O Centrão, o STF e o Partido do Master
No Central Meio de hoje, Pedro Doria, Flávia Tavares e o cientista político e colunista do Meio Christian Lynch conversam sobre as consequências e os significados das recentes derrotas sofridas pelo Governo Lula no Legislativo: a rejeição de Jorge Messias, indicado pelo presidente ao STF, e a derrubada dos vetos ao PL da Dosimetria, que reduz penas de condenados por golpe de estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
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- Democracia Brasileira - Desconfiança InstitucionalEmancipação do Centrão e controle do orçamento · Autonomia do Congresso em relação ao Judiciário · Parlamentarismo bastardo e governo congressional · Cooptação do Supremo Tribunal Federal · Candidatura Flávio Bolsonaro e o modelo de governo · Autoritarismo parlamentar e oligarquia · Corrupção como motor do sistema · Crise institucional e fraqueza política do governo Lula
- Tensões políticas no Senado e acordo sobre CPI do Banco MasterAcordo para derrubar vetos em troca de não abrir CPI · Assinaturas em link de WhatsApp do Congresso · Envolvimento de Sérgio Moro e Flávio Bolsonaro · Apuração de jornalistas sobre o acordo
- Indicação Jorge Messias ao STFArticulação entre Senado e STF · Interferência da corte no processo político · Votos de Alexandre de Moraes e Davi Alcolumbre · Discurso de Alessandro Vieira · Papel de Jacques Wagner e Rui Costa
- Situação dos pré-candidatos da direitaReaproximação de Flávio Bolsonaro com Silas Malafaia · Melhora na relação de Bolsonaro com Michele · Recuo de Romeu Zema sobre trabalho infantil
- ImpeachmentArtigo de Eduardo Cunha sobre impeachment de Lula · Manobra de Eduardo Cunha para impedir nomeações ao STF em 2015/2016 · Hipertrofia legislativa e o 'centrão 2.0' · Reeleição de Davi Alcolumbre e o acordo com o bolsonarismo · Crise institucional versus fraqueza política · Impeachment de ministros do STF como ferramenta de controle
Olá, boa tarde, sejam muito bem-vindos, sejam muito bem-vindos ao Central Meio. Hoje é segunda-feira. Segunda-feira? Acho. Eu tô completamente desorientado no tempo, gente. 4 de maio de 2026, May the 4th be with you. E eu tô aqui acompanhado dos meus amigos Christian Edwards, Cyrul Lynch e Flávia Tavares. Boa tarde, compadre. Boa tarde, meus camaradinhos. Boa tarde.
Boa tarde, você sabe que hoje é Star Wars Day, né, Flávia Tavares? O quê? Star Wars Day. Oh. Existe isso? Sim, Star Wars Day. Existe, claro. May the 4th be with you. May the 4th be with you. É uma brincadeira. Hoje é May the 4th.
May the force, may the force, entende? May the force, que a força esteja com todos vocês. E hoje a gente vai ter uma conversa sobre os efeitos e significados das derrotas do executivo no legislativo na semana passada. Messias foi rejeitado e os vetos de Lula, o PR da dosimetria, derrubados.
O projeto reduz as penas dos condenados por tentativa de golpe de Estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. No caso do indicado do presidente ao STF, a derrota vem de uma articulação envolvendo lideranças do Senado e setores do próprio Supremo. E o que veio à tona, como destacou Marcos André Melo na Folha de São Paulo...
Foi uma dinâmica inédita em que a corte não aparece apenas como instância de controles, mas interferindo no processo político da sua própria composição. E o que uniu a todos, Centrão e bolsonaristas, parecem ter, por agora, um novo partido político, o partido do Master.
Esse é o nosso assunto de hoje, mas não só, tá? Tem também as acomodações eleitorais na direita. Num gesto de reaproximação, o senador Flávio Bolsonaro participou de um culto liderado por Silas Lafaya aqui no Rio de Janeiro após meses de atritos.
A relação do presidenciável também parece estar melhor, pelo menos em público, com a madrasta Michele. Já Romeu Zema recuou depois de defender a flexibilização do trabalho infantil no Brasil. Pois é, esses progressistas estão fazendo de tudo hoje em dia, Christian Lintz, estão até fazendo parecer com que trabalho faça mal à criança.
Veja só, podia estar aprendendo um ofício e estar lá aprendendo bobagem com o professor comunista. Eu fico lembrando que minha família, quer dizer, minha família tem um monte de gente, mas a família que dá o meu sobrenome, ela veio ao Brasil para ser... Acho que foi um pentavô meu que foi chamado para ser engenheiro do Mauá, na Ponta da Areia, que era a primeira fábrica do Brasil, morou no Mauá. E os filhos chegaram, cada um com 14, com 13, com 12, já chegaram como aprendizes da Inglaterra. Olha que tempo bom. Já estava trabalhando lá. Podia ser em Minas. Engas. Engas.
Isso é porque o Christian não quer falar que ele é irlandês. A declaração foi dada no dia do trabalho. A declaração do Zema, não a do Christian. Mas pegou mal, evidentemente. Você já viu que assunto... É o dia do trabalho infantil. É o dia do trabalho infantil. Vocês já viram que assunto não falta, né? Então se acomoda aí, deixa seu like, já manda sua mensagem pra gente, porque o Central Meio... Tá no ar!
Eu não me conformo com isso porque, vocês sabem, eu não sei onde que esse mundo vai parar com esse esquerdismo todo que assola a nação. Você veja só. Mulher agora quer que o pai também fique em casa quando criança nasce. Querem que as pessoas só trabalhem cinco dias por semana, entendeu? Enquanto que todo mundo sabe que o trabalho edifica. E agora...
Pelo menos tem esse raio de luz, essa possibilidade. Eu estou considerando votar no Zema, Christian. Porque meus filhos, por exemplo, cara, 14, 15 anos. Entendeu? Sabe quanto custa a escola? Imagina só o jogo. Eles trabalhando, em vez de eu gastar aquele dinheiro na escola, eu ganho aquele dinheiro.
Porque evidentemente eu sou patriarca e eu vou gerir tudo. O que eles ficam fazendo em casa? Ficam passando o dia inteiro lá vendo tela, jogando videogame. Isso, isso. Porque com 14, 15 anos o que você faz é só isso, jogar videogame. Sim, pelo menos. Não é só a Vieta Várias.
Olha, que corte bonito que isso pode render fora de contexto. Eu dando ideia dos inimigos, Pedro. Eu não tenho inimigos. Eu não tenho inimigos. Não tem, verdade. Não tem. Não tem. Só tem amigos. Isso. Ai, ai, ai, ai, ai. Eu, de quinta-feira para cá,
Redesenhei por completo o que eu estou achando que vai acontecer no Brasil perante uma vitória do Flávio Bolsonaro. Eu acho que essa coisa que a gente fala, o Flávio é alerge no poder, o Flávio é o filho mais centrão do Bolsonaro.
Eu estou cada vez achando que isso explica muito mais do que apenas uma metáfora, ou apenas uma relação. Porque o que aconteceu? O que a gente tem? A gente tem uma série de jornalistas, eu quero destacar quatro.
Primeiro, Julia Keck, aqui do meio, nosso jornalista lá em Brasília. Tem um vídeo espetacular que vocês têm que assistir no Instagram, que a gente publicou na sexta-feira. A votação... Desculpa, na quinta-feira... Na quinta-feira. A votação que aconteceu na sessão conjunta do Congresso, ela tinha uma característica.
Quando você junta as duas casas legislativas, Câmara e Senado, numa sessão conjunta para derrubar vetos, a primeira coisa que você tem que fazer, obrigatoriamente, pelo regimento interno, é você tem que avaliar os pedidos de CPI mista, das CPMI's, que são as CPI's que juntam deputados e senadores. A CPI do Máster...
Estava lá com requerimento. Era obrigação do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, o presidente do Senado é o presidente do Congresso. É obrigação do presidente do Congresso, antes de ver qualquer tipo de veto, me corrija se eu estou falando bobagem, Flávio, é obrigação dele dar uma olhada e apresentar para o plenário as CPMI. Sumiu. Não é só que sumiu a CPMI do Master. Ninguém reclamou.
Aí por que Sérgio Moro não reclamou? Por que Flávio Bolsonaro não reclamou? Não reclamou porque havia um acordo de a gente abre e derrubamos os vetos do presidente Lula, permitindo que se reduza as penas de todo mundo que foi condenado por golpe de Estado. Em troca, ninguém reclama da CPMI. Agora, não é só que tem esse acordo, e nós estamos informando para vocês que tem esse acordo.
Esse acordo foi distribuído na forma de um link no WhatsApp do Congresso, lá dos deputados e senadores, em que você assinava através do link e registrava que você estava topando o acordo.
A gente tem a assinatura de todo mundo. A Júlia botou mão nesse papel. Então, a gente tem que ver lá o Moro se comprometendo a não reclamar que não está abrindo a CPMI do Master. O Flávio Bolsonaro, vários outros. Vale a pena dar uma olhada. Esse vídeo está no Instagram no meio. Agora, eu não quero dar crédito só para a Júlia Kerker. Eu quero dar crédito para a Ana Clara Costa.
da revista Piauí, que faz parte do trio do Foro de Teresina, para Malu Gaspar, do Globo, e para Daniela Lima, do UOL. Todas trouxeram alguns pedaços de uma apuração que mostram a quantidade de vais e vens que aconteceram entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal.
A gente tem pequenas informações que podem não querer dizer nada, mas, por exemplo, tudo indica que a suplente do Flávio Dino no Senado, Flávio Dino era senador, foi para o Supremo, ficou suplente. A suplente dele votou contra Jorge Messias. Isso não necessariamente quer dizer que o Dino tenha sido a favor disso.
Mas, mas que coisa estranha. Alexandre de Moraes estava falando abertamente dentro do Supremo, para quem o perguntasse, que o Jorge Messias teria 32 votos. Isso no dia da votação. Ele precisava de 41 para ser aprovado. 32 votos é exatamente o número que Davi Alcolumbre estava dando para todo mundo. Ou seja, tinha um vaso de comunicação aí. Não, Alcolumbre dava 34.
A notícia que eu li é que o Alexandre estava falando 32 no mesmo momento que o Alcolumbre estava falando 32. É claro que essa conta... É bom, a votação final foi 34, talvez tenha tido... A votação final foi 34. A votação final foi 34. Tem um momento ali que tanto o Alcolumbre quanto o Alexandre estavam falando 32. Para interlocutores diferentes isso foi...
registrado, isso foi devidamente vazado, quer dizer, indicando vasos comunicantes. O próprio Alessandro Vieira, ele faz no discurso dele na CPI, na CPI não, perdão, na Comissão de Constituição e Justiça, quando eles estavam fazendo a sabatina do Messias, ele faz um discurso dizendo que ele vai votar a favor do Messias e ele fala lá. Eu sei, inclusive, que tem ministros da Suprema Corte que tem pedido votos contra o senhor. Ele estava falando...
de Alexandre de Moraes. Vários senadores falaram isso. Agora, não é só isso. Jacques Wagner. Jacques Wagner, o líder do PT no Senado. É o cara que estava simpaticão com a Columbre o tempo todo ali. E várias pessoas no Planalto, vários jornalistas ouviram isso. Que todo o Planalto estava ali, tipo, o Wagner não saiu.
O pessoal já está botando panos quentes. Agora, eu ouvi... Eu ouvi agora, indiretamente, mas...
Tipo, vi um recado que me foi passado para um dos fundadores do PT, da mesma geração, um político da mesma geração do Volkswagen, um político importantíssimo do PT, tipo, da geração de fundadores, essencialmente confirmando, é isso aí que aconteceu. Quer dizer, não é... Agora...
O que é o Jacques Wagner e o Rui Costa nesse jogo? O PT baiano é o pedaço do PT que tem uma ponta solta, um rabo preso, melhor dizendo, com o Master. No fim das contas, a interessa ao Columbre, qual é esse interesse que junta ao Columbre, Alexandre de Moraes, Jacques Wagner e meio Centrão? De alguma forma, foi lido que o Messias era o candidato...
a favor da apuração do Master e do julgamento do Master. Então, um pedaço do Supremo, o Centrão, um pedaço do PT e o PL se juntaram para derrubar Jorge Messias. Então, a gente está tão acostumado, sabe, a ler a política...
a política como nesse jogo bolsonarismo, é suspetismo, que o que aconteceu nessa votação do Jorge Messias é outro jogo, é o partido do Master. E aí quando você soma isso, o acordo para não fazer CPI do Master, em troca da... Em troca... Saúde, Flávio. Quando você vê esse jogo...
A gente não faz a CPI do Baster, em troca a gente diminui as penas dos condenados pelo golpe. Bicho, o que eu estou vendo? Eu acho que um governo Flávio Bolsonaro não é um governo Bolsonaro 2. Eu acho que o Flávio Bolsonaro é um governo do centrão e vai ter um grande acordo.
que vai juntar, porque parte do acordo, isso faz parte das apurações que os jornalistas fizeram, parte desse acordo monta um jogo que funciona da seguinte forma. O Alcolumbre é reeleito com o apoio do Flávio, presidente do Senado, e bloqueia pedido de CPI contra o impeachment de ministro supremo.
Em troca, o Supremo não se move e deixa que a graça presidencial para livrar o Bolsonaro e os generais aconteça. Aí o que é esse governo, Flávio Bolsonaro? Eu estou achando que não há um governo de golpismo militar, não há um governo de berro diário e crise diária na saída do Alvorada. Eu acho que é um governo de consolidar...
o centrão no Congresso Nacional com comando do orçamento federal e renegociar o equilíbrio de poderes, inclusive tendo vasos comunicantes entre o Supremo e o Congresso para ter um jogo, literalmente, de...
de tanto o Supremo quanto o Congresso poderem decidir quem estará no Supremo. Quer dizer, é uma coisa de você quase voltar para o tempo da República Velha, de certa forma, sabe, seu Cristiano?
Olha, a gente está vendo uma mutação. Eu queria só adicionar um fato, desculpa, meu bem, é só porque eu acho que das informações todas que o Pedro desenhou como um ponto de partida, para a gente debater, eu só queria adicionar que o sinal que foi lido de que o Messias entraria no Supremo para levar adiante as investigações do Master,
São dois, na verdade, que é parte de um só. É o fato de o André Mendonça ser o seu principal cabo eleitoral, e isso não é só por causa da religiosidade de ambos, é também por conta da carreira de AGU e do fato de que o Messias deu todos os sinais públicos possíveis ao André Mendonça de que...
seria um ministro do Supremo da bancada Mendonça dentro do Supremo, ou seja, da bancada pró-investigação do Master. Então, eu só queria acrescentar este detalhe só para o desenho inicial aí. Desculpa, Cristian, vai lá. Cara, tem tanta coisa para falar. São tantas camadas, como se diz por aí. Desculpa, eu saí abrindo vários pedaços. Não, não, não, não, não, não, não, não, mas é porque eu acho que você abriu muito bem, porque eu acho que...
Examinar o que está acontecendo nos últimos dias é a coisa mais complicada que apareceu nos últimos meses para ser explicado. Porque, ao mesmo tempo, ela tem causas gerais. Ela é uma situação inédita, talvez a situação mais inédita de mudança de regime de governabilidade, sei lá. Não digo nem da eleição do Bolsonaro, eu digo desde o impeachment da Dilma.
de alguma coisa que está vindo lá de trás, e ao mesmo tempo ela revela para onde as coisas estão indo. E é engraçado que se a gente for para o tempo do impeachment da Dilma, a gente está vendo, na verdade, onde aquela onda que começou lá está chegando.
que é isso um pouco o que você está querendo dizer. A gente tinha um presidencialismo de coalizão com dominância do executivo, você tinha um congresso que era o poder, digamos assim, mais fraco naquele momento, que estava acossado, digamos assim, pelo judiciarismo de um lado e pelo presidencialismo de coalizão do outro.
Mas a gente tinha um presidencialismo de coalizão que organizava mais ou menos e dava governabilidade entre executivo e legislativo. E a gente tinha um judiciário que nunca fez parte de nenhum regime de governabilidade, que estava crescendo e aparecendo, mas era uma força que estava solta e descontrolada naquele momento. E foi o surgimento desse judiciário solto, descontrolado, apoiando a Lava Jato.
fez com que o Centrão resolvesse, numa estratégia de sobrevivência, dizer assim, nós não podemos depender. A nossa sobrevivência, a nossa autorreprodução no sistema, não pode depender nem da presidência da República e nem do judiciário solto. A gente não pode ser acossado por acusações de corrupção de um lado e a gente não pode depender do orçamento do outro. Então, todo o esforço do Centrão nos últimos 10 anos tem sido no sentido de se emancipar.
Ou seja, então de um lado você tem a apropriação das emendas parlamentares, para você esvaziar o poder do Executivo e o controle que o Executivo tinha sobre o Centrão, e você tem todo esse discurso de autonomia do Congresso em relação ao Judiciário, que tem pautado todo esse blá-blá-blá desde o tempo da Lava Jato, teve o interregno do governo Bolsonaro querendo instituir um governo autoritário.
E agora esse discurso voltou. Quer dizer, isso eu acho que é a tendência da longa duração. Lá atrás a gente já falava um pouco, na época do impeachment da Dilma, de parlamentarismo bastardo. Pelo menos eu falava, eu usava essa expressão de parlamentarismo bastardo. Porque é um parlamentarismo que não quer ser parlamentarista. É um grupo do centrão que quer...
Você tem uma maioria conservadora, digamos assim, mas o conservadorismo aqui não tem uma noção, não tem uma conotação muito ideológica, não. É uma espécie de conservadorismo mais perto de uma meiuca, que quer simplesmente a preocupação de não ter um projeto de país, necessariamente. Eles querem ter as condições de autorreprodução, ocupação de postos de poder dentro da administração pública e querem poder garantir essa perpetuidade.
Então, por incrível que pareça, eles promoveram o impeachment da Dilma para não sofrerem, para poder se proteger da Lava Jato, depois bancaram o governo Temer, o desmonte da Lava Jato, e depois eles ficaram contra o golpe do Bolsonaro, porque também precisavam manter essa perpetuidade.
E no governo Lula acontece o quê? O governo Lula tenta restabelecer o mínimo do presidencialismo de coalizão, que é muito difícil, porque ele é minoritário do ponto de vista ideológico dentro do Congresso. Mas repara, a partir do momento também que você tem que domar o judiciário, e o judiciário parece que não está domado, o que o Centrão tem que fazer? O Centrão tem que obrigar o presidente da República a dividir com ele a nomeação dos ministros supremos.
Isso que é uma coisa impressionante, porque isso nunca aconteceu na história do Brasil.
o Senado lá negou as indicações do Marechal Floriano apagar das luzes e depois do governo Floriano porque o Prudente de Moraes, o seu tio, estava eleito já. E você tinha medo que o Floriano desse um golpe e continuasse. E até porque os indicados nem juristas eram.
Eles eram militares e médicos. É médico. Acho que vocês tinham um general no meio também. O principal rejeitado foi o Cândido Barata Ribeiro, que era médico. Então, seja como for... Tem uma cena maravilhosa. Eu vou te interromper porque... Memórias de infância de menino que morava... Como chama você? Meia quadra da Barata Ribeiro. Você não parece que tem 150 anos de idade? Meia quadra de...
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procurando, vão encontrar um sarcófago de alguma coisa, aquelas coisas malucas do Armação Inventada. Aí, de repente, eles entram numa sala secreta que tem uma coisa de vidro imensa e tem uma barata, tipo, desse tamanho dentro do sarcófago. Aí Lula se vira para o Juba assim, Juba, Juba!
É a Barata Ribeiro, cara. É a barata mais antiga de Copacabana. E era Cândido Barata Ribeiro, o sujeito que foi rejeitado antes do Messias. Desculpa, eu te interrompi de uma coisa de forma completamente caótica. Não, mas eu acho que vai lembrar essa... Mas eu acho que Juba e Lula têm prioridade nesse programa em qualquer momento. Toda vez que alguém precisar citar Juba e Lula, está autorizado a interromper quem for.
Para quem não sabe, o jovem Jubilula era um programa que existia no final da década, na segunda metade da década de 80, sobre as aventuras de um trisal que adotava uma criança de rua. E tu imagina, um trisal, entendeu? Todo mundo dormia junto e adotava um menino que era bacana. Não existia nem a palavra trisal. Era bacana. Era bacana, exatamente. Exatamente. Você vê que é passado a moralidade, é passado... Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro de Engageiro
É, isso era aquela época em que a gente achava que a democracia ia dar certo.
Então, o que acontece? Pela primeira vez, é claro que você tem um monte de fatores pequenos ali na história. Você tem o Davi Alcolumbre, que queria o Pacheco, mas isso já significava a tentativa do Centrão começar. O que o Centrão fez? Ele reconhece agora o fato de que o Supremo Tribunal Federal tem que ser cooptado. Isso é uma coisa gozada. Porque, de alguma maneira, o Centrão já transformou o antigo presidencialismo de coalizão numa espécie de governo congressional, entendeu? Não sei se você conhece esse livro do Woodrow Wilson.
Congressional Government, um livro do final do século XIX. Eu conheço o Wilson, evidentemente. É, mas ele tem um livro que era isso. Quem resgatou a expressão foi até o Cláudio Couto, meu queridíssimo colega lá da FGV de São Paulo. Entendeu? Uma espécie de governo congressional. Mas continua a haver um problema. A República continua sem o regime de governabilidade, porque agora você está, digamos assim, você está neutralizando o Executivo, mas você ainda neutralizou o Supremo Tribunal. Como é que você neutraliza o Supremo Tribunal Federal?
concentrando, dando as cartas, transformando o Supremo Tribunal Federal no TCU, entendeu? Nomeando os políticos para o Supremo Tribunal Federal que fazem qualquer negócio, entendeu? Nomeando eles próprios, os centrônicos para o Supremo Tribunal Federal. Aí você consegue terminar de politizar todas as instituições que têm relevância política no país.
E aí, para terminar, o que fica faltando? Porque a gente está numa situação que o Supremo está de um lado, o Executivo está do outro e o Congresso está de um terceiro lugar. O governo Lula é isso, Supremo para um lado, o governo para o outro, e daí o Centrão para o outro. E aí, qual é a tendência? E aí eu chego onde você estava comentando, que é o quê? Candidatura Flávio Bolsonaro. O que é a candidatura Flávio Bolsonaro? Como é que ele se apresenta? O problema dos Bolsonaro é tentar sempre ter a confiança do Centrão.
Eles têm voto, mas eles não têm a confiança do Centrão. O Centrão não define, na verdade, quem vai ser eleito. A gente já sabe disso. O Centrão não conseguiu, por exemplo, impor o Tarcísio de Freitas como candidato da direita.
E justamente todo o esforço do Flávio, qual é? Tentar se apresentar, a direita que eu estou falando, o Centrão. Tentar se apresentar ao Centrão como alguém confiável. Todo o esforço dele é nesse sentido. Para quê? Para poder ter os palanques, para poder ter os apoios políticos necessários à eleição dele. Agora, e aí vem o governo Flávio Bolsonaro...
O que ele está propondo para o Centrão, a gente não sabe como vai ser, enfim, lá na frente, mas é o seguinte, eu vou governar o Brasil como o meu grupo governa, alérgico, governo o Estado do Rio de Janeiro. E é uma coisa curiosa, porque quando você olha para fora do país, quando você olha para El Salvador, quando você olha para a Hungria, quando você olha para o Trump, o que você está vendo? Você está vendo uma espécie de autoritarismo parlamentar.
Você não tem como... Quer dizer, eu me referindo a um autoritarismo que não é dado por um golpe de Estado. É dado por um sistema em que você não precisa empacotar formalmente com grandes gestos autoritários do Supremo Tribunal. Você simplesmente toma o poder, nomeia lá, durante o seu governo, como o Trump fez. Gente que está alinhada a você, você vai conseguir maioria, vai governar com o Centrão, você vai distribuir os cargos do governo federal para o Centrão, como os governadores bolsonaristas do Estado do Rio distribuem para os membros da Alerte.
e você toca aquilo. E é óbvio que vai ser um governo absolutamente corrupto. Entendeu? Porque você não vai ter... Qual é a preocupação? Aí vem a história do Máster. Como é que você conseguiu fazer esse acordo transversal que tinha gente na porta do Lula? Não tem o Lula, mas tem na porta do Lula. Jack Wagner e Rui Costa de uma ponta, Centrão de outra, e um pedaço do Supremo lá representado pelo ministro Alexandre de Moraes.
Era literalmente a expressão de um sistema que está tentando se blindar contra a possibilidade de corrupção eleitoral, disso ser usado durante a campanha eleitoral e que pudesse resultar no impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal, que isso pudesse prejudicar a campanha do Flávio, a campanha do Columbre, entendeu? E, eventualmente, até a eleição baiana.
Então, a impressão que dá, e aí é engraçado, você sabe que eu li outro dia, ainda não saiu o livro não, e eu não estou querendo fazer propaganda, porque me fez pensar. O Joaquim Falcão vai lançar o livro sobre Supremo.
E ele tem uma tese ali que a gente pode discutir, mas uma coisa interessante que ele discute ali não é a ameaça da democracia que vem de fora para dentro, tipo o golpe, a extrema-direita. Ele fala que tem uma ameaça que é o acordão, ele chama isso de oligarquia, que são os pontos entre os próprios poderes, que quando a gente fica vendo o que eles têm de diferente entre si, de crise entre si, a gente não vê o que eles têm em comum, quais são os interesses comuns.
Entendeu? E a impressão que dá é que a gente caminha para um sistema, a expressão de um novo regime de governabilidade, em que você tem Supremo, tem Centrão e tem, eventualmente, se a direita ganhar com Flávio Bolsonaro, uma engrenagem total em que você restabelece essa governabilidade, mas numa chave que não tem a ver com o presidencialismo de coalizão. É uma espécie de governo congressual meio autoritário, porque ele vai...
Você não vai ter mais controle de nada, não tem mais controle externo e altamente corrupto. Entendeu? Eu acho que é um pouco isso que a gente está vendo. Acertei? Era mais ou menos isso que você estava olhando? Eu estou vendo uma coisa diferente. Vamos ouvir a Flávia e vamos tentar ver se...
Se a gente chega... É parecido com o que você está falando, só que eu acho que é muito diferente do que acontece nos Estados Unidos, na Hungria, na Rússia. Acho que é muito diferente. Eu também acho que é, mas tudo aqui é mais fraquinho, digamos assim. Flávia? Eu queria acrescentar a tudo isso que vocês falaram um elemento que eu não acho que seja nem um pouco desprezível e que
Para embasá-lo, a gente ganhou de presente um artigo confissão de Eduardo Cunha no Poder 360 de hoje. A quem convido todos muito a ler. Por que eu estou chamando de artigo confissão? É uma ameaça, é um artigo que é uma ameaça ao Lula.
O Cunha, o Eduardo Cunha, tá? Não é um homônimo, é o da Eduardo Cunha, o agente principal do impeachment de Dilma, o articulador do impeachment. Ele escreve um artigo, eu nem sabia que ele estava com uma coluna quinzenal no Poder 360, este é o primeiro artigo que eu leio dele neste espaço.
E ele escreve um longo artigo comparando um eventual Lula 4 ao Dilma 2. E já antecipando que, se o Lula for reeleito, as condições estão dadas para que ele sofra um impeachment.
Ele faz, o Eduardo Cunha faz o réde de falar, claro, vai precisar ter um crime de responsabilidade, né? Então, se ele não cometer nenhum crime de responsabilidade, não. Mas as condições políticas estão dadas. A certa altura, o que nos diz, o que nos ensina e nos confessa Eduardo Cunha? Ele diz o seguinte, abre aspas, Lembrando que foi graças a mim...
que se aprovou a mudança da idade de aposentadoria de ministros do Supremo Tribunal Federal de 70 para 75 anos, pela simples razão de se impedir que Dilma pudesse nomear dois novos ministros ao Supremo durante seu segundo mandato. Certo?
Soma isso com o parágrafo anterior. No parágrafo anterior ele fala que o Senado não vai aprovar mais qualquer nome indicado por Lula, salvo-se oriundo de algum acordo político para divisão das cadeiras. O que o Eduardo Cunha está nos confessando aqui? Que já em 2015 e 2016, quando ele foi presidente da Câmara,
o Congresso já estava à vontade o suficiente para advogar para si a prerrogativa do Executivo de indicar um ministro do Supremo Tribunal Federal. Àquela altura, já era o plano do Centrão no Congresso. Como ainda não tinha força política para escancarar isso da forma que Alcolumbre fez quarta passada, a manobra foi a de aumentar a idade de aposentadoria.
Certo? Agora, além de Lula, talvez, já estar sujeito a um impeachment antes de se eleger, porque é isso que o artigo do Eduardo Cunha está dizendo, que ele perdeu qualquer condição de governabilidade, que ficou claro a semana passada. Veja, o Eduardo Cunha é oposição. É óbvio que é papel dele de político, de ator político barra colunista político.
advogar que o governo acabou, que a desgovernabilidade está no fim, etc. Mas ele não é um ator político qualquer, ele é uma pessoa que conhece a engrenagem, que entende como esse centrão baixo clero opera. Ele inventou o centrão 2.0, que é para além dos caciques partidários, que é esse centrão que opera a partir do baixo clero com...
uma quantidade absurda de votos no Congresso, cujas demandas são muito mais difusas do que as de eu quero a Petrobras de porteira fechada, como era antigamente. Certo? Ele é, a meu ver, um ponto zero da linhagem que culmina no Alcolumbre, mas passa por Artulira, Ciro Nogueira, nas etapas de hipertrofia legislativa.
Então, baixo clero, impeachment. Ciro Nogueira, Arthur Lira, orçamento. E agora, Alcolumbre, primeiro-ministro. Praticamente oficial, porque parte da negociação que aconteceu na semana passada, além de master, além de dosimetria e etc., foi a reeleição do Alcolumbre.
Alcolumbre fechou a sua reeleição em 2027 com o bolsonarismo e a direita e o centrão. Ele é o primeiro-ministro, ele já está eleito. Esta sucessão de presidentes da Câmara e agora do Senado.
hipertrofiados, não é uma coisa randômica, só, tipo, já que se condicionou tal coisa, então já dá para fazer tal coisa. As coisas têm algum grau de cálculo, de previsibilidade. Se em 2015, 11 anos atrás, Eduardo Cunha já estava à vontade de manobrar para evitar que a Dilma nomeasse ministros do Supremo,
antes mesmo que ela sofresse o impeachment, evidente. Então, não é algo aleatório, fortuito, que a gente culmine no Alcolumbre, selando essa derrota retumbante para o Lula na semana passada e, ao mesmo tempo, assegurando a sua recondução à presidência do Senado e do Congresso. Para mim, as coisas estão muito amarradas. Eu acho que esta...
Este governo que você antevê do Flávio Bolsonaro, eu entendo que ele vai acontecer se o Flávio Bolsonaro for eleito com a anuência desse executivo fraco e se Lula for eleito com crise institucional. Hoje eu ouvi a professora Lara Mesquita, para mim ela foi brilhante no Café da Manhã da Folha, no podcast eu recomendo que todos ouçam também.
Ela falou assim, olha, neste momento a gente não pode confundir crise institucional com fraqueza política. O governo Lula está frágil politicamente, não está capaz de articular, não está capaz de entregar resultado no Congresso.
Ela defende que ainda não estamos necessariamente numa crise institucional. Eu penso que, se não estamos ainda, estamos caminhando fortemente. Porque se o próximo presidente da República não estiver disposto a dar mão, dedos e anéis, como eu imagino que Flávio esteja...
Vai precisar ir para o embate? Vai para o embate sem arma? Não sei. Que armas o Executivo ainda teria para brigar? Eu descreveria isso como processos de longa duração de mudança do regime de governabilidade. Isso que a gente está vendo acontecer. O que o Oclombo está dizendo é o seguinte, o Lula pode até ganhar.
Mas se ele ganhar, ele vai ter que governar com o Centrão, senão ele vai ser empichado. É, mas acho que é inevitável de qualquer jeito. Isso é o Cunha que está dizendo. É, mas eu estou achando que não tem... Não vai ser o Lula 3 de novo em que o Centrão vai ficar lá fazendo guerrilha. Qual é a diferença que eu vejo, Christian, entre... Vamos pegar aqui o irmão Putin e o Trump.
Eu poderia pegar o Netanyahu, né? Porque no fim das contas é tudo o mesmo modelo. Como é que é o modelo ali? O modelo é... É muito similar, inclusive, ao que o Chaves montou na Venezuela, só que pela esquerda. O modelo é... Você chega ao governo, aí você imediatamente precisa fazer dois movimentos. O primeiro movimento...
é garantir uma supremacia dentro do congresso quando você tem a supremacia dentro do congresso que é algum tipo de super controle dentro do congresso aí você avança para ter maioria na corte constitucional tá certo porque foi exatamente isso que o netanyahu fez em israel só que ele não consegue ter maioria na
O jogo em Israel é mais difícil para o Netanyahu conseguir ter maioria na Corte Constitucional. Mas a maioria no Legislativo ele tem conseguido manter. O Orbán e o Putin fizeram isso com muito mais eficiência.
Eles tanto neutralizaram simultaneamente o Congresso quanto neutralizaram a Corte Constitucional. E aí começaram a fazer mudança de forma que uma maioria estreita no Congresso vale em voto como uma super maioria. A partir daí, eles pegam uma turma que está fora da política.
que são esses grupos oligárquicos que essencialmente precisam assumir o controle de todas as indústrias que são essenciais para controle político. Eu estou falando aqui de energia, eu estou falando de construção, eu estou falando de comunicação. Essencialmente...
estrangula financeiramente os grupos de jornalismo, aí bota seus amigos oligarcas para comprar esses grupos todos, eles compram televisão, jornal, rádio, o que for, site, o que for relevante. Exatamente o que aconteceu na Hungria é exatamente o que aconteceu na Rússia.
É um bocado do que aconteceu em Israel, mas como tem essa ponte solta da Suprema Corte em Israel, ainda tem veículos... Agora, cara, se você olha para os Estados Unidos, os Estados Unidos estão mais avançados do que os Estados Unidos, em termos de corrosão democrática. Porque o Washington Post, Jeff Bezos simplesmente entregou para o Trump o Washington Post.
Tem um monte de crítica que o Washington Post fazia, um monte de reportagem que o Washington Post fazia, que ainda tem o New York Times, ainda tem a Atlantic, ainda tem New York, ainda existe uma imprensa independente. A CBS, que é uma das três grandes redes de televisão.
A CBS está virando uma Fox por pressão. Você já teve, você tem comediantes de late night sendo demitidos, como é o caso do Stephen Colbert, que era o mais popular dos três. Então, você já tem esse ato de corrosão democrática. Mas, no fim das contas, esses oligarcas, eles existem porque eles prestam favores ao ditador.
E, no fim das contas, esse sistema todo está centralizado em um homem forte. Tá certo? Eu acho que o que vai acontecer no Brasil num governo Flávio Bolsonaro é um modelo mais parecido com o que aconteceu no Rio de Janeiro, que é uma coisa inversa. O chefe do executivo vira um banana, um fantástico. E quem governa, de fato, é uma quadrilha dentro do poder legislativo.
E é uma quadrilha mesmo, tipo Cláudio Castro, Wilson Witzel. Esses caras nunca governaram o Rio de Janeiro. Mas o ponto que eu estava falando do autoritarismo é que ele não necessariamente depende exatamente desse homem forte. Embora a gente sempre pode dizer que ele pode vir a ser um homem forte. Não tem como saber exatamente. Mas a partir do momento em que você controla o judiciário, você imagina a seguinte condição.
O governo ou o centrão passa a controlar aquilo ali. Você vai escolher, sei lá, os homens, o pessoal do centrão, que está dentro do Supremo Tribunal Federal, vai escolher um PGR, que também é o amigote. O Supremo vira o TCU. Você não tem mais apuração de coisa nenhuma, você não tem mais controle de coisa nenhuma.
Aí você vai ter uma agenda, você vai ter alguma agenda para o Brasil, você vai ter uma agenda de direita, não sei se vai ser uma agenda de extrema direita. O ponto que eu estou... Você não vai ter controle desse troço, entendeu? O ponto que eu estou fazendo é que... Ele é mais oligárquico, você está dando um ponto nas menções mais oligárquicas. Aí eu acho que a gente vai chegar no mesmo ponto. A gente usa essa palavra oligarca, oligarquia, para falar desses empresários que orbitam ao redor do Orbán, que orbitam ao redor do Putin.
E, na verdade, a palavra é um pouco mal aplicada, no sentido de que esses empresários 100% dependem do ditador.
No momento que eles caem da graça do ditador, eles caem por uma janela no dia seguinte. Ou o avião cai. Essas coisas. Eles não são, de fato, uma oligarquia no sentido grego da palavra. É, porque eu estou falando de oligarquia, eu estou falando do governo Temer. Não, exatamente. Pois é. Aí, eu acho que o centrão vira uma oligarquia, de fato. No sentido de que é uma quadrilha, um grupo de pessoas que se juntam e essas pessoas compartilham do poder.
E essas pessoas, você vai ter esses Daniel Vorcaros da vida, mas o que esses Daniel Vorcaros da vida são, não são eles os oligarcas. Eles têm, na verdade, um papel de prestar serviços. Operador. Eles vão prestar serviços a esse grupo governante.
O que você está falando é o seguinte, o Flávio Bolsonaro promete... Eu estou descrevendo uma oligarquia grega. Eu sei, você está prometendo. O Flávio Bolsonaro, no momento, está oferecendo assim, eu vou governar como meu pai, sem golpismo, sem militarização do governo, e ainda por cima com o Supremo domesticado pelo próprio Centrão. Lembra que o Bolsonaro, na verdade, ele botava o Ciro Nogueira para tocar o negócio? É mais do que o Supremo domesticado pelo Centrão.
É o Supremo dentro do mesmo jogo. É isso que eu estou querendo dizer. É isso. E aí, no fundo, isso é uma coisa autoritária, porque é um cenário que é o oposto de hoje. O cenário, por incrível que pareça, do ponto de vista técnico, quando a gente lê Montesquieu, a teoria da separação de poderes, a separação de poderes que o Montesquieu imaginava era exatamente hoje. Eu sei que parece uma coisa maluca. Era o executivo indo para um lado, o legislativo indo para o outro, o judiciário para um terceiro, eles brigando entre eles lá.
E nós aqui embaixo livres, porque eles estavam brigando entre eles. Esse negócio da harmonia, não sei o que, isso não tem muita esquerda, negócio de harmonia, não tem harmonia nenhuma. Você bota os três brigando, mas eles têm a mesma força. Eles ficam brigando entre eles lá e a gente fica livre aqui embaixo. Mas aí o que você está descrevendo, ele também descreve que é uma situação em que os poderes dão a mão entre si. E aí se eles se juntam, você tem despotismo.
Porque exatamente o sistema é feito para eles não... Para eles terem diferenças entre eles, entendeu? Se eles fazem um grande acordão entre os três, dominados por o mesmo propósito de dominação geral, isso está lá, isso aí é o despotismo. Então não tem como um arranjo como esse não ser autoritário. Eu acho que ele, de alguma maneira, ele desamarra a paralisia em que o país entrou.
Entendeu? Só que ele vai desamarrar para esse caminho. E quando a gente está olhando de novo, porque a gente tem que imaginar que a direita também está no circuito geral do mundo. A gente não precisa dizer que vai ser todos os governos de outra direita. Mas quando a gente pega, sei lá, um governo como... Mesmo do Milley, em que ele não é autocrata, que ele não tem mais o livro no Congresso, quando você olha todos os sistemas da direita hoje, da nova direita, são todos corruptos.
Porque você não tem como governar sem corromper, porque você tem que cooptar a sociedade que não está topando aquilo ali, os políticos que não estão topando aquilo ali. E você tenta neutralizar os mecanismos de controle, neutralização do Ministério Público, neutralização de qualquer tipo de órgão de fiscalização e do judiciário. Então, vai ser o grau de autoritarismo, a gente pode discutir isso. Pode ser um autoritarismo meio mole.
Entendeu? Mas certamente vai ser muito corrupto. A gente sabe, a gente está falando do Estado do Rio. A gente sabe que a justiça também está... Boa parte da justiça aqui no Rio também está comprometida. Entendeu? Você imagina se não existisse justiça federal? Você imagina se o Estado do Rio fosse o Estado independente? Está até batendo a benzer, batendo a madeira. Entendeu? O cenário é um pouco esse. Agora, o problema, juro que eu vou terminar, é que falta combinar com o eleitor.
E quando o eleitor... Porque o eleitor odeia o Congresso Nacional. O eleitor, de modo geral, sempre odeia o Congresso Nacional. O Brasil deteste o Congresso. Porque o Congresso é sempre o símbolo do atraso, é sempre o símbolo da classe política. Tanto que nunca foi possível implantar, de fato, o parlamentarismo na República por conta disso.
Porque o brasileiro, a massa, ela é presidencialista. Ela não gosta do Congresso. E quando ela vê o arranjo feito esse, ele corre para o outro lado. Bolsonaro foi eleito porque era antissistema. Entendeu?
Se você apresentar para um eleitor um mundo maravilhoso do Centrão, do Flávio Bolsonaro, fazendo assim para o Centrão, eu não sei se ele elege o Flávio Bolsonaro, não. É, mas eu acho que não vai ser contado dessa forma, né? Pô, mas é o que você está vendo, né? É, Flávio.
Eu ia só acrescentar que para mim é aí que a tese de um Flávio não golpista pode desandar, porque eu acho que no momento em que, vamos supor que Lula feche o primeiro turno na frente do Flávio.
Se for muito apertado e Lula na frente, eu acho que o discurso golpista começa imediatamente. Essa eleição está claramente fraudada, nas ruas não é o que a gente sente, nem que seja só a retórica, aquela retórica ainda do período eleitoral. De deslegitimação e para depois preparar o impeachment. Que depois prepara o impeachment.
É, porque assim, Cristian, ele já está falando abertamente de ter o pai subindo a rampa do Planalto com ele, ao seu lado. Não é assim que eu chegar daria graça. Meu pai estará ao meu lado subindo a rampa comigo.
É óbvio que também, novamente, como eu falei do Eduardo Cunha, políticos usam imagens, plantam imagens no imaginário para ir tornando coisas possíveis.
Então, mas no caso da família Bolsonaro, a gente sabe que eles apostam alto mirando no alto mesmo. Não é só retórica. Quando o Bolsonaro estava falando que não, não vai ter, o ladrão não vai subir a rampa, ele não estava querendo, não era uma hipérbole, ele estava planejando matar a galera, certo? Então, vamos partir do princípio de que talvez não seja uma hipérbole, de que Flávio Bolsonaro está contando com o pai de braços dados com ele subindo a rampa.
para ele estar com esse grau de conforto a este momento...
é porque ele está, no mínimo, preparando o discurso de que, se não for isso que acontecer, foi fraudado. E tem que fazer recontagem de voto e tem que fazer o diabo a quatro. Então, o não golpismo dele, para mim, tem prazo de validade muito claro. Eu acho que, claro, se ele ganha, de fato. Não acho que ele vá necessariamente, por exemplo, militarizar o Planalto como o pai dele fez, embora...
O ralo discurso político de Flávio Bolsonaro se baseia em segurança pública e militarismo.
Ele não tem muitas outras coisas a apresentar. Ele não é um evangélico raiz que vai ficar brigando pela pauta de costumes, ou pelo menos até aqui não foi a sua principal pauta política. O pouco de plataforma política que o Flávio construiu ao longo da sua carreira foi de bancada da bala. Então, isso não é de se ignorar.
Ele condecorava miliciano e tudo mais, em parte por causa da rachadinha e dos arranjos que ele tinha, mas em parte porque a sua pouca plataforma política sempre foi a do discurso da bala, a do discurso das forças de segurança, de fortalecer as forças de segurança e tudo mais.
Não sei se dá para partir tão claramente do pressuposto de que ele arremia mão de algum tipo de militarização, de uso da força, nem que seja dentro de um acordão, entendeu? Eu acho que é muito do perfil do Flávio, em particular, ter essa associação, por exemplo, às polícias militares, aos próprios militares, não é algo tão desconexo assim.
É diferente, por exemplo, o Eduardo Menos. O Eduardo era a Polícia Federal, mas ele tinha a agenda olavista para empunhar. O Flávio não tem, o Flávio não é olavista, o Flávio não é religioso, o Flávio não tem nada. O Flávio é o pai e o centrão. Na parte do pai, eu acho que a parte das forças de segurança é a que mais se aproxima do pai.
Mas Flávia, isso não é incompatível com esse modelo que a gente está descrevendo aqui de uma transferência do sistema do Rio de Janeiro para Brasília, porque as milícias estão absolutamente dentro desse desenho. Só que a força que manda não são as armas, são...
É o centrão. É bom lembrar também, exatamente, que aqui no estado do Rio, quem manda no governo... As forças de segurança são prestadores de serviço dessa oligarquia que manda. É bom lembrar que quem manda não é para superestimar o cumpismo.
Eu só acho que não dá para subestimar o golpismo quando a sua força política vem de uma força que é militarizada por excelência. Tudo bem, tudo bem. Eu não tenho ideia do que vai ser o governo Flávio Bolsonaro. Eu não estou esquecendo em momento algum que o pai dele tentou dar um golpe de Estado, tentou convencer o alto comando das Forças Armadas a participar de um golpe de Estado. Eu não estou esquecendo de absolutamente nada disso.
Eu só estou observando a negociação que aconteceu na semana passada e interpretando isso à luz daquilo que nós sabemos que o Flávio Bolsonaro foi enquanto deputado da LERJ. Quer dizer, tem um monte de coisa aí que eu não sei o que é o futuro. Eu não estou dizendo que não vai haver um golpe de Estado. Agora,
O modelo que interessa a quem eu acho que tem poder no Brasil hoje, que é o centrão dentro do Congresso Nacional, não é um modelo de um ditador no Palácio do Planalto. É um modelo de um Palácio do Planalto aguado. E eu acho que o preço para o Flávio ser presidente da República e libertar o pai dentro desse acordo é não ter o poder.
O problema é depois. Não, não, não. Tudo é um problema. Agora... É porque a gente não sabe também assim. Vamos imaginar que isso acontece. Vamos imaginar que o Lula seja derrotado. Aí o Lula se retira da cena pública ou vira uma figura mais enfraquecida. Não, é outra coisa. É outra coisa. Eu tenho informação sobre isso. Tá, mas um ponto só é que... Se ele não se candidata mais para frente, vamos imaginar que a esquerda vai ter que passar por um momento de reciclagem.
porque a grande figura unificadora do Lula já está realmente se retirando, só tem que ter renovação de liderança. Vamos imaginar que o PT passe por um momento como o Partido Democrata agora também, que vai puxar para cá, puxar para lá, vai ter gente mais de esquerda, gente mais de direita, briga regional, uma situação como essa.
E você vai ter uma coalizão de poder, e a gente não sabe até que ponto, sendo a família Bolsonaro com o histórico que tem, se você não vai ter, dentro da coalizão, uma tentativa de afirmação do governo contra essas lideranças do Centrão, ou fazer um outro arranjo. Você está entendendo? Porque todas essas coalizões, elas começam a brigar entre elas. Eu entendo isso, pode acontecer. E aí você chama os militares, aí é mais para chantagear o Centrão. Tudo bem, pode tudo isso. Ainda assim,
É... Veja, eu não tô... É possível um autogolpe? É. O problema desse autogolpe é o seguinte. Muito provavelmente ele vai se dar numa circunstância em que a gente vai ter Donald Trump como lame duck. Porque tudo indica que ele vai tomar uma surra em novembro. E se ele não tiver controle de Senado e Câmara, a probabilidade de haver um apoio
definitivo que que sonhe para as forças armadas brasileiras como uma coisa sólida para um golpe é difícil, entendeu? Eu não sei qual é o desenho que vai acontecer, evidentemente. A gente não sabe o que vai acontecer nas eleições de militância. Talvez nem precise disso. Cara, tudo bem.
Deixa eu trazer outros dois cacos aqui para essa... É claro que a gente começa... Isso aqui é um brainstorm. É um brainstorm e a gente começa a ter discussões de... São tantas peças em movimento no cenário político que, claro, a gente começa a transformar a coisa num xadrez 4D que não faz sentido, porque não tem...
o que dá para fazer solidamente como análise? A maneira desse troço atingir um equilíbrio é essa aliança supremo-centrão Flávio Bolsonaro. Isso é o equilíbrio, isso é o jogo em equilíbrio e todo mundo respeita o seu espaço e o poder fica concentrado no centrão. Agora, evidentemente, existem cenários em que esse negócio não entra em equilíbrio.
E aí esses cenários são outros cenários e as variáveis são diversas. Deixa eu chamar a atenção para dois comentários aqui. Tem dois pontos ainda que eu quero fazer. Um é em cima desses dois comentários. São alguns comentários, não são muitos os comentários no nosso chat de hoje como esses dois, mas eu queria chamar a atenção para eles.
Porque eles, embora não sejam comentários incomuns, eles não são o tipo de comentário mais habitual, nem da direita, nem da esquerda. Agora, quando você navega pela internet, é uma quantidade muito grande de pessoas que pensa como essas duas pessoas aqui. Uma é a Joana Dark e Paulo Oliveira. Começou de novo esse papo de golpe? É sério? KKKKK. E o outro é o No Camaronte.
Vocês estão de piada. Falar que hoje tem independência dos poderes, que hoje não tem autoritarismo, tem uma parcela da sociedade brasileira, e essas duas pessoas fazem parte dessa parcela da sociedade brasileira, que se descolou da realidade num nível absolutamente maluco. E há tanta gente que acompanha política superficialmente Às vezes depois depois depois depois depois depois depois
que a gente literalmente está vendo se montar junto com o Flávio Bolsonaro, sabendo o histórico do Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, conhecendo o histórico do Centrão, acompanhando passo a passo as ações no Congresso Nacional. Para qualquer um que simplesmente seja capaz de abrir os olhos e ver e reconhecer os fatos tais quais eles são, porque isso não é uma coisa que você precisa de filtro de jornalista, mas não, não, não, não.
Você simplesmente vê a ação, você percebe onde está o núcleo de corrupção na República. O núcleo de corrupção na República está no Centrão, sempre esteve no Centrão. Flávio Bolsonaro pertence ao Centrão, sempre esteve no Centrão. E, no entanto, esse cara vai fazer um discurso de anticorrupção, vai ser eleito contra a corrupção se for eleito, por pessoas que acham que estão votando e, na verdade, vão...
instaurar no Brasil uma clartocracia. É isso. Por causa dessas pessoas que se descolaram na realidade e virou uma coisa de identidade. Veja, eu não estou falando de voto na direita. Vota no Ronaldo Caiado, cara.
Vota tem um monte de candidato de direita. O que não tem muito é candidato de esquerda. O que não tem nenhum é candidato liberal. Mas candidato conservador tem um monte para escolher. E nenhum representa tanto a cleptocracia brasileira, o centrão, quanto o Flávio Bolsonaro.
O Flávio Bolsonaro é um cara profundamente corrupto, que fez um acordaço que, em essência, favorece a ele politicamente, favorece ao pai dele criminalmente e favorece ao Daniel Morcaro do Master, entendeu? E as pessoas estão ignorando porque você conseguiu, de fato, pegar uma parcela da sociedade brasileira e jogar numa realidade paralela.
Agora, em segundo, eu queria trazer uma informação que é uma coisa que eu ouvi hoje. O Palácio do Planalto está lendo as pesquisas, o Palácio do Planalto está entendendo a crise e existe muita gente hoje dentro do Palácio do Planalto que já entendeu que o Lula criou tanta aresta com centro que é muito difícil para o Lula recuperar esse voto. Não é que as pessoas estejam felizes de votar no Flávio Bolsonaro, mas é...
o Lula decidiu passar o mandato dele comprando briga com os temas que são caros ao centro. Em política internacional e em economia. Tudo bem, direito dele, presidente da república, governa como governa. E aí é direito do eleitor votar de acordo com sua opinião. Então tem um núcleo, isso já tem muito tempo.
Mas está ganhando força dentro do Planalto e de pessoas próximas do Lula, conselheiros dos mais velhos em relação ao Lula, dizendo que talvez seja mesmo o momento de o Lula não ser candidato. A gente está ouvindo esses rumores há algum tempo, eu já ouço esses rumores há algum tempo. Eu sigo achando que o Lula gosta de briga, gosta de ser candidato e o fato de que a eleição vai ser difícil não...
Não tira dele a vontade de ser candidato, muito pelo contrário, aumenta a vontade dele de ser candidato. Mas, eu soube de duas informações hoje que eu achei muito interessantes. A primeira é o seguinte, essa é uma informação que eu não tinha. Um dos motivos que faz o Lula querer ser candidato é o seguinte.
Ele acha que se ele não for presidente da República, num governo Flávio Bolsonaro, ele corre o sério risco de passar o resto da vida preso. Ele acha que ele tem medo de ser preso. Ele acha que ele precisa ser candidato à presidência da República para não ser preso. E tem uma quantidade grande de gente dentro do PT que já conta com o impeachment de três ministros do Supremo entre o ano que vem e o seguinte.
Eu acho que não, eu acho que está indo para o acordão. Mas isso é uma opinião que está popular lá dentro do petismo, que o Toffoli, o Gilmar e o Alexandre sofreram impeachment. E o Lula tem essa crença pessoal. Agora, o que a turma que está preocupada com a eleição está desenhando é uma candidatura a Fernanda Haddad para a presidência da República.
com vice de direita, tipo de direita mesmo, que poderia ser o Alessandro Vieira, poderia ser Ronaldo Caiado, poderia ser o próprio Gilberto Kassab, existe conversa.
Já existem assinos para o Kassab da semana passada para cá, dizendo para o Planalto, precisamos retomar uma conversa, precisamos sentar aqui e eu entender o que vocês estão fazendo, vocês entenderem o que eu estou vendo, e ver se a gente faz uma coisa... Não é nada, é só uma... Uma cena, precisamos ter esse tipo de conversa. E aí...
seria uma candidatura...
Pró-centro, né? Imagina, um Lula com Caiado de vice, Lula com Alessandro Vieira de vice. Lula ou Fernanda... Desculpa, Fernanda Haddad. Fernanda Haddad com Alessandro Vieira de vice, Fernanda Haddad com Caiado de vice. Eu acho muito difícil o Caiado topar uma coisa dessas. Também acho. A gente corrigiu, hoje está segunda-feira, é fogo. Você trocou o Fernando Haddad por Lula, eu já te corrijo assim. Lula não, Fernando Henrique. Ops! Jair também.
quiseram eu enfim são as muitas conversas que que estão acontecendo Kleber Viana se vira Pedro, você acha que não vai ter reação do STF com impeachment? cara, fez impeachment fez impeachment não, a reação que ele está querendo dizer é dizer que o impeachment é inconstitucional tá, tudo bem, mas aí é crise institucional que a autoridade do Supremo tem
Veja, poder pode, mas aí você força a democracia num limite. Eu acho de uma irresponsabilidade o STF não acatar o impeachment de ministro supremo absurda. Porque você está tirando um dever... Atribuição. Cara...
É o STF dizendo que ninguém tem... Eu fico sem palavras perante um cenário desses, porque é um pedaço muito importante da Constituição a atribuição de como cada poder pode se inserir nos outros. E a maneira como o Legislativo pode entrar no Supremo...
E controlar o Supremo é através do impeachment. Se você tira esse poder do legislativo, o jogo não é mais uma democracia. O jogo virou outra coisa. Virou... Você jogou muito esse aqui para o espaço. É, mas é que tá. Eu acho que a coisa vai mais para o cordão. A gente viu agora o Alexandre de Moraes. A Alexandre de Moraes, inclusive, ele é conservador.
Entendeu? O Gilmar também dá as voltas dele, depois também o Toffoli dá as voltas dele. Eu não fico vendo quem é que é ser empichado. É mais fácil, tem perfil de ser empichado até a Carmen Lúcia, coitado. Eu quero tentar ver com esse mundo aí que está se desenhando. O que vai ter é isso. Uma pior das hipóteses, não sei, cara. Eu me lembro quando o Bolsonaro foi eleito, estava todo mundo de joelho, cara. Ele só não virou ditador ou fez o que quis, porque ele era um estúpido que não sabia o que fazer.
E aí, lembra, a primeira fase do governo Bolsonaro foi a fase olavista, nomear os olavistas, hostilizar o Congresso, que era o primeiro Congresso que era de direita com gente de extrema-direita. Ele hostilizou o Congresso em vez de governar com o Congresso. Mas, enfim, é uma coisa que tem a faca e o queijo na mão. Todo presidente tem a faca e o queijo na mão, mais ou menos. O Lula teve só a faca, ou melhor, só o queijo.
Agora, mas de um modo geral é sempre assim, se você derrota o candidato de esquerda como Lula e elege o candidato de direita, com o Congresso de Direita, esse presidente é muito forte, cara. Esse presidente vai ter muita força e vai ter maioria. O Supremo se ajeita do dia para a noite, entendeu? Se ajeita do dia para a noite.
Eu acho que tem uma coisa também, não está dado para mim que o Lula já perdeu esta eleição, gente. Não, também não. Inclusive, não está dado para o Alcolumbre. Porque depois de todo esse rebu que ele aprontou na semana passada para garantir o enterro da CPMI do Master e a sua reeleição à presidência do Senado,
Ele mandou o recado para o Planalto, isso é apuração da CNN Brasil, de que pode mandar a PEC do 6x1 que passa, porque por mim estamos quites. Acabou, eu só queria... Esse é o recado que o Alcolumbre mandou. Se é verdade, se ele vai cumprir, são outros 500. Mas ele fez circular a informação com essas aspas. Agora estamos quites.
Certo? No sentido de que você me negou a minha vaga do Supremo, eu neguei a sua. Agora estamos quites. A negociação recomeça. Mas isso faz parte, Flávia. Parece que está a mesma coisa. É o jogo oligarco do Centrão.
A ideia é, assim como o Flávio pode ser, da cabeça deles, isso não quer dizer que vai ser assim, na prática, né? Porque a gente sabe, né? Mas assim, assim como o Flávio tem que ser o instrumento do centrão, o problema do Lula para o Colombo é o Lula não governar com o centrão. Não interessa muito quem é. O presidente tem que estar submetido ao centrão. Tem que fazer um governo de centrão. Entendeu? Mas Flávio, eu concordo com você.
Também não acho que esteja dado uma derrota do Lula, não. Na verdade, eu sigo achando que o Lula é o favorito nessa eleição.
Agora, não é um favorito 80 para 20, né? É um favorito 55 para 45. É só isso. Mas ele tem a presidência da República, é um sujeito particularmente hábito, é bom de campanha como diabo.
E isso que o Cristian falou mais ali atrás, o eleitor não gosta do Congresso. E o discurso Congresso inimigo do povo, que foi martelado desde o ano passado, e que vira e mexe e volta, e que o Lula em particular capitaliza, porque surfa muito bem nele, sabe usar bem...
Está pronto, está dado. Então, eu acho que pode ser... Não acho que nem de perto está fácil para o Lula...
O desgaste de material do Lula é algo que talvez seja o maior fator de derrota dele, assim, mais do que o antipetismo, mais do que o bolsonarismo. Eu acho que é o cansaço com o próprio Lula. Eu acho que hoje é o maior inimigo do Lula é esse. É o cansaço que as pessoas têm com relação ao Lula pelo tempo de poder que o Lula já exerceu.
Isso eu acho que é a maior ameaça contra o Lula hoje. Isso não é fácil de vencer, porque exigiria do próprio Lula uma capacidade de reinvenção que ele não vem mostrando ter muito espaço de manobra para isso. Mesmo o discurso Congresso inimigo do povo é uma reciclagem, não é algo novo. Agora,
Ainda assim, eu acho que o Flávio Bolsonaro, a figura do Flávio Bolsonaro tem muitas brechas, muitas fragilidades.
E o Master ainda pode entregar muita coisa que, se tem, é verdade, o potencial de atingir a antessala do Lula, que é ali Jacques Wagner e Rui Costa, o potencial de estrago para figuras como Ciro Nogueira, como Hugo Mota, essa história das malas da semana passada, gente.
Isso é tão escandaloso, é uma coisa que investigada, tem um potencial explosivo tão grande e que a gente está tão assoberbado com tudo que vem acontecendo que a gente nem dá tempo de a gente prestar atenção no potencial explosivo que esse tipo de coisa ainda tem a entregar. Enfim, eu não imagino... Veja, as coisas estão muito abertas, mas...
Hoje, pelo menos, o Master não cola no Lula como o INSS cola no Lula. São dois escândalos que colam no Lula de maneira muito diferente, né? De maneiras muito diferentes. Então, haver ainda, mas...
O Alcolumbre, sabiamente, sabe que o Lula não está derrotado de saída e está fazendo o head da próxima negociação de ser centrão e ficar um pouquinho aberto a cada potencial próximo presidente.
com uma PEC 6x1 aí que pode beneficiar o governo de alguma maneira eleitoralmente. Não está claro. O imposto de renda não beneficiou até aqui. As pesquisas mostram que o eleitor não, até o momento, não enxerga isso como um benefício conquistado pelo governo Lula, enfim, suficiente para entregar o voto por conta disso. PEC 6x1 não está claro para mim se vai ter esse efeito ainda.
Mas ainda tem muita campanha para acontecer, né? Então, eu acho que para o Lula desistir, veja, também trequings do Planalto, segundo o nosso colega da Fórum, que é um jornalista que tem muitas fontes dentro do Planalto.
O Renato Rovai está fazendo circular a informação de que os trequings mostram que, na briga do Messias, o Lula se beneficiou diante do eleitor. O Lula saiu como vítima. É algo que o favorece, em tese. Então, a gente não sabe como ele vai surfar.
Estou curioso para saber, a gente incluiu na pesquisa Meia Ideia perguntas a respeito dessa votação no Congresso a respeito do Jorge Messias. Eu desconviro que a maior parte das pessoas nem soube o que aconteceu. Só desconfio, não tenho certeza. Mas eu iria além, em cima do que você está falando.
Essa ameaça do Eduardo Cunha, apitando de fora e doido para fazer parte do jogo por dentro de novo, mas é um cara que apita por fora e faz ameaças por fora, ele tem muito menos poder ainda do que tinha e se voltar ao Congresso, não quer dizer que ele vai recuperar todo o poder, porque esses espaços de poder foram ocupados.
Será que Arthur Lira abre espaço para ele na Câmara dos Deputados? Eu não acho que vai abrir. Davi Alcolumbre vai abrir espaço para ele? Essas coisas têm que ser reconquistadas. O Eduardo Cunha está fora do jogo há algum tempo, embora, evidentemente, faça aquela performance de quem está dentro do jogo. Isso tudo oposto, Luiz Inácio não é Dilma.
E existem... O impeachment da Dilma não foi só uma coisa que o Congresso quis. O impeachment da Dilma incluiu... Ela chegou no Datafolha a 9% de popularidade. O Collor nunca baixou de 11% de popularidade. Ótimo, mas bom. O Lula teria que cair.
muito em popularidade para não ter uma convulsão social. Você precisa criar esse espaço. E o Lula, eu não vejo o Lula durante o governo dele, se ele for reeleito para um quarto mandato.
Como um presidente de 9% de popularidade. Ele nunca vai ter menos de 30, 35. Eu não acho que vai. Até porque ele não vai fazer uma comodução da economia tão desastrada quanto a Dilma. O Lula é aquele cara, entendeu? Que ele faz um discurso que irrita pra cacete a nós liberais.
Mas aí ele vai e bota na equipe econômica a Fernanda Haddad e Gabriel Galípolo. Ele não bota Luiz Mercadante e Guido Mantega. Guido Mantega ficou sem poder, foi trabalhar no Master. E a Luiz Mercadante mandou para o Rio de Janeiro aqui, para dirigir o BN10, onde ele não atrapalha. Literalmente, ele não está em Brasília dando pitaco à economia.
E eu não estou dizendo que o Haddad seja o meu ministro da Fazenda dos Sonhos, porque não é. Mas ele é um cara muito mais próximo da... Ele é um cara que faz o discurso da contenção de gastos dentro do governo. O ponto aqui que eu estou fazendo é...
Não é a mesma coisa, me parece, o Lula e a Dilma. As pessoas acham que é a mesma coisa, ele não é a mesma coisa, nem responsabilidade econômica, embora eu não ache que ele seja de todo responsável.
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Mais de 15 milhões de pessoas do mundo todo já usam e confiam. Afinal, quem sabe, vai de Wise. Baixe o app da Wise hoje ou visite wise.com. Termos e condições se aplicam. Mas ele não é, ele não tem o mesmo nível de irresponsabilidade que a Dilma teve.
E ele é um político capaz pra cacete, né? Ele pode estar perdendo a mão, ele pode estar perdendo a mão, e eu acho que ele está perdendo a mão, e que ele não tem o controle do jogo e a percepção do jogo que ele já teve. Eu não tenho a impressão que ele tenha. Mas ele é o político mais hábil, criado pela Nova República. Não tem nenhum político... Tanto que atravessou...
Tanto que ele atravessou quatro anos de mandato pós-Bolsonaro com uma eleição de uma margem de um ponto percentual sem praticamente pedidos de impeachment, certo? Assim, o Lula, estou falando. E tendo posto o Alexandre Padilha e Gleisi Hoffman na articulação política, não pôs nem o Romero Jucá. O Lula nem tentou, né?
O Lula nem tentou, né? Eu vou te contar. Eu olho para esse negócio... Cara...
Então, assim, eu concordo com você e eu não trouxe o artigo do Eduardo Cunha aqui, porque eu acho que ele tem que ser levado a sério em cada linha do que ele escreve, não. Inclusive, fiz o Red de... É o Eduardo Cunha, obviamente que ele vai falar essas coisas aqui mesmo, inclusive em benefício próprio de dizer que ele é o máximo, que ele que inventou essa nova política e tal.
Mas a gente está vendo que vai ter uma campanha do Lula que vai ter que ser campanha central inimigo do povo, né? Central inimigo do povo e o entreguismo. Ele vai ter que fazer um discurso de jararaca aí na campanha, né? Quem? O Lula. O Cunha? Não, estou falando do Lula. Ele vai ter que fazer um discurso de jararaca. Em que ele é um antissistema. E a direita?
E o Flávio Bolsonaro, por sua vez, eu acho que o Flávio também tem, ou pelo menos a sua assessoria ali, a noção de que essa vitória não está dada, porque não à toa ele passou as últimas duas semanas, primeiro ele fez aquilo que a gente comentou na quinta, né, Pedro? Que ele, inclusive, ele abdicou de chamar para si a vitória.
Na verdade, a derrota do Messias, né? Os méritos pela derrota do Messias. Ele deu uma entrevista falando, óbvio, não tive culpa, hein, gente? Não tem nada com isso. Que foi engraçado. Mas o outro movimento que o Flávio fez, no fim de semana, a gente comentou logo no começo do programa.
é o de tentar apaziguar o próprio campo. Porque ele sabe que essa fissura dentro do bolsonarismo não o favorece. Então, ele partiu para o apaziguamento com o Silas Malafaia, está tentando apaziguar com o Michele Bolsonaro. Agora, ainda falta bastante gente engajar.
na campanha dele. A gente está vendo que, assim, tem muita gente que ainda não entrou, não começou, e está esperando ver se é isso mesmo. Só tem o Flávio mesmo, é certeza? Eu não sei o quanto os acordos fechados na semana passada.
empurram a direita, pelo menos a direita bolsonarista, a fechar em torno do Flávio. Agora, que não estavam até a semana passada todos fechados, nem o bolsonarismo todo fechado com ele ainda, a essa altura, isso claramente não estava. O Tarcísio não tinha embarcado, o Nicolas nem se fale, que é...
pivô de briga frequente no clã, né? E o Silas Malafaia aparentemente começou a abrir esse caminho. Ele é o articulador, né? Tanto com o Nicolas, quanto com a Michele, quanto com o Tarcísio. É o Silas o grande articulador, né? Então, e o Silas, por exemplo, não dá, o Silas Malafaia não dá nenhum sinal de que topa acordo com o Supremo Tribunal Federal.
Porque para ele não é bom politicamente. O Silas Malafaia quer mais, ele quer a briga com o Supremo Tribunal Federal. O acordão com o Supremo Tribunal Federal não é bom para o Silas Malafaia. A não ser que implique na sua absolvição. Mas essa briga com o Supremo por parte do Malafaia, ela pode ficar num nível puramente performático, né? Ele fazendo o vídeo contra o Supremo, o Supremo fez o que não tem.
E aí o Silas pode perfeitamente fazer um acordo desses, porque o Silas é o Silas. Basta ele fazer o acordo, ó, eu vou continuar no Blessing, eu vou continuar gritando aqui, tipo, é da minha natureza, e existe a expectativa, mas é pra gente fazer uma rivalidade performática.
porque isso faz parte dos acordos políticos. Olha, em público, eu vou continuar falando mal de você, mas em privado, estamos juntos. Eu não vou fazer o movimento XYZ, eu não vou embargar nenhum candidato, eu não vou atrapalhar vocês, vocês não me atrapalham aqui e estamos em paz. Quer dizer, veja, para esse tipo de acordo...
altamente demagógico, que é do que a gente está falando, é da natureza desse acordo que o Flávio pode... O Flávio pode ser um presidente da República que fica reclamando do Centrão. Entendeu? Que fica falando de corrupção. Dando todo o poder para o Centrão. O falar, o fazer live...
Para esse mecanismo do Rio de Janeiro funcionar em nível federal, vai ser fundamental que as pessoas que são os líderes do Centrão fiquem falando, fazendo live contra o Centrão na internet. Porque você precisa manter a base hipnotizada.
Não, mas assim, é bom lembrar que tem um pessoal da extrema-direita que é extrema-direita de verdade. Eu sei. É de verdade, que eles acham que é antissistema, que tem que meter o pau, que tem que fazer não sei o que. Também é difícil dominar esse pessoal. E tem esse negócio também do Flávio, ainda tem muita água para passar. A gente não sabe o que o Trump vai fazer.
a respeito de Brasil, a gente não sabe qual é a atitude que ele vai tomar e a turma dele vai tomar em relação à candidatura do Flávio Bolsonaro. Eu não sei se essa associação do Flávio Bolsonaro com o Centrão é uma coisa que vai dar uma confusão. Não sei se vai parte do eleitorado catando um Pablo qualquer ali, não vai votar no Renan Santos. Vai ter outras variáveis ali no meio do caminho. A gente trabalha em qualquer...
A gente trabalha sempre assim. Se a eleição fosse daqui a três semanas, a gente trabalha assim. Só que aí depende de essa informação chegar nas pessoas. E quando eu leio comentários, que, de novo, não são os comentários padrão aqui, inclusive das pessoas de direita. Mas quando eu saio pela internet e leio os comentários como esses que eu li mais cedo, de... Ah!
vocês não percebem que estamos vivendo na ditadura do Supremo? Vocês não percebem que... Tem um bando de gente, teve uma moça aqui que me escreveu ainda há pouco, olha aqui, Márcio Oliveira Silva. Melhora esse raciocínio, Pedro. Sei que é difícil defender o ladrão. Está falando, evidentemente, do Lula, né?
Eu sempre acho, não é porque não ache que o PT seja corrupto, eu acho que o PT tem corrupto pra cacete. A corrupção na Petrobras aconteceu. Foram 42 bilhões desviados da Petrobras, que a Petrobras que conhece publicamente, isso aconteceu dentro do governo Lula.
E eu não tenho nenhum problema com reconhecer o fato de que o governo Lula foi barbaramente corrupto e que a Dilma era uma pessoa que realmente tentou controlar a corrupção, mas era incompetente como administradora.
incompetente como política e uma pessoa difícil de lidar pra cacete como chefe, né? Porque a Dilma é daquelas chefes que gritam com as pessoas, jogam objeto contra as pessoas, autoritária pra cacete, de personalidade autoritária, não que tenha sido uma presidente autoritária, que ela jamais teve poder pra ser uma presidente autoritária.
Agora, eu acho inacreditável... Eu acho que teve um problema de ficar muito isolada também. Não, tudo bem, cara. Mas isso aí vem com a inépcia. É que nem João Goulart. João Goulart era um político inepto. Absolutamente incompetente. Mas tem uma política, né? Pois é. E tem uma coisa. Eu estou escrevendo... Eu estou passando todos os meus segundos livres escrevendo meu livro novo.
E é um livro que eu passo embatido em toda a história da República Brasileira. E, cara, é impressionante como o governo que cai é sempre, sempre, sempre, governo que deixa a inflação passar em determinado ponto. É impressionante. Você cria endividamento, dizendo que o país vai crescer, cria endividamento, inflação começa a incomodar as pessoas, o governo cai. Olha, Washington Luiz foi isso.
Getúlio Vargas foi isso, em 45. João Goulart foi isso. Collor foi isso. Dilma Rousseff foi isso.
Foi isso também, né? Não, não, não. Veja, em todos os outros governos existem outros elementos. Tem um elemento constante de impopularidade que favorece a queda quando você tem uma crise política. Muito bem, está querendo isso. É exatamente isso. Muito obrigado. E esse é um dos motivos pelos quais eu acho que o Lula não cai por causa de impeachment se ele for reeleito porque eu acho que ele não é. Porque isso também depende de uma certa habilidade política, entendeu? Você não permitir que as coisas cheguem em um determinado ponto.
Porque o governante tem o poder de não permitir que chegue a um determinado ponto. No caso da Dilma, por exemplo, e do Jango, eles foram presidentes que acharam que ir para o confronto, o povo estará do meu lado, é uma boa ideia.
Não deu certo com a Dilma, não deu certo com o Janko. E eu não acho que o Lula é mais inteligente do que isso politicamente. Mas eu sempre caio para essas pessoas assim, sempre que alguém usa esse argumento comigo, ah, eu sou contra o Lula e vou votar no Bolsonaro porque o Lula é ladrão.
Eu sempre fico estupefato assim do tipo, mas meu Deus do céu, você acha que Jair Bolsonaro é o quê?
Entendeu? Você acha que é um poço de honestidade? Isso é torcida, isso enganar. Eu sei. É o show five, vai ficar repetindo blá, blá, blá. Cara, eu sei que é torcida, mas é uma vontade de se enganar imensa. E, no fim das contas, esse é um ponto chave. Mas esse é um ponto chave. Não vê política como uma coisa de identidade. Ela não quer entender nada. Eu sei disso tudo. Eu sei disso tudo. O ponto é, a arte do Flávio...
vai ser fazer um discurso anticorrupção para se eleger e instaurar uma cleptocracia no Brasil. Essa é a arte do Flávio. Se ele conseguir convencer brasileiros o suficiente de que o problema da corrupção se resolve tirando o PT do governo e botando o cinturão do poder...
E ele próprio. Não, sim, claro, porque ele é isso, né? Ele é. Mas isso é engraçado. Você sabe que é mais fácil a extrema-direita mesmo, a reacionária, a parte reacionária da extrema-direita fazer esse tipo de discurso, mesmo que ela seja a ladra, é mais fácil porque quando estão falando em corrupção, estão falando de uma outra coisa que não é a nossa corrupção. Estão falando...
Que assim, isso foi uma corrupção moral. Você ser de esquerda já é ser corrupto, degenerado. É, eu sei. Moralmente. Que você, sabe, é uma coisa que você está do lado do demônio. E aí, se você roubou aqui e ali, isso é irrelevante. Porque se duvidar, foi um roubo divino. Foi um roubo até para fazer o bem. O bem da família brasileira. Entendeu? Agora, o Flávio Bolsonaro fazer campanha contra a corrupção.
É, não sei disso. Não tem muito questão. Agora, ao mesmo tempo que tem esse lado, a esquerda naturalmente corrupta e tem esse discurso, cara, a quantidade de gente, Jean Wyllys esse fim de semana, a quantidade de gente importante na esquerda de rede social que faz um discurso de a esquerda pensa em todos
E a direita só pensa em si, entendeu? Só a esquerda é generosa com o povo, porque a direita... Tem uma coisa uniforme desse momento que a gente vive, principalmente nessa turma mais ativa que faz essa conversa sobre política em rede social, em WhatsApp, em Telegram, etc. Tem uma coisa que... N-n-n...
Nas minhas entranhas liberais, berram e choram que é esse anti-pluralismo. Ninguém mais, no discurso público, no debate público...
A ideia de pluralismo, a ideia de que o outro pode ser honesto intelectualmente, acreditando em coisas diferentes das suas, foi para o espaço. É, mas aí você vai ter que explicar isso no teu livro lá, A Força do Algoritmo, entendeu? É, não, eu sei. É porque é o seguinte, eu tenho uma dúvida, não sei o que a Flávia acha assim, que é, por exemplo, no começo da Nova República, você tinha um certo consenso progressista, você tinha esquete, tinha direitos aqui e tal,
Mas você encontrava com as pessoas que eram de outra ideologia, que competiam com você, e tinha uma certa conversa ali. Às vezes tinha aqueles shows, aquele show de, sei lá, Marília Gabriela, eleição de 88, filha da ditadura, não sei o que e tal. Mas não era um negócio assim, dessa maneira. Eu não sei se é porque a política não tinha politizado tudo.
Ainda era um mundo de classe média. Ainda era um mundo de classe média. Ou se foi um algoritmo, ou se foi uma junção das duas coisas. Essa coisa de que a política hoje em dia, ou você está contra, ou você é a favor, ou é demônio, ou é o diabo. Eu tenho a impressão de que tem uma coisa que é meio algoritma, cara. Eu tenho uma tese sobre isso, mas é muito complicado, eu te explico depois do programa.
Flávia Tavares. Grava e vende. Estou escrevendo para vender. Mas é... É...
Eu estou cada vez mais desanimado com essa eleição. Acho que é tudo ruim. Acho que vai dar tudo errado. Se der certo, ainda assim vai ser ruim. E se der errado, vai ser pior.
Isso mostra o bom coração que você tem. Eu acho que política é um desastre. Política é a arte de evitar o pior. Sempre. Qual é a menos gravosa de todas as alternativas. Quem acha que política é a arte de evitar o pior somos nós, liberais.
Quem não acredita em utopia somos nós, entendeu? Porque os conservadores têm a utopia deles, os socialistas têm a utopia deles. A gente acha que está sempre tudo no limiado, dá errado. Então vamos botar umas regras que todo mundo combina e acerta. E pronto. Nós temos as coisas que o Brasil parece crer em progresso histórico. Ele tem um certo otimismo futuro da humanidade. Mas o marco da história nunca vai ser perfeito. O liberal não é o pessimista, entendeu? Não.
Mas o liberal acredita que o conflito na sociedade é gerenciável. Ele não acredita que o conflito vai desaparecer. Sim, mas ele acha que o conflito é produtivo. Você está falando de um jeito que o conflito não é produtivo. Eu acho que o conflito é produtivo porque a história mostra que a gente, depois que apostou nessa coisa de democracia liberal...
a gente foi melhorando com o tempo. É, o problema é que, como é que é aquela frase do Keynes? A frase do Keynes aqui é assim, o problema é que na longa duração estaremos todos mortos. Não, isso para o Keynes não era problema. Isso era, vamos resolver o de agora, porque a longo prazo estaremos todos mortos, mas deixa quem estiver vivo ali na frente. Eu estou dando outro significado para isso aqui. Na longa duração tudo dá certo. O problema é que até chegar lá a gente já morreu. É, é, é.
Deixa só, antes da gente terminar esse despedir, aproveitar para contar para os nossos espectadores que esta semana tem pesquisa Meio Ideia. Você já adiantou aí, inclusive, uma das perguntas que estarão ali contempladas. Para quem ainda não sabe, a pesquisa Meio Ideia é uma parceria.
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Não se deixe arrastar pela corrente. Forme a sua própria cabeça assinando o meio. É isso. Pois é. Partiu? Que amanhã tem mais? Partiu que amanhã tem mais. Flávia, sempre um prazer. Você fica mais divertida aqui. O prazer é meu.
mais próxima. Eu fico mais divertida aí, né? Mais pertinho. Eu acho. Eu também gosto quando eu tô aí na banca. Ou quando vocês estão aqui. É isso, não sei se sou eu que me divirto mais pela companhia. Acho que é a distância mesmo.
Essa impessoalidade da tela. Eu sou o alívio cômico do Central Meio. Você é muito mais do que isso, Flávia Tavares. Para com essa modéstia. É um repositório de inteligência. Não, não é modéstia. Eu sei que eu sou mais do que isso. Eu não falei que eu sou só isso. Eita! Por favor, você é apenas um rostinho inteligente. Você também é bonita.
E alívio cômico, porque senão fica muito sério. A gente não aguenta, não. A gente falou de tudo isso e ainda nem tratou do assunto que o que vai nos matar mesmo não é a política, é a mudança climática. Então, veja, tudo isso aqui é inócuo. Porque o mundo vai derreter. Espero que amanhã o programa seja mais alegre, então. É isso que eu sou alívio cômico, hein? Já pensou?
Beijos. Senhor Christian, sempre um prazer. Muito bom estar aqui sempre. Gente, o Central Meio termina aqui. Uma excelente semana e até amanhã.
Tá difícil conectar as peças do que acontece no mundo hoje, né? No meio. A gente faz esse trabalho pra você. Descubra séries que desvendam complexidades como ponto de partida série, com episódios que analisam as ideologias e grupos decisivos nas eleições de 2026, ou então que aprofundam a história do conflito entre Israel e Palestina. Nosso catálogo inclui ainda documentários icônicos, como o especial sobre a trajetória de Fernanda Montenegro, e programas...
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