Estagnação do Governo e aprovação em baixa: Lula pode desistir da eleição?
No Central Meio de hoje, Pedro Doria, Luiza Silvestrini e colunista do Meio e diretor-executivo do Livres, Magno Karl, conversam sobre as derrotas sofridas pelo Governo Lula no Legislativo e o possível impacto sobre a candidatura de Lula e a eleição presidencial.
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- Regulação de esportesLegalização das bets e demora na regulamentação · Bets como fonte de arrecadação para o Estado · Tratamento da política como tema adulto e a questão do prazer · Comparação com o tabagismo e alcoolismo · Impacto financeiro das apostas na vida dos brasileiros · Diferenças entre legalização de drogas, aborto e bets
- Possível quarto mandato de LulaMedo de ser preso e circunstâncias políticas · Erros políticos do mandato: estímulo ao consumo e endividamento · Política de olhar para as bets como fonte de arrecadação · Erro de política externa e afastamento do eleitor liberal · Retórica contra o Banco Central e responsabilidade fiscal
- Campanha eleitoral do PTLula cansado e a possibilidade de aposentadoria · Haddad como candidato com maior apelo ao eleitorado liberal · Possibilidade de chapa Haddad-Alckmin ou Haddad-Alessandro Vieira · Dificuldade de Haddad em atrair o voto nordestino e das senhorinhas · Haddad como aposta para o futuro e mudança geracional
- Eleições LulaDesenrola 2 para renegociação de débitos · Impacto da aprovação e popularidade de Lula · Possibilidade de outro nome do PT na disputa presidencial
- Estratégia eleitoral do Lula e negociações com CongressoRejeição de Jorge Messias para o STF · Derrubada de vetos do PL · Derrubada da dosimetria
- Debate sobre Liberalismo e Liberdade IndividualDireito de viver sem opressão · Combate ao patrimonialismo e busca por um Estado impessoal · Diferença entre liberalismo e anarquismo · Liberdade individual versus impacto na sociedade
- Rejeição de Jorge Messias pelo SenadoDerrota histórica para o governo Lula · Desarranjo entre Executivo e Legislativo · Centralização das escolhas de Lula para o STF · Dificuldade de popularidade do governo · Controle do Senado por Davi Alcolumbre · Interpretação
Olá, boa tarde, seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinda ao Central Meio. Hoje é terça-feira, 5 de maio de 2026. Eu sou Pedro Doria e comigo está aqui no estúdio do Rio de Janeiro, Luísa Silva Estrini.
Uhul, tudo bem? Tudo bem, eu gostei do Uhul, sabe? Estou animada para apresentar o programa hoje, encontrar os meus colegas, meu chefe. Principalmente, eu estou sensibilizada com a fé que a nossa audiência tem em mim, porque eles estavam dizendo aqui, hoje a Luísa está na bancada, o programa vai começar no horário. Gente, eu fiz o que pude, não pude muito, mas estamos aqui. É, o problema está na chefia. O problema é sempre na chefia. Proletários de todo mundo unidos, é o meu lema pessoal.
Pois é, vocês percebam que ele tem lugar de fala para falar sobre isso, né? Bom, boa tarde, Pedro, e boa tarde, Magno Cal, que também está com a gente em São Paulo. Oi, Magno, boa tarde.
Boa tarde, Luísa. Boa tarde, Pedro. Gostaria de destacar que eu também estava na bancada, então me unirei aos outros proletários nessa rebelião, porque a nossa audiência não pode esperar. Até o fim do programa tomaremos o meio de produção. Eu adoro essa piada, gente. Desculpa. Esse sorriso no canto do rosto que eu vejo no seu rosto, assim, Magno...
Ele não teria nada que possa, porventura, ter acontecido após o 39º minuto do segundo tempo em algum jogo que tenha acontecido, talvez no domingo no Maracanã. Pode?
Eu me arrependo de poucas coisas, Pedro e Dória, mas uma delas é de ter perdido a oportunidade de ter ido ao Maracanã, viver aqueles 10 minutos gloriosos ao final do jogo, depois de 80 minutos de absoluto desespero. Eu não estava assistindo o jogo, eu estava só ouvindo, porque eu já estava antecipando a tragédia. Quando sai um gol, uns 8 minutos do primeiro tempo, eu falei, tá aí, tá vendo? Olha a tragédia.
Depois tivemos 10 minutos gloriosos para aqueles que foram fortes o bastante para ficar no Maracanã até o 38º minuto do segundo tempo. E aí houve uma certa redenção, não uma redenção total, que seria uma vitória do Vasco da Gama, mas ao menos evitamos uma tragédia maior. Foi futebolisticamente merecido, meus parabéns. Sabe que foi a primeira... Muito gracioso.
Pode dizer, Marcos. Muito gracioso da sua parte. Foi a primeira vez. A gente sempre diz que o Pedro fica com o seu sentimento rubro-negro inflado demais. Cada vez que a gente fala de futebol, ele não hesita em contar vantagem, mas hoje ele está humilde. Está dando parabéns ao adversário. Eu reconheço que...
Foi merecido. Foi merecido. Eu achei engraçado porque eu acho que foi a primeira vez que os vizinhos acordaram meus cachorros com o gol do Vasco. E eu achei que estivesse ganhando. Aí eu liguei a TV e era um empate, né? As pessoas celebrando, né?
Eu quase gritei da janela, Luísa e Pedro. Na hora do segundo gol, eu quase gritei da janela. Mas eu olhei de canto de olho pra minha namorada, ela olhou pra mim e falou assim, não, não. Aí eu fiquei na minha. Eu gritei silenciosamente, assim, só fazendo um gesto e voltei a sentar comportadamente. Isso. Achei prudente. Achei.
É, voltei a sentar. Eu estava na casa dela, então, quem manda ela, né? Bom, gente, vamos trabalhar, né? Olha só, o governo Lula 3 está vivendo um momento difícil. As sucessivas derrotas no Legislativo, com a rejeição do Jorge Messias para o STF e a derrubada dos vetos do PL e da dosimetria, dão a impressão de uma gestão amarrada. Pode-se discutir o quanto disso diz respeito ao governo e quanto diz respeito ao Legislativo, claro. Mas o fato é que, para a coisa andar, um precisa do outro.
Pois é, gente, já para tentar sair da estagnação eleitoral, o governo mira no bolso do brasileiro. Com o endividamento batendo recorde, lançou o Desenrola 2 para quem ganha até R$ 8 mil por mês para que possam renegociar débitos pendentes. Os descontos são até de 90%, com prazo de até 4 anos para pagar.
Mas e se a expectativa do governo não se confirmar? Se a aprovação não subir? Se a popularidade de Lula não responder como esperado nas pesquisas? Pode haver um outro nome do PT na disputa presidencial em outubro? E se for o Haddad? Esse é o nosso tema de hoje. Então, se acomoda aí, deixa seu like, já manda sua mensagem para a gente, porque o Central Meio está no ar.
Bom, Pedro, Lula parece um candidato consolidado, né? E apesar dessa situação toda que a gente descreveu na abertura, não é uma eleição perdida, né? É uma eleição difícil, mas não é uma eleição perdida. Você acha que mesmo assim tem chance de não ser ele o nome? Cara, vamos lá. Bota um árduo na tela. Vamos compartilhar essa conversa. Eu acho o seguinte. O que eu estou ouvindo de fontes diversas?
Primeiro, Luiz Inácio Lida Silva quer ser candidato. Ele é de briga, ele gosta de briga. Eu sigo entre as pessoas que acham que ele é o candidato do PT, ele é o candidato da esquerda e não haverá outro ponto. Tem um aspecto que não estava no meu radar e que entrou no meu radar, que é o seguinte.
O Lula tem medo de ser preso. O Lula acha que as circunstâncias políticas...
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No caminho da Lava Jato, aí foi solto por uma decisão do Supremo. Bolsonaro foi preso por um motivo radicalmente diferente. É sempre bom lembrar, o Lula não foi preso com trânsito e julgado. Aquele processo todo foi anulado. Não existe um processo em curso contra o Lula. Não existem fundamentos jurídicos para justificar uma prisão hoje.
Mas aí houve a tentativa de golpe de Estado, o Jair Bolsonaro terminou sendo preso por causa dessa tentativa de golpe de Estado. Neste caso, houve trânsito em julgado. Quer dizer, são circunstâncias de prisão muito distintas. O Lula acha que o Supremo pode entrar num acordão ali na frente com a família Bolsonaro, com o Centrão.
E que isso leve a uma prisão dele. Ele, pessoa física, Luiz Inácio, considera que essa é uma possibilidade. Então, um dos motivos pelos quais ele quer ser candidato à presidência do Brasil é para não ser preso. Tem isso. Agora, além disso, tem uma questão que é a seguinte.
Está difícil para ele, não está fácil para ele. E existem duas razões para as quais a coisa está difícil para ele. Além, evidentemente, da polarização afetiva e tudo mais. Ele cometeu, eu considero, dois erros políticos, um de política pública, um de política, sérios nesse mandato. O primeiro foi aquele cacoeste desenvolvimentista de tentar estimular o crescimento da economia pelo consumo.
tentar estimular o crescimento da economia pelo consumo no momento em que o brasileiro estava endividado pra cacete. Aí fez o desenrola e estimulou as pessoas a pegar empréstimo consignado, a se endividar mais.
Cara, isso virou uma bola de neve. Quando a população já endividada, já desenrolando uma dívida, cria outra, você estimula isso? De fato, você vê o número do PIB crescendo. Aí está lá a turma do PT assim, não, mas olha a economia, o PIB está crescendo. Como assim está ruim? Você está fazendo o PIB crescer como? Estimulando as pessoas a tomarem dívidas para consumirem, para comprarem coisas que não necessariamente elas precisavam comprar naquele momento.
E aí você tem, em paralelo, no pacote política pública, você tem a decisão de olhar para as bets e, como o governo é um governo que, por um lado, que bom, se preocupa de alguma forma com o endividamento público, o governo da Dilma fingia que essa questão não existia.
O governo Lula tem essa preocupação. O Haddad, como ministro da Fazenda, sempre teve essa preocupação. E eu acredito que o Lula tenha um pouco dessa preocupação, porque senão eu teria botado o Muguito do Manteiga, teria botado a Luiz Mercadante como ministro da Fazenda. Ele não fez isso. Ele pôs alguém como Haddad, que entende que equilíbrio fiscal é importante. Só que é aquela decisão de você fazer o equilíbrio fiscal pela arrecadação.
Não pelo corte de gastos. Eu não sou contra cobrar imposto. Eu acho que tem que cobrar imposto, mas... Mas quando você começa a elevar demais a carga tributária, isso vira um peso para o brasileiro. E o governo Lula olhou para as bets e o que enxergou nas bets? Uma oportunidade de arrecadar imposto. Está valendo. Um dos grandes problemas que a gente compreende hoje...
no endividamento do brasileiro é bete esse negócio principalmente entre os homens vicia entendeu é aquele é aquele troço compulsivo que você não consegue parar de fazer e de certa forma quando o a maneira como o governo escolheu olhar para as betes foi fonte de renda para o estado
não como precisamos cercear aqui, ajudar as pessoas a lidarem com sua compulsão. Não estou falando de proibir, não, Tha Luísa. Mas você desenvolve políticas públicas para proibir aquele hábito, entendeu? Porque esse é um troço que prejudica a economia do país. Esse troço drena uma quantidade considerável do salário de um pedaço importante dos brasileiros, principalmente na classe C, principalmente nas periferias humanas.
Isso são crises das famílias e tudo mais. A gente tem controle para tabaco, a gente tem controle para álcool, a gente tem que ter controle para a bet.
Entendeu? Políticas de controle. Você tem que ter uma publicidade oficial dizendo, olha, isso aqui traz o risco X, Y, Z. Você tem que obrigar as Betes a terem limites, a darem reports para a saúde pública mais densos, mais importantes. Tem uma série de coisas que você pode fazer além da proibição. Então, você tem o erro de política pública do Lula. E aí você tem o erro de política, que é o seguinte. É um país profundamente dividido.
O Lula precisa do voto feminino na periferia urbana e precisa do voto liberal. O voto liberal, nós não somos muitos, eu repito aqui todo o tempo, somos 6,5%, 7% da população, mas nós somos o swing vote brasileiro. E, cara, toda a política externa do Lula e todas as afirmações sobre política econômica do Lula...
Sempre foram para irritar a liberal. Digamos que, no caso da política externa, tipo, passar a mão na cabeça do Putin e ficar batendo no Zelensky, virar as costas por completo para a barbárie do 7 de outubro e super enfatizar o horror que o Netanyahu fez em Gaza, essa política de...
de tomadas de lado, né? É tipo, atrocidade de Bachar Al-Assad, tudo bem, a gente não comenta. Atrocidade do governo Netanyahu, nós dizemos que é um novo holocausto. Quando o Lula escolhe fazer esse tipo de discurso, ele afasta o eleitor liberal. E no caso da economia, a ênfase que o Lula botou, não, tem que gastar mais, a pressão que o Lula botou, a bizarrice é o seguinte.
Não foi um governo gastador como o governo Dilma, não foi um governo irresponsável como o governo Dilma, foi só retórico. É uma decisão de fazer uma retórica assinando para a esquerda? Tudo bem, estou exagerando. Foi um pouco além da retórica, não é um governo liberal, evidentemente. Mas a retórica do Lula contra o Banco Central, a retórica do Lula contra a responsabilidade fiscal durante dois terços do governo,
foi muito mais pesada na retórica do que nas ações de fato. Quer dizer, é uma escolha, é uma escolha de sinalização política que afasta um dos swing votes. E é o voto que ele vai ter mais dificuldade de atrair. Então, eu acho que o Lula criou problemas que ele não precisava ter criado. Em grande parte, por uma certa...
onipotência. Só queria fazer uma ponderação no caso das Betes, que é o fato de você ter dificuldade de colocar o gênio de volta na garrafa, porque as Betes foram aprovadas, passaram a ser legalizadas em dezembro de 2018, ainda no governo Temer, elas tinham um prazo, se não me engano, de quatro anos para ser regulamentadas e aí para se falar em fiscalização.
e em tudo que poderia ser feito para fazer esse acompanhamento, para determinar que algumas pessoas não pudessem fazer apostas, por exemplo, com dinheiro de programas sociais, etc. Isso não foi feito, esse projeto ficou lá, não foi assinado, e aí não houve essa regulamentação durante o governo de Jair Bolsonaro. A regulamentação aconteceu no início do governo Lula.
E aí, para fazer essa regulamentação depois, quando a coisa já está frouxa, já está solta, quando as empresas já estão operando, quando elas já têm um lobby no Congresso do tamanho que elas têm, é muito mais difícil. Então, eu concordo que esse plano deveria existir, mas todas as vezes que se tentou atingir betes no Congresso, isso foi muito difícil.
Você tem toda a razão, o Congresso é um obstáculo, o Congresso, em grande parte, está na mão das Betes, a regulamentação tinha que ter sido feita pelo governo Bolsonaro, que não o fez.
Mas isso não disfarça o fato de que o governo olhou para as bets e viu como fonte de arrecadação tributária. Não, eu concordo com você e eu acho que uma vez que você não vai conseguir regulamentar, você cobrar o imposto de alguém que vai causar um prejuízo desse de saúde pública é ok. Mas o presidente, tem uma expressão que os americanos usam, o Magno vai conhecer, imagino, que é the bunny puppet.
o púlpito do mandão, por assim dizer, que é uma expressão que vem do governo Teddy Roosevelt mais de um século atrás, no início do século XX, mas que essencialmente é o seguinte, o presidente da república tem um palanque permanente, o que o presidente fala...
A nação presta atenção, pode concordar, pode discordar, tudo mais. Mesmo não tendo poder político no Congresso, o governo sempre pôde escolher como priorizar uma campanha de conscientização a respeito das betes. Porque se o Lula abrisse mão, aba a boca, em tudo que o Lula... O Lula escolheu, por exemplo, ele escolheu ficar batendo em Israel o tempo todo.
Veja, é um direito dele e o governo Netanyahu é responsável por um morticínio absolutamente horroroso no Oriente Médio, que é equivalente ao morticínio que o Bashar al-Assad fez na Síria, que é equivalente ao morticínio que foi feito no Sudão, entendeu? Que é menor do que o morticínio que aconteceu cinco anos atrás na Etiópia. É só que você escolhe um morticínio e bota toda a lupa ali.
Ignora os outros como se os outros não estivessem acontecendo. Entende? Isso é uma escolha discursiva do presidente da República. É uma escolha do presidente pegar uma luneta e botar. Eu quero chamar a atenção para isso aqui tudo. Ele pode fazer isso. Ele não escolheu fazer isso com as bets.
E isso eu acho... Mas ele tem falado mal de Bet em todas as oportunidades que ele teve nos últimos meses. De dois meses pra cá, né? Porque eles viram os números e perceberam que, opa, isso aqui vira um problema. O problema é que agora é tarde. É, faz tempo que a gente tá falando que era um problema, a gente não é. Mas enfim, Magno, diz aí.
Pedro, Luísa, acho que as bets simbolizam um problema maior da política brasileira, e aí é dos políticos e do eleitor, então é um problema de oferta e demanda, que é tratar da política como um tema de adultos.
entre adultos e que se pode discutir temas de uma forma adulta. A gente opera a política, ou vê a política ser operada no campo moral o tempo todo. E falta no Brasil um campo político que trabalhe as questões de uma forma objetiva, racional, que seja honesta com o eleitor, mesmo que seja impopular.
Mas também falta, ou talvez falte, porque faltam eleitores dispostos a enxergar a política não como um lugar para os sonhos e aspirações, não para a gente projetar...
o mundo como ele deveria ser, mas para a gente, de fato, tratar dos temas que estão postos aí. As bets são problemáticas por duas razões, na minha visão. Uma, os políticos demoraram a entender o tamanho desse problema.
demoraram a entender o tamanho desse setor. Só havia um lado da chegada de muito dinheiro. Então, muita gente se beneficiou com a chegada das betes. Nós tivemos os clubes de futebol, talvez mais visivelmente, nós temos...
O ambiente do futebol com preços absolutamente inflados, porque de repente chegou muito dinheiro ali, nós tivemos mídias diversas sendo beneficiadas, as televisões, os jornais, os podcasts de esportes.
Tinham problemas de se financiar, há uma crise na televisão a cabo, há uma crise de anunciantes. E, de repente, as bets chegaram oferecendo um dinheiro muito bem-vindo, obrigado. Há vários programas que são patrocinados por duas, três, quatro, cinco marcas de bets. Há muitos jogos de futebol que são patrocinados por três, quatro, cinco marcas de bets. Então, todo mundo estava feliz. E o governo, claro...
viu nas Betis uma possibilidade de se financiar. Não é segredo para ninguém que o governo Lula, por exemplo, está atrás de arrecadação. E, no final das contas, todo o governo estará preferencialmente atrás de arrecadação ao invés do corte de gastos. Então, esse é um lado. Nós tivemos uma oportunidade para um monte de gente...
que era capaz de tomar decisão ou de influenciar a sociedade e escolheu receber o dinheiro das bets, muito bem, obrigado, e o povo que se vire. Da onde vem esse dinheiro das bets? Ou como as bets que estão nos financiando irão se financiar? A gente deixa para discutir depois. O outro lado disso é o nosso costume eterno, que eu mencionei anteriormente, de tratar...
o eleitor como um adulto. E a gente lida, sim, com as bets, a gente lida, sim, com álcool, a gente lida, sim, com cigarro, a gente lida, sim, com maconha, porque a gente acredita que o mundo é um mundo que existia 100 anos atrás. Que se a gente disser que não pode e que a polícia está olhando, as pessoas não irão fazer. A gente tem um mercado...
altamente tributado de cigarros, que a gente segue tributando mais e mais e mais, e hoje a gente tem mais da metade do mercado de cigarros no Brasil que não é tributado, que é ou falsificado ou contrabandeado. A gente tem uma série de drogas, por exemplo, a maconha, que a gente segue incapaz de discutir publicamente, sabendo que em qualquer cidade média do Brasil, quem quiser comprar...
Compra. Nós temos um mercado de bets que a gente segue acreditando que conseguirá, por meio de regulamentação, ao invés de propaganda e conscientização e tratamento para quem é viciado, fazer com que o fenômeno fique menos danoso. Nós não conseguiremos, porque nós temos isso aqui.
E acabou. Nós não deixaremos de ter as bets disponíveis para as pessoas. Nós precisamos mudar a abordagem. Mas mudar a abordagem significa reconhecer que as pessoas são adultas e nós estamos tratando como adultos. A reprovação moral tem um impacto. As igrejas conseguem ter um certo impacto pela reprovação moral.
no comportamento das pessoas, mas nós precisamos fazer com as bets o que o Estado brasileiro, que a sociedade brasileira fez com o cigarro, que diminuiu a adoção do cigarro. Precisa conversar com a sociedade e dizer como isso é danoso. Nós precisamos trabalhar isso de uma forma mais aberta. E aí, acho que pegarmos casos que são mais dramáticos e que são outliers até funciona você mostrar as pessoas que perderam 300, 400, 500 mil nas bets.
Funciona porque chama atenção, mas acho que a gente precisa tratar com mais proximidade do usuário normal. O usuário normal está perdendo 300 reais, está perdendo 400 reais, está perdendo 500 reais e tem impacto na vida dele. Ele não é o cara que perde 500 mil, mas para a maioria dos brasileiros, para acabar com o mês dele, não é necessário que ele perca 500 mil. É necessário que ele perca 500 reais.
E nós não estamos falando com essas pessoas. E acho que nem a parte da arrecadação, da reprovação moral ou a parte do lobby das vetes estão falando com essas pessoas. A gente precisa pensar nos pais de família brasileiros, e são majoritariamente homens de uma certa idade, o quanto isso afeta as suas vidas, como nós falamos do álcool, como nós falamos do cigarro. Uch, dê!
As famílias estão, sim, sendo ameaçadas e os números hoje já são dramáticos. O gasto em supermercado do brasileiro caiu. Então, isso dá uma dimensão para nós de como esse impacto está sendo sentido nas famílias.
Mas aí eu queria até ouvir vocês sobre o efeito que uma medida dessa tem, porque, por exemplo, infelizmente, Magno, a gente tem um retorno aos números do tabagismo como a gente não tinha há mais de 10 anos. Eu vou pegar esses dados certinhos, mas são do Inca. Eu tinha até sugerido uma pauta aqui no meio.
As pessoas voltaram a fumar, apesar do imposto que há sobre o cigarro no Brasil, que já foi mais alto, hoje não é tão alto, as pessoas estão voltando a fumar. Mas a questão é, quando a gente legaliza um mercado que pode causar prejuízos à saúde das pessoas, a ideia é exatamente você poder cobrar dessa indústria.
para que esse atendimento seja feito pelo Estado, já que essa indústria está lucrando com isso, então ela vai pagar bastante imposto e vai custear grupos de apoio em hospitais públicos, políticas de saúde pública, para o tratamento dessas pessoas que vierem a ter problemas com adicção nos jogos, enfim. Da mesma forma que quando a gente fala em legalização de drogas, é uma indústria que vai precisar pagar muito imposto, porque gera...
problemas para o SUS, por exemplo. As pessoas vão ser mais atendidas no posto de saúde, vão ser mais atendidas no hospital, isso vai gerar um custo maior. E é justo que esse custo venha dessas empresas que estão lucrando com o tabagismo das pessoas ou que estão lucrando com compra de maconha nos lugares onde é legalizada. Então, nesse caso, aumentar os impostos sobre as BETs...
Não é uma ideia ruim, né? É que deveria vir com mais coisas, com mais atribuições do Estado, com mais campanhas de conscientização, mas aumentar o imposto é do jogo, né? Aumentar o imposto é super do jogo. Deixa eu compartilhar com você uma experiência pessoal, Luísa.
Eu comecei a fumar com 19 anos de idade. No final, eu fui até os 30 e pouquinhos. Eu parei em 2006 de fumar, 2006, 2007 de fumar. E, cara, eu fumava, sei lá, desde 94, por aí.
Primeiro, é difícil. É difícil parar de fumar. Antes de eu parar de fumar, em definitivo, eu tentei duas vezes e acabei voltando. Hoje em dia, muito raramente, sei lá, depois de tomar um porre com o Christian, por exemplo, o Christian é um que tem o hábito de acender um cigarro depois que toma um porre.
E eu sempre acompanho ele e eu acho uma delícia. Eu sigo achando o cigarro uma delícia, uma maravilha. Tem momentos que eu estou tomando chope em algum lugar e alguém assina o cigarro três meses atrás. Eu não sou daquele... Assim como eu não sou um petista, um ex-petista que virou antipetista, eu não sou um ex-tabagista que virou antitabagista. Eu sou antitabagista sem ter sido fumante.
Uma pessoa aciona o cigarro. Nossa, eu começo a fazer assim, na cara da pessoa, pra ela perceber que tá me incomodando. O meu iliberalismo é expresso pela minha rejeição. Vai formar na sua casa, meu querido. Na minha cara, não. Alguém, três mesas ao meu lado ou atrás, acende o cigarro, a fumaça começa a vir pra mim. Eu fico... Sabe aquela coisa de...
De desenho do Tom e Jerry, que a moça está fazendo uma comida boa e de repente vem aquela fumacinha de cheiro bom e o Tom se eleva e vai flutuando. Pois é, talaco é uma delícia. Eu estou muito mais em forma física hoje, a caminho de 52 anos de idade.
do que eu tava com 32 anos de idade. Muito mais. A minha falta de pôlego era um troço inacreditável. A minha incapacidade... E não é uma coisa que acontece de repente com o cigarro.
É uma coisa que vai acontecendo muito lentamente. Você não percebe e você simplesmente é uma pessoa que você é um velho num corpo de jovem. É um troço muito inacreditável como troço ferra com você. Eu ia falar dos números. Houve um aumento que parece pequeno de 9,3% de adultos fumantes nas capitais.
de 2023 eram 9,3, passou para 11,6 em 2024, e esse crescimento preocupa porque interrompe uma trajetória de declínio histórico do tabagismo no Brasil, ou seja, depois de 20 anos é a primeira vez que esse índice sobe. E tem a ver com os jovens que estão fumando cigarro comum e com os jovens que estão indo para o vape, que não é nem legalizado, né? Claro. O Newden faz o seguinte comentário, muito simpático e altamente moralista.
A meu respeito aqui nos comentários. Em resumo, ainda é fumante. Mas, rapaz, você acha o quê? Você acha que a alcoólatra deixa de gostar de álcool? Entendeu? Adicção química. É isso. Você nunca deixa de ser. Depois que o seu cérebro experimentou daquela substância, a necessidade está em você. Eu sou um adicto.
Entende? E isso é... Nós, seres humanos, somos programados para ter e desenvolver adicções. Então, você trabalha para não as telas, entendeu? Tem uma história muito interessante sobre o Mao Zedong.
que num determinado momento, ele, como uma quantidade imensa de chineses da primeira metade do século XX, desenvolveu uma dependência de ópio, e os opiáceos são os piores, né? Os americanos, nesse momento, com drogas feitas para dor, que o digam.
Nenhuma substância, me parece, tem uma capacidade de adicção tão pesada quanto os derivados da papula, os opioides em geral. E o mal era dependente químico de ópio e ele lidou no que a gente chama de cold turkey. Ele se trancou numa sala colchoada.
por alguns dias e ficou se debatendo lá. Tipo, se livrar de uma adicção química é barra pesada, mas o que se livrar de uma adicção química faz com você é o seguinte, você consegue quebrar o ciclo de precisar daquela substância o tempo todo. Mas se você volta em algum momento a consumi-la,
Por... Por quê? Sei lá. Ah, não, não preciso mais? Volta tudo, cara. Porque seu cérebro já está programado. Entendeu? Volta tudo. O dia que eu comprar um maço de cigarro, eu tenho certeza de que amanhã eu estou comprando o segundo maço de cigarro.
Pois é, a Cristine Coelho diz aqui, sou igual a Luísa. Gente, só para deixar claro que eu não sou tão chata assim, eu não gosto do cheiro, mas o que me incomoda é que principalmente depois da pandemia, bom, eu comecei a frequentar bares, restaurantes e baladas antes da lei antifumo, que se não me engano é de 2006, eu vou pesquisar aqui. Mas aí, até a lei antifumo começar a vigorar, eu lembro de chegar em casa...
que a roupa precisava quase ser jogada fora, assim. Era um fedor horroroso, assim, fumacê, cheiro no cabelo, porque as pessoas fumavam em ambientes fechados, gente, isso acontecia. E aí, por muito tempo, essa lei pegou, né, como a gente diz aqui no Brasil, muito bem.
Até a pandemia. Quando a pandemia veio, talvez os donos de estabelecimentos comerciais aqui no Rio de Janeiro, principalmente, tenham ficado com receio de expulsar a clientela depois, quando as coisas voltaram a funcionar. E de lá pra cá, você sai de casa e só tem um fumaceio horroroso em todo lugar, porque as pessoas voltaram a fumar em ambientes fechados. Essa é a minha restrição com cigarro. Você pode fumar à vontade, só não precisa jogar sua fumaça na minha cara. É só isso.
A minha edição é muito mais radical, Luísa. Eu acho muito chato, muito ruim. E não dá nem onda. Eu não entendo porque as pessoas estão fazendo isso. Não dá onda, exatamente. Não dá pra entender. Por que você abre mão do seu direito de subir uma escada sem quase morrer só por uma coisa que não dá onda? Eu fico impressionada. Porque... Porque... Porque... Porque...
Dá uma ondinha. Cara, é que se você... Ele te deixa mais estressado para depois parecer que você está mais calmo. Se você pensa em onda no... Se você pensa em onda como, sei lá, o que maconha dá, que você vai para um outro lugar de capacidade cognitiva do cérebro.
Não é que você perca a capacidade cognitiva, THC não te deixa mais ter um raciocínio fluido linear. Mas, ao mesmo tempo, você ganha a capacidade de fazer conexões que você não necessariamente faria.
Ou então, álcool. A maioria das pessoas aqui devem ter experiência com álcool. E é claro que você vai para um outro lugar no cérebro. Você está pensando embalado, você fica mais emotivo, você perde alguma capacidade motora, que se manifesta na maneira como você não consegue andar reto.
Como você enrola a língua, vai tendo uma decadência, uma capacidade motora e tudo mais. Mas, ao mesmo tempo, é uma sensação muito prazerosa. Se você chama isso de onda, de fato, o tabaco não gera esse tipo de onda. Você não vai para um lugar diferente no cérebro. Eu não sei explicar exatamente o que é.
Porque eu acho que só fumante entende isso. Mas uma vez, um ex-chefe meu, Flávio Pinheiro, que é um dos grandes jornalistas que o Brasil tem, ele se aposentou tendo dirigido e organizado o Instituto Moreira Salles. Dirigiu o Veja, dirigiu o Jornal do Brasil.
O no ponto e o no mínimo foi número 2 do Estadão. Enfim, o Flávio era um cara brilhante. Uma vez o Flávio fez um comentário comigo sobre também 20 anos sem fumar e tal. O comentário dele foi, cara, a coisa que eu mais sinto saudade do cigarro é a companhia. Tem uma pausa que o cigarro te dá, entendeu? Aquele momento que você para, vai para um lado.
E, de alguma forma, ele deixa ligeiramente aéreo o cérebro, tá? É uma coisa sutil, mas ele deixa o cérebro ligeiramente aéreo. E é como se fosse uma pausa de um respiro em que você fecha duas ideias, em que você... E você ter aquele ritual... Eu sinto saudade.
E eu era um sujeito que ia morrer 15 anos antes do que eu possivelmente vou morrer. Então, eu acho que é difícil mesmo explicar o que é o cigarro. E eu só quero chamar a atenção, o que eu estou fazendo aqui não é estimular ninguém a fumar cigarro, não. Eu quero ressaltar o não detalhe de eu ia morrer 15 anos antes. Esse troço da câncer.
Uma das coisas mais certas de fazer para você ter certeza de que você vai ter câncer na vida é fumar durante 15 anos. Se você fumar durante 15 anos, nenhum outro hábito que você pode ter, a não ser, sei lá, tomar banho de radiação, nenhum outro hábito fácil de você adquirir na vida...
É tão certo de te dar câncer quanto fumar cigarro. Ou seja, péssima ideia. Porque não é só que você vai ter 15 anos de vida a menos. É que você vai ter 15 anos de vida a menos e os últimos cinco vão ser horrorosos. Então é uma má ideia. Eu só estou aqui tentando explicar. E olha só. Que bom.
Tanto que o Marco já está aqui no nosso Slack. O Marco é nosso diretor de vídeo aqui, que está fazendo todos os cortes das imagens e tal. Ele diz o seguinte, pitar é muito bom. Tem 20 e quanto, Marco? 25. Pois é, gente. 25 anos e um imbecil fuma.
Tem um ponto, Pedro, que eu acho que se relaciona como a forma que você está tratando o cigarro, que é o que eu estava falando anteriormente, da nossa dificuldade de tratar de temas adultos com pessoas adultas, como se pessoas adultas fossem pessoas adultas. Que são pensar nesses riscos, também tratando do prazer que ele oferece às pessoas. Não dá pra você alertar as pessoas do risco de uma atividade E aí E aí
sem reconhecer que aquela atividade oferece alguma coisa para as pessoas. A discussão moralista ou moral de uma atividade coloca o debate entre dois extremos, que é ou a gente deixa as coisas como estão, ou a gente proíbe. Ou é o tudo vale, ou é o nada vale. E a política tende a resumir essas discussões super complexas entre dois polos opostos, entre duas escolhas morais.
Ou você acha que as Betis podem fazer absolutamente o que elas quiserem, porque o bobo é quem vai lá apostar, ou você acha que tem que proibir tudo. Porque a gente tem dificuldade de falar com as pessoas e de falar com os eleitores. Os políticos têm dificuldade de falar com os eleitores.
Sobre o certo prazer que a Beth oferece às pessoas. Que drogas são perigosas porque elas oferecem prazer para as pessoas. Que redes sociais são perigosas, que o like vicia, que as pessoas vão ficando cada vez mais doidas nas redes sociais.
Porque existe um prazerzinho associado àquela atividade. Então, se a gente quiser tratar dessa questão de uma forma séria, a gente precisa tratar também do prazer que essas coisas oferecem às pessoas. As pessoas se vicinam em atividades que dão a elas prazer. E a gente não está tratando da realidade, a gente não está tratando das coisas como são.
falando delas como se fossem apenas opções morais erradas. Essa pessoa cometeu esse erro, ninguém sabe por que ela cometeu, ou essa outra pessoa simplesmente resolveu não chegar perto disso. É inexplicável o que leva a pessoa a optar por usar drogas, ou optar por usar rede social. Não, tem um prazer associado. E o ponto...
razoável em campanhas educativas. A gente tem, eu tenho 43 anos, então eu tenho um longo histórico de ver campanhas antidrogas na televisão, antitabagismo na televisão, e havia sempre uma dificuldade muito grande de falar a realidade. Um adolescente não consegue se identificar.
com uma campanha focada, olha, fumar vai fazer você perder o seu braço, mesmo que seja verdade que fumar possa lhe trazer, porque não consegue se comunicar com essa pessoa, não há esse contato. Não há o contato de o vape é gostoso, o vape tem um gostinho bom, o cigarro pode parecer legal, mas é uma dificuldade da política.
exatamente por essa questão que você acabou levantando ao final da sua fala sobre o cigarro, que é sempre a necessidade de dizer, pessoal, eu não estou endossando. Ao falar que existe um prazer relacionado a essa atividade, eu não estou endossando. Se é difícil para a gente aqui falar sobre isso sem fazer esse disclaimer no final, imagina como é para o Ministério da Saúde, por exemplo, poder comunicar à população brasileira dizendo que são prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos prontos pront
A excitação de você talvez ganhar 50% a mais do que você apostou é real, mas as suas chances de ganhar são menores do que perder. Então, preste atenção, existe uma necessidade...
de tratarmos dessa questão de uma forma adulta. No entanto, eu não acho que esse seja um problema do Ministério da Saúde ou do governo A ou do governo B. Há uma questão de oferta e demanda. Há uma dificuldade do governo, porque há uma dificuldade na população.
de tratar desses temas como se fossem parte da realidade. A gente, em geral, tende a optar por fechar o olho e fingir que isso, se a gente imaginar, ou se a gente tentar, ou se a gente quiser com força o suficiente, isso jamais acontecerá. Parece trazer um conforto maior às pessoas do que simplesmente reconhecer a realidade, que essas coisas acontecerão, que essas coisas existem, e a melhor forma da gente lidar com elas, seja drogas, seja bets,
sejam outros tipos de vício, é reconhecer a existência delas e tratar de uma forma que os adultos ou adolescentes, em muitos desses casos, conseguem entender a mensagem. E olha, por falar em reconhecer, já vou até apontar o QR Code aqui em cima, porque a gente tem uma matéria, a gente falou que faz muito tempo que a gente está dizendo aqui que as bets são um problema.
E a gente tem uma reportagem feita para a nossa edição de sábado em 2024, falando de todos esses problemas. A reportagem chama Apostando a Própria Vida e traz situações reais de pessoas que apostaram em Betis ou em Tigrinho, que é uma outra modalidade de aposta, mas que...
também acaba fazendo com que muita gente perca o dinheiro das compras do mês nas apostas online. E isso está na nossa edição de sábado. É um texto de 2024, mas continua muito atual e está disponível para todos os nossos assinantes premium aqui do meio, que pagam apenas R$ 15,00 por mês e têm acesso.
A todo o acervo da edição de sábado, as novas edições que chegam semanalmente, ao meio político às quartas-feiras e todo o acervo do nosso streaming, tudo por R$15,00, que acode aqui na tela para quem estiver vendo a gente pela TV ou aqui embaixo na descrição do vídeo no nosso chat para quem estiver assistindo pelo celular. Vale a pena.
Eu quero entrar no Haddad porque tem muita gente graúda no PT falando de o Haddad ser candidato à presidência. Mas antes eu queria fazer um último comentário. Eu vou pedir ajuda aqui do Magno. Porque o SCC 1701, eu não sei como é que pronuncia SCC.
Diz o seguinte, libera tudo, logo cada um que cuide de si, inclusive drogas pesadas e aborto. Se morrer, morreu, viciado não fará nenhuma falta. Liberar aborto também reduz futuras pessoas problemáticas. Liberalismo. SCC, eu acho que você não entendeu o que liberalismo é, porque não é nada disso, tá? Vamos lá.
Qual a ideia por trás do liberalismo, no fim das contas? São duas ideias, me parece. E são duas ideias que são muito difíceis de você estabelecer numa sociedade humana, porque elas vão contra duas tendências muito fortes da nossa espécie. A primeira é o seguinte. Todo mundo tem o direito de viver sem opressão.
E por que isso é difícil? Porque a gente cria naturalmente dentro das sociedades humanas hierarquias em que um manda e o outro é mandado. Todas as sociedades humanas jamais criadas sempre tiveram esse tipo de hierarquia. Então você conseguir chegar a um estado em que o governante responde aos governados e não o contrário, os governados respondem ao governante, é um troço um bocado contraintuitivo.
Agora, essa não opressão é uma não opressão de empresas privadas, não é só em relação ao Estado. Empresas privadas, grupos políticos, grupos criminosos, ninguém pode oprimir. Religião, família, entendeu? Se você é um rapaz, uma moça adulta e seus pais não querem que você seja de um jeito ou de outro, sua família não tem o direito de te oprimir.
Então, a gente também tem que entender que, muitas vezes, essas empresas, como empresas de Betis, podem ser fontes de opressão. E, nessas horas, você precisa de regulação do Estado, porque o objetivo no Estado liberal é garantir regras que farão com que todo mundo esteja, de fato, livre de opressão.
O que você descreveu aqui, no fim das contas, é um pouco... Eu não estou dizendo que é isso aqui exatamente que você escreveu, mas é um pouco aquele princípio bolsonarista do... A liberdade do forte se impor ao mais fraco. Isso não é liberalismo. A segunda tendência humana que o liberalismo combate é a do patrimonialismo, que é a ideia de você usar o poder que você tem para os seus.
Um Estado liberal, idealmente, é um Estado impessoal, em que todas as pessoas são tratadas da mesma forma, em que a lei vale para todo mundo e tudo mais. Quer dizer, a ideia de um Estado liberal não é a ideia de um Estado mínimo em que é cada um por si. Esse mundo do cada um por si não é um mundo liberal.
Esse é um mundo naturalmente opressivo no qual vão se estabelecer hierarquias de mais fortes e mais fracos e quem for comandado, que vai ser a maioria das pessoas, que abaixe a cabeça e obedeça.
É difícil você estabelecer um Estado liberal, entre outras coisas, porque é um longo processo de desenvolvimento da própria cultura dos povos. Até conseguir topar, entendeu? Porque dá um certo medo você viver em igualdade de direitos, entendeu? Mas se eu perder o meu, quem que vai me garantir? Entende? É um processo.
Não confunda, imagino que o Magno vai concordar comigo aqui, não confunda essa ideia de que um Estado absolutamente sem regras é um Estado liberal, isso é um Estado anárquico.
Ele pode ser um Estado anarquista no sentido do Bakunin, pode ser um Estado anarco-capitalista, como uma garotada na internet gosta, mas um Estado anárquico, ou a ausência de um Estado, essencialmente, não é um Estado liberal. Aliás, eu acho que você vai ter dificuldade em encontrar um único pensador liberal, mesmo daqueles mais escola...
austríaca ali que defenda alguma coisa assim absolutamente sem regras. Hein, Magno?
Bom, e que a democracia liberal é a democracia constitucional. São termos quase que intercambiáveis. Em alguns lugares, por exemplo, no Reino Unido, não há constituição escrita, mas é a democracia com regras, como você colocou. E eu, filosoficamente, sou favorável à liberação de tudo que ele colocou aí, de tudo posto nesse...
nesse comentário. Mas, em termos de políticas públicas, a gente precisa entender os incentivos, as possíveis consequências, a Luísa falou, da relação entre o uso de determinadas substâncias que oferecem prazer aos adultos e que, de um lado filosófico, eu entendo que adultos devem ser livres e independentes para fazer o que quiserem com a sua consciência, inclusive alterá-la, mas, de um lado...
políticas públicas, nós precisamos pensar quais serão as consequências disso tudo. Se esse cara chegar em casa e bater na mulher, ele é livre para fazer isso? Não. Se ele chegar e quiser dirigir, ele é livre para fazer isso? Não. Porque começa a afetar a liberdade dos outros. E numa sociedade em que nós temos, por exemplo, um sistema de saúde de cobertura universal, nós precisamos pensar qual será o custo.
Qual será o custo social da utilização dessa liberdade? Isso não quer dizer que essa liberdade seja menos importante. Quer dizer que nós vivemos na sociedade e que nós precisamos debater essas questões de uma forma a que se diminua o custo social dessas atividades. Eu não sou favorável à proibição de qualquer uma dessas atividades.
Porque eu não acredito que moralmente é correto, eu não acredito que nós temos o dever moral ou mesmo a autoridade moral de proibir adultos de serem adultos, desde que se responsabilizem pelas consequências dos seus atos.
mas também de uma forma muito pragmática, porque eu não acredito que nós somos, como sociedade, capazes de controlar essas atividades. Nós não somos mais capazes de controlar as bets, como nós não somos capazes de controlar a internet, como algumas pessoas acham.
Como nós não somos capazes de controlar as drogas como muitas pessoas acham. A gente precisa ter uma conversa, e aí de novo, é uma conversa, problema de oferta e demanda. A política brasileira não consegue reconhecer isso porque os adultos brasileiros não conseguem reconhecer isso.
A gente segue acreditando que as nossas filhas jamais transarão ao invés de falar com eles sobre a prevenção de gravidez, que nossos filhos jamais transarão ao invés de falar com eles sobre a prevenção de gravidez, sobre a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. A gente faz uma escolha pela cabeça embaixo da terra.
E isso traz consequências gravíssimas para a nossa sociedade. Com cigarro, com sexo na adolescência, com drogas, com bets, com tudo. Nós somos uma sociedade moralista que não tem um grupo suficiente de pessoas capazes ou...
que tenham o desejo de discutir isso publicamente, e uma classe política que acompanha esse espírito moralista da sociedade. Jogamos tudo debaixo do tapete e depois a gente vê como dá. As meninas fazem aborto onde der, desde adolescente a gente lida como der, as pessoas que usarem drogas. A gente nunca vai ser alguém da minha família, porque tem muito isso também. Ah, deixa os viciados morrerem. Sim, porque os viciados são sempre da família dos outros.
Como a família que outrora desprezava qualquer pessoa que se preocupasse com direitos humanos de pessoas acusadas de crime, que agora estão aí chorando por causa do soluço. As pessoas que precisam de direitos são sempre os outros. As pessoas que precisam de preocupação são sempre os outros. E aí a gente termina com esse tipo de diálogo. O Brasil tem muita dificuldade de conversar.
como adultos sobre temas políticos, quando eles resbalam na moral. É sempre uma questão de sim ou não, de preto ou branco. E aí a gente termina em situações gravíssimas, sendo conversadas como se a gente falasse com crianças.
O que me chama atenção nessa mensagem da nossa audiência é que me parece que existe também um conservadorismo seletivo. Eu vou fazer esse comentário e depois a gente vai para o Haddad, que o pessoal está reclamando aqui que a gente está fugindo da pauta e a gente está mesmo, gente, perdão. Mas a questão é, de tudo isso que o espectador falou aí, legalização das drogas, do aborto, dos jogos de azar... É...
Eu acho que a legalização das drogas e do aborto tem uma diferença fundamental em relação à legalização das BETs, que é o fato delas resolverem problemas de saúde pública e de segurança pública, tanto no caso das drogas quanto no caso...
do aborto. Como o Magno disse, tem meninas que morrem todos os anos porque elas vão fazer abortos clandestinos, por gravidez indesejada, enfim. Legalizar o aborto faria com que a mortalidade de mulheres diminuísse nesses casos.
e daria dignidade para as mulheres que tomam essa decisão. Legalizar as drogas tiraria o controle total da venda dessas substâncias das mãos do crime organizado. Então, nesses dois casos, a gente vê legalização que você pode até ser contra e ser conservador e dizer que não faria bem e tudo mais, ok, mas elas teriam benefícios. A legalização das bets não teve nenhum, absolutamente nenhum. Os jogos de azar continuam?
acontecendo ilegalmente, esses que foram legalizados estão jogando rios de dinheiro na mão desses empresários e a gente não teve nenhum benefício, absolutamente nenhum benefício com essa legalização. Vamos lá, eu acho que na verdade são três assuntos muito diferentes.
Aborto não tem nada a ver com drogas, drogas não tem nada a ver com bets ou com jogos de azar em geral, e jogos de azar em geral não tem nada a ver com aborto. Ah, não, é que ele entrou na ideia do liberalismo e tal. Eu sei, eu sei. De todos, o que eu acho mais complicado aí é a questão do aborto.
A questão do aborto é complicada. Eu sou plenamente a favor de aborto até o primeiro trimestre e acho que deveria haver no segundo trimestre, ou pelo menos até metade do segundo trimestre, uma razoável tolerância para permitir aborto.
Mas isso sou eu com a minha cabeça. É evidente que você está tratando de uma vida hipotecial dentro do ventre da mulher. E o debate precisa incluir os direitos daquela vida hipotecial. Eu acho, a minha postura, eu sou ateu.
Então, nos meus valores, na maneira como eu penso sobre a vida e tudo mais, questões religiosas simplesmente não entram. Eu acho que, enquanto não tem formação de sistema nervoso central, não tem ser humano lá. Agora, isso é uma leitura que eu faço. Não é uma leitura que todo mundo faz. E, a partir daí, eu entendo que existe um debate, existe...
Existe honestidade em quem tem pontos de vista que são exatamente o contrário do meu nesse debate. Eu acho que poucos debates nas sociedades humanas atuais são tão complexos quanto o do aborto. Eticamente complexos, filosoficamente complexos. E, no fim das contas, o que me joga de vez para o lado do ser favorável à liberação do aborto...
É apenas um aspecto, ele vai acontecer de qualquer jeito e a mulher pobre morre e a mulher de classe média não morre porque vai num lugar bacana. Aí está errado, aí está simplesmente errado. E é isso que me põe em definitivo no lado do... Agora, eu acho um debate, embora eu tenha um ponto de vista...
específico a respeito de onde começa, onde é a concepção da vida, onde começa a vida, eu... Eu reconheço que é um debate muito difícil, tá? Muito difícil. Enquanto que, no caso de drogas e apostas, eu não entendo a dificuldade do debate. Eu acho que aí eu caio no ponto do Magno, que é pessoas adultas têm o direito de fazer o que quiser, desde que responsáveis...
desde capazes de responsabilidade pelas suas ações. É claro que aquelas raras pessoas adultas que têm qualquer tipo de transtorno que não as deixa mais fazer escolhas com consciência, aí fica evidentemente complicado. E é por isso que a gente tem que ter uma conversa a respeito de regulação de drogas e apostas, que é justamente o fato de que...
Não acontece para todas, não acontece sequer para a maioria, mas para algumas pessoas, drogas, assim como jogos de azar, têm a capacidade de eliminar sua capacidade de fazer escolhas.
E aí, claro, você tem que ter ferramentas legais que permitam para estas pessoas em particular você fazer algum tipo de intervenção. Mas o problema é que você não pode dar uma regra geral para a sociedade pensando apenas numa minoria. Mas eu separaria essas três discussões, a questão das drogas, a questão... E no caso em particular das drogas, tem uma coisa que é particularmente maluca, que é o seguinte.
Maconha é muito menos nociva à saúde do que tabaco e álcool. Muito menos. Tipo, duas serem legais e devidamente reguladas. E a outra ser ilegal é aquela... A gente poderia falar sobre cocaína, a gente poderia falar sobre opiáceos. Agora, no caso de maconha, é aquela coisa assim de... É uma regra absolutamente aleatória que não sustenta em absolutamente nada.
Mas, enfim, Magno, não sei se você quer fazer mais um comentário a respeito disso ou vamos para o Haddad? Vamos para o Haddad, porque o pessoal está realmente reclamando. Desculpa, pessoal, a gente promete tratar a pauta um pouquinho agora. Vamos lá. Qual é o comentário, qual é o raciocínio de quem está falando em Haddad?
Lula está fora? Gente, pelo amor de Deus, se tem uma coisa que as pesquisas mostram com clareza é o seguinte. É um jogo apertado. Por estar na presidência da República, Lula é ligeiramente favorito. De novo, eu falei esse número, que é um número aleatório, mas digamos assim.
O Lula não é franco o favorito, não é aquela coisa 80% de chances dele ser presidente, 20% de chances de o Flávio ser presidente. Não. Mas é uma coisa 55, 45. 55% de chances de ser o Lula e 45% de ser o Flávio. Esses números não são científicos, são uma metáfora para desenhar o aperto dessa eleição. Luiz Inácio é favorito.
Por quê? Porque ele é um cara muito mais hábil que o Jair Bolsonaro. Ele está enfrentando uma eleição tão apertada quanto a que o Bolsonaro enfrentou. Mas, estando na liderança das pesquisas e tendo a máquina do governo nas mãos, é mais provável que o Lula consiga aquela maioriazinha do que o Flávio. É mais provável. E eu não acho improvável... Obrigado.
que outro candidato, de repente, em algum momento, possa começar a ganhar corpo e aí o eleitorado de direita vai, sai do Flávio, vai para outro. Eu não acho isso improvável. Ou melhor, não é absurdo, mas o cenário mais provável mesmo é Flávio e Lula no segundo turno. Qual o raciocínio da turma que está propondo o Haddad?
Tem muita gente dentro do PT, não a maioria dentro do PT, mas tem gente dentro do PT, gente respeitável dentro do PT que fala isso. Tem gente, inclusive, no Palácio do Planalto. E esse é um tema sobre o qual o Lula conversa. Primeiro, o Lula tem 80 anos de idade, ele está cansado.
E olha, ele vai fazer uma grana se ele dedicar a vida de dar uma palestra por mês, entendeu? Vai dar palestra pelo mundo circular, vai fazer outras coisas, vai virar o que o Mandela foi no final da vida, né? É aquela coisa daquele velho sábio da esquerda ocidental que vai ficar circulando e vai lançar livros, tal. Vai curtir a vida, tá casado com uma mulher jovem, vai ser feliz.
Tem essa vantagem para o Lula, entendeu? Ele não vai passar o resto da vida trabalhando, ele vai passar o resto da vida inspirando. É uma geração de jovens militantes de esquerda pelo mundo. Isso é bacana para o Lula, pessoalmente, na física. Tem outra coisa. O Haddad teria muito mais facilidade de falar com os eleitores de cinto.
E, de fato, eu acho que o Haddad seria muito mais palatável a um grupo de eleitores liberais do que o Lula. E se você bota para o Haddad um vice de direita, dois exemplos que eu ouvi. Ronaldo Caiado, que eu acho muito difícil topar ser vice do Lula. Alessandro Vieira.
Eu acho que, desculpa, o Caiado não seria vice do Lula, seria vice do Haddad. Eu acho que o Haddad, presidente com um candidato de direita na vice, e ainda mais um candidato de direita como o Alessandro Vieira, eu acho que vira uma chapa bem surpreendente, diferente, e que muda muito o cenário ideológico da eleição.
Agora, tem uma coisa que os defensores dessa chapa, Magno, nunca têm resposta quando eu pergunto, que é o seguinte, vem cá, está tudo certo, mas aquele voto nordestino entusiasmado que o Lula tem, que dá essa base alta do qual ele começa tudo contra a eleição, é um voto do Lula, né?
Não voto do PT, não voto das chapas de esquerda. A minha dúvida, tudo bem, digamos que uma chapa Haddad e Alessandro Vieira conquistasse bacana esse eleitorado swing vote liberal de centro. Ótimo. Mas ela conquista aquela massa de votos nordestinos?
Eu não sei esse Conquista. Como é que você lê? Primeiro, Pedro, a gente precisa começar esse tema dizendo para as pessoas que ele não é algo que surgiu das nossas cabeças.
que não parte do nosso desejo do Lula não concorrer, mas que há pessoas importantes no campo do lista para quem essa é uma possibilidade e que essa hipótese é uma das hipóteses que estão postas na eleição desse ano. Então, em primeiro lugar, a gente precisa dizer isso.
É uma coisa que está sendo conversada e há pessoas que acreditam ser uma saída para uma eleição que está se desenhando absolutamente complicada. E complicada por muitas razões, algumas das quais você já apontou. Ela vai fazer 81 anos.
81 anos, inevitavelmente, por mais que a medicina tenha avançado, por mais que o Lula apareça, informe e faça questão de reafirmar que está bem fisicamente, mentalmente.
Tem peso num país tão grande como o Brasil, numa atividade tão pesada quanto é governar esse país e também sair em campanha presidencial, uma atividade extenuante. Todo mundo que já participou de uma campanha presidencial pode dar esse testemunho. É um governo.
que tem dificuldades desde o seu início, que consegue se eleger com uma margem muito pequena, uma margem que acho jamais foi reconhecida por Lula e pelos integrantes do primeiro escalão do governo, jamais reconheceram que venceram uma eleição por uma margem muito pequena.
E que esse mandato de Lula não era o mandato do Lula que deixou o poder em 2010, era um mandato completamente diferente, num país completamente diferente, e que passou quatro anos governando como se tivesse uma maioria.
expressiva na sociedade e que, como se o Congresso Nacional devesse de uma forma moral, fosse moralmente devedor da liderança de Lula, como se devesse moralmente seguir a liderança política do presidente da República. E são duas coisas que nós sabemos que não existem mais. Primeiro, não existe essa...
Essa projeção de Lula como um líder político inquestionável, como foi sim durante períodos da primeira década deste século, até a metade dos anos 2010, Lula era quase inquestionável, Ronaldo Caiado talvez seja uma das poucas exceções, e a forma de se fazer política, que era baseada no poder do executivo sobre o legislativo, também não existe mais.
E o governo, me parece, demorou muito tempo para reconhecer essa mudança do centro do poder, essa perda de poder do executivo e passou muito tempo fazendo disputas com o Congresso Nacional, exatamente como Jair Bolsonaro fez durante boa parte de seu mandato.
São duas personalidades políticas que têm visões diferentes, mas cuja abordagem em relação ao Congresso Nacional empoderado, diferente, foi bastante parecida. É uma abordagem de muita dificuldade, porque se recusava a reconhecer...
essa transferência de poder que a gente sabe que é inegável que aconteceu do Executivo para o Legislativo nos últimos anos. Sem fazer juízo de valor. Eu não sei dizer para vocês se é certo ou errado ter mais poder no Congresso do que no Executivo. Acho que, em boa parte, é errado. Porque quem oferece ao país um projeto é o candidato à presidência da República. Os deputados oferecem ao país ideias absolutamente locais ou setoriais.
Então, eu acredito que, enquanto a situação da política brasileira é apresentada aos eleitores dessa maneira, o poder maior deve ficar com o executivo. A iniciativa legislativa deve ficar majoritariamente com o executivo e a execução do orçamento também, porque é o executivo que oferece uma visão de país aos eleitores. Mas Lula não conseguiu entender isso e chega nessa situação no ano eleitoral.
frágil, com uma eleição que promete, mais uma vez, ser apertada e as pessoas estão levantando, elencando hipóteses de alternativas. Eu sigo acreditando que o Lula é a melhor aposta do PT, porque Lula é maior que a esquerda, Lula é maior que o PT e Lula é capaz de chegar a pessoas, de trazer votos que nenhum outro...
player da esquerda brasileira consegue. Não é por outra razão que Lula, mesmo preso, seguiu sendo candidato do PT até a última, a último momento. Não é por outra questão que Lula, mesmo com 80, 81 anos...
segue inquestionável como o candidato da esquerda brasileira. Não há distensão, não há dissidência na esquerda brasileira, nem o pessoal mais se vê como uma alternativa à esquerda de Lula. É por isso que ele permanece e é por isso que ele segue candidato. Haddad seria uma aposta para o futuro.
Seria antecipar uma mudança geracional que na direita já aconteceu com Flávio Bolsonaro? Seria, mas não acho que é o melhor momento para quem deseja ganhar a eleição. Acho que, independentemente das pesquisas, Lula segue sendo a melhor aposta da esquerda.
Ninguém que votaria em Haddad deixaria de votar em Lula. Ninguém que votaria em Haddad teria uma barreira autossuficiente para não votar em Lula. Talvez Haddad seja da preferência dessa pessoa. Talvez essa pessoa vote com menos dificuldade em Haddad. Mas nenhum antipetista que vai de Flávio, independentemente de qualquer coisa, iria de Haddad.
Acho que o ganho é muito pouco para o risco, como achei que indicar Flávio Bolsonaro e não outro candidato de direita também oferecia ganhos pequenos em relação ao risco, hipótese que ainda está para se provar. Mas acho que também seria esse caso na direita brasileira.
Eu vou te perguntar dos 6% de liberais, 6,4%, mas antes deixa eu só trazer as considerações do Rafael Simonelli. Você percebe o prazer da Luísa, né? É 6,4%. É porque pega o meu pé aqui, quando eu arredondo, o Diego vai aparecer. Se eu falar 7%, ele aparece à noite para puxar meu pé e fala 6,4%.
Não, mas é porque o Rafael Simonelli fez a seguinte consideração a respeito da sua análise agora, Magno. Magno sendo perfeito sempre em suas colocações. E o Diogo disse, Magno impecável. Isto posto, vamos...
questão aqui do Rafael Petinati, porque na verdade eu estava pensando nisso enquanto você estava falando, o Petinati está aqui defendendo uma chapa Alckmin-Haddad, ou Haddad-Alckmin, na verdade, né? Que corrobora o que o José Dirceu já disse sobre o Haddad, que ele é o mais tucano dos petistas. Foi o José Dirceu, né, que falou isso? Eu estou com medo de ter atribuído. É a cara do Dirceu. Todo petista que é odiado pelo PT vira o mais tucano dos petistas. Então... O...
Enfim, mas é que é dele com certeza a frase de que o governo Lula é um governo de centro-direita, mas eu não lembro se essa é dele, eu vou checar e já volto. Mas enfim, o Petnati está aqui defendendo essa chapa e eu digo que ele corrobora essa versão porque o Petnati é o maior viúvo do PSDB que há neste site, neste chat, né? Então, ele está...
dizendo aqui que ele votaria feliz nessa chapa Haddad Alckmin. Então, a minha pergunta é, Lula tendo um poder de transferência de votos que ele tem, e Haddad agradando essa parcela do eleitorado que é representada aqui pelo Rafael Petinati, que diz exatamente, manda coraçõezinhos aqui, se não seria um nome viável, né? Porque eu concordo com você que o Lula é a melhor opção, mas eu...
Tenho dúvida se o Haddad não levaria esse eleitor de centro. Eu acho que levaria, mas acho que levaria o eleitor de centro, que o Lula também vai levar no segundo turno. E eu não sei se o Haddad leva com tanta convicção as senhorinhas do Nordeste, as senhorinhas de todo o país.
É uma história a ser contada, como o PT virou um outro partido depois que o Lula chega à presidência, como o PT vira... Hoje, nós temos muitos jovens participando dos debates da política nas redes sociais, parece que o PT e o Nordeste nasceram uns colados nos outros, como se o Nordeste fosse um território petista desde sempre. O PT virou...
esse partido recentemente. O Nordeste era da direita. O Nordeste era de direita. E as senhorinhas também eram quase todas de direita. Hoje a gente tem as senhorinhas, os aposentados, os lulistas. E acho que é aí que está a diferença de Lula frente a outros candidatos da esquerda. Eu entendo que para a maioria desses 6,5...
de liderais, o Haddad fosse talvez uma alternativa melhor. O Haddad com o Alckmin seria melhor ainda. Mas acho que para quase todas essas pessoas, o Lula vai ser uma alternativa melhor do que o Flávio, de qualquer maneira. A gente precisa se perguntar se, na margem, essas decisões mudam.
um número significativo de votos. Eu acho que outro candidato de direita mudaria mais votos desse grupo swing voters aí do que Flávio. Acho que o Caiado, por exemplo, é mais atraente. O Tarcísio seria mais atraente. Mas eu não acho que haja uma mudança significativa para o nome da esquerda. Acho que quem iria com o Haddad já irá de um Lula de qualquer jeito.
Acho que iria de Lula mais facilmente se o Lula não achasse que ganhou a eleição de 2022 por 40 pontos. Se o Lula tivesse feito um governo, uma comunicação diferente, esse eleitorado iria para Lula com muito mais facilidade.
Mas acredito que as situações de visão de lulismo e bolsonarismo já estão mais do que consolidadas para a maioria dos eleitores, porque a gente está tendo essa mesma discussão há muito tempo. Então, há pouca coisa a ser feita neste momento que faça a pessoa mudar de ideia em relação a Lula e Bolsonaro, ou lulismo e bolsonarismo.
Eu tô rindo aqui que a Mafalda escreveu mensagem dizendo Ah não, Luiz, a maior viúva do PSDB sou eu. Vai ter um concurso aqui. Eu conheço alguns também. Eu posso inscrever alguns amigos meus que estariam nessa competição. É, bem, pois é. Eu não sei se eu sinto falta. O PSDB é hipotético. Tem o Neymar hipotético. Se discute muito o Neymar hipotético.
Acho que a gente deveria discutir o PSDB hipotético. O PSDB que não jogou o governo Fernando Henrique na lama e sim pensou, putz, nós temos um legado aqui com acertos e erros, mas é o que nós fizemos. O PSDB hipotético talvez teria um futuro brilhante no Brasil, mas o PSDB real morreu de morte autocometida. O PSDB se suicidou.
matada, a gente pode falar. Morreu de morte matada. Foram tucanos os assassinos. Pelos meus próprios nervos. É isso, é. Mas é, o que é? Deixa eu ler uns comentários aqui. Rodrigo Miranda, Pedro também votaria feliz no Alckmin. Cara, eu vou te falar uma coisa. Eu voto com mais facilidade no Haddad do que no Alckmin, tá?
Eu acho que o Haddad é um cara que pensa mais parecido comigo do que Geraldo Alckmin, esse Geraldo Alckmin aí, ministro desenvolvimentista do Lula. Mas é verdade. E eu não estou dizendo nem que o Haddad seria o meu candidato ideal ou qualquer coisa assim do tipo. Eu não tenho mais vaga ideia de como é que eu vou botar nessa eleição. Estou achando essa eleição uma tristeza só.
E a cara de eleição na qual eu vou decidir meu voto no primeiro e no segundo turno, em cima. Não vai ser... Acho divertido quando o pessoal faz aposta, tipo, vai votar no fulano, vai votar no fulano. Vai votar certo. E são as coisas mais disparatadas. Vai votar certo no Flávio, vai votar certo no Lula, vai votar certo no Caiado.
A única coisa que nunca acham que eu vou fazer é votar no Reman Santos. Então... Tinha acabado de beber água. Perdão. Aí outros comentários aqui de dois dos nossos comentaristas de esquerda. Nemo, also known as Nemo.
Alessandro Vieira nem pensar caiado idem. Ela na janela. Alessandro Vieira, o lavajatista, com aquele emoticon da cara rindo assim, com a mão na boca. Eu sei, gente, que a turma de esquerda pensa numa possibilidade de uma candidatura Lula com um candidato de direita.
Lavajatista, ou seja lá como for, o adjetivo. Eu sei que vocês acham uma coisa absurda isso e aquilo e tal. Deixa eu falar uma coisa, vocês vão votar no PT de qualquer jeito.
É para atrair outros. Vocês vão não gostar, vocês vão isso, vocês vão aquilo. Vão se revirar onde vocês quiserem. Com o Alckmin, quando todo mundo achava que o Alckmin era tucano de verdade, foi a mesma coisa. Fascista. Não, como assim Alckmin vice do Lula? Não pode. Absurdo. Isso, aquilo. Votou direitinho, não votou? Então...
percebe que às vezes tem uns movimentos políticos que são feitos para trazer votos que não são os votos que ele já tem, são os votos que ele não tem. E esses cálculos fazem sentido, esses cálculos, e isso tudo posto, eu não sei se eu concordo 100% com o Magno, porque eu não acho que o voto, eu acho que tem voto de centro que o Fernando Haddad consegue e que o Lula não conseguiria, tá?
Eu acho que tem pessoas aí que ou não vão votar ou que talvez votem no Flávio e poderiam votar com mais facilidade no Haddad. Eu não tenho a mais vaga ideia, Magno, de qual o tamanho disso. É possível que não seja relevante. Mas eu concordo, na essência, com o seu comentário, que a mim também parece que o melhor candidato que a esquerda pode ter nessa eleição, o candidato com maior potencial eleitoral que a esquerda pode ter nessa eleição, é o Lula.
Nessa chapa mesmo, o Geraldo Alckmin de vice. Eu acho, sigo achando que não vai ser mudada, sabe? Que vai ser isso mesmo, mas que eles vão especular até daqui a pouco. Agora, os números não estão bons para o Lula.
As pesquisas estão difíceis para o Lula e a gente já tem os resultados aqui da pesquisa Meideia. Infelizmente, o TSE não nos permite divulgá-los. E os números seguem não bons para o Lula.
E essa vai ser uma pesquisa, pesquisa que a gente vai trazer amanhã, que é uma pesquisa interessante porque a gente já tem o nome do Ciro Gomes.
como candidato, como pré-candidato, pelo PSDB. Fazer o quê? É o estranho mundo no qual nos encontramos, é magno caldo. Achando o quê? Aguardando aqui a manifestação do Petinat e da Mafalda. Pois é, o candidato tucano é o candidato que está à esquerda do Lula. Quer dizer, eu nem sei se o Ciro ainda está à esquerda, porque...
Ele fez o caminho alto do rebelo, né? Eu não sei se ele quer tirar voto do Bolsonaro ou do Lula, ou exatamente qual é a estratégia. Mas é uma candidatura que tem o Augusto Cury também, tem nomes novos.
E vamos ver como é que esse desenho, meia-noite, tem pesquisa nova. Pois é, o Simonelli está dizendo aqui, gente, como eu amo receber a pesquisa meio ideia no meu e-mail à meia-noite. Pois é, ele vai receber, o Magno também vai receber.
Quer receber também? Receberei. E é interessante, Pedro, a gente pensar, quando a gente pensa na chapa Lula-Alckmin, o preço de agregar o Alckmin para os eleitores de esquerda foi pago. O Lula já tinha pago esse preço, o desgaste já tinha sido recebido durante a eleição, trabalhado, o próprio Lula explicou essa composição, mas me parece que a frente ampla...
da eleição não se consolidou no governo. O governo não representou a ideia apresentada à época da eleição e acho que foi um desperdício de potencial. E desperdício de potencial eleitoral.
Noves fora aqui, o que eu acredito de política pública, que, claro, penso que pessoas como Simone Tebet, como o próprio Alckmin, como o próprio Haddad, poderiam ter tido mais destaque, mais relevância na visão que eles têm de como o governo deve operar. Se a gente pensar eleitoralmente, novamente a gente está tratando de um eleitorado...
que tem onde teriam mais abertura pessoas como Gerardo Alckmin, Fernando Haddad e Simone Tebet. São o eleitorado mais confortável para eles, o eleitorado mais natural para eles, e nós estamos de novo vendo Lula se esforçando para agora, no ano da eleição, chegar a esses eleitores. O que me deixa pensando...
que tivemos um potencial não aproveitado nesse governo de ter trazido para dentro da estrutura do Palácio.
pessoas para conviver muito proximamente com o presidente, que teriam apelo a um eleitorado que hoje decide eleições no Brasil polarizado, mas que Lula não conseguiu solidificá-lo como seu, embora ele tenha optado pela sua candidatura em sua maioria em 2022. O PT, o Lula poderiam ter feito um governo em que esse eleitorado se sentisse minimamente representado ou o eleitorado que...
imaginou que pudesse ser representado naquele segundo turno de 2022, mas não me parece que foi isso que aconteceu. E, novamente, nós temos esse eleitorado posto em disputa entre um governo que ele não gostou do Bolsonaro e um governo que ele também não gostou, que foi esse terceiro mandato do Lula.
Mas, Magno, tem uma coisa, a gente está entrando aqui nos nossos 10 minutos finais de programa, tem uma coisa sobre a gente que não conversou, mas que foi o principal assunto da semana passada, e eu queria ouvir sua opinião, Jorge Messias.
A incrível derrota que o Messias teve no Senado. Desde 1894, a gente já repetiu para o nosso público algumas vezes, isso foi o iniciozinho do governo Prudente Moraes. O governo Prudente Moraes foi o primeiro presidente eleito, o primeiro presidente civil do...
do movimento liberal paulista, que era o movimento republicano paulista, no final do segundo reinado, foi um presidente muito interessante, tanto ele quanto o Campos Salles, que foi o cara que o seguiu. Mas foi ali, no final daquela ditadura militar de Odoro Floriano, que entra o prudente, e naquela confusão, que foi uma confusão muito particular, de início muito confuso da República.
em que tinham vários candidatos ao Supremo, nenhum advogado, que esse médico, o Cândido Barata Herbeiro, foi reprovado pelo Senado.
Mas aquilo era uma circunstância que era tão particular de confusão de um regime que estava se instaurando, tinha acabado de sair de uma ditadura de dois anos e meio, de três anos, que foi há quatro anos quase, a ditadura de Jodoro Floriano. E aí naquela confusão, é quase que aquela reprovação do Senado ali naquele momento fosse um acidente da história.
O que aconteceu na semana passada não foi um acidente da história, né? Foi uma derrota que o Senado calculou e escolheu infringir ao Palácio do Planalto. Como é que você leu aquele cenário?
Pedro, em primeiro lugar, na política as coisas não acontecem por uma única razão. Essas grandes mudanças, essas grandes derrotas, esses momentos históricos nunca acontecem só por uma razão. E foi sim um momento histórico. Antes dessa votação, ninguém acreditava ser possível. Ninguém que estava lá contando votos no Senado, imagino, uma semana antes, acreditava ser possível.
que a indicação fosse reprovada, por, entre outros motivos, por termos 134 anos de indicações presidenciais para o Supremo Tribunal Federal em que não houve uma única reprovação.
em outras oportunidades aqui no meio, eu até disse que era um processo de seleção que tinha problemas. Por quê? Se em 134 anos você não reprova nenhum candidato, o processo de seleção obviamente tem problemas. Nós não estamos selecionando muito bem os candidatos para o Supremo Tribunal Federal, a não ser que nós presumamos que os presidentes sempre fazem grandes escolhas, fizeram sempre grandes escolhas nos últimos 134 anos.
é uma coisa absolutamente excepcional o que aconteceu ali e que me parece refletir uma série de questões que vieram se acumulando nesse terceiro governo Lula. Em primeiro lugar...
o total desarranjo entre executivo e legislativo. A gente pode, de novo, falar sobre muitas razões para esse problema, muitas motivações para esse problema. A gente pode achar culpados para esse problema, mas é um problema considerável. O governo tem problemas em formar uma maioria minimamente coesa, minimamente operacional no Congresso Nacional.
Outro ponto é a escolha do presidente da República. Lula, desde o início desse terceiro governo, centralizou em si, na própria vontade, as escolhas para o Supremo Tribunal Federal. Essa foi a sua terceira indicação desse mandato e, anteriormente, ele tinha escolhido.
Zanin, o seu ex-advogado pessoal, Flávio Dino, no cargo ministro da Justiça. Duas indicações que partiram de sua vontade, que geraram reclamações em seus aliados políticos, em seus aliados na sociedade civil, porque Lula se recusava a ouvidos. É claro que isso também cobra um custo. Em terceiro lugar...
nós viemos um congresso que analisava a indicação do presidente da República com esses dois pontos que eu citei, a mudança na relação, a relação ruim entre executivo e legislativo e a escolha pessoal do presidente sob o background.
de um presidente que tem dificuldade de popularidade. Um governo muito popular consegue fazer as coisas avançarem. Um governo muito popular vai ver congressistas com dificuldade de rejeitar as suas sugestões. Um governo popular consegue atrair apoio.
político com muito menos custo do que Lula. Mas um governo que tem dificuldades pode chegar a um momento em que já não há mais nada que você possa oferecer para obter apoio político. Então, nós chegamos no momento.
no Congresso Nacional, em que o governo tinha, o presidente tinha confiança de fazer essa indicação ser aprovada. Havia pessoas dentro da base do governo, dentro do sistema de articulação política do governo, que achava arriscada, mas Lula decidiu ir à frente, de qualquer jeito, confiando muito no seu taco.
Mas se viu numa situação em que o seu arranjo político era tão frágil que nem empenhando um valor significativo em emendas conseguiu fazer com que esses votos virassem. E os votos não viraram de uma forma até surpreendente pela maneira com que a questão foi organizada.
o grupo da oposição, um grupo de Flávio Bolsonaro, um grupo do Rogério Marinho, liderado por eles, e nós tínhamos o grupo do Centrão ali liderados pelo Alcolumbre. Nós vimos muito destaque dado para o Supremo Tribunal Federal da possível atuação de ministros do Supremo, mas acho que no final das contas foi uma questão majoritariamente política. O grupo do Alcolumbre garantiu seus votos, o grupo do Flávio Bolsonaro garantiu seus votos.
E o governo, que tem menos dificuldade no Senado do que tem na Câmara, foi confiante demais para essa votação. Nós acabamos vendo que, no final das contas, quem estava no controle de verdade era o Columbre. Controle simbolizado pela cravada que o Columbre dá ao microfone da presidência do Congresso Nacional.
antes mesmo do resultado ser anunciado. Aquilo, para quem acompanhou a House of Cards, aquela série, que tinha o Frank Underwood controlando os votos com um quadrinho no gabinete dele, é o que deve fazer o governo numa votação importante. O governo tem que contar votos, tem que saber quem está do lado dele e quem não está.
No final das contas, quem estava fazendo o dever de casa, quem fez o dever de casa foi Davi Alcolumbre. Deu uma derrota histórica para o governo, histórica mesmo, sem nenhum exagero. E agora coloca Lula numa situação...
que é correr o risco de ver mais uma indicação rejeitada ou, histórico, ainda mais histórico, seria perder o direito a uma indicação para o Supremo Tribunal Federal, coisa que é cada vez mais importante. Pois é, uma das coisas que me surpreende mais é a incapacidade do Palácio do Planalto de conseguir mapear o plenário do Senado.
isso acho que a tese principal no Planalto segue sendo a traição de Jacques Wagner líder do governo do Senado que houve de fato esse convencimento eu não quero entrar aqui no mérito de que tipo de ministro o Jorge Messias
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Fazer investigação, fazer acelerar, tudo mais. E, estando essa leitura correta ou não, os senadores tinham na cabeça isso. E o Wagner é um cara a quem não interessa a investigação do Master. Ele não é o único. Não interessa Davi Ocolumbre, não interessa um bando de gente lá dentro do Senado. E...
Mas, estando correto ou não a interpretação do Planalto de que houve traição do Jacques Wagner, cara, eles erraram muito feio na conta. Eles erraram por 10 votos na conta, numa casa de 81 votos. É um índice de erro que eu nunca vi nenhum governo Lula ter.
Nenhum governo Lula ter. Eu acho isso bem impressionante e eu ainda não sei o que isso quer dizer. Se foi uma coisa realmente pontual ou se o governo perdeu por completo o pulso do Congresso.
E uma derrota gerada pela traição do seu líder não deixa de ser uma derrota absurda. Não livra a sua cara a dizer, nós fomos traídos por um membro do partido do presidente, que é líder do governo. Ainda assim é um erro de cálculo, talvez ainda maior.
Uma coisa é você errar no cálculo do voto dos 81 senadores. Tem gente que pode ir um lado para o outro. Mas você errar no cálculo na estrutura da sua atuação política é ainda mais grave. E eu concordo com você. Acho que pode ter acontecido, mas que ainda assim seria um problema político, um erro de cálculo absolutamente imperdoável. Uma casa, como você disse, de só 81 votos. Você precisa... Não pode errar por 10.
Não pode. Luísa, andando para a direção do final do programa, são 1h59, eu só quero que você me ajude a entender por que que nosso espectador, sou o André de Paula, faz o seguinte comentário. A cara do bosoloide de óculos amarelo. Acho que trata de mim, né? Acho que é você. É. Seus óculos não são amarelos, não, né, Magno?
Não, eu também não sou um bozoloide, então acho que só pode ser você mesmo. É. Como é uma cara de bozoloide? Eu não faço a menor ideia. Quem que escreveu? Sou o André de Paula. Se fossem me xingar, iam falar que eu sou careca, não tem jeito. É.
Cara, você se chama Carl, entendeu? O Magno é quase um Carl Max invertido e parece o Lênin, mas é liberal. Entende? Por que sou eu, o Bozolóide? Pô, chato isso. O importante é que não seja eu. Talvez você deva avaliar aí suas posições, Pedro, não sei responder. Luísa, vamos nessa. Pensa na hora do almoço, Pedro.
O bozoloide defensor do tabagismo. Isso, isso, isso. Olha aqui, ele repete, tá? Inimigo do povo, os bozoloide.
Eu gosto do uso perspicaz do plural ali, André. Está bem, não. Está bom. Enfim, vamos nessa, gente. Eu saio derrotado hoje, mas seguimos em frente. Saímos não, saímos não. Vamos nessa. Bom, gente, Central Meio de hoje encerrado. Uma excelente terça-feira para você. Se cuide, beba água e até amanhã. Tchau, tchau.
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