Episódios de Se Essa Sogra Fosse Minha

AQUELE DO ACÚMULO

22 de junho de 202623min
0:00 / 23:46

Este episódio conta com a participação da psicóloga Bruna Aguiar. Obrigada, Bruna! ♥

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Participantes neste episódio3
P

Paloma

Host
B

Bruna Aguiar

ConvidadoPsicóloga
T

Thaís

Convidado
Assuntos6
  • Conflito com a sograDificuldade em confiar na própria percepção · Sensação de não ser reconhecida como esposa · Separação simbólica da família de origem · Decisões do casal atravessadas por expectativas da família de origem · Falta de validação do marido sobre os sentimentos da esposa · Sentimento de ter ficado em segundo lugar
  • Amizade tóxica e manipuladoraSogra faz perguntas e usa informações em comentários indiretos · Comentários sobre trabalho e religião sem ataque direto · Elogios à namorada do irmão de Thaís após desabafo · Sogra interrompe conversa sobre filhos para destacar sensibilidade de Thaís · Comentários feitos em voz doce e calma, com sorriso · Imagem de bondade e boa intenção que dificulta a crença nas ações
  • Fertilidade e GravidezDiagnóstico de dificuldade de fertilidade na esposa · Marido conta para a família sobre a dificuldade da esposa · Comentários da sogra sobre sorte do marido e mulheres 'parideiras' · Sogra expressa desejo por mais netos · Thaís se sente pressionada e evita a sogra
  • Relacionamentos FamiliaresSogra decide local do casamento sem consultar o casal · Sogra decide sobre padrinhos sem consultar a noiva · Sogra organiza aniversários do Diego, ditando data e local · Thaís organiza festa surpresa para Diego, sogra organiza outra comemoração · Sogra informa o Diego sobre necessidade de ajuda, sem convite
  • Papel do Homem na FamíliaDiego insiste para Thaís se aproximar da mãe · Diego conta para a família sobre a dificuldade de fertilidade da Thaís · Diego usa justificativa da terapeuta para não agir · Thaís sente que o marido compreende primeiro os sentimentos da família dele
  • Pressões sobre mulheresSogra questiona a capacidade financeira do casal para ter filhos · Sogra cobra Thaís sobre ajuda financeira para manter a casa · Thaís ganhava mais que Diego e sustentou a casa em período de desemprego dele · Sogra não cobra o filho sobre contribuição financeira
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?Voz D

Oi, pessoal! Sejam bem-vindos a mais um episódio do Se Essa Sogra Fosse Minha. Eu sou a Paloma e o episódio de hoje é Aquele do Acúmulo. E quem conta essa história é a Thaís. Então vamos começar? O título do e-mail da Thaís dizia o seguinte: ninguém via, mas eu ouvia.

?Voz E

E ela começa o e-mail dizendo assim: "Eu sempre me pergunto se eu sou dramática, porque quando eu conto episódios isolados da minha relação com a minha sogra, até eu mesma penso que talvez eu esteja exagerando. Mas quando eu olho para tudo que aconteceu ao longo dos anos, eu percebo que o problema nunca foi uma situação específica, foi o acúmulo." A Thaís conheceu o Diego quando ela já era adulta.

?Voz D

Ela trabalhava, fazia faculdade e já tinha uma vida relativamente organizada. E como os dias de semana eram sempre uma correria para ela, eles acabavam se vendo só nos finais de semana. Eram nos finais de semana também que o Diego tinha tempo para ver os pais, para auxiliar eles com alguma coisa que eles precisassem em casa. Então, eles sempre passavam algum tempo na casa dos pais do Diego. E aqui tem um ponto importante: o Diego fazia muita questão que a Thaís se aproximasse da mãe dele.

?Voz E

Ela disse assim: "Muitas vezes, quando íamos à casa dos pais dele, o pai precisava de alguma ajuda e o Diego passava horas ocupado. Eu poderia simplesmente chegar mais tarde, quando ele estivesse disponível, mas não, ele insistia que eu fosse junto desde o início." Ele dizia que a mãe dele gostava de mim, que eu precisava conversar mais com ela, criar um vínculo e fortalecer a nossa relação. Então eu ficava. E foi justamente nesses momentos em que estávamos sozinhas que tudo começou.

?Voz D

No início, a sogra só fazia perguntas para Thaís. Muitas perguntas, mas ainda assim só perguntas. Ela perguntava sobre a família, sobre a religião, sobre o trabalho, sobre a infância da Thaís. Os relacionamentos anteriores. E a Thaís conta que ela respondia tudo com muita naturalidade assim, porque ela achava que a sogra só estava tentando conhecer melhor a namorada do filho. Só que depois ela começou a perceber um padrão: a sogra fazia as perguntas, guardava as informações, e depois essas informações voltavam em forma de comentários.

?Voz E

Ela disse assim: por exemplo, a minha mãe trocou de emprego algumas vezes num curto espaço de tempo, e eu contei isso para minha sogra. Meses depois, minha sogra começou a comentar com frequência sobre como ela trabalhava há muitos anos na mesma empresa, como era valorizada pelos chefes e como ela sempre foi uma excelente funcionária. Ela nunca mencionava minha mãe diretamente, mas eu saía da conversa me perguntando por que aquele assunto tinha surgido.

?Voz D

A mesma coisa aconteceu com a religião. Na verdade, elas até têm uma fé bem parecida, mas são de igrejas diferentes. E depois que a sogra soube que a Thaís frequentava outra igreja, ela começou a falar sobre como a igreja dela era séria, sobre como a igreja dela tinha princípios que ela ensinou para os filhos desde criança, como a igreja dela falava sobre a importância da educação religiosa dentro da família e esse tipo de coisa.

E de novo, ela não atacava diretamente a igreja da Thaís, mas a Thaís sempre sentia que ficava uma sensação estranha no ar. Um dia ela perguntou para Thaís sobre o irmão dela. Que na época tinha uma namorada.

?Voz E

Minha sogra queria saber se eles estavam bem, como que tava o relacionamento deles. E aí eu acabei comentando uma situação específica que me incomodava. Eu disse que às vezes ficava chateada porque a namorada dele pedia coisas que atrapalhavam os estudos dele. Não era uma crítica à pessoa dela, eu não tinha nada contra ela. Eu só tava desabafando sobre uma situação pontual.

?Voz D

E aí, um tempo depois disso, foi aniversário do Diego e o irmão da Thaís foi no aniversário com a namorada.

?Voz E

Assim que a minha cunhada chegou, minha sogra fez questão de receber ela com muitos elogios. Falou o quanto gostava dela, o quanto ela era uma pessoa maravilhosa, o quanto ela era especial. E é engraçado porque elas sequer tinham proximidade. Pode ter sido coincidência, talvez tenha sido, mas foi uma daquelas situações em que eu sentia que havia uma mensagem sendo enviada para mim sem que nada fosse dito diretamente.

?Voz D

Durante muito tempo, a Thaís disse que meio que se convenceu de que tudo aquilo era coisa da cabeça dela, então ela só foi deixando para lá. Foi relevando até chegar ao casamento. Quando eles começaram a organizar a cerimônia, a Thaís ficou sabendo através de outras pessoas que a sogra já tinha decidido onde eles iriam se casar, que ia ser na mesma igreja que as filhas da sogra se casaram. E antes mesmo da Thaís ficar sabendo disso, a sogra já tava falando para todo mundo como se já tivesse tudo certo, como se tivesse definido.

Só que eles não iam casar lá. E quando a Thaís disse para sogra que ela e o Diego já tinham decidido que o casamento seria na igreja da Thaís, a sogra não gostou nem um pouco. Depois disso aconteceu uma coisa parecida em relação aos padrinhos.

?Voz E

Um dos padrinhos ficou sem pá e quando eu comentei isso com ela, ela respondeu: "Vou conversar com meu filho para decidirmos isso." Decidirmos, ela e ele. A noiva aparentemente não fazia parte da decisão. Foi nessa época que eu comecei a sentir que eu não era vista como alguém construindo uma nova família. Eu era vista como alguém entrando na família dela.

?Voz D

A Thaís conta também que tinham algumas dinâmicas da família que ela esperava que fossem mudar com o casamento deles, mas não mudaram. Por exemplo, o aniversário do Diego continuava sendo organizado pela mãe dele.

?Voz E

Ela escolhia a data, ela escolheu o horário, ela escolheu o local e mudava tudo o tempo todo. Marcava para domingo, daqui a pouco mudava para sábado. Aí mudava para sábado de tarde, voltava para domingo. Enfim, a nossa agenda precisava girar em torno da agenda dela e ninguém perguntava se aquilo funcionava para nós.

?Voz D

Só que depois de alguns aniversários assim, a Thaís resolveu quebrar esse ciclo. Ela resolveu fazer uma coisa diferente. Ela organizou uma festa surpresa para o Diego. Dessa vez ela que escolheu a data, o horário, ela organizou tudo sozinha. Pela primeira vez ela não pediu autorização, não pediu opinião da sogra, nada. Ela só mandou os convites e ela realmente acreditou que pelo menos isso ela ia conseguir mudar. Só que depois da festa surpresa, a sogra organizou uma segunda comemoração para aniversário do Diego, e aí ela fez do jeito dela e no dia que ela queria.

A Thaís disse que sentiu que era como se a sogra precisasse reafirmar que aquela tradição continuava sendo dela.

?Voz E

Ao mesmo tempo tinham outras situações. O meu sogro tinha o costume de simplesmente informar para o Diego quando precisava dele. Não era um convite, era quase uma convocação.

?Voz D

"Quero você aqui tal dia e tal hora." E a Thaís disse que nunca se incomodou com o fato do Diego ajudar os pais. Pelo contrário, isso foi uma coisa que ela sempre admirou muito nele. Mas o que incomodava ela era que parecia que toda a família dele esquecia que agora o Diego também tinha uma casa, agora o Diego também tinha a rotina dele com a família dele.

?Voz E

Outra coisa que me chamava atenção era a visão da minha sogra sobre o papel da mulher no casamento. Quando a nossa situação financeira ainda era um pouquinho apertada, alguém comentou sobre filhos. E ela olhou para mim e disse: "Vocês não têm condições de ter filhos ainda." E eu até concordava, mas eu me perguntava por que aquele comentário era direcionado a mim e não ao filho dela.

?Voz D

Depois, a sogra começou a fazer várias perguntas sobre a vida financeira da Thaís. Perguntou se a Thaís ajudava o Diego a manter a casa, porque ela achava que era dever da esposa ajudar. Ela fazia esse tipo de cobrança em relação a dinheiro o tempo inteiro. E a verdade é que a Thaís ganhava mais que o Diego. Ela não ajudava, ela contribuía até mais do que ele. Os dois mantinham a casa juntos. Teve um momento até que o Diego ficou desempregado por um tempo, e foi o salário da Thaís que sustentou a casa nesse período.

E ainda assim, a sogra fazia esse tipo de cobrança para ela. E para o Diego, a sogra não falava nada. Ela nunca disse que o filho tinha que ajudar a esposa financeiramente. O tempo foi passando e aí chegou o assunto que mudou tudo: os filhos. A Thaís conta que desde que ela e o Diego namoravam, o plano sempre foi muito simples: casar, crescer financeiramente e ter um filho. Eles casaram, cresceram financeiramente Mas o bebê não vinha. Então eles procuraram um médico e começaram a investigar.

?Voz E

E a Thaís disse assim: "Antes mesmo do resultado, nós fizemos um combinado. Independentemente de quem tivesse a dificuldade, a gente ia tratar aquilo como problema do casal, porque era." E quando saiu o diagnóstico, eles descobriram que a dificuldade estava relacionada à Thaís.

?Voz D

E ela disse que o Diego foi extremamente acolhedor, disse que aquilo não mudava nada, que eles já eram uma família, sempre seriam uma família, e que eles ainda tinham opções. Eles poderiam tentar alguns tratamentos ou adotar uma criança. Só que depois disso, o Diego meio que esqueceu do combinado e contou para a família dele que quem tinha problemas de fertilidade Era Thaís.

?Voz E

E ela disse assim: aquilo já foi muito doloroso, mas o pior ainda estava por vir. Eu pedi para o Diego contar sozinho, eu não queria estar junto, eu não tava emocionalmente preparada. E eu pedi que ele conversasse com a mãe dele e explicasse que eu não queria ser questionada sobre o assunto. Ele disse que ia fazer isso.

?Voz D

Mas alguns dias depois, quando a Thaís encontrou a sogra de novo, a primeira coisa que a sogra disse quando elas ficaram sozinhas foi: Você tem muita sorte de ter um marido compreensivo. E não parou por aí. A sogra ainda disse: Na minha família, todas as mulheres são parideiras.

?Voz E

Você sabia que em alguns lugares da África, mulheres que não podem ter filhos são devolvidas para família?

?Voz D

"Meu sonho era ter mais netos." E isso acontecia sempre que elas estavam sozinhas. Sempre.

?Voz E

E a Thaís disse assim: "Foi nesse momento que alguma coisa começou a quebrar dentro de mim. Passei a evitar encontrar minha sogra, mas continuava convivendo com ela por consideração ao meu marido." Um tempo depois, aconteceu uma coisa que marcou muito a Thaís também.

?Voz D

Ela já tava melhor emocionalmente e o assunto filhos já não era mais um gatilho para ela. Ela conseguia conversar sobre isso normalmente com qualquer pessoa.

?Voz E

Na verdade, ela até disse assim: o problema nunca foi falar sobre filhos, o problema era falar sobre filhos com a minha sogra, porque eu sabia que sempre viria algum comentário desnecessário depois.

?Voz D

E aí um dia, com a família toda reunida, O assunto filhos surgiu naturalmente, todo mundo falando ao mesmo tempo, cada um dando sua opinião, uma conversa completamente normal. Até que a sogra faz um barulho, interrompe todo mundo, e quando todos param de falar e olham para ela, ela diz: "Parem de falar sobre filhos, a Thaís não gosta de falar sobre isso." E a Thaís disse assim: na hora eu senti uma raiva enorme, porque aquilo simplesmente não era verdade.

?Voz E

Eu não tinha problema em falar sobre filhos, mas poucos dias antes o meu marido tinha conversado com a mãe justamente para que ela parasse de me abordar sobre esse assunto. A sensação que eu tive ali foi que ela tava transformando uma conversa privada num assunto público. Como se ela tivesse dizendo para todo mundo: "Olhem como ela é sensível!" ou "Olhem como ela é difícil!" Talvez não tenha sido essa a intenção, mas foi exatamente assim que eu me senti.

?Voz D

E aí isso começou a afetar o relacionamento da Thaís e do Diego, e não pela infertilidade em si, mas porque a Thaís sentia que tava lutando sozinha. Então eles começaram a fazer terapia de casal.

?Voz E

Lá eu expliquei que o meu sofrimento não estava relacionado só a minha sogra. O problema era um padrão que eu percebia há anos, que em qualquer conflito eu sentia que o meu marido compreendia primeiro sentimentos da família dele e só depois os meus.

?Voz D

E nessa sessão a terapeuta disse que a sogra, por ser uma pessoa mais velha, provavelmente não ia mudar. E a Thaís entendeu que isso significava o quê? Que, então, ela e o Diego é que precisariam mudar a forma de lidar com aquela situação. Mas o Diego não. O Diego foi por outro caminho. Na verdade, ele passou a usar essa frase da terapeuta como justificativa para não tomar uma atitude. Então, sempre que a Thaís trazia alguma questão, algum problema em relação à mãe dele, ele já tinha a resposta pronta: "Não tenho o que fazer, a terapeuta já disse que ela não vai mudar." A Thaís disse assim: "Muitas vezes eu penso: 'Não é possível que ela seja tão maldosa assim.

?Voz E

Será que sou eu que tô ficando louca? Será que sou eu que tô vendo coisa onde não tem?'" Mas logo depois eu me pego lembrando de um detalhe que sempre me intrigou. Por que que certos comentários acontecem quase que exclusivamente quando a gente está sozinha? Porque já houve situações em que ela fez comentários na frente de outras pessoas, e esses comentários foram tão inadequados que tanto meu marido quanto uma das irmãs dele repreenderam a minha sogra na hora.

E foi justamente depois de alguns episódios assim que eu comecei a perceber uma mudança. Os comentários passaram a acontecer quase sempre quando não havia testemunhas. Por isso eu fico dividida, porque uma parte de mim pensa que talvez ela não faça nada por mal mesmo, mas outra parte se pergunta se alguém que repete esse comportamento por tantos anos realmente não percebe o impacto das próprias palavras.

?Voz D

A Thaís disse que o que confunde também É que a sogra nunca fala nada de forma agressiva assim. Pelo contrário, ela fala com uma voz extremamente doce, extremamente calma, extremamente gentil, mansinha, sabe? Mansinha, mansinha. Esses comentários sobre mulheres sendo devolvidas na África ou de como a Thaís tem sorte de ter um marido compreensivo sempre vem acompanhados de um sorriso no rosto.

?Voz E

Ela é aquele tipo de pessoa que quando você conta uma coisa que ela disse ou que ela fez, as pessoas têm muita dificuldade de acreditar, porque ela passa uma imagem de alguém muito bondosa, muito educada e muito bem-intencionada.

?Voz D

E a Thaís disse que hoje ela percebe que o problema nunca foi só a sogra, mas sim o fato dela sentir que ela passou anos tentando compreender os sentimentos da sogra enquanto ninguém parecia disposto a compreender os sentimentos dela, nem mesmo Diego.

?Voz E

Nunca me incomodou o fato do meu marido amar os pais, nunca me incomodou ele ajudar os pais. Eu nunca quis afastar ele da família. O que me machuca é a sensação de que, diante de qualquer conflito, por menor que seja, as vontades da família dele sempre vem primeiro e as minhas depois.

?Voz D

E é aqui que a Thaís quer a nossa opinião. Com base em tudo que ela disse, ela quer saber se ela tá vendo coisa que não existe ou se os sentimentos dela fazem sentido diante de tudo que aconteceu.

?Voz E

Será que sou eu que tô sendo dramático, sensível demais diante dessas situações? Porque quando eu analiso cada episódio isoladamente, muitas vezes eles parecem pequenos. O problema é que para mim não foi uma situação específica, foi o acúmulo de anos vivendo experiências parecidas e carregando a sensação constante de não me sentir considerada, respeitada ou priorizada. Eu também queria saber se vocês enxergam as atitudes da minha sogra da mesma forma que eu, ou se acreditam que eu tô interpretando coisa onde talvez não exista intenção alguma.

E principalmente eu queria saber se o problema que vocês enxergam nessa história, vendo de fora, é realmente a minha sogra, ou se, como eu passei a acreditar ao longo dos anos, a questão principal está na forma como meu marido lida com os conflitos entre a família dele e o nosso casamento.

?Voz D

E aí, que que vocês acham?

BABruna Aguiar

Olá pessoal, meu nome é Bruna Aguiar, sou psicóloga clínica, atendo pela abordagem psicanalítica, Sou pós-graduada em psicanálise clínica, neurofarmacologia e psicologia na era digital. E o que mais me chamou atenção nessa história foi que ela não é apenas sobre uma sogra e uma nora. Ela é sobre pertencimento, limites e, principalmente, sobre a dificuldade de confiar na própria percepção quando uma situação se repete por muitos anos.

Ao longo de todo o relato, a Thais faz a mesma pergunta de formas diferentes. "Será que estou exagerando? Será que estou vendo coisas? Será que sou sensível demais?" Isso é muito interessante do ponto de vista psíquico, porque quando alguém nos agride de forma explícita, geralmente conseguimos identificar o que aconteceu. Mas quando as mensagens são indiretas, ambíguas e difíceis de provar, começamos a duvidar de nós mesmos, não porque somos frágeis, mas porque passamos a viver um conflito entre aquilo que sentimos e aquilo que conseguimos explicar para os outros.

E me parece que a dor da Thaís não nasceu de uma frase específica, ela nasceu da repetição de uma mesma experiência: a sensação de que sua posição como esposa nunca era completamente reconhecida. Na psicanálise existe algo muito importante quando falamos da formação de um casal: Para que uma nova família exista, é necessário que aconteça uma separação simbólica da família de origem. Não significa deixar de amar os pais nem se afastar deles, mas reconhecer que agora existe uma nova unidade com seus próprios acordos, prioridades e limites.

E o que parece nessa história é que essa transição nunca não aconteceu completamente. Em vários momentos, as decisões do casal continuam atravessadas pelas expectativas da família de origem. E talvez por isso a Thaís tenha se sentido tão sozinha, porque a impressão que ela descreve não é apenas de ter uma sogra difícil, é de não encontrar no marido alguém que validasse aquilo que ela estava sentindo. E por isso, para mim, a A principal pergunta não é se a sogra fazia tudo isso de propósito.

Nós nunca temos acesso total à intenção do outro. A pergunta mais importante é: por que durante tantos anos essas interações produziram sempre o mesmo sentimento de desvalorização? No final, eu não escuto uma mulher reclamando apenas da sogra. Eu escuto alguém dizendo: passei anos tentando compreender os sentimentos de todos ao meu redor, enquanto os meus pareciam não encontrar espaço. E talvez a maior dor dela não seja aquilo que a sogra disse, talvez seja a sensação de ter ficado em segundo lugar justamente na relação que ela esperava ser escolhida em primeiro.

Espero ter ajudado com meu comentário. Fico à disposição de todos no Instagram, meu é psicologa. @brunaguiar. Eu atendo online, então, para todos os países.

?Voz D

E essa foi a história de hoje. E aí, o que você faria se essa sogra fosse sua? Participe do nosso grupo do Telegram, Se Essa Sogra Fosse Minha, e conta para gente como você reagiria ou dá uns conselhos aí. Lembrando que se você também estiver precisando de conselhos ou se tiver uma história boa para contar, É só mandar para o seessasografosseminha@gmail.com que a gente conta aqui de forma anônima. O Se Essa Sogra Fosse Minha é um programa independente, então se você gosta, se identifica, segue a gente, ativa o sininho para receber as notificações dos novos episódios, compartilha com alguém que você acha que vai se sentir menos sozinho ouvindo essa história e apoie quem nos apoia. Obrigada para quem ouviu até aqui, um beijo. Vocês são demais!

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