Episódios de Passos pela Terra-média

A Origem dos Nomes dos Anãos

20 de setembro de 202624min
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Você já se perguntou de onde vêm os nomes dos anãos que aparecem na porta de Bilbo Bolseiro em O Hobbit?

Neste episódio do podcast Passos pela Terra Média, o host Reinaldo (acompanhado da cadelinha Zelda) explora a origem e a etimologia dos nomes da comitiva de Thorin Escudo de Carvalho.

Descubra como J.R.R. Tolkien buscou inspiração na poesia em nórdico antigo, mais especificamente no Dvergatal (a "lista dos anãos"), um trecho preservado no poema Völuspá da Edda Poética.Neste bate-papo leve e descontraído, você vai conferir:

    • A origem de Gandalf: Por que o nome do mago estava no meio de uma lista de anões e o que significa "elfo do cajado".
    • Apelidos heróicos: Como o título Escudo de Carvalho foi interpretado e atribuído por Tolkien.
    • Significados curiosos: Os sentidos por trás de nomes como Fili, Kili e Fundin nas traduções da Edda.
    • História da publicação: Como essas análises foram documentadas por John D. Rateliff na obra The History of the Hobbit
Participantes neste episódio1
R

Reinaldo

HostMembro fundador da Valinor e especialista em Tolkien
Assuntos5
  • A origem dos nomes dos anões de O Hobbit na poesia nórdica antigainspiração no Dvergatal da Edda Poética·etimologia dos nomes em nórdico antigo·J.R.R. Tolkien e a aliteração
  • Significados etimológicos dos nomes dos anões e suas implicaçõesDurin como guardião da porta·Bombur como 'gordinho'·Thorin como 'o ousador'·Gloin como 'o brilhador'
  • A História do Hobbit de John Rateliff como fonte de pesquisadocumentação da evolução do livro O Hobbit·ausência de Christopher Tolkien na evolução do Hobbit·análises de John Rateliff
  • A interpretação de Tolkien para o nome Gandalf e o apelido Escudo de CarvalhoGandalf como 'elfo do cajado'·Escudo de Carvalho como epíteto heroico·nomes monossilábicos e polissilábicos
  • A relação entre a mitologia escandinava e a personalidade dos anões de Tolkienmundo subterrâneo e trabalho de artífice·histórias de Loki com os anões·inspirações dos Contos Perdidos
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
RReinaldo

Olá, eu sou o Reinaldo, sou membro fundador da Vai Ler, especialista em Tolkien, e este é mais um episódio, senhoras e senhores, de Passos pela Terra-média, o podcast no qual eu passeio pelas ruas de São Carlos do Pinhal com a doguinha que escolheu a violência, Zelda, né, Zeldinha, enquanto conversamos sobre a obra do professor Tolkien. Desta vez, neste episódio, um tema muito mais leve, muito mais tranquilo. Estávamos muito filosóficos, muito militudos, como dizem os chats por aí na internet nos últimos episódios.

Desta vez vamos falar de um tema divertido, simples, mas ao mesmo tempo complexo, e que a gente raramente pensa. Eu mesmo, não cai muito essa ficha para mim, mas eu acho fascinante, interessante. Tem a ver com coisas que ainda não temos muito disponíveis por aqui no Brasil. Tentar entender os nomes dos anãos, em especial da turminha que aparece um belo um dia do nada na porta de Bilbo Bolseiro e deixa o nosso hobbit tão tranquilo, tão sistemático, completamente alucinado, e o arrasta para uma aventura junto com o Gandalf.

Os nomes dos anãos do grupo de seguidores de Fora em Escudo de Carvalho, esses nomes a rigor eles têm um significado, eles podem ser traduzidos de certa maneira, de acordo com a etimologia que eles têm lá em nórdico antigo, que é uma língua germânica, a língua que, entre aspas, os vikings falavam, embora os vikings não fossem um povo. Isso é uma discussão para outra hora, talvez. Ou talvez eu faça ela aqui no episódio também. E é uma discussão que aparece num apêndice, porque afinal livros de Tolkien, se não tiver apêndice, enfim, cai um raio, acontece um tsunami na Indonésia, Enfim, o chão se abre e traga as cidades, acontece alguma coisa apocalíptica.

Então tem que ter apêndice. E esse é um apêndice que aparece não exatamente num livro de Tolkien, mas é um livro que documenta a evolução do livro O Hobbit, que é um livro que, aliás, são dois volumes originalmente. Hoje a gente encontra isso num volume só, encontra num volume só em e-book também, né, feito pelo especialista americano John Rateliff. Que é o The History of the Hobbit, A História do Hobbit. Esse livro é interessante porque eu não vi em nenhum lugar ainda, se vocês conhecem por favor me corrijam, mas eu não vi uma explicação, por exemplo, do falecido e saudoso Christopher Tolkien de por que ele escolheu na história da Terra-média, que agora sim temos disponíveis os 12 volumes aqui no Brasil pela HarperCollins Brasil, O Christopher não explica por que que ele pula a evolução do Hobbit, embora tenha algum sentido, porque o Hobbit ele surge de maneira lateral, ele surge mais como, como eu já falei aqui acho algumas vezes também, acho que inclusive o nosso primeiro episódio foi mais ou menos isso.

O Hobbit ele surge, ah não, primeiro não, mas um dos primeiros, o Hobbit surge como uma obra infantil inspirada, meio Tolkien se autoplagiando em relação ao que ele já tinha escrito do Legendário, em relação às lendas da Primeira Era, mas não estaria a rigor na linha evolutiva correta das histórias. E é só depois do sucesso do Hobbit e da escrita do Senhor dos Anéis como uma sequência do Hobbit que que mais uma vez canibaliza então as histórias do Silmarillion, é que o Hobbit passa a fazer parte um tanto artificialmente, um tanto forçadamente, da linha temporal e histórica do resto do Legendário.

Ele não dialoga tão bem, a gente tem uma série de estranhezas da mecânica geográfica histórica do Hobbit que não bate tão bem com o resto da obra, mas ele fica ali enxertado. Então provavelmente é por isso, embora eu acho que não tenha uma explicação explícita disso, que o Christopher Tolkien não mexeu na evolução de manuscritos do Hobbit. Essa tarefa acabou ficando então para o John Rateliff. Como eu disse, ainda não temos essa obra, A História do Hobbit, no Brasil.

Espero que em breve a gente tenha. Não que eu saiba, tá? Não tem informações seguras ainda de quando teremos. Ceteribus. Gostaria obviamente muito de traduzir isso, mas enfim, é um livro muito legal, tem análises assim muito bacanas da evolução do Hobbit. Posso voltá-lo, voltar a abordá-lo aqui, precisava reler. Eu li, se não me engano, de cabo a rabo apenas uma vez, o que é um absurdo para mim, eu que sempre releio mil coisas do Tolkien o tempo todo, mas é um livro muito legal.

Eu, olha, olha a arrogância, né? Estamos de volta com arrogância soberba. Eu discordo de algumas avaliações, mas no geral o Rateliff faz um trabalho muito bom. Ele então faz basicamente o que o Christopher faz, inclusive em termos estruturais ele se inspira, meio que copia o estilão do Christopher na história da Terra-média. E ele tem os apêndices e tem esse apêndice, então deixa eu ver aqui. Como sempre, você sabe que eu carrego aqui no meu bolso a biblioteca de livros eletrônicos que eu vou lendo para vocês no nosso caminho.

Então ele tem um apêndice aqui sobre os nomes dos anãos que se chama exatamente, é o apêndice 3 dele, que é o Dvergatal. Já explico o Dvergatal e entre parênteses os nomes Anânico usou os nomes dos anãos. Dvergatal, eu acho que eu já mencionei por aqui. Ih, fui para um lugar nada a ver aqui, pessoal. Deixa eu voltar aqui. Ai, meu Deus do céu, apertaram as coisas. Sabe como é que é boomer, né? Semi-boomer, sei lá. Ele, então, como eu já tava, já tenho comentado por aqui, Dvergatal quer dizer simplesmente a lista dos anãos, algo assim, ou a lista dos anões, porque afinal não são os anãos do Tolkien.

Que é um trecho muito intrigante, muito curioso do poema, de um poema maior que se chama Völuspá, ou Völuspá, agora não tenho certeza da pronúncia do nórdico antigo, vocês me perdoem. Quem manja disso aí precisava estudar mais nórdico antigo também, que é um dos poemas mais importantes da chamada Edda Antiga ou Edda Poética. É a grande coletânea de poemas mitológicos, digamos, e também um pouquinho épicos da Escandinávia antiga, em nórdico antigo, nessa língua germânica, que foi provavelmente coletado na Islândia, na ilha da Islândia, né, bastante isolada, lá por volta já do século 13, então ano 1200 em diante da era cristã, mas que reúne, pelo que a gente sabe, textos muito mais antigos da tradição escandinava e da tradição pagã escandinava, né, da tradição ainda pré-cristã, tradição politeísta, digamos, escandinava.

O Völuspá, ele é basicamente um relato que une, digamos, do nosso ponto de vista aqui moderno, monoteísta ou pós-monoteísta, pós-cristão, reúne o Gênesis e o Apocalipse num único pacote. Então ele fala da criação do mundo e ele fala do Ragnarok, do destino, da sina, da destruição dos deuses no fim dos tempos. Só que então fala de um monte de coisas, tem outras referências inclusive tolkienianas no Ragnarok também, que eu posso falar um pouquinho.

O Tolkien fala dessa semelhança do Ragnarok do Voluspa com o que ele imaginou inicialmente como apocalipse para Terra-média, toda a história do Túrin voltando e lutando contra o Melkor/Morgoth, enfim. Mas no meio de tudo isso a gente tem essa esse textinho que parece que não casa muito, não cola muito, que é essa lista de nomes de anãos falando da criação dos anãos, como é que os anãos vieram a existir, e um monte de nomes deles.

E são realmente muitos nomes, e a gente vê que Tolkien usou apenas alguns deles, não exatamente escolhidos a dedo, acho que dá a impressão de ter sido escolhido um pouquinho na louca, até um pouquinho aleatoriamente. Acho que pensando até numa coisa que para tradição que o Tolkien estudava, conhecia tão bem, que a tradição poética das antigas línguas germânicas é bem importante, que é a aliteração, né, a repetição de sons consonantais ou vocálicos na sílaba tônica da palavra, geral no começo da palavra.

Por isso que a gente tem Bifur, Bofur, Bombur, né? A gente tem... É, agora me confundi um pouquinho. Talvez o melhor exemplo seja o Bifur, Bofur, Bombur. Desculpem a viajada. Enfim, tem esses elementos aí, tem umas coisas que parecem um pouquinho de rima, como Philly and Killy, e por aí vai. Mas então a gente não sabe como é que esse trecho do Dvergatal foi ficar incrustado ali no meio da Voluspa. Tem um consenso mais ou menos acadêmico, pelo que eu sei, de que se trata de um texto que era separado originalmente, ou seja, era um texto que tava circulando de maneira independente e foi meio que nhoque, né, fagocitado pelo Voluspa.

E aí então a gente tem algumas coisas muito interessantes para pensar na etimologia. O John Rateliff, então, no The History of the Hobbit, ele tá usando como base uma tradução feita por uma especialista britânica que é a Úrsula Drunk. Faleceu acho que faz alguns anos já, mas na época que o Rateliff publicou o The History of the Raptor pela primeira vez, foi na primeira década deste século, ela ainda era viva, era uma pessoa que estudava basicamente a mesma área de estudo do Tolkien.

Se o Tolkien tivesse vivo, ela seria colega do Tolkien, assim, iam se encontrar em reuniões acadêmicas, é basicamente a mesma área. E ela tem feito, tava fazendo essa tradução detalhada, comentada da poética. Então, e na tradução dela, ela tende a traduzir os nomes dos anãos, para vocês verem que não é só a gente malvado, tradutores brasileiros, ou outros tradutores de Tolkien que tem a mania maluca de traduzir nomes. No caso dela, também traduz o nome.

Então vamos, vamos parte por parte aqui. Eu vou demorar um pouquinho porque eu tenho que ir caçando os nomezinhos, não deu tempo de eu destacar aqui pra já ficar na cara, eu destaquei alguns apenas, mas por exemplo, a hora que chega no nome Düring, que em escandinavo antigo tem o N dobrado ali no final, Düring com dois Ns, ela traduz como Doorward, Doorward, tipo é o guardião da porta. O que é bem interessante a gente pensar nas famosas portas de Durin de Moria.

Então Tolkien ainda não tinha imaginado diretamente como seriam as portas de Moria, isso ele só vai imaginar quando ele vai criar, escrever então O Senhor dos Anéis, mas essa coisa do Durin ser o guardião das portas, da porta, já tava presente aqui na etimologia do nome. Será que ele já tava pensando nisso? Será que ele já sabia disso? Devia saber, né? Aí tem uma lista de nomes de anãos que não entraram, que são nomes astronômicos, como se fosse na verdade os anãos correspondendo a fenômenos astronômicos.

Então tem Nii e Nidi, que seria lua nova e sem lua. Nordri e Sudri, que é o norte e o sul. Austri e Vestri, que é o leste e oeste, e aí vai. Aí aparece Dwalin, de novo com dois N's, seria o Dwalin, que é Dodler, tipo meio que enrolador, sabe? Aí tem Bivor, com B-I-V-O-R, que seria o Bifur, que é tremedor, Trembler, tremedor. Aí tem Bávor, aliás, Bávor, B-A com acento, V-O-R-R, que parece que é o Bófor, seria trumbler, tipo de tropeçador assim.

Aí o Bombur, Bombur com dois R's no final, o eterno bullying com o coitado do Bombur, que é tubby, tipo gordinho, né. Troncudinho, cheinho. Então, coitado do Bombur, é aquela coisa da— como é que é o termo mesmo? Eu acho que é determinismo onomástico, né? Que a pessoa tem um nome e o nome com uma etimologia X, e essa etimologia determina o que a pessoa é. No caso do Bombur, foi isso que o Tolkien acabou fazendo. Nori Shipper, tipo barqueiro.

Muito curioso isso. Deixa eu ver, deixa eu ver o que mais. Então vamos em frente. Lembrando então que Gandalf, Gandalf com R no final, porque o R no final dos nomes escandinavos antigos, os nomes nórdicos antigos em geral, ele é o marcador do chamado nominativo, que é essa forma do verbo, do verbo não, perdão, essa forma do substantivo, inclusive do substantivo próprio, do nome próprio, quando ele tem função de sujeito na frase.

Então você vai escrever Gandalf com função de sujeito, fica com R. Então Gandalf, ele tá no meio. O nome Gandalf, para quem não se lembra, acho que eu já falei aqui algumas vezes também, ele tá no meio dessa lista dos anãos, tá? Em tese, é como se o Gandalf fosse citado nesse documento antigo como um anão. Só que quando Tolkien pega o nome, ele olha e pensa: na etimologia possível, que é elfo do cajado, e fala: não, o que que um elfo tá fazendo no meio dos anãos?

Não, na verdade não é nenhum anão, nenhum elfo, é um mago. E vira nome de mago, tá? Temos também os nomes Thráin e Thorin. Deixa eu ver se ela coloca aqui a etimologia, tá? Então, para vocês verem, isso é bem interessante também para Úrsula Drônquen. Então O Gandalf era da outra etimologia, ela coloca Sprite Elf, tipo elfo doende, e não exatamente elfo do cajado como Tolkien imaginava. Aí tem um nome parecido, muito parecido com Gandalf, que não aparece nem entre os anãos nem entre magos e tal, que é Vindalf, né, tem o R, que é elfo do vento, tá.

Thrym, ali na linhagem do Thorin, seria yearner, tipo alguém que é ansiador, alguém que anseia muito por uma coisa, seria Thrym. Thorin seria, ela traduz como darrer, tipo o ousador, aquele que ousa, que de novo acho que bate bastante bem, embora o Thorin do Hobbit não seja tão heroico assim, nem de longe tão heroico quanto o bonitão anão Aragorn, o Richard Armitage, nos filmes, mas é o Ousador. Thrór, também na linhagem dos anãos da Casa de Durin.

Thrór seria thrive, o verbo thrive, que é tipo crescer, vicejar, florescer, uma coisa, uma ideia de crescimento. Deixa eu ver se temos mais. Aí tem vários nomes de anãos que aparecem também no povo de Durin, mas não como protagonistas, às vezes são meio citados. Então, Náar, Náar é meio assustador assim, seria cadáver, Náar, o nome anânimo. Deixa eu ver o que mais. Aí tem, a gente passa para Fili, Kili e Fundin. Então vamos ver como é que ela traduz, estamos chegando aqui.

Fili é trunk, então troncudo, Engraçado, fortinho. Kili é creaky, é tipo que fica assim rangendo, né? Creaky quando você tem um pedaço de madeira que não tá, num objeto que não passou bem óleo, ali ele fica rangendo. Isso seria o Kili. Fundin, né? Fundin seria o nome do pai do Balin. É found, encontrado. Eu já vi que tem gente que traduz como Foundling. Foundling é a criança que é abandonada e é achada e criada por outra pessoa.

Então a gente falaria enjeitado, se não me engano, em português. Isso seria a tradução de foundling. Vamos ver se temos algum outro nome da turminha. Acho que talvez esteja mais para frente alguns outros nomes. I came to Audi, que é parece muito com Oakenshield em inglês, né, que é escudo de carvalho. E reparem esse outro detalhe bem interessante: Eikenskjald ou Oakenshield, ele tá separado do Thorin. O Thorin apareceu vários versos antes e aparece aqui o escudo de carvalho.

Aí o Tolkien olha e pensa, são os nomes, esses nomes de anãos em geral, tem exceções como a gente já viu, mas eles costumam ser monossilábicos ou terem 2 sílabas no máximo, aí aparece um nome polissilábico com um monte de sílabas aqui, o que o Tolkien faz é basicamente: não, isso aqui não é um nome, isso aqui é um apelido, é um epíteto, né, esse apelido heroico glorioso. Então ele pega e atribui para o Thorin, fica Thorin Escudo-de-Carvalho, né.

Ah, estamos aqui também chegando, o Dwalin já tinha aparecido, Deixa eu ver o que mais que temos aqui. Ah, tem o Gloin, apareceu o Gloin. Vamos ver aqui, Gloin é glimmer, glimmer, né, que tá o brilhador, o cintilador, né. Acho que a ideia também da relação com o brilho de pedras preciosas, as coisas que são obviamente muito, muito importantes para os anãos. E deixa eu ver o que mais que temos por aqui. E eu acho que chegamos mais ou menos ao fim.

Tem outro detalhe também, faltaram alguns nomes aí, quem sabe. Eu confesso que eu jamais decorei e creio que jamais decorarei assim super cabeça a lista completa dos nomes dos anãos do Hobbit. Mas vocês devem ter visto, quem consegue realizar essa proeza, que faltaram nomes aí. Não estão todos. A gente citou vários dos nomes da lista com as etimologias, mas ainda não estão todos aí. Porque esse Dvergatala, essa lista dos anãos na mitologia escandinava, ela tem mais de uma versão.

Ela tem essa versão no Völuspá, que é meio que a canônica, Mas ela aparece em outros textos também, se eu não me engano também na chamada Edda em Prosa, que é basicamente uma versão em prosa, não em verso, não em poesia, de vários dos mitos que aparecem na Edda antiga, mas com outros detalhes, outra pegada, feito pelo erudito chamado Snorri Sturluson, que também era islandês, também trabalhando no século 13. Foi talvez o grande erudito dessa época que a gente conhece o nome das línguas escandinavas, da mitologia escandinava, também já há muito tempo numa família cristã, mas que se interessa por esses aspectos principalmente poéticos e históricos da mitologia.

Então tem uma versão dessa lista de anãos no texto dele e tem outros também. Então o Tolkien provavelmente trabalhou com diferentes versões e escolhendo nomes que para eles pareciam mais interessantes, dando uma adaptada fonética, na grafia também, na padronização da grafia. E o nome do Balin certamente foi a grande ausência por aqui. Há controvérsias, mas um nome que aparece desse jeito mesmo é do Sir Balin. Sir Balin é um cavaleiro lá da Távola redonda, tá, das várias versões da história do Rei Arthur e dos seus cavaleiros, que tem toda uma história trágica que eu não vou dar spoiler aqui, embora seja muito antiga, mas que vale a pena ir atrás para quem se interessa.

Parece que nesse caso, embora não tenha tanta relação assim entre o cavaleiro e o anão do Hobbit, o Tolkien, parece que pode ter pegado esse nome do Sir Balin, uma das hipóteses. Tá? Não é 100% fechado. Então é bem curioso a gente ver que de fato existem algumas relações entre as etimologias que a gente vê e as personalidades das figuras, né? Embora, de novo, no caso do Foren mesmo, Foren não fosse o nome original dele. Isso é uma coisa que a gente pode entrar em outro episódio mais para frente, mas começa acho que dar uma inspiraçãozinha, puxar algumas coisinhas pro Tolkien, embora ele mude bastante.

E óbvio, o que acaba casando bastante com o Dvergatal e com outras narrativas da mitologia escandinava também são alguns aspectos da personalidade dos anãos e do que os anãos fazem, né, uma relação com o mundo subterrâneo, certamente a relação com o trabalho de artífice, né, de ourives e de ferreiro. A gente vê isso em histórias que envolvem o deus trapaceiro Loki com os anãos, ele tentando passar a perna nos anãos e sofrendo vingança e tal.

Essa própria relação com a vingança são coisas que estão vindo já também. Lá da fase dos Contos Perdidos, né, do livro dos Contos Perdidos que o Tolkien escreve, então mais ou menos uma década antes de escrever O Hobbit. Pera aí, Zeldinha! Zelda quase me derrubou, cara. Zelda é muito treteira, mas hoje não tem cachorro para tretar por enquanto. Então o Tolkien já tá pensando nessas coisas que são inspirações sim também da mitologia escandinava, da mitologia nórdica.

E aí ele, como cereja do bolo, ou para fechar direitinho as coisas, ele pega então esse texto do Dvergatal e esses nomes e começa a brincar para ver o que que dá e o que que vai aparecer no grupo que se junta ao Bilbo, ou Bilbo se juntou ao grupo, enfim. É isso, leve, acho que tranquilo, divertidinho. Se tiverem mais dúvidas anânicas, por favor deixem por aqui que a gente aborda com mais calma episódios futuros. Obrigado pelo tempo, pela atenção, como sempre.

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