Episódios de Se Essa Sogra Fosse Minha

AQUELE DA #APÁTICA

03 de junho de 202618min
0:00 / 18:27

🎙️ Este episódio conta com a participação do psicólogo Vinicius Viana (CRP 06/200029). Obrigada, Vinicius!

📲 Instagram: @psico.viniciusviana
📧 Contato: viniciusviana.psicologo@gmail.com

ATENÇÃO: Este episódio apresenta um relato enviado por uma ouvinte, narrado sob sua perspectiva. Para preservar o anonimato, nomes e detalhes foram alterados ou ocultados.

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Participantes neste episódio3
A

Alexandra

Convidado
D

Danilo

ConvidadoJogador
V

Vinicius Viana

ConvidadoPsicólogo
Assuntos3
  • Conflito com a sograExpectativas da sogra sobre o papel na criação do neto · Alexandra · Danilo · Sogra · Criação do bebê · Críticas à maternidade de Alexandra · Falta de apoio de Danilo · Campanha de difamação da sogra
  • Impacto do comportamento pessoal em relacionamentosAlexandra · Danilo · Sogra · Apatia em relação a Danilo · Perda de admiração · Terapia de casal · Consequências de eventos traumáticos
  • Aconselhamento psicológico e lutoVinicius Viana · Dificuldade do marido em se posicionar contra a mãe · Perda de admiração e reconquista · Terapia de casal · Núcleo familiar
Transcrição18 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async

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AAlexandra

Oi pessoal, voltei com mais uma curtinha do Se Essa Sogra Fosse Minha. As curtinhas são relatos breves de situações que as pessoas passaram ou estão passando e contam com as suas próprias palavras, às vezes em forma de alerta, às vezes como um desabafo, mas principalmente em busca de conselhos. Então, se você tem algum conselho ou comentário, participe do nosso grupo do Telegram usando a hashtag do episódio. E a hashtag de hoje é Apática.

E quem conta essa história é a Alexandra. Então vamos começar. Oi gente, eu sou Alexandra e eu tô escrevendo em busca de conselhos porque eu acho que o meu casamento acabou. Para dar um contexto, eu e o Danilo estamos juntos há 7 anos e até eu engravidar eu jamais imaginaria que estaria escrevendo essa história. Minha sogra nunca foi a pessoa mais fácil do mundo, mas a nossa convivência era super tranquila. Só que quando eu descobri que eu tava grávida, parece que ela criou uma fantasia na cabeça dela sobre qual seria o papel dela na vida do meu filho.

E quando eu deixei claro que as coisas não seriam como ela imaginava, tudo começou a desmoronar. Ela criou na cabeça dela A ideia de que o meu bebê passaria parte do tempo morando na casa dela. Ela mora em outra cidade e quando eu ainda tava grávida ela me disse que ia transformar o quarto de visitas dela num quarto de bebê para que quando eu voltasse a trabalhar o bebê ficasse lá. Ela esperava ficar com o bebê durante toda semana e que a gente buscasse ele na sexta-feira à noite e levasse de volta no domingo à noite. De onde ela tirou essa ideia? Eu juro para vocês que eu não sei.

?Voz D

Eu sei que a sogra da minha sogra ficava com o Danilo durante a semana para que minha sogra pudesse trabalhar. Então talvez ela achou que a gente seguiria esse costume, mas não.

AAlexandra

No mesmo dia que ela me disse que ia transformar o quarto de visitas num quarto de bebê, eu já disse para ela que ela deveria manter o quarto de visitas porque o bebê só ia dormir na casa dela quando eu e o Danilo fôssemos também. Eu disse que eu não ia passar só os fins de semana com meu filho e deixar ele lá durante a semana. E aí o mundo da minha sogra caiu. Ela ficou indignada, parecia que eu tinha apunhalado ela pelas costas.

Não conversou mais comigo e mal olhou para minha cara pelo resto do final de semana. E depois disso começou um verdadeiro inferno na minha vida. Ela começou a reclamar de mim para o Danilo o tempo todo. Passou a minha gravidez inteira dizendo para ele que eu não tava pronta para ser mãe, que era muita responsabilidade, que se eu me importasse de verdade com meu filho, se eu amasse o meu filho de verdade, eu deixaria ele com ela e não na creche, correndo riscos desnecessários.

E o Danilo ouvia o que a mãe dizia e não falava nada, não me defendia. Quando eu reclamava, ele falava que sabia que nada daquilo era verdade, que a mãe dele era assim mesmo, que não era para dar bola, que ele tava do meu lado. Só que quando ela falava mal de mim, ele nunca dizia nada. Ele nunca ficava do meu lado, ele só escutava. Quando nosso filho nasceu, o Danilo passou a priorizar um pouco mais a nossa família. Às vezes, quando a sogra me criticava, ele cortava ela, colocava limites na minha frente, né?

Mas não era sempre. E para falar a verdade, mesmo quando ele colocava limites, era de uma forma fraca. Não sortia efeito nenhum. E para mim, o principal problema era que ele continuava ouvindo e tolerando tudo que ela falava de ruim sobre mim. E não eram críticas normais. Ela dizia que eu não amava o meu filho, que eu queria oferecer só o peito até os 6 meses para ele, para que ela não pudesse ficar com ele, que eu fazia as coisas de um jeito errado e prejudicava o bebê só para ir contra o que ela dizia.

?Voz D

E a verdade é que eu sempre segui os meus médicos e ela ficava louca com isso.

AAlexandra

Ela também dizia que eu só engravidei para segurar o Danilo e provocar ela. E por fim, e para mim o pior, teve uma vez que ela chegou a dizer que o sonho dela era que fossem só ela, o Danilo e o meu bebê. E aí a minha sogra literalmente começou uma campanha para me difamar. Ela falava para todo mundo que eu era irresponsável, negligente, que eu tinha tanta raiva dela que eu maltratava o meu bebê só para contrariar ela. E ao mesmo tempo ela dizia para o Danilo que ele parecia cansado, infeliz, que eu tava sobrecarregando tanto ele que ele nem se parecia mais com o filho sempre feliz e sempre brincalhão que ela tinha antes.

?Voz D

O que eu sentia na época era que ela tava tentando destruir a minha reputação e acabar com meu casamento, na esperança do Danilo pedir o divórcio, pedir a guarda do bebê e morar com ela.

AAlexandra

A situação chegou ao ponto do meu sogro mandar um áudio para o Danilo dizendo que o Danilo deveria tirar o nosso filho de mim porque a mãe dele tinha descoberto que eu era uma pessoa horrível. A minha sogra também falou mal de mim para os meus amigos e até para minha família. Ela me pintou como uma mãe horrível antes mesmo do meu bebê nascer. No meu pós-parto, cada pessoa que vinha visitar o bebê tinha um conselho para me dar, e a maioria deles era sobre como ele estaria melhor cuidado com a minha sogra do que na creche.

Era muito evidente que ela tava pedindo para as pessoas me falarem isso e ficar imaginando o que que ela dizia sobre mim para essas pessoas.

?Voz D

Acabava comigo.

AAlexandra

O meu perpério foi horrível, foi um dos piores momentos da minha vida, e minha sogra contribuiu muito para acabar com a minha saúde mental nesse período. Eu fiquei em casa com meu filho até os 6 meses, e um dia antes de voltar a trabalhar, ela apareceu de surpresa na minha casa às 8 horas da noite tentando me convencer a deixar ela levar o meu filho, pelo menos na primeira semana. E ela chegou falando mansinho, super amorosa, como nunca tinha sido antes.

Perguntou o que que os meus amigos, o que que a minha família achavam da decisão de deixar o meu filho na creche. E quando eu me mantive firme e disse que o bebê não ia para casa dela, ela fez o maior barraco. Ela gritou tanto que a síndica do meu prédio veio no apartamento ver o que tava acontecendo. E aí a minha sogra começou a falar para síndica o quanto eu era uma mãe ruim. E depois disso eu bloqueei ela de tudo, mas o Danilo continuou ouvindo as reclamações dela completamente calado.

Ele só dizia: "Não, mãe, não é assim. Você não sabe o que você tá falando." Mas sempre de uma maneira muito passiva. E ele ainda mandava para ela fotos minhas cuidando do bebê, dando banho, fazendo dormir, brincando, fazendo as papinhas dele. E ele ainda escrevia coisas do tipo: "Olha só, a Alexandra só dá as papinhas que ela mesma faz." Tudo natural, tudo frutinha fresca. Isso só me deixava com mais raiva, porque parecia que ele tinha que ficar provando para ela que eu era uma boa mãe.

Parecia que ele precisava da aprovação dela a qualquer custo. E de fato custou, custou a minha saúde mental. E se não custou o nosso casamento, prejudicou muito o nosso relacionamento. Um fim de semana eu tive um curso na cidade da minha sogra. Era só uma tarde, e como eu não tava falando com ela desde o surto que ela deu na minha casa, o Danilo foi passar esse tempo do curso lá na casa dela com o bebê. Foi a primeira vez que eles foram sozinhos, e o Danilo veio para casa todo feliz contando que as fotos que ele mandava, e que eu odiava, Tavam funcionando, porque a mãe dele pela primeira vez não tinha feito nenhuma reclamação sobre mim.

E aí, à noite desse mesmo dia, ela mandou uma mensagem para ele dizendo: você e o bebê parecem muito mais felizes quando Alexandre não tá junto. Para mim foi a gota d'água. Perguntei para o Danilo o que que ele ia fazer e ele disse que ia fazer o que sempre fazia, ignorar, e que eu devia fazer o mesmo. Não era para me preocupar, eu sabia como a mãe dele era e que nada do que ela dizia era verdade. Só que para mim não era esse o ponto.

O problema é que ele continuava fingindo que esses comentários não existiam, não me defendia e continuava tendo uma relação super amorosa com a mãe, como se nada fosse. E eu disse isso para ele, e disse mais, que ou ele começava a fazer terapia ou eu ia pegar as minhas coisas e eu ia embora. Eu tô com esse homem há 7 anos, a gente passou por muita coisa.

?Voz D

Eu lutei contra um câncer e ele tava do meu lado durante todo o processo.

AAlexandra

Por muitos anos eu fui louca pelo Danilo, muito apaixonada mesmo, até a mãe dele começar com toda essa loucura. Enfim, o Danilo começou a fazer terapia há 6 meses e há 2 meses eu realmente sinto uma diferença muito grande. Ele se desculpou comigo por não ter se posicionado antes, ele confrontou a mãe. E definitivamente não tá mais em cima do muro. Eu confesso para vocês que eu sou uma pessoa bastante crítica, e para ser muito sincera, eu não consigo pensar em mais nada que ele pudesse fazer para reparar toda essa situação.

Eu acho que ele fez tudo que podia fazer. Então eu sei que isso deveria ser uma vitória, porque ele realmente mudou. Só que o problema é que eu sinto que eu mudei também. Alguma coisa em mim mudou. Eu me sinto diferente. Às vezes eu me sinto muito ansiosa, mas a maior parte do tempo eu me sinto totalmente apática em relação ao Danilo. Eu vejo a melhora nos posicionamentos dele, eu reconheço que ele está nos protegendo agora. Mas todos aqueles sentimentos bons que eu tinha por ele não voltaram.

Isso me deixa péssima, porque quando eu olho para ele, eu só consigo lembrar que no momento que eu me senti mais vulnerável em toda minha vida, eu fui atacada e ele não me defendeu nem me protegeu. Talvez seja até irracional, mas o que eu sinto agora é que enquanto ele tiver contato com a minha sogra, sempre vai existir a chance de eu ter que passar por isso de novo. Porque eu acho que ele já acreditou nela uma vez. Ele disse que não, que sempre achou um absurdo, mas eu acho que sim.

E eu sei que pode parecer injusto falar isso, mas às vezes eu me pergunto: se ele realmente achava tudo aquilo absurdo, por que que ele demorou tanto para me defender? O que eu mais queria era conseguir fingir que nada disso aconteceu, ou que ele tivesse cortado os pais logo no início, logo quando os problemas começaram. Eu tenho muita empatia pelo Danilo. Eu sei que ele foi criado para obedecer a mãe através do medo, da culpa, da manipulação.

?Voz D

Eu sei que a minha sogra também é muito manipuladora, muito persuasiva, tanto que ela conseguiu convencer os meus amigos, a minha família, a se meterem na minha vida, darem palpite sobre a creche do meu filho.

AAlexandra

Mas ao mesmo tempo, eu sinto que os meus sentimentos pelo Danilo morreram uns 6 meses atrás. E eu avisei ele muitas vezes, ele ignorou todos os sinais. E eu odeio olhar para trás E saber que eu precisei ameaçar sair de casa já com apartamento de aluguel em vista para que ele finalmente percebesse a gravidade da situação e fosse procurar ajuda. E eu sei que teoricamente eu consegui o que eu queria. Eu sei que tem muitas mulheres que esperam por isso, esperam por essa mudança.

Hoje ele tá se tornando um ótimo pai, hoje ele tá se tornando um ótimo parceiro. Mas eu me sinto totalmente apática em relação ao nosso casamento e o tempo todo eu me pego pensando: foi bom enquanto durou. Então o que eu quero saber é: alguém já passou por isso antes? Eu levei para terapia e eu sei que eu devo considerar o fato de que minha vida toda mudou nesse período, né, que eu tive um bebê, enfim. Mas eu tô muito feliz, eu tô em êxtase com a maternidade, eu tô feliz no meu trabalho, eu tô feliz num todo.

É só em relação ao meu marido, que antes era o amor da minha vida, que eu me sinto apática. Vocês acham que esses sentimentos podem voltar? E até quando é saudável esperar que eles voltem?

VVVinicius Viana

Olá, eu sou Vinícius, falo de São Paulo, sou psicólogo, atendo casais, atendo demandas de relacionamento. Essa situação acaba sendo bem comum nos meus atendimentos, né? Nos meus clientes, meus pacientes. Inclusive a gente vê vários exemplos aqui nas histórias de que muitas vezes o marido tem dificuldade de se posicionar contra a mãe quando existe uma distorção muito clara, tem uma dificuldade de validar mesmo o que a esposa tá sentindo, ele tem que pegar esse sentimento e tomar para si.

Até porque a partir do momento onde eles estão casados, têm um filho, o núcleo duro da família passa a ser os dois e o bebê. É claro que os parentes são importantes, Eles devem ser levados em consideração, mas a decisão final é do pai, da mãe, do bebê, até da criação, da forma como que vai ser feito. E nesse período de sensibilidade que a Alessandra passou, o que ela esperava dele era um apoio. No final das contas, sentiu uma dificuldade de se reconnectar com ele, mesmo ele fazendo terapia, mesmo ele revendo as condutas dele.

Isso se dá pela perda de admiração mesmo, né? Pelo que ele mostrou para ela em um momento de dificuldade. No momento de vulnerabilidade dela, ele não demonstrou aquilo que ela precisava. Então ela acabou perdendo essa admiração por ele, acabou idealizando uma proteção que não aconteceu. E infelizmente os comportamentos têm consequências, né? Eles podem buscar uma terapia de casal, eles podem buscar um acompanhamento particular, como eles já fazem, mas não dá para ignorar que foi um evento traumático.

Um evento difícil e a admiração é possível se perder e também é possível se reconquistar, mas é um trabalho que vai ter que ser feito em conjunto, né, com os dois, numa terapia de casal, né, para que eles possam alinhar essas expectativas e alinhar essa parte de que um espera do outro, como comunicar isso e também trabalhar mais forte essa questão do vínculo com a mãe, colocar os limites mais claros e manter a autoridade sobre a criação do filho.

Quero agradecer a Paloma pelo convite para participar aqui do episódio. E quem tiver interesse de conhecer um pouco mais do meu trabalho, atendo terapia de casais, atendo também relacionamentos pela terapia integrativa de casais, onde a gente vai buscar tanto uma aceitação dos comportamentos quanto também uma mudança do que é necessário, pode me chamar no Instagram @psico.viniciusviana, que a gente pode conversar sobre o assunto, tá bom?

AAlexandra

Valeu! E essa foi a história de hoje. E aí, o que você faria se essa sogra e esse marido fossem seus? Participe do nosso grupo do Telegram Se Essa Sogra Fosse Minha e conta para gente como você reagiria, ou dá uns conselhos aí. Lembrando que se você também estiver precisando de conselhos ou se tiver uma história boa para contar, é só mandar para o seessasografosseminha@gmail.com que a gente conta aqui de forma anônima. Se Essa Sogra Fosse Minha é um programa Independente.

Então se você gosta, se identifica, segue a gente, ativa o sininho para receber as notificações dos novos episódios, compartilha com alguém que você acha que pode gostar e apoie quem nos apoia. Obrigada para quem ouviu até aqui, um beijo, vocês são demais!

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