Episódios de Passos pela Terra-média

A Fantasia Que Tolkien Amava

27 de setembro de 202622min
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Neste episódio de Passos pela Terra-média, Reinaldo — membro fundador da Valinor e especialista na obra de J.R.R. Tolkien — (com a participação especial da sua doguinha Zelda) investiga as grandes inspirações literárias e culturais do Professor.

O foco da conversa é o livro A Casa dos Wolfings (The House of the Wolfings), do autor vitoriano William Morris. Reinaldo analisa como essa obra se insere no amplo movimento cultural do século XIX focado na redescoberta e reconstrução das raízes, identidades e mitologias dos povos germânicos e anglo-saxões.

Neste episódio, você vai conferir:

    • O contexto histórico do século XIX: A busca europeia por identidades culturais, o resgate de manuscritos medievais e a importância da filologia e da linguística.
    • A reconstrução imaginativa de William Morris: Como o autor imaginou a vida, os costumes e as batalhas dos povos góticos contra o Império Romano.
    • Conexões diretas com a Terra-média: O uso do conceito e nome de Mirkwood (Treva Mata), os sufixos de povos como Eorlingas, Beornings e Bardings, e as origens do idioma gótico na história dos ancestrais de Rohan.
    • Paralelos de estilo: O tom arcaizante característico dos primeiros escritos de Tolkien em O Livro dos Contos Perdidos e a marcante mistura de prosa com poesias e canções improvisadas pelos personagens.

Acompanhe essa aula sobre como o "Pelé da filologia" encontrou em William Morris uma referência fundamental para a criação do seu próprio legendário!

Participantes neste episódio1
R

Reinaldo

HostMembro fundador da Valinor e especialista em Tolkien
Assuntos6
  • A Casa dos Wolfings como inspiração para Tolkien e o movimento cultural do século XIXobra de William Morris·reconstrução do passado germânico·ancestrais anglo-saxões
  • Conexões diretas entre A Casa dos Wolfings e a Terra-média de Tolkienuso do nome Mirkwood (Treva-Mata)·sufixos de povos como Eorlingas·origens do idioma gótico·nomes em gótico nos apêndices de Tolkien
  • O século XIX e a busca europeia por identidades culturais e raízesnacionalismo e independência política·unificação da Alemanha·unificação da Itália·redescoberta da cultura finlandesa
  • A redescoberta de textos medievais e a importância da filologia e linguísticatextos antigos em dialetos ancestrais·diferença entre inglês antigo e moderno·Beowulf como exemplo·Tolkien como filólogo
  • A reconstrução imaginativa de William Morris sobre a vida dos povos germânicosgodos enfrentando romanos·costumes e organização social·relação com a terra
  • Paralelos de estilo entre William Morris e os primeiros escritos de Tolkientom arcaizante em O Livro dos Contos Perdidos·mistura de prosa com poesias e canções·personagens improvisando canções
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RReinaldo

Elen Sila Lumen omentielvo, uma estrela brilha sobre a hora do nosso encontro, senhoras e senhores. Eu sou o Reinaldo, sou membro fundador da Valinor e especialista em Tolkien. Este é mais um episódio do Passos pela Terra-média, o podcast no qual eu converso sobre a obra do professor com vocês, com a ajuda ou atrapalho, depende do ponto de vista, da minha doguinha treteira e picareta, a Zelda, que está aqui ao meu lado. Em busca de treta.

O tema hoje não é exatamente sobre Tolkien, mas é sobre as inspirações do Tolkien, sobre como a obra do professor faz parte de um movimento cultural, ou de vários movimentos culturais muito mais amplos, que se estendem desde o fim do século 19, ou talvez até de meados do século 19, ou talvez até antes, e chegam então à época dele no século 20, até mais da metade do século 20. E é por isso que o tema é A Casa dos Wolfings, um livro do William Morris, do escritor também britânico, como professor William Morris, da época vitoriana.

Então ele teve na ativa até o final do século 19, ele morre quando Tolkien é pequenininho. E o Morris, ele traz uma série de livros, entre eles talvez o mais importante, esse que é A Casa dos Wolfens, que fazem parte desse movimento cultural de reconstrução do passado germânico, do passado dos povos que são os ancestrais, em parte fisicamente, biologicamente, em grande parte ou principalmente culturais, dos anglo-saxões, dos ingleses que chegam à ilha da Grã-Bretanha e criam, com o passar dos séculos, o que viria a ser a Inglaterra.

Esse livro dos Wolfens, eu não vou dar muitos spoilers aqui, acho que não é o caso. Tá vindo aí essa tradução brasileira que é muito interessante, muito bem pesquisada e bem feita. E o que ele retrata é um momento imaginário da história dos povos germânicos, a rigor, embora seja baseado nos dados que existiam, seja arqueológicos, seja linguísticos, seja históricos, disponíveis então para essas pessoas, seja eruditos, estudiosos, seja pessoas simplesmente letradas do final do século 19, como o Morris.

Parando para pensar nisso, qual é a grande questão? O século 19 é um momento em que em toda a Europa Ocidental, a gente pode dizer talvez também na Europa Oriental, assim, a discussão é boa, mas existe de qualquer maneira esse grande movimento de redescoberta de raízes culturais e de identidades culturais. Que tem a ver em parte com o nacionalismo e com a busca de muitos povos por uma identidade nacional quando eles se viam em vários aspectos sem independência política ou sem uma entidade política, um estado que fosse o que eles considerariam adequado para o seu desenvolvimento, para sua história.

Então é o momento, por exemplo, em que a gente vê, com poucas décadas de separação, a unificação de um monte de pequenos estados numa Alemanha unificada que vira o Reich, o Império Alemão. É o momento em que a gente vê também a unificação de um monte de pequenos estados, entre eles inclusive um estado papal, né, uma região governada pelos papas com uma dimensão bem maior do que hoje tem o pequeno estado do Vaticano. Essas regiões todas se unificam para formar o Reino da Itália.

Outros povos que faziam parte, por sua vez, de impérios bem maiores nos Bálcãs, que é o caso dos sérvios, dos croatas e tantos outros, e em outras regiões da Europa No caso do norte da Europa, do extremo norte, não é bem a Escandinávia, mas na região ali adjacente à Escandinávia, digamos, a gente tem a Finlândia, que faz parte do Império Russo em parte, em parte pertence à Suécia e tá tentando se encontrar, e tem uma língua muito diferente de todos esses povos.

A Finlândia também se redescobre como cultura, e isso, parte desse processo tem a ver com o poema épico reconstruído o Kalevala, que agora temos inclusive uma edição simplificada pela HarperCollins na coleção Féria. O Kalevala, ele é reconstruído, e acho que esse termo reconstruído é a chave. Por quê? Porque a gente tá então diante dessa redescoberta de identidades culturais, e grande parte disso tem a ver com uma compreensão, entre aspas, até científica arqueológica, enfim, do passado.

Você tinha, você tinha tido séculos ali de desenvolvimento cultural e político, econômico europeu, enfim, em que havia algumas línguas de prestígio, algumas línguas nacionais como francês, o italiano, embora não fosse de uma pertencente a um estado nacional, era uma língua de prestígio. O inglês lentamente foi ganhando essa característica também algumas formas de alemão, mas você, o latim ainda era durante muito tempo, até o século 18 praticamente, ele continua sendo uma língua de prestígio internacional, mas havia no passado desses grupos uma infinidade, um grande número pelo menos, de textos bem mais antigos, textos que remontam basicamente ao período medieval, que estavam em diferentes formas e dialetos ancestrais dessas línguas que tinham ficado muito distantes da população e que tinham se tornado, em alguns casos, praticamente ilegíveis, que é o caso do anglo-saxão, por exemplo.

No caso do nórdico antigo, do escandinavo antigo, nas línguas escandinavas a distância é menor, então essa separação não é tão grande. Mas tem toda essa massa então de textos que estão supostamente na origem desses povos textos que relatam contos de fadas, como no caso da Alemanha, dos irmãos Grimm, né, que são muito importantes para esse resgate. No caso da Escandinávia, os Eddas, seja em prosa, seja em verso, que são textos que falam em grande parte da mitologia escandinava com as figuras que a gente conhece, o Odin, o Thor e tudo mais.

A gente tem, no caso da Inglaterra, os textos em anglo-saxão, como o famoso poema épico Beowulf, do qual eu já falei muitas vezes aqui no podcast. No caso da Inglaterra, tem esse abismo muito grande porque o anglo-saxão, ou inglês antigo, é um idioma muito, muito, muito, muito diferente do inglês moderno, porque em parte a gente tem uma invasão dos normandos, que são um povo ali do norte da França, e que são falantes de uma forma de francês medieval ou muito próximo do francês medieval, e que a influência cultural, o peso político, o peso econômico dos normandos traz uma série, uma quantidade imensa de palavras e de estruturas gramaticais que têm mais a ver com francês e com latim.

Isso modifica profundamente o anglo-saxão. Então ninguém que fale inglês moderno ou mesmo inglês do século 16 vai conseguir pegar o Beowulf, que foi escrito 500 anos ou mais antes, no nosso caso tá mais para 1000 anos antes, e vai conseguir entender aquilo. Então são textos que ficam inicialmente muito distantes das pessoas. Com o desenvolvimento daquilo que é o trabalho profissional do Tolkien, que é justamente a filologia e a linguística histórica, que são métodos comparativos científicos muito precisos, às vezes que tem uma coisa quase de ciência exata em alguns aspectos, ou pelo menos ciência biológica.

O que acontece é que ele vai, ele e outros pesquisadores como Tolkien, vão se tornar cada vez mais capazes de compreender esses textos muito antigos, traduzi-los e trazê-los para o público mais amplo. Então as pessoas cada vez mais têm acesso a esse cabedal, essa biblioteca, a essa grande massa, ou uma massa modesta em alguns casos, de textos do passado da sua própria nação, ou que podem ser interpretados como pertencentes ao passado da sua própria nação.

E aí o que acontece é que, beleza, as pessoas estão lendo, Só que esses textos, pelo que se sabe ou pelo que se imagina, com base em alusões, em menções aqui e ali, em pistas, em nomes, em uma série de indícios que estão neles, parecem ser apenas um restinho do que existia originalmente. Parecem ser meio que as cinzas que sobraram do incêndio na Biblioteca de Alexandria, pra fazer uma comparação lá com o mundo clássico, com o mundo antigo.

Em parte por causa, obviamente, da história super complexa, movimentada e muitas vezes violenta da Europa, em que manuscritos se perderam, monastérios foram incendiados, né, os lugares em que houve a transição do catolicismo pro protestantismo Muitas dessas bibliotecas ligadas à Igreja Católica também foram destruídas ou foram vendidas e dispersas, enfim. E obviamente também o fato de que em muitos casos a tradição desses grupos que vinham de povos, entre muitas aspas, bárbaros, que não estavam ligados a estados, a civilizações que a gente aprendeu a considerar mais grandiosas, eram tradições orais, não registravam, ou quando registravam, registravam isso de forma oral, e isso se perde com muita facilidade, se transforma com muita facilidade também.

Existe esse mito de que a transmissão oral transmite tudo bonitinho, que esses povos muito antigos tinham uma memória muito fantástica para guardar detalhes. É de fato um mito, não é assim que as coisas funcionam no mundo real. E então essas histórias todas se perderam. E esse passado muito antigo— e agora a gente volta para o detalhe muito interessante, bacana da casa dos Wolfens— esse passado muito antigo que tem a ver justamente, em grande parte, para caras como Tolkien, como Morris, com as origens mais profundas dos povos germânicos, desaparece.

Você não tem como saber exatamente. Você não, você não tem como reconstruir passo a passo toda a história que levou à formação das vilas, dos grupos, das tribos, entre aspas, até o momento em que elas começam a ficar cada vez mais próximas das fronteiras do Império Romano, lá pelo começo da era cristã. E com o passar dos séculos acabam Às vezes se aliando, às vezes lutando contra os romanos, e desempenham um papel muito importante na destruição do próprio Império Romano.

Esse processo você não tem como documentar com os personagens, com os nomes. A doguinha aqui, ó, a Zelda querendo rosnar. É muito treteira essa doguinha. Você fica um pouco refém da arqueologia, um pouco não, em grande parte refém da arqueologia, da linguística. Daí de novo a importância de filólogos como Tolkien, porque na transformação de termos, de nomes pessoais, o fato, por exemplo, de que o nome do Átila, do Huno, né, o grande bárbaro vindo de regiões orientais, provavelmente falante de uma língua ligada aos mongóis ou aos turcos, que vira grande ameaça para o Império Romano do Ocidente nos seus últimos séculos.

Figuras como essa, o Átila tem um nome que é justamente um nome germânico, um nome em gótico, da língua gótica, que é, que tem o significado de paizinho. Átila é o átar, que mesma origem de pater, pai em português, do latim, depois pai em português, ou father em inglês, com esse ila que é um diminutivo em gótico, nessa língua germânica que é a mais antiga de todas, que é a língua germânica que é a primeira a ser registrada, que quando ela é registrada ela ainda tem características em termos de arcaísmo, de estrutura gramatical que lembra muito o grego e o latim, embora o vocabulário seja bem diferente, tudo mais, mas tem esses aspectos linguísticos semelhantes, que tem alguns textos, mas que não se chegou a registrar nenhum épico em gótico, nenhuma narrativa que trouxesse a genealogia dos seus reis, dos povos visigóticos, que depois vão chegar nos visigodos, que ocupam a Península Ibérica e tem uma ligação até bastante forte com o passado da língua portuguesa e do espanhol, todos os povos ali de Portugal e Espanha.

Ou os ostrogodos, que vão se fixar na Itália e se tornam os primeiros sucessores do Império Romano do Ocidente na Itália. As histórias desse povo, ela tá perdida, embora você consiga inferir esse monte de coisas com base na arqueologia e na linguística. E o que William Morris faz então na Casa dos Wolfens é pensar como seria a vida desse povo tão antigo, desses proto-proto-proto ancestrais dos ingleses, dos alemães, ou parentes, né, dos ingleses, alemães, escandinavos.

Nas sagas escandinavas, os góticos, os godos, os visigodos, ostrogodos também aparecem e são e são citados em tudo quanto é história, são figuras muito importantes, apesar da distância muito grande entre o território de Roma e a Escandinávia em si. Como então criar uma história com base neles? E esse mesmo impulso é o impulso que aparece no Tolkien, por exemplo, nos textos mais específicos e menos lidos de O Senhor dos Anéis, mas que são muito interessantes também, que são nos apêndices, no apêndice A, as Anais dos Reis e dos Governantes, em que se narra a história de Gondor ao longo de toda a Terceira Era, desde a morte do Isildur até um pouco antes da chegada do Aragorn como rei.

Esses textos narram, por exemplo, as alianças entre Gondor e os povos do norte da Terra-média, das regiões ali mais ou menos entre Trevamata e o Lago Longo, onde ficava ali a Cidade do Lago, que o Bilbo conheceu muito bem, onde ficava um pouco, onde ficava Erebor. Esses povos humanos que lá no começo da Terceira Era eles têm nomes adaptados pelo Tolkien, não seriam os nomes originais, mas são nomes que estão escritos nada mais nada menos que em gótico.

Quando mais tarde os Rohirrim vão ter nomes em anglo-saxão, em inglês antigo, os que seriam os ancestrais, 1000 anos antes dos Rohirrim, mais ou menos um pouco mais de 1000 anos, eles têm os nomes em gótico para justamente representar o papel do gótico como a língua germânica mais antiga e mais arcaica. E o William Morris então ele adota esse cenário em que os godos estão enfrentando inimigos que são os romanos, em que assim como o Gondor primeiro tem uma certa tensão e depois negocia com os ancestrais dos Rohirrim, os chamados Reis de Rhovanion, como também são chamados.

E com isso, tal como Tolkien, ele tenta imaginar como é que era esse povo. Quais eram as histórias, os costumes, como é que eles se organizavam. Ele tenta criar essa visão que é ao mesmo tempo bastante pé no chão. Eles têm uma relação muito próxima com a sua região, com a sua terra. Estou tentando sair do condomínio aqui sem reconhecimento de face. Agora foi. Epa, desconhecido! Agora foi, muito bem, conseguimos escapar das paredes do condomínio, pessoal.

Agora a Zelda quer arrumar encrenca com cachorrinho que está onde Zelda está, na janela do carro. Então vamos tentar nos retirar para longe para evitar mais tretas. É um trabalho então de reconstrução imaginativa e que usa esses termos que estão espalhados em grande parte por todos, todas as lendas germânicas antigas. Um deles em inglês é Mirkwood, que eu adotei a tradução Treva-Mata. A tradução da Casa dos Wolfings usa outra abordagem, igualmente válida, mas que é essa floresta misteriosa ali no meião da Europa que funciona meio como como que uma divisa entre essas terras dos povos germânicos e as terras dominadas por Roma.

Várias outras coisas que a gente consegue notar de semelhanças, obviamente, com Tolkien, até pelo nome próprio do livro e o nome de vários grupos ali, Wolfgangs. Esse -ing é uma terminação que aí já tá muito presente, por exemplo, no próprio inglês antigo, no próprio anglo-saxão, com o significado de grupo ou tribo. Eorlingas, a gente vai ver muito isso, muito no Senhor dos Anéis. Eorlingas. Ou depois tem também os Bardings e os Beornings, que também são povos ali do norte da Terra-média muito aparentados com os Rohirrim.

E talvez como o último ponto, que para mim, como alguém que estuda literatura é um dos mais interessantes, é a semelhança de estilos mesmo entre o jeito que o William Morris escreve e o jeito que o Tolkien escreve. Mas não no Senhor dos Anéis, nem no Silmarillion, que chegou até nós já editado pelo Christopher Tolkien, mas nos primeiros textos do Tolkien, no começo, quando ele tá começando a se treinar como um autor de lendas e mitos, o jeito que ele escreve em O Livro dos Contos Perdidos 1 e 2, as primeiras versões do Ainulindal e as primeiras versões da Queda de Gondolin, da história do Beren e da Lúthien, da história do Túrin, é um jeito muito, muito arcaizante assim, que tenta realmente emular algo que vem de uma crônica medieval muito, muito antiga.

Com um ritmo muito particular, que é poético e cadenciado, e com alguns adjetivos que estão fora de moda. E aí sim, uma coisa que a gente vai ver em O Senhor dos Anéis, essa coisa que irrita tantos leitores modernos, que infelizmente estão sendo um pouco burrinhos e ignorantes, que é a mistura entre prosa E verso. O fato de que os personagens, como os Hobbits o tempo todo, seja no Hobbit, seja no Senhor dos Anéis, ou como os próprios Rohirrim, a gente vê o Éomer fazer isso, a gente vê o Théoden fazer isso, de repente começam a cantar, improvisam uma canção, um poema, de acordo com o estilo literário que é o tradicional da sua cultura.

Do seu povo. O Morris também faz bastante isso. E um último detalhe que é muito saboroso para o leitor de Tolkien, ainda falando dos Rohirrim, é o fato de que o herói se chama Fieldwulf, que essa primeira partícula aí, field, que é a mesma coisa que aparece no nome do Théoden, do Théodred, o filho dele tragicamente morto na Batalha dos Vaus do Rio Isen. É uma partícula que aparece muito em nomes de reis do mundo germânico antigo e que significa simplesmente povo.

Também o nome original dos Rohirrim, que é o Éothéod, o povo dos cavalos. Portanto, é um prato cheio para quem quer aproveitar um inspirador do Tolkien, alguém tem um texto muito parecido com um jovem Tolkien e que pensou com a mesma profundidade, não tanto com a mesma habilidade, porque o Tolkien era gênio, era fora de série, ele era realmente o Pelé da filologia, da linguística histórica. Mas o Morris também manda muito bem e eu recomendo que vocês conheçam a obra.

Então é isso por enquanto, pessoal. Espero que tenham gostado do episódio. Continuem apoiando a Valiner, que precisa muito do apoio de todos nós. E como sempre, namare! Adeus, pessoal!

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