigarro.

Beto Estrada:Ela traz muito cigarro e o cigarro é importante porque Porque a luz através da fumaça era uma decisão de direção de fotografia, porque a luz na fumaça ela é densa, ela conta mais história do que uma luz chapada. Então assim, você tem muitas coisas que pra mim é uma série muito noir, é uma bela homenagem.

Affonso Solano:Mas então, mas a gente tá junto, então eu acho que eles acertaram no noir, só que eu acho que vai, beleza, você fez um filme noir, mas hoje em dia você fazer um filme noir é tipo Tá, mas eu falei da cor. Por que que você fez isso se você não tem um toque? Ah, o toque, essa coisa Lichtenstein que a gente falou, de você botar um elemento super-heróico numa estética ou num gênero, sei lá. Não sei, acho que em resumo, galera, para não ficar, eu achei que faltou algo. Ela não me chamou. E o próprio plot, sabe?

Voz E:Você queria mais Homem-Aranha ou menos Homem-Aranha, Afonso? Você Você é do time dos heróis igual eu ou do time dos vilões igual o Ben?

Affonso Solano:Eu acho que o Homem-Aranha em si ele até tá numa dose correta, porque o cara tá se negando primeiro a ser o Homem-Aranha que a cidade precisa. Eu entendo o porquê disso. Eu acho que o que faltou pra mim sinceramente foi um plot que andasse de um jeito mais interessante e que se revelasse de um jeito mais interessante. Se eu não tivesse que assistir pelo MRG, eu teria dropado. Teria: ah, tá bom, não me capturou tanto assim. Assim, sabe? Não achei os personagens cativantes. O próprio Nicolas Cage, assim, um cara— beleza, o que o Beto falou, ele é noir, ele é um cara ambíguo, ele chantageia, ele não tem nenhum problema em chantagear uma cliente dele lá, uma mulher, falar: vou cobrar dinheiro dessa mulher, senão eu vou expô-la, né? Isso não é uma atitude de herói, isso é super noir, como a gente estabeleceu. Mas eu não achei assim que ele tem um, sabe, um sabor, um tempero. Ou amigo dele lá que que é o jornalista, ou a mulher fatal. Ninguém— você vai ver o Dick Tracy que a gente falou, cara, Warren Beatty, Madonna, porra, sabe? Essa turma toda, eles são personagens marcantes, cara, com trejeitos, com exagerados, essa coisa toda. Aqui eu achei que ficou, é, foi ok, é ok, achei ok, não sei.

Voz E:Didi, nos salve desse pessimismo, por favor.

Voz D:Pois é, eu acho que a série tem uma grande virada que é quando o trio de vilões, supervilões aparece. E aí ela se transforma numa outra, como o Beto já apontou, ele se transforma numa outra pegada, ela muda até um pouco de ritmo e tal, e se torna meio que Os Intocáveis, né? Vira uma série de ação, muito menos investigativa e mais porradaria, vão pra cima e tal. E aí eu particularmente achei muito interessante o uso visual visual estético dessa parada, desse preto e branco, desse sombreamento típico, desse tipo de coisa, com os poderes. Por exemplo, o Electro, o cara de eletricidade, meu irmão, eu achei do caralho. Quando ele começa, ele tem que tocar nas coisas para sugar energia, né? E tem a evolução dele, que ele vai evoluindo, ele para de precisar tocar, ele começa a invocar energia e tal, cara. E aí ele dá um efeito na pele dele, e esse efeito, ele é um, ele continua dentro do filtro de preto e branco, mas ele começa a ter uns tons, não é nem de cor, é um tom, uma intensidade reluzente. Achei muito caralho, falei, porra, que maneiro, porque ele foge um pouco dessa coisa chapada que fica, né? Ele sai desse, dessa parada, fica meio esmaecido alguns momentos e vai dando um outro poder. O próprio Homem-Areia ali, que porra, demorei para entender qual inseto que é de areia.

Affonso Solano:Eu falei, caralho, pera aí, é um escorpião, sei lá, tipo é todos os insetos.

Voz D:Então o poder para alguém, qual foi o inseto que deu poder de areia para ele? Lápide.

Voz E:Qual que é o inseto que deu poder de lápide pro Lonnie? Também não tem, né?

Voz D:Caralho, qualquer porra, qualquer bicho cascudo desse aí, porque ele tinha umas...

Voz E:Você me venceu, você me venceu.

Affonso Solano:Os cara velho tem cara de concreto, né? O cara meio...

Voz D:Mas eu achei muito interessante porque foi o uso disso nessa outra estética e como eles iriam transformar, remodelar literalmente a série pra essa outra pegada mais super heroística, né? Mais rápida, mais dinâmica, em uma série que não necessariamente teria isso pelo tipo de pontuação que eles fizeram antes. Mas eu gostei, eu achei que funcionou. Como eu disse, eu não estava esperando que eles fossem revolucionar e me surpreendi, porque eu vi dentro dessa série, cara, um caminho interessante que a Marvel pode ir de separar os seus personagens, né, os seus grandes nomes dessa parada que a gente já tá acostumado, sabe, dessa parada de porra, é, cara, o Homem-Aranha não é Peter Parker, tá aí, porra, e o Capitão América, será que ele pode ser vai ser outra parada, e o Homem de Ferro vai ser outra parada. Eu gostei disso, mas precisa ter uma mudança muito grande. Não é só, ah, então o Doutor Destino agora é o Robert Downey Jr. Não é isso, mas é acompanhar toda uma proposta se separando um pouco desse caminho. Achei interessante. Pode não dar certo, pode nem ter nada a ver com o que a Marvel tá fazendo. Ela pode ter feito só um spin-off, uma graphic novel de certa forma, né, aqui, uma minissérie que funcionou e não vai fazer mais porra nenhuma. Mas essa, para mim, deu muito certo e eu achei muito interessante, cara.

Affonso Solano:Ah, você tem que botar uma nota depois desse momento.

Beto Estrada:Muito bom, cara.

Voz D:Olha só, de 0 a 5 robôs gigantes, nessa época não tinha robô, né? Pouca eletricidade tinha, inclusive.

Affonso Solano:Não, peraí, peraí, tinha autômatos dependendo do universo ali. Esses autômatos dos anos 40, com certeza aqueles alemães tinham robô. Tinha. O nazista, ele gosta de botar um cérebro de, um cérebro humano, positrônico, né? Sempre uma coisa assim, num gorila com o torso de robô, né? Negócio assim, perna de robô.

Voz D:Tu puxou a parada dos quadrinhos, né? Porque os quadrinhos têm uma pegada nesse caminho aí, desse experimento e tal.

Affonso Solano:É tipo assim, o corpo, a parte de cima de gorila, as pernas de um robô e o cérebro de um nazista. É sempre uma porra dessa que esse cara fazia.

Voz E:A cara é uma tela, né? A cara é uma tela.

Affonso Solano:A cara é uma tela, exato.

Voz D:Caralho, que doideira. Então, bicho, eu vou te dizer que eu dou para Homem-Aranha no Ar um divertido 3.8.

Voz E:Vocês estão de sacanagem comigo, mano. Vocês são muito sacanagem comigo. Continua, gente, continua.

Affonso Solano:8 é uma nota do caralho, é legal, é de 0 a 5, é divertida.

Voz D:Vi na correria, vi amarradão, fiquei feliz, que porra empolgado assistindo as paradas. É, teve só esse início, meio fim ali. Tem espaço para mais? Tem. Não precisa? Não, não precisa. Mas se quiser ter, dá para fazer, dá para brincar, dá para ter um universo próprio ali. 3.8, Robô Gigante.

Beto Estrada:Vamos lá, não, já percebi que eu vou deixar você por último.

Voz D:Nortinho, vamos lá. Não deixa a tristeza para o final não, senão a Terra do História Sem Fim ela vai falir.

Affonso Solano:Mas Manoara é pessimista, galera, não pode esquecer. Não é à toa que ele fez isso, gente.

Voz D:A tristeza tá destruindo as Terras Encantadas, a gente não pode deixar.

Beto Estrada:Nortinho, você contrapõe o Diogo então?

Voz D:É isso, contrapõe.

Voz E:Pelo amor de Deus, ó, soma. Já vou dar minha nota já então, eu dou 4 4 robôs e meio de 5.

Affonso Solano:Caraca, caraca, gostou muito!

Voz E:Só não dou 5 porque eu gostei muito, mas eu gostei muito assim, se tivesse 4 temporadas já saindo hoje, eu teria assistido inteiro.

Voz D:Caraca, gostei muito.

Voz E:O meu único problema é o último episódio, meu último episódio, eu não gosto dele. Todos os outros para mim são muito melhores. Ah, eu achei que ele corre para uma conclusão ali e assim, dava para você ter diluído em mais episódios assim, sabe? A luta final com o cabelo de prata, com os vilões, chegou que eu não tava mais me importando, assim. Tipo, ai, meu, é óbvio que ele vai usar essa seringa.

Affonso Solano:Enfim.

Voz E:E também porque eu quero mais Homem-Aranha. Pra mim, é muito legal quando ele tá de Homem-Aranha, quando ele fica brincando nessa questão dos poderes dele estar falhando, do Nicolas Cage soltando teia com roupinha de investigador. Muito da hora. Só por isso que eu não dou 5. Mas eu sou totalmente o oposto do Solano nesse momento. Eu me apeguei a todos os personagens.

Voz D:Todos, todos, todos, todos.

Voz E:Quando a câmera focava na Janet Ele e o Rob conversando dentro do escritório, só ali era a minha geleia ali. Eu falei: "Mano, podia esticar isso por 50 minutos, eu adorei esse personagem." E...

Voz D:Pô, muito legal.

Voz E:Interrogatório, interrogatório, Norton, que eles botam: "Vamos jogar uma carazinha aqui, vamos jogar um negocinho." "Vamos jogar um negocinho, tomar uma birritinha, fumar um cigarro." "Ei, conta aí da sua família." Pô, muito da hora. Mas também não posso deixar de falar que assim, Lee Joon-li, nossa querida Cat Hardy, carregou... Enquanto tem Nicolas Cage de um lado, temos a nossa Cat Hardy do outro. Do lado ali, Jun Li, que é uma atriz de descendência chinesa, carregou, carregou e carregou um trampo difícil, que é ser a femme fatale com a câmera na sua cara e tendo que seduzir Nicolas Cage, que deve ser muito difícil.

Affonso Solano:Muito difícil.

Voz E:Deve ser uma coisa muito, muito trabalhosa de fazer, até no tiro.

Affonso Solano:Uma coisa que é tão tchux.

Voz D:Tu não achou meio confuso essa parte? Porque eu fiquei um pouco meio dividido nesse momento, porque eu não sabia se ela estava realmente se envolvendo com o Nicolas Cage ou se ela ainda amava o outro cara. Eu fiquei um pouco perdido com relação a isso.

Voz E:Essa é a graça. Você não pode confiar nela. Essa é a graça da personagem.

Voz D:Mas isso não era uma coisa que o Nicolas Cage estava preocupado. Ele só foi se preocupar com isso no final, porque ele não sabia desse plot.

Affonso Solano:A gente que, quanto espectador, mais ou menos, Diogo. Eu acho que desde o começo ele vê que ela não é uma— até associação com a palavra gato pega muito dessa coisa traiçoeira também, né? Ele começa a querer—

Voz E:na dúvida se ela tem poderes de Gato Negro ou não, tá?

Affonso Solano:Pois é, né? Supostamente ela é, né?

Voz D:Isso é uma Magia dos quadrinhos, né?

Voz E:Porque a Gata Negra nos quadrinhos, a Felicia Hardy, ela é dona de um cabaré, né? Ela tem o poder da probabilidade, da sorte. Então tudo que der mais sorte para ela vai acontecer. E na hora que eles entram na doceria, a moça oferece um bolo de graça para eles.

Affonso Solano:Ah, boa!

Voz D:Bem lembrado, bem lembrado.

Voz E:E fala: mas ninguém dá bolo de graça aqui, sabe? Sabe falar. Como assim de graça?

Voz D:Eu pensei que tava envenenado, eu pensei que a mulher tava com pomonada ali, envenenando.

Voz E:Pode ser que tenha alguma coisa relacionada aos poderes da sorte, sim, mas aí já tô sendo um nerdola safado.

Affonso Solano:E você, Betão? Vamos lá, já que você—

Beto Estrada:vou ficar por último.

Voz D:Vamos deixar o cara terminar, vamos deixar.

Voz E:Eu tô tentando digitar, esticar para ver se cair a gravação.

Voz D:Nárnia está morta.

Voz E:Eu acredito em fadas, eu acredito em fadas.

Beto Estrada:Nortinho, eu vou ficar contigo, cara, eu dou 4,5. Eu gostei pra caralho, cara. Eu, na nossa conversa aqui, eu não sei se eu gostei mais.

Voz D:Desculpa, é porque assim, você pode gostar pra caralho de coisas que não são tão boas, que é o meu caso. Tipo, eu gostei pra caralho, mas eu não acho que ela é uma série do caralho.

Beto Estrada:Então, mas eu acho que não diminuiu a mensagem, é boa assim. Eu acho que na conversa com vocês aqui eu tô realmente percebendo, até pela minha decisão de, ah, agora virou uma seriezinha de herói, vamos ver a Cody, porque tipo já perdeu um um pouco do que tava me conquistando. Mas eu acho que assim, ver Nicolas Cage é sempre bom.

Affonso Solano:Isso, Beto, é sempre bom.

Beto Estrada:É, eu adorei a forma como o noir foi trazido na série, porque eu achei que respeitou muito, mas sem tentar imitar. É tipo assim, cara, é uma coisa nova, a gente tá fazendo uma série em 2026 ou 25, sei lá quando foi filmado. É, então vamos, vamos pegar aqui as coisas que fizeram que se tornaram clássicas no estilo ou no gênero noir. E tem uma, tem um mergulho muito forte nisso assim, sabe? Tipo, desde a escrita dos personagens, a função de cada um do elenco de apoio, a forma visual. Eu achei sim que a parte colorida ela respeita muito noir, porque assim, o que que o Blade Runner traz pro noir que é legal pra caramba? É a cor exagerada. Então, esse aqui é um tom muito "Isso aqui é um tom muito azul pra mostrar que é muito frio." Quando o cinema começou a fazer isso, foi o noir no cinema que trouxe essa coisa das luzes, esses filtros verde, filtro azul, filtro amarelo, essas coisas todas. E eu acho colorido muito legal. Então achei uma série, sim, muito bem feita, cara. E acho que é uma das melhores séries da Marvel, na minha opinião. E funciona pra mim do jeito que eu acho que os quadrinhos noir funcionaram. Gente, é uma graphic novel, é um momento extra que deram na mão de um criador e o cara falou: "Não, cara, eu tenho uma ideia muito diferente, tão diferente que eu vou tirar o Peter Parker do Ben Reilly." E isso para mim é um respiro dentro do MCU, cara. Deixa as pessoas trabalharem fora do MCU, deixa as pessoas fazerem isso, tá ligado? Exato. É o filme do Coringa, o primeiro filme, cara, o cara tinha uma ideia, ele fez um puta filme. Essa série para mim entra nesse rol assim de graphic novels filmadas. O cara teve uma ideia ficou muito foda, na minha opinião, em matéria de estética, em matéria de Nicolas Cage, que sempre vai ser muito foda. E é isso. Então assim, eu dou 4,5 pelo sentimento. Eu fiquei muito feliz de acompanhar essa obra.

Voz D:Afonso Solano, vamos lá, momento super sushi quanto a baixa astral. Isso, de 0 a 5, Robô Gigante, quanto você deu?

Voz E:Ele tá na frente da janela, uma luz Tocando um saxofone, um cidadão quente, cidadão quente.

Affonso Solano:Exato, o Léo tá atrapalhando a trilha sonora agora. Léo, por favor, som de um isqueiro sendo, sabe, acendendo cigarro, aí dá aquela fumada.

Voz D:Essa cidade fala comigo. Roberto Luque Estrada, para quem não sabe, explica aí o que que é o momento Sônia Braga no Matando Robô Gigante.

Beto Estrada:É isso aí, meus amigos e minhas amigas, é aquele momentinho, aquela pegadinha dos amigos, aonde um fala Sônia Braga primeiro e o último que falar paga uma prenda em 42 segundos.

Affonso Solano:E, Nortinho, sobrou para ti.

Voz D:Muito bem, muito bem. É, Beto, quem puxa tem que dizer qual vai ser a parada, né? Que que você tá planejando aí?

Beto Estrada:Eu quero, eu quero a Creuza ajudar aclimatizando esse momento. Eu quero em 42 segundos uma narração de Norton Domingues para o nosso detetive, né, Afonso Solano, chegando para dar a sua explanação sobre o caso, que vai ser a nota dele.

Affonso Solano:Isso. E tem uma ruiva, tem uma ruiva misteriosa no escritório esperando quando eu chego.

Beto Estrada:Deixa o narrador, deixa o narrador.

Affonso Solano:Chama aí, posso sugerir a nota? Jessica, valendo!

Voz E:Eu sei que estava tarde, eu não aguentava mais isso. Chuva lá fora batendo na janela, mas eu precisava contar para essa ruiva misteriosa tudo aquilo que eu achei de errado na série do Homem-Aranha no ar.

Voz D:Eu postarei o Arnaldo Antunes.

Voz E:Provavelmente estou errado e o Norton está certo, mas aquele maldito, ele sabe do que ele está falando. Me ouça. E como que era o nome? Jessica. Me ouça, Jessica.

Affonso Solano:Muito bom, muito bom, Nortinho. Pareceu a vinheta da Vaquetão.

Voz D:Super cine.

Beto Estrada:Que é super no ar.

Affonso Solano:Senhores, vamos lá, assim, o cinema noir, ele me foi apresentado, creio que para geração, tô falando aqui junto do Beto e do Didi, o Norton Chirica, que é mais novo, é um pouquinho mais novo que a gente, mas para nós provavelmente foi no mesmo, para nós foi com o filme Roger Rabbit, ou Macilada para Roger Rabbit, tá? É o que eu lembro assim, é um filme de 88, era bem novinho. E claro, a gente viu o primeiro filme por causa dos desenhos, do coelho, aquela zoeira. Depois você vai ficando mais velho, você vai pegando os outros lados, né, as outras camadas da história e tal. E foi ali que a gente foi apresentado a essa estética, que apesar de hiper colorida, como a gente lembrou aqui nas nossas aulinhas de cinema, de história e tal, né, ela continha esses outros elementos ali que a gente falou: protagonista ambíguo, né, uma coisa pessimista, subversão de valores e por aí vai. A gente teve o próprio Dick Tracy, que falamos, nos videogames o Max Payne, não podemos esquecer Max Payne faz essa coisa do novo noir também. Então uma estética que foi trabalhada bastante dentro desse nosso universo de cultura pop. Não é agora que o Homem-Aranha Noir tá chegando com isso. Agora, apesar de tudo que eu falei da parte que eu não achei ruim de forma alguma, acho que eu deixei isso claro assim, não é ruim, eu achei ok. Há um esforço tremendo, principalmente da parte do Nicolas Cage, como eu falei lá nesse podcast, que ele explica, é de tentar recriar ali dessa forma bem Fiel, eu achei que ficou fiel mesmo. Achei que faltou um quê. Todas essas obras que eu citei agora, elas emulam o Noir, mas eles botam um tempero a mais para tentar compensar essa remoção de certos elementos que hoje a gente tem em abundância, né, de recursos. E eu acho que ele não entrou com isso. Acabei discordando de um ponto ou outro com vocês, incluindo o plot. Realmente o plot não me segurou tanto. Mas ela é bem feitinha, ela tem, ela tem esse esforço como a gente falou, e o Nicolas Cage realmente é sempre divertido. Apesar de eu não ter visto aqui um Nicolas Cage como a gente às vezes tem um deleite, tipo Long Legs, que também é um filme qualquer coisa de terror, mas ele salva o filme, ele vale você assistir. Aqui ele tem um rosto interessante, ele tem um rosto desses atores antigos, realmente um rosto expressivo, grande, né? E ele mais velho, o rosto dele ficou ainda mais marcante, né? Engraçado isso. Então, por todo esse esforço, e isso que o Beto falou agora para fechar, eu achei, cara, tô muito alinhado com isso. Eu vivo falando, eu respeito muito mais as pessoas que tentam algo novo, que pode não dar certo inclusive para mim, no meu gosto pessoal, do que alguém que faz a mesma coisa porque é certo, né? Que saco você ficar fazendo a mesma coisa e tal. Então eles fizeram um negócio diferente Gente, vocês têm toda razão, e é refrescante, é uma parada refrescante. Então eu darei de 0 a 5 robô gigante 3,5. 3,5 robô gigantes para si.

Beto Estrada:Foi uma boa nota, foi uma boa nota.

Affonso Solano:Não foi tão— não, tomar um gole de uísque aqui, a gente conseguiu amaciar ele, eu acho.

Voz D:Isso, não tem uma carne que não resista a uma marinada de bourbon, um bom conhaque.