Esses personagens nunca deveriam ter mudado | MRG 837
Super-heróis morrem, envelhecem, abandonam o uniforme, são substituídos e, pouco tempo depois, está tudo exatamente como era antes. Depois de décadas acompanhando personagens como Batman, Superman, Homem-Aranha e tantos outros, os quadrinhos encontraram inúmeras maneiras de mudar seus heróis sem nunca mudar de verdade. Afinal, é possível contar uma boa história quando sabemos que, mais cedo ou mais tarde, tudo precisa voltar ao lugar?No episódio de hoje do Matando Robôs Gigantes, Beto Estrada, Affonso Solano e Northon Domingues recebem o quadrinista Rodney Buchemi para discutir por que é tão difícil deixar personagens clássicos envelhecerem, mudarem ou simplesmente chegarem ao fim de suas histórias. Entre mortes que não duram, reboots, mudanças de identidade e décadas retornando ao mesmo status quo, o grupo debate se os quadrinhos precisam aprender a desapegar dos seus heróis ou se não acabar nunca é justamente parte da graça.
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- A ilusão de mudança nos quadrinhos de super-heróis ocidentaispersonagens que não envelhecem·retorno ao status quo·apego cego à permanência ilusória
- A passagem de tocha entre gerações de heróis e a aceitação do públicocooperação entre velho e novo·respeito ao ícone antigo·evolução do personagem
- A diferença cultural entre quadrinhos ocidentais e orientais na evolução de personagensfilosofia aristotélica e judaico-cristã no Ocidente·budismo e xintoísmo no Oriente·finitude como elemento importante na jornada
- A resistência dos fãs à mudança de personagens clássicos e a nostalgianostalgia reflexiva·nostalgia restaurativa·desrespeito à conexão emocional do fã
- A evolução do personagem Batman e a introdução de novos elementos em sua mitologiaAlfred como figura paterna·nova mordomo e sua dinâmica·sociedade secreta de mordomos
- O sucesso da trilogia prequel de Star Wars em renovar o público e respeitar o antigorenovação do público jovem·respeito aos fãs antigos·personagens jovens e velhos trabalhando juntos
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Bom dia, boa tarde, boa noite, boa sera, boa sera, senhorita, boa sera. It is time to say goodbye to Napoli. Estamos começando mais um Matando Robôs Gigantes.
Que susto, gente, achei que o Beto tinha mudado.
Ai, não, até baixei a guarda aqui, começou a cantar, falei, opa, pacífico.
Que delícia!
Boa na Sério, uma das minhas músicas favoritas da vida, cara, é muito boa essa música. Eu sou o Beto Strada, estou aqui com Afonso Não Tinha Barba Solano. Olha aí, diretamente de uma galáxia muito distante, nortinho dos quadrinhos. Olha aí agora, senhoras e senhores, do quadro que o meu professor fica desenhando e me ensinando a fazer desenhos, que um dia Quando eu tiver 70 anos de idade, eu vou fazer um desenho que não seja dois palitinhos?
Rodney Buquemi, diretamente dos Alpes nórdicos mineiros de Belo Horizonte.
Nosso Bob Ross, Beto.
É, exatamente.
Bob Ross dos quadrinhos. Mas sabe o que é engraçado, né? A gente tem— nós somos amaldiçoados, todos nós aqui, com—
aí você começa. Isso é uma grande verdade.
Eu quero entender como. Eu quero entender como.
Não, escolhe um, calma.
Não, eu tava indo, eu tava indo.
É, tô curioso.
Temos esses estigmas das profissões que nós fazemos tão brilhantemente, né? Somos aqui reconhecidos por aquilo que fazemos muito bem. Mas na entrada dessa, quando a gente se conectou, galera, falando um pouco de backstage aqui, o Rodney, ele entrou com uma energia daquele professor de aeróbica, sabe? Imagina, hoje já bateu palma, fez um polichinelo, não foi? Olha lá, ele entrou assim, ó. E aí eu fiquei pensando assim, cara, o universo, já que a gente vai falar de quadrinho, No multiverso talvez exista um Rodney Buchanan que em vez de desenhista de quadrinhos virou professor de aeróbica, porque eu acho que ele tem, ele tem aquela, aquela falas triste do professor de aeróbica que faz piadinha toda hora. Fulaninho, vamos lá! E esse pé não tá movendo, hein? Porra, tá precisando mais.
Aí o cara cai de boca no chão, aí a mãe reclama.
Isso aí eu amo.
Você dava para criança? Era aeróbica também?
Pode ser.
Criança faz aeróbica?
Faz, né?
Lamba aeróbica, lamba aeróbico, uma zumba e tal, essas paradas. Agora tá mais evoluído, Afonso.
Mas o nosso secretário, ele mora com a mãe, a mãe veio reclamar, pô, olha, meu filho de 43 anos que mora comigo, ele caiu ontem e bateu a boca no chão, quebrou o siso.
Quebrou o siso e já não tem mais.
Ó, eu tinha, eu tinha, eu tinha, eu não sei se o Afonso vai lembrar.
Dignidade, autorrespeito, boa.
Ninguém mais faz isso.
Amigos, nem lembro, nem lembro.
Nós não temos mais nada disso.
30 quilos a mais.
Eu tinha um brother, cara, na época da lan house, Que, pô, ele era bombeiro. E aí, pô, maneiro, cara, bombeiro e tal, não sei o quê, a gente trocava as ideias e tal. Ele era alto assim, né, forte e tal. Maluco, um dia a gente passando na frente de uma academia, tá rolando uma aula de lamba aeróbica. Aí tá aquele professor altão lá com aqueles movimentos lá, aquela camisetinha grudada, um shortinho, fazendo todo aquele movimento.
E todo aquele clichê, e eu não falo isso com pejorativo, mas é aquele do... Né, do vamos lá, galera, isso, e não sei o quê.
E pá, cadê essa energia? Eles sempre perguntam onde tá a energia. Cadê essa energia?
Deixa eu falar, moleque, a gente olha, a gente fala assim, caralho, é o bombeiro, viado, bombeiro.
E aí a gente ficou olhando aquela fase, fogo das senhoras, né, senhoras viúvas lá da academia.
Que safadeza é essa aí? E é muito doido porque eu sempre quis ter um amigo que que eu fosse professor de zumba lá em Baiaró e tal, porque eu falava assim, caralho, eu vou zoar muito. Só que você vê o cara fazendo a parada, tu fala assim, caralho, eu não posso zoar porque eu não tenho a mínima condição de fazer isso aí, tá ligado?
Tipo, você acha, Norton, que você poderia ser professor de zumba de aeróbico e tal?
Não, não só não acho, como eu já caí nessa mesma soberba de olhar e falar, essa sala aí, 40 pessoas pulando, fazendo jump, isso é facinho. Aí eu falei, bom, então vamos lá, né? Eu fui, eu não aguentei 20 minutos. 20 minutos com aquela galera pulando e cantando, e no fundo, eu gatinho, não, Pantera, eu ganhava.
Moleque, o jump é um negócio inacreditável. Eu não sei o que que é mais tenso, se é o jump ou o Velocity, que tá na moda agora. Fiz também uma parada tensa, velho.
Eu fiz também, quase passei mal.
Isso.
Quase passei mal no Veloz porque entrei também de bobeira, né? Vou lá, sou fodão. No meio do negócio, tocando lá, era um dia de rock e tal. Aí a professora lá na frente, mano, foi muita vergonha. Ela vira e fala assim, e aí, Norton? Não tá conseguindo acompanhar?
Caraca, te expôs assim?
Caralho, foi pesado, hein?
Me expôs, cara. Aí eu falei, não, só tô descansando aqui. Aí ela falou, ah. Daí começou, braço direito, cara, vocês querem pedalar? Eu falei, cara, que vergonha. Que vergonha. Nunca mais voltei. Mas depois saí pra comer um pastel delicioso. Aí sim, em vingança, fui humilhado. Agora eu vou recuperar todas essas calorias que eu perdi.
Nos meus 40 anos de kung fu, inventei de cair nesse negócio aí também, que a minha esposa quis fazer. Inventei de cair, eu falei, bom, com 40 anos de kung fu vou dar conta, velho. Porque em cima de 15 minutos pulando, meu joelho já falou assim, Ô, aí de cima, vamos parar aí, por favor?
Vamos fazer isso, vamos dar uma paradinha, total.
Aí o coração já falou assim: ouve, escuta lá embaixo que o cara tá certo, pode sair daí. Cara, 15 minutos eu saí, 15 minutos de aula, nem no aquecimento eu aguentei. Eu saí, olhei para minha esposa e falei assim: te espero lá fora, tá? Eu já tava derretendo, já tava derretendo, a camisa colada no meu corpo, tava derretendo. Fui lá para fora, velho, chamei o Juca Lindamente. Botei tu para fora, cara.
O que tinha?
Botei para fora o que tinha.
Não tinha o tigre, o tigre e o dragão saíram.
Todos os animais, o tigre, dragão, panda, o levadeiro, jacaré, saiu todo mundo ali, velho. Todo zoológico, toda arca toda saiu.
Senhoras e senhores, no No meio da década de 60, o senhor Stan Lee entrou lá no escritório da Marvel com uma grande ideia. Falou, olha... Subiu na mesa e falou, vamos instaurar a ilusão de mudança. Um documento, meus amigos e minhas amigas, que dizia que a história dos heróis deveria ser contada da seguinte forma. Primeiro, estabelecemos quem ele é. O Homem-Aranha é um cara que vive na cidade, que tem uma dificuldade de pagar contas, mas que sabe que com grandes poderes vem grandes responsabilidades.
Depois disso, vamos deslocá-lo desse lugar comum que nós dissemos para as pessoas, aonde ele vive, quem ele é. O arquétipo vai ser desconstruído. Talvez a gente tire os poderes dele. E aí, cadê os grandes poderes para grandes responsabilidades? Talvez a gente coloque ele numa situação de aonde ele é rico, não tem problemas financeiros. E aí, cadê aquele arquétipo, né, do cara comum que precisa pagar as contas? Mas depois disso levamos ao fundo do poço e retornamos ele ao lugar de onde ele nunca deveria ter saído.
E assim, meus amigos e minhas amigas, as lancheiras das crianças, os bonequinhos, nada disso vai perder sua característica. E com isso seguiremos em frente na história da Marvel e da DC com heróis que têm 80 anos de idade, mas nunca mudam. Afocinho Solano, estamos aqui para debater o que talvez pode ser, pode não ser uma crise na evolução dos quadrinhos, ou tá certo, a gente quer ficar ali.
Tá certa a resposta? Olha só, de onde você vem?
Não sei, eu estou perguntando o que eu não sei.
Eu acho que é uma É uma boa essa introdução, dei uma nota.
Foi confuso, eu me senti confuso. Já fiz melhores, foi boa, né?
Foi meio improviso. Eu achei meio bosta, porque é meio que isso mesmo, né? Você dá, pelo menos no Ocidente, você dá no entretenimento, quando acho que faz corretamente, uma ilusão gostosa. Entretenimento é ilusão, é você enganar um pouquinho, né? A gente quer ser enganado quando a gente tá sendo entretido.
É assim que você chega nas garotinhas da festa ou no seu crush da festa, é assim.
Exato, só que tem que ter justamente, excelente exemplo, todo mundo quer ser enganado, mas até certo ponto. Você quer uma fantasiazinha, você quer que aquela brincadeira acesse lugares que são arriscados no seu subconsciente e tal, e você vai viver aquela fantasia sabendo que no final as coisas vão voltar a ser realidade, né? Então no caso, acho que o que você deu agora, Betão, quer dizer, Uma vez que você consiga tirar aquele, aquela coisa que você gostou pra caramba quando você absorveu, no caso o Homem-Aranha, pô, gostei dele ser esse moleque que, porra, não sabe, né, com quem ele se relaciona, nunca dá certo nenhuma namorada.
Homem-Aranha, né, estamos falando, não consegue pagar aluguel, tá sempre correndo e tal. Mas tu vai ficar sempre nesse lugar? Vamos dar uma sacudida, porra. Agora ele consegue um emprego. Agora o Homem-Aranha foi isso, né, virou professor da faculdade, aí ficou firme com a MJ.
Casou, casou com a MG, teve filho, teve filho, virou dono de empresa e não sei o que lá.
Tudo aí vem o Mefisto e fala: olha só, vamos resetar, vamos resetar.
Vem acabar com o casamento, aparece e fala assim: acabar com essa porra.
Exatamente, vamos voltar. E aí você fala assim: tá, isso foi uma ideia genuinamente criativa ou foi uma preocupação da gente tá distanciando o personagem que que sempre deu certo, mas ao mesmo tempo as vendas estavam caindo. E aí, ah, vamos dar uma ideia nova. Aí você dá uma ideia nova, ela funciona, mas daqui a pouco começa a cair de novo.
O que que você vai fazer?
Vamos tentar voltar ao que era, né? E aí você fica cheio do Ocidente, né? O Oriente tem uma tendência a fazer um ciclo de uma forma diferente, tende a ser o pai que passa pro filho, pra filha que passa pra sua filha, por aí vai. Eles têm acho que uma relação com a morte, a morte das coisas, muito mais bem resolvido do que a gente.
Então, culturalmente falando, Olha aí, você pega, sei lá, você falou de Oriente. Se a gente, vamos comparar quadrinho com quadrinho. Se a gente pega nessa mesma demografia, você pega os mangás shonen, né? Os mangás teoricamente pra meninos, de porradinha e tal, Dragon Ball, as coisas assim. A gente tá num momento hoje, principalmente, que os grandes shonens, eles viraram quadrinhos da Marvel, assim. Você tem Dragon Ball Rebels.
Qual que é a história do Dragon Ball Rebels? É que No Super, o Goku derrotou o Deus da Destruição. Aí agora vai chegar o outro deus que é mais forte, e aí Goku vai ter que treinar de novo, sabe? Ele volta para o status quo. Goku vai ter que fazer aqueles mesmos treinos que ele faz há 30 anos para ficar mais forte. Naruto, a mesma coisa lá. O Boruto, ele tá lidando com os mesmos problemas que o Naruto desde sempre.
Então, acho que o que você tá descrevendo, na verdade, não, não acho que não. Acho que o que você tá descrevendo Vai de acordo com o que o Afonso falou.
É, me parece.
É, mas contra a ideia que você tá pregando. Porque assim, se a gente pensa pegar no Ocidente e a gente até olhar uma coisa cultural assim, a gente tem uma cultura no qual nós fomos criados assim, a filosofia aristotélica e o pensamento judaico-cristão, eles têm uma ideia de paraíso. Pensa assim, aonde você vai terminar? Num lugar perfeito que nada muda, você vai ficar lá sempre, nada acontece e é tudo igual. É aquilo, é aquilo mesmo.
É aquilo que é o desconforto.
É isso que eu tô falando. Pro Ocidente, o budismo, por exemplo... Oriente, Oriente. Perdão, pro Oriente, o budismo e principalmente o xintoísmo, quando a gente fala de Japão, que é a mais forte que todas que tem lá.
Tua terra, BT.
Exato, da minha galera, do meu bonde. No budismo, cê tem... Ânica, a impermanência é a lei da vida. Olha isso que eles tão falando, sabe? Tipo... E você tem uma coisa que é assim, a finitude é um elemento importante na sua jornada.
É isso.
O Buda, ele fala isso, ele fala que o apego cego à permanência ilusória é uma coisa que nos impede de seguir em frente, que é meio que o que o Stan Lee falou: vamos nos apegar a uma permanência ilusória. Então assim, quando você olha, citar exemplos, Naruto. Naruto, Jiraiya morre, ele permanece morto, e o Naruto aprende com aquilo e ele segue em frente. E lá na frente, no Boruto, o Naruto tá atrás de uma mesa, cansado, saco cheio da vida, mas ele passou passou para a próxima geração, porque ele aprendeu.
Ele sentiu o flashback do Jiraiya. Então o Jiraiya não está lá em tempo presente, mas eles vão ficar ali também. É isso que eu tô falando, não é, não tô falando que não passa de pai para filho, principalmente citando Naruto. Tô falando que os problemas são os mesmos, entendeu? É o Boruto lidando agora e não o Naruto.
Mas isso é o shonen. Mas isso, isso é muito bonito. Eu pergunto para o Rodney, que desenha muito para o quadrinho americano, porque assim, o shonen, a característica do shonen É ele falar com uma pessoa, um leitor que está na idade de transição, que é o leitor que tá saindo do colégio, entrando no mercado de trabalho.
Tá, então eu tô errado.
Então... é, não, é uma história de jovens. O Naruto, Dragon Ball, Danganronpa. A partir do momento que você sai do colégio, você tá errado.
Eu já saí do colégio há 20 anos e eu tô lendo Boruto, eu tô errado, é isso.
Com certeza.
Não, eu tô falando só que a característica do shonen... é, a característica do shonen é a mudança na vida, são os traumas que você começa a ter. É o envelhecimento. E aí depois você vai para outros quadrinhos, como por exemplo lá o do Psicopata, que eu sempre esqueço o nome, que é excelente, maravilhoso.
Era legal, esqueci o nome.
Monster, que aí já não é Shonen, né?
O próprio Alice Borda, ele é sabor mango. Melhor Fiesta é o melhor.
Ah não, Monster, mangolou. O problema do Monster é que a lata é muito grande, não é uma dose Porque o Red Bull no tamanho normal, ele tem aquela dose que você toma e você fala, estou satisfeito.
Mas isso é coisa de paulista, paulista é mais Red Bull do que Monster, eu descobri.
É verdade. Desculpa. Não, olha só, olha só, independente do que você prefere, o mundo inteiro é mais Red Bull do que Monster.
Não, não, não, peraí, peraí, peraí, peraí, peraí.
Não, mas não é não? Não.
Como nós somos do interior, representantes do nosso interior, o Monster domina aqui.
Ih, ó. Chupa essa, velho.
O Red Bull é mais paulista. Chupa essa manga.
Chupa essa aí.
É tipo, não existe como falar. Porque Um bairro bebe muito mais TNT do que outra marca, tu vai falar, não, porque eu descobri que rola daqui...
É, acho que você tem que respeitar... Eu sei o que que é, você tem que respeitar a verdade do Norton.
Ah, tá certo.
É a verdade dele. Ele tem uma sensação de que todo mundo tá... Rodney Buchanan, vamo lá, você desenha os mesmos personagens há 38 anos. Eles morrem, voltam, morrem, voltam. 35. Tá, no caso super-heróis, sim. Agora, se for para uma Europinha, por exemplo, Conan envelhece.
Pois é, é aí que eu entro com argumentação, que é o seguinte: o Conan, ele continua sendo o mesmo cara, ele sendo mercenário, ele sendo pirata, ele sendo rei, ele sendo aposentado, ele sendo amante latino, caramba que for, mas ele continua Ele não muda a essência assim, mas ele ficou mais astuto, ele ficou mais sábio. É aí que tá o legal do Howard, que enquanto ele tá nesse, quando ele sai da Ciméria e começa a peregrinar pelo mundo, ele vai adquirindo experiência.
Então quando ele se torna rei, ele se torna um rei sábio para caramba, entendeu? Mas ele ainda tem a selvageria, exatamente, ele ainda tem a barbárie da Ciméria, né? Ele ainda continua sendo aquele Conan que a gente conheceu desde o um quadrinho adolescente.
É um bom exemplo e me remete muito assim, por exemplo, a gente tá falando aqui da indústria americana e da indústria japonesa basicamente, né?
Mas é engraçado que europeia agora, no caso. Ah não, porque o Conan é americano, é o personagem americano.
Mas quando a gente, então, mas me remete à Europa que ela é muito mais plural, porque na Europa você tem os imutáveis que que não é nem a ilusão da mudança, nem a mudança real. É o Asterix, é o Tintim, são os Zé Delivery, né? E você tem, mas você tem muita evolução também, né? Você tem Druna, que porra, é uma história que evolui início, meio e fim. A Druna, ela é uma personagem completamente diferente de quem ela era no começo da história. Exatamente.
Ela fica mais safada.
É bem pra Vertex, né?
Ela vai ficando um pouquinho mais, e ela evolui sim, ela evolui, ela fica com menos roupa a cada episódio. Episódio, ela vai evoluindo.
Não, não. E a própria safadeza dela, ela compreendendo as regras daquele mundo, sim, para ela, para ela poder jogar o jogo. Porque no começo, quando vem aquele monstro lá no quarto dela e ela tá lá peladinha dormindo e tal, ela se assusta. Ela fala, cara, não vou me entregar para você, que porra é essa? No final ela já tá entendendo as armas que ela tem para virar dominante da parada, né? Então tem uma evolução. Isso é muito foda assim, sabe?
Então a questão que eu acho é o seguinte, que a gente fica desconfortável com certas mudanças. Com relação ao Conan, eu vejo mudanças, mas ele não perde a identidade dele. Já no caso, por exemplo, vamos pegar um Batman que rolou semana passada, o Batman Day. O Batman, cara, ele se adapta ao contexto da história e ao contexto da época também, visto que você tem o selo túnel do tempo em que o Batman ele tá enfrentando Jack o Estripador, ele tá na Idade Média, ele tá na Idade, ele tá no Japão, no Japão feudal, no Japão dos samurais, entendeu? Então o Batman ele se adapta, mas ele não deixa de ser o Bruce Wayne, né?
Mas isso você tá falando de histórias sensível, hein? Calma, é tópico sensível. É Batman e se a questão assim, se a gente pegar o Batman, vamos usar na linha, manter na linha temporal periódico, né? Periódico, pelo menos. Então vai nele.
É que aí, por exemplo, nessas fases que ele tá em períodos históricos, né, em fases da história do mundo, ele tem identidade dele como Bruce Wayne e tudo mais, né? Ou algum descendente do Wayne, certo? Mas ele nunca deixou de ter o alter ego do morcego. Beleza.
Agora, aquela questão da superação de transformar ressentimento em propósito, essas coisas que fazem dele ser o Batman.
É, agora quando a gente pega e coloca, por exemplo, um Batman que, cara, aí eu vou pegar num tema sensível, o Batman Absoluto.
Acho uma merda.
Não, mas olha só, calma, calma, vou chegar, vou chegar lá, cara. Tem um machado no peito, cara, como é que ele vai fazer o assim com o braço.
É, não faz sentido.
Não, mas aí, aí, então, esteticamente não funciona. É, isso é só esteticamente. Mas é porque assim, quando você fala do Batman, e veja, vamos tentar ser claro aqui, porque cada vez mais eu tô descobrindo que as pessoas não compreendem muito bem o que a gente quer falar, né?
Tá descobrindo agora, Beto? Hoje a gente se comunica mal. A gente tem que fazer essa—
vamos lá, a culpa é nossa, tá tudo certo.
Nem sempre, nem sempre.
Não, essa culpa é minha.
Eu tô aqui para contar a pessoa, eu tô aqui para contar a pessoa.
Eu também, quem tá ouvindo, eu não tinha estado. O ponto é o seguinte, é, cara, o Batman, eu adoro os quadrinhos do Batman. Talvez é o quadrinho que eu periodicamente mais leio há mais tempo. Também gosto do Batman, eu gosto bastante. Só que assim, o fato é que, porra, o Batman ele não supera os traumas dele desde 1950. E aí quando a gente compara com os quadrinhos japoneses, se a gente fosse olhar essa transição de o que que faz o personagem.
No começo do quadrinho japonês, o Batman, o que que faria o Batman? Seria o trauma da morte dos pais. Qual seria no meio da run a característica maior do Batman? Como ele transformou, como o Afonso disse, o ressentimento, né, nesse heroísmo, na coisa que ele busca ali. Exato, isso é superar, né?
Eu acho que isso é superar.
Então, mas no final, no final do Batman, se fosse japonês que eu tô falando, talvez A gente teria visto, a gente olharia pra ele e falaria, cara, existe afinidade. Então ele passou por todas essas fases, mas ele não é aquele meio, aquele cerne. A gente não ficou girando na ilusão da mudança. Ele é uma conclusão, ele superou, ele passou, o que que ele aprendeu com aquilo. Agora ele vai ensinar o Robin a ser o melhor herói baseado nos traumas que ele teve, e o Robin vai criar outros traumas.
Mas o Asa Noturna, eu diria mais. O McGuinness, o Batman Beyond, o Batman do Futuro, para mim é um excelente exemplo de como você passa a tocha de um jeito.
Mas a gente não permite a tocha ser passada também, né?
A galera adora o Batman do Futuro, mas vai mexer no Batman periódico?
É porque ele tem 400 mensal, né? Não tem, ninguém compra Batman do Futuro.
É, ele teve seu momento e acabou.
Teve seu momento, concordo que hoje talvez não esteja vendendo mais então, mas Acho que vocês vão concordar que foi uma ideia melhor, porque pra quem não sabe, eu falei isso até no Vilela recentemente. Fica lá o convite pra galera ir lá no Plantão Nerd, que o Buquemi participou. Buquemi, a gente tava lá falando de Batman, Betão, de Batman, ó. E eu tava lembrando da história do Batman do Futuro, né, que os cara, o trabalho deles assim, olha, faz a ideia de fazer um Batman jovem.
Porra, que merda, Batman era isso? Tipo, puta, vou ter que refazer o Batman, o nego não vai gostar, o Batman precisa sair da zona de conforto. Porra, vai mexer no cara. E se a gente fizesse um Batman lá na puta que pariu no futuro? É um outro moleque, a gente deixa o Batman intacto, tá? E aí deu super certo, na época deu super certo. Mas eu concordo que, tipo, também as coisas têm o seu momento. E eu não sei pra onde as histórias do Batman foram também, pode ter sido isso.
Às vezes a ideia é muito boa, mas a qualidade das histórias foram caindo e a galera parou de comprar.
Falando em DC, eu não sei se vocês lembram que quando o Kurt Busiek propôs Reino da Manhã Deu uma merda gigante lá na DC, porque eles falam assim, como assim nós vamos botar filhos pros heróis e não sei o quê? Aí o Kurt Busiek falou assim, não, nós vamos colocar os filhos e os filhos vão ser um bando de filho da puta, entendeu? Aí o cara falando, como assim eles vão ser filho da puta?
Você tá doido?
O que que você tá fumando, cara, me dá um desse? Aí não, aí fez aquele sucesso, porque saiu da zona de conforto, colocou os filhos dos heróis um bando de babaca, né?
E os heróis, entre aspas, né?
É como se fosse a juventude se espelhando nos antigos, só que sendo aqueles Paulo e Cuca que a gente viu, né, no Reino do Amanhã, né? E o Shazam, cara, ele queria ser o líder de tudo, né? Mas tem um dedinho do Luthor ali. E saiu dessa zona de conforto, saiu dessa zona de conforto que a gente tá sempre dentro dela, né? Que não Não pode mudar o personagem, não pode mudar o câmera.
Vou tentar trazer para a área do Nortinho. Vamos lá, vamos tocar no outro assunto sensível que é Star Wars, a nova trilogia de Rey. Rey, I am also Jedi, son of the Skywalkers. Ela, né?
Nossa Senhora, velho, que horror!
Foi uma merda, né? Foi o Matei na hora aqui. O gato até foi embora, vocês viram aqui?
Voou longe.
Caralho, deixa, me deixou, brother. Aqui parece que eu matei um gato, cara. Eu acredito que tudo poderia ter sido resolvido, tudo poderia ter sido resolvido nos Star Wars da Disney. No seguinte filme então, você— ah, eu quero, cara, a gente tem que— o Mark Hamill já tá com, na época tava com, sei lá, 60 e pouco. Vamos fazer que ele é até um pouco mais velho, 70 anos, que Essa tocha tem que ser passada, brother. É o que aconteceu com Obi-Wan.
Obi-Wan treinou o seu pupilo, por aí vai. Eu acho que quando essas coisas funcionam, a exemplo do Batman do futuro, é o seguinte: você quer apresentar uma pessoa nova, todo mundo que é novo chegou no trabalho, chegou no podcast, entrou uma pessoa. Norton, quando chegou na MRG, chegou na MRG, a galera: e quem é esse garoto aí? Vamos ver quem você é, garoto.
Mostra o que você tem para nós.
Exatamente. Né? E aí o moleque teve que provar o seu valor. Mas o que que faz essa transição?
Ainda tá tendo, para mim não provou ainda não, tá?
Faz um bocão aí. Essa transição é imprescindível que haja a parceria com a galera que criou aquela parada. Existe essa dinâmica. Vários filmes que quando dão certo, obras quando dão certo, faz isso. O Batman do Futuro fez isso ali. O que aconteceu é que em vez deles respeitar o velho, que é um ícone para a galera, porra, de 40 pra cima. O que eles tentaram fazer é tipo assim: isso aqui que você amava, ó, isso aqui é um velho babão.
Ele era um cara que tinha... enxergava a esperança em todos. Ele foi o cara que nos desistiu do pai e fez o quê? Não, ele queria matar o sobrinho quando o sobrinho tava dormindo. Ele foi o seu herói da infância, não sei o quê? Não, ele bebe o leitinho do monstro e é nojento. Agora a Rei é foda, ela não precisa de treinamento. E aí você cria essa desconexão, você tá cagando em tudo que a pessoa amava. E é uma burrice tremenda. Era só você falar, cara, eu passo a tocha pra você.
É como se quisesse fazer assim... E aí tem todas as questões ideológicas, políticas, que fica pra galera que quiser debater. Mas a passagem de tocha, ela funciona, na minha visão, quero saber de vocês, funciona pra audiência quando ela é uma cooperação. Uma cooperação. Não é tipo, você é velho, tchau. A não ser que o objetivo ali da história seja um, né, uma coisa de Sith, vou matar o meu mestre e agora eu sou a parada. Então o que que você acha, Nortinho, desse exemplo aí?
Pra mim, a trilogia nova de Star Wars, o grande pecado dela é não ter reunido os 3 heróis clássicos antes, assim, sabe? Deixar um pra cada filme, mano, claramente assim, primeiro, isso claramente é uma ideia ruim, claramente é uma ideia ruim. E aí, bom, depois a Carrie Fisher Falece e tudo mais. E aí não tem como colocar ela no terceiro filme. Aí vira essa bagunça, que já tava tudo bagunçado. Isso, pra mim, é o grande pecado, assim, cara.
Tava todo mundo ali vivo, todo mundo ali bem e tal. Dava pra você ter feito isso. Agora, na minha visão, mesmo não gostando do filme 9, principalmente, eu acho que essa passada de tocha, eles fizeram errado ao... Porque ele... Como é que eu posso dizer isso? Essa parada do velho babão... Que você falou, parece que estão chamando os velhos de babão. Eles não estão fazendo isso. O problema... E aí agora... Não, eu acho que eles deixaram até meio que complexo demais, assim.
Tinha que ser mais bobo. Tinha que ser assim, o Luke chegar e passar, olha, tô aqui então. Olha, eu sou um Jedi, estou passando pra você o próximo manto de Jedi. Quando você começa a exigir que o cara pensa, mano, se a gente botar uns traumas nesse cara aqui... Os traumas que a gente já tinha visto. É o erro que o George Lucas percebeu na trilogia prequels também, sabe? Se você deixa complexo minimamente mais, vai ficar: Ah, mano, mas aí o Anakin tá chorando, meu.
Como assim? Darth Vader chora? Isso não é coisa de velho babão? Isso é coisa de velho babão. Então chegou na trilogia sequels, os caras fizeram uma... Você pode gostar ou não, mas ela não é simples de você interpretar, não é. O 7, 8, o 8 principalmente.
Você não acha simples? Ele é um cara que não é o herói que você cresceu e... Nós, né, no caso aqui, nossa geração cresceu inclusive com livros, né, Beto, né, é boquê, com jogos, com tipo assim, olhando a sua história, a história do Luke. O Luke inclusive ele foi falho também nos livros, ele, porra, flertou com o lado negro, ele fez isso, mas ele tinha, meu irmão, ele era uma coisa importante. Existe um símbolo ali que eles, cara, é isso, é boboca, quando ele está com fogo lá nos documentos, que a galera gosta, o Luke manda o o sobrinho matar a filha lá, tudo bem, os dois filhos da Alessia matar.
Ele fala: mata o seu irmão, igual falou para ele.
É a mesma coisa aqui, cara. Eu não acho que é a mesma coisa. De novo, eu também não acho que os livros são perfeitos não, e tem essa questão do canônico que não valeu e por aí vai. Mas o meu ponto é assim: você no filme tem o bagulho tacando, eles tacam fogo nos documentos, entendeu? Existe um objetivo ali. O Yoda fala assim: Ele fala, ele não taca, os documentos não estão aí. O que era importante, sim, mas porque depois o Johnson muda, né?
Não, tá no final. O Yoda, ele fala isso para o Luke, tudo que a menina precisa ela já tem, que são os livros, ela roubou.
Ele não taca fogo, eles pegam lá e fala, os ancient documents, você não acha que são símbolo?
Ah, tá, ela já levou embora. Ele fala, mano, você quer tacar fogo então para você ficar revoltado? Então taca fogo.
Ah, então eu tô errado, entendi, não tinha nada ali dentro. Tá?
Não, você acha que só é o seguinte, ela abre a gaveta da Millennium Falcon, filme 9 abre com ela lendo os livros lá.
Eu não vi o 9, eu não vi o 9, por isso que eu quis dizer, os caras foram mudando a história. Mas é o que eu tô te falando, o J.J. começa um bagulho, isso é notório, depois que eles divergiram, beleza, você fala, depois o cara mudou, é, ele falou não, não era bem isso não, ele fez. Mas quando ele taca fogo no bagulho, o que eles estão tentando dizer é tipo assim, esquece tudo que você gostava, garotão, Agora é vida nova. E aí tá lá o velho babão chorando. Eu tô tentando abordar o papo.
É que literalmente não é isso, sabe? O filme explica o que tá acontecendo, ele fala com palavras. É por isso que eu tô falando que o grande erro do filme 8... É, eu não gosto do Luke ranzinza, não gosto. Mas o grande erro é achar que todo mundo assistiu pelo menos 1, 2 e 3 e entendeu que Ordem Jedi não é só o Luke com o sabre, né?
Sim.
É uma organização que era gigantesca, que toda a galáxia ficou olhando pra ver o que tá acontecendo, que tem gente que vai tentar impedir, tem gente que não vai. Naquela época era uma organização com 10 mil pessoas. Hoje era um cara só. Um cara e um bando de crianças que ele tava treinando. O filme exige que você saiba que o Luke lidou com isso. Lidou com aquilo que você viu no 1, 2 e 3. Ele exige que você saiba que o Luke entendeu depois o que é um peso de ser um Jedi.
Que o próprio George Lucas coloca lá. Que não é só, ah, eu sou um Jedi como meu pai. É a Ordem em si. Ele exige muita coisa. E aí, pra mim, é o que a gente precisava de um filme simplificado.
Tá bom, tá bom.
Eu tenho nesse assim, galera fica brava, eu odeio o filme 9. O filme 9 para mim é uma lástima assim, é o descontrole total assim, uma lástima, é cada um puxando de um lado, mas nessa questão de renovar, de passar o bastão para frente, dava para ter feito um pouco melhor assim, sabe? Dava para ter feito minimamente mais interessante.
Me vejo obrigado a concordar com palestrinha.
Eu queria fazer um adendo nessa essa discussão de vocês. Existe uma série de estudos que eles chamam de fan studies. Se as pessoas quiserem procurar, procurem sobre isso na internet, que é um monte de psicólogo, um monte de gente que estudou a relação dos fãs com obras, né, em geral, e de todos os sentidos: colecionismo, quadrinho, tradução de personagem para outra mídia e tal. E tem uma pesquisadora que é Svetlana alguma coisa, tá? Não vou lembrar o nome dela.
Ela fala de uma coisa, para lembrar o nome disso, lembrou o primeiro pelo menos, parabéns.
É porque Svetlana é muito, parece que você tá zoando, né? Parece que você tá zoando, aí só quer o nome da mulher. E aí ela definiu que tem dois segmentos nos fãs. Você tem os fãs que se apegam muito a uma coisa chamada nostalgia reflexiva Que são aqueles fãs que apreciam com muito carinho as bases que talvez tivessem transformado o personagem em sucesso, mas que compreendem e aceitam a mudança e a passagem do tempo. E existe um fã que é... ela chama de nostalgia restaurativa, que ele quer que o passado seja reconstruído e principalmente cristalizado.
E recusa O progresso da história, do personagem, da vida. Então assim, se mantém estético numa base. E se você pegar vários estudos assim desses fan studies, você vê que existe muito essa parada da gente olhar e falar assim, cara, esse é o meu personagem. Esse é o personagem que eu me apaixonei por ele. Ele não pode mudar, porque é quase que como uma quebra de contrato minha com essa empresa que tá fazendo isso, porque porra...
Eu cresci com esse cara, esse cara moldou a minha personalidade através dos traumas dele, das coisas dele. Eu tenho uma tatuagem do Super-Homem, por exemplo. E aí você muda, você vai falar assim: pô, velho, você desmereceu a minha tatuagem, e agora? Eu tenho tatuagem, vai, o Super-Homem vira um escroto do caralho. Porra, eu tenho uma tatuagem, que sacanagem que tu fez comigo. E eu já sou contra, eu gosto da ideia da evolução, eu gosto da ideia do, cara, vamo seguir em frente.
Mas olha só o que cê falou. Evolução é uma coisa, reescrita é...
como é que é a estratégia?
É diferente, né?
Então assim... Mas é porque o exemplo do Star Wars é assim, dois caras brigando entre si, querendo contar a sua própria história.
Ali na trilogia da Disney, né?
É, o dono do Star Wars deixou isso acontecer, o cara faz o primeiro filme, o segundo entra e fala, vou fuder ele, vou zoar a história dele. E aí depois chama o primeiro de novo e fala, cara, vou pegar o que o cara... Desconstruir, aí é tipo assim, é muito zoado. Mas eu penso muito assim, o fã ele não deixa, é um desrespeito a ele, tá?
Sabe? Olha aí, Rodney.
Eu acho que o argumento do Beto tem sentido, porque é o seguinte, quando você gosta de um personagem é porque você se identifica com ele em certo ponto, né? Tem alguma coisa ali no caráter dele e tal que faz com que você lembre a você. Ou alguém que te inspira, ou alguém que fez parte da sua vida, que deixou ali uma marca, né?
Perfeito.
Então eu acho que quando há uma mudança, a gente fica desconfortável. Agora, quando há uma mudança pro bem, a gente começa a se adaptar a essa mudança.
Mas o que que é pro bem, Rodney? Quem julga o que é pro bem?
Porque Harry Potter, Harry Potter, Harry Potter, Harry Potter, ele começa uma criança.
Ele vai crescendo e termina a série de livros como um adulto casado usando jaqueta de Harry Potter.
É uma jornada de finitude, é uma jornada que a gente deixou ela acontecer. Quando a gente olha para os heróis, principalmente para os heróis, né, acho que é o grande, a grande dificuldade são nos heróis, né. Parece, e eu sou a favor de ir em frente, de mudar, eu não tenho problema quando muda, mas assim, parece que as pessoas, parece que existe uma amora emocional que não permite que mude. E mais, olha só, veja se vocês concordam comigo.
Quando a gente olha principalmente para os heróis, para Marvel, para DC, para essas coisas todas, nós estamos falando de propriedades intelectuais que são de uma empresa, né? E nós como ocidentais, nós temos, nós somos acostumados a ver isso ser o modelo do negócio. Quando você olha pro mangá, o mangaka, que é o dono da história, ele é quase que uma deidade que vai contar aquela jornada.
É o artista.
E o final... O artista. E o final é a catarse, né? Tipo, e você pode não gostar. Pode. Chainsaw Man teve um final muito criticado.
Mas também, na verdade, ninguém lê ele a sério, né? Chainsaw Man, pô. Aí também é um negócio meio zoado.
Eu gosto muito, eu não vi, eu não sei se mudaram no anime. É?
Ele é massa, eu assisti o mangá.
Eu não sei se mudaram no anime e tal, não sei o quê, mas assim, eu li o mangá. Mas assim, o cara fala, gente, esse é o final, lidem com isso. O outro que teve, o Attack on Titans, maravilhoso. Isso, Attack on Titans pra mim é espetacular, cara. Um dos mais legais que tem. Mas o final foi muito criticado também. Mas faz parte da jornada que o artista queria contar, cara.
Mas são duas coisas diferentes, uma coisa é o final. Que a gente pode discordar inclusive do artista. Achei muito legal pontuar. Outra coisa é quando você modifica a estrutura desse personagem a ponto de que ele para de ser reconhecível até.
Então acho que quando cai nisso, né, você tá querendo falar, o personagem perdeu a identidade, deixou de ser aquele personagem.
Mas vocês não acham que tem uma questão meio, meio porta de entrada também? Depende muito, como o Roger falou, né? Você pode se identificar ou não. Eu não acredito muito que você se identifique com um personagem pra gostar dele. Mas você tem alguma coisa ali que você gosta desse personagem. E geralmente é meio que do ponto que você entra, né? Você começou a ler Batman, você começou a ler tal, tal, tal. Você meio que pega daquele ponto.
Vou citar um exemplo. Eu comecei a ler Homem-Aranha, cara, na Saga do Clone. Tá ligado? Foi meus primeiros contatos assim, vou lá comprar o gibizinho. Tava torando Saga do Clone. E qual que era a parada que depois, anos depois, 25 anos depois da vida assim, que eu pensei, por que que eu gostei tanto? Porque era um cara perdido tentando recuperar sua própria identidade, não sabendo o que ele é, o que ele vai ser, o que ele já foi, que era o Ben Reilly, né, que era o clone do Peter Parker assumindo como Homem-Aranha principal.
Então era muito assim, como agora você imagina eu ali pré-adolescente lendo um cara confuso tentando se se reconhecer como ser humano. Pô, pegou muito para mim, pegou muito para mim. E aí é um dos meus Homem-Aranha favoritos. Agora, eu tenho certeza que vocês não têm essa mesma ligação com Aranha Escarlate, mas é porque também eu tenho, entendeu?
Usando esse seu exemplo, que é muito bacana, e na escrita a gente— e o Dudu uma vez veio aqui, Dudu Espor, eu e ele, a gente conversou sobre essa parada. Os personagens arquetípicos, os personagens que eles servem a um molde de personalidade, né? Esse personagem ele representa a honra. O Aragorn, o Aragorn é um personagem incorruptível, brother. O, né, o Sauron ele pode apresentar, olha, você vai viver para sempre com a Arwen num globo mágico, vou fazer, ele vai falar não, não, ele não vai ser corrupto, né?
Mas é um personagem que tem um propósito naquela história, que é muito bem contra o mal, né? Muito maniqueísta. O Senhor dos Anéis, assim como é Star Wars também. Mas ele tem, como o Beto falou, é um, é um, acaba, a história acaba, ela termina. O problema quando você joga para o super-herói é que você tem que fazer, como eles viciaram de certa maneira o mercado, e talvez seja hora de mudar, tem uns que mudam, né? Mas o mercado ele fica nessa coisa de temos que reciclar.
E o garoto novo, a menina nova que vai entrar para ler O Homem-Aranha, ela não vai se identificar com o cara que é casado, vai casado com a filha, com a MJ. Então a preocupação dos caras, tipo assim, pô, e aí a gente faz um novo Homem-Aranhazinho que é adolescente enquanto Peter Parker tá ali para vender para os cara que são casados, que tem 30 anos? Não, não, vamos resetar tudo com Mefisto. Mas aí você também perde o cara de 30 e poucos anos.
Você fala, pô, o cara, eu não quero mais ler o Homem-Aranha na escola. Ah, mas a molecada quer. Então você criou um problema para você. Isso aí eu acho que é um problema cíclico, né?
É um problema que toda geração vai acontecer.
É. E você tem um outro problema que é quando você muda personagem, por exemplo, lembra quando o Super-Homem rolou um reboot bizarro que ele virou um personagem elétrico?
Foi logo depois da morte, né?
A morte do Flash.
Mas ali teve um motivo específico, né?
Na verdade, então não, mas olha só, olha só, olha só, porque O que você tá falando, o Super-Homem Elétrico faz parte do Ciborgue, do Aço e tal, depois da morte dele. Aí eles fazem todo o arco da morte e assim, me parece que é uma coisa que o fã permite.
Porra, não permitiu, foi um desastre.
Não, olha só, olha só, existe uma mudança circunstancial, que é o quê? Eu vou fazer a mudança, é porque assim, cara, o Super-Homem Elétrico, você descobre ao longo da história que não era o Super-Homem.
Exato.
E não é porque não tá, depois que foi rejeitado.
Ih, meu irmão.
Ih, deu ruim, deu ruim. Não, não acho. Não, não acho porque... É tipo a Leia e o Luke que não, sempre foram irmãos.
E quando eles se beijaram?
Não, não é. Afonso, eu não acho que isso...
Olha que legal, as sábias luzes.
Não, a morte, o funeral, o retorno, você lê tudo, você entende o que eles estavam construindo. Por quê? Porque eles... É a mudança circunstancial. Aí eles depois voltam. O Superman volta. A única diferença quando o Superman volta é que ele tem um cabelão, um big black.
Porra, para mim é o ótimo, mano, entendeu? Adorava o mano.
É isso, linda. É a permissão novamente, é o cara, é o Stan Lee de novo. É assim, vai, muda, tira característica. Inclusive tiram com Elétrico, com Ciborgue, que a gente não sabia o que que era o Ciborgue, né, até revelar a parada toda.
Para mim foi meio que tipo, nego, não, agora vai, meu Olha que loucura, agora o Homem-Aranha vai ser o Homem-Aranha Elétrico.
Mas deixa eu perguntar assim, vocês acham que tem diferença dessa parada, por exemplo, do Superman? Separou em dois, aí beleza, depois explicam que não é. Mas inicialmente, pelo menos a divulgação era tal, o cara pode ter planejado isso depois, isso é outra questão. Mas vocês acham que é diferente uma coisa assim, separamos o Superman em dois, do que, ó, Superman morreu e esses são três novos Superman? Ciborgue, Superboy e o Aço.
Vocês acham que a gente é mais propenso como fã a deixar isso acontecer quando são novos super-heróis pegando o manto daquele do que o Superman virou dois, sabe? Quando essa mudança vem diferente.
Sim, como a gente tá explicando no Batman Beyond. O Batman Beyond deu certo porque não era o Bruce Wayne, era um novo Batman.
Mas mesmo o Bruce Wayne estando lá, ele tava lá, mas o negócio é que é um novo Bruce Wayne.
Exatamente, o Bruce Wayne não deixou de existir.
E não deixou de ser como ele é, nunca vai mudar. Tipo assim, eu quero que você morra nesse trauma amargurado pra sempre, você não pode mudar, porque você é a minha âncora emocional. Sacou? Tipo, é isso que o filme é.
É que ali no Super-Homem também tinha uma questão que é o seguinte, uma coisa é o velho passar o bastão para o novo, outra coisa é o velho ser substituído à força, que foi o caso do Super-Homem. Se eles tivessem seguido como a galera achou que fosse acontecer, morreu o Super-Homem. Toda a identidade da parada foi essa, a grande propaganda, ó, morreu. Agora temos que decidir, era briga dos novos Super-Homens para decidir quem era o verdadeiro Super-Homem.
Aí os fãs, os fãs, meu irmão, isso tem que ser estudado. Tipo, os fãs começaram a escolher, não, esse é o verdadeiro Super-Homem, é esse, não, é o Ciborgue, por isso que é horrível, não, é o Superboy, por aí vai. Depois a gente foi descobrindo quem era quem e tal. Mas ali eu acho que houve, tinha uma amargura do fã do tipo assim, tá, eu posso até gostar do, sei lá, do Superboy, mas porra, o Super-Homem morreu. É diferente do, sei lá, um personagem que ele— eu fiquei velho, agora você será.
Tipo o filme do Zorro. O filme do Zorro eu acho que é um ótimo, bom exemplo também. Ótimo, bom exemplo é foda. É um bom exemplo que o Zorro é o Hannibal lá, o— como é que é o nome dele, caralho?
Anthony Hopkins.
O Anthony Hopkins. Estamos falando do filme com a Catherine Zeta-Jones e o Antônio Bandeiras, galera. Exato. Começa com o Anthony Hopkins como se fosse nos anos 60 lá no México, aquela coisa toda. E o cara fica velho, brother. Aí vem o Antônio Bandeiras, que é arrogante. É a dinâmica clássica. Arrogante, sabe tudo, fodão. E o cara treina ele. Quando chega no final do filme, meu irmão, tu comprou que o Antônio Bandeiras agora é o Zorro.
Se não tivesse essa transição bacana, eu acho que essa passagem ia ser mais difícil.
É a história bem contada. É aquele ponto que eu cheguei, que eu falei de tipo assim, quando ela, quando É, esqueci que eu tinha falado anteriormente, mas quando ela é bem contada—
Na verdade, a falta do Didi Braguinha, temos Rodney.
Temos o senil aqui, o idoso.
Você tem essa desculpa pelo menos.
É que eu tenho 50 anos, 51 já não é tanta coisa, né? Quilometragem tá bem rodada também.
E depois da aula de aeróbica também você ficou diferente, você perdeu um pouco.
Então quando é bem contado isso, eu acho que funciona. A gente aceita, a gente compra. Agora, quando você simplesmente joga, fala: não, o Antônio Bandeiras agora é o Zorro. Mas pera aí, não tinha um outro?
Exato. E principalmente quando dá errado, quando o novo zomba, zomba do antigo.
Exato.
Você não sabe de nada. O Batman do Futuro, o Maguinho zoa o Bruce Wayne no começo, mas depois ele respeita, ele entende que, brother, Eu preciso aprender com essa pessoa.
E isso é maneiríssimo, porque tipo, o que que o jovem faz de quando ele tá entrando na vida adulta, né, se achar, achar que a geração passada foi, né, isso aí, vamos mudar o mundo, vamos não sei o quê. Aí você aprende que rebeldia é bonita até 26 anos de idade. É porque você entende que é, mas porque você entende que a experiência, a estrutura passada, isso tudo, cara, vai te ajudar a seguir em frente. Mas você tem que aprender com os erros do passado, né?
Outro exemplo bom nisso que a gente tá falando O Aranhaverso, cara, o Aranhaverso, perfeito. Você tem o Miles Morales que tá chegando ali também, pô, é o novo Homem-Aranha, caralho. Mas no desenho você tem o Peter Parker que tá passando pela sua transformação também, o caralho. E ao longo da bagulha ele fala, nice job, kid, bom trabalho, garoto. E você que, vamos dizer, né, cresceu com Peter Parker, você fala assim, porra, é isso, mete bala, Miles, agora é contigo, vambora e tal.
E o cara novo cria essa conexão com o passado que vai fazer ele ser melhor agora como o principal.
Mas a gente ainda não deixa o Peter Parker mudar, né? Isso é muito doido assim, tipo...
Mas ele mudou ali de certa maneira, ele tava amargurado.
Então, mas são sempre em momentos específicos, sabe? É tipo Batman. É tipo assim, por exemplo, essa parte agora do mordomo, né? Da mordomo.
Fala sobre isso.
Do que que a gente tá falando? Vamos lá, vamos nessa, vamos nessa.
É, não, a gente falou disso aqui no começo, assim, o Batman agora, o que que aconteceu? Mudou. E como sempre o Batman muda, vai entrar uma nova equipe de roteiro e desenho. Entrou o Matt Fraction. E aí o Batman volta ao 1, mas é meio que 1 sem não ser 1, porque é o 1, mas ele pega o que ele achou legal do que aconteceu anteriormente. Por exemplo, o Alfred, pô, vamos permanecer o Alfred morto Porque quando o Alfred, o Tom King mata o Alfred ali na run do Cidade do Kane, do Bane, foi um choque.
Mas o Tom King é tão foda no texto que todo mundo falou, cara, isso aqui foi muito impactante porque foi construído, foi bonito, foi importante para o—
não, beleza. Então o Beto vai morrer abraçado com o Tom King. Não, não, pode deixar.
Provavelmente tem alguém escrevendo bagulho bom Porra, a gente tem aí, mano. O Scott Snyder virou o Zack Snyder nos quadrinhos e ninguém percebeu, porra.
Caralho. Literal isso, mas beleza, continua.
Porra, não é? O Metal é uma palhaçada, assim. Me desculpa quem gosta, mas pô, pelo amor de Deus. O cara saiu do vampiro americano maravilhoso pra Metal, Batman Metal. Enfim, aí ele escreveu lá, porra, a parada funcionou, foi legal e tal. Aí o Matt Fraction, que é um puta roteirista foda, Falou assim, cara, vou manter isso aqui. Aí ele evolui, aí ele bota, beleza, mas o Batman precisa de um mordomo, tá? Porque o Alfred, no fim das contas, ele era a conexão do Bruce Wayne com a sanidade.
Ele não deixava o Bruce Wayne se transformar em Batman. Era isso que acontecia, era o Alfred, né, que botava o pé dele no chão. E o Tom King explora isso bastante, e a Mulher-Gato acaba virando essa, essa conexão ali no final da run. E aí passa o Tínion, tal, não sei o quê, chegamos no Matt Fraction. O Matt Fraction pega e fala assim, cara, eu preciso dar um ponto na história inteira, meu irmão, do Batman. Não é porque, porque qual é o lance?
Ele fala assim, a gente quer saber da governanta, eu preciso dar esse pilar para o Batman, tá? E aí ele entrega uma mulher que, cara, é completamente diferente do Alfred. E é muito maneiro porque inicialmente todos os fãs falam assim, cara, que ideia Merda, só me dá um Alfred de volta. E as pessoas assim, só me dá um Alfred de volta, eu quero o Alfred de volta, não permitindo, sabe, tipo, o tempo passar, as coisas acontecerem.
Um novo trauma bizarro. O Batman perdeu o Alfred, é um trauma tão grande pra ele quanto ele perdeu o pai e a mãe, velho. Depois de 60 anos, o Alfred sendo a figura que ele representa. E aí o Matt Fraction é tão foda que a galera começa agora, a galera tá assim, caralho, meu irmão, Tá dividida entre— tem uma galera que quer que ela seja Mordomo, tem uma galera que quer que ela seja o novo romance do Batman, mas ninguém mais tá discutindo porque o cara escreveu bem, porque o cara trouxe uma personagem que funcionou na dinâmica nova do Batman.
É, assim, não sendo—
como eu falei anteriormente, se for bem contado, se for bem escrito, bem elaborada a ideia e fechar direitinho, você tem O Reino da Manhã, que é foda pra caramba, você tem o Batman Beyond, que é foda pra caramba, você tem esse novo run aí do Batman.
Mas isso aqui é periódico. Periódico, né? O lugar mais perigoso, porque você pode mexer nas linhas temporais, nos universos, para mexer no periódico.
É, imagina uma série, faz um contraponto, só para ainda, né, que é a única coisa que vende no mundo.
A gente fala de periódico, faz um paralelo. Vamos voltar para sobrinha lá do Pennyworth, mas por exemplo Friends, você pega uma série como Friends, se você no meio da história você vai mudar o apartamento dos Friends Tu fala assim, caralho, brother, é uma coisa muito estrutural. Ele tem que ser, meu irmão, trabalhado. Como foi lá o exemplo que eles trocam de apartamento uma hora, né? Ou então assim, ah, uma personagem vai sair, a Rachel vai sair da casa da Mônica.
Na época foi um puta, caraca, mas eu não quero que isso mude. Então tem um trabalho, um porquê para ela evoluir na história. Quando é assim, eu acho que o fã aceita. No caso da, qual é o primeiro nome da Pennyworth aí, da É, ela é uma mordomo, né? Eu tô chamando de governanta porque eu entendo que a governanta é a versão feminina, né? O certo é governante, aquela pessoa que toma conta da mansão, é uma figura materna, não deixa de ser.
Isso, isso, o certo é governante.
Apesar de tentar uma coisa meio freudiana que você falou, do cara talvez pegar a mordoma aí.
Não, acho que os fãs querem. Agora tem uns fãs que querem que pegue.
Ela é gatinha?
Ela é gatinha. Tem uns fãs que não querem que ele pegue, tem uns fãs que não querem que ele pegue, tem uns fãs que querem que ela se torne uma nova vilã do Batman, inclusive.
Que é o caminho natural, é o caminho natural. A Amina Traje de novo, né?
É, tá rolando. Então assim, mas tipo, a galera tá discutindo o futuro dela ao invés de falar que é ruim, sabe? Tipo, isso já é uma vitória.
Mas legal, acho que é um ponto positivo, né?
Atravessou a barreira, atravessou a barreira. Boa. Porque assim, eu discordo um pouco que tem que ter ter essa coisa do bem escrito, porque a gente como fã de quadrinho, isso eu boto na conta de todo mundo aqui, às vezes a gente não dá esse tempo, sabe? A gente não dá esse tempo.
Mudou, pá, já odeia, já odeia, já não quer. Com a minha âncora emocional, é isso aí.
Ah, cara, mas é uma run de 20 edições, mano. Calma, não sei o quê. Não, não, não, não, pelo amor de Deus. Mudou, já não quero mais.
Mas ao mesmo tempo isso pode jogar ao contrário, pode ser que tenha uma run de 20 edições e seja realmente Acho que teria sido pior se eles tivessem feito o seguinte: ó, a gente vai fazer esse, entre aspas, soft reboot aí que o Beto exemplificou. E nesse soft reboot, o Alfred na verdade agora ele é um garotão de 28 anos, ele é forte, sacou? E ele tem um skate de foguete. E ele, aí você fala: mas o mordomo, o arquétipo, a dinâmica do Batman com aquele, o tutor dele Não é essa, não tá servindo aqui.
Não, mas tem que mudar. É como se você tivesse pegando o Alfred e distorcendo, quebrando ele e falar assim: agora engole, agora o Alfred é isso. É diferente de você. Gente, o Alfred seguiu e agora temos uma nova pessoa. Eu sei que vocês estranham essa nova pessoa, mas vamos dar uma chance pra ela? Olha, ela é diferente, ela não é simplesmente o Alfred de saia. Porque isso também eu acho mega medíocre, quando a galera fala: ah, cara, ela é diferente.
Não, ela é a versão feminina, tipo pobre, inclusive com o feminino. Tipo, o feminino não merece um personagem original. Eu falo isso, puta, preguiçoso. É, eu acho que às vezes é só para fazer um check, que eu sempre disse que acho medíocre. Acho que merece personagens originais. Mas quando é nesse exemplo, pelo que você tá— eu tô entendendo, não li essa run aí, me parece que é uma coisa que tem um contexto que merece uma atenção total.
Ela não— ela, ela traz, sabe, sabe esse Alfred que que a galera não gosta, que é o Alfred, que na verdade é o oráculo do Batman, sabe?
Eu detesto isso.
Então, isso é o que ela é, mas faz sentido ela ser, porque ela é uma mulher jovem que entrou, então ela tem essas características. E o mais legal é que ninguém tá assim hoje em dia, já não reclama, mas reclamaram dela entrar e não reclamaram de onde ela vem, que aí é uma coisa que eu acho que Até vale a gente fazer um episódio pra membros aqui, que assim, ela vem, ela é treinada por uma parada chamada Sociedade da Chave da Meia-Noite, que é uma sociedade secreta que treina mordomos de elite.
Esses são os agentes secretos, bota aí.
E aí o Alfred, ele era tipo um dos membros mais pica dessa organização, ele era um membro dessa organização aparentemente, e eles são treinados.
O Barsi não sabia.
Não, eles são treinados pra fornecer suporte de elite pra heróis e vilões, cara.
Aí é merda isso aí, né.
Então, aí tipo assim, eu tava lendo a parada, tipo assim, caralho, a galera tá reclamando da mulher e não disso? Porque isso é zoado.
Isso é zoado.
Tá ligado?
Totalmente zoado, cara. O Batman é o maior detetive do mundo, como que ele não ia saber dessa porra? É, muito louco.
Pô, mas peraí, historicamente eles precisam fazer o Batman descobrir tudo de novo, historicamente.
Não, mas o Batman, olha só, o Batman...
Isso que eu ia falar, eu ia na Corte das Corujas, mas ela é basicamente, gente, Batman é burro e não viu.
Batman não sabia que isso aqui tava rolando desde muito tempo, velho.
Entendeu?
Ótimo conceito, é super legal. Então, mas o conceito é basicamente, ó, o Batman não viu que tinha uma sociedade secreta controlando ele todo esse tempo. Porra, cara, aí é meio foda, mas funciona porque o arco é bom, o arco é bom.
É inacreditável. Muito bom. É uma das últimas coisas realmente relevantes assim do Batman.
Por exemplo, eu não gosto do Alfred guerrilheiro, essa coisa, essa onda do Alfred de tempos para cá de você reescrever a coisa de que assim, ah, na verdade, meu irmão, o cara sabe atirar para caralho, ele é um grande agente secreto, ele sabe fazer tudo isso. Exato.
É tipo assim, do filme agora do Robert Pattinson lá, que é o Gollum. Você gosta dele?
Eu não gosto, eu não gosto. Eu acho que o Alfred, ele tem que ser o Alfred. Ele, meu irmão, ele não foi treinado. O Alfred, ele era o mordomo de um casal de elite de Gotham, do médico, sua esposa. Eu nem lembro se ela era médica também ou se ela era socialite.
Tipo assim, as duas coisas ela vira isso.
Ele não era um preparado. Eu Fui escolhido para ser o tutor do Batman. Não, brother, ele, aquela porra ali caiu no colo dele, ele virou a figura paterna do Batman. E tipo assim, ele é o cara que toma conta da casa, entendeu? E aí você tem vários que estão, então você tem o Fox, o, como é que é o nome do, alguma coisa Fox, o primeiro, gente, o primeiro nome do Fox é o Morgan Freeman nos filmes do, nossa, só lembro que era Fox também.
Exato.
O Fox é um outro ajudante do Batman, que já é um ajudante que tem essa questão, já tem essa questão, essa questão mecânica, já ajuda ele a disfarçar de onde estão vindo aquelas tecnologias. Então assim, você transformar tudo isso no Super Alfred, eu acho uma merda. Isso eu acho uma merda foda, entendeu? Alfred tem que ser aquele cara que dá os conselhos do papai, que ele não teve a sanidade que o Beto falou, entendeu?
É, então eu acho que isso que Afonso tá falando é tipo, por isso que eu gostei muito, é que eu acho que assim, a gente vem do Grant Morrison fazendo um Alfred. Grant Morrison muito louco sempre, né? Então é um Alfred muito tecnológico, que é esse Alfred que a gente não gosta, espiãozaço também, né? E super filosófico. Aí o Snyder, ele pega e fala assim, cara, vamos dar uma, vamos botar um pouco mais pé no chão aqui. Aí, mas ainda é um Alfred Oráculo.
O Tom King, ele pega e fala assim, gente, o Alfred, ele é a figura paterna que sobrou pro Batman. É isso que ele é. Ele é o cara que quando o Batman se fode toda noite inteira, ele costura os ferimentos do Batman e fala, cara, para com isso, vai dar ruim, bota o pé no chão. Ele é essa figura. E aí ele mata a figura paterna, que faz sentido. E agora o Matt Fraction fala assim, não, beleza, vocês querem o Alfred tecnológico? Só não ser o Alfred, sabe?
Vamo dar um oráculo. Todo mundo gosta do Batman ter um oráculo, né? Eu acho que sempre foi legal o Batman ter um oráculo.
Ele precisa também, o personagem precisa disso.
Mas porra, não o Alfred. Eu tô com o Afonso nessa, é tipo assim, beleza, agora ele tem um oráculo que faz sentido. Uma menina jovem que erra, que é mega inteligente e tal, não sei o quê, mas erra. E aí o Batman, ó, vacilou aqui, vamo melhorar também. E ela tem uma dinâmica com o Damon que é muito foda também, assim, tá bem bom.
Pensando nisso, eu fiquei pensando nisso enquanto você tava falando. Eu acho que grande parte talvez dessa mudança seja que ela seja um Alfred pro Damian, sabe, também. Porque ela pode ser uma espécie de parceira e mentora para o próprio Damian, que é o Robin já faz 20 anos aí, que ele é o único Robin filho do Batman. E querendo ou não, o Alfred era a figura paterna ali e tudo mais, mas o Alfred é meio que o Batman. Batman, né, ligado ao Batman.
Damian tava ali e tal. Talvez ela seja um contraponto interessante para o próprio Damian, que não vai crescer nunca, sempre vai ser um pré-adolescente, adolescente ali. Aí você tem uma menina um pouco mais velha que ele, só que não é o pai dele, entendeu?
No meio do meio do filme, a gente esqueceu que teve um envelhecimento, né, no mundo do Batman que deu certo, que é o Asa Noturna.
Então eles ficam decidindo, né, se ele vai envelhecer ou não.
Asa Noturna já é um herói independente, né?
Ele tem sempre 20 e poucos anos, né? Ele tem sempre 20 e poucos anos assim, para sempre. Então quando ele vira o Batman, não, pô, mas quando ele vira o Batman no Grant Morrison, o Grant Morrison tem que se desdobrar em 3 para botar o Asa Noturna como Batman sendo mais sério, sabe? Com aspas assim, ainda não é o Bruce Wayne, ele é mais piadista e tal, mas ele dá uma envelhecida no Asa Noturna. Aí o Dick Grayson, né, o Dick Grayson vai lá e volta.
O Grant Morrison Cabe muito o Grant Morrison dentro desse nosso debate. Ele, quando ele assumiu o Batman, ele como um escritor diferenciado que ele é— eu não sei se todos concordam comigo que o Grant Morrison é um artista diferenciado, goste ou não, ele bota a mão e é sempre autêntico, é sempre do jeito.
É sempre interessante ver, sendo bom ou sendo ruim.
Ele tomou uma decisão que dentro de tudo isso que a gente tá falando ela é muito interessante. Ele assumiu assim, beleza, então agora eu vou pegar o Batman aqui, 26. Eu vou assumir que o meu Batman, tudo que aconteceu em todas as fases e todas as histórias do Batman realmente aconteceu. Que é uma coisa muito interessante, um desafio do cara pegar e falar assim, cara, isso não é cíclico, você tem que levar o cara para frente a partir do momento que você assume que ele teve todos aqueles traumas que o Stan Lee criou na estrutura, né?
Mas ao mesmo tempo, onde que tá o Bruce Wayne na fase do Grant Morrison em grande parte viajando no tempo vestido de morcego, no tempo das cavernas, vestido de morcego com tanguinha.
Aí vira um negócio, né, cara? É confuso, né? Fala, né? É o tradicional né, né? Eu não sei.
E aí vira bagunça. Mas Afonso, Afonso, a gente tá falando de âncoras emocionais, histórias afetivas, e devemos procurá-las nas artes maravilhosas. Porque olha só, um dia eu vou ilustrar um quadrinho, um dia vocês vão ver a minha técnica, porque daqui a 10 anos— entenda, é porque eu quase fiz uma venda errada. Eu ia falar, eu vou ser um bom desenhista porque eu tô no curso do Rodney, mas não é por causa disso. Porque ele começa o curso dele falando assim, gente, pô, não é mágica.
Eu vou te ensinar o caminho das pedras, mas tu tem que fazer a tua parte. E eu não tô fazendo a minha parte, porque eu tô exercitando uma vez por mês.
Você tá pagando pra ver... Ele tá pagando pra ver o Rodney desenhar, é isso que ele tá fazendo. Ele bota lá, almoçando, falou, deixa eu ver, eu ganho essa MR.
Não, eu tô aprendendo bastante sobre a teoria do desenho.
Teoricamente você tá aprendendo bem.
Ele fala baixinho assim, olha quando o lápis corta.
Não, o Rodney professoral é uma coisa muito engraçada, porque ele tem um padinho dele. É o quadrinho dele.
Aí atrás, a ordem de leilão.
Ele fica— não, não, o quadrinho, Afonso. Ah, o quadro de aula, entendeu? Então você senta assim, aí você fica lá na aula. Aí você quer fazer xixi, eu peço pro Rodney, falo, Rodney, posso dar pausa pra fazer xixi? E ele nunca me responde. Ele nunca me responde. Ele faz, eu já me mijei umas 3 vezes.
Joga uma borracha. Mas toda essa volta foi pra sugerir o curso do Rodney, é isso? Foi para essa sua propaganda que você faz, tá bom?
Então, que beleza, velho, que bela propaganda! Então vocês estão vendo aí que a culpa não é do professor, a culpa é sempre do aluno, tá? Se o pai falar que a culpa é do professor, você fala assim: não, a culpa é minha, papai. Então meu curso tá lá na plataforma Hotmart, é um curso de desenho que vai te ensinar do zero a desenhar tudo, tudo, tudo que você quiser desenhar você vai conseguir desenhar, ou não, mas você tem que se dedicar, tá?
Então tá lá na plataforma Hotmart, é só procurar lá. Quem quiser mais informações Na minha bio do Instagram, que é @buchemi_art, tem um link lá pro site que vai te dar todas as informações de todos os cursos que tem lá. Beleza?
Excelente. Dá pra botar também no Google assim: curso de desenho do Rodney Buchemi. Tá escrito aí, o Léo escreveu, é Buchemi, galera, tá? B-U-C-H-E-M-I. Isso.
E tem também a lista de commissions abertas pra CCXP. 2026, tá? Quem quiser é só entrar em contato aí pelo meu email, que é meu sobrenome, @gmail.com.
Mas comissiona, deixa eu dar uma dúvida, porque tem gente que consegue recomendar. Você fala assim: oi Rodney, você não sabe que sou eu, tá? Fiz com sotaque paulista, mano.
Não é o Afonso aqui.
Oi Rodney, tudo bem? Eu sou um fã seu aqui, conheci você no MRG, e eu queria saber se você pode me desenhar vestido de Leia. Eu sou muito fã da Leia, sem julgamentos. E você faz todo tipo de commission, ou seja, você pode desenhar uma pessoa com o personagem que ela quiser, só um com— eu quero esse personagem lutando contra aquele personagem, eu quero uma homenagem à minha mãe vestida de princesa do poder.
Isso eu quero algum dia, homenagem eu gostaria de fazer algum dia.
Quero meu pai de Conan, quero— o cara pode ser fã do— por exemplo, eu já recebi, o Beto sabe, recebi algumas fanarts, né, Beto, ao longo do MRG. Eróticas, né? É, rolaram algumas. Você faz isso também, por exemplo, o cara é fã do Norton, aí fala assim, eu quero Norton pelado, sem camisa.
Não, pelado, pagando bem, não tem mal nenhum, cara.
O Norton como o Luke, aquele quadro, leva a botar o cartaz clássico Star Wars, que é o Luke Skywalker com a camisa rasgada e a Leia agarrada assim na perna dele. Isso, mostra o Luke aí. O cara fala assim, eu quero que você desenhe o Norton do MRG seminu, eu agarrado aqui na, eu agarrado, agarrada na perna dele. Você faz também?
Fazemos também, cara. Só mandar referência, faz, manda referência do rosto, do corpo, deixa comigo.
Maneiro.
Então é isso, pode pedir desenhos encomendados, você pode pedir, tá? Tem lista aberta para o FIC 2026 que vai ter aqui em Belo Horizonte agora em novembro, e para CCXP também. 2026 estarei lá lançando quadrinhos novos, hein? Fica esperto.
Sim, finalmente coisa nova.
Esperamos coisas novas chegando aí.
Nortinho, além da MRG, você tá também no seu canal?
Pois é, então joga aí no YouTube, Spotify também. Norton Domingues é o meu nome, não é difícil de encontrar. Eu tenho dois canais, o canal principal é sobre Star Wars, tá saindo bastante coisa agora, né? Novo jogo, a gente cobriu o Zero Company, que é o novo jogo de Star Wars da galera do XCOM.
O 3D falou que é foda, hein?
3D falou, é muito bom, é muito bom jogação. Ano que vem agora tem Ahsoka, segunda temporada, tem filme do Ryan Gosling. Então a gente tá comentando tudo isso lá no canal. Tem o meu canal secundário também, que é o Lab, é L-A-B. Só colocar L-A-B Norton, você encontra lá também. Lá eu falo sobre Marvel, sobre DC, já é mais separado de Star Wars. E Instagram, TikTok também é tudo Norton Domingues. Então você pode me encontrar basicamente em quase todas as redes sociais.
Excelente!
Você faz dancinha no TikTok com o sabre de luz?
Só se pagarem. Eu abro live lá, eu pego o sabre de luz e, ah, obrigado pela rosa, e faço uma dancinha.
Pode mandar um buquê então?
Galáxia é o mais caro.
É, não acho mais caro.
Pode deixar.
Nossa, que beleza!
Eu queria trazer um personagem que nasceu nos anos anos 90, meio que foi caindo para mediocridade.
Ninguém lembra muito. Não, sossega aí, menino. O Norton falando que ele nasceu— tudo bem, você nasceu nos anos 90, mas fica quietinho aí. Deixa o papai ali, vai.
Ó como é que os velhos tratam os novos.
É, tá vendo essa passagem de tocha?
Essa animosidade.
Tudo bem, vocês vão todos morrer, eu vou ficar com emergência.
Tudo bem, isso é verdade. Você herdará esta pocilga e duas merdas de de futuro que você vai ter. O Norton vai ser o Professor Xavier para os nossos filhos, Beto.
É isso que vai acontecer, entendeu?
Ele vai herdar as crianças do MRG.
Vou te falar, você vai passar um perrengue com o Lorenzo, tá?
Desculpa, porque Herdeiro é uma merda, Norton. Herdeiro não se esforçou para construir, entendeu? Então é uma merda.
É, falando do Batman, mas eu vou justamente para o— eu vou para os anos 90 porque assim, um personagem que quando surgiu Ele era inclusive meio que uma cópia, uma zoeira, um espelho de outro personagem de outra casa editorial. Ele te fazia uma graça, era um cara meio assim, fazendo um sarcasmo aqui, uma piadinha aqui e ali, não sei o quê. E quando ele tava indo pra— ah, tá bom, esse cara aí ficou aí, tem até um uniforme legal, mas ficou.
Começaram a falar assim: não, mas ele sabe que tá numa HQ. Ah, ele sabe que tá numa HQ? Como assim? É, ele às vezes fala com o leitor. Ah, ele fala com o leitor? É, e ele, porra, ele é imortal de vez, ele não morre de jeito nenhum.
Nem a morte quer ele, nem a morte quer ele.
É, tamo falando do Deadpool. Deadpool, ele foi salvo por essa transformação que meio que, meu irmão, é quase irreconhecível. Você vê as primeiras histórias do Deadpool, ele não era essa coisa pernalonguica que ele virou, né? Mas deu certo. Será que tem alguém aí fora que é purista de Deadpool. Eu gostava quando ele era um mercenário. Eita, não tem ninguém.
O fã, ele é purista do que ele se conecta.
Pois é, ninguém se conecta.
Ele não é purista do purismo, não é isso.
Por ser purista, né?
Ele não é purista, ele é purista do que ele quer. Portanto que se mudar o que ele quer, ele não vai gostar.
É tipo purista, como se tivesse um purista que gosta do Batman com pistola, né?
Isso é ser purista. É isso, é o Batman usar arma.
É o Super-Homem que pula os prédios, né? É o Super-Homem que mata contra os mafiosos. Entendi. Tem mudança. Eu lembrei do Deadpool por isso. Tem mudança que serve, cara.
Que tem, tem. Mas é uma evolução. Você sabe o que você tá falando aí? Eu me lembro de um dos personagens favoritos de Afonso Pois quem me apresentou foi o Afonso, lá nos anos 90, o senhor Savage Dragon.
Pô, muito foda.
Adoro o Savage Dragon.
Então, o Savage Dragon, o Eric Larson criou ele ali no começo dos anos 90. E hoje o Savage Dragon está morto, cara. O Savage Dragon é o filho dele.
É o filho dele.
A parada evoluiu. Então é tipo assim, é uma história que não ficou na ilusão.
Exato. E ele também era um personagem que ele evoluía cronologicamente, corretamente cronologicamente. Conforme os anos foram passando, o Eric Larson foi envelhecendo ele. Então ele morreu quando ele tinha, sei lá, 60 e poucos anos.
É, não, ele tem filho.
Que pra idade do planeta que ele tava já era milênios praticamente.
Cara, o Savage Dragon é um que foi muito— não, mas Savage Dragon é na Terra.
É na Terra que ele mora?
Não, ele é um alienígena, ninguém sabe.
Ah, ele tá, entendi.
Não, mas ele tá na Terra, ele tá na Terra. O filho dele É terráqueo.
Exato, eu tô falando da questão da idade fisiológica dele, da espécie dele, entre aspas, né?
Outro personagem que envelheceu também, quer dizer, envelheceu visualmente muito pouco, mas que a coisa andou e avançou, e hoje posso estar enganado aqui, mas acho que atualmente ele está no inferno, é o Hellboy. Hellboy também é um personagem que morreu onde ele deveria ficar. E meu irmão, os outros personagens foram avançando lá em cima e tal, a coisa foi andando, mas o Minhola foi embora. A vida seguiu, a vida seguiu, a vida seguiu.
E ah, tudo bem, faz sentido se um dia ele voltar, até faz, mas as coisas assim tem consequência. Não é como se tipo, galera, houve um grande reboot no universo do Hellboy. O próprio fã falou assim, reboot, que merda, não tem reboot. O Hellboy tem que acabar quando o Minhola morrer, né? Quando o Minhola morrer Ele tem que deixar pronta uma história de final do Hellboy.
Vai ser a história do— e ele tem, como é que é o nome do criador do Tintim?
O GV, o nome é assim, não é?
Enfim, o criador do Tintim, ele deixa uma carta escrita tipo assim: o Tintim acabou, depois de eu morrer eu não quero mais Tintim, acabou o Tintim, vamos fechar, é isso aí. Ele vai túmulo comigo. A editora falou: agora que você morreu, você não pode contestar que eu vou continuar com Tintim. E continuou com vários outros autores, e tem alguns que tem umas histórias elogiadas e tal.
Mas é isso também, continuou com os filhos dos caras.
É, exato. Mas ele pelo menos deixou, né? O RG não deixou.
Rapidinho para o meu lado, Bárbaro do Conan, por favor.
Mais uma vez, Conan.
O Conan, ele foi publicado na Marvel Depois perdeu os direitos, foi pra Dark Horse. E aí a Dark Horse recontou um monte de histórias que já tinham sido publicadas.
Bem lembrado. É.
Cara, eu não curti, né. Eu não curti muito porque, pô, vai fazer de novo outra versão? Pô, Torre do Elefante tem 5 versões.
Não, tu não curtiu porque não te chamaram pra desenhar essa versão. Tu desenhou a outra. Aí mexeu no teu trabalho. É por isso que tu não curtiu.
Tu acha que o cara ficou... Olha o ressentimento do Batman aí, ó.
Nem esperou.
Ataque de oportunidade aí, ó. Toma. Agora, quando ele saiu da Dark Horse, voltou para Marvel, quiseram colocar ele no meio dos Vingadores e botar para lutar com Wolverine. Cara, não, de novo lutar com Wolverine outra vez, cara?
A história não tem nada a ver. O Conan e Wolverine, tem uma parada que não tem nada a ver, é esse crossover aí.
É esse crossover, um lixo, cara, um lixo. Aí foi para Titan, aí pronto. Agora sim, tá legal. É um cara que tá desenhando igualzinho o Jobucema. Eu não gosto, mas é um cara bom, né? O Roberto Della Torre, que é, cara, é a cópia do Jobucema. Eu gosto das histórias, gosto do desenho, as histórias estão muito bem contadas. Que é o David Zampi, tá fazendo um trabalho muito legal, que são histórias novas, um outro cânone. Ele reencontra com o Kull, que é o rei da Atlântida.
Mas tem um contexto ali de como ele volta no tempo, por que que ele volta pra Atlântida. Tem uma conexão que é uma espada, uma espada do Brule, da tribo do Brule, que foi feita lá, uma espada mística. Então tem todo o contexto ali e tal. E eles acham a Atlântian Sword, que é a espada que o Schwarzenegger usou no filme. Então ela tá no quadrinho, isso é legal, isso traz o leitor novo e o leitor velho também. Isso eu achei muito legal. É o encontro, é bem contada, é perfeito, do novo com velho.
No mundo perfeito. Por isso que apesar de todas as críticas que nós inclusive temos, a trilogia prequel ela foi um sucesso, porque ela conseguiu assim comercialmente, de novo com todas as críticas que a gente teve na época e ainda tem, mas ela conseguiu. Eu volto, meio falo isso, que eu fui na Comic-Con 2008, eu vi, meu irmão, os caras mais velhos e as minas mais velhas repetindo os personagens da trilogia original e dos desenhos, que seja tal.
E a molecada, eles eram o Anakin, brother, eles eram a Ahsoka, entendeu? Então assim, cara, ali você conseguiu renovar o seu público, mas você ainda tá respeitando o seu público das antigas.
O volume de crítica ao episódio 1 quando ele saiu, monstruoso, monstruoso.
Por isso que eu falei, independente, são duas coisas que eu quero dizer assim, Independente das nossas críticas, que a gente também, porra, sentou o pau, acho que onde merecia inclusive. Nesse aspecto eu acho que eles acertaram. Nesse aspecto você tá respeitando a pessoa, você tá trazendo, ó, você que gosta muito do Darth Vader, o Darth Vader tá nesse filme, só que você vai ver a história dele. Porra, é mesmo? Então eu tô interessado.
Ei, você que nunca ouviu de Star Wars, olha que maneira a história desse menino aqui que no final das contas vai virar o supervilão. Porra, maneiro, me identifico com isso também. Eles o que dizem, entendeu? Tem personagens jovens, personagens velhos, um trabalha com o outro. Nesse aspecto, eu acho que o episódio 1, ele funciona, e a nova trilogia de forma geral, né?
Mas não é isso.
Daqui a 15 anos da trilogia, eu falo que o Norton já defendeu isso, é que vai revisitar.
Mas olha, Norton, para a gente voltar e falar que o 789 tá bom Arma na cabeça, não tem condição. Não, não é isso não, irmão. Eu imagino que vai ser o 10, 11, 12. Imagino o que que vai ser o 10, 11, 12 para a gente sentir saudade disso.
Tem isso também.
Ô Norton, eu vou falar para você o seguinte, cara, siga como eu. A partir do episódio 1 eu parei de criar expectativa na minha vida. Eu não crio expectativa para nada mais na vida, na vida, na vida. Acabou, acabou. Eu tava com expectativa tão grande Quando eu assisti o filme, ela morreu, acabou. Nenhuma esperança mais eu tenho pra vida.
Nem Aragorn pode te salvar.
Nem Aragorn pode me salvar.
Nem o leite do alienígena, leite azul do alienígena, ia te dar sabor na vida.
Nem Conan o Bárbaro me salvará.
Então faz igual o Luke da Disney e joga o seu lápis pra trás assim, pra longe.
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