Episódios de Se Essa Sogra Fosse Minha

AQUELE DO RISOTO

15 de junho de 202621min
0:00 / 21:07

Este episódio conta com a participação da psicóloga Aline Pinheiro. Obrigada, Aline! ♥

CRP-04/60822 | Instagram: @psi.alinepinheiro

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Participantes neste episódio4
P

Paloma

Host
A

Aline Pinheiro

ConvidadoPsicóloga
F

Fábio

ConvidadoAdvogado, professor de direito, teólogo
L

Luísa

Convidado
Assuntos2
  • Relacionamento com a sograPrimeira impressão e comportamentos iniciais · Comentários depreciativos e humilhações · Descoberta de conversas e brigas · O incidente do risoto de frango · A cuspidela e a decisão de se afastar · Mudança de comportamento da sogra após gravidez · Visitas pós-parto e conflitos · A dinâmica de poder e o medo de perder acesso ao neto
  • Relacionamentos FamiliaresO papel do parceiro em defender a esposa · Impacto de sogras controladoras em relacionamentos · Dificuldades em lidar com sogras tóxicas · A importância de limites em relações familiares · Aline Pinheiro
Transcrição16 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async

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Voz D:Oi pessoal, sejam bem-vindos a mais um episódio do Se Essa Sogra Fosse Minha. Eu sou a Paloma e o episódio de hoje é...

Voz E:Aquele do Risotto.

Voz D:E quem conta essa história é a Luísa. Então, vamos começar? A Luísa tem 28 anos e está com o Fábio desde que ela tinha 25. A família da Luísa é bastante humilde, assim, os pais sempre trabalharam muito e ganharam pouco, e isso é importante para a história. Ela tem mais 4 irmãos, 2 deles adotivos, E assim, eles nunca passaram fome, mas também nunca puderam esbanjar. As refeições deles eram sempre muito simples. A casa onde eles moravam era toda comida de cupins. As roupas que eles usavam, os sapatos, eram todos doados, mas sempre muito limpos, com as roupas impecavelmente passadas e os cabelos muito bem penteados. A mãe dela sempre foi muito caprichosa com a casa. E muito cuidadosa com os filhos. A família do Fábio, por outro lado, sempre teve uma boa condição financeira. E a relação da Luísa com a mãe dele foi muito turbulenta desde o início. Ela conheceu a sogra pouco depois de eles completarem 2 meses de namoro. A Luísa disse que nunca esquece. Era um domingo à tarde. Ela conta que não foi para o almoço de domingo Porque ela é vegana e sabia pelo Fábio que quase tudo que a mãe dele preparava tinha produtos derivados de animais. E por uma primeira vez visitando a casa do namorado, ela não achou legal chegar lá com uma marmita para almoço. Então eles marcaram um café da tarde. Ela passou a manhã inteira preparando um brownie vegano de chocolate com nozes. Ela disse que é a sobremesa mais gostosa que ela sabe fazer. E aí ela foi para casa do Fábio muito nervosa, com o brownie na mão, e torcendo para que a família dele gostasse dela e do brownie. O Fábio buscou ela em casa, então eles chegaram juntos na casa dele, e a Luísa disse que assim que viu a sogra, imediatamente ela abriu um sorriso. Mas a sogra só olhou séria para ela, depois olhou para o brownie nas mãos dela, torceu o nariz e aí virou para o Fábio e começou a falar sobre alguma coisa do trabalho do irmão dele, um assunto assim totalmente aleatório. Então ela não deu nem oi, ela agiu como se a Luísa não tivesse ali. E a Luísa disse que cada vez que o Fábio ia falar alguma coisa sobre ela, a mãe dele interrompia a fala dele e puxava outro assunto. Foi assim muito desconfortável. Mas a Luísa disse que ali ela ainda tava procurando desculpas para o comportamento da mãe do Fábio. Talvez a sogra também estivesse nervosa, ou talvez só tivesse tendo um dia ruim, sei lá, deveria ter alguma explicação para aquilo. E provavelmente, à medida que elas fossem se conhecendo, as coisas iam melhorar. Mas não. Aquilo foi só o começo. Com o passar do tempo, a sogra foi deixando claro o que achava da Luiza de formas cada vez mais diretas. Sempre que a família se juntava, ela fazia algum comentário sobre a Luiza na frente de todo mundo. Sobre como a Luiza se vestia, sobre como a Luiza falava, como a família da Luísa era diferente, entre aspas, que ela não sabia em que buraco o Fábio tinha encontrado a Luísa, e o assunto favorito dela: como a Luísa era fresca para comida. E era sempre com aquele arzinho de superioridade, sabe? Principalmente quando ela falava da família da Luísa. E a Luísa disse que era muito humilhante, tanto que ela percebia que todo mundo que tava junto ficava sem graça também. Mas ninguém falava nada. E se a sogra sentia que ficava um clima estranho depois de ela falar alguma coisa sobre a nora, ela logo dizia assim: "Não é uma crítica, gente, eu só tô comentando." E a Luísa nunca reagiu. Ela sempre engoliu em seco, em parte pelo Fábio, porque ela sentia que ele ficava muito constrangido com o comportamento da mãe. Mas também porque ela ainda acreditava que o tempo mostraria para sogra que ela era sim uma boa pessoa. E foi assim por uns 2 anos, até que o Fábio pediu a Luísa em casamento. Nesse ponto, a sogra continuava alfinetando a Luísa sempre que elas se encontravam, mas isso já não acontecia mais com tanta frequência. Era mais o Fábio que ia na casa da Luísa do que o contrário. E isso foi uma iniciativa dele, por conta do jeito que a mãe dele tratava Luísa. Eles também já tinham comprado um apartamento juntos, então era uma questão de meses até eles se mudarem. Um dia, o Fábio foi dormir na casa da Luísa e era véspera de feriado, ele não ia trabalhar no outro dia, mas ele esqueceu de tirar o alarme do celular. Então, no dia seguinte, um pouco antes das 6 horas da manhã, A Luísa acordou com o alarme do celular do Fábio. Ela pegou o celular para desativar e acabou vendo uma notificação de mensagem da mãe do Fábio para ele. A sogra tinha mandado um textão na noite anterior, e pelo teor das mensagens, os dois tinham brigado porque o Fábio foi dormir na casa da Luísa, mas o Fábio não tinha contado nada essa briga para Luiza. Na mensagem, a sogra dizia que o relacionamento deles não iria para frente porque as famílias eram muito diferentes, que a Luiza não era mulher para ele, que ele merecia mais, e por fim, que ele deveria acabar logo com isso antes que fosse tarde demais. E aí a Luiza fez uma coisa que ela disse que sabe que foi errado e ela não se orgulha disso, mas que naquele momento ela não conseguiu evitar. Enquanto o Fábio dormia, ela foi lendo toda a conversa dele com a mãe, desde o comecinho, e ela descobriu que não tinha sido a primeira vez que ele e a mãe tinham brigado por conta do relacionamento dele com a Luísa, e que a sogra já tinha falado para ele terminar com a Luísa várias e várias vezes, sempre dizendo que a Luísa não era boa o suficiente, que ela era muito diferente da família deles e que ele merecia mais. Em todas as vezes que a mãe disse algo desse tipo, o Fábio defendeu a Luísa. Então, depois de ler tudo aquilo, ela desligou o celular e não falou nada para ele.

Voz E:Ela disse assim: eu não falei nada, primeiro porque para falar eu teria que contar Primeiro, que eu invadi a privacidade dele e eu já tava muito envergonhada de ter feito isso. E segundo, porque ele me defendeu todas as vezes que ela falou alguma coisa. Então eu decidi que eu não ia entrar numa competição com a mãe dele. Se ela quisesse fazer da vida do filho um inferno, problema dela, mas eu ia ficar de fora disso.

Voz D:No final de semana seguinte, a sogra convidou a Luísa para jantar. A essa altura, eles já estavam noivos juntos há mais de 2 anos, então a sogra definitivamente sabia que a Luísa era vegana. Mas a sogra sempre servia acompanhamentos: uma salada, uma batata, um legume refogado. Então, a Luísa nem levava marmita, ela sempre comia alguma dessas coisas. Só que nesse dia, Pela primeira vez, a sogra serviu um risoto de frango sem nenhum outro acompanhamento. Parecia quase que de propósito. E quando a Luísa disse que não ia comer o risoto, a sogra explodiu. Começou a gritar que a Luísa era mal-educada, que ali não era restaurante para ela ter que ficar oferecendo um monte de opção de comida, que o que a Luísa estava fazendo era uma desfeita, que essa história de veganismo era coisa de gente que não tinha o que fazer e que, vindo de onde a Luísa vinha, ela deveria ficar agradecida por ter a oportunidade de comer carne. Só que a Luísa já tava meio que por aqui assim, ela já tava cansada de ouvir a sogra diminuindo a família dela. Então ela respondeu que ela não comia carne por uma escolha dela, mas que na casa dela isso foi uma coisa que nunca faltou, assim como amor e respeito. E esses, infelizmente, não tinha dinheiro no mundo que pudesse comprar. E aí a sogra, sem dizer nada, chegou bem perto da Luísa e cuspiu no rosto dela. Cuspiu, gente, no rosto da Luísa. A Luísa conta que nessa hora parecia que o tempo tinha parado. Ficou um silêncio absoluto na sala, todo mundo com o olho arregalado, ninguém se mexia, parecia que ninguém nem respirava. Mas de novo Ninguém defendeu a Luísa. Ela só foi até o sofá, pegou a bolsa e foi embora. Ela pediu o carro de aplicativo quando ela tava lá na rua já. O Fábio foi atrás dela, mas ela disse que não queria falar com ele. E naquele dia ela tomou uma decisão: ela nunca mais ia passar por isso. No dia seguinte, mais calma, ela falou com o Fábio. E pela primeira vez ele contou para ela de todas as brigas. Ele disse que sabia que falhou em não defender ela na frente das outras pessoas, mas que sempre que a mãe dele falava alguma coisa para ela, assim que eles ficavam sozinhos, ele brigava com a mãe. Inclusive, depois que a Luiza saiu da casa dele na noite anterior, ele teve a briga mais feia de todas com a mãe, e pela primeira vez ele não esperou até eles ficarem sozinhos. Ele repreendeu ela na frente de todo o resto da família que tava lá para o jantar. A Luísa desconfiava que a sogra realmente tinha criado aquela situação de caso pensado. Ela teve a sensação que a sogra já queria fazer aquilo há muito tempo, e ela disse para o Fábio que ela não ia mais passar por isso. Então, ou eles terminavam, ou ele ia ter que se conformar que ela não teria nenhum contato com a família dele, nunca mais. E o Fábio disse que entendia e concordava, e ficou tudo certo. Só que menos de 3 semanas depois, a Luísa descobriu que estava grávida. E aí tudo mudou. Da noite para o dia, a sogra virou outra pessoa. Agora ela mandava mensagem para o Fábio o tempo inteiro perguntando da Luísa, se a Luísa tava bem, se a Luísa tinha enjoo, se ela tava conseguindo comer, se ela tava conseguindo dormir. Começou a comprar um monte de presentes para o bebê: roupinha, sapatinho, chocalho, mordedor. E quando ela ligava para o Fábio, às vezes ela insistia muito para falar com a Luísa. E nas poucas vezes que a Luísa atendeu, às vezes até esperando pelo pedido de desculpa, ela foi surpreendida por uma voz extremamente calma, fininha, baixinha, aveludada, uma voz que em mais de 2 anos a Luísa nunca tinha ouvido sair da boca da sogra. E a Luísa disse que ela é muito bem educada, mas não é idiota. E nem por um segundo ela acreditou que a sogra estava arrependida ou tentando se redimir pelas coisas que fez e falou. A Luísa sabia que a dinâmica de poder, entre aspas, tinha mudado. Agora ela era a mãe do primeiro neto da sogra, e a sogra estava morrendo de medo de não ter acesso a esse bebê. A gravidez correu muito bem. A Luísa teve pouquíssimo contato com a sogra, só por telefone. Ela nunca viu a sogra pessoalmente durante a gravidez, e quando ela tinha, era sempre a mesma coisa: muitas perguntas, muita preocupação com o bem-estar dela, e aquela vozinha falsa que a Luísa não tava suportando ouvir. E aí O bebê nasceu, uma menininha linda, bem bochechudinha, e recebeu o nome de Alícia. A Luísa não aceitou a visita da sogra no hospital, e a sogra não deu absolutamente nenhum piu sobre isso. E aí, depois que eles receberam alta, passado uns 2 dias assim, a Luísa disse para o Fábio que os pais dele poderiam ir conhecer o bebê, mas que ela não ia sair de dentro do quarto. E assim foi. E os pais dele foram muito respeitosos, muito cautelosos, mais do que isso até. A Luísa disse que eles estavam pisando em ovos. Só que essa visita meio que deu uma abertura para sogra, e ela começou a aparecer todo final de semana. E sempre que ela ia embora, a Luísa e o Fábio brigavam. Na primeira vez que ela apareceu, o Fábio tinha acabado de sair para ir na farmácia, então foi a Luísa quem teve que abrir a porta para a sogra. E a sogra já chegou com aquela vozinha de sempre, ficou um pouco com o bebê e depois foi embora. A Luísa ficou muito nervosa e ela e o Fábio brigaram feio. Ela dizia que ele sabia que ela não queria contato com a mãe dele, e ele se defendia dizendo que ele não tinha culpa que a mãe apareceu sem avisar quando ele não tava em casa. Na segunda visita, a sogra começou a ficar cada vez mais à vontade, e mesmo depois da Luísa ter pedido explicitamente para não beijar as mãozinhas da Alicia, que só tinha algumas semanas e o sistema imunológico a bebê ainda tava em formação, a sogra beijou não só as mãos como também a boquinha da bebê. E ela olhou para Luiza enquanto fazia isso, como se tivesse testando o limite mesmo. E o Fábio não percebeu isso acontecendo. Então foi mais uma briga. Na terceira visita, a sogra ficou a tarde inteira na casa deles. E ela insistia para ficar junto do quarto da Luísa, que era onde a Luísa passava a maior parte do tempo quando eles vinham visitar. Então, ela queria estar o tempo todo com o bebê. Quando Luísa ia para o quarto para amamentar o bebê, a sogra queria ir junto. E ela dizia que queria ficar no quarto junto porque queria ver a Luísa amamentando a bebê. E a Luísa disse que não. No quarto era ela, a bebê e o Fábio. Ela disse que por mais que a sogra também seja mulher e mãe, ela não se sente à vontade com a sogra dentro do espaço dela. Agora a bebê tá com 3 meses e a Luísa não aguenta mais a sogra dentro da casa dela. Ela disse assim: essa é a mulher que cuspiu no meu rosto.

Voz E:Que passou anos dizendo para o filho dela terminar comigo, que sempre falou mal da minha família, torceu o nariz no dia em que me conheceu, e agora ela quer aparecer todo fim de semana com uma vozinha fininha, como se isso fosse me fazer esquecer de tudo que ela me fez.

Voz D:A Luísa disse que deixou a sogra conhecer a Alícia porque ela ficava pensando que apesar de tudo, ela é avó, que é direito da filha ter contato com a avó, e que ela não estava fazendo isso pela sogra, mas sim pela filha. Mas que na prática isso está fazendo muito mal para ela e para o casamento dela, porque ela e o Fábio acabam brigando todas as vezes que a mãe dele vai lá, e sempre que ela se senta de frente para a sogra, mentalmente ela revive todas aquelas humilhações que ela passou. E ela se sente uma idiota por estar ali, sendo que a sogra nunca nem pediu desculpa.

Voz E:Ela disse assim: eu só fico pensando quem ela pensa que é para fazer tudo que fez, me tratar do jeito que me tratou, e agora esperar que eu aja como se nada tivesse acontecido porque ela mudou de comportamento, especialmente quando eu sei que isso não é arrependimento. É só medo de perder o acesso à minha filha.

Voz D:E essa foi a história de hoje. E aí, o que você faria se essa sogra fosse sua? Ela teria acesso ao seu bebê ou não?

Aline Pinheiro:Oi, pessoal, meu nome é Aline Pinheiro, sou psicóloga clínica e quero comentar com vocês que eu vejo que o marido nessa história, assim como em várias outras, falha em fazer a parte dele de zelar pela esposa. Parece que enquanto ele tentava argumentar com a mãe sem sucesso e escondia isso da namorada, a Luísa seguia esperançosa por ser aceita e exposta a situações absurdas com a sogra, como a do jantar e os inúmeros desrespeitos sofridos ao longo da relação. A sogra desde o início já demonstrou que que não tinha interesse em conhecer ou ter alguma amizade com a Nora. Mas com o passar do tempo, os comentários maldosos não foram barrados por ninguém e ganharam ainda mais força. Luiza, sinto muito que você esteja passando por isso, principalmente agora com a neném pequena. Faz todo sentido que você queira se afastar da sogra e também que queira limitar o acesso à sua casa. Me parece que essa nunca vai ser uma relação genuína e que depois de reconquistar um pouco um pouco de espaço, ela provavelmente vai voltar a agir como antes. Imagino também que deve ter sido difícil para o Fábio crescer com a mãe que não respeita as escolhas que ele faz e as pessoas que ele ama. Espero que em algum momento ele consiga enxergar os problemas nessa relação com a mãe e se movimente para que isso pare de afetar o relacionamento de vocês dois. Me pergunto se a mãe do Fábio aprovaria alguma outra nora, porque Parece é que ela não gosta da ideia de perder o lugar de importância na vida do filho. Vocês me encontram no Instagram @pc.alinepinheiro e lá tem todos os meus contatos.

Voz D:Um abraço! Participe do nosso grupo do Telegram Se Essa Sogra Fosse Minha usando a hashtag do episódio e conta pra gente como você reagiria ou dá uns conselhos aí. Lembrando que se você também estiver precisando de conselhos Ou se tiver uma história boa pra contar, é só mandar pro seessasografosseminha@gmail.com que a gente conta aqui de forma anônima. O Se Essa Sogra Fosse Minha é um programa independente, então se você gosta, se identifica, segue a gente, ativa o sininho pra receber as notificações dos novos episódios, compartilha com alguém que você acha que vai se sentir menos sozinho ouvindo as nossas histórias e apoie quem nos apoia. Obrigada pra quem ouviu até aqui, um beijo, vocês são demais!