Episódios de Se Essa Sogra Fosse Minha

AQUELE DA #VIAGEM

24 de julho de 202612min
0:00 / 12:23

Este episódio conta com a participação da psicóloga Barbara Trevisan. Obrigada, Barbara! ♥

CRP 20/12383 | Instagram: @psibarbaratrevisan | Contato: (92) 99410-8301

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Participantes neste episódio3
P

Paloma

Host
B

Barbara Trevisan

ConvidadoPsicóloga
É

Érica

Convidado
Assuntos4
  • Relação com a FamíliaConflito de prioridades · Desejo de viagem do casal · Imposição da sogra
  • Relacionamento com a sograDiferença de idade · Preconceito familiar · Chantagem emocional
  • Relacionamentos FamiliaresAutoconhecimento · Comunicação com o parceiro · Estabelecimento de limites
  • Idade para Ter FilhosErika Hilton · Paulo
Transcrição5 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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ÉÉrica

Oi pessoal, voltei com mais uma curtinha do Se Essa Sogra Fosse Minha. Para quem não sabe, as curtinhas são relatos breves de situações que as pessoas passaram ou estão passando e contam com as suas próprias palavras, às vezes como um alerta, às vezes como um desabafo, mas geralmente em busca de conselhos. Então, se você tem um conselho ou comentário, participe do nosso grupo do Telegram Se Essa Sogra Fosse Minha usando a hashtag do episódio.

E a hashtag de hoje é viagem. E quem conta essa história é a Érica. Então vamos começar. A Érica começa o email dizendo assim: Oi, Paloma, amo seu podcast e tenho muitas histórias para contar, porém o que me fez te escrever hoje é o que tá acontecendo nesse momento. Vou tentar fazer um resumo para contextualizar a minha história com a minha sogra. Meu nome é Érica, tenho 43 anos e sou casada com o Paulo, de 33 anos. Sim, eu sou 10 anos mais velha que ele.

Quando eu tinha 33 anos, em 2016, eu trabalhava com uma prima do Paulo, a Jamile. Nós nos tornamos melhores amigas e saíamos juntas com frequência. Um dia a Jamile postou uma foto comigo no Facebook. O Paulo viu essa foto e ficou pedindo a ela para nos apresentar. Eu recusei várias vezes, mas de tanto ela insistir, aceitei sair com ele com uma condição: a Jamile teria que ir junto. Fomos ao cinema nós três e ele foi muito gentil.

Um pouquinho tímido, mas parecia muito a fim de mim. Então eu resolvi dar uma chance e nós saímos depois só os dois. Um mês depois ele já me pediu em namoro, e mesmo com medo pela diferença de idade, eu aceitei. E aí, com tudo oficializado, chegou o momento de conhecer a mãe dele e a irmã dele, que moravam junto com o Paulo. E foi horrível. Elas foram super secas. Eu puxava conversa e elas só respondiam de forma desdenhosa. Na hora eu imaginei que era preconceito pela diferença de idade, mas saiba que eu era muito bonita para ele e aparentava ser mais nova.

E que fique registrado que a Érica mandou fotos e eu, Paloma, estou aqui para testemunhar que é tudo verdade. Como nós dois éramos quebrados na época, a gente quase não saía junto. Durante a semana eu trabalhava e ele estudava para terminar um mestrado. Logo ele arrumou o primeiro trabalho como professor. Então nos finais de semana ou ele ia para minha casa ou eu ia para casa dele. Só que eu não ia feliz, eu ia arrastada de tanto ele insistir.

Era muito desagradável para mim. Eu chegava, elas já fechavam a cara e começavam a pedir ao Paulo para fazer mil coisas. Parecia ser de propósito assim, para nos atrapalhar. Às vezes ele tava na mesa só estudando e eu do lado vendo alguma coisa no celular, que elas vinham e mandavam ele ir no supermercado ou levar o Matinho em tal lugar. E quando a gente finalmente saía para o cinema, por exemplo, a minha sogra ligava falando para ele voltar logo para ajudar a sobrinha com o dever de matemática.

Então eu fui evitando de ir para lá ao máximo. E Deus que me perdoe, mas nesse sentido, na época da pandemia foi um descanso para mim, porque eu tinha um motivo para não ir. Enfim, eu tô resumindo bastante, mas só para deixar claro como que eu tive certeza que elas não gostavam de mim Foi um dia que uma parente delas me disse que elas falavam muito mal de mim, sim, mas que na família era comum, porque nenhuma mulher nunca era boa o suficiente para os homens daquela família.

Então, com 5 anos de namoro, o Paulo me pediu em casamento. Ele já tinha passado num concurso público, eu ajudei ele no que eu pude. Financiamos um apartamento e depois de um ano de noivado nos casamos no civil. Paloma, no dia do cartório minha sogra parecia estar num enterro. Não existe uma foto dela que não pareça que ela tava em luto. E aqui mais uma vez a Érica mandou foto. Então eu, Paloma, sou testemunha de que isso também é verdade.

Quando nós viemos morar no nosso apartamento, eu deixei claro que aqui quem manda sou eu, e ele aceitou o meu jeito. Eu não gosto de visitas, também não gosto de me enfiar na casa de ninguém. Então às vezes eu fico mais de um mês sem ver a minha sogra. O Paulo, por outro lado, vai ver a mãe sempre. Quase todos os dias. E antes que eu me esqueça de explicar, a mãe dele é idosa, ela tem mais de 70 anos. A minha sogra engravidou dele quando ela já tinha 43 anos, e poucos meses depois dela ter o Paulo, o pai dele faleceu.

Então a sensação que dá é que ela pegou o filho como homem substituto da casa. Ela faz muita chantagem emocional. Todas as folgas dele ela já se programa, ela já conta com ele para levar ela na casa de algum parente ou para levar ela numa consulta ao médico. Enfim, mesmo morando com a outra filha, fica tudo na conta do Paulo. O que acontece agora, após 4 anos de casamento, é o seguinte: Lembra que eu disse que nós dois éramos quebrados e quase não saíamos, né?

Aos poucos isso tudo foi melhorando. Em todos esses anos eu sempre deixei claro que eu tenho muita vontade de fazer uma viagem com o Paulo e com os nossos cachorros. Eu queria muito ir para praia com eles, mas o Paulo sempre dizia que ainda não dava. Acontece que a mãe dele viajou no ano passado com a família para o litoral de São Paulo e agora ela quer que o Paulo vá junto na próxima viagem para o mesmo lugar em janeiro. E ele aceitou imediatamente.

Nós moramos em Uberlândia, então é uma viagem longa até o litoral de São Paulo. E ela quer ir no nosso carro, só que ela tem que ir no banco da frente porque é mais confortável, e eu tenho que ir no banco de trás com os nossos dois cachorros. Mas essa nem é a questão principal. A questão aqui é que tem anos que eu peço para a gente ir e a resposta sempre foi não. A minha sogra pediu uma vez? E a resposta foi imediatamente sim.

Eu já tinha falado para ele que eu não gosto de viagem com turma grande. Piorou ainda que é só gente da família dele, vai umas 10 pessoas. Então eu tô muito, muito desanimada. E eu falei para o Paulo que se for assim, eu prefiro ficar em casa. Eu disse para ele, para ele ir com a mãe dele, aproveitar e me deixar em casa com os nossos cachorros, mas ele não aceitou e ele não para de insistir. Tá dizendo para eu ir, que na próxima vai ser só a gente.

Eu odeio me sentir assim, odeio me sentir a vilã, mas meu Deus, eu não tô a fim. O que que eu faço? O que que vocês fariam? E essa foi a história de hoje. E aí, o que você faria se essa sogra fosse sua?

BTBarbara Trevisan

Oi, Paloma! Oi, pessoal! Eu sou a Bárbara Trevisan, psicóloga clínica, e o meu trabalho é voltado para cuidado de mulheres. Érica, querida, eu queria começar te enviando um abraço bem apertado. Pelo teu relato, dá para perceber que essa dor não começou com essa viagem. Você vem acumulando há anos o desconforto de não se sentir aceita, e agora veio também a sensação de precisar disputar espaço com a família do teu marido. E o Paulo realmente parece ter aprendido muito cedo a se responsabilizar pela mãe dele.

Provavelmente, com a morte do pai, ele tem ocupado esse lugar de companhia, de ajuda e proteção. E isso nos ajuda a compreender o comportamento dele, especialmente agora que a mãe tá mais idosa. Mas compreender não faz a sua dor desaparecer, principalmente quando uma decisão envolve vocês dois é tomada sem que você se sinta considerada. Então, antes de decidir sobre essa viagem, tenta identificar exatamente o que que essa situação despertou em você e do que que você precisa.

É reconhecimento? Prioridade? Participar das decisões? Depois dessa reflexão, conversa com o Paulo sobre o impacto da situação em você e o quanto que isso te magoou. E para te ajudar na escolha de ir ou não para essa viagem, se pergunta: qual atitude me aproxima da mulher e da esposa que eu quero ser? Não ir pode ser um limite legítimo. Mas seria uma escolha de cuidado com você mesma ou uma forma de expressar a sua mágoa, a sua raiva, por meio da tua ausência, esperando que o Paulo assim perceba o quanto que ele te magoou?

E se você decidir ir, seria uma escolha consciente ou apenas uma tentativa de evitar ser vista como a vilã? Érica, você não é obrigada a ir. Mas tenta escolher por você, com base no que é importante para tua vida, para o teu relacionamento, e não tendo a tua sogra como referência. Na conversa com teu marido, também é bem importante que você peça por acordos concretos. Então, decidir coisas juntos, decidir as viagens juntos, planejar uma viagem de casal com data definida e estabelecer limites para cuidar Para que cuidar da mãe dele não signifique deixar você sempre em segundo plano.

Eu espero que você fique bem, um super beijo, e eu sou a Bárbara Trevisan, e vocês me encontram no Instagram como @psibarbaratrevisan, tudo junto, Trevisan com S e N no final. Um beijo, gente!

ÉÉrica

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