Episódios de Passos pela Terra-média

O "Vício Secreto" de Criar Línguas

24 de setembro de 202645min
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Você sabia que J.R.R. Tolkien tinha um "vício secreto" pesadíssimo? Neste episódio de Passos pela Terra-média, Reinaldo (membro fundador da Valinor) e sua companheira Zelda passeiam pela mente teórica do professor Tolkien.

Mergulhamos no famoso ensaio "A Secret Vice" ("Um Vício Secreto"), originalmente uma palestra de 1931 reunida na obra The Monsters and the Critics and Other Essays.

Descubra como o criador do Senhor dos Anéis enxergava a invenção de idiomas não como um simples passatempo, mas como uma arte estética profunda.

Destaques do episódio:

🤫 A piada do "vício secreto": Por que Tolkien brincava que criar idiomas era um hábito sombrio e embaraçoso

🪖 A anedota da Primeira Guerra Mundial: O encontro inusitado sob uma marquise suja com outro "viciado" que queria expressar o caso acusativo usando um prefixo

🐾 As línguas da infância: Da excêntrica língua Animalic (feita apenas com nomes de animais e números)

🧝 A evolução do Quenya e Sindarin: A busca pela harmonia entre som e sentido que deu origem aos idiomas élficos

🏛️ Língua & Mitologia: A celebre tese de Tolkien de que uma língua inventada só ganha sabor e vida quando entretecida com sua própria mitologia e do Nevbosh ("a nova bobagem") até o elegante Nafarin

Participantes neste episódio1
R

Reinaldo

HostMembro fundador da Valinor e especialista em Tolkien
Assuntos6
  • O vício secreto de Tolkien na criação de línguas inventadasTolkien e o ensaio A Secret Vice·A piada do vício secreto·A formalidade e bom humor de Tolkien
  • A relação entre som, ideia e a criação de uma mitologia própriaA contemplação da relação entre som e ideia·A apreciação da forma das palavras em línguas mortas·A necessidade de uma mitologia concomitante
  • A anedota da Primeira Guerra Mundial e o criador de línguasEncontro inusitado em marquise suja·A ideia de expressar o acusativo com prefixo·A admiração de Tolkien pela criatividade
  • As línguas da infância de Tolkien e o desenvolvimento da criatividade linguísticaA língua Animálico com nomes de animais·O uso de números para nomes de animais·O Nevbosh e a nova bobagem
  • A identificação pessoal de Tolkien com suas línguas élficasA apresentação de exemplos em Quenya e Sindarin·A longa história de desenvolvimento das línguas·A conexão visceral com a invenção linguística
  • A evolução das línguas inventadas e a busca pela beleza estéticaPadrões de som e alteração no Neuvost·Influências do latim e outras línguas·A palavra lint e sua permanência
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RReinaldo

Você sabia que J.R.R. Tolkien era viciado? E eu não estou falando do vício em tabaco, nas cachimbadas do professor, nem tampouco do consumo de cerveja e vinho, que aparentemente ele era grande apreciador, ainda que com moderação. Estou falando de drogas ainda mais pesadas, pesadíssimas. O vício da criação de línguas inventadas. Senhoras e senhores, sejam bem-vindos! Eu sou Reinaldo, especialista em Tolkien, membro fundador da Valinor, e este é mais um episódio de Passos pela Terra-média, o podcast no qual eu passeio com a doguinha mais trenteira de Arda e quiçá de Ea, a Zelda, né, Zeldinha?

Enquanto eu converso com vocês sobre a obra do professor. E o tema hoje é um tema mais cabeçudo também. Já falei algumas vezes das línguas inventadas por aqui. Esse vai ser um pouco mais teórico. Eu resolvi, talvez seja uma grande ideia de rico, como é comum que eu tenha ideias de rico, mas eu vou fazer pequenas séries, eu acho, nessa temporada aqui. Minisséries, digamos, de 2, 3 episódios. E esta aqui que eu tô começando agora vai ser sobre os textos teóricos do professor.

Que são basicamente os que estão coletados num volume muito bacana que ainda não existe em português, pelo menos tem esse atrativo aí em relação a outras coisas, que é o The Monsters and the Critics and Other Essays, Os Monstros e os Críticos e Outros Ensaios. Tem várias coisas legais para explorar, eu acho que eu não vou explorar todos porque talvez seja muita coisa, talvez eu volte para eles mais para frente no futuro. Mas esse que eu tô falando em especial é um ensaio chamado justamente, em inglês, A Secret Vice, um vício secreto.

O Tolkien brinca o tempo todo, justamente a piada aqui, eu tô só copiando a piada dele, ele brinca o tempo todo com a ideia de ser um vício secreto, uma coisa meio vergonhosa, uma coisa meio sombria, obscura, que as pessoas não têm coragem de revelar e ele tá abrindo o coração. Esse texto tem um título alternativo também que ele usa no manuscrito, que é A Hobby for the Home, um hobby para o lar. Então pode ser um vício, pode ser um hobby, pode ser as duas coisas, enfim.

Esse texto editado, como tantos outros textos póstumos do Tolkien, pelo Christopher Tolkien, ele foi originalmente uma palestra Também é outra característica muito comum desses textos do The Monsters and the Critics, é eles serem originalmente palestras em muitos casos. O Christopher não sabe exatamente as circunstâncias, só tá claro que foi para uma sociedade talvez acadêmica de filólogos, como era o Tolkien. Tolkien, para quem não se lembra, para quem não sabe, ele era especialista na história da evolução dos idiomas e das literaturas, que é basicamente o que a filologia era no tempo dele.

Linguística histórica com mais coisinhas no meio, digamos. Então não tá claro para quem ele menciona um congresso de esperantistas, de pessoas que estudam e usam a língua artificial esperanto, né, que ainda tem entusiastas hoje em dia. Com base nisso, o Christopher estima que tenha sido por volta de 1931 essa palestra em Oxford mesmo. Se não me engano. Eu vou tentar dar para vocês uma ideia da estrutura geral dessa palestra, do que que, dos temas que o Tolkien fala, da maneira como o raciocínio dele vai funcionando, de como é que isso se relaciona com a vida pessoal dele também e as piadas que ele usa.

A tentação aqui é eu pegar, como não tá traduzido ainda, eu pegar e traduzir de improviso aqui o texto inteiro e lendo, ia ficar um negócio gigantesco. Fora a questão dos direitos autorais, mas eu vou tentar dar uma ideia então da temática mais geral que o Tolkien aborda, de como é que a cabeça dele funciona nesse tema, enfim. E eu acho super bacana. Talvez seja específico demais para muita gente, mas eu acho que vale a pena mais pessoas conhecerem esse textinho aqui no Brasil.

Então vamos lá. Bom, tem essa menção ao esperanto então, como eu falei. Ele diz que tem simpatia pelo esperanto, o Tolkien inclusive, e tudo mais, mas ele fala que, olha, não é a ideia de discutir aqui, não tem a ver com uma língua artificial para uso assim de comunicação direta entre as pessoas, não, é uma coisa mais específica e mais bizarra. E aí ele fala o seguinte: de qualquer caso, de qualquer jeito, o meu assunto real nesta noite é um tema, ele usa a palavra em inglês, stealthy, discreto ou oculto, né, enfim, tem essa coisa de ser misterioso.

De fato, o meu tema não é nada mais embaraçoso do que a revelação, ele coloca revelação em itálico no texto, a revelação em público de um vício secreto, daí o título do texto. Se eu tivesse começado com completa cara de pau diretamente com o meu tema, eu poderia ter chamado o meu paper, a minha apresentação, né, de uma defesa de uma nova arte ou de um novo jogo, né, se confidências ocasionais e dolorosas não tivessem me dado razões graves para suspeitar que o vício, embora secreto, é comum, e a arte ou o jogo, se forem mesmo novos, pelo menos já foram descobertos por muitas outras pessoas de maneira independente.

Aí ele continua. É tudo, é a estrutura do texto assim, o jeito que ele vai construindo tem essa formalidade, essa erudição e ao mesmo tempo o bom humor. É muito gostoso assim de ir pegando a linguagem conforme ele vai falando. E aí então ele continua reforçando essa ideia de que não é tão incomum, mas ao mesmo tempo é secreto. Os praticantes dessa arte, no entanto, são tão tímidos, tão envergonhados, que eles quase nunca mostram as suas obras um para o outro, de modo que ninguém deles sabe quem são os gênios desse jogo.

Ou quem são os primitivos, entre aspas, esplêndidos, cujas obras negligenciadas, encontradas em antigas gavetas, talvez possam ser compradas por grande preço por museus americanos, né? O Tolkien sempre dava uma ironizada nos Estados Unidos, no poder econômico dos Estados Unidos na época dele. Comprados por museus americanos em dias posteriores, quando a arte deles se tornar mais reconhecida. Deixa eu ver, deixa eu ver, deixa eu ver.

E aí ele passa para uma coisa muito, muito legal, muito, muito divertida. A gente não sabe se essa anedota é verdadeira, se ele deu uma forçada modificando um pouco os detalhes, ou se ele tá falando dele mesmo, tal. Ele falando de um primeiro contato dele, não foi o primeiro porque ele já tinha isso desde a infância, mas um contato dele com outra pessoa que também seria um criador de línguas artificiais ou línguas ficcionais, na época que ele tava treinando como soldado para a Primeira Guerra Mundial.

Ele diz o seguinte: nunca hei de esquecer um homenzinho, um homem menor do que eu, cujo nome eu esqueci. Ele não esqueceu do homenzinho, mas esqueceu do nome. Que se revelou por acidente como um devoto dessa prática, num momento de extremo enfado, de extrema chateação, numa marquise— meu Deus do céu— é uma marquise suja e molhada, cheia de mesas desmontáveis, que fedia a gordura de carneiro, lotada de criaturas quase todas deprimidas e molhadas.

Estávamos escutando alguém fazer uma palestra sobre leitura de mapas ou higiene de acampamento ou sobre a arte de usar uma baioneta para trespassar um sujeito. Na verdade, estávamos tentando evitar escutar a palestra. O homem do meu lado de repente disse: com uma voz sonhadora. Sim, acho que vou expressar o acusativo, o caso acusativo, usando um prefixo. Isso talvez não fique tão claro para a gente, a gente que não estuda, muita gente que não estuda mais línguas que incluem coisas como acusativo, a não ser que você estude alemão, que é uma língua moderna que tem isso.

Mas o acusativo, o caso acusativo, é uma das famosas declinações. Zelda aqui na tretação e numa casa especialmente pouco amistosa para ela. Só uma tretação, né, Zadinha? Sai daí, menina cachorrada. Então, acusativo, o caso acusativo é uma dessas declinações, dessas mudanças no final, principalmente de substantivos, que acontecem em línguas como latim, o grego, também o finlandês, que o Tolkien gostava muito, no inglês antigo também, no escandinavo antigo, no nórdico antigo, enfim, que expressam por essas mudanças na forma final, na parte final das palavras, a função na sintaxe, a função na frase, tá?

Então, para dar um exemplo que eu conheço bem, que é do grego, o acusativo masculino singular no grego, sei que está muito específico, ele para expressar o acusativo, que o acusativo é basicamente, embora seja mais complexo difícil isso, mas é basicamente a função de objeto da frase, objeto direto da frase, ele usa o S, cai e vira um N. Então philos, que é amigo, você coloca no acusativo, vira philon. Então philos seria a forma com S no final, seria a forma do sujeito, philon é a forma do objeto direto, né, com N no final em vez de— ou equivalente do alfabeto grego de SN, enfim, vocês entenderam, espero que tenham entendido.

Então isso é o caso acusativo. E nessas várias línguas uma coisa que tem em comum justamente é ser, a rigor não é bem o sufixo, mas tá lá no final da palavra, muda o final da palavra. E esse carinha aqui muito louco que de repente se revelou para o Tolkien como também um viciado como ele, ele não, ele quer fazer um prefixo. Ele quer colocar a marca do acusativo de alguma maneira no começo da palavra, o que parece muito louco. E aí o Tolkien fica espantado assim.

Uma, nossa, ele fala, uma frase memorável. Considere apenas o esplendor das palavras. De alguma maneira no começo da palavra, o que parece muito louco. E aí o Tolkien fica espantado assim. Uma, nossa, ele fala, uma frase memorável. Considere apenas o esplendor das palavras. Eu, né, o eu, ele tá citando o cara e colocando eu em itálico. Eu vou expressar usar o caso acusativo. Magnífico! Não é a frase, não é ele é expresso por, nem mesmo a frase mais meandrante às vezes ele é expresso por, nem o duro você deve aprender como ele é expressado.

O Tolkien fica maravilhado com isso assim. Aqui Não temos nenhuma consideração baixa, vil, daquilo que é prático, daquilo que é mais fácil para a mente moderna ou para milhões de pessoas. É apenas uma questão de gosto, uma satisfação de um prazer pessoal, um senso privado ou também pessoal, né, de justeza, de ajuste. O Tolkien aqui usa fitness. Das coisas estarem injustas de caber aquilo. Aí o Tolkien fala que nunca mais encontrei aquele cara, né, nunca mais, nunca descobri outros detalhes de sua gramática secreta e os arranjos militares nos separaram para sempre e nunca mais nos encontramos, até agora pelo menos.

Mas percebi que essa criatura esquisita que sempre depois disso ficou um pouco tímida, um pouco bashful, é a palavra, um pouco, enfim, receoso depois de revelar sem querer o seu segredo, se animava e se confortava no tédio e na sujeira do treinamento, compondo, criando uma língua, um sistema e uma sinfonia pessoais que ninguém mais havia de estudar ou de escutar. Então ele dá esse exemplo, né? É muito louco. Não era doido para saber quem era essa pessoa, nem o Tolkien lembrava se essa pessoa existiu de verdade.

E aí o Tolkien passa a falar então que esse cara não é único, porque na infância do Tolkien, na infância de muita gente, basta lembrar do caso que parece bobo para nós, mas no fundo é um impulso mais ou menos parecido, que é a língua do pé, por exemplo, em português. Que tem várias formas, eu já vi vários tipos de língua do pé. Você pega a língua do pé dos anos 20, 30 que a gente vê nas histórias do Picapau Amarelo, ela funciona de um jeito, na minha infância funcionava de outro, se é que ela ainda é usada hoje.

Mas tem esse instinto de você, de criatividade linguística que vai além de você simplesmente criar histórias ou mesmo procurar palavras novas, mas você tentar criar algo diferente, alguma coisa que em última instância não é a língua que você aprendeu na sua infância, desde bebezinho, desde na barriga da sua mãe ouvindo, não é uma língua estrangeira usada dessa mesma maneira por outras pessoas, mas é uma terceira coisa nova. E aí o Tolkien fala desses estágios, né, que são— ele enxerga isso como estágio de desenvolvimento.

Que tem coisas muito simplesinhas, muito bobinhas, que são mais modificações de algo existente, assim, de jeito muito tosco, que é a língua do P, e estágios que vão crescendo em complexidade e expressão artística. Então ele fala o seguinte: eu já tive outros vislumbres, alguns vislumbres desses estágios inferiores. Conheci duas pessoas uma vez, e o fato de serem duas é um fenômeno raro, que construíram uma língua chamada Animálico, né, quase inteiramente composta com nomes em inglês de animais, aves e peixes.

E eles conversavam fluentemente, para o desespero de quem os assistia. E aí ele dá mais detalhes então sobre como funcionava o Animálico, né. Eu nunca fui completamente instruído nesse idioma. Nem cheguei a ser um falante de animálico propriamente dito, mas me lembro aqui na minha maçaroca da memória que a frase, aí eu vou falar em inglês depois em português, dog nightingale woodpecker forty, tipo, é cachorro roxinol pica-pau quarenta, significava você é um asno, tipo, você é um asno.

O mais louco é assim, asno é uma palavra, asno, você é um burro, né? É uma palavra que é o nome de animal, né? Então, se vocês repararem, é cachorro, roxinol, pica-pau, 40. O nome, para falar o nome de animal numa língua que é feita só de nomes de animais, eles usavam os números para falar do nome de animal. Então, asno é 40. Bizarro, é bizarro mesmo. Era uma língua crua, de certas maneiras, até o extremo. Aqui, de novo, temos um fenômeno raro, que é uma completa ausência de invenção fonemática, quer dizer, de som, né?

O que, pelo menos em embrião, normalmente é um elemento em todas essas construções. Aí ele explica a questão de asno, burro ser 40 no sistema nominal, né? E aí a coisa vai progredindo. Ele Então, por enquanto, tem duas pessoas no caso do animálico. Passa mais um tempo e aí ele fala também das línguas de inserção, que é justamente o caso da língua do P, né? Ele vai, tudo isso ainda na infância, ele vai chegando então a uma outra forma um pouco mais complexa, que é o que ele chama de nevbosh, ou que seria, nevbosh seria a nova bobagem, que é também uma língua ali da infância deles, dos parentes dele, um ou outro, que também tinham esse interesse também e também usavam.

O nevbosh, segundo ele, ainda usava, como no caso dos outras línguas de brincadeira, ainda tinha essa pretensão de ser um meio de comunicação limitada, de ser algo que parece uma gíria, algo que é usado apenas pelos membros de um pequeno grupo, até por uma questão de segredo da brincadeira. E ele fala que eu fui um membro do do mundo de falantes do Nevebosch, né? Mais complexo do que o animálico. E aí ele dá alguns detalhes. Eu vou só ler assim, eu não sei qual que era a pronúncia exata que eles usavam e tal, mas só para dar um saborzinho da língua, assim, dá para dar uma ideia de como é que era esse tal desse Nevebosch.

E era rimado, vocês vão reparar que tem uma rima. Dar fiz mavel gum copalt hoc, pisgo iskili far maino woc, procigô fiz doroc de, docat im maino boc te, devolt fac soc mataim fungiroc. Então voltou a rimar com hoc lá em cima. Então esse, pessoal, era o neveboche, essa língua que O Tolkien ainda compartilhava com outras pessoas nessa época. Ele dá alguns detalhes aqui bem interessantes de como é que funcionava e de que começa a aparecer algumas coisas que para ele vão ser bem importantes, que são os padrões de som e de alteração de som que mais tarde vão até aparecer e que estão presentes em línguas do mundo real.

Que mais tarde vão até aparecer no Sindarin, no Quenya, enfim, no pouquinho que a gente tem do Anânico, do, ai meu Deus, do Adunaico, da língua de Númenor, e por aí vai. E ele fala dessas coisas, por exemplo, que justamente desse lado fonemático, desse lado dos fonemas, dos sons, havia um interesse um pouco maior nesse Neuvost. O que dirigia, ele fala, né, o que dirigia a escolha de grupos de sons não tradicionais para representar os que são tradicionais, com suas associações de sentido e como mudanças, digamos, e como equivalentes com equivalentes perfeitos.

Ele fala que tem um certo interesse porque pouco ou nenhum conhecimento fonético era possuído pelos criadores do Neboj, dessa língua, e contudo parece que há uma apreciação inconsciente de certos, de certas relações fonéticas elementares. A alteração fica limitada principalmente a mudanças dentro de uma série definida de consoantes, digamos, por exemplo, as consoantes dentais: D, T, o TH do inglês, etc. Então, para mostrar um pouquinho melhor para vocês como é que é isso, tem alguns exemplos das palavras do NerdBot aqui que são, que eu acho que são bem interessantes mesmo.

Mas antes, o que que o Tolkien tá querendo dizer com isso? O que que ele quer dizer com essa história de séries consonantais, séries de consoantes definidas? São as consoantes, e aqui eu vou ser um pouco impreciso porque realmente eu preciso voltar a estudar fonética com mais calma, mas mais ou menos é isso, são as consoantes que têm o mesmo ponto de articulação na boca. Elas são pronunciadas basicamente de jeitos semelhantes, usando partes semelhantes do nosso aparelho fonador, da nossa boca, dos dentes e tudo mais, e com pequenas variações, né, que é o caso do D, do T, do TH, que são— Tolkien chama aqui de dentais, acho que é mais comum chamarem de alveolares hoje, que é o alvéolo, né, dos dentes, a região entre o dente e a gengiva, mais ou menos, mas enfim, que são pronunciados muito próximos, o que muda às vezes é a vibração ou não das cordas vocais, das pregas vocais, Então, T, T, T, D.

Se vocês colocarem a mão na garganta na hora que vocês pronunciam, vocês vão ver que D, D, D, D quase não vibra. Aliás, desculpa, T, T, T quase não vibra e D dá uma vibrada maior, você sente um tremelique ali, mas é basicamente no mesmo lugar que você tá pronunciando. Então ele fala, ele fala No Neuvosche, na nova bobagem, uma tradução possível também, ele fala dar, D-A-R, seria equivalente de there em inglês. O que muda aqui no caso é a posição, é a presença desse soprinho, da aspiração, ver, né, que você sopra ali para falar.

Do, D-O, é o to, é o para. There, para quem lembra, também é o lá. Cat, C-A-T, é o get, é o obter, conseguir. Então C e G também, essa mesma relação entre T e D é relação entre C e G. Volt é o would, é o verbo auxiliar do faria, iria e tudo mais. E por aí vai. Então essa relação que realmente tem a ver com essas relações fonéticas, mostra essa percepção um pouco intuitiva de como é que as coisas variam em termos de um contínuo de sons dentro de uma língua.

Isso é bem interessante. E aí vai passando, e aí ele já começa a enxergar algumas coisas que tem também, aquelas que as crianças estão pegando de outros idiomas que eles estão aprendendo. As crianças que faziam essa língua. Então, nos casos anteriores a gente falou de coisas que são só modificações fonéticas do inglês, aí tem coisas que eles pegaram do latim que eles já estão aprendendo. Então tem a palavra rock, que é pedir, que vem do latim rogo, né?

Tem o rogar ainda em português, né? Ou a palavra go, que é eu, que vem de ego. Que é o eu em latim, e por aí vai. Então tem várias coisas desse tipo já aparecendo de influências mais de fora. E aí vai passando o tempo, o Tolkien finalmente deixa de lado essas coisas mais de brincadeira, mais para comunicação, mais feitas com outras crianças, e ele passa a fazer coisas então que aí sim começam a ter um elemento mais artístico, mais de expressão.

E um prenúncio disso é uma coisa que vai aparecer em várias línguas élficas mais tarde também, que ele já tinha inventado do nada. É uma das poucas coisas que ele considera como invenção mais do zero no Nethbosch, que é a palavra lint. Lint, que é ao mesmo tempo rápido e esperto e tal, Que isso vai ficar no Sindarin, acho que, não sei agora se no Quenya também se mantém, mas é uma palavra que vai ficar nas línguas élficas, que tá lá desde esse comecinho então pro Tolkien, que é bem, bem interessante.

E aqui então no ensaio ele passa a falar desse aspecto mais artístico mesmo, mais do lado de pensar nessa criação de línguas como algo estético. E ele fala o seguinte, ele volta com analogia mesmo do vício diretaço: essa ideia de usar a faculdade linguística para a diversão é, no entanto, profundamente interessante para mim. Pode ser que eu seja semelhante a um fumante de ópio buscando uma defesa moral ou médica ou artística para o seu vício, mas não acho que seja isso.

O instinto da invenção linguística, o encaixe de uma ideia com um símbolo oral e o prazer em contemplar essa nova relação estabelecida é algo racional e não pervertido. Nessas línguas inventadas, o prazer é mais forte, mais profundo do que pode ser mesmo quando estamos aprendendo uma nova língua. Por mais que esse prazer também seja profundo para algumas pessoas, porque é algo mais pessoal e fresco, mais aberto para o experimento e para a tentativa e erro, e algo capaz de se desenvolver numa forma de arte, com refinamento da construção do símbolo e com maior cuidado na escolha da variação nocional, de sentido.

Certamente é a contemplação da relação entre som e ideia que se torna a principal fonte do prazer. Vemos isso de forma misturada, digamos, aloide, né? Ele usa essa metáfora da, da, como é que, como é que é, aloide mesmo, né? Da liga de metais. Vemos isso de forma misturada no deleite peculiar que os especialistas sentem na poesia ou na prosa muito bem feita numa língua estrangeira, quase antes que sejam capazes de dominar essa língua e muito depois que tenham se tornado razoavelmente familiares com ela.

Então ele compara com a sensação de você tá aprendendo uma língua estrangeira que tem coisas muito bonitas e você sente isso pela primeira vez mesmo sem dominar tanto essa língua. Certamente, no caso de línguas mortas, né, aí ele passa para línguas mortas como umas coisas semelhantes também, nenhum especialista jamais conseguirá alcançar a posição completa de um falante nativo no que diz respeito ao lado puramente de significado da língua que ele estuda, nem possuir e sentir todas as correntes subterrâneas da conotação de que vão de período para período, que as palavras possuem.

Então, só para desmarenhar, porque é uma prosa um pouquinho complicada, falando que tipo ninguém que estudou uma língua que hoje tá morta vai ter essa mesma capacidade de perceber todos os detalhes e todas as conotações e ideias, nuances, que um falante nativo de grego, de latim ou de tupi antigo teria 500 ou 2000 anos atrás. Não é possível isso. Mas aí tem uma compensação. A compensação para quem tá aprendendo essa língua morta hoje é a de um grande frescor da percepção da forma das palavras.

Assim, mesmo visto de forma obscura por meio do espelho distorcido da nossa ignorância dos detalhes da pronúncia do grego, a nossa apreciação do esplendor do grego homérico forma de suas palavras, possivelmente é mais profundo ou mais consciente do que era para um grego, por mais que não consigamos pegar outros elementos da poesia. O mesmo vale para o anglo-saxão, para o inglês antigo. Esse é um dos argumentos mais verdadeiros para o estudo devotado de línguas antigas.

Isso não significa que seja um tipo de auto-engano. Não devemos, não precisamos não acreditar que estamos sentindo algo que não estava lá. Estamos numa posição que nos permite ver melhor as coisas à distância, certas coisas à distância, enquanto outras vemos de forma mais obscura, mais imprecisa. É muito bonito isso, muito, muito legal essa coisa de você tem um óculos ali que você quer, o seu óculos atual de gente que nunca ouviu aquela língua falada na vida real por um falante nativo, mas isso te permite enxergar certas coisas que naquela época, naquele momento, não se enxergava, e outras ficam mais, mais turvadas.

E ele continua então: a própria forma da palavra, claro, mesmo quando não está associada com ideias, é capaz de proporcionar prazer, uma percepção da beleza que, ainda que seja de um tipo menor, não é mais tola ou irracional do que ser sensível à beleza dos contornos de uma colina, da luz e da sombra ou da cor. Línguas como o grego, o finlandês e o galês, para citar a esmo, né, do nada, línguas que têm uma forma de palavras característica, muito característica e de certas maneiras bela, facilmente apreensíveis pela pessoa sensível à primeira vista, são capazes de produzir esse prazer.

Já ouvi outras pessoas dizerem independentemente de mim que minha própria sensação, que os nomes galeses em vagões de carvão mexeram com elas e tocaram o sentido de beleza Desde que você tenha um conhecimento mínimo do galês e de sua ortografia, para que eles deixem de ser meros aglomerados de letras. E por aí vai, ele continua um pouco nessa linha. Mas é, então é uma coisa que para ele é muito, muito importante. O Tolkien gosta de brincar com gramática, ele gosta de brincar com regras e com lógica que a gente vê em outros idiomas, mas para ele o mais importante, acho que disparado, É essa coisa inicial, pura, que é a associação entre som e sentido.

Só você pensar que em todas as combinações possíveis de sons do mundo e que o aparato vocal humano é capaz de produzir para criar uma palavra, como é que você encontra a combinação que seja de alguma maneira a mais bela ou interessante possível e a mais justa, entre aspas, a que melhor se encaixa para o sentido que você quer expressar. Por mais que seja uma coisa arbitrária, quer dizer, não existe nada na palavra cachorro, na palavra céu ou na palavra boca que corresponda por natureza às coisas que a gente está chamando de céu, cachorro ou boca.

Mas e se você for brincar com isso artisticamente e tentar achar algo que para você é um encaixe bom. Uma palavra para boca que pareça com boca, uma palavra para cachorro que pareça com cachorro, uma palavra para céu que pareça com céu. É isso que o Tolkien tá falando e é muito, muito interessante. Ele fala do refinamento da forma vocabular, da forma das palavras, né, que é o que vem depois e que é o momento então em que a maioria dos viciados, que ele chama, né, não conseguem ir além disso, eles param nesse ponto.

E aí chega uma outra língua, ele continua, ele até se desculpa aqui com quem tá ouvindo a palestra, falando, eu sei que isso aqui tá muito autobiográfico, vou falar muito mais de mim aqui, isso é meio chato, mas não tem jeito, né. E ele chega então à criação de uma coisa que é puramente dele, que ele já não compartilhava com outras crianças. Ele devia estar aqui, sei lá, na adolescência dele, que é uma coisa chamada náfarim. E o náfarim, ele brinca então que é uma fase bem latina assim da criação linguística dele e bem influenciada pelo espanhol.

Temos um exemplo aqui que eu estou procurando. Que é muita coisa, muita coisa aqui. Ah, eu achei! E se vocês ouvirem sem saber o som da palavra, vocês vão ver que tem a ver essa semelhança aqui. Ônafarinos cultavonavrokangor, lutuskavunatieranar, danamagatiersevru enkavunfarta. Aliás, tier Tir é uma, se fosse pensar em élfico, parece o plural de tie, que é caminho. Onça e ameruta vuna max tamamen, né? Então aí já descolou e a gente vê que a questão, nossa, a Zelda, gente, ela conseguiu nada menos que encontrar um sagui falecido, juro para vocês.

Coitadinho do sagui, tava ali caindo. Ainda bem que a Zelda não— acho que dessa vez ela é meio carniceira, mas dessa vez ela não encarou não. Ok, nossa, não sei quando esse pobre sagui faleceu, mas enfim, nossa, interlúdio gótico trevoso na história, mas vamos que vamos. E como eu tava falando, o interessante é como descolou aqui realmente da brincadeira. Não são mais modificações de palavras diferentes. É basicamente estilo linguístico e correlação linguística que o Tolkien tá buscando para fazer algo que é pura e simplesmente bonito, que é agradável para o ouvido dele.

Ele fala, por exemplo, tem coisas ali que tem uma ausência de certos sons, principalmente consoantes, que são muito presentes em inglês. E que vão dando um outro sabor, uma coisa que tá muito realmente distante da língua falada dele. E aí ele passa então para considerações mais teóricas mesmo, né, e ele vai então chegar no grande momento que para nós, pelo menos que conhecemos o que vem depois na obra do Tolkien, no grande momento que é o momento em que ele vai apresentar para esse público versões das línguas élficas, ele vai apresentar poemas, ele tá pensando muito na questão poética mesmo, engraçado, então ele não toca no Silmarillion diretamente, mas ele tá pensando nessas línguas como veículos artísticos, então não é comunicação, é tipo usar essas línguas para escrever Basicamente, poesia, que numa língua natural, numa língua normal, seja o inglês, seja outras, é tradicionalmente, continua sendo, eu acho, por excelência, o meio no qual você expressa arte linguística da maneira mais elevada.

É nisso que ele tá pensando, realmente. E aí ele entra numa coisa que tem relação diretamente também com a Terra-média, que é a questão da mitologia. Vou citar aqui que essa frase, esse trecho é bem importante. Uma sugestão que eu faria, que eu lançaria, por aí ele fala fling out, fling out é tipo realmente lançar, vou jogar a ideia aí e se colar, colou. Que eu lançaria é que a visão que para a construção perfeita de uma língua artística descobre-se que é necessário construir pelo menos em resumo, em outline, em esquema, uma mitologia concomitante, uma mitologia que vai junto.

Não simplesmente porque alguns trechos de verso, de poesia, inevitavelmente farão parte da estrutura mais ou menos completa, mas porque a criação de uma língua e da mitologia são funções relacionadas. Para dar à sua língua um sabor individual, Ele deve ser entretecido nos fios de uma mitologia individual. Então, para dar o sabor para a língua, você precisa de uma mitologia individual, enquanto funcionando dentro do esquema da mitopeia natural humana.

Mitopeia é criação de mitos, tá? Então, simplesmente, peia, poieia, em grego é do verbo poieio, que é fazer, criar. Conforme a sua, tal como a sua forma de palavras, o estilo mesmo das palavras pode ser individual enquanto trabalha dentro dos limites um pouco restritos, ou até mesmo da fonética humana, ou até mesmo da fonética europeia. E o inverso de fato também é verdade. A sua construção de línguas vai gerar, vai dar origem, ele usa o verbo breed, que é origem quase biológica, uma mitologia.

A sua construção de línguas vai gerar uma mitologia. E para se voltar, e continuando, para se voltar a outro aspecto da construção de linguagens, eu pessoalmente, diz ele, estou mais interessado talvez na própria forma da palavra, que a gente já falou um pouco antes, e na relação dela com o sentido, a assim chamada justeza ou ajuste fonético, do que em qualquer outro departamento. De grande interesse para mim é a tentativa de separar, de tentar entender, se possível, entre os elementos dessa predileção o que é pessoal do que é tradicional.

Os dois, sem dúvida, estão muito interligados. O pessoal, provavelmente, possivelmente ligado ao que é tradicional em vidas normais pela hereditariedade, assim como pelo que é imediato e pela pressão diária sobre a pessoa desde a infância mais precoce. E o pessoal também pode ser divisível em o que é peculiar para um indivíduo, até mesmo o grande peso da influência da sua língua nativa e de outras línguas que ele aprendeu em algum grau, e também o que é comum aos seres humanos ou a grupos maiores e menores deles.

Então, retomando, é isso, ele enxerga esse aspecto da mitologia como algo muito importante e ele enxerga também, finalmente, esse aspecto de novo, que a gente já tinha mencionado antes, do que que é a criatividade pessoal, do que que é a criatividade que tá ligada à história social mais ampla da pessoa, do grupo ao qual ela pertence, e como é que isso leva às ideias que ela tem sobre o que que é um som correto para um conceito, que é uma coisa muito louca, mas é a maneira como Tolkien pensa assim.

Será que isso é possível? Será que tem alguma coisa que é menos arbitrária para a gente pensar nas relações entre os sons das palavras e o significado das palavras. E aí é muito bonitinho o final, isso aqui meio que conclui realmente, vamos acabar porque afinal tá super longo esse episódio aqui, quando ele vai apresentar para as pessoas dessa palestra os exemplos em verso em Quênia e em Sindarin. Se a gente for olhar, é um Quênia e um Sindarin que ainda tá muito, do nosso ponto de vista, de quem já leu O Senhor dos Anéis muitos anos depois, que ainda tá muito cru assim, você vai ver que essas línguas vão mudar muito, seja na grafia, seja na estrutura, mas já tem muitas coisas em padrão.

Ele fica assim, ele finge que tá, ele realmente está muito tímido, e ele fala o seguinte: suponho que agora tenha chegado o momento em que não posso mais adiar a revelação envergonhada de exemplos, de espécimes dos meus próprios esforços Legal essa moto. A revelação de espécimes, de exemplos dos meus próprios esforços mais considerados, os melhores exemplos que eu consegui produzir dado a minha, o meu lazer limitado, ou por roubos ocasionais de tempo, de certa maneira roubos ocasionais, tipo ele roubando o tempo do que importa para fazer essas coisas que parecem bobagem.

As lindas fonologias jogadas que ficam ali criando mofo em gavetas, árduas ainda que agradáveis ao serem construídas, que são a fonte de tudo, todo pouco que eu conheço em matéria de construção fonética, baseada na minha própria predileção individual, não vão interessar a vocês. Então, tipo, a parte científica que realmente é uma parte científica baseada na ciência da evolução das línguas, ele não vai mostrar. Ele vai mostrar a parte artística.

Vou oferecer a vocês alguns trechos diversos em uma das linguagens que foi expressamente desenhada para colocar em jogo o meu próprio gosto fonético mais normal. A gente tem Ânimos ou moods, como é que é isso mesmo? A gente tem certas variações de humor nisso, como em outros casos de gosto, em parte por causas interiores, em parte por influências externas. E é uma forma que tem uma longa história de desenvolvimento, que chegou a essa fruição final.

A poesia. Ela expressa e ao mesmo tempo fixou meu gosto pessoal. Tal como a construção de uma mitologia expressa de início o gosto de alguém e depois as condições da imaginação de alguém e se torna inescapável, o mesmo vale para essa língua. Eu consigo conceber e até mesmo rascunhar formas diferentes, radicalmente diferentes, mas sempre de forma imperceptível e inevitável eu agora retorno a essa forma, né, que é o que seria o Quênia mesmo, que é o autoélfico, que portanto deve ser ou se tornou peculiarmente minha.

Então uma identificação muito pessoal muito próximo assim, muito assim visceral dele com essa invenção linguística. Daí para frente são basicamente ele apresentando os trechos em verso e comentando. E é isso, é muito legal ver o bom humor do Tolkien, ver a excentricidade do Tolkien e ver como isso, como ele refletiu. Não é tipo, ah, não tirei do nada aqui uma palavrinha e virou isso. Não, todo um processo não só de criatividade como também de reflexão muito profunda para chegar nessas que, sim, sem nenhum cabotinismo, mas acho que não dá para negar que são as línguas inventadas mais bonitas de todos os tempos, eu acho.

E é isso, episódio gigante para quem queria episódio grande, aí está. E voltaremos então com mais temas ensaísticos, teóricos do Tolkien, se ninguém se nocauteou de sono por aí. Grande abraço, como sempre valeu pela atenção, e namariê! Adeus, pessoal!

O "Vício Secreto" de Criar Línguas | Castnews Index — Castnews Index