Episódios de Se Essa Sogra Fosse Minha

AQUELE DO #NAMORADO

09 de julho de 202617min
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Este episódio conta com a participação da psicóloga Bruna Aguiar. Obrigada, Bruna! ♥

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Participantes neste episódio2
G

Gabriela

Host
B

Bruna Aguiar

ConvidadoPsicóloga
Assuntos3
  • Namorado ignora gataComportamento inadequado · Reação da família da nora · Lucas
  • Sogra controladora e intrometidaVenda de bens para comprar apartamento · Preocupação com almoço pronto · Marcação de visitas a imóveis sem a nora · Lucas
  • Aspectos psicológicos e comportamentaisProcesso de separação e luto parental · Cuidado excessivo e culpa · Dificuldade em reconhecer o casal · Autonomia e limites
Transcrição55 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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?Voz B

This summer, say I do. I am marrying a stranger. Like never before.

— Anúncios inseridos dinamicamente —

GGabriela

Oi pessoal, voltei com mais uma curtinha do Se Essa Sogra Fosse Minha.

?Voz F

As curtinhas são relatos breves de situações que as pessoas passaram ou estão passando e contam com as suas próprias palavras, às vezes como um alerta, às vezes como um desabafo, mas geralmente em busca de conselhos.

GGabriela

Então, se você tem um conselho ou comentário, participe do nosso grupo do Telegram Se Essa Sogra Fosse Minha usando a hashtag do episódio. E a hashtag de hoje é Namorado. E quem conta essa história é a Gabriela. Então vamos começar. Eu, Gabriela, estou com o Lucas há quase 10 anos. Começamos a namorar ainda no começo da faculdade e desde então eu já estranhava alguns comportamentos do núcleo familiar do Lucas. Minha família sempre teve uma comunicação muito aberta um com o outro, Principalmente eu, meus irmãos e minha mãe.

E eu fui criada resolvendo as coisas assim, na conversa, mesmo que isso levasse para demais discussões. A gente relatava nossos incômodos e sempre que possível nos esforçamos para melhorar. Na casa do Lucas não é desse jeito. Eles vivem até hoje sob o tratamento de silêncio. Brigou, ficam tranquilamente meses dentro da mesma casa sem se falar. Isso é mais recorrente entre os meus sogros, e eles têm um relacionamento péssimo desde que o Lucas se entende por gente.

O problema é que, obviamente, isso recai sobre ele, com os pais usando ele como pombo-correio ou como psicólogo. Do que eu sei sobre a história dos dois, sempre foi desse jeito: ela foi criada para ser Amélia, silenciando qualquer incômodo e qualquer problema pelo bem da família, e ele criado para ser o macho alfa, achando que sustentar a casa dá a ele direito de tratar os outros como lixo. E deixo claro desde já que eu reconheço ele, o meu sogro, como ponto de desestruturação nessa família.

Mas ao longo do tempo eu passei a aceitar que a minha sogra escolheu estar nessa situação.

?Voz F

E eu digo isso porque ao longo desses anos, pelo menos umas 4 vezes, aconteceu de terem uma briga seguida dele ou dela saírem de casa e jurarem que iam se separar. Inclusive, avisaram o Lucas e a irmã que era definitivo, mas eles sempre voltavam, e algumas dessas vezes por iniciativa da minha sogra.

GGabriela

E ela tem não somente condições financeiras para sair, como também direito à metade dos bens e uma rede de apoio bastante sólida. Passamos todos esses anos lidando com o comportamento deles da maneira mais respeitosa possível.

?Voz F

Porque no fim das contas a casa é deles e o Lucas sempre viveu sob a regra do embaixo do meu teto não quero discussão, o que eu jamais consegui entender, porque como eu já disse, na minha casa nós temos no mínimo diálogo.

GGabriela

Sabendo disso e querendo evitar mais problemas para o Lucas, eu não debato com nenhum dos dois, nem com a minha sogra nem com meu sogro. Falo pouquíssimo, mas eu não escondo nenhuma expressão, e eles dois percebem bem.

?Voz F

Tanto percebem que me alfinetam sempre que podem sobre a minha cara de poucos amigos.

GGabriela

A diferença aqui é que o meu sogro fala o que ele acha e a minha sogra fica dando rodeios para ser passiva-agressiva sempre que pode, porque assim ela consegue manipular melhor a situação para caber no papel de vítima. Agora vem a junção desses traços amáveis com o contexto dessa história. Quando eu e o Lucas decidimos nos mudar, minha sogra resolveu demonstrar do jeitinho dela que ela tava feliz, mas não tanto.

?Voz F

Eu nem acho que estivesse, na verdade, é só ironia.

GGabriela

O título desse email, aquele do namorado, É motivado por um hábito bem estranho da minha sogra, que é o de chamar o Lucas de namorado.

?Voz F

Sim, o próprio filho, namorado.

GGabriela

Desde o começo ela fazia essas coisas sob a justificativa de que era brincadeirinha dela, e eu desde sempre fiz cara de poucos amigos para esse tipo de atitude. Não só para essa, mas para várias outras. E ela não só já percebeu que eu não gosto, como também já disse: Ai, Gabriela, me desculpa, tá? Mas continua fazendo. Pouco depois da nossa mudança, nós fomos num evento da minha família. E assim que uma tia minha chegou, a minha sogra apresentou o Lucas como namorado dela. De novo!

?Voz F

E ela fez questão de olhar pra mim rindo. De novo.

GGabriela

E aí, pela primeira vez em muitos anos, eu não só fiz a cara de desaprovação, mas eu falei: pelo amor de Deus, sogra, para com isso! E ela entendeu o recado, tanto que passou o resto do dia super acuada comigo. Só que depois de tudo, eu fui embora com essa minha tia. E aí eu recebi uma informação inédita sobre a minha sogra. Minha tia falou que tinha achado muito estranho o comentário da minha sogra na festa, porque ela não entende essas brincadeiras de chamar o filho de namorado, de marido.

?Voz F

Mas que no dia do meu chá de panela que nós fizemos antes, né, de nos mudarmos, para comemorar com os nossos amigos, a nossa família, Enfim, no dia do chá de panela, minha sogra tinha feito algo pior.

GGabriela

Quando a minha tia e minha avó foram cumprimentar minha sogra, logo que elas chegaram no chá, elas perguntaram o básico: oi, tudo bem?

?Voz E

Como é que estão as coisas?

GGabriela

E a minha sogra, sem nenhum pudor ou vergonha, disse: ah, tô me recuperando, né?

?Voz E

Eu chorei a semana toda. Porque Gabriela conseguiu, tomou ele de mim de vez.

GGabriela

Só que a minha família não vê isso como brincadeira, nem teve tom de brincadeira. E minha avó logo repreendeu a minha sogra. Ela disse assim: que isso, mulher, eles vão viver a vida deles agora, felizes.

?Voz E

Nós amamos muito o Lucas, a gente tem ele Como um filho, ele é da nossa família agora. E a minha sogra repetiu: não, eu sei, mas ela tá roubando ele de mim.

GGabriela

E foi aí que eu fui conversar com o Lucas, porque falar algo desse tipo para mim já é uma falta de senso. Agora falar isso para minha família definitivamente era demais para mim. E o Lucas disse: O mesmo que a minha sogra diria, que para ela isso é uma brincadeira, que inclusive ele já tinha pedido para ela parar com isso e já pediu mesmo na minha frente, que outras pessoas não acham engraçado, etc. E eu avisei que ou ele falava de vez com ela ou eu mesma falaria.

E aí ela não repetiu mais, por enquanto. Mas essas foram só mais algumas da saga dela de ações desde que recebeu a notícia de que a gente ia morar junto. Porque apesar de dizer que desejava o melhor e prestar todo apoio do mundo, ela queria fazer tudo do jeito dela. Por exemplo, agora a gente vai se mudar para uma cidade que fica uns 25 km da casa dela, e desde o começo ela disse que a gente não deveria sair para viver de aluguel, Que o apartamento tava caindo aos pedaços, que a gente não ia dar conta, e diversas outras palavras positivas de muito apoio.

O ápice foi um dia que ela, aproveitando que tava meio bêbada, me chamou para dizer que ia vender o carro dela e o que mais ela pudesse vender para pagar a entrada de um apartamento para gente, porque era mais perto.

?Voz F

Perto da casa dela, claro.

GGabriela

E porque a gente podia ir pagando o valor para comprar ao invés de alugar.

?Voz E

E eu só fiquei olhando para ela com uma cara de interrogação imensa e disse: para com essas ideias, fica com as suas coisas, vive sua vida, compra para você o que você quiser. As pessoas moram de aluguel, não tem nada de absurdo nisso.

GGabriela

Mas para fechar com chave de ouro a ajuda não solicitada, Ela ainda soltou um: ai, é que eu tenho muita dó do Lucas, sabe?

?Voz E

Dele sair do trabalho e não ter um almocinho pronto em casa para comer.

GGabriela

E aí eu fiz o que eu sempre faço quando ela me fala uns absurdos desses: eu fui contar imediatamente para o Lucas.

?Voz F

E eu fiz isso porque a gente entende que os problemas da família dele, ele resolve, e os problemas com a minha família eu resolvo.

GGabriela

Mas enfim, continuando, ele fez a mesma cara de interrogação que eu e disse que ela já tinha falado isso para ele. E ele se posicionou do mesmo jeito que eu, mandando ela parar com essa história. Acontece que ela não parou, e naquela mesma semana ela voltou a falar disso com ele, e agora com um aviso que ela já tinha marcado com um corretor Para ir visitar algumas casas, só os dois, ela e o Lucas, e todas as casas perto de onde ela quer que ele fique, sem sequer me incluir nos planos.

?Voz F

Nesse dia, ele deu o recado final para ela, porque eles já tinham tido várias conversas sobre isso, com ele se posicionando sobre não querer depender deles, não querer dar trabalho nem nada do tipo.

GGabriela

Ele disse que não queria mais saber dessa conversa, que ele já tinha dito não, e que ela, além de insistir, tinha ido levar para mim essa ideia sabendo que ele não concordava. Ele perguntou para ela por que que ela tava falando sobre isso comigo, o que que ela tava esperando com essas atitudes, e disse que não era para ela levar nenhuma das opiniões não solicitadas dela para mim mais. E ela, no ápice da cara de pau, teve a coragem de dizer que eu quem tinha começado a falar do assunto e ela só resolveu comentar para ajudar.

Enfim, desde então começou o tratamento de silêncio com o Lucas, e ela falando que as doenças dela Estão todas piorando.

?Voz F

E ela piora de propósito, porque se o médico diz para fazer A, ela faz B. Se o médico manda não fazer alguma coisa, ela vai lá e faz duas vezes.

GGabriela

Eu nem preciso dizer para quem que ela liga quando tá no hospital ou quando precisa de alguma coisa, né? Para o marido dela, que não é. Agora, para o namorado. E é isso, cada dia que passa sem ela inventar alguma coisa É um alívio, mas é só ouvir o nome dela que eu logo penso que lá vem mais uma.

?Voz F

E eu confesso que, assim como várias histórias aqui, foi um longo caminho até eu entender que eu não tava maluca, que ela realmente trata o filho dela como marido e faz várias coisas para me provocar. Ela espera dele coisas que devia cobrar do marido dela, não do filho.

GGabriela

Por sorte, eu tô com uma pessoa que estabelece o limite, mas do outro lado tem alguém com muita dificuldade em respeitar. E essa foi a história de hoje. E aí, o que você faria se essa sogra fosse sua?

BABruna Aguiar

Olá, meu nome é Bruna Guiar, sou psicóloga clínica pós-graduada em psicanálise clínica, neurofarmacologia e psicologia na era digital. E o que me chamou atenção nessa história, na verdade foram vários pontos, né? Não foi tanto a mãe chamar o filho de namorado. Claro que esse comportamento ele causa estranhamento e merece um limite, mas do ponto de vista psicanalítico me parece que esse apelido é apenas um sintoma de algo maior.

Quando um filho cresce e constrói a própria vida, acontece um processo muito importante que é o da separação. Não uma separação do afeto, porque continuamos filhos para sempre, mas uma separação de lugares e papéis. Os pais precisam fazer um luto silencioso daquele filho que dependia deles e aceitar que agora ele pertence emocionalmente também a uma nova história, a uma nova família, novos projetos. E nem sempre esse processo acontece de forma tranquila.

Algumas pessoas tentam manter o filho muito próximo através do cuidado excessivo, da culpa, das opiniões constantes, da necessidade de participar de todas as decisões, ou até da sensação de que ainda sabem o que é melhor para ele. E algo me chamou muita atenção nesse relato, que em vários momentos a mãe parece falar como se o Luca ainda ocupasse em um lugar que já não corresponde à realidade. Ela tenta decidir onde ele vai morar, se preocupa com o almoço dele, marca visita em imóveis sem incluir a companheira.

É como se psiquicamente ela ainda tivesse dificuldade de reconhecer que existe um casal tomando decisões. Mas também acho importante olhar para outro aspecto. A Gabriela descreve uma família em que os conflitos sempre foram resolvidos pelo silêncio. E esse silêncio não elimina os conflitos, ele apenas impede de que eles sejam elaborados. Aquilo que não pode ser dito acaba aparecendo de outras formas: indiretas, manipulações, afastamentos ou tentativas de controle.

E o que me parece mais saudável em toda a história é que o Lucas consegue ocupar um lugar importante. Ele não rompe com a mãe, mas também não entrega a condução da própria vida para ela. Na psicanálise, amadurecer não significa deixar de amar os pais, significa conseguir amá-los sem abrir mão da própria autonomia. E talvez seja justamente isso que essa família está passando, né, esse desconforto. Enquanto o Lucas tenta construir um novo lugar para um novo papel, a mãe parece ainda tentar mantê-lo ocupando um lugar antigo.

E toda mudança de lugar dentro de uma família costuma provocar resistência, porque mexe com o equilíbrio do que existia até então. Espero que vocês tenham gostado do meu comentário. Vocês podem me procurar nas redes @psicologa.brunaguiar. Ficarei muito feliz de receber a todos e faço atendimentos online aí para qualquer lugar que você estiver. Muito obrigada, um abraço!

GGabriela

Participe do nosso grupo do Telegram, Se Essa Sogra Fosse Minha, usando a hashtag do episódio, e conta para gente como você reagiria ou dá uns conselhos aí. Lembrando que se você também estiver precisando de conselhos ou se tiver uma história boa para contar, é só mandar para o seessasografosseminha@gmail.com. Que a gente conta aqui de forma anônima. Se Essa Sogra Fosse Minha é um programa independente, então se você gosta, se identifica, segue a gente.

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