RÁDIOFOBIA 432 - Saúde mental é o que interessa, com Ana Arantes
Saudações saudáveis, ouvinte do RÁDIOFOBIA!
Lá nos anos 1990 um personagem da Escolinha do Professor Raimundo ficou famoso com o bordão "Saúde é o que interessa, o resto não tem pressa". Sim, ser saudável segue sendo fundamental, mas e quanto à saúde mental?
Por que atualmente temos a impressão de que todo mundo está com a cabeça zoada de alguma maneira? O que fazer para garantir, como diria Juvenal, uma mente sã em um corpo são?
No episódio de hoje Leo Lopes, Jéssica Dalcin, Júlio Macoggi e Victor Estácio recebem a psicóloga, doutora em Psicologia, mestre em Educação Especial e especialista em Análise do Comportamento Aplicada (ABA) Ana Arantes, para tentar entender um pouco melhor o que se passa na nossa cabeça!
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Arte do episódio: Sandro Hojo
Links citados no episódio:
- Nunca Vi 1 Cientista
- Mari Krüger
- Atila Iamarino
- Os 3 Elementos - com Andre L. Souza: Neurociência, IA e o Futuro da Mente
Links citados nas Cartinhas do Totô:
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São 20 horas e 25 minutos.
Sim, senhoras e senhores, está começando a partir de agora o primeiro Radiofobia. Hoje totalmente fenomenal, programa especialíssimo apresentando para vocês. Radiofobia, senhoras e senhores! Incrível, espetacular, nunca antes na história das internets se imaginaria mais uma edição do Radiofobia. Sim, eu quero mais palmas hoje, não quero muito. Mais valas, porque hoje está no ar o Radiofobia, desde 2009, trazendo para o podcast o melhor clima do rádio ao vivo.
Saudações, ouvinte do Radiofobia! Eu sou Léo Lopes e tá no ar pela Radiofobia Podcast Network mais um episódio totalmente fenomenal do seu pequenino Radiofobia Hoje trazendo um tema importantíssimo, atualíssimo e totalmente crazy, crazy, como diria o outro. Porque eu queria chamar o episódio de hoje— contei para meus amigos aqui integrantes radiofóbicos. Jéssica Dalsim, olá, boa noite, seja bem-vinda mais uma vez ao Radiofobia.
Você foi uma das primeiras com quem eu compartilhei a vontade de gravar esse programa e eu disse o seguinte: Por mim, o título do programa seria Tá Todo Mundo Louco, Oba, numa referência a uma música dos anos 80 de Silvio Brito que falava isso, tá todo mundo louco. Isso já nos anos, acho que final dos anos, oba, exatamente, final dos anos 70, começo dos anos 80. Silvio Brito já falava que tava todo mundo louco, oba. E aí o pessoal falou, ah, mas nesse negócio de louco, vai falar aquilo, não é, não é, gente, é piadoca, piadoca.
Nós vamos falar hoje de saúde mental, que, né, eu fiz Fizemos até uma piadoquinha na divulgação do programa lá na escolinha do professor Raimundo. Tínhamos lá o cara fortinho que falava que saúde é o que interessa, não é isso? O resto não tem pressa. E aí a gente adaptou aqui, exato, cheio de energia. E hoje a gente adaptou isso para saúde mental é o que interessa. Claro que saúde física é necessária, obviamente. Como diria Juvenal, ou Ladislau, esqueci o nome.
Mens sana in corpore sano, não tem essa frase do famoso, acho que era Juvenal o nome dele, Lourival, não sei, alguma coisa assim. Tá na postagem aí o nome de quem falou isso lá em latim pela primeira vez. Vitor Stassi, você sabe quem que falou isso? Você que é o cara do léxico.
Eu fiquei pensando numa piada de quinta série aqui.
Eu não lembro nem a pau Juvenal.
Nem a pau Juvenal?
É o único Juvenal.
É, não, tem, quem falou isso foi o, quem que foi, Lourival, sei lá o quê, é nome do Mensan, Juvenal era o nome do filósofo, sei lá o quê, lá da, não sei também de que época. Eu joguei no Google, eu joguei no Google, não sabia. Quem foi que disse isso?
Foi o Juvenal.
Então se o Juvenal disse, quem sou eu para contrariar, não é verdade? Mas a gente tem que ir no caderno, isso aí, né?
Vinha nas coisinhas do caderno credial, eu acho que.
Olha aí, tá vendo só? Tá vendo só? Eu não tô maluco, tá vendo? Eu tô maluco, mas Nesse aspecto eu não estou tão esclerosado ainda. Ou você será que está? Será que estamos, Júlio McCord? Será que estamos?
Olha, Léo, a idade vai chegando e com ela alguns esquecimentos, algumas bobagens são ditas na vida.
Tá tomando fosfozol já?
Fosfato?
Fosfozol é bom pra memória, lembra? Lembra do fosfozol? Tem que ficar, começa a ficar esquecido. Mas o problema não é ficar esquecido, o problema é que hoje nós vamos falar porque— e eu vou deixar isso pra fazer como a primeira pergunta do nosso bloquinho, nós vamos virar já já. Mas quem eu chamei para convidar, para convidar, quem eu convidei para falar com a gente sobre essa temática hoje é uma pessoa que eu estou acompanhando há vários anos através do Nerdcast de Jovem Nerd, que é o podcast que, né, quem está aqui sabe que nós editamos aqui na empresa há 14 anos, desde 2012.
Toda vez que ela participa falando sobre alguma coisa relacionada a comportamento, né, a psicologia e outros assuntos. Geralmente o André participa também, né, já o Átila já participou também, nerdcasts de ciência que falam das coisas do ser humano. Eu já fico assim, nossa, essa menina, essa mulher é inteligente demais. Mas no último participação dela, ela foi falar sobre hobbies. E eu achei, né, quando eu fui, os meninos editaram o programa, depois eu fui revisar, eu falei assim, ah, os meninos gravaram um programa sobre xadrez, sobre baralho, sobre fazer tricô, qualquer, o que que é hobby, né?
Ou como diria Carla Perez, o hobby de chambre, né? O hobby de seda, dependendo, o meu cor-de-rosa de chambre. Aí eu falei, não, a ideia era que era para falar sobre como que a mente humana processa os hobbies. E aí nesse episódio eu tive uma epifania. Olha que bonito, estudei hoje essa palavra.
Que eu entendi, eu tinha um hobby de fazer react também, o processo também.
Exatamente, exatamente. Eu tive uma epifania que era o seguinte: eu descobri que tem um comportamento meu que eu achava que eu era um cara totalmente desequilibrado, e ela me mostrou que não, que isso é muito mais comum. Inclusive ela tem inclusive uma sala que justifica um comportamento meu Eu falei, nós precisamos conversar sobre isso e sobre outros assuntos. Então, para a gente falar hoje sobre saúde mental, eu tenho aqui diretamente de Fortaleza, Aninha Arantes.
Obrigado por estar aqui com a gente. Boa noite, Aninha, que tá no consultório, não saiu do consultório numa segunda-feira à noite em Fortaleza. Não posso dizer que tá fria porque Fortaleza, né?
Então Aqui tá frio, que todo mundo acha que a minha sala é a Sibéria.
Errada não tá, é isso, né?
Todo mundo entra aqui batendo os queixos porque diz que como é que eu consigo ficar, mas se não tiver gelado parece que o cérebro não funciona direito, não processa, o cérebro cansa mais rápido.
Muito bem, já temos uma pequena verdade: ar-condicionado é no 16. Pelo menos, né?
Ar-condicionado é a segunda maior invenção do homem, só atrás da roda.
Ah, e achei que você fosse falar da lavadora de roupa, de louça.
Olha, ela rivaliza muito ali. A lava-louça é o terceiro, mas assim, é um terceiro, 2 e meio.
Ó, eu não vou introduzir aqui o misticismo da lavadora de louça no Radiofobia aqui para Ana agora, senão a gente vai mudar de tema antes de começar. Então vou fazer o seguinte, para você que tá no YouTube Você fica aí que eu vou fazer a viradinha. Para você que tá no feed, vai entrar agora o nosso bloquinho de recadinhos e já já a gente volta, porque hoje é dia de falar sobre saúde mental com Aninha Arantes no seu Radiofobia. Alô, é da rádio, é?
É da Radiofobia, filho. Então, é que sabe que eu mando carta pro programa toda semana, tem uns 10 anos já, mas ninguém nunca leu as minhas cartas, rapaz. Carta lendo, sério? Em pleno século 21? E você ouve onde, no gramofone? Mas não tem nenhuma carta por aí não, é? Ah, eu queria tanto ouvir o meu nome no programa. Tá, e qual é a sua graça? É Ostrogésilo. Ostrogésilo. Achei sua carta, mas vamos te chamar de Totô, tá? E vamos rapidamente para a sessão de recados deste episódio, hoje totalmente cabeça.
Nossa, um episódio sensacional com a nossa querida Ana Arantes. Espero que você curta aí porque o programa tá muito legal, ó, para entender melhor como é que funciona a nossa cabeça e como garantir a nossa saúde mental nesse momento que o mundo passa aí, que, né, como diria Silvio Brito, tá todo mundo louco. Oba, tá todo mundo louco! Então fica aí que o programa tá sensacional, mas antes, técnica bota trilha de Copa do Mundo. E aí, amigo, mega amigos do Radiofobia, você que acompanha esse podcast, sim, atenção, porque vai entrar em campo a promoção da temporada campeã HostGator.
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É só você entrar lá e você vai ter acesso a essa galera. Somos quase 300 pessoas ali trocando ideia no dia a dia. Você recebe em primeira mão o link pras gravações, quando vai ter live, as artes dos episódios assim que o Sandro Rôjo termina de fazer as ilustrações. Você pode mandar meme, pode mandar link do seu podcast, pode trocar ideia. Tem muita gente bacana, muito produtor de podcast, muito ouvinte da velha guarda da Podosfera.
Que tá nesse nosso grupinho do Telegram. Repetindo, t.me/radiofobianetwork. Belezinha? Agora, Tênis, roda a vinhetinha, chama de volta meus queridos Júlio Macórdia e Vitor Estácio para a gente continuar esse papo com a nossa convidada. Um papo cabeça, papo muito legal. Eu recomendo você seguir ela lá no Instagram, o link tá na postagem do episódio. Esse programa sobre saúde mental fundamental nos dias de hoje com Ana Arantes, hoje aqui no seu Radiofobia.
Aliás, vai Milton! Tamo de volta, de voltinha, tamo de voltíssima no seu Radiofobia, hoje totalmente fenomenal para falar de Saúde é o que interessa mentalmente falando. Nós estamos em 2026, no ano da desgraça de Nosso Senhor de 2026. Aninha, antes de qualquer coisa, mais uma vez obrigado por estar com a gente aqui no Radiofobias. Para quem não conhece Ana Arantes, vamos aqui fazer um pequeno interlóquio, um pequeno introdutório para as pessoas saberem quem é Ana Arantes, da mulher, quem é Ana Arantes na fila do que que tem em Fortaleza?
Não vou falar fila do pão, bolinho de rolo não. Bolinho de rolo é Pernambuco, né?
Aí também na fila do Teatro do Dragão do Mar.
Fortaleza é bolinho de rolo também?
Não.
Que que é gostoso aí em Fortaleza?
Você sabe o que é pratinho?
Pratinho não. O que que é?
Pois é, pratinho é o típico da comida típica de Fortaleza. É um pratinho que tem creme de galinha, vatapá de frango, paçoca de carne seca e um pouquinho de arroz no fundo.
Eu tô querendo um pratinho.
Que fome!
Que complicado isso é, complicado.
E sai comendo, andando, nossa, no carrinho da esquina, na praça.
Delícia demais! Então a pergunta é: quem é Aninha Arantes? Na fila do Pratinho em Fortaleza. Sei que você tá em Fortaleza já tem o quê, uns 5 anos mais ou menos?
Mas eu vim para cá em 2018.
Da onde que você é originalmente?
Eu sou paulista do interior, se ninguém percebeu ainda.
Da onde? Que interior?
Eu sou, minha família é de Espírito Santo do Pinhal. Aí pertinho, né? Mas eu fui criada a vida inteira em Pirassununga.
Pirassununga, terra da boa cachaça. 51, boa ideia.
Durante os últimos 15 anos em São Carlos, desde que eu entrei na Universidade Federal de São Carlos.
Você é psicóloga, doutora em psicologia, e tem uma especialidade que você tem, inclusive faz parte do teu perfil lá no Instagram, que é ABA. É isso? ABA? A BCBA, Board Certified Behavior Analyst, é isso?
Isso, eu sou uma analista do comportamento certificada. Análise do comportamento é uma abordagem da psicologia que tem uma aplicação muito tradicional e forte na área das neurodivergências de modo geral desde 50 anos atrás, mais ou menos. Então eu trabalho basicamente com o ensino de habilidades, principalmente de habilidades de comunicação e linguagem, para crianças, adolescentes e jovens adultos autistas. Aqueles com mais necessidade de esporte, e no ensino de habilidades sociais e socioemocionais para adolescentes.
E, mas você tá, a gente tava conversando aqui antes de começar a gravação, estava falando para mim que você hoje em dia não atende mais os pacientes, você atende os terapeutas.
É, eu sou, eu sou supervisora e consultora, né, que geralmente, como a população que a gente atende na maioria das vezes precisa de muitas horas, então a gente precisa de muitos terapeutas e eles precisam ter alguém dando o suporte para que eles consigam atender uma carga horária tão estendida.
E eu sou esse suporte.
Excelente. E eu imagino que o dia a dia deva ser um— porque nos dias atuais é exatamente sobre isso que a gente vai conversar aqui, né, no programa de hoje. A sua vida deve ser um pouco ocupada, né, Aninha? Pouca coisa. Ainda assim, obrigado por ter cedido parte da sua vida para bater esse papo aqui com a gente. Eu tenho aqui uma pergunta que eu quero começar fazendo. Todo mundo aqui, eu sei que vai ter pergunta do tema de hoje.
Inclusive, o ouvinte que tá assistindo a gravação aqui pelo YouTube, pela live, também pode mandar. Você sabe, né, quem participa aqui ao vivo pode mandar aqui sua pergunta para o nosso convidado. Sempre em algum momento a gente vai fazer. O Estacinho me ajuda a ficar de olho nos chats para saber se tem alguma pergunta legal. Mas eu tenho uma pergunta aqui que eu queria fazer para você, Aninha, que é uma provocação provocativa, que é a parte do do que me encafifa, né?
E daqui a pouco eu vou deixar para mais para frente falar o negócio do hobby, é que eu vou me expor, né? E se eu me exponho logo no começo, o Estácio e o Júlio não deixam continuar o programa, porque aí vira metralhadora giratória. O que eu quero saber é o seguinte: a gente vive hoje uma geração muito mais informada do que no nosso, na nossa infância mesmo, né? Na minha infância, eu que tenho 50, vou fazer 52 anos, A gente sabe que até quando, quando a gente era adolescente e tal, era outro mundo.
Antes da internet, né, o planeta era totalmente outra coisa. Aí a gente hoje em dia, a gente pode dizer que a gente sabe mais sobre saúde mental do que qualquer geração anterior à nossa, né? Surgiram e descobriu-se coisas que explicam comportamentos e atitudes e pensamentos e tal. Que não existia antigamente. Agora, a minha pergunta é o seguinte: como é que a gente pode viver numa geração que entende mais de saúde mental do que todas as anteriores e ao mesmo tempo parecer que a gente nunca foi tão fragilizado mentalmente como a gente é hoje?
Porque são duas coisas completamente diferentes você saber uma coisa e você fazer uma coisa. O que a gente sabe é linguagem, né? Você lê no livro, é palavra. Habilidade é outra coisa, e a habilidade depende do contexto, não só do que você sabe, certo? A gente, né, espera que em alguns momentos as pessoas fiquem sob controle de regras, de de conhecimento, mas às vezes o ambiente não permite. Por mais que eu saiba que é, e vejo, percebo em mim, por exemplo, nos últimos 4, 5 anos eu não consigo mais ler livro.
Ler livro, sentar e ler um livro, eu não consigo. Eu leio 3 páginas e falo, nossa, o que que foi que eu li? Eu tenho que, eu leio 3 páginas, volto 2 e vou assim.
Já aconteceu muito comigo também.
Eu era a pessoa que pegava o Harry Potter na hora que a livraria abria, sentava e não levantava enquanto eu não tivesse terminado aquilo, né? Então eu sei, eu sei todos os mecanismos pelos quais ficar fazendo doomscrolling no TikTok tá matando o meu cérebro. Pergunta seu parente.
Isso é uma questão de hábito então, né?
Eu não sei, o cérebro não deve formar hábito porque eu sou TDAH, então eu não tenho hábito, eu tenho esforço.
Aí, isso aí é uma questão também. Fala, Jéssica.
A leitura virou uma coisa que parece que eu tô perdendo tempo. Isso é ridículo de pensar. Meu trabalho numa editora, entendeu? Mas às vezes quando eu paro para ler, eu paro para ler, parece que esse parar é perder tempo. Você poderia estar usando o seu tempo fazendo uma coisa, entre aspas, melhor do que lendo um livro, e fazendo várias coisas simultâneas, o que é um absurdo, né?
Uma coisa que eu tenho sido impactado muito, eu tenho pensado muito nisso Tanto que depois daquele programa sobre hobbies, eu vou falar nisso porque, enfim, inevitável, eu comecei a me permitir resgatar alguns que eu tinha largado e começar até novos, por que não, né? E aí eu quero, eu sei que o TDAH meu não é diagnosticado, mas claramente quem me ouve aqui no Podfobia há 17 anos deve perceber que, né, tem alguma coisa assim. E a Aninha também, já trocamos umas mensagens no WhatsApp.
Então, tipo, sabe aquela coisa que it takes one to know one, né? Você tem que ser pra conhecer o outro e você entende, que você se identifica com aquilo. Essa questão do hiperfoco que eu queria entender, porque eu tenho muito isso. Por exemplo, eu tenho na minha frente aqui 7 gaitas de boca. Eu tenho só aqui no alcance das duas mãos Eu tenho 4. É para não falar que eu tô mentindo. Se eu estender a mão ali no banquinho, tem mais 3.
O que que acontece? É um instrumento que eu sempre quis aprender a tocar desde criança. Alguns anos na pandemia eu falei, agora eu vou começar a tocar. Peguei um curso online, comprei uma gaita. De uma veio para outra. Acho que é um dos poucos hobbies que eu não abandonei. Não me tornei músico, tô tirando um blusinho gostosinho, que é o que eu queria fazer e tal. Mas assim, eu não foco, eu não fico só nela. Então, por exemplo, quando eu tava estudando a gaita, eu comprei uma.
Eu tenho uma boca só, né? Eu precisaria de 7 gaitas talvez para as 7 notas principais que tem, né, a do dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó, da escala harmônica, né? Sem tirar as 5 de bemóis e sustenidos, as 7 principais. Eu poderia ter 7 gaitas, nem se usa todas, enfim. Pra blusa e tal, mas eu poderia ter 7. Mas eu tenho 3 ou 4 na mesma tonalidade que eu fui comprando, mas eu tenho uma boca só. Mas aqui tem um timbre um pouquinho diferente, aí alguém fala daquela e tal.
Aí daqui a pouco eu não tô mexendo na guitarra há 2 meses e eu tô fazendo o quê de novo? Eu voltei às minhas mágicas com baralho, eu voltei a brincar com as bolinhas de esponja. Aí daqui a pouco eu larguei, eu tô sentado no teclado estudando piano. A gaita ficou, o baralho ficou, o não sei o quê. E quando você falou para mim no Nerdcast que você tinha um quarto só de hobbies abandonados, eu chorei de emoção, porque eu falei, eu não sou assim.
Lógico, eu não chorei, mas eu tô dando aqui exagerando. Eu não tô sozinho, gente, pelo amor de Deus. Você falou, eu tô olhando aqui para uma caixa de coisa de tricô que eu não mexo tem uns 3 anos. Falei, gente, é a minha vida, os meus armários, as minhas estantes, elas são isso. E eu sempre me achei um puta— agora eu vou falar— um puta nego bosta, porque eu nunca consegui me tornar um exímio cartomago, né, o cara que faz mágica com carta, um exímio gaitista, um exímio— nunca.
Então eu costumo dizer que eu sou um cara que sou muito bom em não ser bom em porra nenhuma. E aí quando você falou isso pra mim, eu falei, cara, Você é um exemplo, mas não é hobby, isso é trabalho.
É outra coisa.
Ah, mas começou como?
A questão é: precisa ser o melhor?
Então, mas é que tá, deixa eu só desenvolver o raciocínio. Aí quando a Ana falou, eu falei assim: peraí, isso é uma coisa então que tem muito mais gente que é igual a mim. Então quer dizer que eu não sou esse, esse errado do planeta. Isso é um comportamento muito mais comum e tal. E aí você começou a me abrir para assim, até que eu fui pedir dica para você com relação até diagnosticar alguma coisa, né, questão de uma terapia direcionada.
Exatamente. É, olha, daí comprar um, comprei, aluguei um apartamento só para guardar os hobbies.
Eu já pensei de fazer isso, então já pensei de alugar um apartamento aqui na frente do meu ou abaixo do meu, no caso, que tava disponível para levar para lá todas as pelúcias, todas as action figures, todas as coisas.
Um abraço, Sidão!
É, o Sidney Guzman tem uma casa no Ipiranga que ele aluga só para guardar os quadrinhos.
Ele trabalha com isso também.
Então, Ana, então a minha questão é o seguinte, eu não sei nem como organizar essa pergunta porque Tem a ver com hiperfoco, tem a ver com TDAH, tem a ver com por que que a gente é assim. E isso é muito, realmente é tão comum assim quanto se imagina?
A gente tem a impressão que é muito comum porque a gente acha se junto, porque o nosso cérebro funciona muito parecido. E muito diferente das pessoas neurotípicas. Então a gente consegue se comunicar melhor entre a gente, a gente acaba se juntando, né, se agregando em bolinhas.
Então a gente acha que o mundo é TDAH, resolve fazer um podcast e fica 17 anos fazendo, né?
Exatamente. Então a gente tem essa percepção, mas se for levar na população em geral, cerca de 2% da população tá dentro do espectro do autismo. E se a gente considerar que o TDAH é um outro, uma outra extensão desse espectro, e provavelmente dislexia também, bipolaridade um pouquinho mais para lá, é tudo meio que um sopão. Você vai ter aí mais ou menos entre 12 e 15% da população. Autismo diagnosticado é 2% da população. Mas tem uma rebarba aí que tem as outras coisas.
Então assim, não é absolutamente muito comum, né? A gente tem impressão de que é porque a gente primeiro tá cercado de provavelmente muito mais gente. Se a gente pensar que a genética disso é muito implicada nesses quadros, é muito forte, então provavelmente a nossa família inteira também é. Por exemplo, você vai mais, e porque a gente, né, tá num extrato das classes socioeconômicas que tem acesso aos diagnósticos. Então tem mais isso também.
E tem muito comportamento que para uma pessoa TDAH é como ela funciona, Mas porque o mundo agora tá assim, você tem um monte de outros comportamentos que você olha e fala, nossa, isso parece TDAH. Não, isso é só uma pessoa que desde que ela nasceu ela não precisa esperar para nada. Por exemplo, você lembra quando você queria assistir uma série que você tinha que esperar a semana inteira para ela passar de novo na televisão? Agora a criança fala, eu quero assistir.
A gente tinha que botar o videocassete para gravar e torcer para não acabar a energia.
Se tivesse videocassete, se tivesse, para mãe não desligar, né?
Ou para mãe não pôr.
Exato. Então tem a coisa da— se a gente queria consumir, né, uma história, a gente tinha que sentar e ler um livro ou assistir um filme. Essa molecada consome histórias que tem 30 segundos.
Tinha que esperar alguém devolver o filme na locadora para você ter a chance de pegar ele, né? E aí, se você não ficar, não rebobinar as pessoas, meu pesadelo recorrente, tô 30 anos devendo da locadora.
Essa molecada agora é tudo impulsiva. Claro que é, claro que é. O contexto deles não permite esperar por nada, não permite se regular para, tá tudo na mão, né? Então assim, eu acho que tem uma tá meio cinêrgico, né, o contexto que a gente tem hoje de tecnologia, informação, volume de informação, e, né, a maneira como a gente acaba lidando com isso independente de ter alguma condição ou não. Então é muito mais comum que a gente tenha muito mais agressividade por aí, muito mais dificuldade de controle regulatório inibitório, de regulação emocional, que é outra.
Acabou de sair um estudo finalmente enfiando regulação emocional como critério para diagnóstico de TDAH, mas a gente tem um mundo que tá também cozinhando essas coisas O que, para o meu conhecimento, o que é regulação emocional? Regulação emocional é a maneira como você se comporta quando você está num contexto de emoção, né? Isso depende de como você percebe a sua emoção, e a gente sabe que pessoas neurodiversas têm sim uma percepção mais acentuada de emoções, principalmente emoções negativas, mas é você conseguir fazer alguma coisa que seja minimamente saudável quando você tá em um estado emocional.
Então, eu, por exemplo, se eu já tiver cansada, com fome, de sono e alguém me disser uma besteira, mas vai tomar uma invertida.
Você sabe que você não é a única, né?
Então assim, isso é desregulação emocional, certo?
Mas o impulso nela é maior do que na gente, Júlia.
Daí você tem uma desregulação emocional, uma pessoa que é impulsiva, né, que não pensa antes de fazer, literalmente. Impulsividade é isso, porque o caminho normal é o cérebro processa, você tem escolhas, você toma uma escolha e faz. Impulsividade é o cérebro passa daqui sem passar por aqui e chega aqui.
Não tem lombada, né? O impulso nervoso não tem, não passa na lombada.
É o que eu sempre falo, é receber a estimulação, você já imediatamente respondeu com alguma Eu sou esse cara, inclusive. Nossa, e você falou que tem fator genético que pode influenciar isso, pode vir geneticamente. Porque assim, isso explica muita coisa do meu comportamento, por exemplo, do relacionamento com a minha mãe. Eu tô sem falar, eu tô sem falar com a minha mãe desde o dia 12 de janeiro.
Vamos puxar um Freud forte agora.
Eu tô falando sério, eu vou voltar a falar essas essa semana porque a gente trocou uma ideia com meu pai aqui. Mas eu tô falando aqui, eu tô me abrindo numa boa. Esse programa aqui é terapia em grupo. Eu tô sem falar com ela desde o dia 12 de janeiro, porque minha mãe, à medida que ela foi ficando cada vez mais velha, ela ficou, ela começou a ficar cada vez mais descontrolada de falar o que ela bem entende. E nisso ela magoou as pessoas imediatamente.
Só que eu já tenho 52 anos e eu cuido deles, e tudo que eu preciso na vida, e eu não quero ser maltratado, entendeu? Então tomei uma invertida, fui lá e dei de volta. E nisso o círculo, em vez de virar, né, o famoso círculo vicioso, eu falei: enquanto não me tratar melhor, eu não vou mais trocar ideia. E tô há 6 meses sem falar, até que aí o meu pai veio e falou assim: olha, tua mãe tá sentindo suas dores, quer falar com você, tal.
Eu falei: eu também tô, mas eu não quero chegar e tomar uma outra invertida. Só que assim, quando você tem duas pessoas, aquela coisa, dois bicudos não se beija, né? E que nenhum dos dois é diagnosticado e nenhum dos dois é tratado. Como é que resolve isso? Quer dizer, alguém vai ter que, alguém que tá aqui tendo um esclarecimento vai ter que tomar uma atitude, segurar o seu tchan, ir lá e fazer alguma coisa. Porque se depender da impulsividade dos dois, isso não se resolve nunca. E a gente vê isso acontecer na sociedade, né?
Alguém vai ter que ceder.
E a gente vê isso acontecer na sociedade a todo momento. Nessa época onde a gente falou, ah, porque o pessoal tá muito agressivo, pessoal tá muito reativo. Na verdade, a impressão que dá é que, primeiro, não tem ninguém mentalmente saudável, tá todo mundo louco, oba, como diria o Silvio Brito.
E segundo, é saudável, tá errado, tá errado.
A gente não tá tendo uma crise de ansiedade por semana, tá alienado do que tá acontecendo.
E parece que tá todo mundo com medo, esse negócio da violência. Claro que tem gente mal, filha da puta mesmo, e tem também gente muito mal natural, que nem eu pego a pau. Mas tem gente que tá com medo o tempo todo, e numa defensiva a pessoa ataca com medo de não ser atacado antes, antes de ser atacada, né? Como é que a gente quebra isso, Aninha? Como é que a gente quebra desse ciclo? É terapia, é tratamento, é informação? Aonde que vem o início da solução desses problemas?
É tudo isso aí. E a gente tem que de alguma forma tentar mudar o contexto que tá produzindo isso, né? Então a gente não só aprende se comportar, como mantém o comportamento acontecendo, porque o contexto ensina, seleciona e permite que aconteça, né? E muitas vezes inclusive reforça, né? Sim, então você tem alguma recompensa, não tem outra palavra para usar, eu vou usar essa. Por se comportar de determinadas maneiras, nem que seja alívio, né?
Alguém me irritou, eu dei uma invertida, eu me aliviei. Então, se essa for a única consequência que eu berrar com alguém, né, magoar alguém tiver, eu vou continuar fazendo isso, porque só tem essa consequência e ela é boa para mim, ela me alivia. Então todas essas coisas juntas, todo problema sério, a gente nunca tem só uma causa, claro, é sempre um conjunto de coisa acontecendo. Então assim, a gente já tem um monte de escola que já colocou no currículo educação socioemocional, né?
O problema é que alguns currículos de educação socioemocional educação emocional na verdade não são educação socioemocional, são para ensinar pessoas a virarem trabalhadores que não reclamam e aceitam serem, né? Aí você tem aí alguns grandes, massa de manobra, vendendo esses programas para tudo quanto é escola, inclusive para alguns governos estaduais para implantar na rede. Mas questões políticas à parte, sim, a gente precisa ensinar desde pequena essas habilidades, né?
Ensinar a você identificar o que você tá sentindo, porque qualquer pessoa que já foi na terapia teve essa epifania de que, puta merda, eu não faço ideia do que eu tô sentindo. Eu tô sentindo um troço, mas o que que é? Como chama? E tudo bem, é muito difícil se você não foi aprendendo a identificar. Então identificar, nomear, porque nomear é uma maneira da gente organizar as coisas, e aprender o que fazer com ele, né? E spoiler: não é tentar controlar, porque sentimento é reação automática.
Sentimento, sensação, emoção é o seu corpo reagindo a Você não tem controle. Você tem controle sobre como você reage aí.
Perfeito.
Se você entender como fizer isso, identificar esse padrão também, né? Sim, exato. Daí você vai identificando e você vai, né? Então é você, depois que você começou a pensar, não, TDAH, eu vejo também a mesma coisa. Depois que eu recebi meu diagnóstico, eu olho para minha mãe e falo, puta merda, como é que ninguém nunca diagnosticou essa pessoa? Ela completamente. Meu irmão é um TDAH clássico de moleque, de subir pelas paredes, literalmente, da casa para descer aquela antena, sabe assim?
Como que ninguém diagnosticou? Porque primeiro, porque na minha casa era todo mundo assim, ninguém achava estranho, que é muito comum inclusive. E depois porque realmente era última, nos últimos 10 anos, o diagnóstico mudou, a maneira como a gente diagnostica mudou, ficou mais fácil da gente perceber, e os médicos têm sido treinados para identificar isso, graças a Deus, o que 10 anos atrás não acontecia também.
É por isso que a gente tem tido tanto diagnóstico agora de de pessoas, por exemplo, com uns 30, 40, 50 anos de idade sendo diagnosticados dentro do espectro autista e tal, coisa que não se ouvia falar antigamente. Era tipo coisa de criança, né, entre aspas, né? Não se falava assim.
Não, mas, e achava assim mesmo, só no último, eu acho que foi no último DSM só, ou no último manual diagnóstico, que isso entrou como que foi tirado isso, porque se acreditava que as crianças cresciam e perdiam o TDAH, porque TDAH era só com criança. Depois que você vira adulto, não tem mais. Claro, você aprendeu a mascarar tudo, engolir tudo e achar que isso é uma bosta e que é você que tá errado, não é o mundo, entendeu? Porque a vida inteira te cobram, pô, mas você não para em nada, né?
Você fica, começa as coisas e larga. Quantas vezes eu não ouvi do meu pai, da minha mãe, Ah, você quer fazer violão? Você vai largar? Porque se eu fizer uma sua matrícula, você largar? Quantas vezes?
Mais uma coisa que eu vou gastar para você não fazer.
E aqui tá ação e ginástica rítmica. Nossa, eu faço uma lista aqui das coisas que eu fui começando, né? E aí era sempre eu, é que eu não consigo. Tá errado, sou eu, tô errada, eu que não tenho força de vontade. Aí você junto com o Fábio, eu ser gorda, tá provada que eu não tenho força de vontade. A gente é gordo porque não tem força de vontade para emagrecer, não é verdade?
Estou aqui de prova. O Ana, lá no podcast, quando você falou sobre isso, eu não lembro exatamente se foi lá ou se eu acabei depois ouvindo em outro contexto, é que esse comportamento ele se explica, tem a ver com esse negócio de hiperfoco. Quer dizer, você acaba gostando muito de alguma coisa naquele primeiro momento. Não sei se eu vou falar corretamente ou não. E aí você acaba meio que tendo um puta tesão por aquilo. E isso é o quê?
É uma carga de dopamina, alguma coisa que você recebe que te dá uma puta de uma satisfação, e daqui a pouco meio que esfria e o seu cérebro busca uma outra fonte disso. É tipo uma droga? Como é que é isso?
É literalmente isso mesmo.
Só que comportamental.
É, para gente que a gente teve sorte, porque para uma parte muito grande das pessoas, principalmente as não diagnosticadas, virou alcoolismo, drogadição, comportamento de risco, né, vício em pornografia, todas essas coisas, porque é o mesmo mecanismo.
O mecanismo é igual independente do que vai. Isso é o meio que pode influenciar às vezes, né, o que o cara consegue ou não fazer e tal. Mas o princípio, digamos assim, é quimicamente o cérebro tá funcionando do mesmo jeito.
No caso de uma pessoa com TDAH, com certeza. Se você vai para outros diagnósticos, por exemplo borderline, é porque o borderline, o principal problema ali é justamente a regulação emocional. Então, para aliviar aquele desconforto, uso de droga. A gente se automedica classicamente desde muito tempo. Quanto você toma de café por dia?
Hoje em dia eu tomo bem menos, mas eu tomo doses industriais.
Eu vejo meus amigos substituindo café por Monster.
Olha aí, Ju, ficou aí a crítica.
Eu não tomo um por dia, não sou eu.
Parou de fumar, mas tá com vape do lado aí, que eu sei, né? Exatamente.
Eu parei de fumar cigarro normal, eu fumo cachimbo, charuto, cigarro normal eu parei.
Tive minha fase de vape uns 7, 8 anos atrás. Depois eu não fui mais, né?
Mas é o nome TDAH, transtorno de hiperatividade e déficit de atenção. Ele é ruim porque ele é enganador. A gente não tem déficit de atenção, a gente tem déficit de atenção.
Dá muita atenção para alguma coisa.
A gente tem déficit de quê? Pera aí, explica de novo que cortou.
A gente tem déficit de hiper— a gente tem transtorno, aliás, de hiperatenção. O nosso problema é não conseguir interromper quando a gente tá focado demais, hiperatento numa coisa só. O nosso problema é função inibitória. A gente não consegue parar uma coisa para transicionar para outra.
Entendi.
E aí a coisa da novidade é muito importante, porque quando você tá numa coisa nova, você tá aprendendo, seu cérebro vai hiperativo. Quando você já aprendeu, atividade— porque esse é o processo de aprendizado, né?
Você desconstrói, né?
É, a excitação, e daí sedimenta e vai para o próximo. Quando você já sabe, perdeu a graça, você não tem mais motivação.
Aquela caixa preta, você abriu o baú, né? Você já sabe como é que tá funcionando, perde a graça.
A estimulação toda da novidade acabou, não tem mais novidade. Por isso que pessoas com TDAH, por exemplo, são péssimas executoras, né? Eu não tenho função, eu tenho disfunção executiva, nada funciona. Mas a gente é ótimo para ter ideia, para planejar, né? Para divagar, para ter a ideia, para ter a relacionar coisas, conseguir ter saídas originais, resolução de problema, traçar o caminho é ótimo.
Fazê-lo é outra história.
Principalmente fazer relação, juntar pontos que normalmente as outras pessoas não enxergam do mesmo jeito.
Mas na hora de executar eu também sou um camelo, não consigo.
Não necessariamente em tudo nela. Eu tenho, por exemplo, é porque como diz o Cris Dias, né, a buzzword é hiperfoco. As pessoas têm desgastado o uso da expressão para qualquer coisa. Elas têm usado hiperfoco para se referir a um interesse muito grande, aí ficou a palavra, a palavra da moda. Mas, por exemplo, eu que trabalho com muitas crianças que têm TDAH, boa parte delas tem hiperfoco em alguma coisa em algum momento da vida, né?
E às vezes isso pode ser que dure muito tempo ou pode ser que sejam coisas muito com espaço de tempo muito curtinho assim, né? Então eu tenho alunos, por exemplo, que eles têm hiperfoco em dinossauro. E aí, meu irmão, a meia domina dinossauro, a mochila de dinossauro, o aniversário de dinossauro, ele sabe o nome de todos os dinossauros, não sei o quê, não sei o quê, não sei o quê.
Só tem dinossauro.
Então, tipo assim, a cabeça dele para informação ela é muito boa, Mas às vezes ele não consegue pegar aquele mesmo mecanismo que ele tem para descobrir coisas a respeito de dinossauro e lançar para outras coisas, de usar o mecanismo. Então isso é um problema quando tem, especialmente para criança, em que tu tens que desenvolver várias áreas da vida dele, não do conhecimento, mas várias áreas de aplicação dele, tem que se relacionar com os outros, aprender regras de convivência e tal, e que ele não consegue, né?
Que aí não é, que é o que a Ana tá dizendo, né? O problema é ter o hiperfoco, tipo, ficar olhando só para aquele lado ali. Aí ele passa a ter esse desbalanço na vida de não aprender determinadas coisas. Aí é que é a bronca como um todo, né? Aí também que ela falou, é importante, a gente vai ficando mais velho e aí a gente vai aprendendo às vezes que meio que na marra a lidar com isso. E quando tu fica adulto é que tu começa a poder ter um certo controle, mas é uma dificuldade muito grande.
O problema disso É exatamente o esforço que a gente tem para chegar no mesmo lugar é imensamente diferente do esforço de uma pessoa neurotípica. Como eu falei, pessoas neurotípicas têm um cérebro que consegue cristalizar algumas funções e cria hábitos. Hábito é uma coisa automática. Quem é neurotípico não pensa em escovar os dentes. Acorda, entra no banheiro, faz xixi, escova os dentes, toma banho e sai. Eu tenho que pensar 28 vezes, esquecer de novo, voltar, começar a escovar o dente, parar na metade e aí de repente perceber o que que eu tava fazendo para retomar.
O meu cérebro de pessoa TDAH não tem o mesmo mecanismo de criação de hábito. Tudo que a gente faz consome uma energia imensa. E aí você vai botando 30, 40, 50 anos disso na vida da pessoa, e aí você não entende porque ela tem um burnout, porque que ela entra em crise depressiva, porque que ela começa a ter crise de pânico. É porque ela passou a vida inteira tentando funcionar num mundo que não foi feito para o funcionamento dela, e ainda achando que ela tava errada.
Então tudo isso acumulado, como diria o Joseph Klimber, sou eu, era assim.
Todas as outras coisas vêm na rabeira, né? Então essa coisa aqui que eu, é uma briga eterna minha com, né, uma parte das minhas terapeutas e quase 98% das das mães e das professoras, que é: mas tem que, por quê? Por que que o menino tem que socializar?
Tem que, é o pertencimento, né? Você tem que fazer. Eu entro um pouco nessa, nessa seara pelo seguinte: essa semana eu tive meu diagnóstico de autismo nível 1 de suporte, né? Enfim, muito mascarado, muito, porque eu cheguei nos 45 fico com evidências. E é isso, eu vou para um burnout, que que é, entendeu? Que que eu tenho que fazer alguma coisa. E enfim, fiz os testes todos. E como você falou antes, tem uma questão de acesso também, porque não é barato, né?
E daí recebi lá o meu diagnóstico. Ok. Aí muitas, inclusive minha pergunta comigo mesma, tá com 45 anos, que que eu faço com isso agora? Que que é um carimbo né? Que que é isso?
Porque é um desconto no consórcio do carro.
Porra, vaga preferencial! Será que agora a vaga preferencial vem antes dos 60?
Eu acho que seu diagnóstico, Jéssica, ainda tá muito recente. Daqui uns 2, 3 meses a gente conversa, porque assim Talvez você ainda tá na fase do susto. Eu passei por essa. Quando eu recebi o diagnóstico, eu me senti a pessoa mais estúpida, idiota, retardada do mundo, porque eu trabalho com essas pessoas, essas crianças. Como é que eu nunca percebi que eu também era, né? Então eu tive uma fase assim, me senti um lixo. Depois passou essa fase, e aí que você começa a se tratar, e aí Aí vem os remédios, aí vem a terapia, e aí vem você começar a estruturar o mundo para você finalmente.
Eu sempre pensei, sabe, eu acho que o grande diferencial vai ser me permitir determinadas coisas.
Você vai, você vai, já já vê, porque você começa a perceber o seu real funcionamento, e aí fica tão mais fácil lidar com as coisas. Ficar tão— mas tem até uma galera que fala de síndrome pós-diagnóstico, que é assim, nossa, agora só porque recebeu diagnóstico fica parecendo autista mesmo. Não, é porque agora você recebeu diagnóstico, você se permite, né?
Você é relaxada.
É fantástico, é assim, é libertador, é libertador o diagnóstico. Depois da liberdade, dessa sensação de alívio, porra, não era eu esse tempo todo, né? Talvez você passe por uma fase de luto, eu passei também, eu também vejo alguns pacientes passando por esse luto de, porra, mas podia ter sido tão mais fácil, eu sofri tudo isso para chegar aqui. Mas aí você começa, tá, então se eu tenho funções executivas, como é que eu vou fazer para fazer as coisas que eu tenho que fazer?
Daí você começa a arranjar sistemas, aí você começa a conseguir, né, a coisa do escovar o dente. Eu tenho que colocar no alarme do celular, né, se eu saio de casa todo dia entre 9:20, 9:40, senão não chego para o primeiro atendimento. Então eu coloco o alarme para as 9:10 e a hora que o alarme toca, tá lá, tomou remédio, escovou o dente, pegou não sei o quê, eu tenho que fazer isso.
O nosso é uma estratégia, né?
Estratégia. Tem um cara que é um estudioso TDAH já já, daqui a meia hora eu lembro o nome dele, que ele fala que a gente tem que ter um cérebro na mão. Não dá para confiar nesse que tá na cabeça, você tem que tirar.
Já não dá muito, né?
Agora tá fácil que tem o celular, você anota tudo no celular. Aí o problema de anotar no celular é que você pegar o celular para ver o que tá anotado. E daí, em vez disso, entrar no Instagram. Então daí você sabe isso. Então eu sei que é pelo alarme. Se o alarme tocar, eu vou ter que desligar e vou ver o que tá escrito na tela.
Eu sem querer eu acabei criando alguns hábitos assim, Aninha, ao longo dos anos. Por exemplo, eu costumo dizer que a minha cabeça que funciona é a agenda do Google, e eu tenho o smartwatch sincronizado. Então tudo, eu, tudo eu preciso anotar, senão eu não lembro. E aí tocou no celular, eu sei que ele vai vibrar no relógio e vai ser o meu lembrete. E aí eu tenho um hábito que é não me distrair com alguma coisa imediatamente, porque senão eu não faço aquilo.
Então, por exemplo, eu tomo um remédio de pressão, pouca coisa, mas tem uns 10 anos já. 7:30 da noite, todo dia, 7:30 da noite, tomo um com candesartana, azitroxidila, 16mg. 19, 7:30 da noite, eu e o meu remédio, a minha cartelinha, ela tá escrita assim: segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado, domingo, dá para 15 dias. Quantas vezes eu não vou tomar? Tipo, hoje segunda-feira, eu vejo que o domingo tá lá o remedinho. Porque não foi por falta de tocar o alarme, porque ele tocou no meu relógio, ele tocou na Alexa, lá de São José, que eu voltei hoje de São José, Alexa da Nath, 7:30 da noite, ela toca o meu despertador, a minha que toca também do relógio.
Isso é uma das micro coisas do dia. E ainda assim, se naquele momento eu não parei e fiz, a chance de eu não fazer depois é 90%.
Exatamente. E aí é uma característica do autismo, né? Se você interromper, acabou. Você tem um fluxo ali, já era, já era. Tem que completar.
Tem um lance de cumprir a tarefa, né? Às vezes nem só interrupção, né? Tipo, você vencer às vezes uma preguiça só, uma preguiça de cumprir uma tarefa que às vezes ela é mais laboriosa assim. Ana, eu queria fazer só dois relatos aqui que a gente tava falando dessa coisa do hábito. Fato, claro, é por conta da pandemia, né? Eu ganhei um carimbinho no meu CID de ter ansiedade, né? Transtorno de ansiedade. E aí eu comecei a fazer terapia, pererei parará.
E aí eu fui descobrindo que muito provavelmente eu já tinha essa ansiedade antes, só que a pandemia deu uma melhorada boa nela, né? Então muitos comportamentos que eu tinha, principalmente no trabalho, de ser mais explosivo assim com essas coisas. Tipo, eu dei aula de ciências 20, 21 anos, e aí depois eu passei a só gerenciar mais a escola. Então às vezes quando eu olhava para uma aula de ciências que eu via que o negócio não tava sendo executado exatamente como deveria, já ficava na cabeça: não, isso tá errado, desfaz, desfaz.
E às vezes acabava tratando um funcionário mal, e sabe, tu vai tirando as coisas da cabeça. E falando uma vez. E aí, quando saiu o diagnóstico, eu reuni com a equipe toda aí por uma reunião que era para outra coisa, mas eu acabei comentando, né, tipo, galera, é o seguinte, né, a gente trabalha com crianças aqui, inclusão e tudo mais. Saiu aqui esse carinho no meu sídio. Quero pedir desculpa para vocês para todas as vezes que eu fui meio estúpido, né, de responder assim na cara.
Isso não justifica a minha grosseria, mas assim, daqui para frente eu vou tentar não fazer essas coisas. E como a gente trabalha junto, é quando, já que vocês fazem isso com criança, essa consideração de fazer comigo. Olha, tu tá exagerando. Então eu já tenho, toda vez que eu vejo isso no meu dia de trabalho, quando eu percebo, eu vou embora, eu vou para um lugar onde fico só eu, vou para minha mesa. Eu vim para cá para o estúdio, eu vou embora, eu espero passar.
Eu espero passar. Eu sei que às vezes não passa porque eu fico lá na cabeça, tá sendo feito errado aquele negócio lá. Aí eu tenho que dizer para mim mesmo, cara, não, a aula de ciências está sendo dada ali, ela não vai ser dada do mesmo jeito que eu quero que seja, ela vai ter falhas, e eu vou ter que começar a lidar com isso, porque senão todo tempo eu vou ficar agoniado e querendo ficar fazendo as coisas dos outros, né? E aí a gente não trabalha e não faz mais nada.
A outra coisa, ainda tratando de escola, já aconteceu algumas vezes, mas teve uma que foi emblemática assim, hein, Ana. Eu tenho uma escola que ela é uma escola baseada no sociointeracionismo, né? Então essa coisa de ter as atividades que elas são muito coletivas tá muito presente. E a gente tem um percentual considerável de alunos TEA e alunos TDAH, que eles são muito mais do que—
alunos do quê que você falou antes do TDAH, que eu não entendi? É, tá, tá, ok, ok, desculpa.
Então a gente é muito mais do que 2%, uma população considerável dentro do meu número de alunos, né? E aí teve uma conversa, né? É, exatamente. Eu conversando com uma família junto com a coordenação e tal, eu sugeri para uma família, falei, gente, que foi a fala que tu disseste, né? Precisa interagir todo tempo. Tem um certo ponto da vida escolar, por exemplo, que certas adaptações que eu acho que é um romantismo muito grande das pessoas acharem que tudo na matriz curricular ela vai ser cabível de adaptação.
Aí às vezes eu dou uns exemplos extremos assim, como é que eu vou ensinar para um aluno que vai chegar ali no 8º ano por força da legislação, ou porque ele, né, ele vai sendo promovido gradualmente, origem da vida, sendo que lá no no quinto, no sexto ano, ele não se apropriou nem de como é que é uma célula exatamente. Ele vai precisar de um negócio muito abstrato. Ou então um aluno que ele nem é verbal. Como é que eu vou fazer isso?
Porque é um assunto que a gente vai ter que conversar muito, eu não tenho como fazer uma vida surgir na frente dele. Então é um negócio muito abstrato. Então às vezes eu pego uns exemplos assim. E nessa conversa aqui que eu tive com essa família, eu falei: gente, talvez, é uma sugestão, que vocês considerarem uma escola montessoriana, onde as atividades— isso eu conversei num programa que gravei com o Léo quando ele esteve aqui—
onde as atividades são mais individualizadas.
Esse aluno tem mais opções de escolha. Aqui, como é uma escola socialista, o grupo causa essa regulação muito grande, porque eles precisam estar andando todo tempo muito juntos. Numa escola montessoriana tem essa liberdade. Então talvez seja uma solução para essa fase escolar por exemplo, de Fundamental 2, onde ele já não tá acompanhando essas atividades em grupo como ele tava lá no início, no primeiro ano, onde as coisas elas não eram tão percebidas assim.
E aí foi uma coisa de você tá querendo que a gente saia da escola e tal. Falei, não, gente, eu só tô tentando dar uma solução para o problema de aprendizagem.
Nessa discussão, porque senão vai ser mais 18 programas sobre educação. Da atuação, sabe? Sim, adaptação é outra coisa, tá? E porque a gente tem sim, esse problema é seríssimo, tem que começar lá no infantil. Não adianta querer começar com menino na 8ª série, já foi, já era, né? Então muitas vezes também é coisa da expectativa, né? Se ele chegou no nono ano, ele não é verbal e ele não tem um sistema de comunicação alternativa de verdade, realmente não vai dar, né?
Então assim, é isso. Mas é para muitas vezes, para você conseguir lidar com isso, você aprender a Opa, eu tô começando a ficar ansioso, eu vou para minha sala para me regular. Você teve que receber o diagnóstico para você começar a ficar atento a essa maneira de funcionar e qual era a estratégia que era melhor para você, né? Então assim, eu vi esses dias um vídeo, pessoas autistas elas têm uma apreciação, elas gostam de bicho, e porque elas conseguem entender o bicho melhor, porque elas têm uma sensibilidade muito mais para movimento e padrão.
E bicho é padrão de movimento, ele não vai falar para você o que tá acontecendo. E aí eles entendem melhor. Então assim, a quantidade de pessoas autistas nos cursos de veterinária É o dobro e às vezes o triplo do que nos outros, na média dos outros cursos. Só que o que que tava acontecendo com os cursos de veterinária? Foi uma experiência que eles fizeram em uma universidade nos Estados Unidos, porque eles viam que o curso de veterinária era o curso que tinha mais desistência.
As pessoas entravam, ficavam um ano e abandonavam, e isso tava começando a dar problema. E aí eles começaram a fotografar o que tava acontecendo. E aí, quando que os alunos começavam a desistir? Quando começava a ter trabalho em grupo. O que que eles fizeram? As pessoas que têm diagnóstico, a gente vai fazer uma coisa que você pode escolher fazer em grupo, em dupla ou sozinho. Caiu a zero a desistência do curso depois de 4 anos.
Olha aí, então assim, uma coisa besta que é o tem que, mas tem que aprender a trabalhar em grupo. Por quê? Para quê? Por que tem que? E essas pessoas são veterinários absolutamente incríveis, sabe assim, porque tem uma percepção muito diferente, né, de como o animal se comporta. E você tava impedindo esse acesso por causa de uma norma absolutamente arbitrária, né? Então às vezes é isso, é adaptação, é isso, é só isso. Não mudou a vida de ninguém, o professor continua tendo que fazer trabalho do mesmo jeito. Sim, sim, é só É só perceber que a pessoa existe.
Olha aí, excelente.
E aquilo que você falou antes, né, a gente tem o padrão, mas acaba sendo dois momentos, né, o reconhecimento do padrão e a ruptura do padrão, né. Você, você, nesse caso, uma questão mais institucional, né, de instaurar um novo formato dessa entrega de trabalho. Mas e no caso do Estácio, ele se retirar do ambiente até é uma ruptura de padrão também, porque ele já entende, já entendeu um ciclo, né? Como é que eu faço para esse ciclo não acontecer mais, né?
Então essa é aprendizado e a maturidade. Mas é um, eu gosto da frase que diz que todo conhecimento é autoconhecimento, né? Você acaba tendo o seu autoconhecimento para se colocar, né, na condição. Isso que você falou agora me lembrou quando eu tava, quando eu fiz a licenciatura, que foi, mas já faz uns 15 anos isso. Tinha um professor que ele fazia os trabalhos individuais e eu tirava, e era um negócio assim, tire uma folha e descreva tal coisa.
E daí eu escrevia, ele era na hora da aula, era meio que uma provinha, e eu tirava só 10, 10, 10. Aí uma vez ele fez em trios e eu tirei 8. Tá bem, você vai continuar fazendo sozinha, tá? Obrigada.
Percebeu, né?
Mas ele foi, meu, a minha estratégia. Daí você vai olhando para trás na sua vida, você vai vendo quanto monte de coisa era exatamente a minha estratégia para não ficar doida. Era assim, isso aqui eu faço, galera.
E aí eu fazia todos os trabalhos Sou eu também, minha filha faz isso, sou eu também.
Eu pegava de todo mundo, né? E eu pegava e juntava de todo mundo, o último olhar era o meu.
E isso gerou para mim na vida adulta esse comportamento de eu prefiro me foder e fazer sozinho do que largar na mão, tá errado, e eu vou ter que ir lá corrigir. Então eu prefiro acertar de primeira.
Bem-vindo à minha vida! E eu trabalho justamente não podendo ir lá fazer o que fulana tá fazendo.
E aí eu sou julgado como o cara que não sabe delegar. Delegar, por isso se fode. Exato, tu é perfeccionista, sem paciência, porque eu uso o meu poder para controlar as pessoas. Gente, eu só tô querendo ter menos sofrimento, porque no final eu vou ter que fazer. É tipo assim, quando você, você, porque você imagina, por exemplo, eu sou Eu tenho 3 filhos do meu primeiro casamento. Eu sou divorciado hoje, eu sou casado com a Nath, mas eu fui casado durante quase 20 anos.
Eu tenho um filho de 24, um filho de 21, um filho de 13. Eu tenho um pai de 80 anos, uma mãe de 72. Os meus 2 filhos adultos já se viram, mas o pequeno, ele ainda tem uma guarda compartilhada com a mãe dele. Meu pai, minha mãe, eu e minha irmã, a gente tem que cuidar de tudo deles. Eu tive que aposentar meu pai na força, senão ele ia até com 80 anos ia ser office boy ainda lá do escritório do filho da puta do ex-patrão dele lá, que explorava o velho, coitado.
Só que como consequência disso é tudo nas minhas costas. Hoje eu ainda tenho a Ná, que a gente, né, casado, divide apartamento lá em São José, e muitas coisas a gente acaba dividindo também. Ela é a minha lua da minha vida, mas Aqui nesse, em Serra Negra, aqui no meu mundinho, aqui é, eu tenho que fazer tudo sozinho. E você imagina, você tem que fazer tudo sozinho com todo mundo olhando para você e te julgando o tempo inteiro, cara.
Isso dá um desgaste. Às vezes eu volto para São José depois de duas semanas, quando o filho volta para mãe dele, eu vou ficar com a minha mulher lá. E aí eu só quero um colo, porque eu não, porque aqui eu tenho que estar trabalhando, eu tenho que correr atrás Inclusive, eu quero arrumar alguma coisa de hiperfoco que me dê dinheiro, porque eu não tenho. Eu tô precisando sustentar 3 casas e ninguém mais quer fazer podcast.
Não vai hiperfocar no Tigrinho, pelo amor de Deus.
Eu tô começando, eu tô estudando para fazer venda de curso de afiliado na Europa para ver se eu ganho algum dinheiro, porque ninguém mais quer fazer podcast. Se o Jovem Nerd cancelar o contrato e a Nick, que são os nossos dois clientes fixos hoje aqui, amanhã eu vou vender pipoca na praça aqui em Serra Negra. Ninguém mais quer pagar para fazer podcast profissional, entendeu? A não ser, lógico, que os contratos que a gente tem hoje, então, né, os meninos lá, pelo menos renovamos mais um ano, estamos aí firme e forte.
Mas que eu quero dizer é o seguinte, você vê que o TDAH vai embora, né? TDAH, isso só pode ser porque o fio não tem, o fio não tem fim, o fio não tem fim. O que eu quero dizer é que aqui para mim acaba sendo opressor, porque eu não posso, eu não tenho. Uma vez eu briguei com um amigo muito querido que tava com problema, briguei sem querer, né? Eu falei bosta. Ele tava, ele tinha, ele divorciou antes de mim e ele tava com problema sério que ele tava afogando na cachaça o problema dele.
Ele acordava 8 horas da manhã café com meio copo de Johnnie Walker. E ele tava nessa, e ele desenvolveu depressão. E aí eu— isso faz uns 10 anos, tá, gente? É um outro level, é uma outra época, uma outra vida, tá? Foi antes de eu me divorciar também, antes de eu conhecer a Ana, que me ajudou muito e me ajuda muito a reconhecer muita coisa da minha masculinidade anterior, que era muito tóxica e tal. Enfim, a minha vida mudou. Quem me conhece há mais tempo sabe disso.
Mas eu cheguei para esse amigo querido, irmão da vida, e falei assim: cara, eu não tenho tempo de ter depressão, porque se eu tiver depressão, todo mundo que tá em volta de mim acabou amanhã. Isso eu falei há uns 10, 12 anos atrás. Hoje eu vejo como eu fui babaca, porque ele não tava daquele jeito porque ele escolheu ser, foi a maneira como aquilo desenvolveu para ele. E para mim hoje, essa opressão de ter tudo nas minhas costas, e ao mesmo tempo às vezes eu escolho passar o dia inteiro sem falar nada para não correr o risco de abrir a boca, falar uma merda, ser mal interpretado.
Então, sabe, tem uma hora que você fica preso numa casquinha assim que parece que você virou um galo, mas você continua dentro do ovo.
E exatamente Esse, essa pressão que vai, na verdade, assim, você tem que ficar preso, oprimido, se sentir dentro do negócio, não conseguir desenvolver, isso é depressão. Por favor, procure um psicólogo, né? Porque a depressão é diferente, o que você vê é diferente entre as pessoas, porque vai depender como ela aprendeu na vida, né? Então assim, ele tava afogando na cachaça, você tá afogando no trabalho, é a mesma coisa.
E nem tem trabalho, na verdade, tô afogando na procura, na procura pelo trabalho.
Daí a hora que não tem trabalho para se afogar, é que nem tirar a cachaça do local. Exatamente, você não sabe mais o que fazer.
Eu vou arrumar, eu vou arrumar as coisas, eu vou arrumar armário, vou limpar coisa velha. Eu vou botar os meus livros em ordem, porque os meus livros, a estante é assim, eu organizo tudo por tema. E aí, dentro do tema, a minha estante parece uma biblioteca. Eu sei qual livro tá onde em qualquer momento.
Mas a minha tem até as etiquetinhas. Esses aqui são os de habilidades sociais, esses aqui são os técnicos, esses aqui eu separo por tema.
Aí, por tema, eu separo por cor, por largura de lombada e altura. Tem o eu tenho meu padrão. Eu sou, eu sou fascinado por ordem e simetria. É meu pastor e nada me faltará. Então simetria, ordem, tudo arrumadinho.
É bom não ler sobre gestalt de objetos igual.
Então não, mas isso foi assim a vida inteira, a vida inteira. Então assim, tá tudo por lombar. Eu tenho meu padrão na minha cabeça, o padrão funciona. Se você abre a minha gaveta, a minha, meu armário de camiseta As minhas camisetas são organizadas da mais clara até a mais escura. Quando chega nos tons verdes, elas são do tom mais claro até o mais escuro. Aí o verde evolui para o verde meio marrom, marrom evolui para o vinho, o vinho evolui para o azul, azul evolui para o preto.
E as minhas parece um arco-íris. A moça que me ajuda aqui, a Fabi querida, que ajuda aqui uma vez por semana aqui com a roupa e tal, ela nem tenta mexer nisso. Eu falo, Fabi, deixa separado no cantinho, que eu vou saber depois.
É tu que faz, né, Léo? Ela só vai lá para dizer que tem, né? Que tu vai lá e faz por ela.
Não, não, ela lava, ela limpa a casa, ela lava e tal, né? Passar não passa, que a gente não passa mais roupa desde a pandemia. Mas ela lava, arruma a casa e tal, não sei o quê. Mas ela deixa a roupa lá em cima da cama e tal. E aí terça-feira que ela vai embora, eu vou e faço o quê? Vou colocar cada camiseta na sua devida no seu devido encaixe. A minha gaveta de meia, eu sei qual meia e qual cueca eu acho mesmo de luz apagada. Isso não é uma coisa de quem é, como a minha família sempre falou, caprichoso.
E como é que é que eles falaram? Você é muito caprichoso, você é muito metódico, meticuloso, é perfeccionista, perfeccionista. Que bonitinho, ele é tão caprichoso, tão profissional. Eu acho que eu sou Bem diferente disso.
Você já controla, aí você tem controle. Esse eu tenho, né? E quanto após, presta atenção nisso, quanto mais você não tem controle em outras coisas, mais você controla isso aqui.
Mas eu não, mas eu não obrigo ninguém a fazer por mim. Tem esse negócio, tá? É você que tem que controlar onde é que tá Nem no meu casamento que não deu certo eu falava, ó, não, isso aqui tem que ser aqui. Não, não, eu sei onde tem que ser, eu coloco.
Porque você acha, é.
E outra coisa também que é o seguinte, eu tô com uma caneta aqui na mão, essa caneta aqui eu vou colocar ela num determinado lugar. Se ninguém mexer, ela vai ficar ali 12 anos e não vai sair dali. Mexei. Agora, se eu chegar amanhã cedo e ela estiver 1 centímetro, de 1 milímetro diferente, eu sei que alguém mexeu. Então isso no meu passado gerou problemas, né? Gerou problemas, problemas de controle, problemas e tal, que foram resolvidos ao longo, né, dos anos, a ponto de hoje em dia essa é uma questão só minha, né?
Mas eu não tenho mais, eu tô muito mais relaxado do que eu já fui, sabe? Até, né, outro dia achei uma meia na gaveta errada. Olha Que absurdo!
Achou graça, achou graça.
Olha só esse pé de meia solto aqui, onde que está? O que que está fazendo aqui? Ó, quero aproveitar esse momento, quem colocou aqui? Quero agradecer quem tá assistindo aqui ao vivo, aproveitar esse momento para dizer que a gente tem aqui várias interações que eu tô aqui favoritando para a gente fazer aqui daqui a pouco na nossa partezinha final aqui do programa, algumas perguntas aqui também para nós, para Ana, para a gente poder trocar essa ideia.
Mas eu quero agradecer primeiro quem tá aqui no chat ao vivo. Delícia quem acompanha a nossa audiência. Eu costumo dizer que no ao vivo ela é pequenininha, mas ela é carinhosa, ela é deliciosa. E para você que tá ouvindo no feed aí no seu agregador de podcast preferido, dá uma chance lá também para o nosso YouTube. Já tem quase 10 anos que a gente faz as nossas gravações lá. Sempre nesse esqueminha, ao vivo, sem edição, que é o que a gente sabe fazer para poder entreter você, disfarçando o nosso podcast como se rádio fosse.
Muito bem, dito isso, meninos, eu sei que vocês têm perguntas para Ana. Se ficou alguma coisa da minha fala anterior que alguém queira colocar agora, por favor, eu devo ter interrompido para agradecer a audiência. Caso alguém tenha algum raciocínio pendente, pode trazer agora, baila, ou então Quem tem alguma pergunta, que se deixar eu vou puxando a pauta aqui.
Eu sei que vocês têm aí também, assim, vocês têm pergunta, se ninguém quiser completar, eu tenho uma pergunta porque eu tenho um negocinho, só um negocinho. Vai, vai, vai dentro da—
quando uma das coisas assim que eu comecei a fazer terapia, já faz anos aí, sei lá, uns 15 anos a primeira vez, e a psicóloga na época, a gente conversando e tal sobre esse esse hábito de colecionar, até onde poderia ser uma coisa patológica ou não, né? E eu falei para ela que eu tinha um prazer que era quase sexual quando eu olhava as coisas pequenas, pelo nível de detalhe e por tudo aquilo ali caber na minha mão, de eu dispor aquelas coisas, a casinha em miniatura.
Aquilo ali eu enxergava daquele tamanho, enxergava a casa inteira, né? E ela dizia, cara, isso é controle. Você tem síndrome de Deus, você quer que tudo caiba no seu ângulo de visão. E eu pensei, pode até ser, mas é muito satisfatório eu ser realmente o deus daquele mundinho que eu criei, porque eu crio e ele funciona do jeito que eu quero. E isso é uma coisa muito satisfatória. Então, mas não se falava, né?
Agora que você fez o diagnóstico, talvez a sua satisfação é porque tem detalhe, ordem, padrão, e você tem uma sensibilidade e fica.
Larguei lá, ele ficou lá, ninguém vai lá mexer, ninguém. É aquilo ali.
E aí que alguém mexer, né, o mundo cai. E começa assim, começa porque tem uma estimulação ali para você é muito boa. E aí vai virando assim, inclusive agora eu posso controlar aqui, ninguém vai mexer, inclusive, sabe assim. E aí vai crescendo, as coisas vão se acumulando em volta. Mas é muito comum, aliás, é uma das características principais do autismo, é essa necessidade de padrão e de ordem, porque é mais fácil para pessoa autista se regular e se planejar para as coisas quando existem padrões, ordem, rotina.
E aí, para uma pessoa autista que tá ansiosa, a gente, primeira coisa que a gente vai fazer é: ok, como é que a gente pode dar previsibilidade para a vida dessa pessoa? É rotina, é hora certa, é padrão, é coisas que é justinho. É o que acalma, o que regula e o que permite você ter calma para conseguir fazer as coisas que você precisa fazer. Para a pessoa TDAH é o contrário. A gente queria muito e fica buscando rotina e previsibilidade e padrão, mas uma vez que a gente entra no padrão e na rotina, a gente começa Fica doido, porque aquilo enlouquece a gente.
Fazer 3 vezes, você sabe uma pessoa TDAH quando ela fala assim para você: se eu tiver que repetir isso mais uma vez, eu juro por Deus. Também, mas repetindo a mesma coisa para a mesma pessoa 20 vezes.
Mas uma coisa anula a outra, ou o cara pode estar dentro dos dois negócios? Porque como é que se explica um comportamento que nem o meu?
Porque assim, eu sei que eu não sou você também.
É, não, o que eu quero saber, porque é por isso que o programa é sobre saúde mental no geral, né? Até depois a gente vai falar daqui a pouco sobre rede social, que ela loucura, a janela da loucura do mundo, do planeta. Mas assim, com 51 anos de idade, quase 52, eu tenho nesse necessidade. Porque assim, o que que justificaria eu procurar um diagnóstico de alguma coisa hoje? E o que que isso poderia me beneficiar? Qual seria a minha vantagem nesse sentido, entendeu?
Porque assim, eu tenho algumas características, como vocês já sabem, essa coisa de tergiversar, de ligar A com B, a sílaba daqui e o assunto tá começando aqui, daqui a pouco está falando outra coisa, que é claramente um, que é claramente um comportamento TDAH, como a gente tá falando aqui, não é isso? E ao mesmo tempo eu tenho esses comportamentos de organização, de ordem, de método, de botar cada coisa no seu lugar e tal. Mas assim, isso ao longo da vida pode ser que eu tivesse sido, ter tido uma vida melhor ou não, não sei.
Mas 3 filhos, tô aqui muito bem, obrigado, tô cuidando das minhas coisas. E tal. Até que ponto seria importante para um adulto como eu ter um diagnóstico? O que que isso poderia me favorecer? É necessário? Não é necessário, né? Porque isso é uma dúvida que eu tenho. Não é problema de ir no médico, né? Não é essa questão. Eventualmente, inclusive, estou fazendo tratamento com umas gotinhas maravilhosas que estão me ajudando a me dar uma acalmada.
Obrigado, Anvisa, que autorizou minha receita. Chegou a importação bonitinho. Gotinhas embaixo da língua de manhã e de noite, tem sido bem legal.
Mas mandar um abraço para minha psiquiatra que não receita.
Ah, mas a minha médica receitou e eu sou muito grato para ela.
Isso é redução de ansiedade. É, a minha ansiedade é uma comorbidade do Té.
Pera aí, pera aí, gente, me expliquem o que que vocês concordaram e eu não entendi nada.
Você fique muito atento aos seus padrões, porque na hora que a ansiedade sair, estas mesmas gotinhas vão deixar você doido.
Em que sentido?
Porque o cérebro TDAH, ele precisa de estimulação, e essas gotinhas são para diminuir a atividade.
Certo.
Quanto mais diminuir atividade, mais você vai ficar Tanto é que a maioria, mas você vai ficar mola, encolhida. Eu tomo 70mg de anfetamina todo dia para o meu cérebro chegar no nível de atividade que eu preciso para funcionar.
Entendi.
É isso. Imagina que você tem uma linha de base, pessoa típica é o zero, tá?
Vou pegar graus Celsius, é o zero grau, é a pessoa típica, zero grau, nem quente nem frio, como diria o Maguila.
É, ele é, né, a pessoa que tá abaixo do zero é a pessoa que tá deprimida, que tá com anedonia, que tá, né, se ela subir demais ali para os 50 é a pessoa que tá com ansiedade, que tá com muito síndrome de pânico, ok, essa é uma pessoa típica. A gente TDAH, a gente deve estar lá pelo 30. Essa é a nossa linha de base. Se eu tiver abaixo de 30, eu vou estar que nem alguém que tá abaixo do zero.
Entendi.
Então o que acontece é a medicação faz você chegar lá nos 30 mais rápido e permanecer por mais tempo. E esse é o seu normal, essa é a sua linha de base. Se você tá tratando ansiedade é porque em vez de estar no 30 você tá no 80. Você precisa chegar no 30 de novo, que demais também é demais, né? Você tem que voltar ali para sua linha de base. Mas a sua linha de base é muito maior do que a dos outros que estão ali no zero. Quando a ansiedade sair e você voltar para o 30, essa medicação eu vou fazer você cair para o zero, e aí dá ruim.
É o rebote, você começa a achar que dá ansiedade de novo por não ter ansiedade, sabe assim? É uma coisa que é doida. Então vai percebendo porque provavelmente você tá se sentindo bem, porque é isso, é ansiedade para lá em cima. E aí assim, pessoas com qualquer neurodiversidade, ou com diagnóstico ou não, com algum transtorno, alguma condição não diagnosticada, é muito mais prevalente, ou seja, acontece com muito mais facilidade de entrar em depressão e ansiedade.
Então, a gente fala que a Santíssima Trindade do autismo, né, que é autismo, TEA e ansiedade, são as três coisas acontecem juntas com absoluta significância estatística, é muita correlação. Então a gente já aborda o TEA, ok, então vamos primeiro resolver a ansiedade, que geralmente é a coisa que tá mais realmente diminuindo a qualidade de vida da pessoa. Uma vez que a ansiedade tá controlada, agora a gente vai trabalhar em terapia, em medicação, em ajuste ali da vida, do ambiente, do contexto, para que agora essa pessoa autista possa funcionar do jeito que ela devia estar funcionando sempre, sem, né, criar um ambiente ansiogênico.
Ou para depressão, que daí você começa: eu não faço nada certo, eu não consigo entender as pessoas, eu afasto os meus amigos. E aí você vai, e aí vira depressão.
Perfeito.
Então essas duas condições, elas são muito prevalentes, principalmente nas pessoas que não são diagnosticadas ou não estão sendo tratadas, ou ambos. Daí, voltar para sua pergunta: por que que o diagnóstico é importante? Se você tá perdendo qualidade de vida ao ponto de começar a achar que tem alguma coisa errada, talvez o diagnóstico te dê de novo a qualidade de vida, principalmente no caso do TDAH, que medicações são muito, funciona muito, né, para você lidar com a coisa, certo?
E para você tratar essas outras coisas colaterais, né? Então não é que você tá deprimido, não. Você tem um TDAH que não foi tratado e que tá bagunçando a sua vida ao ponto de você ficar deprimido, ao ponto de você ficar com transtorno de ansiedade como consequência consequência da falta do cuidado devido.
Entendi.
Então assim, o diagnóstico vai te dar muito mais autoconhecimento e muito provavelmente tirar essa coisa do agora eu posso relaxar porque agora eu sei o que tá acontecendo, e dá oportunidade de se autoconhecer e com isso conseguir, né, fazer as coisas do seu jeito. E aí você vai descobrindo que as coisas do seu jeito funcionam tão bem quanto, não precisava ter sido assim o resto da vida inteira. E por quê? Medicação, terapia, modificação de contexto, adaptações, tudo isso vem a partir do diagnóstico.
É uma atividade fisicazinha, né?
É, não precisava, mas é atividade física, eu faço para caralho. Eu falo porque eu ouço essa porra todo dia.
Eu faço academia 5 vezes por semana, o Júlio. O Estácio tá lutando contra nós aqui. Pois é, acabei de comprar creatina, acabei de comprar os negócios.
É importante para o ser humano no ano do Nosso Senhor de 2026, que a gente não faz porra nenhuma, passa o dia sentado olhando para o celular. Tá todo mundo ficando corcunda, inclusive, você sabia disso?
Você sabe o que que eu descobri ontem, Aninha? Uma depressão no ossinho do meu dedo mindinho que eu não— que não tem nesse. Aí eu falei, caralho, tem no ossinho aqui, tem uma depressão aqui, ó, é tortinho. Aí, aí eu fui ver, é o encaixe aqui do telefone, ó, aqui certinho tem, tem um, tem um, um colchete aqui.
Quem não tá fazendo o teste agora que ouviu isso tá errado.
Tem um colchete, era um chanfro. Aí eu falei assim, tipo assim, 10 anos segurando o telefone aqui Criou mutação genética. Darwin, próxima geração vai vir com o dedo já, já vai vir com o dedo com Wi-Fi, suporte, né? USB-C no cu, Júlio, assim, ó.
Porra, do teclado e tinha tendinite aqui. Essa geração tá tendo tendinite aqui, né?
É, eu tive epicondilite por causa do movimento de mouse assim, de usar o mouse. Por isso que o meu mouse é assim, ó, meu mouse é mouse vertical, né? Eu só uso mouse vertical que resolveu minha epicondilite. A geração atual tá tendo, quem não tem, tenha, porque é bom demais. É, olha aí, o Stacinho, olha, Stacinho.
Saúde mental de um modo geral tem a ver com o quanto que você consegue ter satisfação e qualidade de vida no contexto em que você está. Ou seja, a gente tem problemas sociais, socioeconômicos, a gente tá numa depressão, a gente tá numa situação de violência social, e tudo isso é causa de transtorno de depressão, transtorno de ansiedade. Então as pessoas não estão com a saúde mental ruim, não estão precisando de diagnóstico, medicação e tratamento porque é alguma coisa delas, é porque o ambiente está adoecendo essas pessoas.
Então eu acho que você tá falando de saúde mental, você não tá falando da pessoa, você tá falando é do contexto em que ela tá inserida.
Perfeito, perfeito.
Então fala, fala. Isso vai de encontro à minha pergunta, que é: se a gente perguntar para a maior parte das pessoas a definição de saúde, acho que é muito difícil das pessoas definirem, né, o que que é saúde. É um conceito muito complexo. Mas do ponto de vista da experiência da saúde ou da ausência de saúde, eu acho que que as outras questões relacionadas às outras partes do corpo, que elas são mais materiais. Por exemplo, tô com uma dor no braço, eu vou no ortopedista, ele vai me dizer o que que é aquilo ali.
Ah, eu tô com uma dor na barriga, aí a barriga tem estômago, tem intestino, tem uma série de outros órgãos, tu vai lá e identifica. Mas a identificação, por exemplo, das questões ligadas à cabeça da gente e não ao crânio, a mente, né, Então os transtornos de modo geral, eu acho que a gente tem um, não vou dizer um letramento, mas tipo são coisas muito novas para a população de modo geral para a gente conseguir entender, né? Então eu imagino que a maior parte das pessoas não faça diferença do que que é um transtorno, do que que é uma doença, o que que é uma síndrome, não seja um vocabulário que esteja muito presente com uma definição muito clara.
E aí a questão, Ana, tipo assim, Em termos de transtorno, eu tenho um amigo que a filha dele também passou a estudar aqui na escola e ele é professor de psicologia na Universidade Federal aqui, no programa de pós-graduação. Então, eventualmente, a gente conversa a respeito de assuntos e diagnóstico. E uma questão que ele trouxe para mim um tempo atrás é esse, o problema social de todo mundo tá sendo hiperdiagnosticado. Né? Então não tô nem falando de autodiagnóstico de gente de TikTok, é de ter um excesso de diagnóstico.
Às vezes haver uma dilatação nos parâmetros do diagnóstico, que a gente quanto leigo não sei qual é o parâmetro para dar o diagnóstico de uma pessoa com TDAH, autismo. Procuro profissional, né? Mas o que que é, em linhas gerais, para transtornos específicos, o que que a pessoa leiga ela precisa, fora tudo isso que tu citaste a respeito por exemplo, do caso do Léo, do que a gente foi contando aqui. O que é muito essencial a gente ficar atento às nossas mudanças de comportamento para a gente começar a desconfiar de preciso ou não preciso me encaminhar para um profissional?
Primeira coisa: você tá feliz?
Varia, né? Tem dia que sim, tem dia que não. Tem dia que no mesmo dia sim e não. Ótimo.
Tá feliz? Varia, às vezes sim, às vezes não. Massa. Então vamos partir para o segundo. Sua vida faz sentido? Você tem satisfação com a sua vida?
Também varia, mas na maior parte do tempo sim.
Passou um pouquinho para lá. Ok. Tem alguma coisa que você gostaria de estar fazendo e não consegue, porque você não consegue se motivar, se engajar, procure pontos específicos, procure um profissional de saúde. Então assim, a gente não precisa sofrer. Eu acho que esse é o primeiro estigma que precisa ser quebrado.
Legal isso.
Sofrimento é uma questão, uma coisa constante. Não é dor. Dor é doeu. Sim, aí, sabe, doeu, perdi alguém importante, dói, mas sara, né? Agora, se o sofrimento permanece, alguma coisa errada. A gente não precisa sofrer. Aquela história de que a gente só aprende pela dor não é verdade, muito pelo contrário. Tem anos de análise de comportamento para pessoa do mal, bem, você acaba poeta. Nada para ninguém, muito pelo contrário, ela tira memória do seu cérebro.
Inventaram isso aí por causa da bossa nova.
Romantismo acabou. Essa foi o ponto de virada.
Depois que o Vinícius morreu, tinha que ter acabado com esse negócio.
Mas é isso, se você tá sofrendo e se é um sofrimento constante que começa a te incomodar, alguma coisa tá errada. Vai procurar o que que tá errado, porque o sofrimento não precisa fazer parte da vida. Vegam, é difícil você falar isso para uma pessoa que passa 3 horas dentro de um ônibus, mora numa comunidade, não consegue pagar o aluguel, e os filhos dela estão indo para o tráfico porque não tem mais o que fazer. Então, vê, não é que ela não tem um transtorno, ela tem, tá sofrendo, tá com problema, mas como é que eu vou Gente, não existe terapia possível, minha gente, né?
Então assim, as condições de vida das pessoas estão adoecedoras, e falar para você que fazer terapia, tomar um remedinho vai resolver isso, não é justo, porque não vai, não vai. Então a gente tem um problema sistêmico.
Ok, então vamos para a parte prática. Criança, todas essas, não muda o contexto, né?
Exato, você não muda o contexto, você não tira a pessoa do que tá fazendo ela adoecer, né? Todas essas condições são condições que estão ali para a vida inteira, né? Então observar em crianças contato visual, engajamento com as outras crianças, o que que ela gosta de fazer, Se ela tem necessidade de movimento, se quando ela se concentra demais numa coisa ela fica ali e é difícil tirar, se ela tem essas desregulações emocionais.
Você falou não e o bichinho, sabe, entrou em desespero. Não é birra. Aliás, é birra, a pessoa precisa começar a aprender que birra é um negócio sofrido. Ninguém faz birra porque tá achando bonito, não, ele tá sofrendo, né? É que ele aprende que aquele sofrimento garante para ele o que ele ganha depois, quando ele vai vir, né? Então assim, autismo, a gente vai perceber as crianças tendo muitas questões sensoriais. Então às vezes tem alguma coisa na roupa e não consegue usar de nenhum outro, tem um tipo de comida que não consegue comer de Tem um tipo de textura que não suporta, fica apavorado, não consegue se regular com frustração, não consegue esperar por coisas que às vezes são: peraí, filho, eu vou pegar aqui, já é o suficiente para ter uma desregulação.
Então essas coisas, começou a observar essas coisas todas acontecendo uma ou outra coisa pode não ser nada, mas começa a ter várias, várias traças, aí é legal você ir procurar, né? No TDAH você vai ter as questões da impulsividade, tudo é, né, sai imediatamente, muita dificuldade do controle inibitório, então parar alguma coisa que tá legal é quase a morte, dificuldade de engajar em tarefas que sejam executivas. Sabe aquela criança assim, você já escovou o dente?
Ah, vou. Meia hora depois, mas você já escovou o dente? Ah não, ainda não, eu vou. Então assim, começou esses que larga as coisas em todo lugar, porque assim, a chave de casa ou o cartão do banco são as coisas mais interessantes gente do mundo. Eu tô com aquele troço na mão, eu vou botar ali, nunca mais eu vou achar onde tá. Então começou com essas coisas, talvez seja legal procurar. Nos adultos começa a ficar mais difícil por causa desse monte de mascaramentos, a gente vai aprendendo a, né?
Então ansiedade, depressão, essa sensação de que eu eu sou menos do que todo mundo e as coisas nunca dão certo é para mim, vai procurar se não é na verdade uma dessas coisas que tá causando a outra. Excelente. E também tenho absoluta consciência de que quando eu falo vai procurar, é também uma coisa cruel, e como todos vocês já passaram por isso, mesmo que você tenha dinheiro, vou pagar. Mesmo que você tenha acesso, é difícil, custa caro, leva tempo, precisa de você ter uma disposição para estar ali para fazer esse diagnóstico. E que 95% da população não tem essa condição.
Eu acho também, Ana, que que o estigma de que a saúde mental era uma coisa muito para as pessoas que tinham condições muito adversas, assim, uma coisa meio manicomial, sabe? Acho que isso, isso a gente já venceu em certa medida, assim, né? Então também às vezes é um trabalho, às vezes até do poder público, de dizer que existem alguns serviços que eles são grátis à população, né? Pode não ser o melhor serviço do mundo, melhor atendimento do mundo, mas ter algum algum atendimento é melhor do que não ter.
Mas ele existe, né?
Ele existe. E quanto mais gente precisar usar, mais ele vai existir. Então o CAPS é muito subutilizado, tá? Ah, mas tá sempre lotado. Sim. Imagina se tivesse um pouco mais de CAPS do que um a cada 120 mil habitantes, que é mais ou menos que tem hoje, né? Como isso não seria utilizar. A gente tem sistemas tanto de saúde como CAPS, o próprio UBS tem, deveria ter, mas pelo menos você entrando pela unidade de saúde, o postinho UBS, é o bom exemplo aqui, você entrando por ali pode ser que você consiga acessar também.
Então, ou CAPS ou UBS, e os serviços sociais também. O CRAS, o SUAS também são portas de entrada para você conseguir acesso a esses direitos. Então, e qualquer universidade que tem um curso de psicologia tem uma clínica escola.
Tem, é verdade, é verdade.
Excelente.
E fim da escala 6 por 1, que é para o cidadão ter tempo de fazer isso, pelo amor de Deus.
Exatamente, exatamente. Ó, trazer aqui interatividade dos nossos ouvintes. Depois tem uma perguntinha para a gente ir para os nossos Finalmente. O Phil, ele chegou aqui e falou assim: Ana, tem quase 4 semanas que saiu o meu laudo. Fui atrás do diagnóstico de TDAH agora aos 35 anos. Veio de brinde autismo nível 1, TAG e episódios depressivos. Chorei bastante no dia, mas tô melhor. Outra coisa que apareceu foi que eu tenho um mascaramento muito grande, tanto que até minha namorada achava que eu era muito sociável, apesar disso não ser instintivo para mim. Hoje não faço tanto mais.
Olha aí, filho, odiando as festas, meu irmão, odiando.
O que que é mascaramento? Não entendi muito bem o que que se trata. Vamos ver se eu me identifico com isso também, provavelmente. Eu não queria nem estar aqui, na verdade. É isso, é isso.
Mas claramente é isso, você começa a se comportar da maneira como você acha que precisa se comportar.
Entendi, tá.
Só que para as pessoas que fazem isso automaticamente, problema nenhum. Acontece que para você não é automático.
Entendi.
Você tá fazendo força, você tá o tempo inteiro consciente. Será que eu fiz contato visual? Ai, meu Deus, eu falei um negócio que será que eu devia ter segurado?
Sabe assim, então é um estado de alerta constante, é um nível de atividade cerebral muito grande.
Decimal não, entre aspas, né? Dessa condição eu não sofro porque social, psicológico muito grande.
E aí, quando, por exemplo, é a ressaca social, né? Então, quando você sai desse ambiente que você não precisa mais fazer isso, seu nível de exaustão era tanto que você tem ressaca. Você precisa ficar, entendi, para cada 2 horas de festa você precisa ficar 2 horas no escuro, no silêncio, sem contato com ninguém. Para restaurar o sistema.
Dessa situação eu não sofro porque eu já cheguei na idade do caguei litros. Eu cheguei na idade do vou embora desta merda, não gostei, tchau, eu vou não ir, entendeu? Avisa lá que eu vou não ir.
Léo, quero dizer aqui que alguns anos atrás eu larguei uma pérola de Senhor K. Minha mãe chegou para mim vamos passar o Natal na casa da tia fulana, aquela tia lá, aquela tia, sei, aquela que tu sabe qual é, né?
Sei.
Não vou, não vou. Aquela filha, pô, vai ficar chato se tu não for. Eu falei, é, vai ficar chato para mim ter que ir lá.
Exatamente. Olha a minha situação, olha a minha situação. Eu cheguei hoje, né, no dia dessa gravação, eu cheguei de 2 semanas de São José dos Campos. Onde tem o apartamento com minha esposa Nath. E eu não posso ficar lá 100%, ela não consegue vir para cá, ela trabalha em São Paulo, se desloca de fretado, tem a família lá. Aqui eu tenho filho ainda com a guarda compartilhada, aqui eu tenho minha estrutura de trabalho, tem meus pais.
Então a gente tá vivendo um casamento de vida adulta, que é a cada 2 semanas eu vou para lá, fico 2, 3 semanas, volto para cá, e assim por diante. Meu aniversário é dia 31 de julho. Eu cheguei aqui agora e geralmente eu fico aqui, geralmente eu tô aqui. Na verdade, até o ano passado, como ela não tinha que ir para São Paulo duas vezes por semana, ela passava o mês de julho inteiro aqui comigo e ela só ia de volta para São José depois do meu aniversário.
A partir desse ano, como ela foi promovida, ela tá tendo que ir duas vezes por semana para São Paulo. Ela só vai poder vir aqui agora quando tirar férias. Então agora eu tô no dilema, tá no dilema, dilema de coroa, não tô dilema nenhum. Eu tava na situação que era o seguinte: Vou passar o meu aniversário aqui sozinho ou vou dar um jeito de estar lá para passar? E aí, fazendo a contagem das 2 semanas do compartilhado, eu estaria aqui.
E eu não quero passar o meu aniversário aqui longe dela. Eu não quero passar aqui aonde eu terei que fazer uma festa para mim mesmo, que eu detesto, e pagar todas as despesas sozinho. Eu não quero, eu não vou ter nada para celebrar. Se eu tiver aqui. Então o meu desprendimento foi: você passará seu aniversário onde? Eu falei: haja o que hajar, eu vou passar lá, estarei lá junto com ela. E caguei para as conviações. Ah, você não vai passar seu aniversário aqui, querido?
Não vou. Aniversário é meu, eu já não gosto de comemorar. Agora, se for para comemorar, eu vou querer estar com sorriso no rosto, não vou querer estar com nada disso aqui. Imagina, não sei o quê, mas Não quero.
No dia seguinte estarei em Souza comemorando o meu com meus amigos.
É isso aí, comemora no mesmo dia. Exatamente, exatamente.
É uma questão, às vezes nesses casos é isso, é aprender que não é, que você não quer, então você também não é obrigado.
Mas nem todo mundo é igual, né?
Óbvio, né?
Todo mundo é igual. Tem gente que vai querer, né? E não é assim, às vezes Mas quando você está lá, a socialização tá legal até o ponto em que tá legal. Depois passou de um certo ponto, não tá legal, a gente chama Uber, vai para casa. O Uber foi a quarta melhor invenção do mundo.
E para quem não sabe o que que eu tenho resolvido, Ana, eu tenho feito na minha casa. E quando eu tô com o saco cheio, começa a mandar as pessoas embora.
O meu problema de fazer na minha casa é esse. E se eles não forem embora?
Aí eu começo a falar, gente, ó, tá chegando a hora do meu remédio. Agora eu vou tomar meu remédio, vou ficar antissocial. Então se eu fosse vocês, já ia juntando aí os seus.
Olha no relógio e fala assim, tá tarde, né?
Sobrou 2 pedaços de pizza para cada um aqui. O vizinho daqui a pouco começa a reclamar, vamos embora. É a melhor coisa.
Eles convitem que agora a gente pode fazer isso, né? Olha, eu vou fazer um negócio aqui na minha casa vai das 19 até às 21:30.
É isso, é isso, é isso. Em casa eu só chamo agora a molecada lá, os amigos, que eu sei que qualquer coisa eu posso dar um esporro e todo mundo vai respeitar porque eu sou o mais velho de todos.
Então, e que talvez eles tenham outro programa para ir, né?
Com certeza. Aí me deixa lá tomando sopinha, tá tudo certo.
Mas, pô, você precisava demorar 40, 50 anos da sua vida Se você soubesse isso aos 12, você ia aprender a regular todas essas coisas.
Tá vendo? Mas já passa, esse trem já passou para mim, né? Mas a gente pode fazer o quê? Esse conteúdo para tentar ajudar as pessoas. Exatamente, exatamente.
Não passou não, ainda tem tempo.
Não, não, eu digo dos 12 até os 52. Agora daqui para frente é só alegria, imagina. Eu sou um outro Leozinho a partir dos últimos anos, dos últimos 2, 3 anos. Vocês estão aí, vocês me conhecem. Paz e amor, paz e amor para caramba, tudo. Ô Ana, que queria te perguntar aqui o seguinte, eu não queria deixar o programa terminar sem essa pergunta, que é o seguinte: um analista do comportamento, uma analista do comportamento, você, doutora, você olha para as redes sociais, o que é que você Hoje não as suas redes sociais, falando para o fenômeno redes sociais.
Você, problema não é a rede social, o problema não é a tela, o problema é o conteúdo, ou seja, o problema é o algoritmo. Então o problema é a rede social que deveria ser um lugar de socialização, os autistas passaram assim por um momento de absoluta glória de poder socializar sem ter que olhar para as pessoas. Era a coisa mais linda do mundo. Aí, a partir do momento em que isso passou a ser uma ferramenta de controle social, aí ela infelizmente passou a ser isso aqui que a gente tá vendo.
Então, é, o algoritmo ele vai reforçando cada vez mais. É a coisa de afunilar e de radicalizar, porque ele vai te alimentando daquilo que faz você permanecer. E na maioria das vezes, o que faz você permanecer é aquilo que só confirma o que você já acha que é verdade, e vira uma bola de neve. No caso da coisa do vídeo, que agora tudo é visto em tela, né? Não, não é, não é, não é visto em tela. Ah, ficou assim porque você deu o telefone, o celular na mão da criança quando tinha 4 anos de idade. O problema não é a tela, o problema é o que que você tá fazendo nela.
Perfeito.
E o tempo que se gasta também é um fator? Ou o tempo vem por conta do algoritmo que te oferece que te afunila a informação.
Não é o tempo que você gasta, o problema é que você entrou numa armadilha que tá ali para fazer você passar esse tempo, cada vez mais tempo. Então, e ansiogênico, exato, porque quanto mais ansiedade você tiver, mais você vai ficar ali consumindo aquele negócio, né, que faz você achar que você não tá tendo ansiedade, não tá nem percebendo que você tá fazendo é A gente cresceu de uma maneira aonde, eu digo a gente que tem 40 a mais, a gente cresceu no mundo aonde a gente tinha como referência nossos parentes, nossos amigos, nossos colegas de escola, nossa vizinhança, né?
Se eu tinha os nossos influencers, né?
Não era questão de ser influencer. Se você poderia, por exemplo, ter inveja de um, por exemplo, quando era adolescente ou criança, 10, 12 anos, eu podia ter inveja de um amigo meu que tinha lá o Colossus, o Pegasus lá, o controle remoto Maximus, Maximus, que eu não tinha dinheiro para ter. E o que ele tinha lá, um videogame lá, um Atari, e eu só tinha aquele Odyssey que era uma bosta. E não entendeu, era isso. Mas era uma pessoa, duas do seu lado, que você às vezes se comparava.
Porque eu tinha 14 anos na minha formatura de 8ª série, eu era mais baixinho que a minha avó, que tinha 1,40m. Depois você vê, 3 anos depois, na 8ª série, eu era o mais alto de todos, magro, magrão, bonitão e tal, não sei o que tem. A comparação era nesse nível, né? Ele é baixinho demais, as meninas, né, gostam dos caras que são mais altos, que já era isso. O que eu quero dizer é que hoje você abre a tela do celular e as pessoas estão comparando a vida de todas as pessoas com as suas infinitamente.
E na verdade nem é uma, porque o meu amigo tinha realmente o carrinho de controle remoto. Eu invejava um objeto que ele tinha e eu não tinha. E até era uma inveja de criança. A rede social, as pessoas se fazem daquilo que não são, na maioria das vezes, para poder gerar engajamento, para poder monetizar, para poder conseguir campanha, conseguir publi. E acabam com isso, a gente acaba tendo uma fonte infinita de comparação que as pessoas acabam tendo. O quão isso é prejudicial para saúde mental da gente?
Sim, é absolutamente prejudicial. É, de novo, é artificial, é manipulado para manter você ali, porque quanto mais tempo você fica ali procurando alguma coisa para se comparar, melhor para eles. Então todo problema tá na gente entregar, a gente tá entregando o controle completamente, né, para o algoritmo, para as inteligências artificiais, para as Big Techs, e tá começando a começar, começou, é muito tempo gerando esse problema todo, né.
Uma geração inteira que cresceu nesse contexto. Então a gente já tem uma geração inteira que cresceu nesse contexto e que não teve nenhum, nenhuma oportunidade, né, de aprender várias habilidades que vão começar a fazer falta a hora que a realidade começar a estapear a cara deles.
Isso não é terrível? Porque a referência dessa geração é uma referência Falsa, fictícia.
Eu vi um debate outro dia, o cara tava falando que, e é verdade, lembra quando a gente ia no baile do clube, no clubinho, ou no bailinho do clube, ou na boatinha do clube?
E a gente dançava, tocava Erasure, Blue Savannah Song.
Hoje não está ficando raro o fenômeno pista de dança, porque a molecada não dança. É porque eles não gostam de música ou porque eles não gostam de mexer a bunda? Não, é porque eles nasceram e cresceram num mundo em que a qualquer momento eles vão ser filmados e isso vai ser para sempre.
Eles vão passar vergonha vergonha. Eu já falei isso para minha filha, já. Vocês não fazem certas coisas porque vocês têm medo de passar vergonha, e nem vão passar, vão só fazer.
O problema é que eles vão sofrer bullying, eles vão ser humilhados, e isso vai ser duradouro. Então, preventivamente, já não existe mais nada que possa ser cringe público. Então eu prefiro não me comportar, não me expor, não ter experiências para evitar. Eles estão perdendo, desperdiçando.
Eu nunca tinha me dado conta.
Hoje eu tive uma conversa sobre isso com o Lorenzo, de 13 anos, relacionado à festa junina da escola.
Nossa Senhora, outro dia eu quase tive um ataque de empetir por causa de uma idiota num post de falando, a criança não devia ser obrigada a ir em festa junina, isso é coisa de gente velha. Eu tenho uma vontade de esfregar a cara, viu, gente? Primeiro, é um fenômeno cultural, as crianças estão lá para aprender o que que é a cultura do país, do povo delas, da gente delas. Segundo, que é divertidíssimo. Terceiro, que tem comida.
Pelo amor de Deus, para quem tem cadeia, a melhor coisa, vamos precisar de uma festa que tem cadeia, que você pode pagar para prender o cara.
Já pensou se eu filmar um pouquinho na cadeia, puser no TikTok?
E sabe assim, em Correio Elegante você pode mandar um beijinho para menina que você tá namorando à distância.
É paquerando, saíram de um Correio Elegante, Léo.
Porra, uma das poucas festas onde o jovem pode tomar quentão escondido, cara.
Mas assim, e de novo, ah, então tem que obrigar a criança? Imagina uma criança autista que não gosta de música alta. Não, gente, não é que tem que obrigar a criança. Eu acho que o problema é que as pessoas acham que ensinar é obrigar a pobre da criança, sujeitar a infeliz àquilo que ela tem que fazer porque você achou que tem, ou porque alguém disse. Não, mas quando a gente, né, fala de ensino, a gente tá falando criar condições motivadoras para que a própria criança queira se engajar naquilo.
Sim, exato.
E às vezes demora ninguém, é você criar, ela se engaja.
Porque motivação é diferente para cada um, você tem que descobrir qual é a dela e como é que ela, né, vê isso. E aí dá trabalho, não é? Não é só seguir a regra da apostila.
Então eu vou te contar uma coisa que acontecia na minha época. E que pelo menos eu vi uma situação muito parecida, né? Nós, na minha época, não sei se o Léo também pegou, né? Nós, para nós dançarmos na festa junina, os ensaios eram feitos na aula de educação física.
Isso, exato.
E a nota da educação física era da quadrilha, nossa participação. Isso, independente se fosse excelente ou se fosse terrível, a mesma coisa.
E aí nem desfile cívico, né? Desfile cívico gerava nota em todas as matérias.
Desfilou, ganha nota. Esse fim de semana, o filho da Carla— Carla, minha namorada, ela tem um filho de 17 anos— e aí ela filmou ele dançando e colocou no Instagram e tal. E aí perguntaram para ela, como é que conseguiram colocar todos esses moleques, todos esses meninos e meninas para dançar? Ela respondeu justamente isso: vale a nota.
Vale nota, é isso aí.
É, mas eu sou contra até certo ponto isso daí.
Contra o quê? Eu tenho problema com nota também, porque nota, a gente não tá defendendo se é certo ou errado, a gente tá defendendo os artifícios que eles usam, né?
A função é a mesma, mas tem outra.
Quem repetiu em educação física até hoje?
Ninguém nunca repetiu, muito difícil.
Não, não, assim, uma perspectiva, uma perspectiva de longo prazo. Por exemplo, quando na nossa época, tipo assim, quantas vezes vocês dançaram uma festa junina ao longo do ensino fundamental e médio? Provavelmente todos os anos.
Todos.
Então acaba que fica uma atividade, acaba que fica uma atividade, uma atividade repetitiva. E aí quando ela, e se ela não tem opção, aí ela começa a ficar meio aversiva assim. Não tem opção. Ela fica bravíssima.
Ninguém tem que ser forçado a passar por isso, e ela não precisa ser uma atividade repetitiva. Então, trabalho do educador é tornar o ambiente—
na nossa época era um prazer isso, chegava a festa junina, a gente queria dançar.
Não, dependendo da nota. Eu vou te dar um exemplo aqui da escola. A gente, como a festa junina não é uma atividade obrigatória na escola, a gente transformou há mais de 15 anos, por vários motivos, mas não vale a pena citar todos. Mas a gente transformou a Festa Junina numa, numa mostra de cultura tradicional. Aí, como é que funciona? No ano a gente pega um recorte de um período histórico do Estado brasileiro e trata ali do ponto de vista da formação histórica, geográfica, das artes e tudo mais.
Se houver uma dança muito, muito característica daquele estado, ela vai ser, ela vai ser desenvolvida. Aí no ano seguinte a gente pega e faz um recorte de um país, né? E aí há essa comparação, há essa comparação da cultura do outro com a cultura minha, porque tá lá na LDB inclusive que uma das funções da escola, que é o que a Ana tá fazendo, é criar esse senso de pertencimento à criança ao lugar onde ela vive. Então do ponto de vista da cidade, do bairro que tu vives, da cidade, do estado, do país, o mundo como um todo, de modo geral, né?
Então tem isso, a gente diminuiu muito. Os meninos, principalmente os adolescentes, eles têm uma barreira de começar atividade. Mas é impressionante, Júlio, que eles ficam: ah, não quero, não quero ensaiar, não quero fazer. Mas quando eles se veem montados, vestidos com a roupa, aquele tempo todo mundo se vê, e conjunto, tipo, todo mundo muda no dia da apresentação, todo mundo se vê bonito e tal, não sei o quê. Ah, vai ser legal.
Mas existe sempre uma resistência, adolescente ralado. Parece que quando chega tipo assim 7º, 8º, 9º ano, se instala uma grande colônia de vermes dentro dele.
Exatamente, é o que tá acontecendo com o Lourenço agora. Ele tá no 8º ano, ele tem 13 anos, né? E assim, não quer fazer nada. Ele dançou, ele— então todos os meus filhos, adolescente, então sim, todos eles dançaram quadrilha quando eram criancinhas e tal, gostavam. A gente gostava, curtia também, eu Eu não pintava bigode por razões óbvias, mas eu pintava neles, botava chapéu, saía, não sei o quê. Aí agora perguntei para ele, falei: Lô, a festa junina agora, dia 3 de julho, da escola.
Até legal, é a maior festa aqui da cidade, é a do colégio dele. Os outros dois já se formaram, agora ficou ele, né? Falei: Você vai participar da festa junina? Fala: Pai, a gente até pode ir na festa junina, mas não vou dançar não. Você não vai dançar por que razão? Ah, porque Não tô a fim. Tá, alguma razão específica? Você não gosta, tal? Falou, pai, o negócio é o seguinte, lá na escola esse ano eles falaram que o seguinte, a gente que tinha que formar os pares.
Eu falei, geralmente o professor que monta, né, quem vai dançar com quem. Aí ele falou, não, agora a gente que vai, porque agora assim, na idade que eles estão, já tem alguns anos, que você não pode impedir, por exemplo, que meninas dancem com meninas e rapazes dancem com outros rapazes. E a gente vive aqui numa cidade ainda muito interiorana, muito provinciana, muito coronelista, muito, muito, como é que chama a expressão que a gente fala?
Muito, muito, muito, muito. Aonde tem gente que então a escola falou assim, a escola falou assim, então agora é o seguinte, vocês montam os casais e de acordo vai ser o que o que vocês montarem, a gente vai respeitar e vai ser a quadrilha, entendeu? E aí o Lô falou assim, eu não tenho com quem dançar. Ele falou, não tem com quem dançar porque não tem nenhuma menina que eu queira convidar e também não tem nenhum cara. Então falou, eu não tô a fim.
Vamos, a gente vai lá na festa, vamos lá e tal, mas dançar não me apetece. Tá bom, meu filho, então tudo bem. Se você tá seguro disso, tá tranquilo, não vai se decepcionar, não Não vai se arrepender? Não, não, tô de boa, tô tranquilo. Ok, acabou. Não vou falar que tem, não vou falar que não tem. Vou trazer a conversa, acho que é o meu papel como pai, né? E eu sou pai de 3 meninos, e tendo vivido um relacionamento com a mãe deles em outras épocas, de outro Leandro Lopes, de outra pessoa, outrora, eu tenho hoje a grande responsabilidade de não criar 3 canalhas.
Então eu tenho que trazer para eles as questões que se eu não trouxer ninguém vai trazer, né? Se o pai não trouxer, não colocar isso na mesa, ninguém vai trazer. Então essas provocações e trazer essa conversa, eu sempre faço com que isso aconteça. Era o momento que ele falou, não, não, tô bem, não vou porque não tem quem chamar e tal. Mas você tem certeza? A escola que tá fazendo isso aí? Falou, é, falou que é para a gente Para que a gente fica mais à vontade, a gente não é obrigado a dançar com quem não gostaria.
Fica aquele negócio de, ah, mas nem queria dançar com ele, a menina, não entendeu? Então, entendeu? Então falei, eu tô, não quero. Ok, tá tudo bem, tá tudo tranquilo. E é da idade também, respeitando e tal. Tem isso. Se ano que vem quiser, e se nunca mais quiser também, tá tudo certo, sabe? É importante, eu acho, a gente não deixar de, porque assim, Nem tudo é um problema necessariamente, né?
Exato. E assim, é que é um buraco tão mais embaixo, tão assim. E por que que você acha que esse problema só tem escola de gente rica?
Exato.
Não é um problema, isso é white people problem.
Exatamente. É, eu não posso dizer não porque estamos num lugar de privilégio, ele estuda numa escola particular, é um, né?
De onde vem essa coisa? Ah, é, o comentário da senhora era assim: qual é o sentido de se fantasiar de jeca e ficar abanando o rabo?
Aí já não vai falar mal do meu jeca, hein?
Essa senhora aí tava com tempo livre.
Essa senhora aí, sabemos, sabemos o que ela pôs na urna, né?
É o tal do colégio de ali. Quando as mães chegam para mim: não, porque eu faço questão que o menino fique essa escola é uma escola, é um colégio de elite. Eu falo, puta que me pariu, é o pior lugar para qualquer criança que dirá autista, né? É tão tradicional. Eu estudei lá, minha mãe estudou lá, minha família estudou lá.
A gente tá vendo como foi boa a educação, né? Exato, formou cidadãos de bem.
Eu fiquei bom, eu fiquei certo da cabeça. É certo da cabeça achar que você pode enfiar a mão na boca de uma criança autista quando ela grita. Exatamente, né, nesse parâmetro de quem apanhou quando era criança para ficar certo da cabeça.
Então é isso, tem uns buracos que é tão mais embaixo que se a gente começar a revirar, olha, a gente sabe que esse tema, primeiro quero, quero, vamos indo para o nosso finalmente aqui. A gente sabe que é um tema que não tem fim, obviamente, obviamente, né? É a primeira vez que a gente fala sobre isso aqui. A radiofobia tem essa pegada da gente ficar nesse papo, sacaneia, brinca, não sei o quê. Mas ao mesmo tempo, né, essa coisa do título, né, da brincadeira, é algo que eu mesmo neguei.
Neguei não, mas durante muitos anos da minha vida a gente não era educado a dar importância para isso, né? E o homem também, né? A gente pouco se cuida na saúde física e na mental. Então, ainda mais o que tem de machismo tóxico por aí, que por isso que eu não tenho amigo aqui na minha cidade, não tem amigo. Eu tava falando com a Nath ontem, eu não tenho amigo, cara. Você não tem amigo? Não, não tenho amigo. Eu tinha um grupo aqui de pessoas aqui dos meninos quando eu mudei para cá 15 anos atrás, que era dos maridos das mulheres, então não sei o quê, que se reunia uma vez, duas vezes por mês, e ia falar de futebol, de religião, de política, da mulher dos outros, do cara que tá pegando a mulher do não sei quem e tal. Eu não me identifiquei com isso.
Saí.
Hoje em dia não tem amigo. Eu tô com meus filhos aqui, às vezes eu vou com meu filho. Filho, vamos tomar, vamos comigo lá tomar uma cerveja. Ah, pai, não vou tomar cerveja. Então toma um Guaraná e me acompanha enquanto eu tomo uma cerveja. E é isso, sabe? Porque eu prefiro. Por que que eu vou ter que ter amizades que a gente não acrescenta?
Né?
Então essa coisa da saúde mental, da saúde, da gente, do autocuidado para todo mundo, independente da idade, é algo que a gente precisa, acho que, promover diálogos e conversas cada vez mais para tirar, né, preconceitos e quebrar rótulos. E eu acho que é extremamente importante ter pessoas como a Ana aqui para ajudar a gente a entender um pouco melhor isso antes de de ir para os Finalmente e agradecer a Ana, trazer o serviço aqui.
Eu quero agradecer os meninos. Vocês têm alguma derradeira aí ou a gente pode passar lá a régua?
Não, passa, porque senão a gente vai ficar aqui até amanhã.
É, exatamente. Então vamos fazer o seguinte, vamos fazer, vamos fazer o seguinte. Cadê? O que aconteceu aqui com a minha? Ah, essa daqui agora, pô. Exatamente, a Térica não tá querendo trabalhar porque ela tá estudando aqui. Muito hoje o tema do programa. Ela tá muito feliz, assim como todos nós estamos. Porra, cheio de bobs a Tênia, com as cabeças tudo, mas é toda florinda ela, com a cabeça cheia de bobs. Com Rubens e Jorge, seus pequenos Oompa Loompas, batendo palminha, um de cada lado, maravilhosamente.
Agradecendo diretamente de Santa Maria da Boca do Monte, a menina Jéssica Dalsim. Obrigado, Jéssiquinha, mais uma vez. Excelente estar aqui com a gente, te adoro.
Gente, muito obrigada, hein? Mais uma conversa excelente que bota a gente para pensar pela próxima quinzena, né? Ou mais, que são coisas que a gente pode trazer para vida. É legal que o Radiofobia a gente traz com muita brincadeira e tal, mas tem muita coisa que faz com que a gente aplique e reflita no dia a dia. E isso é Muito bom, muito obrigada.
Obrigado você estar aqui com a gente. Passando aqui também o nosso querido serviço de Ineditados Podcast, toda segunda-feira das 13 às 14 horas, ao vivo pela rádio da UFSM, Universidade Federal de Santa Maria, UniFM, não é isso, Jéssica? UniFM. Qual é o dial lá em Santa Maria mesmo? Como, 107?
É 107.9.
Ineditados, que é produzido e apresentado pela nossa querida Jéssica, e que depois, se você não é do Rio Grande do Sul, né, não pega na sua, tá em Fortaleza que nem a Aninha, quero ouvir o Ineditados, não dá para ouvir no Dial, mas você consegue ir lá no Spotify, nos agregadores de podcast, não é isso? Então no mesmo dia ali geralmente já entra no YouTube.
Olha aí, temos aí também nos agregadores como um todo, mas também no YouTube. Só procurar por Ineditados UFSM, é o que vai aparecer.
Exatamente. E para você que tá aqui, link na postagem do episódio. Olhe, vai lá prestigiar a nossa locuteira, produteira Jéssica Dalsim, dubladeira também, menina cheia de talentos. Diretamente de Belém do Pará, um menino da Escola Cezim, que está de matrículas sempre abertas para você que tiver aí fazendo um filho enquanto ouve o Radiofobia. Fala que você vai ter 50% de desconto. Desconto, né? Para você que, para você que nhanhou durante essa gravação, você está gerando. Com que idade pode matricular a criança lá depois de dar uma nhanhada?
A partir dos 6 anos.
Dos 6 anos. Então você que nhanhou agora em junho de 2026, você tem aí 2032, é o teu ano, é o teu ano. Você vai ganhar 50% de desconto na Escola Cezinha lá em Belém do Pará. Valeu, Stacinho!
Pô, eu tô muito feliz. Eu queria dizer que infelizmente o André Souza não está aqui para Ana ficar tirando graça com a cara dele. Que é muito bom. Eu falei, foi um prazer, né? Foi, olha, eu, eu, quando o Léo anunciou, eu fiquei muito feliz, né? E principalmente de tipo assim tirar da imaginação como é que é o rosto da voz que eu só ouvia, entendeu? Que é uma coisa que o podcast só em áudio, só o podcast só em áudio traz isso pra gente, essa surpresa, né?
Então foi um prazer mesmo, gostei muito do programa. E assim, quando tiver tempo, e se o Léo não quiser que esse negócio fica acabando com o programa, trazer a Ana pra gente fazer mais 2 horas, porque ainda tinha muita coisa pra conversar.
Se ela topar, o convite já tá mais que feito pra gente continuar daqui alguns meses. A gente dar uma folguinha para ela agora de radiofobia, né? Porque agora é uma overdose dessas duas horas. E aí daqui a pouco a gente vem conversar de novo. Se vocês não me deixarem terminar o programa, a gente vai ter mais alguns meses aí pela frente. Até janeiro a gente continua. Contagem regressiva. E diretamente de Salto, o menino dos pequenos colecionáveis, menino Júlio Macórdia, que não pode ver uma coisa velho que quer botar para dentro de casa.
Nem fale, viu?
Tá aí passando no asilo olhando para cá assim, né?
A Jéssica falou mais cedo que ela tinha um prazer quase sexual em coisas pequenas, né, Jé? Cabia na mão e etc. Eu tenho, eu tenho esse prazer, eu tenho esse prazer em coisas grandes.
No caminho, amor.
Você sabe que as coisas são assim como são as pessoas, são as criaturas, amor.
É isso mesmo.
Mas eu tenho esse prazer também com compras.
Eu gosto muito de comprar, acho que eu já falei aqui, né?
Eu gosto de comprar as coisas inclusive para os outros.
Inclusive eu ia falar isso aqui agora, eu tô com uma listinha, eu tô com uma listinha aqui de algumas coisas que eu tô precisando. Não tá sobrando muito, eu vou mandar para você quando você não tiver. Falar, essa semana eu preciso comprar muito alguma coisa, mas não sei o quê. Eu vou te dizer o quê que eu tô precisando.
Eu já falei para você, o meu prazer de comprar coisa para os outros é os outros pagando e os outros usufruindo. Eu fico feliz de comprar, pagar logo, pagar logo.
Mas olha, muito bom o nosso papo, viu, Aninha?
Muito prazer conhecê-la. Esse nosso Papo Cabeça cabeça. Foi muito bom esse papo cabeça e espero você de volta aqui para a gente retomar isso aí, porque o Estácio, a lista de pergunta dele tá gigantesca.
Já teremos a segunda pauta garantida aqui já. E eu agradeço demais, Aninha, pela participação. Esclareceu bastante coisa. A ideia aqui não era ter consultoria nem consulta grátis, né, mas a ideia era a gente falar um pouco sobre algo que afeta a humanidade com um pouco de propriedade. A gente tinha que trazer alguém que ajudasse a gente a esclarecer um pouco. E eu queria que você— quero deixar o espaço aberto aqui para você divulgar qualquer coisa que você queira, link, rede social, trabalho, qualquer coisa.
E eu queria fazer a pergunta final, que é: o que que você recomenda para as pessoas que querem buscar uma ajuda, além do que já foi falado, né, das instituições e tudo mais. Não sei se tem algum canal que você acompanha, que você acha legal, algum criador de conteúdo bacana, algum colega de profissão que tem alguma atividade em rede social que as pessoas possam acompanhar e tal. Então o espaço é todo seu, meu bem.
Obrigada pelo convite. Quando quiser, estamos sempre aí, né? Percebeu que eu gosto de falar? Então que bom, para mim não é problema nenhum passar 2 horas, 3 horas falando, falando, falando. Eu gostei muito de conhecer vocês. Por que que eu não conhecia vocês antes? Não sei, conheci agora. Eu tenho um problema sério com essa coisa de indicar coisas, porque primeiro eu Tô meio alienada, justamente porque eu tô de tanto ficar irritada toda vez que eu entro nesse raciocínio aí que o Stas falou antes.
Aí o cara tá fazendo errado, tá fazendo— é isso, isso é eu constantemente assistindo gente falando desse assunto nas redes sociais e vai me dando a coisa.
Eu vi você falando, Ana, não pude deixar de lembrar da Ana e da Laura lá do Nunca Vi um Cientista. Que inclusive vão estar aqui com a gente em breve para gravar um Radiofobia. Me lembrou muito essa postura, porque elas fazem lá no canal delas um review de absurdos.
Então assim, se você tá seguindo a Nunca Viu Cientista, a Mari Kruger, o Átila, então o André, continua seguindo essa galera, tá no lugar certo, vai, vai na fé.
Excelente. E aí, e você, quem quiser te acompanhar, tem algum lugar que pode seguir? Tem LinkedIn, Instagram, ou você tá mais reservada?
Lá no Instagram, Ana Arantes, você vai me achar. Ana Arantes BCBA.
Link aqui na postagem, vou deixar.
Perfeito. Mas geralmente quando você põe Ana Arantes analista do comportamento autismo, alguma coisa assim, vai sair o meu lá. Tá meio devagar porque a vida também devagar, mas eu costumo, né? Esse é o lugar onde eu vou fazer divulgação, onde eu vou falar alguma coisa de vez em quando. E se eu tiver participando de alguma live ou podcast ou alguma coisa assim, é lá que a informação vai estar.
Excelente! Então, de vez em quando, para nossa alegria, para nossa alegria, Ana Arantes aparece também lá os podcasts de ciências, que inclusive foi graças aos podcasts que eu consegui, né? O Alexandre me mandou o contato da Ana, que eu tava procurando, não tava achando. Falei, Alê, me manda. Claro, imagina. E aí a gente foi ver uma conversa nossa na pandemia. O Vitor, o Vidani, o Vitinho, que não tinha nada a ver com o Jovem Nerd ainda.
Inclusive eu achei uma indicação minha no Telegram, falou assim, ó, Alê, Tem um negócio aqui para você do Vitor. Ele falou, que Vitor? Tipo uma coisa de uns 4, 5 anos atrás. Não, ele é do Rádio Fobia, gente boa, tá? Outro dia eu mandei para ele os prints, nem sabia quem que era quem. Ele fez aquele programa chamado Vai Passar, que era uma história da pandemia, as pessoas faziam e tal. E aí eu mandei para o Alê para ver se ele topava, porque a gente tava na pandemia, né, todo mundo afastado.
E aí cada um ia, gravava um desenvolvimento e tal. Aquela foi a primeira vez que ele me indicou, falou assim, se você quiser, eu te passo o contato da Ana, porque acho que esse tipo de conteúdo precisa ter algum tipo de crivo, de análise de alguém disso. Porque não é só compartilhar as mazelas da pandemia, saber se realmente aquilo possa, né, ajudar. Que o objetivo era ajudar as pessoas, né? E às vezes a gente faz na boa atenção e acaba não sendo balizado eventualmente aquilo aí.
Então tinha sido o primeiro contato que ele tinha mandado, na época acabou não acontecendo, mas agora, para minha alegria, para minha felicidade, tivemos Ana Arantes no Radiofobia. Obrigado demais mais uma vez, tamo junto. E ó, qualquer coisa que precisar da gente é só mandar um oi que a gente tá aqui para— ó, vou fazer uma parada, vou divulgar, às vezes sei lá, lá, tem um trabalho, um livro, uma palestra, um evento, alguma coisa assim, conta com a gente.
Nosso alcance não é muito, mas o pessoal aqui já viu que é todo mundo saudável. Obrigado, Aninha, obrigado mais uma vez, obrigado demais. E obrigado a você, querido ouvinte, que acompanhou mais essa gravação ao vivo do seu Pequenino Radiofobia. Obrigado a você que insiste, né? A gente grava numa segunda, terça, quarta à noite aqui a gente traz os convidados de altíssimo garbo e elegância aqui para você. Então você já sabe, youtube.com/radiofobia, para você que tá ouvindo aí no feed, é lá no nosso canal que você acompanha as lives.
Inclusive, se você tá ouvindo esse programa, saiba que você pode entrar lá no canal, tem o link aqui na postagem do episódio para você poder assistir a live da gravação com comentários de todo mundo que participou ao vivo. E aqui eu agradeço todo mundo que participou ao vivo da gravação de mais esse episódio do Radiofobia Podcast. radiofobia.com.br/podcast é o endereço da Radiofobia Podcast Network, onde você encontra todos os nossos programas.
E agora a gente tá lá com o Takenobori, que é o novo projeto um projeto mensal por enquanto. Pessoal já tá pedindo pra gente aumentar essa periodicidade, eu vou tentar transformar num episódio quinzenal, numa atração quinzenal, mas por enquanto é uma atração mensal. E o Taque no Bore tem como objetivo trazer histórias reais de superação de pessoas que, enfim, passaram por grandes dificuldades. A gente já teve ali o nosso querido Henrique de Rosa, já teve o Ricardo Gregman, já já teve o Vitor Honda lá do Japão e também a nossa querida Jéssica Dalsin, já estiveram lá.
Então já tem 4 episódios do Takinobori Podcast que você vai conhecer um pouco mais da história dessas pessoas e quem sabe trazer um pouco mais de positividade, um pouco mais de otimismo para sua vida. Esse é o nosso objetivo. Obrigado pelo seu download, obrigado pela sua audiência, um abraço na boca e até o próximo episódio.
Este podcast foi publicado pela Radiofobia Podcast Network. Acesse radiofobia.com.br/podcast para conhecer e ouvir todos os nossos programas, ou assine no seu agregador de podcast preferido. Esperamos você no próximo episódio. Oi, eu sou Antônio Viviani e quero convidar você a ouvir o nosso podcast Voz Off. Desde julho de 2017, eu e meu amigo Nicola Lauletta temos o prazer de conversar com as grandes vozes do rádio, da TV e da publicidade do Brasil e trazer suas histórias até você.
Se você, como nós, é apaixonado por locução, acesse vozoff.com.br e acompanhe nossos episódios aqui na Radiofobia Podcast Network.
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