AQUELE DO ABANDONO
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Este episódio conta com a participação da psicóloga Mayara Moreira. Obrigada, Mayara! ♥
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- Demissão de Pam BondiRelacionamento adolescente · Implicância da sogra · Pedido de casamento · Reação da sogra ao noivado · Ameaças de autoagressão · Separação e individualização do filho · Construção de fronteiras familiares
- A dinâmica familiar e a saúde mentalCrise conjugal dos pais de Augusto · Recusa de ajuda profissional · Impacto na saúde mental da nora · O papel do casal diante de conflitos
- Comentário da psicóloga Mayara MoreiraDificuldade em lidar com separação e individualização · Bode expiatório na dinâmica familiar · Ameaças de autoagressão · Construção de fronteiras · Mayara Moreira
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Voz C:So good, so good, so good.
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Voz E:Oi pessoal, sejam bem-vindos a mais um episódio do Se Essa Sogra Fosse Minha. Eu sou a Paloma e o episódio de hoje é Aquele do Abandono, e quem conta essa história é a Marina.
Voz F:E gente, um recadinho rapidinho: tem muita gente me dizendo que mesmo ativando o sininho não tá recebendo notificação dos novos episódios do Parentaiada, que só fica sabendo quando eu aviso por aqui. Eu não sei por que isso tá acontecendo, vou entrar em contato com o suporte. Qualquer coisa vocês podem seguir o @parentaiada no Instagram, que sempre que tem episódio novo eu compartilho lá. E também só para avisar que saiu mais um episódio novo ontem, então quem gosta de passar raiva pode lá ouvir, que os dois últimos episódios estão assim absurdos.
Voz E:Então vamos começar.
Voz G:A Marina começa o e-mail dizendo o seguinte: escuto podcast há muito tempo e sempre me identifiquei com os relatos sobre sogras. Durante muito tempo achei que talvez eu estivesse exagerando, mas ouvindo outras histórias percebi que não era a única pessoa passando por algo parecido.
Voz E:A Marina e Augusto se conheceram ainda adolescentes, com 14 e 15 anos. Eles começaram a namorar pouco tempo depois e desde o início do namoro a mãe do Augusto nunca foi muito receptiva com a Marina. Pelo contrário, sempre que podia ela dava uma alfinetadinha aqui, outra ali, fazia umas críticas bem cruéis e depois dizia que era tudo brincadeira. Só que a Marina era muito novinha, ela não fazia nem ideia de como reagir à mãe adulta do namorado adolescente. Então, ela sempre relevava e torcia para que, com o tempo, essas brincadeirinhas acabassem e as coisas melhorassem. Bom, o tempo foi passando e, para a tristeza da mãe do Augusto, aquele namoro adolescente foi evoluindo, foi amadurecendo e foi durando 1, 2, 3, 4, 5 anos. Então, depois de 5 anos, já adultos, a Marina e o Augusto planejaram uma viagem de uma semana juntos. Eles iam para Chapada Diamantina, na Bahia. Se organizaram por muito tempo, se prepararam muito, e a partir do momento que a viagem foi marcada, a sogra começou a repetir várias e várias vezes que não sabia como iria sobreviver essa uma semana sem o Augusto. Quanto mais próximo do dia da viagem, mais ela repetia: "Eu não sei como eu vou fazer sem o Augusto aqui uma semana inteira." "Augusto, meu filho, o que vai ser da mamãe 7 dias sem você?" Quando chegou o dia da viagem, ela chegou a chorar. Eles embarcaram e foi tudo maravilhoso. O primeiro dia foi o mais tranquilo, que eles se instalaram na pousada e só saíram para comer e conhecer, sentir um pouco o lugar, né? Mas a partir do segundo dia eles acordavam bem cedo, se enchiam de protetor solar e iam fazer trilha, nadar. Fizeram um passeio com guia local para conhecer as serras, as grutas. Foi muito puxado, mas também foi maravilhoso. No sexto dia, eles foram visitar o Mirante do Vale do Pati. O céu tava lindo naquele dia. E ali no mirante, com uma vista maravilhosa, o Augusto se ajoelhou e pediu a Marina em casamento. E ela disse sim. Então os dois voltaram de viagem noivos. Eles chegaram na cidade deles no final da manhã e foram direto almoçar com a mãe do Augusto.
Voz F:Que, a título de informação, sobreviveu aos 7 dias sem o filho.
Voz E:A família do Augusto sabia que ele ia pedir a Marina em casamento na viagem, mas, ainda assim, eles quiseram anunciar oficialmente que estavam noivos. Então, Augusto disse para mãe que tinha feito o pedido e que a Marina tinha aceitado. E, enquanto ele falava, a Marina estendeu a mão para a sogra, toda feliz, mostrando o anel. E aí a sogra olhou para anel da Marina e disse: "Eu já tinha visto, eu usei ele." E a Marina disse assim: "Aquilo me marcou muito, era um momento tão especial para mim, mas parecia que ela precisava tirar o protagonismo da situação." Depois que eles noivaram, a implicância da sogra começou a ficar cada vez mais evidente. A partir dali, tudo que o Augusto fazia ou não fazia automaticamente era culpa da Marina.
Voz G:Se ele deixava de fazer algo, ela dizia que era porque eu não queria. Se ele escolhia ficar comigo ou com a minha família, ela insinuava que eu tava controlando tudo.
Voz E:Teve um dia que a sogra preparou um caldo de peixe que a Marina adorava, mas que o Augusto sempre detestou. E enquanto Augusto estava tomando banho, a sogra perguntou se a nora queria comer e ela disse que sim. Em seguida, ela foi até a porta do banheiro e perguntou para o Augusto se ele queria também. E ele respondeu que não, não queria, que ela sabia que ele não gostava. Quando ele saiu do banho e entrou na cozinha, ela olhou para ele e disse: "Você não quer comer porque não quer ou porque a Marina falou para você não comer?" E a Marina sequer tinha conversado com ele sozinha, e a sogra sabia muito bem. Na hora, ela pediu para Augusto levá-la para casa e parou de visitar a casa dele. Depois de 3 meses sem ir lá, a sogra ligou para Marina dizendo que não entendia por que que ela tinha parado de frequentar a casa deles.
Voz G:E a Marina disse assim: O curioso é que o Augusto nunca teve coragem de contar o verdadeiro motivo.
Voz E:Depois disso, a Marina voltou a conviver com a sogra, mas mantendo uma distância segura. Em pouco tempo, eles compraram a própria casa e começaram os preparativos para o casamento, que agora também já tinha data marcada. 4 meses antes do casamento, a avó do Augusto faleceu, e durante todo o velório A mãe dele repetia: "Minha mãe morreu, o Augusto vai embora, agora eu vou ficar sozinha" durante todo o velório, sem exagero. Um mês depois, o avô dele também faleceu e novamente ela passou o velório todo repetindo a mesma coisa, que tava perdendo os pais e que o filho tava indo embora. Um tempo depois, a Marina e o Augusto pegaram as chaves da casa deles com a imobiliária, e o Augusto decidiu se mudar um pouco antes do casamento. A única coisa que ele levou de casa foi a própria cama que ele tinha comprado. E nesse dia, a mãe dele fez um escândalo na rua. Enquanto ele saía com a cama no carreto, ela ia atrás desolada, chorando e falando para quem quisesse ouvir que ela tava sendo abandonada. Mais um tempo se passou e aí chegou o dia do casamento. Foi uma cerimônia só no cartório, mas a Marina planejou com muito carinho, contratou foto, vídeo, tudo. E eles combinaram que cada um se arrumaria com a sua própria mãe. E até um vídeo desse momento, como se as mães estivessem preparando os filhos para o altar. Uma coisa bem bonita assim. Só que a sogra primeiro ia se arrumar no mesmo salão que a Marina e depois ia para o salão do Augusto para fazer o vídeo de mãe e filho. Mas mesmo depois de pronta, quando a sogra percebeu que os fotógrafos começaram a se preparar para o momento da Marina com a mãe, ela não foi embora. A Marina até deu uns toques, falou do horário, falou que tinha combinado um momento mãe e filha. E ainda assim a sogra não saiu, ela ficou o tempo todo do lado da Marina e da mãe. E quando a gravação acabou, ela foi para o lugar onde o Augusto tava se arrumando e gravou o momento mãe e filho, só os dois.
Voz G:A Marina disse assim: o mais curioso é que enquanto ela tava comigo, ela tava ótima, 100%, mas segundo Augusto, quando ela chegou no salão dele Ela começou a passar mal, chorar e fazer o maior drama.
Voz E:Durante a cerimônia do cartório, a sogra passou o tempo todo chorando, dizendo que tava sendo abandonada, que não merecia aquilo e que tava sendo deixada sozinha depois de perder os pais.
Voz F:Aliás, a sogra é casada e tem mais um filho, tá, gente?
Voz E:Assim que a cerimônia acabou, A sogra foi embora sem se despedir nem da Marina nem do Augusto.
Voz G:E a Marina disse assim: mesmo assim, eu não deixei que aquilo estragasse meu dia. Até hoje eu considero meu casamento um dos dias mais felizes da minha vida.
Voz E:Depois da lua de mel, a própria mãe se afastou do Augusto. Às vezes ela ligava para saber como ele tava, mas era bem raro assim. Só que aí ela e o marido começaram a enfrentar uma crise no casamento. E foi uma perturbação assim, porque eles esperavam que o Augusto resolvesse os problemas deles. Teve um dia que eles ligaram para o Augusto às 3 horas da manhã só para avisar que eles estavam brigando. E aí a Marina incentivou Augusto a procurar ajuda profissional para mãe dele. Ele também tava muito preocupado com o estado emocional dela Então ele procurou um psicólogo e ela aceitou. Ele pagava por uma sessão por semana. Só que depois de um bom tempo, eles descobriram que ela não estava aparecendo nas sessões. Mas o Augusto nunca deixou de pagar. O irmão dele contou para ele que até perguntou para mãe: "Mãe, você não vai avisar o Augusto que você não está indo mais?" E ela respondeu: "Eu não." E aí a situação começou a ficar cada vez mais difícil, porque ela não aceitava ajuda profissional e frequentemente ameaçava tirar a própria vida. E sempre que isso acontecia, todo mundo ficava desesperado e largava tudo para ir até ela, não importa onde eles estivessem, se eles estavam no trabalho, se eles estavam numa reunião, se eles estavam num passeio, todo mundo largava tudo e corria para casa dela. Um dia ela mandou mensagem para Augusto dizendo que tinha tomado uma cartela inteira de remédios controlados. Ele e a Marina correram para casa dela na mesma hora e prontos para correr para o hospital. Quando eles chegaram lá, a cartela realmente estava vazia, mas ela se recusava a ir para o hospital. E na verdade ela parecia até bem normal. Mas eles ficaram ali o tempo todo com ela, observando se ela tinha alguma reação, tentando forçar ela a ir para o hospital mesmo assim. Até que um pouco depois, o irmão do Augusto encontrou todos os comprimidos da cartela na lata de lixo. E no dia seguinte, ela agiu como se nada tivesse acontecido. Ela até colocou um biquíni, foi tomar sol, levou um livro, um bronzeador. E foi nesse momento que a Marina decidiu que não iria mais fazer parte disso.
Voz G:Eu falei para Augusto que ele tinha todo direito de continuar convivendo com a mãe dele, mas que eu não participaria mais daquela dinâmica.
Voz E:Hoje fazem cerca de 6 meses que a Marina não vê a sogra. E os pais do Augusto agora estão separados. O Augusto ainda mantém algum contato com a mãe, mas ele nem comenta sobre isso com a Marina, porque sabe que ela não quer nem saber. A Marina disse que às vezes ela ainda se questiona se ela foi dura demais ou se agiu certo se afastando para preservar a saúde mental dela.
Voz G:Ela finalizou o email dizendo assim: Uma das coisas que mais me preocupa hoje É o futuro. Eu e o Augusto ainda não temos filhos, mas a gente quer ter. E às vezes eu me pego pensando em como vai ser essa convivência quando esse momento chegar. Gostaria muito de ouvir a opinião de vocês sobre tudo isso.
Voz E:E essa foi a história de hoje. E aí, o que você faria se essa sogra fosse sua?
Voz C:Olá pessoal, eu sou Mayara Moreira, eu sou psicóloga clínica e hoje eu vim te comentar a história da Marina e do Augusto. O que mais me chama atenção nessa história não é a hostilidade da sogra em relação à Marina, mas que isso me parece uma camada mais superficial em relação à profundidade que essa história toda pode ter. O eixo principal parece ser a enorme dificuldade da mãe do Augusto em lidar com processos naturais de separação e individualização do filho. Nesse relato, a autonomia do filho não é percebida como uma decisão, mas como algo que alguém fez com ele. A lógica deixa de ser "meu filho escolheu" para "alguém o está afastando de mim". Nessa dinâmica, a Noruko acaba ocupando um lugar muito específico de bode expiatório, ou seja, quem é culpabilizada. Porque geralmente, no campo emocional, é menos doloroso acreditar que alguém roubou o seu filho do que reconhecer que ele cresceu. A mãe do Augusto demonstra ter uma dificuldade em não ocupar o centro emocional das situações, como se os acontecimentos precisassem voltar para a própria dor dela, causando envolvimento dos familiares. Sem qualquer intenção de diagnosticar ou rotular, vale dizer que em qualquer contexto ameaças de autoagressão devem ser levadas a sério. Ao mesmo tempo, conviver com episódios de crise ameaças pode causar um aprisionamento dos familiares, viver em estado de alerta, e isso é desgastante. Aqui é válido dizer que se afastar da dinâmica não significa necessariamente abandonar uma pessoa, significa reconhecer os próprios limites. Marina apenas decidiu que não participaria mais daquela dinâmica familiar, como uma tentativa de construir fronteiras, o que se faz fundamental em qualquer quer relação familiar. Por fim, sobre a preocupação dela com filhos futuros, eu diria que a pergunta mais importante talvez não seja como minha sogra vai agir, e sim como eu e meu marido vamos funcionar como casal diante disso. O fator mais protetivo de uma família não é a ausência dos conflitos externos, é a capacidade do casal de construir uma posição conjunta clara e consistente diante dos conflitos. Esse relato fala menos de disputa entre sogra e nora e muito mais sobre uma mãe que parece sofrer intensamente diante da experiência de que amar um filho exige deixá-lo partir para viver a própria vida. E esse é um dos desafios emocionais mais difíceis que a parentalidade pode apresentar. Espero que este comentário tenha ajudado e dado clareza de alguma forma. E para quem quiser conversar comigo ou acompanhar o meu trabalho, Quiser saber mais sobre psicoterapia, pode me acompanhar lá nas redes sociais. Tem todos os meus contatos de WhatsApp também no @psymaymoreira.
Voz E:Participe do nosso grupo do Telegram, Se Essa Sogra Fosse Mim, usando a hashtag do episódio, e conta para a gente como você reagiria ou dá uns conselhos aí. Lembrando que se você também estiver precisando de ou se tiver uma história boa para contar, é só mandar para o seessasografosseminha@gmail.com que a gente conta aqui de forma anônima. O Se Essa Sogra Fosse Minha é uma produção independente, então se você gosta, se identifica, segue a gente, ativa o sininho para receber as notificações dos novos episódios, compartilha com alguém que você acha que pode gostar e apoie quem nos apoia. Obrigada para quem ouviu até aqui, um beijo, vocês são demais!