SERÁ QUE ISSO TUDO FOI REAL?
O CLUBE DOS 5 é um podcast de histórias reais enviadas por vocês e contadas pela Beta Boechat.QUER COMENTAR ESSA HISTÓRIA?Entre no grupo do Telegramhttps://t.me/oclubedos5TEM UMA HISTÓRIA PRA CONTAR?Mande com riqueza de detalhes para contato@betaboechat.com.brPode ficar tranquila, vamos mudar todos os nomes e lugares para manter sua identidade anônima.
- A "bolha" do voo românticoTroca de assentos e proximidade forçada · Beijo e retorno do sentimento · Vivência de um casal idealizado · Sensação de viagem no tempo
- Reencontro inesperado no aeroportoSurpresa do encontro com Rodrigo · Conversa natural e conexão imediata · Coincidência de voo para o Brasil
- O amor e o fimRelacionamento adolescente inocente · Término sem motivo aparente · Orgulho e superação do término
- Recomeços e oportunidadesSonho de faculdade em outro país · Adaptação cultural e solidão · Vivência de experiências novas
- Bolhas de realidadeReencontro com os pais de Paula · Desaparecimento da conexão pós-voo · Reaproximação e declarações de amor · Admissão de "love bombing" · Revelação sobre Vanessa
Esse é o Clube dos Cinco, um lugar onde eu conto histórias só para as cinco pessoas mais chegadas que ouvem esse podcast. Tem uma história para contar? Então manda para contato. Olá, clubinho. Boa noite. Como vocês estão? Eu estou bem. Que bom que vocês estão bem também. Hoje a gente vai contar a história da Paula.
A Paula tinha 14 anos quando ela conheceu o Rodrigo. Paula e Rodrigo tinham ali uma relação de colégio e Rodrigo acabou virando o primeiro namorado da Paula. O Rodrigo não só foi o primeiro namorado da Paula, como também foi o primeiro beijo da Paula. O Rodrigo foi o primeiro tudo da Paula.
E a Paula e o Rodrigo namoraram mais ou menos ali por uns dois anos, então até a Paula ter seus 16 anos. O relacionamento dos dois era um relacionamento meio inocente, meio de rotina.
aquele relacionamento, um relacionamento meio adolescente mesmo, um relacionamento de os dois estarem juntos, no mesmo lugar, e acabar que junta meio a fome com a vontade de comer, e os dois estavam ali juntos porque estavam sempre por ali.
A Paula não era exatamente perdidamente apaixonada pelo Rodrigo, mas ela era feliz com ele, gostava dele, achava ele legal, achava que... Ah, por que não, né? Tamo ali, não tem motivo da gente não namorar. Até que um dia, do nada, sem explicação nenhuma, o Rodrigo apareceu na casa da Paula.
E falou, Paula, olha só, eu acho que não vai dar certo da gente estar junto, é melhor a gente terminar. O Rodrigo não brigou, o Rodrigo também não tinha nenhum motivo concreto para terminar, ele não deu motivo nenhum. Ele só chegou para a Paula e falou, Paula, eu queria terminar porque eu não queria mais namorar você. E a Paula ficou...
Ué, por quê? Por que você está falando isso agora? E o Rodrigo só falava, mas não sei, eu não quero mais, eu acho que não faz mais sentido para mim. E eles acabaram que terminaram. A Paula ficou um pouco arrasada. Principalmente porque não tinha motivo nenhum. Sem porquê.
Mas ela sempre foi muito orgulhosa e fez questão de não mostrar para o Rodrigo que ela tinha ficado mal com aquela história. Então quando o Rodrigo falou que queria terminar, dentro ela estava se corroendo, mas fora ela falou, tá bom, Rodrigo, beleza, você quer terminar? Então tá bom, também não quero, então você pode ir para a sua casa. E a partir daí, Rodrigo e Paula.
Terminaram e Rodrigo e Paula nunca mais se viram. Só que os anos se passaram. A vida seguiu, os dois foram para escolas diferentes, foram para círculos de amizade completamente diferentes e naquela altura a Paula já tinha uma certeza de que o Rodrigo era só mais uma história que ela ia contar, quem sabe um dia num podcast.
A Paula tinha um sonho de fazer uma faculdade. E essa faculdade, ela era em outro país. Paula estudou muito para essa faculdade. E assim que acabou o colégio, ali acabando já nos últimos anos de colégio do ensino médio, Paula aplica para essa faculdade. E a Paula passa nessa faculdade. E aí Paula começa a se preparar.
para ir para esse outro país. E Paula se muda para esse outro país e começa a estudar nessa faculdade, que era a faculdade dos sonhos dela. E a Paula conta que esse primeiro semestre dela na faculdade foi aquele semestre dos sonhos. Por quê? Porque foi um semestre onde ela viveu basicamente tudo aquilo que ela não tinha vivido na escola. Era um semestre onde ela...
se divertiu bastante, porque, pô, primeiro que era a faculdade, a gente sabe que esse momento da maioridade, de entrar na faculdade pela primeira vez, é um momento onde o jovem se descobre.
Então a Paula viveu esse primeiro semestre, tudo que ela não viveu na escola. A Paula começou a sair, a Paula começou a conhecer gente, e isso tudo foi construindo essa Paula mais adulta. A Paula foi ficando mais adulta, foi se conhecendo melhor, a Paula foi se reinventando mesmo. Só que, uma coisa que a Paula não teve como escapar, foi a solidão de morar num país que não era o dela.
A Paula estava fora, num país que era longe do Brasil.
E estava muito ali se adaptando a uma cultura muito diferente, a pessoas muito diferentes. Ela não tinha nenhuma referência, todas as pessoas que ela estava conhecendo ali eram pessoas novas. Mesmo que muito divertido, mesmo que a Paula tenha feito suas amizades, não eram pessoas que estavam há muito tempo com a Paula. E isso trouxe uma solidão para ela muito forte. Trouxe um sentimento de estar sozinha ali nesse país estranho.
Até que a Paula chega a dezembro, ali no final do ano, e a Paula vai voltar para casa, para passar o Natal em casa junto com a família. A Paula estava muito animada de poder ver a família de novo, de poder matar as saudades de todo mundo, de matar a saudade de casa.
Então Paula começa já a preparar as malas para voltar para casa. Chega o dia dela pegar o avião para voltar. Ela está lá no aeroporto e com aquela cabeça de aeroporto, né? Com aquela cabeça de...
Nossa, eu não posso me atrasar, tenho que botar minha mala aqui, tenho que despachar minha mala, fazer o check-in. Então ela agindo um pouco no automático. E aí Paula sempre tem uma coisa quando ela chega no aeroporto, que eu também tenho um pouco assim, ainda mais quando está de fora, que vem aquele pensamento de tipo assim, vai que eu encontro um brasileiro aqui. Porque não é difícil. Brasileiro tem em todo lugar do mundo. E ela fica pensando, nossa, vai que eu encontro um brasileiro. E aí Paula estava lá esperando.
pro voo dela, né, indo em direção ao portão, quando ela cruza com uma pessoa, que ela tá vendo de costas, ela fala, eu acho que eu conheço esse cara. Paula apressa o passo e vê, passa a pessoa, né, olha e vê que essa pessoa era alguém que ela conhecia, que ela não via há muito tempo. Paula tinha encontrado nesse aeroporto, lá nesse outro país,
O Rodrigo. A Paula reconhece ele instantaneamente. É só olhar para a cara dele, que ela já sabia que era ele, mesmo há alguns anos tendo se passado. E a verdade é que o Rodrigo também cruzou o olhar com ela e também reconheceu a Paula na mesma hora. E rolou aquele segundo entre eles que ficou naquela história de Nossa, mas será que é a Paula mesmo? Nossa, será que é o Rodrigo mesmo?
eles meio que se olharam, se reconheceram, mas não se falaram. Até que Paula fala, não, eu não sei, eu não tenho certeza, assim, é a cara dele, mas por que ele estaria aqui? E aí Paula saca então o telefone, Paula ainda tinha o contato do Rodrigo, imaginava que o Rodrigo não tivesse trocado de telefone naquele tempo.
E foi lá e mandou uma mensagem falando Nossa, você não sabe, Rodrigo. Eu sei que a gente não se fala há muito tempo, mas eu tô aqui no aeroporto e tem uma pessoa igualzinha a você. E o Rodrigo responde logo depois. Então, Paula, eu acho que sou eu mesmo, porque eu tô aqui no aeroporto e eu acabei de te ver também. Rodrigo vai até a Paula e começa a conversar.
Paula, caramba, que coisa doida! Como que a gente imagina a gente se cruzar aqui tão longe de casa? E a conversa, ela é muito natural, porque Paula e Rodrigo tiveram bastante tempo de vida juntos, né? Alguns anos estudaram juntos, se viram todos os dias, e a conversa entre eles corria de uma forma muito natural.
Inclusive o Rodrigo falou, Paula, calma aí, a minha mãe não vai acreditar que eu te encontrei aqui, vamos tirar uma selfie pra mandar pra ela? E...
Rodrigo vai lá, saca o telefone, fala, vamos tirar a foto. E aí tira a foto dos dois e manda pra mãe falando, mãe, você não sabe quem eu encontrei aqui no aeroporto. Olha que coisa doida, a Paula. E a mãe fica super achando curioso, né? Caramba, filho, a Paula, você encontrou a Paula no aeroporto, quem diria? Tão longe de casa você encontrar ela aí, né? Você já não se falava há tanto tempo.
Rodrigo e Paula conversando ali como se não tivesse passado nem um dia, desde a última vez que eles se falaram, conversando como se eles fossem velhos amigos, o que eles eram mesmo. E aí, como coincidência pouca, ela é bobagem,
O Rodrigo estava vindo de outro país. Ele estava naquele país que a Paula estava, fazendo uma conexão. Então ele estava vindo desse país, o avião dele parou, nesse país onde a Paula estava, e ele estava esperando o voo para voltar para o Brasil.
E aí quando Paula conversa vai, conversa vem, Paula descobre que Rodrigo estaria voltando para o Brasil no mesmo voo que ela. E aí o Rodrigo fala, caraca, imagina, olha que coisa louca. Como que a gente pode estar no mesmo voo? E aí eles foram pegar o cartão de embarque e ele falou, deixa eu ver se é o cartão de embarque. Aqui quando foram ver...
Paula estava numa fileira e Rodrigo estava exatamente na fileira da frente. Os dois estavam quase juntos no avião. E os dois começam a achar isso muito engraçado. E ao mesmo tempo, na cabeça da Paula, falando Nossa, que loucura, né? Eu gostei tanto dele, fiquei tão mascado em tudo que ele fez comigo.
Mas hoje em dia eu sou outra pessoa, né? Hoje em dia eu tô mais velha do que aquela época que a gente se conhecia. Sou muito mais segura, né? Inclusive, sou muito mais interessante hoje em dia. Modéstia à parte, né? Sou muito mais legal. Definitivamente eu não sou aquela menina tímida, retraída, quietinha que o Rodrigo namorou. E aí, conversando ali ainda no embarque...
Começam a chamar para embarcar. E a Paula fala. É isso então, Rodrigo. Poxa, boa viagem, viu? Que coisa doida que a gente se encontrou. Mas tudo bem, então eu vou embarcar. Eles meio que levantam para ir um pouco juntos. Paula chega no assento dela e senta. Rodrigo senta no banco da frente. Rodrigo nem fica olhando muito para a Paula.
porque meio que eles já se despediram ali, né? Já despachou o assunto. E aí a Paula fica meio que olhando de canto de olho, assim, para as costas do Rodrigo, né? E vê que o Rodrigo, do nada, começa a levantar, pede licença para a pessoa que está do lado dele, levanta. E aí chega para uma mulher que está do lado da Paula e fala assim, olha,
eu encontrei uma amiga e eu queria muito conseguir sentar pra conversar com ela, tudo mais. Tem como você mudar de lugar comigo? E a menina fala, não, tudo bem. E a Paula tá assistindo aquilo, tipo assim, meu Deus, o que tá acontecendo? A menina topa trocar de lugar com a Paula, com o Rodrigo, no caso, pra sentar do lado da Paula. E Rodrigo senta do lado da Paula.
Paula começa a ficar apavorada. Porque ela só consegue pensar. Meu Deus do céu. Eu vou ser obrigada a passar mais de 10 horas do lado desse homem? Porque o voo demorava mais de 10 horas. Eu vou ficar 10 horas sentada ao lado dele? E aí ela fica meio incomodada. Fica até se sentindo um pouco invadida, sabe? E aí tá o Rodrigo sentado naquele climão, assim. Rodrigo de um lado, Paula do outro.
E a Paula meio que desvia o olhar dele, não quer dar muita atenção. E o Rodrigo fica meio que tentando olhar de olho também, sabe? Aquela coisa de quase olhando para a nuca da pessoa para ver se ela olha também. Até que o Rodrigo começa a falar Nossa, Paula, mas você está bonita, né? Na minha época você já era bonita, mas agora...
Tá mais bonita ainda. E a Paula meio que... É, aham, tá bom, Rodrigo. É, aham. E Rodrigo continua a tentar chavecar a Paula. Até que chega uma hora que a Paula vira pro Rodrigo e fala assim... Rodrigo, olha só, dá um tempo, tá? Eu sei exatamente o que você tá fazendo, você não me engana. Então para de palhaçada e me deixa viajar em paz. E o Rodrigo só começa a rir. E aí
E ri com aquela gargalhada de quem conhece a Paula bem demais. Mais do que deveria. Paula acaba...
Meio com essa quebra de gelo, né? Conversar com ele. E aí ele começa a falar. Começa a falar. Ele lembra daquela época que a gente tinha aquele professor? Como é que era o nome dele mesmo? Ah, é ele mesmo. Nossa, ele era muito chato, né? E aí eles conversam com coisas antigas da vida. E aí o Rodrigo já começa. Mas o que você está fazendo hoje em dia? Ah, você está estudando? Você estava estudando naquele lugar? Caramba, eu estava viajando. Eu quis conhecer.
um outro país, e aí eles conversa vai, conversa vem, e aí eles começam a falar, caramba, né, Paula, olha, você tá muito bonita, mas você tá diferente, né, mudou, você era mais quietinha na época, hoje em dia, pô, você tá um mulheradão, né, que incrível. E a Paula também, né, ali conversando com ele, e quando, quando eles se percebem, eles já estão...
meio que dividindo ali o encosto, o braço do assento, um braço que já fica um pouco mais colado no outro, e em algum momento o Rodrigo vira e dá um beijo na Paula. Meio sem planejamento, meio sem nada, e a Paula olha aquele beijo, olha aquela cara na cara dela, e a única coisa que ela consegue fazer é retribuir o beijo. E os dois se beijam,
E, de repente, é como se nem um minuto tivesse se passado desde aquela última vez que o Rodrigo, lembrando, foi na casa da Paula falar que não queria nada com ela. As próximas 10 horas são 10 horas de um casal que marcou para viajar junto, que comprou a passagem junto, que acabou de ter uma linda viagem romântica e que agora estão voltando para casa. Rodrigo e Paula, basicamente,
passam esse voo inteiro como se fosse um casal, dividindo cobertor, colocam coisinhas juntas para assistir no sistema de entretenimento do avião. O avião inteiro dormindo, já tudo escuro, e estão os dois... conversando. E Paula tem uma sensação como se aquele avião tivesse envolto numa bolha de viagem no tempo.
como se de repente os dois fossem aquele casal de 14, 15 anos de idade, que namoravam e que como se nada tivesse acontecido. É como se fosse uma bolha completamente fora da realidade. O avião pousa no Brasil de novo, Rodrigo e Paula levantam para pegar as malas e a cena vai ficando cada vez mais surreal.
Porque no desembarque, Rodrigo está saindo com a Paula e os pais da Paula estão no desembarque. Rodrigo cumprimenta os pais da Paula como se nada tivesse acontecido. Como se Rodrigo estivesse voltando de casal com a Paula. E os pais da Paula ficam sem entender nada também.
Mas como, Paula? O que aconteceu? Esse é o Rodrigo? Que você namorava no colégio? E a Paula com aquela cara de... É, mãe. É, pois é. Depois eu te conto o que aconteceu. E aí, a partir dali, cada um vai pra sua casa. Paula, então, vai contando pros pais. Nossa, vocês não sabem. Encontrei o Rodrigo e... Ai, mãe. Uma loucura. Uma loucura.
Os dias vão se passando, Rodrigo e Paula continuam conversando, trocam ali mensagens, só que eles não se encontram mais, não marcam nada, só ficam ali voltando a se conversar. Realmente aquele avião parecia uma bolha de um universo paralelo, porque aquilo não se permaneceu.
O Natal passa, o Ano Novo passa, o semestre da faculdade da Paula vai voltar. Então Paula embarca de volta para o país onde hoje ela morava para estudar. E Paula embarca nesse avião com uma única certeza de que aquilo tinha sido realmente uma fenda no espaço-tempo, onde aquilo ali aconteceu por uma, sei lá, uma sincronicidade do universo.
A Paula achou aquilo tudo muito estranho, mas tudo bem. Vida que segue. Um mês depois, Paula, estudando, começa a receber umas mensagens. E aí começa a subir no telefone dela o nome do Rodrigo. Rodrigo, nas mensagens, claramente está meio embriagado. E Rodrigo começa a mandar áudio para ela. E ela começa a ouvir.
Paula, eu vou te encontrar. Eu tô indo aí. Eu quero te ver de novo. Vou te encontrar. Eu preciso te ver. Eu preciso. Ó, tô comprando a passagem agora. Tô comprando a passagem. Não quero saber. Vou te ver. Você vai me dar seu endereço. Eu vou sair do aeroporto. Pegar um carro.
E vou direto para a tua casa. Não tem escolha. Tá? Eu vou te ver, quero te ver, estou sentindo sua falta. Vou para a tua casa. E é exatamente isso que acontece. Rodrigo insiste tanto que no primeiro dia que ele chega, Paula, da...
o endereço dela. Rodrigo pega um carro e vai direto pra casa da Paula. Rodrigo, então, estava hospedado na casa da Paula. E Paula, assim, com aula, com mil coisas pra fazer. E aí...
Rodrigo depois vai pra um hotel, que também, né, a Paula tinha coisa pra fazer, não tinha como ficar ele lá o tempo todo. Só que o Rodrigo passa a aparecer na casa da Paula todo dia. Todo dia. E, de repente, o Rodrigo começa a falar coisas que a Paula fica meio chocada. Primeiro que o Rodrigo já solta uma lata falando Paula, eu acho que eu te amo. Eu tô apaixonado por você.
Eu te amo. Eu te admiro tanto. Nossa, eu não sei o que passou na minha cabeça pra eu deixar você ir embora. Mas que bom que a gente se reencontrou. Isso é Deus falando que a gente tem que se reencontrar. Que tem que acontecer alguma coisa entre a gente. Que a gente tem que voltar. Ô, Paula, se você quiser, eu caso com você. E a Paula riu e passando na cabeça dela falando Esse cara tá maluco.
E a única coisa que a Paula consegue pensar é que... Olha, isso tudo tá muito exagerado. Esse cara tá realmente fazendo um tipo de... Acho que é love bombing, né? É isso. O cara tá dizendo que tá se apaixonando por mim, que tá apaixonado, que casava comigo. Mas é tão absurdo que não dá pra levar a sério. Não dá pra levar a sério. Até que Rodrigo um dia ia falar pra Paula. Paula, vamos viajar.
Tem esse país maravilhoso que eu já fui, que eu conheço muita coisa de lá. Quero muito te levar. E aí vai ter um feriado agora, que eu sei que você não vai ter aula, então não tem como você negar. Eu vou comprar a passagem e a gente vai. E a Paula, contra qualquer lógica e bom senso, topa viajar com ele. Paula e Rodrigo chegam nesse outro país.
E começam a ter um final de semana dos sonhos. Paula diz, olha, Betta, sem exagero, foi um dos finais de semana mais intensos e cinematográficos da minha vida. Eu só consigo lembrar da gente andando pelas ruas da cidade à noite e conversando, jogando papo fora e andando pelas ruelas.
E da gente fumando na janela do apartamento e conversando sobre a vida. E eles arranhando, tentando falar a língua do local. E aí do nada pedindo uma pizza e comendo uma pizza de madrugada, olhando a paisagem da cidade. E a Paula fica na cabeça dela pensando... Ou essa bolha...
que estava envolvendo aquele avião, agora está envolvendo esse momento agora, ou eu devo ter... Porque dizem dessa coisa da teoria das cordas, buraco da minhoca. Eu devo ter atravessado algum tipo de portal e eu estou vivendo uma vida que é uma versão alternativa da minha vida. Porque isso aqui não parece estar certo. É como se, durante aquele tempo, Paulo e Rodrigo E aí
fosse um casal perfeito. Como se tudo fosse maravilhoso. Como se eles tivessem sido feitos um para o outro. A viagem continua sendo maravilhosa até que chega o último dia que Paulo e Rodrigo iam voltar para a cidade de onde a Paulo estudava. Os dois enchem a cara, começam a beber mais uísque do que deveriam.
e começam a conversar um pouco mais sério. E a Paula vira pro Rodrigo e fala, Rodrigo, olha só, deixa eu te falar uma coisa. Eu sei que você falou que você me ama, né? Que você casaria comigo e tudo mais. Mas vamos combinar? Eu acho que isso é um pouco de love bombing, que chamam, né? Exagero. Eu acho que você tá me jogando um monte de amor em cima pra eu fazer o que você quiser. O que não é possível. Coisa louca.
E aí o Rodrigo, também já super bêbado, fala pra ela que é exatamente isso que ele tá fazendo. E ele admite, assim, rindo da cara dela. É, eu acho que é um pouco, sim, né, Paula? Mas eu sabia que você era esperta, que você não ia cair nisso. Sabia. Sabia que você não ia cair nessa.
Você sabia que eu tava brincando, né? Esse treco de eu te amo, que eu casaria. É exagero. Eu tô vivendo só um momento, né? Sabe? Não, nada a ver. Tudo mais.
Mas Rodrigo começa a falar dos relacionamentos que ele já teve, que não deu certo muitas vezes. Que ele tentou muito, mas nunca encontrou ninguém legal. E aí ele ficou muito feliz de ter encontrado a Paula de novo, porque ela era maravilhosa mesmo, muito bonita. Uma pessoa muito incrível. E ele ficou feliz de ter encontrado com ela.
Começou a falar das inseguranças dele, do medo que ele tinha de ficar sozinho, das frustrações, das vezes que ele tentou e não conseguiu. E começou a falar do trabalho dele, começou a falar de várias coisas que ele se arrependia de ter feito e que depois não conseguiu mudar.
E a Paula sente que aquele papo não ia dar certo, porque o coração dela estava ficando um pouco mais amolecido mesmo. A Paula vai sentindo que ela começa a sentir uma coisa de novo por ele. Só que esse sentimento não dura muito. Porque no meio do papo, o Rodrigo fala muito tranquilo, como se ele não estivesse falando nada demais.
Ai, mas... Você lembra a Vanessa? Aí a Paula fala... Não, eu sei quem é, lembro. A Vanessa era uma menina que era de um... Uma conhecida da Paula, que era um pouco de um círculo que... Que era meio de um círculo dos dois. E aí a Paula fala... Lembro, não. Eu lembro que é a Vanessa. Pois é, que eu sou doido pra ficar com ela.
E eu acho que a Paula de repente ouve como se alguém tivesse pegado um alfinete e... Estourado a bolha. Como se ela tivesse sido sugada de volta pra versão normal da vida dela. E a Paula é...
não achou um grande drama, porque ela já sabia que isso tudo parecia uma grande loucura, e era mesmo, ela tinha certeza daquilo, e ela já sabia. E não era como se aquilo realmente tivesse sido um drama, mas é como se ela tivesse ouvido lá no fundo essa bolha explodir, ela estourar. Porque naquele momento, a Paula começou a entender que era tudo bom demais para ser verdade, e realmente era.
Nada daquilo era muito verdade. Era um momento romântico, de um momento paralelo, de uma realidade que parece que se abriu durante um tempo e que agora começou a se fechar. Rodrigo estava ali ficando com a Paula, só que já estava falando de ficar com outra. E na frente dela, e sem nenhuma questão.
Paula e Rodrigo, então, voltam. Paula volta para a cidade dela, Rodrigo volta para onde ele morava e os dois se afastam. E, a partir daí, Paula nunca mais viu o Rodrigo. Paula continua estudando. Paula encontrou o Eduardo.
E hoje, a Paula é casada com o Eduardo. E o Eduardo, segundo a Paula, ela conta que foi um desses encontros que realmente não dava para negar. Porque Paula hoje tem certeza que é o Eduardo o grande amor da vida dela. E hoje... E hoje...
Ela ficou sabendo que o Rodrigo também está com uma pessoa. O Rodrigo hoje namora a Vanessa. A pessoa que ele falou lá naquele final de semana romântico. E a verdade é que ninguém sabe que esse momento nessa cidade romântica aconteceu entre Paula e Rodrigo. Porque é como se aquele momento realmente não tivesse existido.
Hoje Paula namora o Eduardo e é muito feliz com ele. E Rodrigo namora a Vanessa. E deve ser muito feliz com ela. E às vezes até a Paula tem uma certa dúvida. Será que isso tudo aconteceu mesmo?
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