014 - Você também erra
Quem é o responsável quando algo dá errado na relação?
Nesse episódio, a gente conversa sobre o viés da atribuição fundamental: essa tendência de olhar pro erro do outro como “quem ele é”, enquanto justificamos o nosso pelo contexto.
Mas nas relações, a conta não fecha assim.
Porque, embora alguém possa iniciar um comportamento inadequado, a forma como o outro responde também entra no ciclo. Mantém. Amplifica. Ou transforma.
A gente fala sobre co-responsabilidade não como culpa,
mas como participação no que continua acontecendo.
O que você tem oportunizado na sua relação? E o que você tem reforçado, mesmo sem querer?
Também falamos sobre a ideia de justiça dentro do amor.
Porque, às vezes, ser “justo”, no sentido de devolver na mesma moeda, até equilibra a conta… mas afasta vocês dois.
No fim, o nosso convite não é:
o que eu estou ajudando a manter?
e o que precisaria mudar em mim para que a relação também mude?
Nós em nós. Segunda temporada.
- Co-responsabilidade nas relações
- Viés da atribuição fundamental
- Ciclos de comportamento em relacionamentos
- Justiça no amor
- Crimes do coração
Oiê, eu sou a Mari. Oi, eu sou o Ilo. Esse é o Nós em Nós, desatando os nós do seu relacionamento. E hoje nós iremos falar sobre você também erra. Ninguém é o que, Ilo? Responsável sozinho. Numa relação, né?
Sucesso, fracasso, existe uma corresponsabilidade, gente. E hoje esse episódio pra mim ele tem um gostinho especial. Porque algo que eu gosto de falar muito na clínica é isso. Que independente de que lugar você esteja nesse...
Nesse relacionamento, você é corresponsável por tudo que acontece, né? E aí eu acho que pra iniciar a gente pode começar olhando pra isso, né? Pra forma como a gente olha pros nossos erros e pra forma como a gente olha pro erro do outro, né, Ilo?
Tem uma coisa que eu sempre falo para ti, já falei em vídeo no Instagram, e que eu gostaria de começar dizendo para a gente assentar-se um terreno, que é a questão do viés de atribuição fundamental. Nada mais é do que aquela tendência que a gente tem de explicar os nossos comportamentos por um contexto externo.
Mas os comportamentos do outro, a gente explica por alguma justificativa interna nele. O que é que eu estou dizendo? Se você está mal humorada...
É porque você é uma pessoa grossa, desrespeitosa, chata. Mas se eu estou mal-humorado no amanhã, é porque ontem à noite eu tive uma péssima noite de sono. Eu estou passando por muitas dificuldades. Então, todo um contexto que explica isso, mas o outro não. O outro é fechadinho numa explicação definitiva sobre ele. Eu estou rindo.
Porque eu já fiz muito isso. Eu também. Se duvidar ainda é fácil, de vez em quando. Eu passo um pano pra mim que olha, ele é glitter. Brilhos. Agora, o meu digníssimo. Sim. Qualquer variaçãozinha já tem um ar de crítica, né? É o caba chato. É, afirmaria. E o Dilson sofre também.
Mas isso é muito legal de falar, Ilo, porque de fato, a compreensão que a gente tem pra gente nesses contextos, ela não é aplicada pro outro, né? E tudo bem se você não quiser compreender o outro, mas também eu acho que você tem que se tratar, talvez, com o mesmo olhar. Sim. Ou pelo menos reconhecer um pouco da hipocrisia, né? É, e aí que tá, né? Talvez quando eu fiquei pensando, ah, mas eu tô pedindo pras pessoas se tratarem com grosseria.
propositadamente, esse meu pensamento, essa minha fala, pra você parar e pensar. Peraí, eu quero me tratar assim. E aí você vai estar nesse lugar da hipocrisia, né, Ilo? Então. Quero tratar o outro assim também, né?
Um dos pesos, duas medidas, né? Ilo, eu não sei se tu concorda, né? Que com isso que eu vou falar, mas eu acho que eu também já comentei contigo algumas vezes sobre isso de... Até numa relação que ela tem muitas nuances violentas, e aqui eu não tô falando de relacionamentos abusivos, mas tô falando violências mais...
cotidianas. Cotidianas, que infelizmente acontece. Você falou que eu gosto de usar aquela expressão, né? Das... Como é, meu Deus? Não é? Um sinônimo mesmo de violências, né? Mas é como se fosse infrações, pequenas infrações, né? Do dia a dia, do coração, né? Exato, pronto, é isso que tu fala. Crimes do coração. É, os crimes do coração. Eu uso essa expressão, eu amo.
Que não é nada, tipo assim, violento, abusivo. Que corre risco, né? É aquela situação onde eu deixo de demonstrar o meu amor. Você deixa de se sentir amada. Você deixa de se sentir vista, querida. Sim. Que, enfim, vai corroendo a relação. Mas não é abusivo, né?
Vai desgastando aos poucos, mas vai desgastando, né? Isso, exatamente. E aí, até numa pessoa que ela está sendo vítima, digamos assim, dessa falta de olhar, de compreensão, ela também é corresponsável quando a forma como ela reage ao que o outro faz é uma forma que não sinaliza o incômodo.
Que de alguma forma mantém esse outro fazendo isso. Mantém o ciclo, né? Mantém o ciclo, porque se tu me desrespeita, né? E eu falo que tu tá me desrespeitando, mas eu ajo como se isso não fosse algo que me impede de continuar, talvez tu se mantenha aí, entendeu? Eu não tô dando nenhuma consequência pra sua ação, né? Exato. Por que que...
Você não está me dizendo, eu não estou entendendo que o que eu estou fazendo te faz mal ou te ofende de alguma maneira. E aí, talvez você que esteja ouvindo pense, ah, mas eu não mantenho o meu incômodo porque eu não sustento o desconforto. Tudo bem, a gente está entendendo um outro parâmetro que aí vai para um outro viés. Mas de forma pragmática e prática... Prática?
A forma como você reage ao que o outro faz, ao erro do outro, mantém ou não esse comportamento dele. Isso é um fato. Mesmo que não seja consciente, mesmo que não seja intencional, mesmo que o outro, nossa, que prazer eu tô sentindo porque o outro fez isso. Não importa, é um fato, né? Se o outro continua fazendo coisas repetidamente, é porque... Sim.
Ou piora, né? Ou mantém ou piora. Não sei se tu concorda. Mas é isso, assim. Se tu vier me comunicar que você está se sentindo desrespeitado, não vista e, sei lá, eu te digo, assim, ah, porque você é carente. E, assim, é justo que você se sinta ofendida. Mas aí se você diz assim, é, e tu é um...
idiota, uma coisa do tipo. O ciclo aí tá, né? É. A coisa tá só subindo de intensidade, assim, isso não vai parar. E eu acho que esse é o primeiro ponto que eu gostaria de contribuir mesmo, de mesmo que você seja a vítima nesse lugar de o que o outro fez que incomodou, a forma como você responde a essa ação do outro
ela vai determinar também se ele vai continuar mantendo esse comportamento ou não. E aqui, veja bem, a gente não está te responsabilizando pela mudança do outro. A gente está falando que a sua ação...
posterior à ação do outro, ela contribui para a manutenção ou não desse comportamento. É porque muitas vezes a gente vê, e é necessário ver, um relacionamento como duas pessoas. Essas duas pessoas têm essa história individual, mas ele também é um certo sistema, né? Isso. Então, quando a gente está falando isso de que a sua resposta pode estar mantendo ou piorando, a gente está pensando no sistema.
na relação. O todo. Está piorando a relação. Não está ajudando. Isso não torna você a pessoa errada, ou a vilã, ou enfim. Não, assim, não é para ser uma questão de acusação, de constrangimento. Só mesmo de consciência.
isso é um sistema. Eu gosto de usar aquela expressão, assim, de vou tentar tornar ela menos chula, porque é uma tradução, acho que do inglês, assim, acho que eu já te falei isso, né? De não fazer o número 2 onde você dorme. Já te falei isso, né? É uma expressão americana que muitas vezes a gente esquece. Esquece? De que se eu...
Se eu tô recebendo grosseria de você e eu te der mais grosseria, eu não vou receber gentileza de volta. Provavelmente, né? E se tu recebe gentileza quando tu dá grosseria, isso também é bem problemático. Porque... Sim.
Quem é esse outro, né, que tá fazendo isso, assim? Porque esse altruísmo é altruísmo ainda, né? Sim. Enfim. Como é que tá essa relação como um todo? É sempre assim? Ou esse momento em que você dá gentileza quando recebe grosseria?
aquele momento de tem alguém dando um passo pra trás pra gente não levar essa discussão até o infinito, até eternamente até o momento em que a gente já vamos se divorciar logo, vamos terminar logo sabe uma coisa que eu fiquei pensando um exemplo prático pra isso
Pra gente acessar um ônibus, né? Aqui, ônibus, transporte público. Se eu não estiver na parada, acenar, o motorista não visualizar, parar e eu me movimentar pra entrar, eu não tenho acesso, assim, ônibus. Existe um sistema, né? Sim.
Eu preciso ir até a parada, eu preciso movimentar o braço, uma outra estudante precisa me ver, parar e eu preciso subir. Então, não tem como ele fazer sozinho e não tem como eu fazer sozinho. É tipo isso, né? Mesmo que tu esteja lá acenando.
E vamos supor, se ele não parou porque tu esteve lá acenando, beleza. Tu se comportou e a ação ali... Mas é todo um sistema que uma ação leva a outra. Então, quando a gente pensa em erros no relacionamento, a gente também precisa... Erros que são repetidos, a gente precisa entender qual é o meu papel que contribui pra isso, né? Sim, o que que tá acontecendo, né? Por que que isso continua se repetindo?
E eu acho que essa mesma lógica serve para o sucesso do relacionamento também. Exatamente. Eu oportunizo que o outro converse? Eu oportunizo que o outro fale? Quando ele fala, eu consequencio como? Eu respondo de forma a... Não, continua falando. Não, você tem razão. Não, é verdade. Me desculpe. Ou eu fico... Ai, meu Deus.
esperando a minha vez de falar, entendeu? Tipo, eu não escuto o que eu tô falando, eu tô aqui, ó, estabelecendo os meus critérios pra me defender, entendeu? É engraçado, muitas vezes na interação dos casais dentro da terapia de casal, eu vejo isso, né? Eu pergunto alguma coisa pra alguém, a pessoa tá falando, aí às vezes eu olho assim de lado e eu vejo
na testa da pessoa, assim, que ela não está ouvindo o que a outra pessoa está falando, ela já está argumentando ali dentro e separando uma lista mental de todas as coisas que ela vai discordar e acusar depois.
É verdade. E aí, assim, é aquele momento que a gente pode... Ei, me espera aqui só um instantinho e volta assim. Fulano, depois eu vou te pedir pra me dizer o que você tá entendendo aqui do que a fulana tá dizendo. Me diz, viu? Congela esse momento. Eu falo assim, grava isso daí que a gente vai já voltar. Já vai voltar. Então, eu acho importante a gente entender que o sucesso e o...
fracasso da relação, existe uma corresponsabilidade, né, amigo? Mais uma vez, assim, um asterisco bem grande, relacionamentos saudáveis, minimamente... Sim. Que não são violentos, né? A gente precisa ter muita responsabilidade com isso, até porque provavelmente, eu acho que em números mesmo, a maior parte do nosso público é feminino, né? É, exato. E a gente tá aí num mês, num ano de...
muita misoginia de absurdos se tornando cada vez mais públicos contra mulheres e a gente não tá falando desse tipo de relacionamento a gente tá falando de novo a gente tá sempre falando aqui de crimes do coração essa coisinha assim, sabe? que a gente trata na terapia a gente trata na terapia, sabe? não na delegacia
Exato, perfeito Então, a gente tá falando dessas coisas E a gente vai ser repetitivo porque é muito importante Depois vocês vão pegar uns cortes aí Dizem que a gente tá falando absurdos Ilo, tu consegue pensar em alguma Alguma situação que tu já viu na clínica Ou na tua própria vida Onde G, A
as pessoas envolvidas não tinham essa concepção, essa clareza, que embora elas fossem, de alguma forma, vítimas do que estava acontecendo ali, elas também eram corresponsáveis pelo ciclo? Acho que todo dia.
Todo dia. Todo dia, assim. De verdade. Acho que todo paciente, quando chega na clínica, alguns mais do que outros, chegam sem essa consciência. Porque o casal começa a discutir e a discussão vai escalando justamente isso. Eu não paro para olhar o meu erro. Eu não paro para olhar de que forma que isso está piorando a situação. A gente ou se afasta e depois entra embaixo e se afasta de novo e as coisas vão para debaixo do tapete.
Ou então Eu lembrei de uma vez Acho que uns dois, três meses atrás Porque às vezes eu e o João A gente vai andar de patinete, né E aí, era uma sexta-feira Eu já tinha terminado de trabalhar E tava só me esperando E eu terno de trabalhar mais tarde Aconteceram imprevistos, eu tive que resolver E aí Quando eu acabei de trabalhar Eu falei, amor, pronto Agora eu vou só comer Aí ele fez uma cara assim E aí
Aí eu olhei assim pra ele... Que foi, João Vitor? Quase isso. Eu falei assim, João, eu não tava de pra cima não. Extração, palavrão. Agressivo, eu tenho noção. Eu tava trabalhando e agora preciso comer. Isso aqui é o que eu tenho pra dar hoje.
Aí o pobre ficou calado. Mas por que eu tô dando esse exemplo? Tirando o tom, né? Mas eu queria contextualizar pra ele o que talvez ele não tava vendo. Talvez ele tava sob o controle das milhares de vezes que a gente vai sair e eu digo, tô pronto, e eu nunca tô. E a gente atrasa e a gente demora pra sair porque eu já tô na porta e eu volto pra pegar alguma coisa, pra fazer alguma coisa.
E enquanto ele está ali pronto há muitos minutos, talvez quando ele fez essa reação de Ai meu Deus, ele estava sob o controle disso, mas eu queria explorar, explorar não, mostrar para ele
O que que ele não tava sob controle, entendeu? Que era importante que ele ficasse sob controle. E aí eu acho que esse é um exemplo de que talvez se eu só... Tá bom, amor, vamos, depois eu como. Sim. Pra, né, enfim, eu seria corresponsável por naquele momento eu estar sendo...
não vista, entendeu? E se ele também não chamasse a minha atenção, já movamos, e ela tá só enrolando, ele fala que eu enrolo muito, é verdade, tá só enrolando pra sair. Eu também não ia entender que isso incomoda ele, que talvez aquelas coisas que eu achava que eram urgentes, que eu tinha que resolver ali naquele dia, não eram urgentes, eu poderia ter deixado pra segunda, entendeu? Enfim, faz sentido pra você? Faz, faz demais.
Porque lembrando que Essa semana, eu acho que foi semana passada Teve um evento assim lá em casa também Eu tava tentando dormir O Dilsen é essa pessoa assim que vai Entrando à noite E eu sou a pessoa diurno Mas eu tava Tentando dormir Deitado lá e eu tava direto Escutando uma batida de vidro No mármore
E uma vez, e duas vezes, e três vezes, quatro, oito. E eu tava assim, na cama, né, já. Aí quando eu abro a porta, que a porta dá pra ver assim, a cozinha, que eu nem olhei assim, eu já fui assim, Gilson, o que é isso? E não viu. Aí o coitado tava com uma quentinha de frango, assim, na mão, com a colher assim, ó, olhando pra mim. O quê?
Aí as batidas aí, para com isso, eu quero dormir.
Aí eu já tava estressado, né? Aí piorou, porque eu vi que ele tava comendo a quentinha de frango que eu tinha feito, né? Pra gente. As quentinhas de frango desfiadas e tudo mais. Aí eu vi que já tava quase vazia. Aí pronto. E eu tava comendo a quentinha todinha. Aí o bichinho ficou mais murcho ainda, né? Ainda bem que ele não escalou essa briga. O que ele poderia ter escalado, né? Seria justo. A gente já vai conversar sobre isso. Mas ele não escalou essa briga. Ele não piorou, né? Assim.
E que interessante, né? Se eu fosse a tua terapeuta e eu ouvisse a tua, vai sair e dizer, caramba, mas você estava com sono, você estava cansado. Você tem um histórico de ficar com ele até mais tarde. E se eu fosse a terapeuta do Dilson, somente vai dizer, nossa, mas foi desrespeitoso, né? Que grosseiro. Que grosseiro. Então, assim, eu consigo passar, eu sempre falo para os meus casais, as duas dores são válidas aqui. Essa é a dificuldade da terapia de casal. Essa é a dificuldade de um relacionamento, né? É.
A gente empatiza mesmo, né, Amigo? Se eu insistir demais que eu estou certo, o Dilson fica vulnerável. Se o Dilson insistir demais que só ele está certo, eu fico vulnerável. Então, assim, às vezes é uma situação em que tá... E se só um fica vulnerável, a relação fica vulnerável, né?
É o que eu tava pensando aqui. Se depois eu não tivesse chegado pra ele e pedido desculpa pela forma como eu reagia, eu tava com muito sono, tava cansado, tava com dificuldade de dormir, eu tinha feito aquelas quentinhas, tava planejando organizar elas na semana pra gente comer separado e tudo mais. Tipo assim, nas quentinhas organizadinhas, né?
Sei lá, ele ia ficar com receita Tipo assim, será que eu não posso comer o frango da minha própria casa? Porque o Will vai brigar comigo? É, exato É isso que eu quero pro meu relacionamento? Não é não E se ele não entender também Que o porquê da tua dor Ele também não vai Numa próxima vez Talvez, não, deixa eu ver aqui Será que aqui já tá Porcionado, né? Será?
Não, eu vou comer aqui, mas amanhã eu pensei em comprar aqui para repor e ajudar ele, porque eu sei que ele também vai precisar. Então, assim, tentar contextualizar o comportamento do outro e o seu comportamento ajuda a ver a totalidade da relação. Exatamente. É difícil? É muito difícil. Mas é possível? Sim. E a gente estava falando aqui de justiça, né? Porque é isso, assim...
Se a gente se deixa guiar pela noção de que não é justo que o Hilo esteja gritando comigo, e eu bato o pé nisso, tipo assim, não é justo e pronto. E eu também bato o pé no não é justo que ele esteja comendo, ignorando, enfim, todas essas coisas. Isso não leva a lugar nenhum.
Justiça. Eu travei aqui porque eu não sei o que é que vocês vão fazer com essas informações, que vocês generalizam assim pra umas coisas, às vezes. Tá na regra, né? Mas assim, justiça é uma coisa que eu não sei se cabe às vezes num relacionamento. É. Na verdade.
É isso, assim. Porque justo seria 50%, 50% sempre, né? É isso, assim. Eu não posso ser fraco e esperar que você me dê um pouco mais. Você não pode ser fraco e esperar que eu te dê um pouco mais. Eu já lavei três pratos, agora esses outros três são seus, né? O lugar de ressentimento que isso não vai criando num relacionamento. Leva vocês pra qual relação, né? Parece que é uma relação de eu só faço se o outro fizer. E de devolver, né?
Até o exemplo que a gente fez, acho que no primeiro episódio, no segundo, não lembro, que a gente brincou que tu me chamou de víbora, não sei. Tu guardou no coração, foi? Guardei. Aí, agora eu vou me vingar, né? Porque a justiça é isso. O Ilo me chamou de víbora?
Eu e se eu fosse chamar ele de corna, eu vou me sentir vingada. É justo, porque ele me feriu primeiro, agora ele tá se sentindo ferido. Tá, mas e aí? Isso vai levar a gente pra onde, Ilo? Vamos deteriorar tudo. Não vamos acabar nem a segunda temporada desse jeito. Acabou. Encerra. E eu acho que é muito legal a gente falar sobre isso, assim, justiça enquanto um valor individual precisa ser muito bem...
ajustado enquanto o valor da relação, entendeu? Perfeito, acho que é isso que tu fala, porque a gente tava falando, né, de como esse sistema é composto por duas pessoas, mas também funciona de uma forma muito específica. Exato. Talvez a gente tenha que transformar a justiça individual numa justiça relacional, né? E isso, às vezes, é outra coisa. É outra coisa, não é meio a meio, é tipo...
O Willow trabalhou a semana toda, essa semana eu fui mais tranquila de pacientes. Então eu vou dar baixa aqui nas nossas pendências, mesmo eu já tendo dado baixa nas minhas antes. Mas porque é justo, porque eu contextualizo, é justo porque eu empatizo, é justo porque naquele momento...
eu me sinto produzindo amor nessa relação, cuidando desse outro, né, e não porque na próxima semana vai ser o contrário, ele vai e vai fazer isso por mim, ou então eu vou pegar e vou jogar na cara dele e vou dizer, olha, semana passada eu fiz por ti, agora é tua vez. Não. Então, eu acho que a justiça, enquanto um valor da relação, precisa de contexto.
Porque se você também está Sendo constantemente essa pessoa Que está sempre dando mais Ou sentindo que está dando mais e não recebendo Isso já diz de Coisas que precisam ser conversadas e vistas Nessa relação Até o ponto do, às vezes Que é um outro ponto que eu acho importante a gente Prisar nesse episódio Que às vezes o outro não consegue fazer Por você, porque você não dá espaço Né?
Não dá espaço, não dá contexto, né? Não dá contexto. É você que paga as contas, que tem os aplicativos de banco, cartão todos no teu celular. Que cozinha. Que cozinha. Que vai no supermercado, né? Então, assim, vai ser difícil o outro ser justo com você também, porque... E talvez abrir espaço para esse outro chegar ali, né? Vai envolver convidar ele.
suportar um pouco do desconforto das coisas não serem feitas por você, nem do seu jeito, nem do seu tempo, mas serem feitas, né? É um fato. É um outro tipo de paz que você vai querer. Inclusive, Lu, isso me faz pensar o quê? No que a gente estava falando no início, que é o quê? Isso do eu não deixar o outro fazer por mim, né?
Eu tô sempre fazendo muito, muito, muito, muito, muito, muito, e o outro tá sempre fazendo pouco. Se eu olhar pro lado dele, de fato, ele tá sendo escorão, ele tá sendo negligente. Folgado. Folgado. Então, existe uma parcela de erro, entre muitas aspas. Só que se eu não oportunizo que ele faça, existem parcelas de erro também, na minha parte, entendeu? Por isso que a gente é responsável pelos erros e pelos acertos da relação, né?
Os dois, né? Então, acho importante, né? Isso do você oportuniza o quê na sua relação, né? Bem... Sim. Tava pensando aqui. Eu fiquei do meu tempo. Sim, amiga. E eu tava pensando que às vezes é necessário que a pessoa transforme isso de forma concreta, né? Eu não sei se foi na temporada passada ou foi em alguma sessão de terapia que eu pedi isso.
Vou pedir de novo. Vou pedir de novo, assim. Sabe aquele momento que você fica pensando assim, ah, eu não sou nenhum santo, nenhuma santa, eu erro também. Mas ela ou ele, dá uma pausa assim nesse mais, volta duas casas e me descreve, te descreve aí, o que é isso que você faz que não é tão santo assim?
O que é que você faz Que piora as discussões É o tom de voz É o que você diz É um afastamento E o que é que você faz Que gera aproximação nessa pessoa Também é um outro tom de voz Que talvez você possa modular melhor É Eu acho que é tipo Ah, eu não sou nenhum santo Eu faço isso, eu faço aquilo Eu falo isso, eu deixo de fazer isso
Eu critico, eu ignoro, eu me afasto. Eu negligencio. Eu sou irônico com você. Eu sou irônico, sou cínico. E eu sou presente, eu sou parceiro, eu estou disposto a conversar, eu sou... Né?
Entenda que aqui a gente não está querendo dizer que você é uma boa pessoa ou que você é uma má pessoa. Você tem dentro de você todas essas possibilidades de ação. Exato. De ser presente, uma pessoa que doa, que é carinhosa, mas também cínico, cínica, grosseiro, sabe?
Isso que tu tá falando é muito, muito importante. A gente não tá falando sobre você ser uma pessoa boa ou ruim. A gente tá falando de ações que você pode se engajar pra te aproximar.
De uma vida mais satisfatória, de uma relação mais satisfatória. Porque parece até uma coisa inata, né? E a gente sabe que as pessoas têm a tendência a usar essa relação causal, né? Eu faço isso por conta disso, mas não. Você faz isso porque escolheu mesmo. Agiu assim, de forma intencional, consciente ou não, mas existe um processo ali de... Não é escolha a palavra, mas... Não é escolha não, não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não
Não é uma relação que você não consegue não fazer. É isso que eu quero dizer. Não é uma coisa automática. Que é um dominó. Derrubou a primeira peça e derrubou todas as outras. E vai, né? E vai, né? É algo que é passível de mudança. É algo que é uma ação que de alguma forma talvez entre...
O estímulo e a sua resposta, você não usa esse espaço. E aí por isso que você acha que é o estímulo-resposta. Estímulo-resposta, não é assim. A situação... Mas existe esse espaço. A gente tá querendo te convidar a ficar nesse espaço pra decidir... Em que você tem consciência do que é que você faz antes de agir, né? Exato. Acho que pra finalizar, a Hilo, a gente pode...
lembrar, tu lembra do mapa do nosso amor? Ah, verdade. Eu acho que cabe aqui. Cabe demais. Nós temos um ebook, né, chamado Mapa do Nosso Amor, que está disponível no link da nossa bio, né? É. E aí, esse ebook ele é bem legal porque ele faz a gente notar a relação
Gente, vai ser uma venda bem natural mesmo. Não estava no script, não estava no roteiro. E faz muito sentido com isso que a gente está conversando de verdade. Faz muito. Faz. Porque ele é uma forma de você se enxergar e enxergar o outro a partir desse sistema que a gente está falando. E não sob a sua pele, mas de fora dela. É como se você saísse. Deixa eu ver aqui minha relação. Ixi, está acontecendo assim. É isso que eu faço, é isso que ele faz, é isso que ela faz.
Então, eu acho que vale a pena vocês darem uma olhadinha, porque eu acho que vai fazer você talvez pôr em prática isso do erro e acerto, né? Sucesso e fracasso. Como possibilidade de ação, né? Como possibilidade de ação, como responsabilidade, né? É isso. Acho que é isso, né, Ilo?
Exatamente. Você não vai sair daqui com autorização de uma carteirinha de boa pessoa, de pessoa ruim, mas de humano, humana. A gente falou aqui, nós somos terapeutas de casal, a gente falou aqui de momentos em que a gente se estressa, perde a linha, e depois a gente dá um passo para trás, pede desculpa, expressa, compartilha. Acho que esse é um movimento de um relacionamento saudável. E na próxima a gente tenta fazer diferente, né, Ilan? Exatamente.
É isso? É isso. Próxima semana nos vemos. Próximo episódio sai em sete dias. Meio dia, sexta-feira que vem. É, meio dia, sexta-feira que vem. E quem não viu os anteriores, dá uma voltinha aí, dá uma... Isso. Os anteriores eram só áudio, agora nós temos aqui vídeo pra vocês verem a nossa cara. Beijo. Beijo, tchau.