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Conflito no Irã: os porquês da guerra e a real motivação americana

08 de maio de 202656min
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Especialista em Relações Internacionais analisa o conflito no Irã

Assuntos3
  • Política externa brasileira e CubaTradição brasileira de neutralidade e paz · Participação brasileira em conflitos internacionais · Papel do Itamaraty e do Ministério das Relações Exteriores · Oswaldo Aranha e a criação do Estado de Israel · Autonomia pela diversificação nas relações internacionais
  • Lei das Organizações CriminosasDiferença entre organizações criminosas e terroristas · Objetivos de organizações terroristas como Hamas · Objetivos de facções criminosas brasileiras (PCC, Comando Vermelho) · Motivações econômicas e territoriais do crime organizado · Uso da violência para fins políticos
  • Sistema internacional e geopolíticaSistema bipolar (Guerra Fria) · Sistema multipolar · Sistema multiplex · Disputa hegemônica entre EUA, Rússia e China · Papel do BRICS como adversário político e econômico
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Você está ouvindo o podcast IAICOLIN. Todos os temas que serão tratados nesse podcast, você pode ter certeza, são temas que estão conectados diretamente com você. A gente vai tratar de política, economia, polícia, muito esporte, enfim, assuntos variados, mas que terão a sua atenção. Esse é o nosso compromisso. O podcast IAICOLIN tem o apoio da Pascualoto.

Tá tudo bem por aí? Estamos chegando, hein, para mais uma edição do IAE Colim. Muito obrigado sempre pelo carinho da sua audiência, preferência, principalmente pela confiança. E lembrando, agora a gente está no YouTube, a gente está nas plataformas de áudio, Deezer, Spotify, enfim. Aliás, nos siga, né, para que você tenha acesso a todos os nossos conteúdos. Temos o site, o iaecolim.com.br, lá você entra.

Você vai para onde você quiser, você vai direto para o YouTube, enfim, em indo para o YouTube, por favor, vai lá, se inscreva. Mas agora a gente tem uma novidade, mas é uma novidade que é muito bacana, que nos orgulha a todos nós que fazemos o IAE Colim. A gente está sendo exibido todas as segundas-feiras, às 9 da noite, né?

Segundas-feiras, às nove da noite, pelas ondas potentes, fortes e competentes da Top FM, em 101,3. Então, para você que gosta de acompanhar a gente no YouTube, por gentileza, nos assista. Agora, quer acompanhar só o áudio? Você tem o Deezer, tem o Spotify, enfim, outras tantas plataformas, mas agora, segunda-feira, às nove da noite, a gente tem essa parceiraça chamada Top FM. E repito, hein, insisto, para nós é um motivo de muito orgulho.

ter um parceiro dessa envergadura, porque isso reforça o nosso projeto, o nosso trabalho, e claro, sempre, sempre, sempre pensando em você. Esse podcast aqui é feito pra você, não é feito pra nós, ele é feito pra você. E falando em você, a gente tem uma certa obsessão, diria eu. Tudo que a gente trata, os assuntos que tratamos aqui de uma maneira geral...

sem nenhuma exceção, é colocar o povão na jogada, é fazer com que as pessoas consigam entender, ainda que os assuntos sejam de uma complexidade de tamanho e de difícil entendimento, mas que a gente possa, na medida do possível e do impossível, a gente possa tornar esses assuntos inteligíveis, ou seja, para que ele seja compreensível para você. Eu sei que você está ouvindo muito a respeito da crise do petróleo, a inflação, o petróleo que subiu e o Brasil não tem.

Não é autossuficiente. Já trouxemos aqui o doutor Gilberto Olívio, que nos deu uma aula. Mas a gente quis ir um pouco mais além. E aí, por essa razão, a gente está recebendo uma imensa satisfação. Doutor André Eiras. O doutor André Eiras é professor universitário da Unisagrado, que é antiga USP. Antiga USP. Mas hoje é Unisagrado, né? É Unisagrado. O nome correto ficou Unisagrado. Ficou Unisagrado. Seja bem-vindo. Muito obrigado.

É uma satisfação imensa pelo aqui, viu? Obrigado. Obrigado mesmo. Prazer. Professor, apresente o seu currículo.

Meu nome é André Luiz, eu sou aqui de Bauru, nasci aqui. Bauruense da Gema. Bauruense, nasci ali onde é a... Não tinha maternidade na época que eu nasci, então eu nasci ali na Rio Branco, onde é a Beneficência Portuguesa. Tá, tá. Nasci ali, nasci em 77. Novo de tudo, menino. Sou, 49 anos. Menino, menino de tudo.

Não, em resumo, a minha vida é bem simples assim. Embora o currículo possa parecer algo espetacular, mas eu fiz história aqui em Bauru, lá na USP. Na própria USP. Na própria USP. Eu formei em História e Geografia, lá nos anos 90. Aí, virei professor, dei aula.

Muito tempo, dei aula no SESI, dei aula em colégios particulares, dei aula particular. Sempre na docência? Na docência, é. Na parte da docência, sim, depois da faculdade. Tive outros trabalhos na adolescência, mas...

Fiz história de geografia, fui indo, fiz uma especialização em política, gostei da área da política, comecei a trabalhar com um pouco dessa questão internacional. Você hoje é um analista político? Hoje eu sou um analista político. Da conjuntura nacional e da conjuntura internacional? Olha!

Professor, já está eleito, viu? Já está eleito, inclusive, como uma fonte de consulta que será, periodicamente, bastante acionada, viu? Prazer, então, é o que precisar. Tenha certeza disso. E fiz o... fui para a USP, lá em São Paulo, fiz uma especialização lá, na área de terrorismo, aliás, por incrível que pareça. Terrorismo, olha só. Lá em 2004, 2005. Gostei dessa área, aí eu fui um pouco...

estudando um pouco mais, acabei me apaixonando por uma área que é tanto o doméstico quanto o internacional, que é a política externa. E aí eu decidi me especializar em política externa. E aí eu fiz o mestrado e o doutorado, com ênfase... O professor é mestre e doutor, então. Mestre e doutor, é. Eu fiz o mestrado na Unesp de Marília, na Ciências Sociais, com foco em política externa brasileira. Ou seja, também vereda pela minha área, né? Ciências Sociais. É, é.

E fiz lá no Departamento de Ciências Sociais, no Programa de Ciências Sociais, com foco em Ciência Política e Relações Internacionais e Desenvolvimento Econômico, analisei a política externa brasileira, do ponto de vista econômico. E no doutorado eu estive na Federal de São Carlos, na UFSCar. Lá eu fiz doutorado na Ciência Política, porém com foco internacional. E a minha tese, o meu campo de pesquisa é a política externa brasileira.

E como que o Brasil... Questões diplomáticas também estão inseridas. Questões diplomáticas. É, a diplomacia. Eu trabalho como que o Itamaraty, o Ministério das Relações Exteriores, e o governo brasileiro, né? Qual que é a forma que o Brasil se insere no sistema internacional, nas relações internacionais? Então já deixa engatilhada essa resposta. Porque o Brasil sempre tem um papel...

É um papel de neutralidade, pelo menos aquilo que a gente enxerga, prezando pela paz, pelo diálogo. É uma tradição brasileira, né? É uma tradição. É uma tradição que vem lá do século XIX. Embora tivemos alguns probleminhas no XIX, tivemos uma guerra com os nossos colegas aqui, Argentina, dentro do Uruguai. Mas, assim, desde a Segunda Guerra Mundial, quando o Brasil enviou tropas para a Itália, na luta contra o nazifascismo...

que aliás foram bauruenses para a guerra. Quase 20 bauruenses que foram para lá para lutar com a fé.

Mas desde a Segunda Guerra Mundial, o Brasil nunca mais participou de um evento internacional, de conflito internacional, guerra. Nós temos atuações pontuais, a gente mandou tropa para o Haiti, mas aí foi algo pontual na ONU, para resolver um problema pontual no Haiti, que era de violência, etc. Não é aquela coisa de sua zóia.

Não, não, não. A tradição diplomática brasileira é uma tradição de paz, de negociação. O presidente Oswaldo Aranha. Oswaldo Aranha foi o nosso ministro Getúlio Vargas. Que é, que presidiu a primeira Assembleia Geral da ONU. Que culminou com a criação do Estado de Israel. Sim, tanto que... Não era 47, 48? 47, é. Tanto que no centro de Jerusalém tem uma praça que se chama Praça Oswaldo Aranha. Olha!

Poxa vida. Foi bem interessante. Antes da gente entrar no nosso foco, o amigo falou que fez uma especialização em terrorismo. E a gente teve recentemente uma discussão em nível nacional, com base em muita narrativa e pouco fato, muito mais narrativas do que discussão fática, inserir como terroristas...

organizações criminosas. Vou lhe dar a minha opinião, porque a gente tem essa obrigação aqui, a gente se posiciona. Eu entendo que é um erro muito grave você taxar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, por uma série de razões.

Mas eu queria saber a sua opinião. O que você acha, se de repente faz algum sentido, embora elas utilizem a linguagem da violência, ou a linguagem do terror, digamos assim, para impor. Mas assim, a gente entende que é para conquistar território e para ganhar dinheiro vendendo entorpecentes ou sequestrando pessoas. E a organização terrorista, como o Hamas, por exemplo, tem uma outra... são outros objetivos. Mas queria ouvi-lo. Já.

De início, eu já coloco algo. Se por acaso eu parecer que estou em cima do muro, é o papel de professor. Fique à vontade, até para suscitar a discussão. A gente está acostumado a tanto ficar em cima do muro, apresentar a todos os lados, como papel do analista também é o de apresentar. Até para suscitar a discussão.

Nós temos vários problemas. Eu gosto de sempre puxar autores interessantes. Tem um historiador famoso chamado Eric Hobsbawm. E ele tem alguns trabalhos sobre o século XIX, século XX. Ele tem uma frasezinha que eu acho muito interessante. Ele diz assim que...

combatente é o nacionalista do outro. Nossa, interessante. Então, a ideia é assim, o terrorista, ele tem uma ideia, no fundo dele, ele tem uma pretensão nacionalista. Ele está usando um método...

um método horroroso, que é a violência, para conseguir um objetivo nacionalista, ou um processo de independência, como aconteceu, por exemplo, na África, nos anos 40, 50, 60, 70, o processo de descolonização dos países africanos e em outros lugares. E eles tiveram que... Mas tem esse elemento do nacional, e é um elemento de, olha, eu estou buscando uma soberania, eu estou buscando uma independência.

contra algum regime, seja ele regime internacional, seja ele doméstico, uma ditadura. E aí ele vai utilizar a linguagem. Ele vai utilizar a violência para fins políticos. O problema é que essas instituições, não, essas facções criminosas que temos no Brasil, eles não têm esse elemento político.

Você não vê um elemento... A disputa deles é por dinheiro. É meramente econômica. Territorial. Territorial e econômica, mas no sentido financeiro mesmo. Eles não estão buscando uma independência nacional, nem estão buscando uma mudança de regime político. Eles estão buscando...

Uma busca de território para conseguir eliminar as outras facções e ganhar o máximo de dinheiro possível. Ponto. Então, a questão de você classificar essas facções de terrorista é complicado do ponto de vista da ciência política e das relações internacionais, pois não tem o ponto principal, que é o ponto do terrorismo, que é o político. Eles não têm esse ponto político. E aliado ao ponto político, como a gente está falando em relações internacionais, a utilização...

desse aspecto por outros países que querem dominar, que querem projetar poder, que é uma palavra muito clássica das reações internacionais, como, por exemplo, o governo norte-americano está agora. A ideia do Trump é, se eu classificar essas facções como terroristas, eu tenho a desculpa de intervir no Brasil de alguma forma, colocar...

Polícia Federal Norte-Americana, a agência, o DIE, que é o Departamento de Antidrogas.

E aí ele fala assim, olha... Meu medo é a CIA. Eu posso... Meu medo é infiltrar a CIA, como sempre foi. Como aconteceu aqui na Operação Condor. Nossa, como é... Aí já muda de figura, né, professor? Aí já... Esse é o medo. Esse é o medo. Porque assim... Esse é o medo. E é um medo real. E não é um medo... É dar aos Estados Unidos uma autonomia, uma ingerência aqui. Aqui. Ou seja, eles têm institucionalmente a legalidade para entrar e... Meu Deus, aí já é complicado. É.

eles vão usar desse artifício, dessa artimanha, por assim dizer, para poder intervir. Não vai ser uma intervenção, não vai ter fuzileiro naval desembarcando na Bahia de Manabara. Não vai ter um SEAL. Não, não, não é isso. Mas há uma série de possibilidades que os Estados Unidos podem vir, por exemplo, colocar uma taxação em algum produto como forma de você coibir, de você fazer uma retaliação. Enfim, tem uma série de produtos.

E essa é uma discussão, eu queria deixar bem claro como analista, é uma discussão, ela não envolve tanto esquerda, direita, aquela politização. Não tem ideologia. Não, ela não tem ideologia porque as facções nacionais não têm como base o político. Se ele não tem como base o político, não tem ideologia. Ou seja, não daria para classificar como teorista. O crime não é ideologia.

Não é político. O traficante, ele quer ganhar dinheiro. Se é um governo esquerdo, ele quer... Ele está exercendo uma atividade, um comércio criminoso. É, no fundo, no fundo é isso. Então esse é um problema. Para as relações internacionais, é um problema bem sério para o Brasil. E o Brasil está bem preocupado. Está bem preocupado. O governo do presidente Lula... Mas tem que bater o pé e segurar como está? Porque pelo menos, assim, manter a polícia...

Tirar a Polícia Federal, na minha modesta visão, é outro erro. Não, não, aí... Aí é uma coisa... Aí seria o absurdo dos absurdos. Porque do ponto de vista...

da instituição, a Polícia Judiciária, a Polícia Federal, é a que tem a maior capacidade investigativa. Ela tem uma inteligência muito maior. E se você tira a PF da jogada, é complicado. Porque as polícias civis e as polícias militares dos estados não vão conseguir dar conta sozinhas. Pensamos assim. Como é que o amigo vê? Ó, vou dar um exemplo, continuando no exemplo das relações internacionais.

A Polícia Federal do Brasil, brasileira, ela tem vários acordos de cooperação com polícias de outros países. Um exemplo, um grande acordo de cooperação que nós temos é com o FBI, que é a Polícia Norte-Americana. E a nossa cooperação, ela não é tática, não.

Pode até ser, em algum certo sentido, mas ela é mais de troca de inteligência, de informações. Então, ao mesmo tempo que o Brasil tem que botar o freio, você disse, olha, eu não posso aceitar uma ingerência internacional, ao mesmo tempo eu também tenho que não apertar com muita força, porque se eu fechar o canal...

de conversa com os Estados Unidos, eu fecho um canal muito importante para nós, que é essa troca de informações, essa troca de inteligência policial, que é muito necessária para o nosso combate ao narcotráfico aqui no Brasil. Acabamos desviando um pouquinho, né? Mas tudo bem. Enfim. Essa é a política. Pelo jeito, é. Pelo jeito. Professor, vamos cair, então, nesse conflito? O que está por trás? Eventualmente, a gente tem lá a questão do petróleo.

Mas eu estava dando uma pesquisada antes de chegar aqui, para poder colocar as perguntas de maneira correta. Estava dando uma pesquisada e o petróleo é um elemento, mas ele não significa o todo. Há muito mais em jogo para que Estados Unidos e Israel tenham feito o que fizeram contra o Irã? O podcast IAE Colim tem o apoio da Pascualoto.

Estava dando uma pesquisada e o petróleo é um elemento, mas ele não significa o todo. Há muito mais em jogo para que Estados Unidos e Israel tenham feito o que fizeram contra o Irã? Tenho. Agora eu vou entrar num momento professoral. Mas fique tranquilo. Faça isso à vontade. Uma olhinha bem plana.

Nas relações internacionais a gente costuma dar um nome para como funciona o mundo, e o nome mais tradicional é sistema internacional. É muito mais fácil você trabalhar com uma questão de sistema, ou seja, eu tenho uma forma de agir, um sistema. Sistema jurídico, sistema político, sistema acadêmico, sistema legislativo, é uma forma, são regrinhas, são modelos que você tem que seguir. Todo mundo lembra?

das aulas de história do colégio, que no final da Segunda Guerra Mundial, o mundo entra num sistema internacional que nós chamamos de um sistema bipolar. Um sistema onde eu tinha dois polos de potência lutando, Rússia e Estados Unidos. Então a Guerra Fria é aquela guerra fria no sentido de que essas duas potências não entraram em conflito direto.

Não houve conflito bérigo. Não teve um exército norte-americano lutando contra o exército. Eram conflitos assim, no Vietnã... Espionagem e tal. Isso, isso. Mas são duas potências internacionais que dominam o sistema internacional. Então o sistema internacional era bipolar, ou seja, ele tinha dois polos de atuação. Um polo capitalista e um polo socialista-comunista. Mas... Mais claro pra entender. Isso ocorre... Todas as muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas muitas

40, 50, 60, 70. Lá nos anos 80 começa a ter uma queda, uma queda total. Em 89 tem uma queda, uma ruptura desse sistema internacional, desse modelo de sistema internacional bipolar. Aí em 89, 90, 91 para frente, nós entramos num outro modo de ver o mundo.

que é um modo multipolar. Eu deixo de ter apenas dois únicos polos, Estados Unidos, União Soviética, União Soviética não existe mais, e agora os Estados Unidos, ele ficou como o único polo de poder? Não. Outros polos de poder surgiram.

Há discussões se é da mesma intensidade do seu serviço ou não. Do mesmo nível. É, do mesmo nível. Mas, enfim, há outros polos de poder. Então, hoje nós vivemos... Rússia e China. Por exemplo, Rússia, China e instituições, por exemplo, BRICS. Tá. Que é uma união de estados. O BRICS é um belo do calo. É um...

Para os Estados Unidos, né? É, sim, sim, porque é um... Eu não diria um inimigo, mas é um adversário político, econômico. Do ponto de vista econômico, né? Principalmente. Enfim, eu tinha um mundo bipolar. E eu tinha um mundo... Esse mundo bipolar ruiu. Agora vivemos um mundo multipolar. Esse mundo multipolar, hoje em dia, ele também tá ruindo um pouco. Ele tá em queda? Ele tá em queda. E aí... E por quê?

Porque as superpotências, individualmente, elas não conseguem mais ter o mesmo poderio militar, econômico e político. Sozinhas não se sustentam mais. Sozinhas, elas não se sustentam. O próprio Estados Unidos, sozinho, ele não tem mais... Por isso que ele precisa da Inglaterra e da França especificamente nesse conflito. Ele precisa de algumas alianças. Embora o governo atual do Trump tenha tido alguns problemas em manter e segurar as alianças internacionales. Ali é complicado. O papo ali deve ser bem esquisito, né? Mas aí há uma... ...

Tem alguns teóricos das relações internacionais que dão um nome que eu acho muito bacana, que é a ideia de... Hoje nós vivemos um sistema multiplex. Multiplex. É. Sabe aquela coisa de shopping? Eu tenho multiplex. O que é um multiplex? É um lugar que eu tenho várias salas de cinema, em cada sala de cinema, uma está rodando drama, outra está rodando um filme de ação, a outra uma comédia. Hoje é isso. Eu não tenho mais... Você vai num cinema, você tinha um filme.

Eu vou no outro cinema, eu tenho outro filme. Ou eu vejo um filme capitalista americano, ou eu vejo um filme socialista russo. Agora, eu tenho vários filmes. É um mundo, é um sistema multiplex. Multiplex, é uma analogia bacana. Eu tenho várias salas. Então, eu tenho culturas diferentes, poderes diferentes, regionalismos diferentes, etc.

E aí esse veio o nosso problema, que eu estava comentando, é o seguinte, porque os Estados Unidos, ele teve, na lógica dessa Guerra Fria, na lógica de eu ter um mundo bipolar, os Estados Unidos estavam querendo ampliar o seu raio de poder no mundo. E ele foi para o Irã, pegou o Irã, que era um país que na época tinha uma ligação muito forte com os Estados Unidos. Os Estados Unidos apoiaram uma revolta lá, que foi a Revolta do Chá.

E durante os anos 50, 60 e 70, o Irã foi um parceiro dos Estados Unidos.

Um parceiro tão grande que os Estados Unidos foi lá e construiu usina nuclear, de energia elétrica, fez uma certa transferência de tecnologia e tal. Só que em 79 teve uma revolta, a Revolução Irariana de 1979, que entrou no poder um sistema diferente lá, que foi o Airtolá. Foram os Airtolás. Foi os Airtolás, foi em 79. E a partir dessa mudança de regime, os Estados Unidos perdeu.

o seu protagonismo na região e perdeu esse aliado. Então a intenção hoje dos Estados Unidos, pelo menos é o que a gente imagina, tentando entender a cabeça do Trump, uma das possibilidades é que os Estados Unidos desejam voltar a ter uma influência no Irã.

De alguma forma. Por isso que, ano passado... Derrubar o regime que tirou os Estados Unidos em 79 poderia ser um objetivo. Isso. Aí os Estados Unidos hoje querem voltar até essa região como seu aliado. E aí, ano passado, o Trump foi lá e bombardeou o Irã. E esse ano, novamente, teve novos bombardeios. No bombardeio morreu o Aitola. A proposta dos Estados Unidos é, olha, vamos fazer uma revolução.

Esse regime dos ayatollahs, esse regime totalitário, religioso, ele vai sair, o povo vai querer tomar o poder e vai querer se alinhar comigo, Estados Unidos, novamente. Essa pode ser a principal intenção. Essa é a principal intenção, só que aí deu um problema, porque o povo, pelo que a gente está olhando...

no noticiário, o povo falou assim, olha, tudo bem, eu não gosto desse regime do Ayatollah porque ele é opressivo, as mulheres têm direitos civis e políticos resseciados, eliminados, etc. Mas, espera aí, eu também não quero os Estados Unidos mandando aqui como os Estados Unidos mandou no Iraque no final da guerra dos anos 90. E isso está esticando o conflito? Isso está esticando o conflito.

Inclusive, contrariando as projeções americanas. Contrariando as projeções americanas. De que seria mais rápido. Sim, o próprio Trump, no começo, ele disse que seria uma coisa de uma, duas... As palavras dele na época, né? Era uma, duas semanas e eu acabei. Tanto que o nome da operação ele deu de Epic Fury. Fúria épica. Vai ser tão épica a invasão que os Estados Unidos vão acabar com aquilo lá em duas, três semanas.

O presidente Trump, já que nós estamos falando nele, ele é uma pessoa, do ponto de vista da diplomacia, uma pessoa muito complicada, né? Muito complicada. Porque o diálogo parece que inexiste com ele, né? E o problema de ter essa inexistência do diálogo é também um outro problema de que ele muda de ideia muito rápido. Ou seja, pra que diplomacia? De manhã ele tem uma ideia, à tarde ele muda de ideia e fala outra coisa, completamente contrária ao que ele disse de manhã.

E no outro dia... Por exemplo, há duas semanas atrás ele disse que ia fechar o Estreito de Ormudos.

Aí, dois dias depois, ele abriu. Aí, na outra semana, ele falou, vou dar um prazo até sábado para voltar. Chegou sábado, olha, vou prorrogar. Então, como é que você faz uma diplomacia? A diplomacia, ela precisa ser ancorada em...

É credibilidade. Olha, você tem a credibilidade pra você colocar na mesa o que você deseja, eu tenho a credibilidade pra colocar na mesa o que eu desejo e a gente vai discutir. Agora, se você ficar mudando de opinião a cada momento... Aí não tem, quer dizer, inviabiliza qualquer discussão. Inviabiliza qualquer discussão e qualquer comprometimento de cessar as hostilidades que estão acontecendo. Ele está atrasando o problema. Vieram alguns atos, gestos de cessar fogo, mas também...

Não está trazendo efeito, né? Não. Esse final de semana teve uma movimentação gigantesca na Europa de tropas e aviões saindo de bases norte-americanas que tem no continente e indo em direção ao Oriente Médio. Até o dia de ontem. E aí os analistas estão pensando assim, poxa vida, se os Estados Unidos estão colocando tanta tropa naquela região, vamos voltar a ter embates novamente? Se os Estados Unidos voltará a... ...

A bombardear, a atacar, a gente não sabe. A gente não sabe porque o discurso... Bom, o discurso militar nunca é simples, né? E o que está em jogo? O petróleo é um elemento. É um elemento. Também está em jogo o protagonismo mundial? Porque a gente vai ter o Irã...

em tese, né, apoiado pela Rússia e pela China. Os Estados Unidos também têm o seu bloco, a França, a Inglaterra, etc. Então, também é uma maneira de reafirmar esse protagonismo mundial ou isso estaria em segundo plano na sua avaliação? Não, isso está em primeiro plano. Na primeiro plano? Na minha avaliação, em primeiro plano. Como eu estava comentando anteriormente, como a gente está num sistema multipolar, por mais que há vários polos de poder,

A política sempre tende a eu quero ter mais poder amanhã do que eu tenho hoje. Essa é a ideia da política. Enquanto a política doméstica, por exemplo, qual é a função de um político? Um político quer se reeleger.

Esse é o objetivo de um político, é a reeleição, é a permanência no poder. Nas relações internacionais é, ou eu permaneço no poder, ou eu alcanço o poder. Então, do ponto de vista dos Estados Unidos, ele deseja permanecer no poder que ele teve durante os últimos.

70, 80 anos, e as outras potências querem aumentar o poder. Então fica essa disputa entre um grande país hegemônico, que é os Estados Unidos, querendo manter a sua hegemonia internacional, e outros países querendo ascender.

a categoria de hegemonia internacional. Um resumo rápido, professor. Os Estados Unidos não tiveram o intento alcançado. Dá para a gente dizer que isso não aconteceu. Não. O povo não querendo essa aliança com os americanos, é isso fundamentalmente que está prorrogando, que está dificultando, especialmente os objetivos que até então os americanos tinham? Isso, e o resto do mundo...

Com uma certa... Apreensão. Tendência a não concordar com os atos que o governo Trump está fazendo lá. Que é de bombardear, que é de fechar o estreito, impedir que 20% do petróleo... Do petróleo. É um quinto.

O quinto do petróleo mundial passa por ali. Então o mundo vem e fala assim, olha, um país está querendo fazer uma política que eu não entendo qual ela é, eu não sei quando ela vai terminar, e nesse processo o mundo está sofrendo com uma alta de petróleo muito grande, e isso acaba ocasionando um problema para nós aqui no Brasil muito intenso, inclusive para o baú.

Pois é, e aí a gente tem, o Brasil não é autossuficiente, a gente depende muito, e aí a gente tem então esse primeiro efeito do petróleo, provocando então essa onda de aumento de preço. Se você vai no mercado, a coisa já está bem mais complicada, não é, Bolsonaro? Sim, bem mais complicada.

Bom, vamos fazer o seguinte, eu já preciso fazer uma parada. A gente vai para um rápido intervalo, vem aí um show de publicidade para você, hein? Os nossos parceiros de primeira hora, já já a gente continua com esse bate-papo, professor, assim, uma sumidade fala fácil, né? E com o conhecimento de causa que lhe é peculiar, o episódio está bastante agradável. Voltamos já, em um instante só. O podcast IAE Colim tem o apoio da Pascualoto.

O podcast IAE Colim só existe por causa da colaboração, da parceria, de uma das mais importantes produtoras do interior do Brasil. Me refiro a TBR, de Williams Balan, que comanda uma equipe altamente qualificada. Estamos de volta com mais um bloco do IAE Colim, e hoje recebendo o Dr. André Eiras. É uma sumidade para a gente falar a respeito das relações internacionais.

O podcast IAE Colim tem o apoio da Pascualoto. Tamo de volta, hein? Pra você que tá nos acompanhando pela internet, pelo nosso canal no YouTube, muito obrigado pelo carinho da audiência, preferência e também pela confiança. Esse é o IAE Colim, que você agora também encontra aqui nas ondas da Top FM. Poxa vida! Top FM, quem diria, hein? Em 101,3. Você que gosta da Top, gosta da programação. Agora você tem todas as segundas-feiras à noite, 9 da noite, você tem o IAE Colim.

agora nas ondas do rádio. Então é uma maneira. Você tem o vídeo, você tem áudio em vídeo nas redes sociais, no YouTube, etc. Mas, agora, além do Deezer, do Spotify, das plataformas de áudio, agora você pode acompanhar a gente aqui na Top FM. Repito, hein? Toda segunda, às nove da noite. Professor, falávamos a respeito do petróleo.

O estreito de Hormuz é por onde passa um quinto do petróleo mundial. Na hora que começa o conflito, a consequência é imediata. Essa inflação em escala global acabou sendo sentida, porque, afinal de contas, um quinto do petróleo do mundo passa por ali. Um dado de porcentagem, para ficar mais fácil para a gente pensar. Hoje...

O preço do petróleo já aumentou em 53% no início das operações americanas no Irã. É muita coisa. 53% impactou a nossa vida. E a gente sabe, o impacto é sentido no pobre.

de Bauru, que não tem a menor ligação física com o Irã, Oriente Médio, pode até ter algum colega, enfim. Não tem nenhuma relação e está pagando a conta. E está pagando a conta, e nós pagamos uma conta muito cara, porque o Brasil já tem um problema grande.

de que nós somos um grande produtor de petróleo, nós somos um dos dez maiores produtores de petróleo do mundo. Porém, a nossa produção bruta de petróleo, ela é uma produção de petróleo cru, só que nós não temos a capacidade, em outros países, de ter um refino fino, que o refino fino é alcançar um refino maior, como, por exemplo, a gasolina.

O diesel no meio ali, mais lá para frente, a gasolina e produtos de plástico, produtos da indústria química. Então nós produzimos muito petróleo, porém não somos autossuficientes. O Brasil poderia ser autossuficiente. A produção nacional de petróleo seria suficiente para refinar e acontecer tudo aqui. Só que nós não temos refinaria. Nós refinamos hoje uma média de 20%, de 20 a 25, 20 a 30%, vai arredondando.

do consumo de diesel, por exemplo, que é o consumo principal para a nossa conversa, que é o que mais interessa. Por quê? Porque o diesel... Ele impacta direto, né? Impacta diretamente no qualquer produto que nós temos, pois a infraestrutura nacional é baseada no móvel caminhão. A nossa infraestrutura é muito mais de rodovia, de estrada, do que férrea e do que fluvial. O que foi um grande erro estratégico do passado.

E é um problema de infraestrutura brasileira. Então, a grande maioria do nosso transporte, o frete, que você vai comprar lá na internet, está embutido no preço do petróleo. Então, espirrou...

O preço do petróleo, 1, 2 dólares, aumentou o frete aqui do que a gente compra, o shampoo para lavar o cabelo, no mercado, tudo vai ficar mais caro. Então, algo que está acontecendo lá do outro lado do mundo afeta a periferia de Bauru, por exemplo. Professor, a gente teve aqui o Dr. Gilberto Olive e a gente entrou de maneira muito profunda na questão daquilo que o governo federal fez. Ele...

ele abate 32 centavos no litro do óleo diesel e dá um... É como se fosse um subsídio, né? Ele corta a lipis e cofins e aí vem um subsídio, daria um total de 64 centavos. Como é que você viu isso? Levando em conta a questão do ICMS, que é pouco divulgada.

Lamentavelmente há pouca divulgação a respeito dessa questão envolvendo o ICMS. Já há bases legais muito definidas. E os estados, ao contrário do que eles dizem, eles têm a arrecadação aumentada. E não diminuta, digamos assim. Como é que o amigo viu essa questão especificamente? Essa questão do ICMS, ela é específica, eu não vou entrar específicamente, por não ser da minha área, para eu não falar uma besteira. Então, para falar da minha área, que é a Zelação Internacional, a gente tem que sempre pensar o seguinte.

moderação é uma característica clássica da política exterior brasileira, e ela precisa acontecer porque, como nós somos dependentes do sistema internacional, no nosso caso é o petróleo,

Isso, só fazer um parênteses, é muito incoerente, não é? O Brasil é um dos dez maiores produtores de petróleo, então você manda o petróleo daqui para fora para pegar o petróleo mais caro que é refinado. É isso que acontece hoje. E se sim, não é uma grande incoerência, uma falta de visão estratégica. O Brasil deveria refinar aqui, poxa vida. É o que chamamos de uma falta de um projeto nacional de longo prazo.

Por exemplo, falando... Ciro Gomes falou muito nisso e eu não vou citar questões políticas. Ciro Gomes falava a respeito de um projeto. Tem um livro, ele publicou um livro alguns anos atrás. Falando exatamente sobre isso, mas assim, não quero entrar em questões políticas agora, mas foi o único que falou, por gentileza. Mas em questões políticas mesmo, domésticas. Começar pelo doméstico e depois pelo internacional. Tá.

A construção de uma refinaria não é simples. Você não constrói uma refinaria como constrói um prédio de residencial em um, dois anos. Demora ali de 10 a 15 anos para você construir uma refinaria. E isso envolve um planejamento de longo prazo. Por que longo prazo? Porque nós vivemos em períodos de quatro em quatro anos. Porque os governos são de quatro em quatro anos. Então, seria necessário ter um projeto...

Projeto de Estado, não de governo. De Estado brasileiro e não de governo. É um projeto onde vários governos, em sequência, sejam eles esquerda, direita, centro, assumam o compromisso de que precisamos... Mas assim, assinado mesmo. É. Então, teríamos... Seria necessário que nós tivéssemos um projeto de longo prazo como outros países tiverem. Por exemplo, a Coreia do Sul... Pelo menos quatro governos, vai. 16 anos. Pelo menos quatro governos. Então, esse é o complicado para o...

na parte doméstica. Porque eles não se entendem. Por outro lado, eu também não posso ficar pensando exclusivamente no longo prazo, porque como eu comentei anteriormente, o papel de um político é se relever.

Sendo bem honesto. Eu não estou falando de... Não é o que você falaria com os seus alunos. Não digo que o político não tenha a virtude, a moral, o bem público. Não é essa. É a ideia de como funciona o sistema. O sistema funciona com a reeleição. Então...

Eu, um governo que vou colocar um subsídio para reduzir o preço dos produtos, reduzir um pouco a inflação, aí vem a questão se reduz ou não a inflação, mas enfim, eu reduzi o preço na gôndola do supermercado, vai gerar mais ou menos voto para o meu governo.

Eu tirar o subsídio vai gerar mais ou menos... Porque gera voto tanto colocando subsídio quanto tirando. Voto, cada um tem a sua escolha ideológica e vota na proposta mais bem intencionada. Enfim, aquela que te atrai mais. Que mais te atrai. Então o Brasil precisa ter essa moderação. Então é complicado você falar, olha, eu vou tirar o subsídio. Pera, tirar o subsídio complica.

porque qualquer centavo, como você comentou, vai contar no bolso do povo. E se eu aumentar o subsídio, também vai dar outros problemas. Então, essa... É uma faca de dois legumes. É uma faca de dois legumes. Não tem uma solução simples. No nosso caso aqui, como analista, a ideia é a gente apresentar as propostas e...

Mas elas sequer são apresentadas? É isso hoje? Não. Não são? Não, de uma forma clara, assim, para que o... E nem inteligível, nem inteligente, para que possa... E não é, assim, é complicado academicamente, mas para falar para o povo não é tão complicado. Porque é muito complicado. Como é que eu vou dizer para o povão? É difícil. Como é que você vai falar para o povão que o...

O governo brasileiro, a Petrobras, que tem uma excelência absurda, ela extrai com toda a tecnologia que lhe é peculiar, investimento de anos, o povo brasileiro investiram, né? Aí a gente tem lá aquele período de 1930, 1980, em que todas as Brás foram crescendo, então tinha Petróleo Brás, Estrada Brás, Telefone Brás, mas tudo isso construído com dinheiro de fora, né?

Mas enfim, a gente teve tudo aquilo, aí virou o que virou, e aí a gente extrai o petróleo bruto, manda pra fora e compra lá de fora o que é mais caro, que é o petróleo refinado. A conta não fecha. E é duro se explicar isso pro vovão, professor. É difícil. É complicado. Puxando a sardinha... Pro vosso lado. Pro meu lado, que é das eleições internacionais, a explicação que a gente dá, a explicação é simples, porém a aceitação dela...

Que é complicado. Pode ser complicado. Mas a explicação é simples, explica o seguinte mesmo.

Estava comentando que há um sistema internacional, certo? E o sistema internacional criou uma regra, uma norma, que diz que o preço de commodities, o preço de alguns produtos, no sistema internacional, é regulado. E funciona de uma maneira igual a todo mundo. Ou seja, o preço do barril do petróleo é o mesmo para qualquer país.

do mundo. E esse preço é definido no mercado financeiro, na Bolsa de Valores de Londres. As sete irmãs lá, etc. É em Londres, é lá na Inglaterra, na Bolsa de Londres, que é a bolsa principal.

que regula o preço do petróleo. Quando você abre o jornal e vê lá o preço do barril Brent, o preço do barril Oil Crew, enfim, é internacional. Por isso que a análise internacional, por isso que as relações internacionais, ela precisa ser importante não do ponto de vista acadêmico, mas do ponto de vista de entender das pessoas simples aqui.

Quando eu falo periferia, a gente é fora do centro. De Bauru. É, não, é de maneira pejorada. Periferia no sentido... Periférico, geograficamente. Aqueles que não estão na universidade estudando relações internacionais. O que vocês precisam saber? Precisam saber que se o preço do petróleo é organizado de uma forma internacional, eu tenho que entender o que acontece no internacional. Por isso eu preciso, de alguma forma, entender por que os Estados Unidos estão invadindo o Irã. Entender por que...

bloquearam um canal que até dois meses atrás, 1% da população sabia que existia estreito de verba. Quem sabia que existia esse estreito que fica ali perto do Iêmen, na Arábia? Ninguém nem lembra, ninguém abre o Google Maps para ficar olhando. Então, é simples de entender, porque o petróleo é feito de um preço igual para todo mundo. Se eu tenho uma guerra, sobe o petróleo. Se eu não tenho guerra...

Aí tem outras formas da gente analisar se forma ou não. Por exemplo, existe uma organização, que é a OPEP, Organização dos Grandes Produtores, e eles têm, por política, subir ou diminuir a produção. Se eu produzo mais, o valor diminui.

Se produz menos, ela ainda faz da procura. Então, essa organização, o PEP, por exemplo, ela que regula. Vamos produzir mais. Se eu produzo mais, o preço cai. Vamos produzir menos. Então, eu produzo menos, o preço sobe. Eles têm esse mecanismo. Eles têm esse mecanismo. E se eles têm esse mecanismo, eles usam isso como forma de poder. De pressionar, inclusive. Como forma de pressão no sistema internacional. Por isso que eu disse que é multiplex. Antes, quem mandava são os estados. O Estado-nação.

O Estado soberano, Brasil, Estados Unidos, Inglaterra, França. Hoje, eles não mandam só por eles. O mundo é multipolar. Tem outros polos. O OPEP é um outro polo de poder. O barril do petróleo extraído aqui é o mesmo valor do barril do petróleo extraído. E vai afetar o sistema por um todo. Entendi. Professor, e o que se vislumbra nesse conflito? A gente, pelo jeito, está...

sem um horizonte no sentido de acabar. A gente não tem isso, pelo menos agora não dá pra ver. O que esperar disso? Olha, ou temos duas opções. Hoje temos duas opções. E elas envolvem o presidente Donald Trump. Tá tudo na mão dele. Tá tudo na mão dele, por incrível que pareça. Recuar ele não vai.

Recuar ele não vai até o ponto de ele sofrer uma pressão interna muito grande. Ah, internamente ele pode... Se internamente ele observar que o partido republicano, que é o partido dele, ou então... Que não vai se reeleger.

Eleger, no entanto, porque ele não vai poder se reeleger mais. Os Estados Unidos tem algumas regrinhas e uma delas não permite a reeleição do Trump. Mas se ele perceber que internamente ele está perdendo o poder, ele pode mudar de ideia. Só que é muito complicado a gente saber o que se passa na mente do Donald Trump. Ele é uma pessoa difícil. Imprevisível. É muito mais fácil saber o que passa na mente, por exemplo, do Putin.

presidente da Rússia do que do Trump. Porque o Putin tem uma sequência de atos e de ações ao longo dos últimos 20 anos que eu consigo mais ou menos saber para onde ele quer ir. A gente sabe qual é o projeto.

o projeto político da Rússia. O projeto dele é, olha, eu quero voltar a ser aquilo que eu fui lá no período da Guerra Fria, e eu não gosto da Europa, enfim. É outra história. Mas, tirando o Trump desejar ou não intervir, mais ou menos, acabar com a intervenção e tal,

O outro lado seria o resto do mundo se organizar e ir contra os Estados Unidos de uma forma, uma pressão maior. Há alguma possibilidade de um conflito em escala global? Eu hoje creio que não. Ele deve ficar centralizado ali. É, hoje. É que as relações internacionais era muda...

Da noite pro dia. A cada espirro, né? E hoje, nesse mundo de redes sociais, muda mais ainda. Por exemplo, hoje de manhã... Também é uma guerra de informação, né? Uma guerra de informação. Hoje de manhã, na hora do almoço, algo assim, o Trump publicou na rede dele lá, Truth, eu não lembro o nome dele. É a rede social que ele criou. Ele tem uma rede social dele. Ele tem uma rede social dele. É, uma rede social dele. Ele colocou lá uma fotinho dele hoje, segurando um...

Um fuzil com um monte de bomba atrás, falando assim, olha, eu exijo, eu obrigo que o Irã cesse todas as hostilidades, abra o estreito. Aí você fala assim, poxa vida, mas ontem ele falou que ia mandar seus diplomatas lá pro Paquistão, onde eles iam conversar e tentar um cessar de fogo. Aí fica complicado, porque um dia ele quer diplomacia, outro dia...

Ele quer o chumbo. Uma antipatia em escala global, ele já está conseguindo atrair para ele. Ele já tem quase que completo. O podcast IAE Colim tem o apoio da Pascualotto.

Tirando um ou outro país que tem uma aliança mais íntima, a Argentina. Mas assim, os monarcas ingleses, hoje é quarta-feira, estavam visitando Nova York. Ontem, o rei Charles, ele deu um discurso ontem no congresso americano, fez um discurso bem interessante, vocês podem até procurar.

Porque no discurso dele, ele chegou a dar uma alfinetada no governo, ele citou os pais da Constituição Americana, que eram moderados, etc., dando uma cutucada. E a monarquia inglesa tem esse papel. Eu não sei se estou correto na minha afirmação, mas a monarquia inglesa como um todo, historicamente, e meu Deus...

a história que mais tem ali, tem esse papel de moderação sempre. É isso, minha percepção, está correta? Tá. Durante...

Boa parte do século XX foram aliados de uma forma bem intensa. Mas nos últimos anos... Bem próxima. É, bem próxima. Mas nos últimos anos, esse alinhamento entre Inglaterra, Reino Unido e Estados Unidos está distante por causa do Donald Trump. Entendi.

Tá vendo? Parece que não tá batendo, né? Parece que não tá legal. Essa visita, entre aspas, pode ter, de repente, um...

enfim, um caráter de vamos tentar eliminar rusgas ou... Vamos voltar a sentar e conversar de forma civilizada e não mudando de ideia. Mas será que o Trump ouviria, por exemplo, o rei Charles? O Trump, para com essa palhaçada. Tudo bem que não deve ser assim o papo entre eles, mas alguma coisa muito próxima disso talvez. Mas às vezes pode até ser, a gente não... Não estamos lá para ver. Não está lá uma mosquinha na parede para ver.

Mas hoje eu não consigo ver um fim imediato desse conflito por causa da retórica do presidente Trump e da forma com que ele lida com os assuntos. Só se ele sentir que está perdendo o poder internamente, aí é possível. Aí é possível. Se ele tirar o pé, as coisas se resolvem de uma forma muito mais rápida, porque voltando ao ponto de vista econômico, ninguém quer que o feijão fique mais caro.

Essa semana agora eu preciso encher o tanque do meu carro. E eu já estou aqui. Poxa vida, quanto que eu vou gastar? Porque há duas semanas atrás eu gastei 20% a menos. Enfim.

O mesmo problema que eu e você estamos para abastecer, o coreano também está. O chinês também está. O europeu também está. O africano também está. A América do Sul, a China americana. As consequências são para todo mundo. O mundo inteiro sente. E está sentindo pesadamente. Por isso que, repito, de maneira muito modesta, ele está pegando uma antipatia internacional que...

Será que ele é capaz de suportar isso? Tudo bem que ele não tem pretensões mundiais, o problema é que no quintal dele mais uma antipatia mundial não seria, de repente, um pano de fundo para um conflito em escala global? Você não vê assim? Eu não vejo. Eu não vejo. Eu não consigo imaginar um conflito em escala global hoje.

teria custos, os custos envolvidos muito altos. Pois a economia, ela está muito... A globalização, ela teve um alinhamento entre os estados que é muito complicado. Por exemplo, um carro hoje...

Os componentes de um veículo são fabricados em 15, 20 países diferentes. Então, países tão diferentes que, embora ideologicamente eles possam ser diferentes e tenham rusgas a ponto de entrar em conflito, a economia no fundo fala, poxa vida, se eu entrar num conflito, eu vou parar de fazer aquela peça que fabrica o carro e aí eu vou ter que mandar embora o meu funcionário aqui na empresa. E ninguém é isso. E ninguém, o que é isso? Esse é, por exemplo, um dos pontos...

que a gente acaba trabalhando nas relações internacionais, na parte teórica, que é, eu tenho uma teoria que é a chamada teoria liberal, que é o liberalismo. O liberalismo, ele coloca...

A economia acima da guerra. Então, o conceito de um mundo liberal é um mundo onde a economia vai prevalecer em cima de conflitos bélicos. É para isso que a ONU foi criada, é para isso que instituições como OMC, Organização Mundial do Comércio, foi criada. A ideia da criação dessas instituições internacionais é para acabar com a guerra.

A ONU foi criada no fim da Segunda Guerra com a intenção de, a gente não quer mais que tenha uma guerra global. E como que a gente pode fazer isso? Há várias formas. Eles descobriram, acharam que a melhor forma seria por meio do comércio. Então vamos liberalizar o comércio. Então essa é uma forma de você ver o mundo. A outra forma de você ver o mundo é uma forma que a gente chama de realismo.

da forma mais real. Olha, no fundo, no fundo, é a relação de poder. E o poder, quando você atrita muito, se você fizer um atrito muito forte, vai sair faísca. E vai ficar quente. Se você esfregar a mão aqui, você vai ficar com a mão quente. E aí, quente, eu saio dessa ideia de guerra fria e eu entro num conflito. Entendi. Professor, é muito interessante a sua análise. Nós já estamos chegando quase no final. Que pena. Mas eu já estou começando a ficar sentido.

Porque a gente poderia ter ido para vários caminhos, ainda que eu tenha a convicção de que optamos pelo caminho correto. Para a gente analisar agora friamente, o amigo disse que, nacionalmente falando, o nosso país tem essa tradição da moderação. Você acha que o Brasil deve seguir essa tendência? Não há, pelo menos pelo que se...

deslumbra uma possibilidade de quem ensuflar, do tipo jogar gasolina no fogo. Não temos essa tradição. Não, não temos essa tradição. Embora o último governo, antes do atual, o governo do Bolsonaro, ele teve algumas rusgas... Alguns rompantes.

como, por exemplo, para ficar no Oriente Médio, que foi aquela ideia que o Bolsonaro teve de transferir a sede da Embaixada Brasileira de Tel Aviv para Jerusalém.

numa ótica de tentar atrair um apoio dos evangélicos, dos cristãos, que tem uma ligação forte com Israel. A ideia era só essa? A ideia. No fundo, a ideia era eleitoreira. Eu quero vender uma ideia para o meu eleitorado. Mas, assim, é um ponto que causou uma rusga internacional meio complicada. Tirando alguns pontos, mesmo um governo do Bolsonaro, que teve uma política externa...

muito fora, se você fizer um gráfico de dispersão, ele é um ponto, assim, bem fora. Não prezou pelas relações internacionais.

Não da forma histórica moderada que o Brasil tem. Tentou sair da casinha? Tentou sair um pouquinho fora da casinha. Mesmo assim, ele não conseguiu sair da casinha. Porque nós temos uma tradição muito forte. E nós temos uma diplomacia profissional muitíssimo eficiente. Qualificada. Qualificadíssima. Historicamente é assim. Os nossos diplomatas são conhecidos no mundo inteiro. Tanto do ponto de vista de resolução de conflitos, quanto do ponto de vista econômico.

participação no AMC, nós tivemos um diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, era um brasileiro. Então, e historicamente nós temos essa ideia de moderação. Aí puxando a sardinha para o meu lado, que é de política externa, nós temos alguns conceitos em política externa, e o conceito principal que a gente vê hoje é um conceito que funciona nos dias de hoje, nós chamamos de autonomia pela diversificação.

O Brasil, ele não... Explique por gentileza, professor. É bem tranquilo. O que é autonomia? É o poder de você executar, o que a gente chama de poder de agência. É o poder de você fazer aquilo que você quer, o que você deseja. O problema é que nós não temos...

uma autonomia completa. O Brasil não pode fazer o que ele quer nas relações internacionais, porque ele não é um país extremamente rico, ele não é um país extremamente forte do ponto de vista militar. Nós não temos o dinheiro que os grandes países têm e nem o exército que as grandes potências têm. Então nós agimos por uma outra forma. É a grande carência brasileira hoje. Deixamos de ter o poder de Suasório para...

Manter aquela obrigação de dizer não, talvez tenha sido um erro histórico, estratégico.

Mais ou menos, a nossa diplomacia tomou o rumo de ser... A nossa diplomacia fez esse caminho. Fez esse caminho. Atuou por nós. Atuou. Então não precisava ter um exército. A gente tinha diplomacia. A gente tinha uma diplomacia para... Entendi. Para tentar sair desse dilema entre forte é quem tem um exército grande. A gente tinha bons diplomatas. Isso acontecia muito no século... Essa é a realidade mesmo, professor. Essa é a realidade. E aí esse conceito de chamada busca por uma autonomia, nós...

Historicamente, e é o que acontece nos últimos 20 anos, nós temos uma busca por uma autonomia, que nós chamamos de busca por uma autonomia pela diversificação. A ideia do Brasil é se diversificar o máximo possível. Nós temos acordo com os Estados Unidos, nós temos acordo com a União Europeia, acabamos de assinar um acordo com o Mercosul e a União Europeia.

Temos acordo com China, Rússia, Índia, BRICS. Temos acordo com os países africanos. A gente prosê e negocia com todo mundo. A gente negocia com todo mundo, por quê? Porque nós temos a tradição de ser um país pacífico, não nos envolvemos em guerra, nós temos uma diplomacia boa, no sentido de, ó, vamos sentar na mesa, vamos conversar, vamos trocar. Vamos trocar uma ideia, vamos trocar. Então, nós buscamos ter uma inserção internacional, nós buscamos ser autônomo, todo mundo busca ser autônomo. Claro. Ninguém quer ser dependente, eu...

estar debaixo de alguma outra potência. Principalmente os estados. Principalmente os estados. Até porque a lógica é que os estados sejam soberanos. Então a nossa busca é por meio da diversificação. Então a gente se desdiversifica, a gente conversa com todo mundo, a gente quer fazer negócio com todo mundo. E temos essa abertura. Por isso o Brasil tem um papel chave nesses...

sistema internacional, de ser um grande país moderador, de ser um grande país que o resto do mundo olha e fala, olha, quem que a gente pode chamar para tentar negociar esse problema? É o Brasil. E a nossa busca é tentar ser um agente internacional. Acaba sendo sempre protagonista. De uma forma moderada, de uma forma diversificada e de uma forma pacífica, que é o mais importante. É o mais importante. Professor, eu não acredito que a gente já está acabando.

Você vê como é que passa? Querido, obrigado. Obrigado pela sua presença aqui, viu? Obrigado a eu. Sinta-se à vontade. Vai virar fonte de consulta, viu? Agora que eu estou com o teu contato, agora eu vou me prozear sempre. Pode ter certeza. Pode chamar. Ah, para outros veículos de comunicação, Cidade 360, a própria Record direto, a gente está precisando. E o professor é... Que precisar. Uma... Uma...

Grata, uma satisfatória fonte de consulta. Obrigado, viu, querido? Muito sucesso e conte conosco. Muito bem, dito isso, ponto final é mais essa edição do IAE Colinho. Não acredito que já acabou. Poxa vida, bom, mas fica aquele gostinho de quero mais para a gente trazer o professor aqui em outras oportunidades, ok? Queridos, obrigado pelo carinho da audiência, preferência e confiança. A gente se vê na semana que vem. A você da Top, obrigado, hein? Tchau, pessoal, até sempre!

O podcast IAE Colim tem o apoio da Pascualoto.