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Episódio 66: NELSON RIBEIRO (DEFESA CIVIL CURITIBA)

08 de maio de 202631min
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🎙️ EPISÓDIO 66 — NELSON RIBEIRO Prevenir é, muitas vezes, tão importante quanto agir.
Neste episódio do Podcast Metrópole, Márcio Barros conversa com Nelson Ribeiro, Coordenador da Defesa Civil de Curitiba e um dos profissionais mais experientes da área de segurança e gestão de riscos no Paraná. Com uma trajetória iniciada em 1988 — quando foi aprovado em primeiro lugar na primeira turma da Guarda Municipal de Curitiba — Nelson construiu uma carreira sólida atuando diretamente na proteção da população, enfrentando situações de emergência, desastres e crises ao longo de mais de três décadas.
Durante o bate-papo, ele explica como funciona o trabalho da Defesa Civil na prática, os desafios da prevenção em uma cidade em constante crescimento e a importância da preparação diante de eventos extremos, cada vez mais frequentes. Um episódio que traz um olhar técnico, estratégico e essencial sobre segurança, planejamento e cuidado com a vida.
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Assuntos9
  • Defesa Civil de CuritibaPapel e organização da Defesa Civil · Capacitação de servidores públicos · Orientação e informação à população · Sistema Municipal de Proteção e Defesa Civil · Sistema de Comando de Incidentes (SCI)
  • Alagamentos em Curitiba e obras de drenagemProblemas históricos na região do SIC e Barigui · Obras de macro e micro drenagem · Recorde histórico de chuva em 2023
  • Desastres naturais e solidariedadeCampanha de arrecadação para o Rio Grande do Sul · Importância da orientação para doações · Fases do atendimento emergente · Projeto com o Rotary Club · Separação e qualidade de doações
  • Impacto do lixo em alagamentosDescarte inadequado de resíduos sólidos nos rios · Assoreamento de rios · Denúncia de descarte irregular
  • Projeto Família ResilienteCapacitação de famílias e bairros · Modelo de resiliência do Japão · Projeto piloto em comunidades
  • Formação Defesa Civil na EscolaPrograma Conhecer para Prevenir (CPP) · Orientação para professores e simulados escolares · Segurança em casos de tornados · Implantação em escolas particulares
  • História da Guarda Municipal de CuritibaPrimeiro concurso e turma de 1988 · Formação e Escola Superior de Polícia Civil · Profissionais da primeira turma ainda na ativa
  • Envolvimento de Igrejas e EmpresasProjetos de ajuda humanitária · Plano de auxílio mútuo com empresas · Plano de auxílio mútuo com hospitais · Criação de plano de auxílio mútuo com igrejas
  • Integração Metropolitana da Defesa CivilConselho de Integração e Proteção da Defesa Civil da região metropolitana
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Oi, tudo bem? Eu sou o Márcio Barros e esse é o Metrópole, um podcast especializado em Curitiba, região metropolitana. E aqui a gente trata de vários assuntos. Segurança, economia, turismo, desenvolvimento econômico, social. E hoje nós vamos tratar sobre segurança, claro, defesa civil, segurança do cidadão. E o nosso entrevistado sabe tudo sobre esse tema. Nelson Lima Ribeiro, inspetor da Guarda Municipal, mas também coordenador da Defesa Civil de Curitiba. Bem-vindo, Nelson.

Eu que agradeço, Márcio. É uma honra estar aqui falando com você e com todas as pessoas que nos assistem. Muito legal. Ô, Nelson, vamos, antes da gente entrar no nosso tema aqui, como que você se apresenta para quem não te conhece? Então, meu nome é Nelson Ribeiro, eu me apresento como dessa forma mesmo, né? Apesar de ser inspetor da Guarda Municipal de Curitiba, mas eu sou com minha função hoje principal.

que eu represento, inclusive, a Prefeitura é como coordenador da Defesa Civil de Curitiba. Curitibano mesmo. Curitibano mesmo. Nasceu aqui. Nasci aqui em Curitiba. Na Gema. Na Gema. Que legal. E você é da primeira turma da guarda, 88. Isso. Então teve o primeiro concurso da guarda municipal, foi o concurso de 1900 e final de 87. A gente teve a honra de passar, fazer o curso de formação.

e ser nomeado dia 1º de agosto de 1988. E fui o primeiro colocado nesse primeiro curso de formação de guarda municipal. E quantos guardas foram aprovados nesse primeiro concurso, fazem parte da primeira turma? Aproximadamente eram 113 guardas municipais dessa primeira turma.

depois em seguida já entrou uma segunda turma, mas nós fizemos história, fizemos toda a nossa formação, inclusive, que é hoje a Escola Superior de Polícia Civil. Até tem um ditado que quem os desbravadores ou quem pisa na lama primeiro deixa a marca, né? Exatamente, então eu tenho o meu tijolinho ali na formação da Guarda Municipal de Curitiba. Tem vários guardas daquela época ainda na ativa, né? Tem, tem, nós temos o...

hoje o inspetor Gilberto, por exemplo, que é diretor do centro de formação da Guarda Municipal, é da primeira turma de guardas. Então, são vários guardas, companheiros nossos, que estão aí, além de inspetores, supervisores, guardas municipais.

Uma pergunta que eu sempre faço para quem é um profissional de uma área específica é, quando você era menino, lá o Nelson, o Nelson, pequenininho lá, menino, já queria trabalhar na segurança pública, pensava em ser polícia, porque assim, né, os meninos ou pensam em ser polícia, jogador de futebol, alguma coisa. Como é que era lá? Não sei se é da tua época, Márcio, mas eu assistia aquele filme Viagem ao Fundo do Mar. E tinha o Almirante Nelson, que era um dos protagonistas do filme. Então isso...

já trouxe em mim aquela vontade de ser da área militar ou fazer algo parecido. Tanto é que eu prestei concurso, antes de entrar na guarda, eu prestei concurso para tentar entrar na Marinha. Na época, infelizmente, não consegui passar. Depois, em 1984...

Eu entrei no Exército Brasileiro, fiquei lá três anos, saí como terceiro sargento do Exército Brasileiro. E aí saí em 87, já em seguida abri o concurso para a Guarda e tive a honra de fazer. E cá estou, nesses praticamente 30 mil anos. Se fosse para começar tudo de novo, faria? Faria da mesma forma, Márcio.

Eu tenho duas grandes paixões como profissão. Um é ser inspetor da guarda e outro como coordenador da Defesa Civil, que isso me ensinou muito, aprendi muito. E principalmente eu poder ajudar as pessoas da cidade de Curitiba. Isso, já vamos falar sobre a coordenação. Você tem filhos, Alisson? Eu tenho um filho.

Também casado. Trabalha na área da segurança ele também? Não, ele é totalmente o contrário, é desenvolvedor de sistemas. Opa! Um excelente profissional também. Que legal. Às vezes a gente não passa o legado da profissão, mas só a formação de caráter, de indivíduo, já vale a pena, né? Exatamente. Então a gente passou o final de semana juntos, até no encontro.

E a gente vê que a gente pode contribuir para a educação dele, mudando o caráter. Sentimento de dever cumprido, isso é muito legal. Vamos falar da defesa civil então. Qual exatamente é o papel da defesa civil aqui de Curitiba?

Então, principalmente o papel da Defesa Civil é fazer toda a organização da Prefeitura, capacitar os servidores públicos para que, diante de uma emergência, essa estrutura da Prefeitura toda possa dar resposta imediata àquela emergência, mas também capacitar, orientar, levar informação à população, porque é a mais afetada e aquela que pode.

tendo informação, poder se autoproteger, poder ter uma postura preventiva e até auxiliar algumas pessoas, auxiliando outras naquela momento de emergência. Então, são duas ações, resiliência da população e organização de todo o sistema da prefeitura, que a gente chama de sistema municipal de proteção e defesa civil. Tem que ter organização, porque num caso de, sei lá, uma calamidade, alguma outra coisa de sinistro assim...

Todo mundo fica nervoso, a situação é diferente de uma normalidade e aí precisa ter coordenação para não perder tempo, não ter outros prejuízos. Exatamente. Então a gente tem, todo ano, nós fazemos um curso de capacitação para os servidores da prefeitura, mais precisamente no nível de administração regional, porque os administradores regionais hoje, dentro da estrutura da Defesa Civil, são os subsecretários de Defesa Civil.

E as outras secretarias que estão na administração regional fazem parte das comissões. Comissão de segurança, que é a guarda, comissão de saúde, que é a própria Secretaria de Saúde. E nós capacitamos todos os anos esses servidores da linha de frente, porque na hora da emergência são os primeiros que vão lá atender a população. A administração regional, a saúde, a fundação de ação social, a guarda municipal. Ou seja, todas as secretarias que normalmente são as primeiras a serem mobilizadas.

E para isso a gente tem que capacitar todos eles. Inclusive agora, em março, no final de março, se não me engano, dia 25, teremos outro curso e já estaremos renovando, fazendo uma capacitação para as administrações regionais e para esses servidores, como reciclagem, até alguns que ainda não fizeram.

para que realmente estejamos preparados para qualquer emergência. Como dizem, tem que ter rapidez para atender a população. Claro. E existe a questão da prevenção ou preparação, em caso aconteça, mas também tem a questão de, na hora do acontecido, saber agir. Exatamente. A gente tem que saber, a gente utiliza uma ferramenta muito conhecida internacionalmente.

que é o Sistema de Comando de Incidentes, o SCI. Então, o SCI, ele mostra como é que você tem que se organizar para atender àquela emergência. Então, tem lá um comandante...

nesse caso, no nível de administração regional, seria o administrador regional, o comandante daquele incidente, e ele tem todo um suporte para apoiar e para atender a população. Então, tudo isso a gente passa nesse curso, que é o curso de Gerenciamento e Proteção de Defesa Civil, um curso que praticamente todos os anos nós ministramos aos servidores da PUCIP. Muito bem, nesses 26 anos você estava? 26 anos. 26 anos, qual foi o caso que você fala, poxa vida, esse aqui eu vou contar para o meu neto?

São muitos casos. Vamos pensar alguns aí. Vamos pensar assim, nós tivemos em 2013, 2014, na verdade, uma situação bem complicada que alagou aquela região do SIC. Barigui ali, né?

antes de 2012 a gente tinha muitos problemas naquela região. Depois, agora não temos tanto como eram na época, porque muitas obras foram realizadas que minimizaram o problema. Mas nós tivemos uma situação onde um integrante nosso da Defesa Civil, junto com a guarda, eles estavam auxiliando o Corpo Bombeiro na retirada das pessoas daquela região do SIC, que estava debaixo d'água.

com o nosso barco da Defesa Civil, então ele estava empurrando o barco e os guardas estavam em cima porque tinha que tirar o barco do lugar para poder tentar resgatar as pessoas. E esse agente de Defesa Civil, que é o nosso companheiro Rodrigo Alípio, acabou...

caindo num buraco e ele estava usando um macacão de encerramento, que é um macacão que protege até perto dos ombros aqui a pessoa. Só que como ele caiu no buraco, a água entrou e não tinha por onde saiu, porque é todo vedado esse macacão. E ele teve que retirar, então, com muita habilidade, senão a água ia arrastar. Então isso nos chamou bastante atenção, porque nós da Defesa Civil, a gente está lá para auxiliar as pessoas, salvar a vida das pessoas, junto com o corpo de bombeiro, junto com todos os órgãos.

mas a gente também corre o risco de num resgate desse a gente até perder a vida. Então a gente trabalha com esse conceito, mas a gente faz com orgulho esse trabalho de salvar e resgatar as pessoas. Muito bem. Diminuiu muito essa incidência de alagamentos em Curitiba. Hoje eles são mais pontuais.

do que aquilo que a gente viu, como você falou, em 2003, 2014, eu lembro bem disso. Exatamente, tem um período ali de Curitiba que chovia na região norte de Curitiba, ali em Barigui, Boa Vista, a gente sabia que meia hora o ciclo já estava lagado.

E a gente já se organizava para atender. Então era muito difícil. Hoje, com as obras realizadas de macro e micro drenagem, as obras de contenção de cheias, esses problemas diminuíram muito. Tanto é que em 2023 nós tivemos o recorde histórico de chuva no mês, 575 milímetros na região do SIC e nenhum rio extravasou.

Então mostra que as obras realizadas até então foram eficazes. Claro, essa questão de obras é um assunto que a gente vai puxando um pouco para o lado, daqui a pouco a gente volta a falar da defesa civil. As obras são importantes, mas a população também tem que colaborar, porque a gente vê às vezes, e já vi vários casos,

Você está lá numa situação de enchente, o povo reclamando, ali a pouco passa um sofá no leito do rio, colchão, capacete, fogão, já havia essas coisas. Exatamente. Então, a gente sempre pede para a população, às vezes não é aquela população que está ali, às vezes é uma população que está em outro local, que joga lá mais acima do rio e vem parar justo onde as pessoas têm mais problemas.

Mas se alguém estiver julgando, a pessoa ver, tem que denunciar, ligar para um 5-6, ou mesmo para a guarda, um SPA, um 5-3, para que essas pessoas sejam orientadas a não fazer isso. Tudo que a gente vê sempre em um momento de alagamento ou inundação.

é muito resíduo sólido que sai do rio e não é do rio. Como você falou, é sofá, é televisão, é muito delício. Armário, madeira. Então aquilo lá não é próprio do rio. Alguém jogou lá dentro. Então isso tudo faz com que haja a piora da situação. O rio que muitas vezes recebe muita água agora por conta das mudanças climáticas, é muita água, muita chuva. Num curto espaço de tempo, um volume grande.

ele está assoreado pelo lixo, infelizmente, por todos os resíduos sólidos que as pessoas jogam lá dentro. Não é todo mundo, mas infelizmente algumas pessoas fazem isso e complica para toda uma população. Eu sei que, na verdade, existe uma relação com o terceiro setor. E o curitibano é solidário quando precisa. A Defesa Civil faz essa coordenação de coletas para outros.

outros afetados que não sejam aqui em Curitiba também, né? Exatamente, nós fizemos um trabalho bastante grande aí na época do problema que teve no Rio Grande do Sul, né? Então eu vi, assim, desses anos todos, foi a maior campanha de arrecadação de donativos, e eu vi como realmente o povo é solidário, né? Muita gente ajudou, voluntários que foram para lá, muito donativo Curitiba pôde contribuir, foram mais de 300 toneladas, se não me engano, na época.

Inclusive, nossa equipe ajudou a encaminhar esse material para lá, junto com voluntários. Nós tivemos um voluntário que cedeu caminhão, combustível, o tempo para levar esses donativos para o Rio Grande do Sul. Então, a gente vê que as pessoas são solidárias. Elas querem ajudar aquele que mais precisa. Isso é uma coisa que eu discuti esses dias com o pessoal lá do Provopar.

conversando com a Patrícia e com outras pessoas a Zilda, enfim às vezes as pessoas querem ajudar de uma forma rápida mas precisam também de uma instrução porque uma pessoa que perdeu a casa na enchente, não faz sentido mandar comida talvez naquele momento porque ela não tem nem onde armazenar ou mandar um móvel novo comprar uma geladeira e mandar para ela

Por isso que é importante alguém fazer essa conexão de ideias, juntar as instituições, juntar as ações. Bem interessante isso, Márcio, porque a gente tem tempos, são fases do atendimento emergente. Perfeito. A primeira fase, aquelas primeiras horas da ocorrência,

A gente tem que se preocupar no resgate à vida, salvaguardar a vida das pessoas. Então, naquele momento, a gente não pode estar se preocupando com donativos, recepção desse donativo, até porque toda a logística empregada, da defesa civil, do corpo de bombeiro e dos outros órgãos que estão atendendo, estão se preocupando em salvaguardar a vida das pessoas, resgatar, encaminhar para um abrigo. Após esse momento, sim.

que aí a gente já começa a ver o que ela necessita. Não adianta levar móveis para um local que perdeu... Não tem nem casa para colocar os móveis, que foi, no caso, o Rio Bonito de Iguaçu. Muitas pessoas quiseram doar móveis, mas as pessoas nem tinham casa. Então, naquele momento, até eu falei, agora a gente precisa reconstruir a casa das pessoas. E é bem interessante isso, só para complementar, nós fizemos um projeto com o Rotary Club, aqui em Curitiba, com todos os clubes.

porque o Rotary queria auxiliar, e aí a gente começou a treinar os rotarianos para saber, vocês querem auxiliar? Então a gente vai explicar para vocês o momento certo e como vocês vão auxiliar as pessoas. E saiu um projeto muito bacana, que é o nosso plano de auxílio mútuo da Defesa Civil com o Rotary. É, inclusive a gente entrevistou recentemente aqui o Gilmar.

que é do Rótulo Club Curitiba, que eu faço parte também, a gente participou dessa ação aí, muito legal. E isso que você está falando é importante também, porque tem momentos em que é necessário roupa.

Tem em outros momentos que é necessário produtos de limpeza. Então é muito legal ter esse plano de ação. Tem que saber o momento certo de levar os donativos e que donativos as pessoas precisam. E também o momento de cessar o envio desses donativos. Para que não se tenhamos locais abarrotados de materiais que já não precisam mais. E tem uma outra coisa também que eu acho importante. Tem gente que doa coisas que nem ela própria usaria.

não dá pra doar aí quem tá fazendo a seleção perde tempo mas enfim, é de cada um também você pede também pras pessoas que vão doar que separem as roupas, as roupas tem que estar limpas separem as roupas de mulheres homens

crianças, os sapatos, coloque pelo cardarço, amarre um pé no outro, porque às vezes chega lá, é um pé de um, um pé de outro, até achar, então separe isso, põe em sacolinha separada, identificada, é muito mais fácil na hora da separação, na logística, para fazer isso e para entrega para as pessoas. Eu já vi também, por exemplo, lá no Provopar, o pessoal doar para...

sei lá, para Rio Bonito do Iguaçu, de repente um vestido de festas, de plumas e paetês, ou então a fantasia de um super-herói. Então, assim, não é porque eles precisam de doação que você tem que fazer uma faxina e dar qualquer coisa que, como eu disse, que nem você usaria, né? Exatamente, você sempre tem que pensar assim.

Quando você doar, tem que ver assim, você usaria numa necessidade de roupa, se você usaria do jeito que você está entregando, então cabe doação. Se você olha e fala, não, eu não posso sujar isso, não usaria isso, então não doi. Porque aquele material, a gente já pegou inclusive sacos de roupa que estavam todos sujos, rasgados, que não tinha o único jeito de utilizar, que aí a gente reutilizou mesmo para isso.

É para a caminha do cachorrinho. Pando de chão. A gente utiliza para isso. Para a pessoa. Um dos grandes canais de formação de cidadão comprometido com tudo isso é a escola. Vocês fazem trabalho nas escolas também? Isso. É um programa maravilhoso.

que se chama Defesa Civil na Educação, Conhecer para Prevenir. Normalmente a gente se cita como CPP, Conhecer para Prevenir. Nós temos mais de 700 unidades da rede municipal de ensino. Esse programa, nós orientamos professores, primeiros socorros, prevenção e combate a incêndio, fazemos simulados na escola.

Todas as 700 unidades da rede municipal de ensino hoje, elas sabem fazer, por exemplo, a saída no momento de emergência, no caso do incêndio, ou mesmo a permanência segura no local por conta de um agressor ativo, de alguém que invade a escola. Agora a gente vai inclusive formar uma nova equipe desse Conhecer para Prevenir e nós vamos incluir no treinamento, o treinamento para segurança em casos de tornados. Infelizmente é uma situação que atingiu a cidade do lado.

E agora a gente vai instruir também as nossas escolas municipais. Em que local que você fica mais seguro, que posicionamento se deve tomar e tudo isso. Então agora eu até vou marcar uma reunião com o novo secretário de educação, para que ele também conheça esse programa, que é maravilhoso, inclusive tem uma lei municipal.

e muita gente procura, inclusive a gente já tem implantado em 16 escolas particulares esse programa. Muito legal, e a escola é um organismo vivo, né, porque todos os anos tem gente nova, novos alunos sendo matriculados, aqueles que venceram ali as turmas finais vão para outras instituições, mas ela tem que estar sempre se renovando, né, essa qualificação, ou melhor, capacitação tem que ser constante. É, todo ano a gente tem um curso aí de multiplicadores do programa, onde participa...

integrantes da Secretaria Municipal de Educação, integrantes da SMDT, preferencialmente a Guarda Municipal e agora estamos incluindo também os integrantes da Secretaria do Governo Municipal que trabalham nas regionais. Muito bom. Eu tenho um projeto que eu apresentei que é envolver as igrejas nessas ações. Vocês também envolvem?

Porque a igreja tem um papel importante na comunidade. Isso, nós estamos à disposição, tanto é assim, quanto mais instituições, quanto mais pessoas se envolverem, procurarem a Defesa Civil para ter essa capacitação, para criarem grupos de ajuda humanitária, é isso que a gente quer. A gente quer que as pessoas nos procurem, a gente está à disposição, porque o que a gente pensa assim, quanto mais pessoas nos auxiliarem...

Porque a gente não pode dar conta, muitas vezes, de um grande evento só com os servidores da prefeitura. A gente vai precisar do voluntariado, a gente vai precisar da igreja, a gente vai precisar das empresas, das organizações não governamentais. Então, todos eles devidamente orientados, eles são a grande força, um exército que pode ajudar no momento de emergência. Eu acho que as igrejas são subutilizadas.

Porque, veja, eu já até conversei com vários pastores aí do COMEP, que é o Ministro dos Evangelicos e Pastores, do Núcleo de Pastores também, porque as igrejas às vezes têm cultos à noite, ou nos finais de semana, e durante a semana, durante o dia, às vezes estão vazias, poderiam ser utilizadas para outras atividades, inclusive essa de instrução aí da Defesa Civil, ou outras atividades aí, de repente é uma possibilidade de a gente pensar melhor. Pode fazer até, hoje em Curitiba nós temos o...

Plano de assistido mútuo das empresas. São 46 empresas que participam com a Defesa Civil de treinamentos, capacitação, orientação. E se precisar, a gente tem eles para nos auxiliar na emergência. Nós temos o plano de assistido mútuo, como eu falei, do Rotary, né? Uma Defesa Civil. Temos o plano de assistido mútuo dos hospitais. São mais de 26 hospitais que se integraram a esse plano de assistido mútuo. Podemos criar um plano de assistido mútuo onde a gente possa reunir as igrejas.

e assim começar um trabalho já voltado à proteção das pessoas. É porque senão fica batendo cabeça, né? Todo mundo quer fazer alguma coisa, um faz ação aqui, outro faz ação ali, e aí a gente não consegue ser efetivo, ou melhor, não consegue ajudar realmente de uma forma organizada. Quais são os outros grandes projetos que vocês têm lá?

Então, hoje nós estamos lançando um projeto agora que se chama Família Resiliente. Ele é o avanço do nosso núcleo comunitário de defesa civil. O que é isso? Nós queremos capacitar as famílias lá nos seus ambientes, nas suas casas, nos seus bairros, para que elas sejam multiplicadores desse conhecimento da defesa civil. Eu vi esse projeto, Márcio, quando eu estive em 2024 no Japão.

O Japão é altamente resiliente e lá as pessoas, uns auxiliam os outros, eles fazem treinamento na comunidade. Não precisa estar defesa civil no local, eles mesmos fazem o simulado, os treinamentos. E a gente quer implantar isso em Curitiba, a gente quer começar com as comunidades, fazendo um projeto piloto para que as pessoas tenham conhecimento e haja essa multiplicação, que essa comunidade hoje preparada, ela possa ir para outro.

junto conosco, capacitar aquela outra comunidade e assim por diante. A gente vai fazer uma grande corrente. Multiplicador. Multiplicador. Isso é muito legal. Viu? E existe alguma relação entre a Defesa Civil de Curitiba com a região metropolitana? A gente sabe que tem o consórcio das guardas, né?

existe alguma voltada realmente para a Defesa Civil? Para a Defesa Civil, nós temos o Conselho de Integração e Proteção da Defesa Civil da região metropolitana, esse conselho inclusive a gente vai reunir agora nesse mês a gente fez uma eleição via online mas foi bem no início do ano e infelizmente teve a troca de alguns coordenadores, e agora então a gente vai refazer essa eleição inclusive naquela eu fui eleito como presidente, provavelmente nessa a ideia é continuar Sim, Sim Sim

a gente vai reunir de novo essas 21 cidades da região metropolitana, fazer a eleição desse conselho, para que a gente trabalhe também esse tema de defesa civil, já nesse viés metropolitano. Porque o que afeta uma cidade pode afetar a outra. Claro. Se uma cidade faz uma obra, por exemplo, de contenção na...

Na divisa, pode afetar, prejudicar a outra cidade vizinha. Então, tem que haver essa conversa entre as defesas civis. Claro, já há essa conversa metropolitana em vários temas, em vários segmentos. E agora a gente quer que também tenha nessa área de proteção e defesa civis.

Algumas cidades ainda estão implantando a guarda municipal, né? Mas a defesa civil, apesar de aqui estar relacionada junto com a guarda, ou seja, como um inspetor, em algumas cidades já tem a defesa civil e não tem guarda, né? Isso, porque existe hoje, legalmente, uma obrigação de que todo município tenha a sua defesa civil constituída. É obrigação legal. Se o prefeito assim não fizer, ele está transgredindo e pode ser até penalizado.

Agora, guarda municipal, infelizmente, não há uma obrigatoriedade. Então, a própria Constituição diz que os municípios podem constituir, podem constituir suas guardas municipais. Então, não é obrigação. Por isso que algumas cidades têm a Defesa Civil. Aliás, todas as cidades têm a sua Defesa Civil, mas nem todas têm a guarda municipal. Eu sou fã da guarda municipal. Eu fiz uma pós-graduação em gestão de políticas públicas. Inclusive, palestrei no encontro nacional que teve das guardas aqui.

porque a guarda consegue entrar numa brecha que a polícia militar não consegue, por vários motivos. Porque o concurso público ser municipal é mais fácil de fazer a gestão, de gerir, de contratar, de chamar, enfim. E a polícia militar às vezes demora demais para ter um concurso e não tem efetivo para mandar especificamente para o município.

Então a Guarda Municipal consegue fazer essa... Por exemplo, agora, Campo Magro tem Guarda Municipal também, né? Reinaugurou esses dias atrás a sede da Guarda. Tamandaré tem, Pinhais. São José dos Pinhais tem uma guarda muito efetiva, né? Que faz lá essa força, mas eu acho que o caminho é esse, né? As Guardas Municipais já tem uma vantagem, porque uma boa parte desses guardas são moradores da cidade. Conhecem os problemas da cidade. Diferente, por exemplo, de um concurso da Polícia Militar.

que às vezes são pessoas de outros estados, e vêm aqui, e aí vão, claro, ao longo do tempo vão conhecer a cidade. Mas o guarda não, ele é, na maior parte das vezes, o morador da cidade. E a própria formação, Márcio, eu sempre fui instrutor da guarda, comecei como instrutor de polícia comunitária, agora, depois de entrar na Defesa Civil, que a gente foi para o lado da Defesa Civil.

Mas a gente sabe que essa formação faz com que o guarda tenha essa proximidade com a população. Porque a gente está no dia a dia. A gente trabalhava, por exemplo, e trabalhamos hoje, a guarda trabalha em vários equipamentos da prefeitura. É na prefeitura, é no centro de saúde.

No parque. No parque, antigamente, tínhamos muitos guardas nas escolas, cuidando. Então, fez com que o guarda tivesse essa proximidade da população. A gente via que era muito próximo. A população, quando tinha alguma dúvida, ia até a guarda, perguntava. E isso é um caráter que nós, guardas municipais de Curitiba, não podemos perder.

estamos aí prestes a nos tornar polícias municipais por conta da PEC, mas mesmo assim a gente tem que ter aquele caráter de proximidade da população, que o cidadão possa ter tranquilidade ao chegar, conversar com o policial, pedir informações e ser bem atendido por esse policial municipal.

Seguir exemplos que não nos cabem e sim trabalhar sempre em prol da população. Essa questão da polícia comunitária é uma grande característica, é importante porque aproxima você do cidadão, dos problemas de determinado bairro. Veja, se a gente tem diferenças aqui entre políticas públicas dentro da cidade, por que não tratar essa questão comunitária também na questão da segurança pública? Por exemplo...

A população que mora no Bacaxiri tem algumas necessidades diferentes da população que mora no Tatuquara. Sim, sim. Ou que mora no Pantanal, lá no Alto Boqueirão. Então, são políticas públicas diferentes para cada região. E se tem um policial, ou melhor, um guarda municipal que atua em determinada região, ele tem que saber das suas realidades, não é verdade? Exatamente. Coisas simples, né? Quando nós aplicamos o curso de polícia comunitária, nós colocamos o exemplo lá dos Cobans.

do Japão, inclusive tive a oportunidade de conhecer de lá, indo para o Japão. Uma experiência sensacional, né? Uma experiência sensacional que eu tive lá. E assim, o que você tem lá e o que a gente espera aqui, né? Que quando você tem um problema, por exemplo, em determinada localidade, o guarda pode ser o mediador desse problema. O guarda pode mobilizar a comunidade, chamar para uma reunião numa escola, por exemplo.

verificar qual o problema, mas principalmente envolver a comunidade para que a comunidade também auxilie na resolução desse problema. Eu lembro que, não lembro o ano, mas nós tínhamos um projeto muito legal na Guarda Municipal que a gente desenvolvia, que se chamava Escola Participativa.

E era o guarda que, por exemplo, nós tínhamos uma praça que, infelizmente, não estava sendo utilizada pela população e aí marginais tomavam aquela praça. O guarda chamava a comunidade, conversava com eles e o problema era apontado. Essa praça é o problema. Então é o seguinte, como é que nós podemos resolver? Vamos colocar atividades nessa praça para a população participar. Porque uma vez que a população não ocupa espaço, o crime ocupa.

Então a gente mobilizava, incentivava que a população tivesse lá, tem lá uma atividade esportiva, tem lá um, sei lá, tai chi chuan, e aguarda nos primeiros momentos com a viatura, fazendo a segurança, possibilitando que a comunidade ocupasse aquele espaço. Depois de um tempo, aquilo lá ficava tão normal, aquela ocupação, que nem precisava mais da viatura. E foi um trabalho muito legal ter polícia comunitária.

Não, sensacional. O consegue tem essa função, mas o que eu percebo é que a população ainda não compreendeu a força que o consegue tem. Eu vou em algumas reuniões, você vai também, são sempre os mesmos. As pessoas reclamam, reclamam, reclamam, mas não participam efetivamente desse momento.

do Conselho de Segurança, de repente, é uma possibilidade também da gente avançar. Eu vou mais longe ainda, Márcio, sim. Tem um consegue que as pessoas deveriam participar, deveriam usufruir mais daquilo lá, conhecer mais. Nós temos os próprios eventos da Prefeitura, o Fala Curitiba. Nossa! Muita gente reclama, às vezes, que não tem uma rua bem feita, que não tem uma obra sendo feita.

Mas na hora que precisa ir lá citar, conhecer o que a prefeitura está fazendo, de repente solicitar isso, que um dos trabalhos é o Fala Curitiba, a pessoa não vai ficar reclamando, mas não vai nessas reuniões, que é a noite que todo mundo poderia ir. Que é uma vez a cada seis meses.

que a pessoa pode ir lá e opinar. Isso é o Fala Curitiba, é ser premiadíssimo, inclusive é um programa copiado por outras cidades aí, porque ele pega realmente a demanda do cidadão que mora em determinado bairro, você tem razão. Ô Nelson, muito obrigado por aceitar o nosso convite aí, abrir um espaço na sua agenda e conte com a gente aqui sempre que tiver alguma ação, já está convidado para voltar. Eu que agradeço, Márcio, e coloco aí a Defesa Civil à disposição da comunidade curitibana.

Muito bem, esse é Nelson Lima Ribeiro, coordenador municipal da Defesa Civil aqui de Curitiba. E esse foi o Metrópole de hoje. Até a próxima.

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