Episódios de Se Essa Sogra Fosse Minha

AQUELE DA CADEIRINHA

23 de setembro de 202618min
0:00 / 18:26

ATENÇÃO: CONTEÚDO SENSÍVEL

Este episódio conta com a participação da psicóloga Juliana Nery. Obrigada, Juliana! ♥

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Participantes neste episódio2
P

Paloma

Host
J

Juliana Nery

ConvidadoPsicóloga
Assuntos6
  • A implicância da sogra com o uso da cadeirinha de carrosogra considera cadeirinha besteira·sogra se orgulha de não ter usado cadeirinha·ameaças de soltar o cinto da cadeirinha
  • A relação difícil entre nora e sogra após o nascimento da filhasogra com opiniões sobre cuidados com bebê·conflito sobre amamentação e introdução alimentar·dificuldade em impor limites à sogra
  • A recusa da sogra em aceitar a importância da cadeirinhasogra não vê importância na cadeirinha·comportamento de revirar os olhos e resmungar·sogra age como se Júlia estivesse errada
  • A cadeirinha como gatilho inconsciente para a sograconexão da cadeirinha com a perda do filho·dificuldade em encarar a própria história·preferência por acreditar que cadeirinha é frescura
  • A perda do primeiro filho da sogra em acidente de carroacidente ocorrido no final dos anos 80·possibilidade de cadeirinha ter mudado o desfecho·contexto da época e falta de informação
  • A necessidade de manter a segurança da filha apesar do incômodo da sograJúlia segue recomendações de segurança e lei·Danilo precisa reforçar limites com a mãe·incômodo da sogra pertence ao processo de luto
Transcrição9 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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PPaloma

Oi pessoal, sejam bem-vindos a mais um episódio do Se Essa Sogra Fosse Minha. Eu sou a Paloma e o episódio de hoje é aquele da cadeirinha. E quem conta essa história é a Júlia. E gente, hoje tem episódio novo no podcast que apostar. Que é da minha irmã e funciona muito parecido com se essa sogra fosse minha. É também um espaço de acolhimento para pessoas que têm problema com jogos de azar. Então, se você enfrenta o vício em jogos ou se você convive com alguém que sofre disso, é um espaço bem legal e eu recomendo muito.

Inclusive, é para você mandar sua história. Tem episódio novo lá e o nome do episódio é Devo Ficar? E eu sempre recomendo aqui porque eu sei que grande parte de vocês gosta muito de podcast de história e sei também que tem uma galera muito legal que tá sempre pronta para aconselhar. Então fica o convite. Então vamos começar? A Júlia começa o relato dizendo que se fosse contar tudo sobre a sogra e explicar todos os motivos pelos quais as duas têm uma relação difícil, a gente ia ficar aqui o dia inteiro.

Então ela decidiu focar em uma questão específica, que é o que mais está incomodando ela nesse momento. A Júlia é casada com o Danilo e ela disse que ela e a mãe do Danilo tinha uma relação até que bem ok assim. Elas tinham pouco contato, mas quando tinham era sempre de uma forma muito respeitosa. E foi assim até que a Júlia e o Danilo tiveram uma filhinha.

JNJuliana Nery

A Manu.

PPaloma

Foi depois que a Manu nasceu que as coisas começaram a desandar. Vocês que acompanham o podcast há mais tempo já devem ter percebido que existem dois momentos canônicos na relação entre nora e sogra, né? O casamento e o nascimento de um filho. Por favor, não me entendam mal, eu não quero parecer uma pessoa amarga, mas com tudo que a gente vê aqui Eu realmente acho que a gente só conhece uma sogra depois que casa e/ou tem filhos com o filho dela.

Então, se você tem uma sogra boa e depois de casar, depois de ter filho, ela continua sendo boa, aí sim, meus parabéns, você ganhou na loteria das sogras. Bom, a mãe do Danilo tinha muitas opiniões sobre os cuidados com a Manu. E a maioria dessas opiniões iam contra tudo que a Júlia fazia e que os pediatras, nutricionistas e até a Organização Mundial da Saúde recomendavam. Por exemplo, quando a Manu era bem pequenininha, com 1 ou 2 meses, a sogra tentava convencer a Júlia a colocar ela para dormir de barriga para baixo e cheia de cobertores, tipo por cima, pelos lados, para ela ficar bem aconchegadinha assim.

A sogra dizia que a Manu não dormia bem porque a Júlia não acobertava ela. E só para contextualizar essa informação, hoje a orientação da Organização Mundial da Saúde é justamente o contrário. Durante o primeiro ano de vida, o bebê deve ser colocado para dormir de barriga para cima. E a orientação também é que a gente coloque roupinhas, né, a roupinha seja mais quentinha E evite cobertores, travesseiros, coisas soltas no berço.

Antigamente se enchia o berço de almofada e pelúcia, essas coisas. Hoje não é recomendado porque pode acabar indo na frente do rostinho, né, no narizinho, e dificultar a respiração do bebê. A Manu era um bebezinho pequenininho desde que nasceu, ela sempre foi pequenininha, só que ela era saudável, ela mamava super bem, só no peito. Fazia acompanhamento com o pediatra e tava se desenvolvendo super bem. Mas quando ela completou 3 meses, a sogra começou a insistir que a Júlia desse feijão para Manu, porque ela dizia que quando os filhos dela tinham 1 mês, ela já fazia uma coisa que ela chamava de pirão de feijão misturado com farinha, e que eles eram bebês super fortes, super gordinhos e super bonitos.

Mas a Júlia já tinha deixado bem bem claro que ela ia manter a amamentação exclusiva até os 6 meses e só então começar a introdução alimentar. E ela dizia para sogra: sogra, ela é pequenininha, mas é saudável, ela mama bem, tá ganhando peso, tá crescendo dentro do esperado, tá sendo acompanhada pelo pediatra dela, então pode ficar tranquila que ela tá bem. E quando chegar a hora Pode ter certeza que ela vai comer feijão, mas não agora.

E a Júlia disse que ela sempre tinha que impor esses limites com muito cuidado. Ela tinha que ir cheia de dedos porque a sogra dela sempre ficava muito ofendida. E a verdade é que, olhando em retrospectiva, ela disse que no fim das contas não importava. Não importava o quão educada ela fosse ou o tom que ela usasse, a sogra sempre ia se ofender. E criar intriga depois. Ela disse que mesmo quando ela explicava que ela tinha sido orientada pelo pediatra da Manu, ou que ela preferia fazer de outra forma, que aquela era uma recomendação que ela tava seguindo, a sogra sempre entendia a recusa como uma afronta pessoal.

Era como se cada vez que a Júlia dissesse, eu não vou fazer isso com a minha filha, a sogra entendesse como você fez tudo errado com seus filhos. E assim era para tudo. Mas o maior problema para sogra, o que mais incomodava ela e o que menos fazia sentido para Júlia, era a cadeirinha do carro. A Júlia sempre colocava a Manu na cadeirinha, primeiro no bebê conforto, né, mas agora com 1 ano e 8 meses já é a cadeirinha. E toda vez que eles tinham que sair juntos, a sogra criava caso por conta da cadeirinha, às vezes fazendo pouco caso mesmo, como se fosse besteira, como se a Júlia fosse uma boba, mas às vezes repreendendo a Júlia por não ser, palavras dela, uma mãe raiz.

E aí ela batia no ombro do Danilo E falava com o maior orgulho: eu nunca usei cadeirinha dos meninos. Lembra, Danilo, que vocês iam no porta-malas do Fusca? A sogra disse que ela era tão raiz, mas tão raiz, que ela até amamentava os filhos enquanto dirigia. E a Júlia disse que ela já falou várias e várias vezes para sogra que, ok, ela entende, mas que os tempos mudaram. Que hoje existe esse recurso, que hoje as orientações são diferentes, hoje se sabe muito mais sobre segurança no trânsito do que naquela época, que é lei, e que ela não estava disposta a abrir mão da cadeirinha.

Mas a resposta da sogra é sempre a mesma: que a Júlia é uma paranoica e que tem muito o que aprender. Mas a Júlia disse que hoje ela já nem discute, ela só coloca a Manu na cadeirinha E vida que segue. Só que a sogra ainda faz a mesma coisa toda vez. Se ela vê a bebê na cadeirinha, ela revira os olhos, ela bufa, ela fica resmungando. E às vezes a Manu fica incomodada na cadeirinha, porque tem bebê que fica, né, gente? A Mel era uma que, nossa, ela odiava cadeirinha quando ela era bebê.

Ela resmungava desde a hora que a gente prendia ela. Até ela pegar no sono, porque ela sempre dormia. Era, queria fazer a Melissa dormir, era botar na cadeirinha. E quando a Manu faz isso, né, quando ela resmunga, a sogra começa a ameaçar de soltar o cinto da cadeirinha, começa a falar que vai pegar ela no colo e fica falando com uma voz de neném, como se fosse a Manu assim: essa minha mãe, ela não sabe de nada, vovó. Ela me deixa aqui presa passando calor, vovó.

Bom, e talvez até aqui vocês estejam pensando: tá, Paloma, é só uma pessoa de outra geração que acha que essas coisas são exagero porque criou os filhos de outro jeito. E talvez essa fosse uma explicação que fizesse algum sentido para Júlia, se não existisse uma informação nessa história que eu ainda não contei para vocês. A sogra da Júlia já perdeu um filho, era o primeiro bebezinho dela, e esse bebê morreu justamente em um acidente de carro.

Isso aconteceu há muitos anos, no final dos anos 80, e a Júlia disse que pelo que ela sabe sobre o acidente, alguém disse para família que uma cadeirinha ou um assento poderia ter mudado o desfecho. Quando a Júlia soube dessa história, ela disse que ela fez questão de olhar para tudo aquilo dentro do contexto da época. Eram outros tempos, as informações não circulavam como circulam hoje, as leis eram diferentes, os equipamentos eram diferentes, e a própria conscientização sobre a segurança infantil dentro dos carros era completamente diferente.

Então a Júlia nunca olhou para sogra pensando, nossa, você foi a responsável pelo que aconteceu. Não, muito pelo contrário. Ela disse que ela sente muita compaixão pela sogra, né, porque ela perdeu um filho. Eu acho que não dá nem para dimensionar a dor de uma coisa dessas. O que a Júlia não consegue entender é o que veio depois, porque décadas se passaram, vieram novas informações, novas regras, novos equipamentos de segurança.

E mesmo depois de ter vivido uma perda como aquela, a sogra não só não vê a importância na cadeirinha, como parece ficar genuinamente incomodada quando vê a própria neta usando uma. Ela revira os olhos, ela bufa, ela resmunga, chama a Júlia de paranoica, ameaça tirar a Manu quando a Manu reclama, e ela age como se a Júlia tivesse fazendo alguma coisa errada por prender a filha na cadeirinha. E é justamente essa parte que a Júlia não consegue entender, porque a sogra podia até falar, sei lá, na minha época não tinha isso, ou alguma coisa do tipo.

Agora, ficar ofendida porque a neta tá usando uma cadeirinha não faz nem sentido. Da última vez que isso aconteceu, inclusive, A Júlia, o Danilo e a Manu estavam voltando de viagem e a sogra se ofereceu para buscar os três no aeroporto. E como eles iam voltar no carro dela, a Júlia e o Danilo levaram a cadeirinha da Manu. Não sei como, não sei onde ela tava, mas enfim, eles estavam com a cadeirinha. E a sogra chegou toda sorridente, encontrou os três, eles pegaram as malas, foram para o carro, e aí o Danilo abriu a porta de trás para colocar a cadeirinha da Manu.

E a Júlia disse que foi uma coisa impressionante, assim, quando a sogra viu a cadeirinha, ela fechou a cara na hora. E aí eles terminaram de instalar, colocaram a Manu, prenderam o cinto direitinho, conferiram tudo, entraram no carro, e a sogra passou o caminho inteiro sem falar com a Júlia, só com a Júlia. Depois disso, a Júlia foi desabafar com uma amiga. Ela contou toda a situação, falou da implicância fora do normal que a sogra tem com a cadeirinha, contou que aquilo acontecia praticamente desde que a Manu nasceu, e também contou sobre o bebê que a sogra perdeu.

E essa amiga falou uma coisa que a Júlia disse que nunca tinha pensado. Ela falou: Julia, sabe o que eu acho? Eu acho que talvez a sua sogra não esteja enxergando a cadeirinha só como uma cadeirinha. E aí ela explicou o que que ela queria dizer. Talvez toda vez que a sogra vê a Manu sendo colocada ali, aquilo mexa com uma coisa que ela passou décadas tentando não revisitar. Porque a gente tá falando de uma mãe que perdeu o seu bebê, né, que perdeu o seu filho.

Então talvez seja muito mais fácil para ela emocionalmente continuar acreditando que as cadeirinhas são exagero, que as mães de hoje são paranoicas, que ela criou os filhos dela sem isso e tava tudo bem. Porque se ela admitir que a cadeirinha realmente pode salvar uma criança Ela também vai precisar encarar o que que isso significa quando ela olha para a própria história. E a Júlia disse que depois dessa conversa ela começou a olhar para essa situação de uma forma completamente diferente.

Não porque ela saiba que essa é a explicação, ela não sabe, a amiga também não sabe, é só uma hipótese, uma possibilidade. Mas foi a primeira vez que aquele comportamento da sogra fez algum sentido para Júlia. Só que o problema é que entender que talvez exista alguma coisa muito dolorosa por trás daquele comportamento não resolve nada. Porque o que que a Júlia pode fazer? Ela tá seguindo as recomendações de segurança, ela tá seguindo a lei, ela tá protegendo a filha dela.

Ela vai fazer o quê? Vai deixar a mano solta no carro, colocar a filha em risco E ainda tomar uma multa só para sogra não se sentir confrontada? Não tem como. Então a Júlia disse que hoje o que mais incomoda é sentir que na cabeça da sogra a cadeirinha virou uma provocação, como se a Júlia não colocasse a filha ali para proteger ela, mas sim para cutucar a sogra. E é isso. Essa é a história de hoje. Difícil, né? Eu achei. E aí, o que você faria se essa sogra fosse sua?

JNJuliana Nery

Olá, eu me chamo Juliana Neri e trabalho com abordagem do psicodrama. Oi, Júlia! Em primeiro lugar, eu gostaria de dizer que a sua atitude desde o início demonstra muita maturidade e empatia. Conseguir olhar para sua sogra implicante e sentir compaixão pela dor dela é algo muito nobre. A sua amiga teve uma excelente percepção sobre essa situação. Quando a sua sogra vê a Manu na cadeirinha, o cérebro dela não enxerga apenas um equipamento de segurança.

A cadeirinha para ela é um gatilho inconsciente. Se ela acreditar que a cadeirinha realmente salva vidas, a mente dela vai ser forçada a encarar a dúvida sobre se o bebê dela teria se salvado caso tivesse usado uma no dia do acidente. A dor e a culpa provavelmente seriam insuportáveis para ela. Aí fica mais fácil acreditar e insistir que a cadeirinha é frescura. Entenda que a cara feia e a raiva dela exatamente contra você, mas contra a realidade que a cadeirinha representa.

A questão aqui é que entender a dor dela não resolve o problema. Você não vai colocar a Manu em risco e está coberta de razão. Por isso, siga sua vida entendendo que sua sogra dificilmente vai reconhecer que você está certa. Tentar convencê-la disso só vai gerar mais desgaste. Continue fazendo fazendo exatamente o que você já faz. Coloque a mão na cadeirinha, afivele o cinto e siga a viagem. Se ela bufar, reclamar ou fizer cara feia, permaneça em silêncio e lembre-se que essa dor é dela e não sua.

O Danilo também precisa entrar nesse circuito. Ele precisa reforçar os limites com a mãe e garantir que você não fique sozinha no papel de chata, frescurenta provocadora. Cumprir a lei e proteger sua filha é seu papel primário como mãe. O incômodo dela pertence ao processo de luto, provavelmente não elaborado, e você não tem o poder nem a obrigação de resolver isso por ela. Continue firme na segurança da sua filha. Com o tempo, ao perceber que as provocações não te tiram mais do eixo, a tendência é que percam força.

Espero ter ajudado. E quem quiser entrar em contato comigo pode fazer através do WhatsApp 81988362452. Eu atendo presencialmente em Recife e online onde você estiver.

PPaloma

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Juliana Nery

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