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Como os nerds estão estragando a cultura pop? | MRG 816

04 de maio de 20261h3min
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Quando uma obra sai do nicho e vira fenômeno global, ela deixa de pertencer só aos criadores e passa a ser disputada por quem consome. Fãs organizados, campanhas online e reações instantâneas começaram a influenciar decisões criativas, moldar rumos de franquias e até definir o que continua ou é cancelado. Em universos como Star Wars, Marvel, Star Trek e O Senhor dos Anéis, essa pressão virou parte do processo e levanta a pergunta: até que ponto isso ajuda ou atrapalha?

No episódio de hoje do Matando Robôs Gigantes, Didi Braguinha e Affonso Solano recebem Northon Domingues e Afonso Tresdê para discutir como o comportamento dos fãs impacta a cultura pop. Entre casos polêmicos, mudanças de rumo e expectativas impossíveis de agradar todo mundo, o grupo debate se os nerds estão fortalecendo essas obras ou, em alguns casos, contribuindo para que elas se percam no caminho.

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Assuntos7
  • Nerdice e Cultura PopInfluência dos fãs em decisões criativas · Pressão dos fãs em franquias · Comportamento dos fãs impactando a cultura pop · Expectativas impossíveis de agradar · Nerds fortalecendo ou prejudicando obras
  • O nerd estragou a cultura pop?Curva de ascensão do nerd · O nerd virou hype · Lado positivo e negativo da ascensão nerd · Cultura nerd venceu ou foi sequestrada pelo mercado
  • Paixão do fã vs. Senso de possePaixão crua e menos requintada · Transformação da paixão em posse · Sentimento de propriedade sobre obras · Crítica a opiniões divergentes · Star Wars como exemplo de posse
  • Quaresma e Tradicoes ReligiosasCânone como doutrina · Cânone como seita · Fãs cerceando a criação · Uso religioso do cânone · Fidelidade à obra base
  • Impacto da IA no trabalhoSonic e a mudança de design · Arthur Conan Doyle e Sherlock Holmes · Star Trek e o cancelamento · Movimento dos fãs de Star Trek · Convenções de fãs
  • Fãs como sustentadores da obraDireito de reclamar e opinar · Audiência pagante sustentando a produção · Influência na decisão criativa · Star Wars e o desastre recente · MCU e a insatisfação dos fãs
  • Fidelidade vs. Adaptação de obrasFoco na enciclopédia da obra · Perda de nuances narrativas · Adaptação para diferentes mídias · Demolidor e a adaptação para o cinema · Homem-Aranha e a fidelidade aos quadrinhos
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Bom dia! Boa tarde! Boa noite. Boa madrugada! Estamos começando mais um Matando Robô Gigante, senhoras e senhores.

Eu sou o Diogo Braga, o Didi Braguinha. Estou aqui virtualmente ao lado de... Afonso Nerdão Solano Vendidas. E diretamente... E diretamente do Bunker X... Eu não sou o Chapolin, eu sou o Afonso 3D. O seu... O seu amigo camarada de sempre.

Olha lá, é direto do canal Norton Domingues. Lobisomem do interior, o Nortinho. Ele mesmo. Você tá nessa agora, Nortinho? Só por causa desse bigodinho de lápis aí que você tem.

Pô, é o bigode lá. É, bigode de festa junina, sabe? Que a mãe fazia antigamente, tá ligado? Não, mas tá maneiro. Imagina um beijinho no canguate pra esse bigode. Eu fiz uma zoeira, mas ela não era uma zoeira nesse nível. Era assim, Afonso. Era assim, hein? Todo mundo entendeu que você tá desmerecendo o esforço.

Não, era assim, era assim. Banca, banca. Peraí. Banca, agora banca. Nessa altura do campeonato, tu acha que alguém vai levar você para o bom laranja? O cara tem uma barba que vai até a altura do peito e quer tirar o meu bigode. E aí? Uns tem muito, outros tem poucos, cara. E aí? Eu me tornei exatamente isso. Não, porque pense o mustache, é um estilo de mustache dos anos 20, de fato.

Ah, e aí? Todos nós falamos pro lado tóxico do seu comentário. Exato. Eu só conheço o bigode de lápis. É o que a mãe pegava, aquele lápis de olho, pra fazer no filho. Tipo, na festa junina, fazer o bigode. O bigode e a sobrancelha. Tanto que eu mantenho a minha sobrancelha de festa junina já. É, o Diogo não lavou até hoje. O Diogo não toma banho, não lavou até hoje.

É a verdade, não minto. E apesar de eu ter sido tóxico, fiz um tóxico, vamos chamar tóxico, grosso, que mais? 3D, faz um... Como é que eu fui agora com o Norton? Não sei, é rústico. Eu acho rústico, eu gosto de rústico. Rústico, eu gosto de rústico, né? Como o nosso amigo de outra galáxia. É uma coisa ruim, mas tudo bem.

É, então, eu apesar de ter feito essa brincadola, por acaso, eu e Didi Braguinha e nosso querido amigo Beto Duque Estrada, que infelizmente não está aqui, estivemos em São Paulo recentemente para uma aventura jabática, né, Didi? Estávamos lá com a turma do derivado Cash, lá o Michel, o tal, o Alê, todo mundo, o Bubu. E a gente, nós ficamos hospedados aí, Didi, no mesmo Airbnb, que o Beto...

e recusou a nos receber na casa dele, né? Sensualmente foi isso. Que beleza, hein? Pano sujo. Claramente eles não se aguentam mais, né? Não, não. Claramente. Claramente são atores. E aí, cara, eu e o Didi ficavam na minha casa e a casa tinha um tema oriental. Não tinha. Correto, Didi? Tinha um tema nipônico, japonês. Ou seja, vocês foram para um quarto de motel temático, basicamente. Sim. Não, era um apartamento inteiro, caralho. Era um apartamento inteiro.

É quando você vai no motel e aí você escolhe tipo a suíte... Ah, a suíte medieval. Suíte medieval, a suíte espacial. Exato. Tem essas paradas. E aí a gente notou, eu e o Didi, que no meio da sala ela era rebaixada.

Não sei se vocês já viram esse estilo. É comum, não somente no ocidente também, né? Elas tinham aquele rebaixamento, mas era um rebaixamento, tinha uma parede de papel, bem naquele estilo mesmo, samurai e tal, né? Contudo, contudo, havia uma pequena placa na parede. Havia uma pequena placa assim, cuidado com o degrau, só isso.

Pequenininha. Evidentemente, eu e o Diogo nos tabacamos, tomamos vários tabacos ao longo do dia, especialmente na lana de madrugada, né? Pai no banheiro, bebi água e tal. E a gente queria estender a vocês, convidados aqui, 3D e Norton. Vocês já morreram numa casa japonesa? Isso é uma coisa muito específica, né?

Eu vou de uma vez numa casa japonesa no motel. Qual a maneira de sinalizar melhor esse degrau, esse rebaixamento, do que uma plaquinha na parede? Não, então, estamos todos, apesar de eu me achar um pouquinho mais esperto do que a maioria dos humanos pra não ficar caindo à toa em degrau mal feito, eu acho sempre que esses degraus dentro de casa, assim, eles são muito escrotos. Você tem que sempre estar sinalizado.

O melhor é fazer, meter um cimentão e fazer uma rampinha logo, porra. Mete logo uma rampinha. Que aí não tem problema. Mas aí perde a japonista, não acha, Norton? Pode que já... Tem rampa em Tóquio. Tenho certeza que em Tóquio tem rampa. Você acha? Quer dizer que assim... Em Tóquio tem rampa. Deve ter uma ladeirinha, deve ter uma ladeirinha. Tem uma ladeirinha, sacou?

Chama de Montefuji, sacou? Tipo, ó, bem-vindo ao Montefuji. Aí você sobe o degrauzinho, pronto. De certa maneira. Eu não sei, porque eu sei. Bota pinta de branquinho. Pinta o topo do degrau de branquinho, sabe? Pra parecer o Montefuji. Eu acho... Pinta de amarelo igual nos videogames, assim, ó. Aqui você tem que tomar cuidado, hein? Amarelo é uma... Tem uma faixa amarela, sabe? Que você pode subir ali. Eu nunca fui ao Japão. Creio que nenhum de nós aqui tenhamos, né, ido ao Japão, por enquanto.

Não, ainda não. Tem muito tempo ainda. Mas eu não acho, eu discordo que lá tem muita ladeira. Eu acho que o povo japonês, o que você mais vê em filme, documentário, é escada. Escada pra cima e pra baixo. É verdade. É incrível. Não tem como. É verdade. Não, não, não, não. Cena clássica de Studios Ghibli é o quê? Bicicleta na descida.

É, olha aí. Mas aí é desenho animado. É o que eu sei do Japão. Velozes e Furiosos 3, desafio em Tóquio. Um dos desafios do começo do filme é eles subirem a ladeira de um estacionamento. E a ladeira é espiral. O estacionamento é uma ladeira espiral. Hot Wheels.

Hot Wheels, pra caceta. Hot Wheels. Mas aí é carro, gente. Aí vocês estão falando carro. Tu acha que as ruas vão ser de integral? Mas é Tóquio. O Didi tá certo. O Didi tá certo. Não, eu tô falando de ladeira para humanos. Ladeira para pessoas. O Drift, Afonso Solano, lá no Japão, ele desce uma montanha cheia, totalmente sinuosa, que é uma palavra maneira pra curvas. Sinoosa.

E a galera fazendo drift nessa montanha aí, nessa parada. É inacreditável. Entendi. Tá vendo? Então, a montanha, a ladeira, a pessoas. Então, essa casa precisa ser revista. É verdade. Mas, ó. Deixa eu passar um pano aqui pro Afonso. Vamos dar três estrelas, Didi? Não, não. Três estrelas. Não, não, não. Peraí, peraí. É porque não é ladeira, é rampa que o Afonso tá falando. Quem escolheu? Agora eu quero ver que vocês se apontem.

Quem que escolheu? Alguém escolheu. O Airbnb não se escolhe sozinho. Foi o time. Qual que você ganhou hoje é sobre a...

Como escolher um Airbnb? É isso. Patrocínio nenhum, mas... Né?

Senhoras e senhores ouvintes do Matando Robô Gigante, estamos de volta aqui com mais um programa no seu ouvido, para o seu cérebro reperberar pelo seu corpo. Hoje nós vamos falar sobre um assunto delicado que nos inclui, inclui você também, inclui todo mundo que teoricamente você conhece, a maioria das pessoas que você conhece, porque se você é nerd provavelmente você não tem muitos amigos normais, tá? E se você é... Nossa, que ataque, mas continua. É gratuito, foi gratuito. A verdade é gratuito? Depende, não sei.

a verdade dá menos trabalho de contar então ela é de graça, se tu quiser que eu minta eu tenho que inventar, então tu me paga nossa, que clima bom vai ser vamos lá, estamos indo de um caminho bom pra esse programa exatamente

Porque a pergunta do programa de hoje é como o nerd está conseguindo estragar a cultura pop, tá? Basicamente, a gente vai falar sobre o quê? Irmão, a gente teve aí a curva de subida do nerd em si, né? A gente já falou isso, que o nerd ficou... O nerd virou AAA, o nerd ficou no hype, sofreu essa parada, o nerd era o grande... A inteligência era sensual a partir de agora e tarará. E aí, tudo que vem, toda moeda tem dois lados. Tem o lado positivo...

que favorece, que é legal, é interessante. Mas também tem um lado que muda as coisas, que estraga as paradas. O lado negativo da parada, né? Nesse ponto, a lista é simplista que a gente está teorizando aqui de alguma maneira. Cara, mas Diogo, em cima dos que você falou, cara, eu acho que eu vou suar cafona e demoder aqui. Mas assim, eu devolvo para vocês uma questão. Rapidinho, como é que você sua cafona? É numa bicicleta de uma roda só?

Ele transpira só embaixo do seio e do bigode. Exatamente. Eu falei soar e você falou suar. Suar? Opa, vamos lá. Cada um entende o que merece. Mas enfim. Achei maneiro. Dentro do... Cavalo. Cavalo. Cavalo.

Dentro do que você falou, Diogo, que foi um discurso muito bonito, inclusive, eu diria, o nerd estragou a cultura pop ou a cultura pop estragou o nerd? Essa é a virada, porque a pergunta que eu ia finalizar exatamente nesse sentido é a cultura nerd venceu ou foi sequestrada pelo mercado? É isso, tipo tostines. Eu vou tentar trazer aqui um contra-argumento, então, pra gente expandir essa questão. É o seguinte... Ataca eles, ataca eles, vai.

A gente, o pessoal pode lembrar, assim, quando foi a mais recente vez onde os nerds conseguiram protestar a ponto de um estúdio, modificar algo estrutural na obra que acabou de sair ou vai sair, etc. O pessoal pode lembrar do Sonic, né? Isso que eu ia falar, bem lembrado. Botaram o trailer, todo mundo lembra, aquela comoção. Hoje virou meme, mas na época foi, né, preocupante. Há quem diga, e eu e o 3D entendemos muito de conspiração,

que isso tenha sido algo planejado, né? Um golpe de marcas e tal, etc. Mas aconteceu a revolta. Contudo, eu lembrei do Sherlock Holmes. Vamos voltar bastante no tempo, tá? O autor do Sherlock Holmes, pra audiência que não sabe dessa história, o Arthur Conan Doyle, ele matou o protagonista dos livros dele numa obra chamada O Problema Final. The Final Problem.

Porque ele achou que era na hora, acabou. Ele e o Moriarty, que é o arco inimigo do Sherlock, lutam numa cachoeira, aquela coisa, ele morreu, acabou. E aí os leitores, meu irmão, cancelaram as assinaturas das obras que publicavam o Sherlock, mandaram carta, foi uma revolta. E a editora convenceu o Arthur Conan Doyle de voltar com o cara. Não, ele na verdade estava escondido. Foi um plano, etc e tal. Puta merda. É, é.

Trek, Didi, você que é o nosso... Acho que você e 3D aqui talvez sejam os maiores fãs de Star Trek. Ela foi cancelada. O 3D gosta de Star Trek. Tem a ver com espaço. Exato. Eu sou Star Wars. Eu tenho mil tatuagens de Star Wars. Olha como me estraga tudo. Essa rivalidade não existe mais, 3D.

Ah, eu achei que fosse... Ah, eu achei que fosse... Ah, eu achei que fosse... Esses símbolos aí que você tem, cara. Eu achei que fosse Star Trek. Eu só vou se fuder, Afonso Solano. Tu não entra na minha casa hoje. Que é isso, meu filho? Calma. Tu não entra na minha casa hoje. Ih, vai dar um erro. Não, isso é uma ofensa de último nível. Falar que os símbolos de Star Wars são símbolos de Star Trek. Tá louco.

Você é um tracker, tá? Pode falar que eu sei. Na calada. No íntimo do seu... Só porque eu tenho três dedos. Olha aí. Olha o capacitismo.

Eu acho que... Olha o capacitismo, cara. Vou colocar a aposta. Eu acho que você tem essa raiva de Star Trek porque você não consegue, por causa dos seus dedos, fazer o símbolo clássico de Spock. Pelo contrário, eu sou o símbolo. Ele é eterno, né? Oh, eu sou o Star Trek. Eu sou o Star Trek. O fato é, senhores... É porque eu não gosto de Star Trek, porque é uma merda mesmo. Só porque é ruim. Por isso que eu não gosto. Reflita um segundo sobre o que você está falando.

Porque se você fizer isso, eu tenho certeza que você vai mudar de opinião sozinho. Ai!

o que tava te agredindo era o Afonso, calma, caraca o podcast MRG não se responsabiliza pelo que os seus convidados falam, tá bom? isso é uma opinião do Afonso 3D 3D já farmou seu ódio diário, então eu queria dizer o seguinte o Star Trek

Ele foi quase cancelado na segunda temporada. Tava muito ruim a audiência, né? Frente à expectativa que a empresa lá queria. E aí seguiu mais um pouquinho. Quando chegou na terceira, aí que foi cancelado de vez. Aí os fãs, os poucos, né? Entre aspas, que assistiram, mandaram mais cartas. Falaram, não, dá pra retrabalhar, mudar a grade, não sei o quê. E a galera acreditou. Ah, tá bom, vamos tentar mais um pouco. Aí fizeram umas mudanças e se tornou, apesar do ódio do 3D, uma das maiores referências de ficção científica.

da história. Então assim, só trouxe assim, né, Didi, né, galera? Pra gente lembrar que o nerd há muito tempo influencia agora. O exemplo que você trouxe de Star Trek eu acho que é um excelente exemplo, porque ele começa sendo um tipo de nerd óbvio que a gente já tinha, né, aquele secto de fãs de ficção científica que vinham da literatura.

A gente tinha ficção científica, fantasia. Então você tinha muitos grupos de pessoas que se reuniam para bater papo sobre Tolkien, sobre diversas obras, o Cavalo de Troia, sobre Duna, sobre uma série de obras na literatura. E a galera já se reunia, já tinha esse tipo de coisa.

Mas o Star Trek é muito relevante porque eles criaram o movimento, os trackers, né, criaram esses grupos, criaram convenções, e esse movimento foi uma coisa que não aconteceu da noite pro dia. Foi como vocês comentaram, eles foram vendo, foi tendo uma evolução tão grande, porque, obviamente, na época, você não tinha esse serviço de assistir as paradas por demanda. Né?

Você via ao episódio, sei lá, 6 da primeira temporada, quando ele ia pro ar e depois, dois dias depois, você via de novo numa reprise, alguma coisa assim. Então, eles precisavam, nessa época, achar o momento onde o suposto público de Star Trek estaria em casa pra assistir, né? Estaria disponível pra ver a parada. Então, o Star Trek acabou fazendo muito sucesso e se tornando essa referência, muito por causa das reprises que passavam em outros canais, em outros horários, anos depois, assim, né?

E aí tiveram os filmes, esse tipo de coisa. É isso aí. Eu tenho um dado interessante, acho que eu nunca falei isso em nenhum outro podcast. Quando eu fui cobrir a AlienCon, lá em 2016... Na Terra? Era na Terra? É, na Terra. Na Terra foi a edição Terra.

A próxima vai ser aonde? É. É. Sempre é um planeta diferente. É que o Alie e Com é complicado, né? É complicado. E aí, quando eu fui cobrir lá nos Estados Unidos, eu entrevistei um monte de gente famosa da época de filme de sci-fi que tava lá no Artist Alley. Um dos caras que eu entrevistei e acabou nem indo pro ar, que eu fui cobrir lá pelo Jovem Nerd e acabou nem indo pro ar, eu entrevistei um produtor da série original do Star Trek. O Arque.

E aí, cara, foi legal o papo porque ele me contou que ele era um tracker e ele entrou no New Generation, né? Na verdade, perdão, ele entrou na terceira temporada e aí quando acabou ele só voltou no New Generation. E aí ele contou cara, essa história de ter quase acabado na segunda temporada e aí você tem essa enxurrada de cartas, né? Que as pessoas mandam e aí eles voltam pra uma terceira e aí a terceira falha miseravelmente e eles cancelam de vez até sei lá quando.

Mas ele falou que essa enxurrada de cartas entre a segunda e a terceira temporada foi o que fez os fãs de Star Trek se reunirem, se encontrarem, porque, tipo, isso saiu na imprensa. Então os caras acabaram, tipo, cara, se tem um monte de gente mandando carta da forma que eu mandei, porra, a gente tem chance de ser uma comunidade maneira, cara. Então foi o primeiro, tipo, foi o primeiro, tipo, rede social, vamos chamar assim, entre aspas, o primeiro, sei lá, o fórum. Primeiro fórum de fãs. Fãs.

sabe? Talvez tenha nascido desses envios de carta pra emissora e aí os caras acabaram se ligando que, cara, pô, a gente é um grupo poderoso a gente conseguiu fazer com que uma emissora pudesse botar a nossa série preferida de volta de novo. Pô, vamos nos unir. E aí a partir dali, de 68, 69 salvo engano, que o pessoal começa a trocar carta entre si e começar a criar os clubes de trackers pelos Estados Unidos.

Cara, isso me leva pra uma questão que eu acho muito foda. E o 3D, eu acho que não necessariamente pelo Star Trek, mas 3D é um membro, porra, ativo, frequentador de convenção de Star Wars, né, 3D? Sim, sim. Tu vai, venta, porra, de coisa. O cara, porra, animador do meio. O cara, porra, 3D, meu irmão, super envolvido com essas paradas. Lá no Rio de Janeiro, então, cara, figurinha garantida de tu encontrar 3D quando tiver tendo uma Jedi Con, coisa desse tipo. Tu joga de sábio de luz, assim, na rua, o 3D aparece, cara. O cara do nada é.

Te manifesta, né? Você não pode fazer isso com a arma de um Jedi. Ele vai pegar no chão. E aí, eu vejo muito algumas questões do nerd mais antigo e tal, que não necessariamente é um nerd de boa, ele também é chato, mas com uma parada de paixão mais crua, menos requinta.

com aquela coisa, cara, eu amo essa porra, eu quero me vestir dessa parada, da gente ter um pouco dessa vontade de deixar aquela franquia, de certa maneira, aparecer na gente de alguma maneira, seja com camisa, seja com tatuagem e por aí vai. Mas eu vejo que agora, e aí pode ser só uma sensação minha, mas eu tenho a sensação de que agora, em algum momento, essa paixão que a gente tinha pelas obras que a gente sempre amou, elas se transformaram quase como uma sensação de posse nossa. É.

E aí a gente tem a sensação de que a gente, sei lá, é dono dessa porra ao ponto de alguém vir com alguma opinião ou desgostar das coisas que a gente gosta e a gente criticar, achar que a pessoa tá errada simplesmente porque ela tá falando que aquele bagulho, ela pensa diferente, né? Vocês veem um pouco disso? De que essa paixão, ela de alguma forma se transformou numa noção de propriedade, sabe? Essa porra é minha. O meu Star Wars é a minha coisa que me define.

Olha aí, Norton, você que tá no seu ambiente aí agora. Star Wars talvez seja maior.

exemplo disso? Cara, eu concordo totalmente, porque assim, principalmente com Star Wars, né? Como o 3D falou, essa questão das cartas, do Star Trek, aconteceu algo parecido com Star Wars na época. A gente comemora hoje, a galera de Star Wars comemora o 4 de maio, né? O May the Force. Cara, isso é basicamente uma união de fãs que foram se reunindo nos Estados Unidos e, bom, pegaram o May the Force, né? Pela pronúncia do May the Force.

to be with you e virou meio que uma convenção. A galera ia se reunindo, se trocando cartas pra se reunir. Aí chega em 2011, 2012 na verdade, a Disney compra e oficializa como um evento. Só que isso, o que eu tô querendo dizer, é que é a movimentação dos fãs. Os fãs criaram essa parada, os fãs pegaram esse trocadilho e criaram o dia de Star Wars, assim. O que eu tô querendo dizer com isso? O fã de Star Wars principalmente, ele se vê dono da parada porque, cara, foi muito do que eles que movimentaram, sabe? Deixa eu te dar um... Só fazer um parênteses aqui do que você tá falando.

Por favor. Lá vem. Afonso Solano vai saber exatamente do que eu estou dizendo. O MRG, senhoras e senhores ouvintes, ele tem a incrível habilidade de, sem querer, sem querer, a gente acerta mais datas. Hoje, o dia de publicação desse programa é exatamente o 4 de maio. E a gente não planejou isso. Olha aí. Olha aí. Bateu uma salva de palmas aqui para o profissional.

E aí, então, eu vou mandar um beijo pro Pedrinho, porque dia 4 de maio, eu sou fã de Star Wars, tão fã de Star Wars que meu filho nasceu no 4 de maio. Então, um beijo, meu filho, parabéns pra vocês. Olha aí! Parabéns pro Pedrinho. Parabéns. Caraca, parabéns. Do Pedrinho. Porra, muito bom, cara. Muito foda, caralho. Eu vou resumir com duas palavras. Parabéns.

Tu planejou pra transar na data certinho pra nascer? Não, inclusive ele é prematuro, coitado. Ele nasceu antes da data. Então ele adiantou porque era... Ele adiantou por causa disso. Ele é fã natural. Ele veio sendo fã. Ele sacudiu a mão dele assim. Vamos lá, vamos nascer logo. Nasce logo. Carniça, sai daí. É um susto na barriga da mão. É um susto na barriga.

Olha, eu vou acrescentar o seguinte, a gente está questionando essa sensação de posse da propriedade intelectual que nós, nerds, muitas vezes sentimos. Mas eu arrisco dizer que sim, nós somos sim um pouco donos, de certa maneira, nós temos ações metafóricas nessas obras porque somos nós que as sustentamos. Mas a gente não é consumidor, Afonso?

Sim, sim, mas se não... Calma, deixa eu tentar construir aqui... Eu tô consolando, eu tô consolando. Eu tô contigo. Eu ainda não entendi. Sem a audiência pagando, sustentando aquela produção, seja um pequeno autor, seja um grande estúdio como a Disney...

A obra, ela não acontece. Então sim, nós temos direito de reclamar, de opinar. Aí falando com relação na direção audiência-estúdio. Não audiência-audiência, que é um ponto que o Didi botou que a gente vai voltar, que é legal. Mas assim, o cara que assiste, a mina que lê a obra, tem direito sim de reclamar, de mandar carta.

de querer se juntar nessas comunidades históricas aí pra poder alterar, pra poder influenciar aquela decisão criativa, porque, afinal de contas, é ela que tá comprando. E a gente está vendo essa influência agora, muito mais poderosa, nos filmes e nas obras recentes, que é como a gente citei o Sonic, mas o próprio Star Wars, né? Todo o desastre que vem acontecendo com ele, o próprio MCU, as pessoas estão lá dentro sapateando, desesperadas.

Não é só porque as pessoas estão reclamando no Twitter. O nerdão de óculos, né? O nerdão melecão, aquele estereótipo e tal. Se ele só reclamasse e fosse ver, o que também acontece, se tivesse ficado parado aí, é uma coisa. Agora, a exemplo que eu falei desde o Sherlock, as pessoas param de assinar os serviços, elas param de comprar, e a galera lá em cima sente. Então, acho que sim, somos parcialmente donos.

Cara, mas olha só, aí a gente entra numa conversa mais filosófica sobre amor, tá? De certa maneira. Olha, amor, vamos lá então. Olha, amor é contigo também. Eu faço um paralelo do amor, nesse caso, com a religião. Porque o que fica pra mim de sensação... Não é, mas o que fica de sensação pra mim é que no momento em que o fã... Fala de política também. Amor, religião, política. Provavelmente vai entrar. Pra falar de nerd, a gente vai ter que entrar nessa, cara.

Já avisei que vai dar merda isso. Mas só pra concluir, pra não ficar sem ponta, o parada pra mim é que, assim, no momento em que o nerd ele ama muito aquilo e se sente parte daquilo, ou como se aquela obra fizesse parte dele, né, ele tem, não consegue se distanciar daquela parada, como a gente sabe que muitos de nós temos obras que nos pertence e a gente não nos pertence, mas que fazem parte de quem nós somos, de certa maneira, definiram muita parte do nosso caráter, da nossa vida.

a gente também não pode confundir isso com uma religião, com a doutrina, que é o que vem acontecendo. Muitas vezes, hoje em dia, eu vejo que o cânone, ele se transforma numa seita, onde você não pode fugir das paradas em prol de um outro caminho. Sabe qual é? Então, o nerd, eu vejo que ele fica cerceando, de certa forma. Ah, eu tô jogando isso, tá? Vamos lá, vamos lá.

Eu vejo que ele vem cerceando a criação de novas coisas, usando o cânone de forma religiosa, para que não pingue fora do pinico, para que não saia daquele escopo que é o que nos convém, de certa maneira, que a gente já está acostumado dentro daquela parada. Vocês têm alguma sensação com isso? Lembrando que a palavra cânone é religiosa. É daí que vem, literalmente, a expressão.

É, o canone é a Bíblia, o canônico, o que foi canonizado, o que está escrito. A palavra não necessariamente é religiosa, mas ela é ligada à religião, né? Tá, entendi. Então, mas é isso que o Didi falou, é importante, porque eu acho que é um dos grandes, não sei se problemas, mas uma das grandes discussões é que assim, a gente, como nerdões, a gente fica muito em cima dessa questão mais enciclopédica da coisa, sabe?

E muitas vezes a gente deixa passar coisas como narrativa, coisas como contexto, coisas como arco. E é uma coisa que eu venho percebendo bastante isso. Então, se é uma obra baseada num personagem do quadrinho, é o Demolidor. Vai fazer um filme, uma série do Demolidor. Stallone, né? Stallone, Wesley Snipes e grande elenco. Esse mesmo. Sandra Bullock, o Demolidor.

Se no filme o personagem A faz um negócio diferente do que ele faria no quadrinho, por exemplo, já é algo ruim, já é algo a ser discutido. Só que é uma obra diferente, é um arco diferente, quem tá escrevendo é diferente. Eu acho que a gente perde um pouco. E eu tô falando por mim, tá? Eu demorei muitos anos pra...

pra melhorar isso, assim. Eu sempre fui aquele nerd chato enciclopédico, que eu pego o quadrinho, olha, mas aqui no quadrinho do Homem-Aranha, 103, o Matt Murdo, que tá com a roupa amarela, quando ele conhece o Homem-Aranha. Então, isso é muito chato. Isso é muito chato. É chato pra caralho.

perde a nuance, cara. A gente tá assistindo um filme, a gente tá assistindo uma série, o arco tem que funcionar pra aquilo ali. Não é igual ao quadrinho. Você quer que seja igual ao quadrinho, você vai ler o diacho do quadrinho. Eu acho que tem um pouco disso. Tem essa falta de tato que a gente foi deixando de ter aos poucos e eu acho que quanto mais o nerd, com aspas, foi ganhando mais destaque, dominando o mainstream nos últimos dez anos e talvez a falta do poder agora seja uma coisa que assuste os nerds.

Eu acho que a gente perdeu um pouco isso. O importante é o cânone. O importante é a... Como é que fala? Como é que... Que seja muito parecido com o quadrinho, que seja muito parecido com a obra base. A fidelidade. Eu não acho que isso é... Fidelidade. Eu acho que não é muito essa linha. Cara, e eu acho que isso estraga um pouco a experiência.

Eu tenho pra mim que existem alguns níveis de nerd, tá? Não vou categorizar agora e dizer quantos, mas esses são alguns níveis de nerd. Você tem o nerd que é o ultra apaixonado, que ele vive praquilo, é aquela pessoa que respira 100% do tempo, já que a gente começou a falar de Star Wars, né? Respira 100% de Star Wars.

E aí você tem num nível... Esse é o pior tipo, né? É, aí você tem num nível abaixo, você tem eu, o Norton, sacou? Pessoas que têm vida, mas amam aquela parada e vão estar sempre tratando Star Wars como aquele filho sem talento, sabe? Mas que você vai na...

Eu acho que você vai ver a audição dele, sabe? Mesmo ele tocando mal pra caramba piano, você vai assistir e vai bater palma. Só que afinal de contas é uma coisa que você tem um carinho por aquilo. E aí você tem os outros níveis abaixo da pessoa que gosta, mas não perde tempo da vida dela com aquilo. E assim, eu acho que o problema tá no topo da cadeia. O problema tá lá no cara que, meu irmão, a vida dele é feita daquilo. E se aquilo muda de qualquer forma... Porque assim, no final do dia, todos queremos histórias bem contadas.

Certo? Todo mundo. Não interessa se você gosta muito ou pouco. Será? A gente quer história bem contada, tá? Eu acho que isso é um ponto pacífico pra todo mundo. Queremos histórias bem contadas. E aí, cara, se a história não é contada pro nerdão lá que vive daquilo, se a história não é contada do jeito dele, do jeito que ele imaginou, que ele sonhou, sabe, nos sonhos mais profundos dele, ele fica frustrado. Se a história é mal contada pra mim, pro Norton, de repente, a gente vai falar assim, porra, que merda, hein? Podia ter sido melhor.

Mas eu, por exemplo, sou o cara que dou novas chances. Agora, se a história é contada pra você, Didi, ou pro Solano, vocês falam assim, meu irmão, essa porra é uma merda. Não vou assistir o próximo. Sacou? Cara, eu lembro de um episódio. Eu gosto dessas camadas. Acho que eu falei, falei, falei e não concluí, mas eu passo a palavra, porque senão eu vou ficar longo. Não, mas você deu a... Foi bom, é. Eu vou pegar isso que você falou.

É, isso já é. Deixa eles censurarem, não, o 3D. Ficou claro? Não, mas ficou claro, pelo menos, o que eu quis dizer.

Eu vou pegar o seu exemplo, assim, essa questão das classes, né, desses níveis de nerd, são óbvias, inclusive já vieram a rompiada. Eu lembro de um episódio dos Simpsons, já citei alguma vez, acho que no MRG, que está a Lucy Lawless, que interpretou a grande Xena, a princesa guerreira, que era um clássico da televisão aqui, da nossa época de adolescente e o Norton bebê. Grande ícone LGBT. Grande ícone.

Também, exatamente. Ela e a parceira, esqueci o nome daquela lourinha lá, né? Foi uma série... A Gabriela. Foi uma série muito divertida e todo mundo gostava, né? E aí tem um episódio simples, que ela foi convidada pra participar e mostrou uma... Tipo, uma CCG SP, assim, uma Comic Con. E ela tá lá, não sei o que, respondendo pergunta. E aí levanta... Basicamente tem dois super nerds, assim, nos Simpsons, né? Um magrinho de óculos, com palominha, assim, e tal. E tem o dono da Comic Shop. Lembra? Um gordão? Aham. O cara dos quadrinhos.

Isso, aí levanta o Miro Magrelo, faz uma pergunta. No episódio número 38, você pega a lança do destino, mas a lança do destino já havia sido deixada num outro lugar. Exatamente o que vocês falaram. Ela, ah, isso foi por causa de magia. É, foi magia. Ela foi teletransportada para o local do episódio novo. Ah, ok. Aí senta, aí levanta o gordão. O mago Homestead, ele usou uma magia que no outro episódio disse que ele não sabia.

como isso é possível? Aí ela, gente, vamos estabelecer o seguinte, sempre que tiver alguma inconstância de roteiro, foi magia, tá? E aí... Ali eu acho que representa bem isso que o 3D falou. A maioria de nós tem, e nós fazemos, claro, parte aqui, né, enquanto profissionais da cultura e tal, não sei o quê, a gente representa essa galera que gosta acima da média, a galera que gosta de ler o livro, saber um pouquinho mais sobre a autora, por aí vai.

Então, assim, eu acho que a gente não tá nesse nível de ficar reclamando certinho da data, não sei o quê, mas existe uma constância que realmente é justo a gente apontar uma inconstância. Você vê que os filmes que mantiveram essa... Pega as grandes trilogias, né? Indiana Jones, Pode Ir Pro Poderoso Chefão, Senhor dos Anéis, De Volta Para o Futuro. Escolha a sua trilogia, assim. Tô falando em termos de uma obra que você possa buscar uma constância.

São universalmente amadas. Claro que tem debates, discussões, inclusive se é diferente do livro, não sei o que, não sei o que. Mas é tipo assim, há um consenso tipo assim, porra, puta obra, puta obra. O que aconteceu foi que em algumas dessas obras clássicas recentes, a coisa saiu tanto, ela ficou tão dissonante, que o nerd, que também tem mais poder, falou, cara, a gente precisa voltar, a gente tem que se unir de novo.

Eu acho que é uma parada que me intriga, porque eu não necessariamente vou criticar o cara que está querendo botar a vírgula no lugar certo, porque uma vírgula bem colocada muda a ideia de uma frase, e é isso aí. Mas, ao mesmo tempo, também, a gente não pode deixar de culpar o próprio criador dessas obras. E, óbvio, quando a gente está falando de Star Wars, a gente está falando de séries... De mercenários.

Não ia entrar por esse lado, mas eu ia botar, tipo, a gente tá indo pra coisas, por exemplo, o fã de Star Wars, cara, que é muito fã, ele não é o fã que viu só os três primeiros filmes e depois viu... Não, cara, ele viu os três primeiros filmes e ele leu, cara, zilhões de livros que expandiram o universo e eram canônicos até certo tempo atrás. E aí vem a Disney e cancela, né? Tira essa pedra aí do canonicismo.

canônica de cima desses livros e transforma outras coisas em canônicas. Então assim, Pô, Senhor dos Anéis é um grande exemplo. Cara, o Tolkien ele não escreveu uma obra superficial. A magia de você ler a obra do Tolkien é você olhar, analisar, interpretar e respirar a Terra-média. E parte que eu vejo do sabor dessa viagem na aventura que o Tolkien escreve pra você

É você ser minucioso em certas coisas. É você ficar atento. Tanto é à toa que ele vai voltando e escreve o Silmarillion, e escreve o compêndio do não sei o que lá. E tem a referência do pai que é filho de não sei quem, que é o personagem que é filho de não sei quem. Ele bota essas coisas todas, essa pontuação, justamente pra dar essa pseudo-credibilidade, né? Trazer de maneira bem profunda essa verossimilhança pra gente. E a gente ficar...

Quase como se a gente não percebesse que é uma ficção. Podendo... Porra, isso pode ter existido. Olha como ele foi criterioso na criação dessa porra toda. Então, assim, eu acho interessante. Acho que, muitas das vezes, é o fã sendo simplesmente o que o autor queria que ele fosse.

O que ele leu, né? É, o fã de Tolkien, o fã de Tolkien pra caralho, esse primedão nível, esse nível lá em cima que o 3D colocou, ele é isso, cara. Ele precisa ser isso. Ele é o cara que vai olhar, porra, a árvore genealógica do Gimli pra saber quem é, sabe? E é isso aí. Faz parte desse tipo de personagem. Diferente, por exemplo, do fã de General Jones, que não tem esse universo rico pra ser explorado. Exato, exato.

E ainda tem mais, eu acho que isso é um problema, eu acho que o Alfonso está certo nessa questão, que hoje em dia isso é mais latente, essa discussão mas eu acho que é uma questão de quantidade vocês são jurássicos, vocês são muito velhos vocês são idosos, faz muito tempo que vocês estão aí na jogada vocês categoricamente estão aqui nesse podcast há 20 anos, faz muito tempo que vocês estão aqui, certo? concordamos com isso vamos bater nele juntos ou cada um de cada vez ehhh, voae

Eu tenho preferência na fila, deixa que eu vou primeiro. Vocês lembram? E eu lembro também, porque eu estava lá, obviamente que não escala maior também, porque tem uma facilidade de comunicação hoje. Mas como foi incessante discussões por parte de fãs trazendo o Senhor dos Anéis e Star Wars no começo dos anos 2000?

Cara, eu nunca vou esquecer um negócio que me marcou muito Você entrava em fórum de internet Lá nos anos 2000, de Senhor dos Anéis Eu só conheço os filmes, por exemplo Então eu queria saber mais, queria me comunicar Queria conversar com outros fãs Cara, a discussão era, cadê o diacho do Tom Bombadil Esses filmes não vão funcionar sem o Tom Bombadil Esses são os motivos Aqui ó, 47 milhões de motivos Do porquê esses filmes não vão funcionar Porque cortaram o Tom Bombadil

E eu nunca soube quem era esse cara e era sempre a mesma discussão. Era um barulho gigante por causa disso. Eu falei, meu, esses filmes estão funcionando. Eu amo, não sei o que lá. Star Wars é a mesma coisa. Saiu as prequels, gente. Documentário George Lucas contra a humanidade. Todo mundo, o grupo de fãs se uniram pra atacar o George Lucas. Fizeram coisas muito sérias ali pra atacar ele. A prequel é incrível, cara. Galera, hoje em dia, todo mundo que atacava gosta.

E é isso que eu tô falando. Não é mais uma questão de que hoje tem mais. Mas é porque é boa mesmo ou porque depois só veio coisa pior? É, é. Eu acho que é um ataque. A partir do momento que mudam aquilo que você gosta, que é o Didi falou, cara, eu li Senhor dos Anéis, eu li aquele toletão gigante lá, mil e quantas páginas, li, Silmarillion, fiz tudo. E ele vai fazer um filme e não vai ter o Tom Bombadil? Mas você tá trazendo dois exemplos em campos diferentes.

Um é a remoção de um elemento. Mas é que são os exemplos, é isso que eu tô querendo dizer. São as paradas maiores, Sabe? Senhor dos Anéis e Star Wars no começo dos anos 2000. Hoje você descuta uma árvore, cai uma franquia famosa. É bem isso. Se eu puder, então, vou fazer o jogo do teatro aqui e concordar com os seus exemplos. Você me permite um ajuste aqui, que é o seguinte, no Star Wars... Não sei se eu vou permitir, não.

Então vou te colocar... Vou sugerir aqui se você concorda. Eu quero uma ofensa, vamos lá. Quando o Jorge Lucas anunciou as prequels e tal, a galera... Que loucura, que foda. Um dos retornos de franquia mais esperados da história da humanidade. Porra, foi inacreditável. E aí, cara, quando o filme chegou, uma das paradas mais controversas foi os midichlorians.

Mas era o que o cara queria contar também, né? É isso que eu tô falando, então. Na trilogia original, é claramente estabelecido que a força, ela é uma energia. Ela não é medida com aparelhos, com microscópicos. É exatamente uma coisa religiosa e cuidadosamente trabalhada pra que você possa interpretá-la como qualquer religião do lado de fora.

não age. Ah, ele foi inspirado nisso, naquilo. Não, ela é genérica e específica que ela deve ser. É, entendeu? E aí quando o cara vem e ele transformou ali a ópera espacial que é Star Wars, a fantasia que é Star Wars, ali ela começou a flertar com sci-fi. Então você tem uma mudança de estrutura que o fã falou assim, opa, peraí, brother. Por mais que seja o dono, o dono pode fazer cacado também, gente.

Mas é isso, mas ali foi um outro movimento muito bacana do fandom. Só que agora facilitado pela internet, né? Porque uma coisa que a gente não comentou até agora, apesar de estar de pano de fundo em toda a nossa conversa, né? É que a internet modificou muito essa dinâmica, né? Do fã com a própria obra, né? Hoje em dia a gente tá muito mais próximo, não só de outros fãs, como mais próximo de quem produz. A gente pode xingar literalmente quem produz agora, sacou? A gente pode marcar o arroba no Twitter e mandar essa pessoa pra infernizar.

Mas tu não viu? Recentemente foram anunciados, né? Revelaram quem eram os atrizes e os atores que iam interpretar GTA 6, né? O pessoal. Cara, a menina que vai fazer a protagonista... Irmão, a vida dela mudou, né, gente? Do nada, um zilhão de fãs e eu lembro que ela se afastou. Ela falou, opa, I'm out. Não tô aqui pra isso. E o jogo nem foi...

publicado, sacoalhar? Então assim, a gente citou, o Afonso trouxe alguns exemplos, nós trouxemos, falamos sobre os exemplos positivos de como o fã, o fandom, ele afeta positivamente, mas ao mesmo tempo, a indústria, ou seja, o criador como o George Lucas, ele se torna refém do fã. Independente da gente gostar ou não do Midichlorian, eu particularmente tenho uma opinião um pouco diferente, eu acho que o Midichlorian é uma parada interessante, talvez mal explorada e talvez mal colocada, mas isso é um outro debate. Eu acho que no momento em que o fã é um outro debate, mas

Tem direito de voto, tem direito de reger essa obra junto com o maestro que tá criando. Ele tá tirando a parada que não era dele. Ele tá querendo dizer, essa porra é minha também, eu quero que seja por esse lado. Aí o cara, não, não, essa porra nunca foi tua, bro. Essa parada nunca foi sua. Eu tô criando e eu altero o meu bel prazer. Mas é assim...

É um jogo. É um acordo. É um acordo. O jogo é você... Não, não é um acordo. A obra é o teu livro, Afonso. O teu livro, ele é de autoria sua. Eu interpreto o que você escreveu do jeito que eu quiser. Agora, quem escreveu foi você. Sim, mas o que eu quero dizer de acordo é o seguinte. Eu queria dar meus dois centavos aqui.

Peraí, aproveitando que ele falou de autoria, por exemplo, eu escrevo meus livros. Beleza, eu estou escrevendo o que eu gosto, mas eu estou também fazendo uma aposta que outras centenas de milhares de pessoas vão gostar daquilo. Se as pessoas, se eu chegar no segundo, terceiro livro que seja, eu estou me usando de exemplo aqui, e a história for por um caminho que as pessoas não gostam,

elas simplesmente vão parar de comprar. É o que eu falei no começo. Não é só você ficar reclamando. As pessoas param de comprar. Então há uma questão de estratégia do autor, da autora, do estúdio, que seja, de falar assim, turminha, a gente, cara, no final do dia, quem tem que gostar são as pessoas que estão comprando. Mas isso é muito moderno, cara. Isso é um, pra mim, no meu entendimento... Não é, eu acabei de... Eu te dei exemplo do Sherlock Holmes, cara.

Não, não. Então, eu digo assim, isso é um entendimento... As pessoas assinaram a revista.

Então, mas isso pra mim é um entendimento comercial, muito moderno, do entendimento da venda da obra. Quando a gente vai falar desse conceito do vídeo, ou do filme, ou da série, num âmbito um pouco mais artístico, aí a gente volta pra acompanhar alguns artistas antigamente. Quantas pessoas a gente viu, até escritores, que publicaram suas obras e só foram ter reconhecimento anos depois? Mas aí, Didi, eu vou concordar com o Afonso. Sim, mas o artista precisa do público, gente.

O artista sem público, ele é só um Zé Mané que tá pintando um negócio na parede. O jogo é esse. E vamos combinar também. A gente tá falando de nerds aqui. Nerds tá inerantemente ligado a capital, a retorno, a lucro. E aí é diferente da questão da arte. Tudo bem, a arte também gera dinheiro, a arte também tem lucro. A arte não tá aqui pra te fazer feliz, pra te fazer carinho, pra falar só o que você quer.

Não, arte é conflito, é você pensar, é você ver aquilo que você não tava pensando, que você não queria ver. Agora, a parte nerd é meio que outra coisa. Então, nesse caso, eu acho que a linha do Afonso faz sentido. Se é uma parada do nerd para o nerd, ele precisa... O nerd tem muito essa questão do consumo. Precisa comprar, precisa girar. Eu preciso vender. Ele precisa passar isso pra frente. É diferente da questão da arte pela arte.

Você não perde a essência da obra quando o escritor é afetado? O destino do que o escritor está escrevendo vai ser afetado pelo que... Óbvio que eu entendo que é a sua visão comercial. Eu acho que sim, tá? Eu acho que sim. Será que não é um equilíbrio, galera? Eu vejo como um equilíbrio. Porque assim, não precisa colocar só na modernidade. Imagina uma tribo onde você tem várias pessoas que contam histórias. Você tem contadores de histórias.

O contador de história que mais agrada, que mais engaja, captura a atenção das pessoas ao redor da fogueira, é o que terá uma audiência. É isso. E tem que ter um equilíbrio ao mesmo tempo. Tudo bem, mas aí a partir do momento... Estou fazendo o meio do caminho pelo que o Diogo falou agora, por exemplo. Ao mesmo tempo, se ele ficar assim... É você aí, o que você acha que a heroína tem que fazer agora? Ah, eu acho que ela tem que ir pro lado pra esse vídeo.

Aí é igual um mestre de RPG que fica querendo agradar todo mundo a todo tempo. Eu acho que tem que ter um meio do caminho.

Talvez seja o que a gente esteja aqui buscando. Mas fala aí, 3D. Cara, então, eu gostei da metáfora do mestre de RPG, mas eu não vou usar ela, não. Eu vou usar uma metáfora que provavelmente 80% da audiência não vai... Vou vender para outro podcast, então.

80% da audiência não vai entender, mas eu vou explicar de uma forma bem didática que eu acho que todos nós vamos entender aqui Nossa audiência é do caralho, tá, 3D? Chamou a nossa audiência de burra, cara Oi, é a audiência A gente é mais inteligente que a audiência A audiência diminuiu vocês Falou que ninguém vai entender Vocês entendem de futebol? Quantos de vocês aqui entendem de futebol? A gente não, mas eu tô falando da audiência

Beleza. Então vamos lá. É só para o evento porque eu só vou ter que explicar para vocês três. Sim. Nós somos ignorantes? Sim. Um pouco deficientes mentais? Certamente. Caralho, cala a boca. Mas faremos esforço para o final. Mas audiência nunca. Mas os nossos amigos, o público... Não. Não vou deixar você falar disso.

Talvez a vocês o trabalho dele pareça tolo, inútil, comum, vulgar. Mas é que devem levar em conta que se trata de um indivíduo sem nenhum preparo. Agora falando sério, eu gosto muito nesses papos fazer a alegoria do clube de futebol. Você tem a torcida, cara, e um clube de futebol sem torcida é nada, ele não existe. Ele é inexistente, tá?

Não faz sentido você ter um clube de futebol sem torcida. Só que temos um problema. A torcida, ela não entende de tática de futebol. Ela não entende quem são os melhores jogadores. Porque não sabe se o fulano ou o beltrano tá machucado ou não. Então você precisa ter uma diretoria e um técnico por trás do clube de futebol que façam essa engrenagem rodar pra agradar a torcida e a torcida ficar feliz porque o time tá ganhando. Então, cara, dentro disso tudo que a gente tava falando aqui, misturando um pouco do que o Diogo falou e o Solano falou,

Cara, eu acho que sim, o autor pode escutar o público, mas ele não deve se basear apenas na opinião do público e não. O público não é dono da obra. Apesar dele se achar, deixa que ele ache. Mas, na verdade, ele não é dono da obra. Por quê? Porque se o público passa a ser dono da obra, isso significa que a obra pode ser qualquer coisa. Ela pode ser qualquer parada, ela pode ir pra qualquer lugar. É pra isso que existe fórum de fanfic.

Você quer ser dono de Star Wars? Vai escrever fanfic onde tem fórum de fanfic. Lá, aquela história é tua. Agora, a história é...

principal de Star Wars não é tua, brother. Ele tá atacando todo mundo hoje, todo mundo. Então, 3D, você concorda com essa modinha nova do mercado de videogame, que a gente compra o jogo, mas o jogo não é nosso, né? Caralho, você... O cara fazendo a ponte. Você foi pra outro lugar, meu Deus. Esquece tudo que você falou.

Cara, eu lembrei de um outro exemplo aqui. Vocês lembram do Mass Effect 3? Claro que lembro. Sou fãzaço. Ultra fã de Mass Effect. O final, pra quem não sabe que tá escutando a gente, o final do Mass Effect 3, ele desagradou muitos fãs. Muito, muita gente. Não é verdade. Não é verdade. Não é verdade. Isso é outra coisa. Quando a gente fica desagradou os fãs... Mostra a tua tua agente de Mass Effect aí.

Vai ter sempre um grupo de fãs que vai falar, eu não, eu gosto, é isso que eu tô falando. A gente tem que parar de modificar a parada. Ele tanto desagradou, ele tanto desagradou, que a própria empresa admitiu e ela lançou uma versão com um final alternativo. Não, calma. Mais dois finais alternativos. Isso, foi uma coisa tão... Caraca, escuta.

escolha o seu final. Você tinha três finais. Foi um negócio tão agressivo, nós podemos ter gostado, o 3D tava agora, acho que, representando. Mas a galera ficou em massa, ficou tão insatisfeita, poxa, eu apostei uma década nessa história, gastei dinheiro, caramba, fiz parte da comunidade, disse final é uma merda, caralho. A empresa falou, cara, peraí, então, vamos fazer um final um pouco diferente e tal, e beleza, porque você tem ali uma reputação, você tem, mais do que uma reputação, você tem uma confiança que o consumidor, ou a pessoa que tá escutando o seu histórico, que o que ela tem que terję?

Ou seja, ela depositou, seja uma confiança financeira ou simplesmente de tempo. O tempo é a nossa coisa mais valiosa, mais do que dinheiro, mais do que joia, qualquer coisa. Então assim, caramba, eu fiquei esse tempo todo ouvindo você e o final foi uma merda. Na próxima vez que você for me contar uma história, eu falo, eu não vou perder tempo contigo não.

Eu vou ler a história daquele outro cara ali. É esse que eu lance. É, então, na verdade, eu acho que no caso de Mass Effect, exclusivamente, tá? Mas eu acho que em outras obras também. Mas falando de Mass Effect, o que rolou é que as pessoas estavam começando a fazer mods pra modificar o final. Pro ouvinte que não sabe o que é um mod, é quando você faz uma programação pra dentro do jogo que o...

Isso só funciona em PC, né? Em computador, claro. Mas quando você faz uma programação nova pra você poder modificar o jogo dentro dele. Então a galera tava começando a fazer um monte de mod e aí a BioWare lá falou, não, não, não. É BioWare, né? Acho que é a Mass Effect. A BioWare acabou, não, não, não pode deixar. Deixa que a gente mata no peito aqui porque a gente gostou das ideias de vocês. Até porque é a empresa que precisa girar.

E bom, se essa nerdaiada não gostou, vamos fazer um final pra eles comprarem. Mas é, mano, gastar mais dinheiro.

Galera, a gente tem aí, falando e voltando de Star Wars, acho que pra não ficar muito chato, mas só voltando a Star Wars, a gente tem um grande exemplo do que foram histórias contadas por fãs e aonde teve esse turning point aí do fã de Star Wars se tornar ainda mais proprietário, que foi o gap entre 86 e 99.

sem conteúdo nenhum. Então você tem uma explosão de fanfic, sacou? Que assim, as pessoas elas se autocanonizavam. Elas diziam, não, isso é cânone. Isso aqui, sacou? Tipo, sem falar com o LucasArts, sem falar com o Disney, sem falar com ninguém. Mas não, isso aqui é cânone. Ah não, isso aqui, ó, tô escrevendo essa história, mas isso aqui não é cânone não, tá? São só as vozes da minha cabeça. Aham.

Então você tem ali essa propriedade das pessoas. E eu acho que quando você tem essa retomada do Jorge Lucas em 99 e depois a compra da Disney em 2011, sacou? Tipo, a galera não deixa de se achar dona, sacou? Pô, passei anos escrevendo essa merda pra vocês não aproveitarem o que eu escrevi, sabe?

rolou pra caralho aí eu acho que é um outro nível de nerdão exato, esse cara já tem um pouco de um transtorninho aí, né, o cara começa a exigir são os caras perturbados de verdade mas olha, pensa por um lado do seguinte, cara a partir do momento tô esperando

Ela sempre foi culpada porque a gente, enquanto fã, a gente não deixou claro que deixar franquias morrerem é um ato de amor. E não um final de uma parada, mas é um ato de amor. Você matar um personagem é algo extremamente necessário para que aquela obra tenha o desfecho que ela merece.

A gente não sabe terminar as coisas no mundo nerd. A gente não sabe. Os japoneses sabem. E não tem que terminar nada. É por isso que eu não gosto de japonês. O japonês termina tudo, acaba com as coisas. Cara, 3D. É por isso que eu não gosto. É difícil demais. Voltamos ao início do programa. Excelente. Eu quero ser eterno. Já aviso logo. Vampiros que são ouvintes de MRG aí. Depois eu passo o meu endereço. Pode vir aqui em casa. Tu não vai mandar uma chupa não, né? Tu não vai mandar uma chupa não, né?

Vai todo mundo. Droga, roubou minha piada. Não, roubei piada não, caralho. Tá aí, passa o endereço no 3D. Quem quiser, chega lá.

Ah, você é safado, né? Aproveitando esse momento gostoso aqui, vamos pedir pro pessoal mandar uma beijoca também pro Norton. Norton, como é que o pessoal te encontra aqui antes da gente ir pra seguir aqui a conversa? Opa, você pode me encontrar pelo meu nome mesmo, é Norton Domingues em tudo. Tem podcast no Spotify, no YouTube, tem o meu canal principal, tô no Instagram também. Tô fazendo conteúdo em quase todos os lugares possíveis. Então, Norton Domingues, você me encontra facilmente.

Olha aí. 3D. Nossa, foi bonito. Fala alguma coisa, né? Foi, foi, não. Foi o seguinte. O gabar tá na ponta da língua. 3D, onde que o pessoal te encontra? Olha aí, vocês me encontram em Afonso3d Underline Real no Instagram, Afonso3d em todas as outras redes e no Banker X. Sim, amigo.

Solaninho aqui, presente no MRG, esse programa lindo, maravilhoso, que eu sou fã também. Então, ouçam lá o Bunker X, tem no Spotify pra quem gosta de ouvir, mas tem vídeo no Spotify e no YouTube também. Veja pra você ver nossas lindas caras, nossos lindos rostos, como diz o Alberto Roberto. A Bunker X é um programa de fantasmas, alienígenas, conspirações e birutices. Vai lá, dá uma chance pra gente lá, vocês vão gostar. E falando em birutices, além da loja deselegante.com.br, onde podemos encontrar a camisa.

do Matando Robôs Gigantes e as suas camisetas originais. Você também anda celebrando por aí o Mundo Podcast? É? Nossa, acabou. A gente fez um workflow super legal. Levantei para ele e falei celebrando, celebrando.

Ah, o cara... Poxa, cara. Foi mal, foi mal. É verdade, é verdade. Toda quinta-feira, as senhoras e senhores têm o cérebro podcast. É o podcast só de pessoas inteligentes que estão lá. Eu, Mustefaga e o Peler Babes, toda quinta-feira estamos ao vivo gravando esse podcast com...

Do qual eu sou um especialista, tá? Porque é só sobre coisa idiota. Você vê que nenhum dos três aqui foi... É só pessoas inteligentes e nenhum dos três aqui foi convidado, né? Hashtag fica a dica. Pois é. Você vê que... É por isso que ele se chama cérebro. Cérebro. Bem pontuado, bem pontuado. Muito bem.

Pra gente encaminhar aqui pros nossos finalmente, senhoras e senhores, eu queria fazer um exercício com vocês aqui pra gente entender ou talvez tentar desenhar uma linha de aonde foi que a paixão do fã se tornou uma coisa tóxica pro mundo da cultura pop. MCU. Sobskirts. Cara, é...

Eu tendo a concordar, hein? Eu tendo a concordar. Eu acho que começou com Star Wars, mas aí como a galera de Star Wars começou a ficar, tipo, é, é, a fudida da cabeça porque só vinha coisa merda, eles foram, tipo, eles foram se apegar ao MCU. Aí, meu compadre, aí desandou. Porque quando você junta fã de Star Wars com Marvel, é a pior stear. Cara, dá pra gente traçar uma linha certinha.

Dá pra gente traçar uma linha certinha da ascensão e a queda, assim. Você começa ali, anos 2000 e tal, tudo bem, que legal. Ser nerd é até interessante. Aí chega, tipo, sei lá, um boom meio Game of Thrones, The Big Bang Theory. Que aí, opa, ser nerd agora é mó maneiro, hein? Vamos andar de camiseta do Flash aí, mano. Bazinga, tal, legal. Pop Funko, show. Aí chega a Marvel e fala, não, ser nerd é muito maneiro. Falco, falco o Thunder, todo mundo...

Ah, esse nerd é da hora pra caramba. Aí vai, aí tem a grande apoteosa do nerd lá no Vingadores. O Timato, ah, esse nerd é muito bom. Aí... Choro, toda vez que eu assisto eu choro, não é mentira, é verdade. Toda vez que eu assisto o Timato eu choro. Só que aí chega a hora do final da balada que a gente tem que voltar pra casa.

Sabe, você tá segurando seu sapato, meio bêbado, assim, meio zoadinho, caminhando, e aí você começa a entrar em parafuso. O que eu tô fazendo? São seis da manhã, a galera já tá indo trabalhar, tô vendo aqui a galera pegando o ônibus. Entra a parte da culpa e da queda. E é o momento onde a gente tá. O mercado agora não olha mais tanto pro nerd nesse sentido, de quadrinhos, de Marvel, DC e tal. E agora a gente, como nerds, a gente tá meio que tentando se colocar. Tá, até...

Há cinco anos atrás, você falava de Marvel. Era maneiraço. Todo mundo queria falar de Marvel. Agora, mano... Inclusive, lives do MRG rolando aí toda semana. A gente fala de Marvel na live. Só quer falar de Marvel. Impressionante. A galera no chat fala... Pô, vocês vão falar de Marvel agora? É. Puta que pariu.

outra vez. Marvel de Vingadores de novo, você entende? A gente tá nessa queda e eu acho que é uma coisa natural. Então, mas isso não se conecta, Norton, de certa forma com aquela parada que a gente comentou dessa dificuldade, apesar do 3D ter sido contra, da dificuldade do fã deixar a obra morrer, saber finalizar as paradas.

Você acha que precisava ter acabado? Pra MCU, pro nerd estar de boa hoje, tinha que ter acabado o MCU, é isso? Pô, Norton, se liga só. Star Wars, o primeiro Star Wars, a trilogia é o original, tá? A porra do Mandaloriano, ele é um personagem que, se você somar todos os frames dele, tu não fecha um álbum de figurinha com os frames que lhe aparecem.

Tá ligado? Ele é pontual. Ele deve ter uma fala, se tiver. Direito, duas, sei lá, exatamente. É um personagem que não é nem secundário, é terciário dentro da trama ali. Ele tem a função, ele cumpre e acabou. Não é porra nenhuma. Só que não teve nada depois. Essa porra, ela continuou. E aí o imaginário do fã, ele foi transformando aquele cara e dando uma profundidade que esse maluco nunca teve. Teoricamente, né? Naquele primeiro momento.

Mas esse vazio de Star Wars, ele foi sendo preenchido pela dificuldade que o fã tem de deixar essa porra morrer, sacolera. E aí ele foi, e aí criaram-se livros, e criaram-se o Lorda porra toda. E aí tem a necessidade de se explicar a parada toda, que é uma exigência.

do fã que tem, que se torna pessoal com a obra, entender o lore. Ter esse gabarito, ter a enciclopédia da parada pra poder justificar e embasar e ter os seus argumentos bem definidos, que é do caralho. Mas, bem ou mal, isso pra mim, de alguma forma, vem dessa dificuldade da gente deixar as coisas terminarem. Ah, eu sou uma pessoa ruim, cara. Desculpa. Eu sou uma pessoa muito ruim. Você foi me descrevendo. Vamos lá, deixou um. Sou eu, sou eu. Eu tenho muita dificuldade de deixar essas paradas morrerem.

falando que eu sou perfeito não, eu só levantei o ponto tá? eu vou colocar meus 10 centavinhos aqui só isso? você tem mais dinheiro ele não disse de qual moeda ah como é que é o nome do dinheiro? é Sakar, Bacar? como é que é o metal do Mandalorian? Bessica obrigado, obrigado Norton

Eu acho que é o seguinte, isso que o Nortinho está falando aí da gente não querer que as coisas boas acabem é um instinto de preservação natural. O animal, nós que somos aqui, a gente não quer que a água acabe, que o abrigo seja destruído, porque é onde a gente precisa estar para sobreviver, para continuar. Então isso se estende para tudo, para os nossos laços, e a gente cria laços com as obras. Isso que é a essência do que a gente está falando aqui. A gente cria laços emocionais com as obras de ficção.

Porque elas falam sobre as boas, né, valores universais e muitas vezes espelham coisas que a gente está vivendo naquele momento, etc. Ou até vai viver ou já viveu. Então eu acho que existe uma questão também de maturidade. Quando a gente é mais novo, não fazendo a brincadeira com o Norton aqui, mas quando a gente é bem novinho, a gente tem dificuldade em aceitar que as coisas acabam. O cara derrubou, mano. O cara derrubou.

O cara que eu ouviu, cara. Só entendi a bigode lápis, né? Ele guardou. Quer gelo, Norton? Quer gelo? Não, não, não. Esse é meu amigo. Não foi, né? Tem um pedaço de bife aqui pra botar no rosto. Começou com lápis, bigode lápis, né? Agora o cara tá aqui. Não, mas eu tô brincando. Tá foda, parece que é indireta hoje.

Eu me coloco também, nenhum de nós quer que as obras que a gente gosta ou que um parente morra, porra, né? A gente luta até o final pra manter uma pessoa que a gente gosta aqui conosco e às vezes a pessoa até que a gente não gosta. É um instinto natural nosso preservar o semelhante. Cara, é muito isso.

É, e aí, só para concluir, então, quando a gente vai ficando, acho que mais velho, e consequentemente, para a maioria, mais sábio, você entende que os ciclos, eles são necessários justamente para que a vida continue. Porque se você ficar naquele lugar para sempre, se você não avançar, se você não buscar novas ideias, novos recursos, você vai ficar estagnado, você vai ficar burro, você precisa de novos nutrientes.

coisas diferentes e tal. Então, eu acho que isso vem com o tempo e as pessoas que estão no comando de algumas das obras hoje, isso aconteceu antigamente também, mas algumas das grandes propriedades intelectuais, elas não têm esse entendimento. É apenas o entendimento de ordenhar essa vaquinha até que ela...

Meu irmão, não, vai ter sempre gente consumindo. Esse foi o erro da... A gente bota a Disney como o grande alvo aqui, né? Mas, não, eles vão consumir qualquer porcaria. Os quadrinhos fizeram isso também. Não precisa ser a Disney, mas os quadrinhos. Fazer um monte de porcaria. A galera, a venda... Chega uma hora que, cara, não estou mais me conectando com isso. Não estou dando mais atenção. A gente usa o dinheiro como um símbolo da nossa atenção.

Então, acho que sim, nós somos parcialmente donos nesse sentido. Quase como se você tivesse a sua ação ali em cima daquela obra.

mas existem uns exageros. E a natureza, ela não suporta muito tempo exageros. É exato, exato. Hoje eu tô cheio das metáforas, eu quero fazer uma metáfora pra o Diogo entender melhor. Cara, você gostar de uma... Mais uma vez, ofendendo os amigos. Eu vou te falar, Didi. É pra entender o meu pensamento. Ofendendo a audiência, porque como eu sou o convidado do programa... Não, não, audiência, jamais. Eu amo vocês.

Como eu sou convidado do programa, eu faço parte da audiência. As 8 bilhões de pessoas no mundo vão entender. O Diogo não vai entender. Mas ele sabe que eu sou limitado. Não, eu sei. Então, a parada é...

Marvel, Star Wars, as grandes franquias, elas são como relacionamentos. Você não quer nunca que o relacionamento acabe. Só que você não quer. Você acha que você vai casar, você vai casar pra sempre. Você tem uma amizade, aquela sua amizade é pra sempre. Você, por exemplo, tá casando pra sempre. A cada dois, três anos, você casa de novo. Então, grandes franquias são isso. E as pessoas que não são como eu, que são desapegadas. Eu, por exemplo, já casei quatro vezes, já tive mais de 30 namoradas. Eu sou uma pessoa desapegada.

Eu consigo movando. Tá treinando, Tendi. Eu consigo, na verdade, sair, tipo, de uma franquia e ir pra outra. Só que, assim, algumas elas não são relacionamentos amorosos. Elas são amizades. Tipo, Star Wars é amizade. Então, assim, eu continuo lá, respeitando, mas com parcimônia e tal. Tipo, já, por exemplo, Game of Thrones. Game of Thrones foi um relacionamento que depois virou tóxico, sacou? E aí eu tive que sair. Então, assim.

Mas o outro lado, sabe? Peraí, Star Wars pra você, só pra entender. Star Wars não ficou tóxico pra você.

Não, não. Star Wars, na verdade, é um amigo que eu preciso estar sempre ajudando de alguma forma. É tipo, sacou? É aquele amigo que, porra, que às vezes tá nos passagens, às vezes tá mal, entendeu? Às vezes tá nas drogas, às vezes tá com falta de dinheiro, sacou? E beijar amigo também é de boa, né? Vamos combinar aqui. É, porra, brotheragem. O nome de grupo do WhatsApp foda. Meu amigo George Lucas. Toda vez que você assiste uma porra de Star Wars, fala Ué, George.

Porra, essa parada aqui deu mole, hein, cara. Nada a ver, Jorginho. É tipo isso, entendeu? Tipo, a Marvel virou meu amigo também. A Marvel já... Friend-zoned a Marvel, por exemplo, sacou? Tipo assim, ah, tô ali, vai sair uma parada nova, porra, quero ver, tô curioso e tal. Mas, cara, eu entendo quando as pessoas simplesmente largam, sabe? E outras que estão ali no relacionamento tóxico e não querem largar de jeito nenhum. Eu acho que é muito...

Olha, falando em toxicidade, eu cito aqui Capitão Nascimento e digo pra você, é você que financia essa merda!

É o que você acabou de falar. Você tá aí dando dinheiro pra qualquer porcaria. Não pode. Não podemos 3D. Vamos nos últimos. Estou ok. Quero continuar. Gente, mas olha só. Isso é um axioma matemático. Como é que a gente vai consumir? É um axioma da matemática. É um problema. Nossa, que palavra bonita. Uma questão paradoxa lá.

Como é que a gente consome alguma coisa hoje em dia sem dar dinheiro pra parada? E como é que a gente sabe que alguma coisa é boa sem a gente consumir? Ela vem e o Diogo defender a pirataria mais de uma vez no MRG. Então, hoje o oferecimento do programa de hoje é Scam Maníacos. É o bittorrent.com. Legendas.tv.

Apoie o Legendas, pô. Doem pro Legendas.tv pra eu não me perguntar.

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