A Odisseia de Christopher Nolan | MRG 827
Christopher Nolan está de volta aos cinemas, desta vez encarando um dos maiores clássicos da literatura. Com A Odisseia, o diretor transforma a jornada de Odisseu em uma superprodução épica, unindo mitologia, aventura e o estilo cinematográfico que o consagrou. A adaptação chega cercada de expectativas e levanta a pergunta: será que Nolan conseguiu fazer jus a uma das histórias mais influentes de todos os tempos?
No episódio de hoje do Matando Robôs Gigantes, Affonso Solano e Beto Estrada recebem Lucas Moll e André Gordirro para comentar tudo sobre A Odisseia, analisar as escolhas de Christopher Nolan, comparar o filme com a obra original e discutir se essa adaptação já pode ser considerada mais um grande acerto na carreira do diretor.
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- Odisseia (Filme de Christopher Nolan)Adaptação do poema épico · Christopher Nolan · Odisseia e Ilíada · Mitologia grega
- Fidelidade vs. Adaptação de obrasDecisões de Nolan · Remoção dos deuses · Narrador não confiável · Fidelidade histórica e cultural
- Críticas à convocação e ao elencoElenco recorrente de Nolan · Matt Damon · Robert Pattinson · Samantha Morton · John Leguizamo
- Adaptação de Cenas e Momentos IcônicosCena do Ciclope (Polifemo) · Cena das Sereias · Cena com Circe · Ilha dos Gigantes
- O Futuro dos Filmes de HeróiHerói cansado e desconstruído · Odisseu como líder · Valores judaico-cristãos · Caridade na antiguidade
- Desafios de ProduçãoFotografia e cenários · Figurino · Design de produção · Som e mixagem
- Humor e ComédiaPiadas e stand-up · Andy Kaufman · Humor absurdo
E aí, homem, pois está começando mais um Matando Robô Gigante podcast. Sim, eu sou Afonso Ulisseus Solano, ao lado do meu imediato, que cujos cabelos ficarão ao vento durante todo esse programa de dia.
A Noruega tirou um pouco da graça de remar. Braga.
E mais um aqui do nosso navio super variado, nosso queridíssimo escriba das barbas de prata, André Gordilho, direto do fundo do navio fazendo as anotações, tentando entender as cartas náuticas e para onde a gente vai.
Ah, quem não tá entendendo para onde a gente vai? Mas ele, enquanto estamos buscando terra à vista, tá lá com suas canções, com as suas piadolas, o fardo da equipe, eu, Lucas Moll, e esse trabalho de Sísifo que é deixar o Brasil um pouquinho mais contente. Olha ele todo, todo histórico, acurado, coisa que não vai ter muito histórico, histórico, histórico. Exatamente. É um problema, é um problema você fazer stand-up comedy no navio, inclusive, né?
Eu já viajei de navio e desde o cantor até os bailarinos lá, sei lá, o mágico com assistente, negócio começa a balançar, é um negócio, a dar uma skill além, né, amor?
É complicado você tá fazendo uma piada, solta o punch da piada e o cara vomita, tá ligado? É você ou é o mar? Você nunca vai saber.
Nunca saberá. Você já fez uma piada tão ruim a ponto de alguém, na hora que você fez a punchline, você viu que a pessoa levantou por causa daquela piada específica?
Já, já. Mas não é porque era uma piada ruim, era porque era uma piada política. Já vi, já.
A pessoa não aguentou.
Eu já fui ameaçado de morte, eu já fui ameaçado de morte por causa de uma piada. No palco enquanto tava no palco.
Mas eu já te pedi desculpa por isso, Mau. Eu não tava num dia bom.
Eu já fui ameaçado já.
Você vai morrer.
Existe uma categoria de piada que é aquela piada que é realmente para doer de tão ruim. Então assim, essa categoria existe, né? Geralmente é aquela de final de show.
O Didi gosta do Andy Kaufman também, que nem eu. Eram, para quem não conhece da audiência, era um, ele fez aquele filme do Jim Carrey, Man on the Moon, Homem na Lua.
Isso, Homem na Lua, O Mundo de Andy em português. Isso, O Mundo de Andy, obrigado.
Ele interpreta Esse cara que foi um comediante muito influente, mas muito— ele experimentava umas paradas muito fora da caixa. Ele fez aquela série Táxi muito famosa. E aí ele tinha uma coisa de subir no palco e o objetivo dele era bombo, né, como eles chamam, é se fazer coisa tão— um show tão merda, porque ele queria saborear, ele queria aprender com a derrota, com a rejeição. E tem uns vídeos assim meio assustadores, né, Didi? Um negócio meio— imagina rejeição nesse nível, cara.
Eu acho que esse tipo de humor é interessante porque a pior reação da piada é a nenhuma. Quando não tem nenhuma reação, isso é, morreu, acabou.
Eu acho que isso é pra arte em geral, né? Acho que é pra arte em geral.
Pô, pois é, você não gostar, a pessoa falar tipo assim, caralho, merda, é uma reação. Rir não necessariamente significa que tu achou engraçado. Às vezes tu ri de desconforto, tu ri do absurdo, tu ri. O ri não é porque você, pô, tá aqui, cara, é genial, tô rindo porque eu adorei ele.
Quem nunca riu num velório com seus irmãos assim?
Caralho, rir na prece de Natal. Natal é uma das grandes acontecimentos da família, assim. Alguém começa, um primo começa, e aí vira, aí já era.
Casamento do Diogo, cara, eu, Beto, Rames, Feijão, lineup assim. Aí alguém fala uma besteira, teu irmão Diogo falando um monte de merda, aí tu começa a rir na hora dos votos, né?
Eu sou isso, eu sou totalmente isso.
Mas é por isso que o Brasil não vai pra frente, né? Porque as pessoas ficam falando merda no voto.
Você falou do Andy Kaufman que ele fazia umas palavras que era meio absurda, tipo Fazer luta livre contra idosas, uns bagulho muito aleatório.
Quem não gostaria de luta livre contra idosos?
O Jake Paul tá aí fazendo isso, criou uma carreira em cima disso.
O Mike Tyson, por exemplo.
O Jake Paul fez uma carreira sobre isso, pô, bater em idoso. Mas eu acho maneiro que o trabalho do humorista é você errar, né? Você erra pra poder achar uma graça ali. E graças aos erros, entre aspas, do Andy Kaufman, né, das doideiras que ele fazia, um show que ele demorava 30 minutos pra falar a primeira palavra, o resto ele só balbuciava, ficava... Batendo a tabaque. E é engraçado, chega uma hora que fica bem engraçado, porque é uma experiência de você estar vendo esse show, sacou?
Isso dá oportunidade de virem outros humoristas da atual geração. Tipo, o Igor Guimarães é um cara que brinca muito com esse tipo de coisa. Tem o Reuben Solo, que é um inglês, que ele faz umas experimentações durante o show que são muito maneiras. Tipo, do nada ele tá fazendo uma piada, ele fala uma palavra específica, levanta um cara da plateia e dá um tapa na cara dele, sacou? Só que é um brother dele, entendeu? É uma pessoa que...
É o Will Smith, né, geralmente, nesse caso.
É, só que esse aí ele não entregou o punch direito.
Baseado em um dos poemas mais épicos, mais antigos, mais clássicos da história da humanidade, Odisseia de Christopher Nolan está aí aportando nos cinemas. Ele que já nos trouxe, Didi, filmes que Nolan nos trouxe aí, para quem não é tão versado no Batman, Origens, Origens.
Tivemos também Memento, é verdade.
Como é que é o nome em português, que erraram, né, o nome do Memento?
É Amnésia.
Que mais?
A gente teve Tenet, a gente teve A Origem, a gente já falou que é o Inception, né? Interestelar, Interestelar, que é o queridíssimo da galera, né? Do Matthew McConaughey chorando.
É verdade. E aqui o Nolan então faz mais uma adaptação dessa obra tão influente aí, com todo o elenco da Marvel e da DC e de todos os filmes que se vão assistir.
Técnicamente Gente, é um filme, é um filme do Homem-Aranha, é do pai do Homem-Aranha, que não voltou para casa, assim como o Homem-Aranha tá com dificuldade de voltar também.
O Hollywood só trabalha atualmente com 15 pessoas, e as 15 pessoas estão em A Origem, que inclusive, que para mim é o maior defeito do filme.
Pois é, vamos falar sobre, vamos chegar sobre então, mas vamos puxar então a rápida sinopse da Odisseia de Nolan. Isso é importante a gente aos poucos contextualizar, que é a versão dele, né, Gordinho? Vamos lá, você que é nosso amigo escritor aqui.
Opa!
Após a vitória da Guerra de Troia e de ter derrubado as muralhas da cidade inexpugnável, Odisseu, também conhecido como Ulisses, um dos generais de Agamenon, tem direito a voltar para casa, sua ilha de Ítaca. Porém, não consegue voltar durante 10 anos de navegação, amaldiçoado pelo deus Poseidon. E aí, sua esposa aguarda sua chegada para então casar com ele de novo ou aceitar pretendentes que rondam o palácio. Essa é a história da volta de Ulisses Odisseu para sua casa.
Olha aí, eu tava essa semana na casa do 3D, né, do Afonso 3D. Encontrei com o filhinho dele, o Pedrinho e tal, filhão, né, o moleque já tá aí, tudo bem e tal. E aí perdeu aquela vozinha, né, perdeu a graça, tá virando igual os filhos do Diogo, estão virando homens, né. Já dá para entrar no navio, já dá para puxar o palitinho lá para ir para guerra. E aí ele tava estudando literatura, né. Eu falei, tá estudando literatura? Ele, porra, chatão, não sei o quê e tal.
Aí eu lembrei, eu e Didi, né, na época, nessa época de colégio, aí eu já sabia. Eu falei, cara, mas O que que te deram para ler? Qual é o livro adaptado aí? Aí ele, pô, sei lá, Capitu, como é que é o nome lá dos livros que a gente lia?
Era clássico curtiço.
Grande Sertão era curtiço. Curtiço. Aí eu, cara, imediatamente voltei, Didi, aquele tempo da gente criança, tipo, pessoal dando livros que não se conectam com o lúdico que um moleque dessa idade, né, poderia estar se conectando, comparado, por exemplo, às escolas da da Europa que estudam O Senhor dos Anéis, né? Claro que você tem que passar posteriormente por obras também que são, que são desse naipe. Mas aí na hora eu falei, pô, tá aí, né?
A Odisseia seria, justamente pelo contexto do que a gente tá agora passando de volta ao cinema, seria uma obra, um livraço, né, para ele conhecer. Mas vocês se interessaram pela— eu sei que o Gordinho sim, mas assim, Didi e Mol, você começando aqui, você leu a Odisseia quando você era moleque ou adolescente? Ou sequer já leu? Porque também não é obrigação da galera, né?
Isso também é dos grandes contos gregos. Eu lembro que eu li Édipo Rei. O Édipo Rei eu lembro de ter lido, até porque era pra uma prova da UnB.
É uma peça também, né?
Sim, sim, exatamente. Era pra uma prova específica de teatro. E aí eu li o Édipo Rei todo, e eu me lembro do momento do estalo quando você lê Édipo Rei e fala assim: O quê?
Ele quer pegar a mãe? Ele quer pegar a própria mãe?
É, e... Você se dá conta nessa hora. Pera um pouco, espera aí.
Espera aí, espera aí. Isso é toda semana em Game of Thrones, tranquilidade.
Total, hoje em dia é todo semana.
Até por isso que Game of Thrones não me pegou tanto assim.
Não era novidade alguma, né?
Eu já li isso no Ed por Rei.
Tu lembra, Didi, das suas?
Cara, eu lembro vagamente do colégio, eu lembro muito mais do contexto, porque a gente era obrigado a ler algumas coisas, né? E a gente chegou a ter que ler uma versão, não a versão da poesia completa, a gente leu, acho que alguma versão resumida disso. Mas o bacana é que foi conversado, né? Durante a Panamá, mas tem muito tempo, muito tempo, época de colégio. Nunca mais depois eu voltei pra dar essa olhada assim.
Pra visitar, né?
E aí Odisseia e Ilíada eu tenho pincelado na época que eu tava estudando roteiro, que é o básico da jornada do herói e tudo mais e tal.
Sim.
Ó, eu acho que mais de nós todos na verdade fomos marcados pelo Brad Pitt, né? No clássico do cinema, Troia.
As suas coxas.
Marco grego da história do cinema.
Um grande, um grande presidente grego. O grande presente grego do Marcos, né?
Foram as coxas do Brad Pitt bronzeadas. Porque eu acho que de todos aqui, o Mau é o mais greguinho. Para só para olhar. Olha o Mau. Ainda mais que ele tá com esse fundo branco aí de museu. Ele não parece essa estatuazinha grega?
Tô usando o manto de Atena para poder—
Com medo do manto de Atena.
Tira a roupa aí, Mau. Fica em pé ali no sofá.
Vamos ver o tamanho do seu—
Analisar. Do meu ego. Esse é o seu gládio, né? Esse é o seu gládio. Eu vi uma piada do cara falando que as estátuas estavam discutindo. E aí estavam zoando o grego, né, estátua grega. Ah, espera aí, espera aí, irmão, é que a gente é mais velho aí, o tempo deteriora.
Mas galera, vamos então para o nosso debate aqui. Acho que, Didi, full spoilers, né? Vamos falar de spoiler mesmo.
Totalmente.
Olha só, a história tem 3000 anos, gente, não há spoiler, né? Se você perdeu, pode ter spoiler das interpretações, né, da do que vai, do que você vai ver no olhar do Nolan, que é bem diferente do que, né? Exato, é uma versão muito pessoal e bem diferente do que você imaginaria ou de outras versões, né?
Eu queria saber qual que era a expectativa de vocês para esse filme no geral. Eu tenho visto muitas pessoas que estavam empolgadíssimas, doidas para ver, outra parte muito medrosa, e a grande maioria cagando porque aconteceu.
É o Nolan, né, galera? É muito, me lembrou que a expectativa que o Spielberg, por exemplo, gerou com o filme novo dele. A gente falou aqui, né, de tipo, independente se a pessoa gosta de ufologia ou não, é um filme do Spielberg, é um filme do Tarantino, é um filme de alguém que, né, Coppola, alguém que vai fazer uma obra, você fala, porra, o calibre é alto.
E espera-se, é um desgraça a geração, né?
Então é, e aí assim, eu colocando aqui para galera e para gente, do meu ponto de vista assim, eu acho que é uma versão, sem dúvida, como toda obra é, né? E aí o autor dessa versão, ele vai escolher o nível de proximidade com o material original, tal assim. Se você é uma pessoa que tem expectativa, além de um bom filme, de uma autenticidade tanto com o material original, plot, personagens, das motivações, todos os monstros, as artimanhas, por aí vai, quanto a uma fidelidade histórica, cultural, geográfica, esse filme ele não tem essa preocupação nesses dois âmbitos, não tem.
Ele é É tipo uma peça da Broadway assim, tipo, você tem, você tem um japonês no navio do Odisseu, você tem um indiano lá que é um dos caras mais foda do livro, inclusive o parceiro do Odisseu. Tem uma hora que ele chega para uma moça, tá ele e esse japonês, eu acho, ele fala assim, não, não se preocupe, nós somos gregos. E aí você fala, porra, tá, né? Então essa é a proposta. Assim, se você não tem essa preocupação, eu tenho. Eu gosto de mergulhar, fazendo a brincadeira aqui, na obra com o mínimo.
Até porque a Odisseia, ela tem essa, ela é uma obra que obviamente envolve fantasia, ciclope, sirenas e por aí vai. Mas ela tem essa raiz muito, muito pesada na cultura da história da Grécia, assim como helênica.
Exatamente. Mas aí, mas eu acho que cabe também o disclaimer histórico disso, eu, que a Grécia que a gente tem idealizada na nossa cabeça não é necessariamente a Grécia helênica, né? A Grécia que a gente tem como imaginário visual é feita no Renascentismo. Ela não é, ela não é, não é propriamente histórica. E essa é uma parada que eu tenho achado muito interessante, que eu tenho estudado muito geopolítica, eu gosto muito de história.
Inclusive a história, o panteão dos deuses todos, tô estudando tudo. Até tá Franco Digo, pessoal lá do História Grega, lá do podcast lá do professor da UFRJ, lá, o porra, Noites Gregas, Noites Gregas, que é muito bom, Moreno, Cláudio Moreno, exatamente, para se falar dos mitos.
Mas não, desculpe, mas Noites Gregas parece boate dos anos 90, não parece não, com certeza.
No Rio foi, não, mas assim, esse cara é o melhor.
Gregas, boa, assim, uma dica aí, azeite.
Quem não conheceu, esse cara é um professor Pica, cara, monstruoso, cara. Vale a pena ouvir assim, é um dos grandes podcasts assim das antigas, até porque ele já tem anos, esse programa já tem anos, e ele é rapidinho de ouvir.
Enfim, trazendo o fator histórico, a gente tem uma idealização na nossa cabeça, pelo menos eu tenho ou tive até pouco tempo atrás, de que a gente foi criado como se houvesse uma barreira entre Europa e Ásia, né? Como se fosse uma— passou a Grécia ali, tá todo mundo mais escuro, entendeu? Ou tá todo mundo com o olho mais puxado, tudo mais Mas ali a Grécia e a Turquia é tudo muito misturado, é tudo muito misturado, principalmente a grande metrópole. Exato, era óbvio que o japonês talvez seja uma, uma, não, japonesa não tinha.
É assim, muito nesse tempo entra um rapaz chamado Marco Polo.
Sim, mas aí o cara, mas aí o melhor amigo dele ter traços mais, mais turcos, mais indianos, mais claro, é isso.
O indiano também não tem, a gente É, não, assim, me perdoe, você tem os documentos primários, você tem pintura, você tem muita coisa que— uma coisa realmente é a galera que acha que era todo mundo da mesma corzinha, todo mundo. Não, isso de fato não era. Mas você tá falando do povo micênico, né, um povo indo-europeu. Você tem documentos primários mais do que estabelecidos para a gente saber que você tem uma variedade, evidentemente, de povos que a gente falou ali desse, da região mediterrânea.
Mas um japonês, por exemplo, de fato não é assim, eu só tô falando mais com você, é uma alegoria é uma alegoria, é uma fantasia dele ali.
Exato. Eu não quero nem me agarrar nisso, só que eu quis dizer o seguinte: é importante a gente só colocar que, tipo assim, galera, é a visão do cara. Por isso que eu brinquei da Broadway, sabe? A Broadway, o Gordinho sabe muito disso, eles fazem aquela coisa do blind casting. Há quem curta e quem não curta, depende do seu nível, como eu falei, de querer mergulhar naquela obra. Então, tipo assim, seguindo esse caminho, pois é, que eu acho que fica é A história em si, ela se conectou com vocês de Dibraguinha, por exemplo?
É, foi mal, porque eu fiquei quieto. Deixa eu só dar uma pontuada na parada. Eu acho que nessa questão de quem é quê, quem é quem não sei o quê, a parada que mais me incomodou foram as pessoas conhecidas, muito mais do que—
Total.
Do que, ah, o fulano é japonês. Foda-se.
Porra, a gente olha ali. Essa parte do elenco era o melhor, inclusive.
Era o melhor.
O melhor ator em campo é o imediato do Matt Damon, tá?
Total, pô.
É isso que eu falei, o indiano.
É o melhor, ele é o melhor ator, talvez por eu não conhecê-lo. Então eu abracei melhor aquele personagem. Mas quando você trabalha com as mesmas 20 pessoas que você viu em pelo menos 12 filmes nesse ano, total, o Diogo tá cada vez mais velhinho, né? Dá uma fadiga de criatividade, de distanciamento, entendeu?
Realmente, é o Batman, é o Homem-Aranha, é a Mulher-Gato. É o Justiceiro. É, cara, são as mesmas.
Ele é um ator interpretando Thor, se eu não me engano, no Ragnarok, alguma coisa assim. Ele vai brincar com o filme da Marvel.
Ele fez muito, muito, muito.
Mas tirando o Matt Damon, que acho que para mim seria o único a ser conhecido no filme para sustentá-lo, sinceramente, o resto para mim podia totalmente todo mundo novato ou veteranos, que nem no, por exemplo, no Troia, que é segurado pelo Brad Pitt, né? Eles tinham chamado logo Orlando Bloom porque tava ali ainda no Legolas e tudo mais. Mas de resto, amigo, todo mundo era veteraníssimo. O cara que faz o Menelau, o Peter O'Toole, que já foi o Lawrence da Arábia, mas não é mais.
Enfim, era tipo o Alec Guinness em Star Wars, sabe? Tipo veteraníssimo pegando um papel de rei, sabe? Beleza, beleza.
Agora Elenco de suporte de filme de guerra, né, medieval. Tipo, o Hamish tava lá, né?
O Hamish, se vocês viram o trailer do Paul Green, do novo filme do Paul Greengrass, que é medieval, que o único ator conhecido que vai segurar o cara que é um rebelde escocês, um rebelde irlandês e tal, que é o Andrew Garfield. De resto, todo mundo tem aquela cara de veterano do teatro inglês, sabe?
E fica uma coisa muito elite, parece até aquela série de terror que tem na Netflix, como é que é o nome daquele cara? Não é, parece, não, não, da Mansão Rio, Meia-Noite, Missa da Meia-Noite, que são os mesmos atores e atrizes, só que muda a peça, como se fosse um, por isso que eu falei de Broadway, sacou? Tipo, mudou exatamente a mesma companhia. Eu concordo para caramba, isso é muito cansativo. Aparece Charlize, quem vai ser Charlize Theron? Vai ser, ah, tá bom, mas ela é quem?
Bandacalipso, chega para cá, meu bem. Porra, na ida de leve, nem jogou nenhum Cabelinho com a gente. Porra, não jogou. Muito dura ela, travaram, não tinha molejo na cintura. Não tem Brasil, meu irmão.
Eu até brinquei com Afonso na sessão que uma das melhores atuações do filme é a Samantha Morton, que anda muito sumida e que fez a vidente em Minority Report, a que ficava debaixo d'água. Que ela faz a Circe, que para mim a sequência inclusive melhor, melhor atuada, melhor encenada.
Parece um canto, parece um poeminha separado, né? Parece uma paradinha diferente.
Gente, ela manipulando a anatomia dos caras, né? E o discurso dela com raiva, os homens com seus apetites, eles vêm, eles tomam, não sei o quê. Você vê aquele rancor. E o Matt Damon tipo, pô, tia, mas devolve minha gaveta aí.
A senhora não tá errada, errada não está, errada não está, eu não remo sozinho.
Eles fizeram mal a senhora, mas achei legal. É, não, tudo é foda nessa cena. Ela, os efeitos sutis E ela, isso conversa também com um negócio que foi uma outra decisão do Nolan, que enfim, criatividade do cara, mas ele removeu um dos elementos mais estruturais do poema original, que são os deuses. Você pode assistir essa Odisseia absolutamente do ponto de vista de alguém, por exemplo, que é entre aspas ateu. Ali são só os caras que são muito, eles são muito religiosos e supersticiosos, supersticiosos.
E tipo assim, ah, Poseidon tá se vingando. Tipo assim, brother, o mar tá uma merda.
Ah, mas o caminho, você que navega mal.
Ah, mas essa escolha, uma parada muito boa pelo seguinte, porque ele, a gente entra no filme, em momento nenhum a gente está presente no que aconteceu. Nós estamos ouvindo o Odisseu falando, né, sobre a parada que aconteceu. Ou seja, ele está contando, primeiro bardo, a gente tá sempre ouvindo alguém contando uma história do que rolou. E o tempo inteiro durante a odisseia é pontuado que a verdade deles é sempre um relato de um viajante ou um relato de um marinheiro que veio de águas profundas. Então a verdade, ela é volúvel como a maré.
E a gente vai deixar isso claro.
Eu não tinha ficado bem assim. Para mim ficou muito claro em todas as passagens de diálogo do filme. Eu ia falar óbvio, mas eu escolhi mudar a palavra para não te ofender. É, ficou claro nesse sentido, porque eles falam, cara, você é o tapado.
Ficou óbvio para quem tem olhos.
Aquele cara. Mas eles dizem inclusive que assim, eles sabem da vitória de Troia através das histórias dos mercadores e dos marujos do mar.
Mas eles não têm, né? Quem passou, viu em chamas, comenta, né?
Eles sabem que as pessoas voltam pelo mar e fala, é, Troia caiu, não sei o quê. E eles falam assim, todas as verdades que vão chegando para eles ali no reino são relatos de pessoas que vão trazendo. Então eles têm que escolher acreditar ou não. E como, como é que você define o que é verdade? Eu acho que tem relação agora de todo mundo, livre e redes sociais.
É, naquela época, entendeu? Ninguém tirava uma selfie de Troia em chamas.
Eu senti falta de quê? De uma imprensa livre. Isso todo mundo tá sentindo.
Deixa eu só botar um ponto que eu ia construir. Eu acho que isso, dentro da coisão que o Nolan trouxe para o texto, ficou uma parada interessante, porque a gente ouve o Odisseu contando a história do que aconteceu até chegar lá e até a gente realmente presenciar ele atuando ali, ele voltando para casa e tudo mais. Mas todo aquele momento quando ele fala dos deuses, quando ele passa pelas sereias, que ele fala dessas paradas, são coisas que as pessoas, que ele contou para alguém.
Ou seja, pode ser também uma interpretação dele, como pode ser verdade. Ele não é definido se é ou se não é. Só achei muito legal, fica aberto sobre essa questão, porque muito provavelmente as pessoas olhavam para uma nuvem no céu ou um trovão, eu falo, e ó, ó, aí, ó, porra, aí, ó, agora o cara concordou, hein, o cara concordou, roncou a parada aí. E a pessoa olha, entende como um trovão, entende como deus, natureza assim.
Sobretudo o final dele ali, que ele começa começa a falar com, quando ele tá vestido de mendigo ali falando com a esposa dele disfarçado, para mim me parece que são relatos reais ali. Ele vai tendo, ele vai tendo relatos, mas é dele.
Tem filmes, entende?
Então calma aí, olha só, então deixa eu pontuar uma coisa aqui só, porque o seguinte, ele é visto consumindo muita flor de lótus.
Sim. Então ele seria, e aí o Solano conhece isso como escritor, como eu, como eu não, mas enfim, como com a mãe dele, que eu conheci também, com a Vânia, que é sua mulher, com o Damião, com a Andréia, com a Dona Maria.
Ele é um protagonista confiável, ele é um narrador confiável, porque se tudo é um delírio, são relatos de um cara que consumiu muita flor de lótus e se perdeu no mar. Ele viu Atena? Não viu, né? Só ele vê, entendeu? Mas por outro lado, a sequência do inferno, ele leva os soldados com ele, então os soldados também viram. Meu problema na cena do inferno E pelo meu problema nascendo no inferno, ele ter levado os soldados, os guerreiros com ele.
Porque se ele vai sozinho, eu continuava— o argumento de que é tudo da cabeça dele continuava funcionando, entendeu?
Mas ele leva testemunhas, mas eles também estão no ciclópeo. É contada pelo Odisseu, ou seja, é, ele tá dando a visão dele independente dos caras estarem vivos na hora ou não. A realidade que a gente sabe do que aconteceu é o que ele tá trazendo para gente. Se a gente tivesse a visão de todos os outros soldados, a gente poderia entender essa realidade por outros pontos de vista. Não podemos, porque é só um narrador.
É, eu respeitosamente discordo de vocês. Eu não acho que o filme— pode ser que o Nolan tenha realmente essa—
não, eu não concordei não, eu só postulei uma, uma hipótese.
No caso, acho que mais o Didi e o Malk talvez tenham essa visão. Eu, que eu acho que existem outras obras cinematográficas que deixam de forma muito mais clara e e bonita, que o que você tá vendo é justamente o relato de uma pessoa. Às vezes a pessoa se confunde. Aí o jogo de iluminação, as transições para você, agora a pessoa tá lembrando e tal. Aqui a forma como o filme é montado, inclusive, de novo, cada um tem a sua perspectiva, é de que você está vendo o que aconteceu.
Você não tem, primeiro, quem tá narrando é aquele rapper lá batendo aquele pitoco no Aí às vezes é o Matt Damon. Quando você vê ele lá com a ninfa, como é que é o nome dela, gente? Desculpa, ela é curiosa. A Calypso. Se fosse um filme, por exemplo, montado onde ele está lembrando junto com a Calypso o tempo todo, um back and forth ali, vai e volta, vai e volta, aí eu super falaria, cara, é isso, a narrativa é essa. Mas não é isso, não é.
Parte do filme ele conta ela perguntando para ele, tentando fazer ele lembrar.
As outras partes, a outra parte é o contador, né, falando no começo. Mas não tem uma pessoa que tá—
é, não sempre tem alguém contando uma história, contando uma parte dessa história. Então às vezes é o irmão do imperador, do rei, que conta o que aconteceu, a gente viaja para lá para ver.
Aí às vezes é uma outra parte, ou seja, cada relato, cada visão, a coisa tá exagerada. O filme dá a entender, isso é que eu achei foda, porque é sutil.
É sutil como provavelmente é assim, sutil tendo um gigante, né, caralho? Não, mas assim, para época isso era mais presente para eles, né?
Pois é, a sua percepção. Inclusive essa coisa do gigante, que é outra convenção, acho que todo mundo vai concordar, né? Uma das melhores sequências.
Que gigante, hein, porra! Que ciclope! Porque parece um cara, parece um gigante que nasceu com a cara amassada, deformado, né?
E aí ele tem um olho só porque, porra, Essa coisa dele não ter, essa coisa, né, Maldição, dele tirar os deuses da jogada e no final a grande virada de Atena, então é uma, pode ser uma projeção dele de culpa, um trauma. Ele tá projetando essa culpa.
Isso é uma merda.
Você diz, como é o nome dela?
A Zendaya.
Ela era uma parada, ela provavelmente era uma parada de culpa, né? Porque quando ele se perdoa, ele abre, né, o jogo. Fogo, ela some, aquela culpa se desvai.
Mas antes a gente fala do final para não perder o uso do gigante. Perfeito. É como ele tira os deuses, o gigante, a escolha dele fazer um gigante que tem uma deformidade genética, ele permite que você brinque com o seguinte, tá, não é uma coisa absolutamente mágica, pode ser uma variação do Homo sapiens que há muito tempo atrás os caras eram gigantes, eles são deformados, e os caras interpretam como que nem os incas que falavam que a pessoa que tinha lábio leporino tinha sido atingido por um raio.
Então aqui você pode interpretar o seguinte: os cara falam que ele é um dos filhos de Poseidon, tipo, às vezes é um cara que nasceu deformado de um povo antigo que acabou, entendeu? Que nem os neandertais que conviviam. Tô viajando um pouquinho, mas ele deixa isso em aberto porque, já que não tem Deus, é humano, vai buscar explicação, né, para as parásitas.
Ele vai se prender onde ele precisar para poder ter algum senso, né? Acho que é um pouco disso.
É por isso que eu queria, que eu perguntei sobre a expectativa de vocês sobre o filme no início, sacou? Porque É uma parada que eu achei, eu no fim das contas, no geral, eu achei meio uma batmanificação do mito da Odisseia, entendeu? E eu fico, e eu fico meio decepcionado com o Nolan porque ele consegue pirar a cabeça de uma fórmula matemática no Tenet ou na física e no espaço-tempo, ele consegue pirar e tirar coisas tão maneiras quando se trata de algo tão objetivo quanto matemática e física, entre aspas.
Objetivo entre aspas, e ele não consegue pirar a cabeça com um texto maravilhoso recheado de magia.
E é uma realidade seletiva, como eu falei, não precisa, né? Não precisa, né?
Não precisa.
E geográfica ele manda, ele esquece.
Mas a parte, eu tô falando da minha expectativa e de como eu gostaria de ter visto essa história, entendeu? Eu gostaria de ter, às vezes o Deus Não precisava estar ali de fato fazendo algo diretamente, mas pô, alguma coisa apareceu ali, ó. Tipo, ali quando começou a ventania, meu irmão, no rochedo tem um vulto lá em cima. E aquele ali, ó, quando eles vão, quando eles vão na Ilha do Sol pegar o gado, na Ilha do Sol, e a Betinho, estamos voltando, né?
Pois é, tá todo mundo lá, pô, no Mas tipo assim, aí eles pegaram o gado de Apolo, porra, meu irmão, mostra o Apolo.
Filha da puta também, hein? Filha da puta.
Ficava se esfregando ali, cara.
Falou com sede dentro, né, mané? O gado, ó, o meletinho aqui, o meletinho, porra. Olha esse colchão mole aqui, ó.
E fizeram um pouco de chão maneiríssimo ali, né? Chutaram o balde, ainda chamaram o patrão.
O diálogo é muito bom, né? Você acha que comer escondido e esconder dos deuses? A gente só escondeu de você mesmo.
Exatamente.
Você encheu o saco, né?
Exatamente. Achei, foi muito bom. Inclusive achei legal que o Matt Damon falou assim, galera, não vamos comer as vacas que a gente vai ofender os deuses. Aí ele dá uma olhada para o indiano e fala, tamo tranquilo, você, eu sei que eu não tenho que me preocupar. Seria maneiro, né? Mas é uma escolha, amor, eu tô contigo. Ele resolveu fazer um negócio. Inclusive a parte do Polifermo, é Polifermo, Polifemo, Gordinho?
Polifemo, né?
Cara, eu achei isso muito ruim. Ele tirou um elemento de esperteza, cara, a esperteza do Odisseu.
Isso me fez falta, isso fez falta.
Conta, Gordinho, explica aí.
Lembrando lá na Guerra de Troia, Guerra de Troia teve dois generais: o general porrador, que foi o Aquiles, e o general estratégico, tático, que foi o Ulisses, né? Então o Ulisses, o Odisseu Engendrou os planos, né? E tô lá e finalmente mandou, ó, seguinte, não deu, vamos entrar, vamos enganar os caras.
Ele era embromador, além de malandrão, malandrão, que só fica farmando aura.
Essa foi a frase que surgiu na minha cabeça. Eu fiquei puto por evocar esse novo, essa nova linguagem. E mas é a pura verdade, pô, ele fica só fazendo bonito.
O nosso querido Odisseu faz quando é preso pelo Polifemo. Ele mostra para o Polifemo que eles conseguem produzir vinho pisoteando nas uvas, né, porque o pesão do Polifemo não consegue produzir vinho.
Mas ele não, não, não, não, não, não, não, original, tá, no original, no livro, no livro, no livro.
Isso, então no livro eles produzem o vinho, embebeda o Polifemo. Quando ele cai bêbado, que nunca tinha provado vinho nessa quantidade, Eles vão lá e com um tronco furam o olho do Ciclope. É isso. Essa é a—
não foi ele, né?
Não foi eu não.
Isso é importante. No meio da parada ele fala assim: qual o seu nome? Ele fala pro Odisseu. Odisseu fala: meu nome é Ninguém. Por que que ele faz isso? Porque depois que eles furam o olho do cara e fogem, o gigante chega pros outros gigantes e fala: furaram meu olho. Aí eles perguntam: quem? Pra gente poder se vingar. Aí ele diz: Ninguém. Aí eles: ah, ele tá doidão. Então essa é a brincadeira que ele faz, tá bêbado, para que eles não possam, e o Poseidon não saiba quem foi que cegou o cara.
A treta é que quando o Odisseu chega no navio, ele que é um homem muito orgulhoso, que é uma também um elemento do herói dessa época, que no final ele bate no peito e fala: fui eu que fiz essa parada, eu sou Odisseu. Aí é que dá merda.
E ele começa, e ele desafia, se eu não me engano, a frase dele, ele fala: nenhum deus pode comigo, eu sou, eu sou, eu sou Odisseu.
E aí é que a merda acontece, porra. No filme não faz nenhum sentido aquele Leroy Jenkins que ele manda a flechinha no final.
Eles tentam até compensar essa porra, né? Assim, é completamente diferente, não tem muito porquê. Eles dão uma parada e aí no final, para mostrar um pouco desse orgulho, eles já saíram da caverna e tudo mais, ele vai lá e dá uma espetada final para falar, é, vai tomar no cu, tu vai cuspir o chapéu do meu camarada, filha da puta?
Continuar flechada É, se ele salvasse um companheiro, se ele tentasse salvar um companheiro, aí ficaria justificativo.
Mas não, eu levei por lado que ele quis compensar de alguma forma para ter essa força.
A cena de quem vai ser escolhido para passar é muito bacana, né? Dos tipos, só 2 vão, então vão 4, a gente se sacrifica, uma dupla vai se dar mal. Isso é bacana, isso mostra camaradagem. Por outro lado, a blocagem da cena a, o mise en place, quando ele mostra a cena, ela é mal enquadrada. Ah, mas ele é um grande cineasta. É, mas ele deixou, sim, ele mostrou que tinha um espaço vago para passar debaixo do braço do Ciclope. Eu disse, gente, por que que vocês não estão passando por ali? Então fica uma—
porque também tem que lembrar que ele tá, ele tá, ele tá filmando com uma câmera que é do tamanho de um apartamento.
Já diminuiu, ele já diminuiu, tá do tamanho de um micro-ondas agora, já diminuiu, já diminuiu.
Enorme, gigante.
Isso que o Mau tá puxando, eu acho que contribui para uma coisa que eu também me incomodei um pouquinho, que é o seguinte: o Odisseu, ele só toma decisão merda o filme inteiro, só decisão escrota.
Esse filme, esse filme sobre isso, é só sobre isso. O filme, ele se resolve no seguinte ponto: qual é a merda do filme? E fudeu, pegamos um caminhão bizarro quente, não tem comida. Em nenhum momento das 3 horas, sei lá quantas horas são de filme, alguém vira para ele e fala assim, chefe, te dar uma sugestão. E se, e se a gente resolver se pescar?
Pois é, o japonês não foi a hora dele brilhar? Ninguém, cara, era a hora dele falar, olha, o segredo da minha ilha é o seguinte, vamos fazer.
A Dona Maria até defendeu, ele falou assim, não, pode ser que ele tenha querido lembrar que naquela época o cargo, né, a função de pescador era vista por eles perto de guerreiros como uma coisa muito baixa, e jamais um guerreiro se podia. Beleza, isso pode ter acontecido, saber Pescar, né?
Tem isso, né?
Mas na hora da fome, tipo, você vai morrer por pescar.
Mas aí viria uma causa polêmica desse jeito.
Aí viria uma questão de Deus maravilhoso. Ah, meu irmão, o Poseidon tá puto comigo, ele tirou todos os peixes, não passam debaixo do nosso barco.
É uma linha de diálogo, perfeito.
Poseidon está contra nós, ele afastou a pesca. Pronto, uma frase.
Não fiz for you, não fiz for you.
Geralmente uma frase resolve problema de roteiro, né? Geralmente alguém faz uma pergunta incômoda na sala de roteiro e aí você: vou dar um jeito.
E o jeito é uma frase. Eu tô colocando esse filme já expositivo o suficiente, mas uma frase ajudaria bastante. Perfeito, vocês mataram agora. Perfeito. E eu acho que isso faz muita diferença, porque você vê as pessoas falando do Odisseu: é um grande líder, eu seguiria até a morte. Você tem outras obras onde você tem o próprio Gladiador, né, o Máximo, 300 de Esparta, que ainda que seja uma versão né, super saturada, doidona lá do Frank Miller também, que não tem essa preocupação histórica.
A gente falou isso no começo, galera, mas tá aí outra obra que também não tem essa preocupação histórica.
O Xerxes não era demais.
Boa, Vera Verão, maravilhosa! Que é um personagem incrível que o Santoro fez no 300 Esparta, que é um semideus e tal, seminu. Meu irmão, o Xerxes não era aquilo ali, porque é a escolha do cineasta. Mesma coisa que a gente falou aqui sobre essas questões geográficas e tal.
Mas você, quando o Agamenon foi falar, você não esperava uma voz tipo Xerxes?
Eu esperava um cara meio, esperava uma vozzona, esperava um, né?
Quando ele tira a roupa dele e a esposa dele mata ele, o cara é o magrelinho, cara. Você fala, ah, então esse era o teu lance, tua armadura do Batman. Mas cara, eu achei que faltou isso, tipo, por que que esse cara ele é um grande líder? Ah, tudo bem, Troia foi ideia dele, mas o filme não é sobre Troia, ele Eles até empurram, troia pra caramba aqui, o cavalo e tal. Mas nem as lutas... O Nolan historicamente não sabe fazer grandes lutas, convenhamos. Batman, você não entende nada do que tá acontecendo. Ah, desculpa de que...
O primeiro Begins é muito bom, as lutas são legais. O 2 também vai legal, o 3 usou pra caramba. O 3 é zoável do início ao fim. Com luta e tudo mais.
Esse duelo é o duelo dele pra matar os súditos lá, pretende ser o Batman.
Eu achei que o Nolan falou assim, Matt, você lembra alguma das suas coreografias lá do Borne? Tu lembra de alguma coisa? Eu vou dar, eu vou dar ação e você vai, brilha aí.
Pois é, eu acho que merecia umas cenas, eu acho que merecia umas cenas dele liderando, ele contando dele das guerras, dele dando ordens, do cara sendo foda, ele inspirando os homens. Me dá um discurso, me dá uma cena de ação, ele salvando e tal. Porque, cara, só de envergar o arco ali ele é o grande líder.
Posso fazer o grande parênteses do elefante na sala? Você falou de filmes de 20 anos atrás, quando ainda se permitia ter heróis convictos, viris, decisivos.
Você acha que tem essa pessoa?
Com dúvidas ou não, faziam. Hoje a gente só vê o herói cansado. Hoje a gente só vê o herói cansado.
Entendi.
Final do ano vai estrear A Queda de Robin Hood. Que que você vai descobrir? Ele é um herói cansado, fracassado, e ele carrega a culpa de ter levado os Merry Men para a morte. Aí a gente viu o Luke Skywalker cansado, não aguento, rejeito sabre de luz. Então o Indiana Jones, meu filho morreu, eu não sirvo para mais nada, eu só sirvo para aula. A gente tá na época do herói cansado, o herói derrotado, o herói desconstruído, que não pode ser herói, ele não pode tomar decisões, ele está sempre errado. É um homem líder que está sempre errado.
Mas olha só, mesmo que eles quisessem fazer isso, e eu acho que o final do filme é isso, mas eles poderiam então ter feito um herói que, beleza, tem esses novos parâmetros mais fofos, mas que ainda assim inspirava por outros caminhos. Ele nem isso. Ou eu estou, não sei, de Dima, vocês acharam que ele é um líder que falar. Porque, cara, chega uma hora quando eles chegam naquela ilha lá, eu não sei se é a do gado, antes do gado, que o indiano chega para ele.
Eu até achei o diálogo confuso que ele fala para ele assim: olha, a gente votou e a gente decidiu que é melhor. Eu entendi que ele falou assim: é melhor você ficar.
Eu falei assim: ali mesmo os cara vão deixar o Matt Damon na ilha?
Do tipo assim, você tá trazendo um azar. Vocês acharam isso também? Não é, amor?
Achei que era um motim.
Esse é um motim.
Não, não, só fica por aqui, tá?
Mas ele faz isso na praia. Isso que ele quis dizer, fica na praia, a gente vai lá.
Você não vai subir com a gente não, claramente. Porque aí a gente sabe disso, né? A gente sabe disso pelos filmes, claro, que marinheiro e marujo dessa época tem, porra, tem muita superstição da porra toda, né? Tem o tal do Jonas, a gente viu esse Mestre dos Mares.
Mas você não achou um pouco confuso, Diogo, ficar parecendo que eles vão deixar ele nessa ilha e eles vão continuar navegando?
Eu acho, eu gostei. Pois é, cara, o filme ele tem, ele tem tons zoados, mas eu gosto de muita coisa que esse filme apresenta. E isso são coisas que eu acho maneiro, porque apesar dele ser esse herói clássico, quando clássico não, mas apesar dele ter a construção desse herói, é a que a gente ouve falar do Odisseu como o cara de Troia, o grande general, parará parará, quando a gente bota ele no pé do barco, na madeira do barco, a galera tá o tempo todo querendo tirar ele do poder porque ele tá beirando levar os cara para morte.
Tinha uma hora que os cara diga assim, ah não, não, Não, pera aí, sério, tu quer fazer isso e tal?
E eu acho foda porque isso para mim funciona dentro da coisa da ousadia barra arrogância que esse cara supostamente tem, né? Tanto nos cantos, né, nas canções lá no livro clássico, quanto no que eles tentam apresentar. Mas a gente vê um pouco mais, a gente tem uma noção, a gente tem uma noção um pouco mais 3D desse personagem aqui, com sofrimento dele e tudo mais. Então eu acho que acaba evoluindo um pouco para esse lado. Eu não achei ele fofo, achei ele até É interessante assim a proposta, mas eu acho que se ele fosse preto e branco, tipo um generalzão, o filme ia ser um sacada.
Se ele fosse totalmente Sam Worthington, ia ser estoico o tempo todo e tal.
Eu não desgosto do Odisseu não, dessa versão dele. O que me incomoda, o que me incomodou de fato, que eu acho que é boa parte do que a gente tá falando aqui, é que se você pegar as cenas sem os diálogos, elas são ótimas. Se você tivesse—
não, eu tô falando na moral.
Eles chegam na Ilha da Cersei, eles descem, tem aquele diálogo rápido lá, poderia ter sido tipo duas frases, resolvia. Ó, você fica aqui, você é nosso capitão, a gente não pode que você morra, fica aqui, a gente vai lá. Mas mais nada. Toma teu arco, vai caçar, vai se distrair, criança. Meu irmão, a partir desse momento não tem mais diálogo nenhum. Eles vão, ele vai caçar, vai brincar do seu arco, criança. Ele vai caçar, Ele mostra mais uma vez como ele é um cara justo, né, que apesar dele tá caçando com fome, ele faz o movimento do arco para poder fazer o barulho para caça, para que ele possa, para que ele possa ouvir.
Que áudio que ele, porra, eu gosto muito desse barulho, cara.
Eu não gostei da trilha sonora, mas eu achei o áudio do filme muito bom, é muito bom. Mas é, e aí esse momento vai praticamente com diálogos curtos, são diálogos curtos, eles sobem, vão vendo, tipo assim, caralho, tem um leão, tem uma pantera, Cara, que porra de lugar é esse? Mas todo mundo ficando apreensivo. Entra na casa, calma, mulher, a gente não vai fazer nada. E aquilo, essa sequência é maravilhosa e ela praticamente não tem diálogo, a não ser quando, quando aí o Odisseu chega na casa da Cersei e aí eles têm um diálogo. Esse diálogo eu acho muito bom porque não faz sentido ela desfazer os cara.
Por que que ela vai desfazer então? O que que ele falou para ela que convenceu ela do contrário? A única coisa que ele ameaçou a irmã, ele ameaçou a irmã, mas depois ele solta tipo, é o quê, se você não transformar meus cara de volta, eu vou matar o corvo, porque depois ela ajuda ele.
É porque tem uma coisa dentro dos contos gregos, né? Dentro dos contos gregos tem essa, entre aspas, essa, esse acordo tácito. Quando você, quando você confia uma coisa, aquilo tá confirmado, entendeu?
Mas ela acabou de transformar os cara em porco. Essa mulher não é confiável. Ou você me ajuda, mas você vai confiar Pensa só, a mulher acabou de transformar seus homens em porcos. Ela claramente tem um ressentimento para com a sua classe, tá certo? E aí você ameaça de matar o corvo, ela transforma os cara de volta. Aí ele fala: me dá o caminho de volta agora. Assim, faz uns bagulho lá no deserto, invoca lá, vai lá para o Hades e faz isso aqui que vai dar bom, prometo que vai dar bom.
Pô, por que que eu vou confiar nessa mulher? É uma bruxa, ela é literalmente uma bruxa. Eu acho que faltou um convencimento, alguma coisa, sabe?
Virar o jogo místico ali, se fosse, tivesse um fator mais místico claro ali, como se fosse uma moeda que obriga que ela seja verdadeira a partir do momento que ela passa. Assim como tem o desistir do way deles lá, que eles, o problema que eles ficam explicando, fica só a lei de Zeus, lei de Zeus, que é a grande moeda do jogo, né?
Mas ela já quebrou a lei de Zeus porque ela fez uma coisa econômica, porque só tem essa lei, uma lei, uma lei só. É porque o Nolan, ele tirou o elemento dos deuses, vocês forem lembrando lá, quem intervém também são os deuses nessa hora. E eles falam, ó, desfaz essa parada e tal. Então no filme ficou meio— a cena é ótima, como a gente já falou, mas assim, tá, então agora ela tá me ajudando.
Porque se a gente pegou o diálogo como agora fio condutor crítico, o resto do filme, e principalmente as cenas em Ítaca, são um desastre, né? Porque Robert Pattinson falando daddy, ou seja, e os diálogos extremamente modernos. Por aquela gente toda que tá parecendo que é um cosplay realmente de teatro bem vagabundo.
É, brother, como eu falei, parece a divisa da nossa novela da Record.
Eu caí na gargalhada dele: pega as espadas, pega as lanças, pega os escudos!
Eu achei, eu achei uma menção mais. O Robert Pattinson, ele tá bem, ele faz um filho da putinha muito bom.
Ele é bom de ser filho da puta. Ele é ótimo.
E o John Leguizamo abala o nosso vídeo. Eu também achei bem legal o John Leguizamo ali, funcionou.
É o cego que mais enxerga da história da ficção fantástica.
Em algum momento ia aparecer o Catarata, né, gente?
Ele tá cataratinha, né? É, senão é o livro de Eli, né? O cara sabe todo mundo pelo passo. Pô, pera aí, né?
Mas olha só, olha só, falou mal para caralho, que saco, blá blá blá. Beleza, ainda assim o filme é divertido, gente. Porra, o cinema aplaudiu, irmão, o cinema aplaudiu.
É complicado, cara.
Divertido, eu sei, mas é uma experiência que tem coisas muito boas.
Eu achei, eu achei que assim, ele é um filme comprido, é, mas ao mesmo tempo ele consegue te contar essa história da grande história, né? Porque é isso que ele tá fazendo, ele tá contando sobre a grande história, cara, de uma maneira que na minha sessão de cinema, que estava abarrotada, irmão, pegou o público da galera.
Que legal!
Vai, vai furar ele, cara!
O final é capaz, legal, o final amarra isso, final amarra. Pra mim foi decepção na minha sessão ontem, a galera saiu decepcionada.
São Paulo é foda, mal, São Paulo tá errado, tá errado.
São Paulo é um erro existir. Concordo, concordo.
O tio Sam tá com a tia, galera aqui, ó, tamo junto.
São experiências.
Sair, entendeu?
Olha aí, cara, falou o carioca amargurado.
E que visual, hein?
São Paulo não tem isso.
Rio de Janeiro, galera. Então, Didi Braguinha, você que tem as madeixas das sereias ali, você que tem as madeixas clássicas das sereias medievais. Outra mudança que ele fez, né, moleque? As sereias do Afonso.
O Afonso ainda não, o Afonso ele ia meter essa. Aí, qual é? Me amarra rapidinho aqui no mastro do navio só para eu ver qual é dessa história aí, só para dar aquela olhada.
Ele só, eu achei maneirão essa parte, eu achei do caralho.
O cara preso lá com a escora, pau duraço, apesar do que eu fiquei na dúvida.
Foi outra demonstração da engenhosidade do Odisseu, né, do acera no ouvido, né, cara.
Mas eu não entendi por que que ele queria ficar ouvindo o canto. Eu falei assim, bom, será que elas estão cantando a direção correta? Será que elas estão avisando da Sila?
Aí ele queria se culpar porque ele é o herói culpado. Olha aí.
Então eu achei meio nada a ver.
Astúcia dele no início do filme, o início do filme fala-se muito da astúcia do Ulisses, mas é só falar, só blablação.
É porque assim, na real é o lance dele desafiar os deuses, ele se sentir ele é arrogante o suficiente para falar que ele é melhor que os deuses.
Você acha que ele passa essa ideia de que ele se provasse?
Tem uma frase, tem frases dele falando isso, dele se provar. É, como é que é? Não tem, os deuses não podem contra mim, não vão poder contra mim.
Então as paradas, elas não são deusas, né?
Elas são cabeça da sobrenatural, né? A magia é que nem o Conan, ele não confia na magia, né?
Poderia ter essa porra nesse nesse momento, nesse momento do canto das sereias, as sereias poderiam ter cantado que eles vão ter que passar pelo, pelo bicho de 6 cabeças lá que come eles lá, que eu achei uma representação bizarra do jeito que vocês fizeram isso lá.
Fraco, rápido, dá para entender, um cara murcho.
Foi feio, foi feio.
Mas o interessante foi ele sacaneando a galera dele para poder passar por lá, que tipo mostra as tuças dele mais uma vez. Se eu falasse para a gente ir por ali, vocês não quereriam ir.
É, aí eles tentam botar essa, essa jogada do cara num ponto inclusive que ele sacou que ninguém queria ouvir ele, que ele só dava ideia merda, ele só dava. Mas eu brinquei com os cabelos do Didi da Seria para ele cantar para gente então, já que, né, a Odisseia é o canto de Homero. Canta para gente de 0 a 5, Robô Gigante, isso aí, suas considerações finais.
Puxa o ré maior para mim aí, puxa o ré maior aí, vamos lá. Então, acostumado a ter tudo, olha, eu não sei cantar Eu já não vou, não vou passar vocês, queridos ouvintes, aqui. Eu não vou botar vocês nessa situação, tá? Afinal de contas, a Odisseia, ela rolou no cinema, não vai rolar nesse podcast. Não tem essa jornada para voltar para casa só de ligar, cara. Mas olha, o filme, ele tem várias questões. O filme, ele tem várias coisas que são meio caidinhas, que, porra, não são tão legais o caralho.
Mas é um filme grandioso, é um filme grandioso. Como tem um tempinho que a gente não, realmente não tem no cinema uma grande produção assim numa escala como como essa, tá? Isso por si só obviamente não determina sucesso e qualidade, porém eu acho que ele toma uma decisão que no meu olhar foi muito interessante, que é de deixar a questão, essa questão dos deuses, como a gente já falou, junto do que pode ser, o que não pode não ser, essa questão dos relatos.
Para mim, o filme inteiro ele é trabalhado em cima disso, né, sobre os relatos que nós escutamos e as verdades que estão ali e tudo mais. Então é isso, achei muito interessante a maneira que ponto. Não tem como você dizer que os deuses existem nem que os deuses não existem. Você não pode chegar e fazer uma afirmação com plena certeza do que você tá falando, porque tem uma hora que eles falam uma parada e cai um trovão. Aí tu fala, aí, caralho, ele vai mexendo com o nosso emocional o tempo todo. Acho muito bom, acho muito legal.
Essa parte é legal do trovãozinho, galera.
É bem legal mesmo.
Ele tem várias pontuações divinas assim que a galera zoa.
Ele tá postado, né, quando ele para. E você, por acaso, é Zeus? Ele para. O trapézio, o trapézio do Matt Damon nesse filme funcionou para essa cena.
Foi bastante Cortou legal, envergado do que o arco que ele dobra.
Cortou legal ali na silhueta do manto e ele parou, meu irmão. Tu és Zeus, parou, velho.
Eu acho que eles tiram coisas que são importantes dentro da Odisseia para construção da Odisseia. A gente citou algumas e provavelmente tem muitas outras coisas que foram retiradas que a gente nem comentou aqui, sabe? Talvez nem perceba porque tanta coisa que ele deve ter adaptado que ele cortou muita coisa. De fora. Pois é, mas ao mesmo tempo eu acho que ele entregou um filme, cara, que para mim se tornou uma aventura interessante, num tom que eu não tô acostumado a ver, uma parada meio diferente do comum assim.
Eu gostei, me diverti, achei que teve uma escalada legal. Concordo muito com Gordilho quando ele fala dessa catarse do final, né, dessa crescente que ele vai retornando para casa e tudo mais. Achei muito interessante, achei o final também meio surpreendente porque eu ia estar acostumado com o lance dele ter que se sacrificar, né, para poder ter a sua redenção de alguma forma, que seria isso que traria o perdão para ele, que traria, né, a isenção daquela culpa, ou as coisas voltarem para o normal.
Então eu achei um filme muito interessante. As atuações é o grupo de escola do teatro que trabalhou ali, que é um bom grupo de colégio, legal, porra, bom.
Pois é, mas fica aquela coisa, a gente fica lembrando de 3G dos outros.
Em resumo, tá, gente, Eu me diverti, achei um filme legal. 3 pontos, 3,5, 3,6. Botar 3,6, Robô Gigante, porque eu gostei de algumas criaturas, gostei das sereias. Ela não foi lá, filmou a cara da sereia, e elas mergulharam, e peito de fora, olha, vou te seduzir. Pô, tem hora que eu achei que era pedra, irmão. Era penal, não tem sereia nenhuma não, é só pedra.
Legal, isso é legal.
Ela quer botar pedra nesse do caralho.
Como é que é essa sereia? Ela tá com rabo? Ela não tem rabo?
Ela tem rabo só porque ela tá trabalhado. Se ele fosse por esse caminho de você ficar na dúvida. São as rochas batendo? São morsas? São baleias cantando e a gente tá vendo ali uma formação? Mas ele não foi por esse caminho. São mulheres seminuas nas pedras, né?
Imagina, eu vi rabo, eu vi rabo, eu vi rabo. Tem uma cauda, tem cauda assim, cara. Ele já tinha apelado para dali a pouco uma serpente de 3 cabeças saindo de coisa, né? Tem monstro, tem homens, tem Homem gigante de plate armor, entendeu?
Isso achei péssimo, hein? Esses bárbaros aí, nada a ver. O que que os cara tavam fazendo ali esperando?
Qual é a relação disso?
Eles são os letriões.
Eu sei que eles são os letriões. Eles tavam ali no bosque, tinham 30 malucos esperando uma criança comer uma flor na, na, na, na, ou um coelhinho.
Foi jogado, foi jogado. Nesse momento, eu, eu, eu, tá ligado aquela musiquinha de que eu contando coisa correndo rápido assim.
A gente usou muito aqui na energia, tá ligado?
Para virar isso, eles entravam, eles entravam numa ilha e fala: eita, fudeu! É só cena deles correndo de volta para o barco.
E pô, vocês não sentiram falta deles pelo menos tentarem lutar contra os caras?
Sentir falta deles tentarem argumentar? Senti falta deles tentarem argumentar.
Lutar com, com os bichos saindo nessa armadura, tipo, o que que tá acontecendo ali?
A parada da argumentação que o Mau trouxe é muito interessante, porque faltou essa argumentação na parte do gigante, que era essencial para ter o diálogo, né, dessa conversa e tudo mais, de ter a conclusão, como vocês já citaram. Falta aqui também, de certa maneira, porque quando, e quando eles vão lutar, o Odisseu, ele vê que ele dá para matar, irmão. Ele fala, e caralho, pera aí, derrotei o cara aqui, mano.
Dos caras chegando, sei lá, era a vila deles, e os Quem são vocês? Os cambau, sai daqui! E aí começa uma porradaria. Eles são uns couraçados, mas constrói melhor.
E aí ele não—
com você, principalmente nessas duas primeiras ilhas, na ilha do Ciclope e dos Gigantes, ele não aprende nada com isso. Ele não aprende nada com os acontecimentos, nada, nada, nada.
Ele passa para terceira ilha, qualquer aleatório, mesmo múltiplo, mesmo múltiplo, que não anda com a história, só aconteceu. Ó, toma aí um XPzinho. Nem XP eles ganharam, porque eles não aprenderam nada, né, amor? Nem XP É, exatamente.
A gente, se a gente tivesse falado com gigante, até eles falam isso, pô, ele falava, né, pô, a gente não percebeu.
É tipo, aliás, que navegadores merda, né? Porque tem estrela, né, amigo? Siga a ursa, ele fala, siga a ursa. Perderam a ursa.
Mas aí o cara foi o seguinte, foi lá para o Polifeno. Ah, se a gente tivesse falado com Polifeno, teria dado bom, hein? Talvez, né? Pô, vacilamos, vamos para outra ilha. Ah, caralho, tem uns gigantes aqui, vamos trocar uma ideia com gigante aí para ver se vai.
Ah, não tem papo com gigante.
Então, ó, tem horas que tem papo, tem horas que não tem papo, hein, galera. Vamos chegar na próxima ilha que tem uma fumacinha lá.
A gente fala com o leão? Não, né?
É tipo assim, vamos chegar lá na casinha, vamos fazer o quê?
Ó, a gente pode conversar, que daria com gigante, com o polifeno. A gente pode só cair para o pau, que é o que daria certo com os gigantes da ilha.
Lá, os meios de fazer.
Vamos no meio termo aqui, uma parte fica pronta para bater, outra parte fica pronta para falar, sabe? Não tem um aprendizado nessa parada.
O filme é mal costurado, sem dúvida. O filme é muito mal costurado nesse sentido. E com isso dito, você tá com quantos robôs gigantes então, cara?
Eu dou assim, eu sou uma pessoa que tá, eu sou uma pessoa que, que eu me diverti apesar de tudo, né? Apesar de toda, acho que é longo demais. Acho que depois que o Nolan fez a trilogia do Batman, ele ficou com traumas. Eu acho que a Zendaya do Nolan é o Batman, né? Então ele não consegue fazer um filme com continuação. Ele poderia ter dividido esse filme em dois, poderia ser, poderia ter uma pegada meio Duna. Aí seria interessante.
Hoje ele faria Líada e Odisseia, faz uma trilogia também.
Pronto, eu assisti o filme do Brad Pitt antes de ir ao cinema, tá? Só para poder compor a parada.
Só podia aparecer o Brad Pitt.
O Brad Pitt correndo em algum canto na Batalha de Troia, né?
Ele só no cantinho correndo assim, um easter eggzinho, sacou? Mas eu, apesar de tudo, eu achei que ele é muito— poderia ter sido menor o filme, poderia ser menos expositivo, mas eu dou um 2,5, meus robôs gigantes, aqui. É um filme legal, legal. Não saí com raiva não, é médio, é um filme mediano. Não esperava mais do Nolan. Acho que ele poderia brincar mais com coisas lúdicas, e da mesma forma que ele brinca com coisas matemáticas, brincar com coisas lúdicas de storytelling. E muda o elenco, pelo amor de Deus, chega dessas pessoas.
Pois é, chega dessas pessoas, querido Gordinho.
2 robôs gigantes só. O filme, esse é o filme milionário mais vagabundo que eu já vi na vida. É o filme mais caro.
Pera aí, cara, leva de Fúria de Titãs, Gordinho.
Não, então esse tem entrega, tem entrega dentro do orçamento. Esse é um orçamento milionário que te entrega, não te entrega a grande, a grandiosidade da antiguidade, em que rotas comerciais, Ítaca é rica, Troia é as muralhas inexpugnáveis. As muralhas de Troia, pela altura que é mostrada, uma escada passa por cima. Então, e são, e eram inexpugnáveis por 10 anos. Então nada disso, nada disso se encaixa. E ela é a rainha de Ítaca, milionário reino que todos têm pretendentes, uma pobreza geral, um local lugo lubre.
Parece assim, ah, a gente quer mostrar a decadência da antiguidade depois da queda de Troia, tinha acabado de acabar há 10 anos. Então repito, não sustenta esse argumento por ser, ah, vamos mostrar decadente porque eles já estão decadentes. De fato, eles ficam com esse diálogo, ah, quebramos a lei de Zeus, agora que Troia caiu não há mais ordem, o caos vai se instaurar, vai se instaurar mar não se instaurou, o povo do mar não chegou para destruir tudo.
Então ainda havia uma beleza, era bonito ver essa beleza cair, mas não, ela já tá caída. Então é um filme com uma fotografia muito feia, muito ruim, muito escura, com cenários de produção, desculpe, que seriam, seriam risíveis se fossem na Record ou filme dos Trapalhões, mas não, é uma super construção e você só vê uns casebres e vê um palácio esquisito, né? O Templo de Atena é um corredor, é um corredor escavado na pedra. Então, beleza, esse é um aspecto técnico, mas que atrapalha a narrativa.
Assim como figurino, figurino conta história, é parte da composição dos personagens, passa suas personalidades. Por isso que tem Oscar para isso, gente. Conta, somam seus personagens. Aqueles figurinos que têm, alguns têm aparência de EVA, assim, atrapalha demais. Você está sendo super técnico? Estou, porque assim, quando é literatura, a gente só tem as palavras para a gente se virar, né? As palavras têm que passar tudo, né? Quando você vai para o audiovisual, é uma soma geral.
Por exemplo, aqui fica Então, meu Oscar e meu parabéns para o som magnífico. Acho que você é um incômodo. A viagem no navio, por isso que eu tô falando de som e não trilha sonora. O som no navio é angustiante, você se sente lá. Então isso é bacana, isso está ajudando a contar a história. Agora, figurino e design de produção é um desastre. Então é um filme milionário com apresentação vagabunda. Profunda e um elenco muito mal escalado, porque é um elenco cansado, é um elenco que não parece aquelas pessoas, que não pode nem cortar o cabelo diferente porque senão ele vai perder a grana da outra franquia. Exato, só são pessoas, meu irmão.
Tipo, tem aquele filme do Tom Holland que ele faz um doido assassino, que é da, é que ele faz um psicopata que é do caralho, ele tá de cabeça raspada, você não reconhece conhece ele.
Você, os anônimos são os que trabalham melhor. E também quem tem pouco nome, digamos assim, João Leguizamo, que você não vê sempre, a Samanta Morda, que você não vê sempre. Então o pessoal que você não vê sempre, eles te surpreendem nos papéis. Agora os veteraníssimos, e ah, vou dizer que a Anne Hathaway tá emocionante, sabe chorar, sabe passar, mas diabos, acabou de ver o Diabo Véspera, acabou de ver a Mulher-Gato, e ela não é bem usada também, né?
Ela não é bem usada. E aí, claro, enfim. E aí, mais agora para fechar, o meu cansaço com o tema de o herói está— o herói é incompetente, é derrotado e é um merda.
Então você é um herói cansado, cansado do herói cansado. É isso, Gordinho?
É isso aí, gente. Tem um paradoxo.
Viremos um Inception que também é do Nolan. Olha, então vou pegando, vou pegar o remo do É hora de pegar o remo do—
traz alegria para gente, Afonso Solano! Traz aquele som de festa aqui, você é o melhor do mundo!
Tem homem sem camisa, tem mulher pelada, tem mão.
Brincadeira, quase 50 anos na cara com aquele corpo, meu camarada! O médico tem que montar, né?
Acho que tá com seus também 53, 54 também.
Ele pegou nutricionista do Riff Jackman, né? Eu mesmo nutricionista aí, porque é quem comeu frango.
Olha, pegando essa última, 55, senhoras e senhores, ele é um ano de 1970. Ele tá super bem no sentido de esculpir um ator para um papel que se ele fosse um, se ele tivesse exagerado, menos health, aquela coisa, você fala, pô, pera aí, esse cara não é desse tempo. Ele tá com o corpo de um homem que é um atleta praticamente daquele naquela época, um soldado, e o cara tá igual um atleta grego, um físico grego, que inclusive o fisiculturismo buscava, né?
Hoje virou essa coisa esquisitíssima com os cara com a barriga imensa, parece um gorila.
Tem seu ponto, virou o Rock Show, tem seu valor. Pô, a combinação é o herói do caio, vilão do caralho.
É um ponto, é aquele barrigão. Mas olha isso que o Gordinho falou sobre o herói cansado, herói desconstruído. Eu acho que eu concordo com ele. Eu acho que não foi tanto. O Didi discordou que ele é um herói fofo. Eu vou tentar argumentar aqui o que eles fizeram. O conceito de herói ocidental de hoje, ele é muito diferente do que era o herói grego de 3.000 anos atrás. A gente tava falando sobre os líderes. Vou voltar para o 300 de Esparta, vou voltar para o gladiador dos experiências aqui cinematográficas, ainda que sejam personagens que nas minúcias você vê que eles são— a gente consegue simpatizar com Leônidas porque ele respeita a esposa dele, porque ele é um cara que ele tem certas ações que a gente se conecta com valores judaico-cristãos hoje, no sentido de caridade, perdão, cuidado.
Mas são personagens muito mais realistas do que aquela postura estoica de que quem é fraco tem que se foder. Esses caras e essas mulheres dessa época não tinha essa parada. Esse conceito de caridade cristã, especificamente cristão humanista, é uma coisa nossa. Naquela época, o mendigo— e nesse sentido tá mais realista— ele é tratado daquele jeito, meu irmão. Se ele é mendigo, é porque os deuses querem que ele seja mendigo. Quando você começa a estudar, o comportamento era esse.
Você chutar o mendigo. Alguém que, por isso que o cristianismo, e não tô entrando nessa onda, isso é história, gente, tá? A pessoa não precisa acreditar que Cristo, que a gente tá puxando, era mágico, era filho de Deus. Mas enquanto um filósofo, em termos históricos, o cara ele destruiu o Império Romano com um monte de outras coisas acontecendo. E uma das coisas que fizeram com que isso aconteceu foi que ele introduziu um vírus filosófico que era muito alienígena, que é a caridade.
Era um negócio que eles não sabiam. Quando você vai ler, é um negócio que não sabia lidar, e avançou a sociedade para vários aspectos. Então, no final, quando você traz um Matt Damon, o Odisseu, que se arrepende dos atos dele de guerra, que sob a nossa perspectiva é claro que são atrozes, são um bando de filho da puta, meu irmão. Mataram mulheres, criança, velho, todo mundo. Você tá modificando um herói grego para se adequar à audiência de hoje.
Eu acho isso pobre. Eu acho que ele poderia ter, assim como a gente falou agora do Máximus e do Leônidas, ele poderia ser um meio termo, sabe? Agora no final ele tipo, ah não, tá tudo errado, eu vou me exilar com a minha esposa, eu sou o cara romântico e tal. E isso é um resumo para mim, isso tudo que a gente meio que concordou, algumas coisas discordamos. Foi muito bom o papo, acho que foi um papo até corajoso. Tem muita gente que eu acho que tem medo de falar mal de um filme do Nolan, né?
Porque o Nolan e não sei o quê, e a elite está falando que o filme, tipo assim, porra, mas não estamos, não estamos nos conectando com os básicos da história. Que eu acho que a gente aqui, os pontos que a gente concordou são muito, foram muito pertinentes.
Uma coisa que todo mundo concorda, todo mundo concorda, todos nós sabemos, porque nós já vimos aquele filme da muralha dos alienígenas lá, do Matt Damon, que ele é um exímio atirador de arco e flecha, coisa que ele teve que desaprender para gravar, porque ele atira, caralho, parece que ele tá na pracinha, maluco, atirando com aquele arco e flecha.
É tudo cropado, velho, não tem nenhuma imagem dele com arco todo esticado, é tudo cropado, o arco tá sempre cortado embaixo na tela, é impressionante. Todas, falei, cara, tem duas coisas que tem que ser colocadas aí: toda cena que tem que ter arco e flecha tem que botar o cara do Senhor dos Anéis para poder dirigir, Peter Jackson para fazer cena de arco. E cena gigante tem que ser o Del Toro, quando tem que ser, porque o Del Toro sabe botar peso.
Tem uma hora ali no Ciclope ali que o peso fica esquisitão ali, você não sabe aquela movimentação.
Então assim, o que eu fiquei pensando no final é, cara, nesse ano ultimamente os filmes menores em termos de orçamento, de grandiosidade, de expectativa, são os filmes que estão mais se conectando e fazendo fazendo barulho. Você tá falando do Obsessão, você tá falando do próprio Backrooms, que é um filme pequeno de terror, tá se conectando com a galera de uma forma diferente. O Convite é o próprio Devoradores de Estrelas, que é um filme milionário, pô, espaço e tal.
É, não, tem que fazer assim, ó, Devoradores de Estrelas tem que fazer assim, né, que o Rocky é o dedãozinho. Quem já viu o filme sabe porque que tem que ser dedãozinho para baixo. Eu não vi ainda, é verdade, é verdade, cara. Vê sem spoilers Mas assim, a relação que o Ryan Gosling constrói com uma pessoa não humana nesse filme do Devoradores de Estrelas, cara, ela é muito mais humana do que qualquer relacionamento que você vê nesse filme aí da Odisseia.
Total.
Que isso? Eu acho que você emociona, Didi. Vê com a molecada, vê com a família, Didi, o Devoradores de Estrelas.
É um novo Robotópico que a gente vai fazer: Melhores Amigos Que Não Existiam.
Legal, legal. Eu vou dar uma, uma outra que me passou aqui pela cabeça até puxar agora, mas acho que a gente vai demorar muito. Mas eu acho que a gente tá numa fase, uma fase de transição entre, entre— a gente passou muito tempo com a era do anti-herói, do herói cansado e tudo mais tal. E eu vejo que agora a gente tem uma retomada de otimismo para, para o ciclo.
Ainda tem uns 2 ou 3 filmes lançados, o Super-Homem é isso.
O novo Super-Homem, é isso. Então assim, eu acho que a gente tem, tem, tá nessa fase de transição.
Devoradores de Estrelas eu não colocaria porque tem um elemento de covardia depois, uma redenção.
Cuidado, spoiler aí.
Mas demais, hein?
Já era para ter acabado esse programa há 15 minutos atrás e a gente tá caindo nessa porra desse bloco.
O Didi deu 2, o Didi deu 2,6. Eu vou ficar com o Didi também, tô no 2,6 com tudo que é que a gente falou. E você que tá assistindo a gente aqui, tem tantas câmeras hoje na MRG, né?
Eu dei 2, eu não sei mais também, não lembramos de nada.
Eu é que fui econômico, só dei 2 e olha lá.
Exato. Então tem esse conjuntão. Você então que tá assistindo a gente aqui no YouTube ou no Spotify, agora a gente tá, MRG é sempre à frente do momento, né, Didi Braguinha?
Caraca, tendência, hein? Guiando tendência. A gente é tipo o Mero, a gente pegou o caminho mais longo, só tá chegando agora.
Exatamente.
Tirem as ceras dos ouvidos.