Episódios de Se Essa Sogra Fosse Minha

AQUELE DO GRUPO DE ORAÇÃO

30 de julho de 202611min
0:00 / 11:03

Este episódio conta com a participação da psicóloga Aline Pinheiro. Obrigada, Aline! ♥

CRP-04/60822 | Instagram: @psi.alinepinheiro

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Participantes neste episódio2
P

Paloma

Host
A

Aline Pinheiro

ConvidadoPsicóloga
Assuntos3
  • Relação abusiva e questões familiaresMaria Valeria Resende · Ana Bolena · João Gomes · Bianca Pinheiro
  • Vínculo e Relacionamento SaudávelCiclos de relacionamento · João Gomes · Maria Valeria Resende · Bianca Pinheiro
  • Diálogo ReligiosoUmbandismo e Evangelismo · Ana Bolena · João Gomes
Transcrição5 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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PPaloma

Oi pessoal, sejam bem-vindos a mais um episódio do Se Essa Sogra Fosse Minha. Eu sou a Paloma e o episódio de hoje é aquele do grupo de oração. E quem conta essa história é a Maria. E se você viu que o título do episódio hoje tá verde, é porque é mais uma história da categoria Do Outro Lado da Moeda. Que é quando a história é contada da perspectiva da sogra, né, ou da família da sogra, a respeito da nora ou do genro. E como esse é um episódio do Outro Lado da Moeda, como de costume, eu vou ler essa história em primeira pessoa, exatamente nas palavras da Maria.

Por que que eu faço isso? Porque, como eu já disse aqui, Eu sei que com tudo que a gente escuta aqui nesse podcast, que é maravilhoso, diga-se de passagem, às vezes a gente já recebe esse tipo de relato com um pezinho atrás, né? Então eu prefiro ler nas palavras da pessoa que mandou para conseguir transmitir o que ela sentiu, o que ela pensou, da forma mais fiel possível e garantir que nenhum filtro meu possa causar qualquer tipo de má interpretação do que foi falado.

Então vamos começar. Esse email chegou para mim como urgente e essa história tá acontecendo em tempo real. A Maria começa dizendo assim: Oi gente, meu nome é Maria, tenho 29 anos e sou irmã do João, que tem 24 anos. Como boa irmã que sou, enxergo tudo de incrível que o João tem. Ele é mega trabalhador, é bonito, engraçado e muito querido, mas tem um péssimo histórico de relacionamentos, tanto por atitudes dele quanto das mulheres que ele se relacionou.

Mas vamos para a situação atual. Nós somos umbandistas, nossa mãe é dirigente de uma casa, então nós crescemos na religião. E consequentemente, por escolha própria, seguimos a religião até hoje. E aí o João se envolveu com a Ana, que é uma moça evangélica. E até aí tudo bem, cada um com suas escolhas, né? Na teoria sim, mas na prática nem tanto. Essa história da religião sempre foi um tabu e um problema entre os dois, mas ambos resolveram ignorar e seguir juntos.

Pelo menos até que em um grupo de oração os dirigentes da Ana disseram para ela que o João não era um homem para seguir o caminho ao lado e que Deus estava dizendo que não era a hora deles serem felizes juntos. E assim, depois de 6 meses saindo juntos e um dia depois de ser pedida em namoro pelo João, a Ana terminou com meu irmão usando a seguinte frase: Deus não quer que eu seja feliz com você agora. Pensa em um homem que sofreu.

O João falava disso 24 horas por dia comigo, com os amigos, com os nossos pais. Ele desabafava com todo mundo que podia e, consequentemente, todo mundo foi odiando a Ana. Lembra do péssimo histórico de relacionamento que eu falei que meu irmão tem, né? Então isso gerou muitos traumas nele. Porque nessas relações que ele teve rolou de tudo: falta de respeito de ambas as partes, ele foi traído. Então isso acaba respingando nele e ele acredita fielmente que nunca vai dar certo com ninguém.

Já a Ana, ela foi casada duas vezes com o mesmo homem, e esse homem ainda tem uma ligação na vida dela, o que fez o meu irmão imaginar que o real motivo para ela terminar com ele pudesse ser uma possível volta com esse ex. O tempo passou e o meu irmão recentemente sofreu um acidente terrível de trabalho, o tipo de acidente que quem olha tem certeza que alguém morreu, mas não. Por um milagre, meu irmão saiu vivo, e muito além disso, ele saiu bem.

Mas o que já era esperado aconteceu. Assim que a Ana soube do acidente, ela mandou mensagem para o meu irmão perguntando como ele tava. E aí eles foram conversando, e agora, depois de tudo, estão se envolvendo novamente. Ele já foi alertado de todos os lados, espiritualmente, pela família, pelos amigos, e ele segue dizendo que se der errado tudo bem, mas que ele só vai saber se ele tentar. E é por isso que eu venho pedir ajuda.

Como eu devo agir com a minha raiva? Eu já conversei muito com ele. Já deixei claro que não adianta ele exigir que ela seja bem recebida ou bem tratada por nós, porque não vai ser. E que se ele perdoou ela, tudo bem, mas nós não perdoamos. Ele ainda tá em recuperação do acidente e ela sequer veio ver ele. Esperou ele melhorar para ir na casa dela em outra cidade. Isso me deixa tão nervosa porque eu sinto que ela não se importa com ele, porque se fosse comigo, eu enfrentaria quem quer que fosse por alguém que eu afirmo amar tanto.

Agora ele diz que quer tentar introduzir ela, a família e os amigos mais próximos num evento que a gente vai ter em breve. Eu odeio ser a vilã, E eu odeio ir contra o meu irmão, já que nós dois temos uma relação ótima, mas eu também não suporto a ideia de conviver com a Ana. E aí, o que que eu faço?

APAline Pinheiro

Ei, gente, aqui é a Aline, sou psicóloga clínica especialista em terapia cognitivo-comportamental e vim trazer alguns comentários sobre a história da Maria. Maria, eu acredito que esteja sendo frustrante para você ver seu irmão retornando a um relacionamento que você percebe que não faz bem para ele. Só que aí é que eu queria que você prestasse atenção no fato de que é muito mais fácil você observar esses padrões problemáticos de relacionamento que ele tem do que ele mesmo.

Isso não serve só para o seu irmão, serve para todo mundo, sabe? Porque a gente quase nunca consegue perceber as repetições de relações que a gente se envolve. Por isso que a terapia é tão importante. É muito lindo ver aqui o quanto você se importa com ele, a ponto de você não querer, né, ficar vendo ele repetir esses ciclos. Só que existe uma grande chance de você tá afastando ele. Como toda relação complicada, a tendência é que as pessoas se isolem da família, dos amigos, e por muitas razões, né.

Só que nesse caso, eu acredito que quanto mais você e sua família se opuserem né, a essa relação, maiores são as chances do João se afastar de vocês. Porque aí ele pode ficar assim querendo evitar, né, aquelas situações chatas nos eventos sociais. E aí é que eu acho que é importante a gente pensar na possibilidade de que o João precisa ter a chance de tomar suas próprias decisões, né. Ele é um homem adulto, autônomo. E mesmo que vocês não concordem, já saibam como essa história termina, nesses momentos a gente precisa de ainda mais apoio e menos julgamento, né?

No seu lugar, é normal tá assim sem saber o que fazer, tá de mãos atadas, porque ao mesmo tempo que você é 100% contra essa relação, né, eu imagino que você não queira o afastamento dele. Me colocando no lugar do João, eu fico pensando como seria importante ter por perto pessoas com quem eu posso falar sobre a relação, né, um lugar onde eu possa receber acolhimento. Porque as pessoas que a gente ama, às vezes elas se envolvem em situações que causam sofrimento para elas ou prejuízos, né, que a gente só queria poder resolver, só poupar.

Mas tem algumas coisas que estão fora do nosso controle, né. Bom, no fim, aceitar a presença da Ana pode ser o único caminho para conseguir ter a presença do João. E sinceramente, as pessoas se queimam sozinhas, sabe? Não precisa também ser 880. Existem formas educadas e amigáveis de interagir com ela, de modo que seu irmão consiga encontrar espaço dentro da família e não se afaste de vez de vocês, tá bom? Bom, se vocês quiserem conhecer um pouco mais do meu trabalho, vocês me encontram no Instagram, @psi.alinepinheiro. Um beijo!

PPaloma

E essa foi a história de hoje. E aí, o que você faria se essa cunhada fosse sua? Participe do nosso grupo do Telegram, Se Essa Sogra Fosse Minha, usando a hashtag #grupo de oração, e conta pra gente como você reagiria ou dá uns conselhos aí. Lembrando que se você também estiver precisando de conselhos ou se tiver uma história boa para contar, é só mandar para o seessasografosseminha@gmail.com que a gente conta aqui de forma anônima.

O Se Essa Sogra Fosse Minha é um programa independente, então se você gosta, se identifica, segue a gente, ativa o sininho para receber as notificações dos novos episódios, compartilha com alguém que você acha que vai gostar e apoie quem nos apoia. Obrigada para quem ouviu até aqui. Um beijo. Vocês são demais.

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