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Universo 25: O experimento com ratos que virou arma pra bater no comunismo

10 de setembro de 20261h4min
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🔹 Não é rato, não vive no Universo 25, não precisa ficar careca esperando. Manual: consulta online, tratamento entregue em casa, embalagem discreta. Cupom HORABOA = 40% off no primeiro pedido.https://www.manual.com.br/queda-de-cabelo/mes-do-cliente?coupon=HORABOA&utm_source=youtube&utm_medium=promo&utm_campaign=01092026🔹 Combo de cursos do Alberto (Aprenda Hipnose do zero - R$ 497Auto-Hipnose Científica - R$ 1.597): https://pay.hotmart.com/T102804477H🔹 Curso de podcast por R$ 297 com nosso editor Gabriel Tuller e Leo Lopes da Radiofobia! https://cursodepodcast.com.brO que acontece quando você dá a uma sociedade absolutamente tudo que ela precisa — comida, água, espaço, segurança — e tira dela qualquer motivo pra continuar lutando?Uma coisa é usar um experimento de 1968 pra entender comportamento animal em condições extremas. Outra, completamente diferente, é pegar esse mesmo experimento e usar ele pra provar que WiFi grátis e cesta básica destroem civilização — foi exatamente isso que virou meme nas redes nos últimos anos.Nesse episódio de doideira, sem convidado, Alberto Dell'Isola e João Carvalho destrincham o Universo 25 — o experimento do cientista John B. Calhoun que colocou camundongos numa "sociedade perfeita" e viu a população crescer, estagnar e colapsar até a extinção. A dupla passa pelo experimento passo a passo (os alfas, os betinhos, os machos hedonistas que só cuidavam da própria pelagem, as fêmeas que pararam de proteger a prole) e desmonta a leitura mais repetida da internet: que o experimento "prova" que socialismo ou bem-estar social levam ao colapso.Mas o papo vai muito além:→ por que generalizar comportamento de rato confinado pra sociedade humana é um salto lógico grande demais→ Malthus e a progressão demográfica que inspirou boa parte da leitura política do experimento→ Pavlov e Skinner: condicionamento clássico x operante, explicado sem academicismo→ o Rat Park de Bruce Alexander — o experimento que descobriu que rato também usa droga por tédio, não só por vício→ guerra às drogas nos EUA, Nixon, Reagan e o que ninguém lembra ao citar experimento de rato viciado→ descriminalização x legalização de drogas — a diferença que some no debate raso das redes→ os maiores ciclos de crescimento econômico do século 20 e o que eles realmente ensinam→ a hierarquia de necessidades de Maslow aplicada com humor a uma filha dormindo tranquila→ uma tangente sobre comédia, Adam Sandler e a piada clássica do palhaço tristeNo fim, uma pergunta fica no ar: será que a crítica que todo mundo faz ao experimento é sobre o bem-estar social — ou é sobre o confinamento que nenhum rato escolheu?Entre ciência hard, crítica política e comédia, esse talvez seja um dos episódios mais recheados do Hora Boa. Questione o que te vendem como prova científica fácil, entenda o que é generalização indevida, e busque conhecimento.📌 Seja membro do canal e ajude o Hora Boa a continuar existindo.📌 Comente aqui: você já viu o experimento Universo 25 sendo usado pra defender algum lado político?📌 E o mais importante… você acha que dá pra generalizar comportamento de rato confinado pra sociedade humana?

Participantes neste episódio2
A

Alberto Dell’Isola

HostHipnólogo
J

João Carvalho

Co-hostApresentador
Assuntos5
  • O experimento Universo 25 e o colapso de uma sociedade de camundongosJohn B. Calhoun·Camundongos·Colapso social
  • A generalização indevida do experimento Universo 25 para a sociedade humanaCrítica ao comunismo·Bem-estar social·Limitações metodológicas
  • O experimento Rat Park e a relação entre ambiente e vício em drogasRat Park·Bruce Alexander·Guerra às drogas·Descriminalização de drogas
  • O comportamento dos camundongos no Universo 25 e o surgimento de ratos hedonistasRatos hedonistas·Machos subordinados·Agressividade feminina
  • A hierarquia de necessidades de Maslow e a busca por autorrealizaçãoMaslow·Fisiologia·Segurança·Autorrealização
Transcrição216 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
ADAlberto Dell’Isola

Olá, jovens!

JCJoão Carvalho

Mais uma semana, mais um Hora Boa. E desta vez fomos editados para parecer que a gente tá um de frente para o outro. Significa, Alberto, que é um episódio de doideira.

ADAlberto Dell’Isola

Exatamente, não tem convidado.

JCJoão Carvalho

Como é que você tá?

ADAlberto Dell’Isola

Eu tô beleza e o senhor?

JCJoão Carvalho

Eu tô bem. Eu queria te contar uma história muito bonita. Diga. Como você sabe, né, Alberto, o Hora Boa é sobre você jovem, é sobre você minutim, né? Nossa audiência varia ali entre 8 e 14 anos em média, né? Então a gente tá sempre acompanhando os jovens. O jovem hoje em dia ele gosta de sepactacral, né? O esporte que nasceu nas fronteiras da Tailândia com a Indonésia E que é basicamente uma peteca maluca que você joga dando bicicleta.

ADAlberto Dell’Isola

É o futevôlei ninja.

JCJoão Carvalho

É o futevôlei ninja. E aí, cara, eu tô curioso onde esse negócio vai chegar, mas beleza.

ADAlberto Dell’Isola

Aí, como é que você pensou isso agora, na verdade?

JCJoão Carvalho

Tá saindo enquanto você vai, né? O jovem ama o Sepactacral, né, o futevôlei ninja. E eu decidi que eu tinha que acompanhar os campeonatos regionais de Sepactacral Para entender o que que o jovem tá querendo. E aí, cara, eu fui para Neves, tava tendo um campeonato interescolar em Neves de Sepactacral, e eu fui acompanhar. Cheguei, o jogo já tinha começado, e aí eu fui ouvir os gritos da torcida. E aí os jovens todos cantando: me dá feijão, me dá arroz, o universo é 23+ 2.

E aí eu falei assim, caralho, cara, Universo 25 tá aí um tópico pro Hora Boa na boca do jovem. Foi só acompanhar as tendências das torcidas intercolegiais de Sepactacrau de Ribeirão das Neves.

ADAlberto Dell’Isola

É, o povo não para de falar disso. É isso, Beatriz mesmo.

JCJoão Carvalho

Ontem comentou comigo, deve ser um tema das escolinhas, deve ser um tema das escolinhas, deve estar debatendo algum tipo de projeto interdisciplinar na BNPP sobre o Universo 25.

ADAlberto Dell’Isola

E coincidentemente é um tema que já foi pedido algumas vezes em comentário aqui no canal. É verdade que mostra que a gente tá indo no trend, sim, tá só surfando o trend. Eu gravei um vídeo sobre isso para quem quiser ver no Como a Mente Funciona, que é meu canal que um dia vai voltar. Tem um vídeo lá sobre isso, mas hoje a gente vai poder fazer de uma forma bem mais completa do que eu fiz naquele dia. E esse, João, é um daqueles experimentos científicos que o pessoal costuma utilizar para bater no comunismo.

JCJoão Carvalho

É assim, né, apenas mais uma operação da CIA, né, é isso.

ADAlberto Dell’Isola

Mas na verdade a intenção do experimento nem era essa não, mas é comum. É porque a nível de universo 25 tem que pensar nisso daí, porque o pessoal começa a querer buscar comparação. Agora, o fato é que ao final do episódio fala que é uma comparação sem sentido. Eu acho que você pode fazer várias críticas se você quiser às experiências materiais do socialismo. Se quiser fazer, pode fazer várias.

JCJoão Carvalho

Se elas puderem ser baseadas, por exemplo, na materialidade da razão, seria bom, né? Seria bom. Agora, ser baseada em conto da Karoshi, e o pior, cara, eu adoro que normalmente as críticas começam com grandes frases como imagina um barco, sabe? Assim, teve um cara Teve um que é maravilhoso, cara, que é um cara que fez um vídeo e isso rodou em toda a bolha cult e tal, saca? Que é, o cara começa assim: se as vacas tivessem dinheiro, esse mesmo, esse mesmo, esse aí que eu vou ver.

ADAlberto Dell’Isola

Foi um pastor, eu acho. Assim, eu não tô acompanhando muito o trem de gospel não, já basta acompanhar os campeonatos intercolegiais, você vai para o sacral.

JCJoão Carvalho

É verdade, é pesado.

ADAlberto Dell’Isola

Pesado. E agora, o legal desse experimento, experimento muito interessante, e eu acho que não é porque vão surgir essas conexões que as pessoas vão fazer que a gente tem que deixar de ver o que que o experimento trouxe. Agora, como é um experimento que envolveu ratos, a gente tem que lembrar que são ratos, que é um elemento assim fundamental, e que nem todos eles são como Stuart Little.

JCJoão Carvalho

Que é uma outra coisa importante. Ou o Super Mouse, ou o Super Mouse, ou o Pinky e o Cérebro.

ADAlberto Dell’Isola

Exatamente. Porque se você pega o experimento de rato, eu até acho que pode ensinar bastante coisa naquilo que envolve principalmente fisiologia, condicionamento. Mas generalizar para ser humano, eu acho aí que é um esticar um pouco aí demais. É um salto lógico. Bom, mas o que que foi esse experimento do Universo 25? Ele já virou postagem na internet várias vezes, e geralmente falando de uma forma simplista assim: e se a sociedade fosse perfeita e ninguém precisasse de nada, tivesse tudo que ela precisa para comer, o que aconteceria com ela?

Foi o que um pesquisador quis descobrir. Foi bem isso não, mas quis descobrir. E a sociedade colapsou. Ponto assim bem resumido, se fosse um tweet, ele tinha, ele pegou lá 4 ratinhos, 2 casais, colocou num lugar perfeito tecnicamente em relação ao experimento, em relação a predador, em relação a tudo.

JCJoão Carvalho

É muito engraçado isso, cara, desculpa.

ADAlberto Dell’Isola

E aí depois viu que a população ia dobrando, dobrando, dobrando, até que um momento ela colapsou. Isso aconteceria com o comunismo. E detalhe, usa comunismo, tá falando experiência material do socialismo.

JCJoão Carvalho

Eu acho fantástico isso, que A primeira coisa é: chega o ser humano e fala, eu vou criar o universo perfeito. Perfeito pra quem? Qual que é o seu conceito de perfeição aqui, meu irmão? Aí você vai e pega um bicho que não é, pra usar um termo clássico da ficção científica, um HILF, uma High Intelligence Life Form, uma forma de vida de alta inteligência. Que é um bicho que vai se comportar por instintos e não por uma ponderação racional, não por desejos inatos, não por uma consciência, né, no sentido que a gente pensa de nosso.

E aí você fala: esta é a sua sociedade perfeita, bicho que evoluiu durante milhões de anos para se adaptar às condições reais do que ele tá e que tem o cérebro feito para aquelas condições. E aí dá algo errado e você fala: é, malditos soviéticos mais uma vez.

ADAlberto Dell’Isola

Agora eu vou defender aqui o pesquisador, porque esse maldito soviético—

JCJoão Carvalho

não, não, não tô falando que o pesquisador fez isso, eu tô falando assim, a vulgata da generalização, sabe? Por exemplo assim: como que o comunismo vai funcionar se Orson Welles escreveu um livro sobre uma fazenda cheia de bicho? É impossível, completamente impossível.

ADAlberto Dell’Isola

É essa. Agora, um ponto importante, você trouxe, que eu acho importante esclarecer para audiência, é que todo experimento vai ter limitações metodológicas graves, e não é por conta disso que ele deixa de ser válido. Claro, ter conclusões, mas a gente tem sempre que entender essas limitações. Certo, então você pega, por exemplo, as pesquisas que envolvem saúde mental, elas têm um monte de viés, um monte de viés. Ou seja, se essas pessoas gostam do terapeuta ou não gostam, se elas estão no trabalho que gostam, que não gostam, por mais que a gente consiga fazer uma filtragem socioeconômica, demográfica, de função social e tudo mais, existem variáveis estranhas internas que a gente não consegue controlar.

Só que aí a gente reconhece isso ao final do experimento. A gente tem que reconhecer. A gente não pode fazer uma crítica que foi feita várias vezes ao Skinner, que é: pô, mas o Skinner nunca brincou com o ser humano, nunca interagiu com o ser humano, interagiu só com pombo e com rato, não tem nada a falar do comportamento humano. Não, não é bem isso não, porque aquilo que ele identificou a partir dos ratos dá muita conclusão importante sobre como o ser humano funciona.

Condicionamento operante, por exemplo. O que que é condicionamento operante? Pavlov, ele descobriu o condicionamento clássico, ou seja, tem algo instintivo e se acontece um estímulo neutro paralelo a algo instintivo, ele começa a ter o caráter daquilo que é instintivo. O cara então, ele tava lá, o Pavlov não tinha interesse nenhum, nenhum, em pesquisar aprendizagem. Ele tava pesquisando saliva dos animais, dos cachorros. Olhando, inclusive ganhou o Prêmio Nobel por conta disso.

Só que aí percebeu que quando o cuidador entrava na sala, os cachorros salivavam. Ou seja, salivava antes de ver a comida, que era um instinto, o comportamento clássico. Só que Skinner teve uma sacada brilhante, que foi: não é só isso não, o próprio animal altera o seu comportamento de acordo com a expectativa de recompensa ou punição. Ou seja, não é simplesmente um condicionamento que acontece por emparelhamento externo. Não, pera aí, se eu faço um comportamento tal no meu dia a dia, pô, eu tô querendo ter uma vida mais saudável, aí eu consigo ter uma alimentação melhor, aí no final do ano, pô, eu tô agora com uma alimentação melhor, saúde melhor, isso reforça eu manter o comportamento saudável.

O Skinner percebeu, por exemplo, que a dificuldade de ter comportamento saudável também tem a ver com a distância com reforço. Ou seja, o reforço palatável do podrão da esquina é um reforço muito mais intenso naquele momento do que você começar a fazer caminhadas e perceber 3 meses depois que seu joelho não dói ao subir escadas. Isso, ainda que a recompensa futura seja muito maior, ela vai perder o podrão. Enfim, ou seja, experimentos com animais, sim, Tem muito nos ensinar agora.

JCJoão Carvalho

E inclusive, se a gente for assim pensar, né, tem certas coisas que são mais instintivas e a gente não racionaliza muito racionalmente sobre elas de uma vez. Chega para uma criança pequena e fala: um biscoito agora, 3 biscoitos depois, um biscoito agora.

ADAlberto Dell’Isola

Cara, é sempre, sempre, sabe?

JCJoão Carvalho

Não tem erro, não tem erro. Nós que somos adultos e que a gente acha que a gente está livre da ideia do um biscoito agora, não é bem assim. Exatamente, porque nem tudo que a gente vai fazer na vida você vai parar para fazer um raciocínio, uma ponderação complexa a respeito dela. Tem coisa que você tá indo ali na vontade, no desejo, na voluntas, que muitas vezes é um instinto. Bateu, gostoso, ótimo, poderão.

ADAlberto Dell’Isola

Perfeito, perfeito. Então, bom, e aí que acontece? Como que foi esse experimento? Eu acho o experimento super interessante. E a gente, a gente tem que parar de negar os experimentos dos Estados Unidos, porque existe no campo progressista, na psicologia em especial, isso: não, isso é coisa de americano, a gente não quer não. Beleza, eu concordo que o DSM é todo americanizado, a gente deveria ter um DSM brasileiro, por exemplo, eu concordo. Pô, mas não significa que o DSM não serve para nada.

JCJoão Carvalho

Sim, é isso, cara, é a crítica, ela tem que servir para depurar algo, não é para jogar o bebê fora junto com a água do banho.

ADAlberto Dell’Isola

Exatamente, exatamente. Bom, e como que foi o experimento que colapsou, né?

JCJoão Carvalho

Antes de você contar, eu só quero te fazer um convite.

ADAlberto Dell’Isola

Diga.

JCJoão Carvalho

Hoje a gente tá gravando o Universo 25, depois eu vou te chamar lá em casa, tá? Nós vamos para uma sauna e vamos gravar o episódio Universo 24 só para os membros, tá?

ADAlberto Dell’Isola

Mas continua, tem que aumentar a quantidade aí.

JCJoão Carvalho

Você é membro que tá querendo, tá?

ADAlberto Dell’Isola

Essa quantidade de membro aí. Mas aí, cara, como que foi o experimento? Primeiro que tem que entender que o John Calhoun tem uma grande semelhança com Pavlov. Por quê? Porque ele fez um experimento que levou a muita reflexão sobre o ser humano, mas ele não era um cara interessado no ser humano, assim como Pavlov. Cara, Pavlov tava interessado em saliva de cachorro, ele era fisiologista russo. Só que ele sem querer, isso é curioso, né, porque o Prêmio Nobel dele é irrelevante, irrelevante, porque o Prêmio Nobel dele é muito parecido com o Einstein, porque o Einstein ganhou o Prêmio Nobel pelo efeito fotoelétrico, e aquilo que o Einstein fez de mais brilhante foi só porque o Nobel tem a ver com impacto social e tudo mais, e o Einstein hoje, tudo que ele fez depois E que hoje a gente reconhece que foi muito maior do que efeito fotoelétrico.

E o Pavlov foi isso. Então Pavlov influenciou demais a aprendizagem, só ganhou o Prêmio Nobel por conta de fisiologia. E aí, o que que o Calhoun queria fazer? Ele era um acadêmico e começou, teve doutorado em 43, e ele tava querendo estudar animais, estudava comportamento de animais. E ele queria entender como que a arquitetura ambiental alterava a vida animal. É isso. E por que que o experimento dos ratos ganha o nome de Universo 25? Porque ele foi fazendo várias versões. É igual quando você vai—

JCJoão Carvalho

eu lembro disso na minha dissertação de mestrado, é o famoso 14 bis do Calhoun. Isso.

ADAlberto Dell’Isola

Mas eu não sei se você tem isso, é Dissertação de mestrado final, vai ser o final.

JCJoão Carvalho

Aí é final, final, depois final, final revisado. A gente vai criando no arquivo vários nomes para você saber em qual versão que você tá.

ADAlberto Dell’Isola

E aí, o que acontece? Como que foi o grande gatilho para ele começar a fazer esse Universo 25? Em 47, ele colocou os ratos. Num cercado externo, 960 metros quadrados, ou seja, bem grande, com recursos fartos, tipo uma fazendinha, deixou os ratos lá e surpreendentemente a população estabilizou em nível muito baixo, gerando uma pergunta que é importante: por que que o crescimento parou mesmo havendo espaço e comida? Por que que não?

Porque Tem uma influência grande aqui de um cara importantíssimo que é o Malthus.

JCJoão Carvalho

Eu ia falar, pode falar. Não, eu ia falar assim, é assim, é uma ideia muito malthusiana, né? É uma ideia que você pega muito do Malthus, né? O Malthus, quando você vai estudar ele, você vai ficando cada vez mais assustado com as coisas absurdas que o Malthus está falando. Mas o Malthus, em última instância, vai estar falando da ideia de que necessidades diferentes crescem em progressões diferentes.

ADAlberto Dell’Isola

Né?

JCJoão Carvalho

Então você vai ter certas coisas que vão crescer geometricamente, certas coisas que vão crescer exponencialmente, e isso vai levar a crescer aritmeticamente, que é devagarzinho. E isso vai levar a uma luta contra essa escassez que tem uma tendência demográfica de longo prazo de achatamento.

ADAlberto Dell’Isola

Ele não conflitava. E agora é claro que é uma crítica anacrônica com a revolução, não, ele não tinha agricultura, não tinha como, gente.

JCJoão Carvalho

A gente tem que pensar o sujeito dentro dos limites do tempo dele. Inclusive assim, como historiadores, são as coisas que a gente aprende primeiro: não existe sujeito à frente do seu tempo. Claro, essa ideia de que, ah, fulano é completamente à frente do seu tempo, não. Ele pode ser um vanguardista, ele pode estar na vanguarda do tempo dele, à frente do tempo dele ele não tá. Ele é o cara, a pessoa fosse à frente do tempo dele, Rabelê era ateu, cara.

ADAlberto Dell’Isola

Ele pega, o cara pega os pontos da época histórica dele e às vezes conecta. Foi com a Ace Empresas, pegou vários pontos, pô, e deu um passo para frente. É isso. Mas falar que veio um negócio de fora, não existe isso não, é. Se vi longe foi porque eu estava no ombro de gigantes.

JCJoão Carvalho

Exatamente. É, pô, como é que é? Nanos incidentes. Eu esqueci a frase em latim agora, mas essa frase é de um santo medieval, São Bernardo de Clarvaux. É porque a gente hoje vejo mais longe é porque nanogigantes incidendo, né? Sinto sobre o ombro de gigantes.

ADAlberto Dell’Isola

E aí o que aconteceu? O Maltz queria fazer isso com o rato? Não, Maltz só queria fazer outras coisas. O Calhoun, que era o pesquisador do Universo 25, Tava querendo descobrir, pô, será que eu não consigo mexer aqui nessa arquitetura para controlar essa arquitetura e descobrir o que que pode estar acontecendo? E enfim, e entender. E aí ele foi criando, foi criando, até que chegou numa variação chamada Universo 25. E nessa variação aconteceu uma coisa interessante.

Primeiro que eu falei que era 4K, na verdade foram, na verdade, são 4 pares de ratos. Na verdade, camundongos, 4 casais de camundongos. Aí ele arranjou uma arquitetura que não ia faltar nada, muito bem distribuída, e começaram a se reproduzir de uma forma assustadora. No dia 104 começou a ter um crescimento populacional muito consistente. Ela foi, começou a dobrar No dia 315, e é um ponto importante, já tinha 620 camundongos. Eu gosto sempre de distinguir, né, o camundongo do rato, porque a gente no cotidiano chama de rato, mas é camundongo.

O rato, que é o popular ratazana, cara, é quase um cachorro. Eu não sei se o senhor já teve a experiência de ter que matar camundongo e rato. Eu já tive que lutar com eles no quintal. Veio assim no quintal, cara, camundongo. Eu tenho até pena, mas tem que matar, né? Camundongo, cara, você passa a vassoura, puxa e sai correndo.

JCJoão Carvalho

Sim.

ADAlberto Dell’Isola

Já lutou com ratazana?

JCJoão Carvalho

Cara, deixa eu te falar o que que é lutar com ratazana.

ADAlberto Dell’Isola

Minha mãe tem um quintal grande, né? E veio do vizinho uma ratazana lá. Minha mãe falou assim, ó, você consegue matar? Claro que eu mato, eu mato rato. Cara, peguei a vassoura, aí fui bater nela, é a grandona, né? Ela começou a ir atrás de mim como fosse um pincher. E pela primeira vez eu tive medo de matar rato, cara, porque não é igual. Ou se você já lutou com ratazana, deixa aí nos comentários, porque eles não vão colocar uma ratazana.

JCJoão Carvalho

Inclusive, em inglês, rat, sim, é diferente de mouse, do Mickey Mouse.

ADAlberto Dell’Isola

Só que é engraçado que a gente não usa o termo camundongo. Não, enfim. Ou seja, então estavam lá, né, os ratinhos, os camundongos. E aí, a partir do dia 315, teve a primeira queda na velocidade de crescimento.

JCJoão Carvalho

Só para o pessoal de casa ter uma boa diferença, é o Stuart Little contra o Mestre Splinter, tá?

ADAlberto Dell’Isola

Isso.

JCJoão Carvalho

Imagina você sair na mão com Stuart Little. Você ganha desse tortilheiro fácil. Imagina você sair no braço com o Mestre Splinter, você fala assim: é, deu ruim.

ADAlberto Dell’Isola

Exatamente. E aí aconteceu, começaram a reproduzir demais. No dia 315 tinham 620, no dia 560 tinham 2.200, e no dia 600 já não tinha praticamente mais nascimento nenhum. E aí foi colapsando, foi colapsando, começaram inclusive a surgir machos que só perdiam as lutas, ficavam quietinhos. Surgiram os chamados os belos, the beautiful ones, que ficou muito conhecido, que eram os bonitões que evitavam briga e não estavam muito interessados em acasalar, e passavam boa parte do tempo comendo, dormindo e cuidando da própria pelagem. Ele ficava lá só se olhando.

JCJoão Carvalho

Não, agora imagina, universo 25, surgiram os ratos hedonistas.

ADAlberto Dell’Isola

Exatamente.

JCJoão Carvalho

E o legal é o seguinte, É bom que surgiram os Betinhas, que foram mogados pelos ratos alfa.

ADAlberto Dell’Isola

Isso, exatamente. Não sobrou nada pro Betinha, cara.

JCJoão Carvalho

Não sobrou nada pro Betinha. Surgiram os ratos hedonistas, que decidiram fazer cirurgias estéticas e viver na Coreia do Sul.

ADAlberto Dell’Isola

E detalhe, detalhe, que o universo 25 entrou em colapso, mas os militares ficaram lá com pelo impecável. Agora imagina se eles ficassem carecas.

JCJoão Carvalho

O que que aconteceria, cara?

ADAlberto Dell’Isola

Aí o experimento, eu tô tentando explicar, né? Porque rato pode perder pelo, pode, mas não fica careca igual a gente. Eles não conseguiriam usar os produtos da Manual.

JCJoão Carvalho

Gênio, gênio, gênio! Elias Jabá, Elias Jabor, por favor aprenda, tá?

ADAlberto Dell’Isola

Ele não conseguiria. Eu tô com a preocupação genuína, sim, preocupação genuína, porque o ratinho tava bonitão. Se ele começasse a ter queda de cabelo igual eu comecei a ter Ele não teve o que fazer.

JCJoão Carvalho

E aí assim, ele já não tinha interações sociais de briga, ele não ia conseguir inserir novamente.

ADAlberto Dell’Isola

Isso. Aí tem a grande boa notícia, que quem tá assistindo não é o rato, não é um ser humano, e pode se beneficiar dos produtos da Manual, como eu já estou usando há um certo tempo. E como que funciona, Joel? É simples, é super simples. Você acessa o site da Manual, o link tá na descrição do vídeo ou pelo QR code na tela, e depois responde um questionário sobre sua saúde. Aí um médico especialista vai avaliar seu caso, e se tiver indicação, o tratamento é preparado por uma farmácia parceira, enviado para sua casa com frete gratuito, embalagem discreta, sem identificação da marca na parte externa.

E usando o cupom OLHABO, tem desconto, 40% de desconto no primeiro pedido. Então, se você não é um rato que está colapsando no universo 25, rato hedonista, ficando careca, pô.

JCJoão Carvalho

E é isso, né, gente? Aí é a questão de saúde, a questão de bem-estar, né? Você que quer se cuidar, aproveite. É um produto muito sério.

ADAlberto Dell’Isola

Eu nem ia usar se não fosse bom, tava usando.

JCJoão Carvalho

Não, eu assim, de coração, gente, o Alberto usa muito antes da Manual nos procurar, né? O Alberto é de fato 2023 cliente contumaz. Né? E de fato te ajudou muito com cercear o processo.

ADAlberto Dell’Isola

No meu processo tava caindo muito aceleradamente aqui atrás. Aqui na frente caiu quando era muito jovem, então tipo tinha uns 20 anos, 21, depois deu uma parada. Agora atrás, e o atrás, o que que mais me incomodava é que ele é muito traiçoeiro, porque você só vai perceber em foto bem depois. Você tipo não é igual à frente que você olha o tempo todo, né? Então aproveita a oportunidade. Realmente a gente começa aqui brincando, mas é coisa séria.

Aproveita o QR code. E voltando ao experimento, como que aconteceu? Então recapitulando, dia 0, início, 4 pares de camundongos, 8 ratinhos. No dia 560, a população atingiu o seu pico com 2.200 camundongos. Depois passou a diminuir.

JCJoão Carvalho

No dia 600, bicho, imagina o trampo que devia dar para contar os ratos todos nesse lugar gigante de 1 km², velho.

ADAlberto Dell’Isola

Não, e não tinha computador igual hoje.

JCJoão Carvalho

Não, você conseguiria talvez criar assim, sabe, assim, sei lá, eu imagino que contava isso igual contava bois. Você põe uma cerquinha e deixa passar um de cada vez e vai contando. E aí você fica lá com aquele negocinho assim Provavelmente, provavelmente. E aí, Alberto, deixa eu te fazer uma pergunta. Você falou dos machos, né, que tinha os alfas mogadores, os betinhas, não sobrou nada para os betinhas, nada, nada. E os hedonistas, isso, né? E os ratos sul-coreanos fazendo cirurgias estéticas.

ADAlberto Dell’Isola

Isso.

JCJoão Carvalho

E as fêmeas, como é que foi com as fêmeas, cara?

ADAlberto Dell’Isola

Primeiro, isso foi chamado de behavioral sync, ou ralo comportamental. Primeira coisa que aconteceu foi um agrupamento voluntário patológico. Tinha muito espaço disponível para os ratinhos, só que em vez deles se distribuírem, eles passaram a se concentrar em pontos de massa muito específicos para realizar as atividades básicas, como alimentação, por exemplo. Pegaram uma forte tendência de comer apenas na presença de outros. Então, mesmo se tivesse alimento isolado, ele quer comer perto dos amiguinhos.

JCJoão Carvalho

Entendi.

ADAlberto Dell’Isola

E aí começou a ter uma densidade muito grande. Outro problema foi que teve uma mudança grande em relação aos machos, os betinhas e os hedonistas. Que os machos dominantes, eles tentavam manter a ordem e defender seus territórios originais, mas a saturação de camundongo jovem que amadureceu no espaço social, tinha tanto camundongo jovem e ficava difícil eles conseguirem sustentar a defesa deles. E aí os betinhas, que eram chamados machos subordinados derrotados, eles não conseguiam ter um papel funcional nessa estrutura social e começaram a se retirar e começava a ficar isolados no canto.

Aí surgiram os hedonistas, que é chamado de beautiful ones, que desistiu completamente qualquer papel social, qualquer interação social, ficavam só cultivando seus pelos e a sua beleza. E aconteceu com as fêmeas, que foi porque você pensa, se colapsou É porque as fêmeas não tinham mais relação sexual. O que aconteceu? Teve um aumento da agressividade localizada, porque sob o estresse do contato social excessivo—

JCJoão Carvalho

entendi— porque teve a treta, começa quando eles começam a se aglomerar loucamente num canto, num canto.

ADAlberto Dell’Isola

E aí elas começaram a ficar muito agressivas e elas começaram a perder o instinto reprodutor. Elas começaram a apresentar graves perturbações do comportamento maternal, passaram a construir ninhos extremamente disfuncionais, mal feitos, e frequentemente abandonavam a ninhada. E elas começaram a atacar a própria prole. Em vez de proteger o recém-nascido das invasões de outros roedores, as mães viraram agressivas com os próprios filhotes, começaram a atacar, começaram a ferir, e esses filhotes começaram a ser expulsos super rápido da sociedade.

E aí aconteceu com os filhotes, morreram, tiveram bloqueamento de desenvolvimento social. Os poucos que nasciam já ficavam todo fodido e morriam.

JCJoão Carvalho

Entendi.

ADAlberto Dell’Isola

E aí teve o teto populacional de 2.200 camundongos, e o último nascimento bem-sucedido sobrevivente ocorreu no dia 600. Aí acabou que colapsou na extinção final.

JCJoão Carvalho

E aí, cara, olha só que loucura, às vezes isso não fosse um universo perfeito assim.

ADAlberto Dell’Isola

Talvez esse é o primeiro, talvez, viés enorme, sabe?

JCJoão Carvalho

Porque assim, o que me incomoda é quando um pressuposto é elevado a axioma, ele não se prova verdadeiro e se mantém. Cara, qualquer conclusão que eu tirar depois, o vício é na origem.

ADAlberto Dell’Isola

Claro, sem dúvida. Inclusive, teve um outro experimento Saca?

JCJoão Carvalho

Porque assim, velho, se eu falo assim, ah não, eu vou criar um universo perfeito, aí 3 horas depois tá todo mundo se matando.

ADAlberto Dell’Isola

É perfeito pra quem?

JCJoão Carvalho

Me lembro um dia, sabe, talvez esse universo não esteja tão legal assim.

ADAlberto Dell’Isola

A primeira vez que eu tive essa reflexão, talvez esse universo seja semi-top. Quando eu tinha 11 anos, eu assisti um um filme na sessão da tarde de dinossauros ninja.

JCJoão Carvalho

Caralho, que foda!

ADAlberto Dell’Isola

E enfim, e dava para ver os zíper da roupa dos caras.

JCJoão Carvalho

Filme ou documentário? Filme, filme.

ADAlberto Dell’Isola

Mas enfim, e eu não lembro exatamente como que era não, mas eu lembro que depois que eu assisti, adorei, veio uma crítica no jornal no dia seguinte detonando o filme. Dos Dinossauros Ninjas, falando que era horrível, que era muito mal feito, roteiro era terrível, que os atores eram péssimos, que as fantasias eram ridículas. E retomou o filme que eu tinha acabado de assistir, tinha gostado. Eu pensei, quem escreveu tem 11 anos?

Quem escreveu não tem 11 anos? Se essa pessoa que tá escrevendo, cara, eu preciso quantos anos de idade? Se essa pessoa que tá escrevendo essa resenha sobre um desenho, sobre um filme de alguém que é para criança, e essa pessoa não é uma criança, ela não é capaz de opinar sobre esse filme. Quem tem que opinar sobre isso, meu querido, eu pensei, tinha que juntar as crianças, coloca aí o filme.

JCJoão Carvalho

O Alberto jovem interseccional do lugar de fala é real.

ADAlberto Dell’Isola

Exatamente. Eu falei, pô, faltou, faltou o lugar de fala das crianças aí. E aí eu tô brincando em relação, mas é a grande verdade, porque, pô, o cara chega de fora Uma coisa eu falo assim, ah, o Toy Story é para criança. E pô, beleza, eu acho legal isso mesmo, ser para criança e ser para o adulto. Mas obrigação do desenho lá para criança é ser de criança.

JCJoão Carvalho

Assim, cara, sabe assim, eu não acho, uma suspeita, eu não posso garantir, não tem acesso documental a fontes primárias, né? Tô fazendo uma ilação, beleza? Mas eu suponho que o grupo de roteiristas que roteirizou Dinossauros Ninjas não tava exatamente pensando: finalmente concorreremos com Morangos Silvestres de Ingmar Bergman e A Vida de Apu de Satyajit Ray. Pois é, a suspeita minha, a proposta é igual quando você vai ver Se pá não era cinema de arte, se pá não era para ser uma continuação de Laxinoasa.

ADAlberto Dell’Isola

Eu penso o seguinte, eu acho que até mesmo para arte você vai ver o filme do Adam Sandler.

JCJoão Carvalho

Esse sim é arte.

ADAlberto Dell’Isola

Acontece, Adam Sandler, né? Ele tem os filmes aí que são muito bons mesmo.

JCJoão Carvalho

Os filmes do Adam Sandler, cara, são maravilhosos.

ADAlberto Dell’Isola

Agora, quando você pega uma dessas comédias que ele junta os amigos dele para poder ir para um lugar que ele quer passear Cara, você tem que estar conectado com a proposta. Se você acha que é ruim, pô, ah não, mas o Adam Sandler é bom, é aquele da joia, não sei o quê.

JCJoão Carvalho

Assim, é porque assim, é uma coisa assustadora, o Adam Sandler só não ganhou o Oscar porque ele é o Adam Sandler.

ADAlberto Dell’Isola

Claro, sim, é joia, o quê?

JCJoão Carvalho

Tem um filme, eu esqueci o nome do filme, eu sei qual filme que você tá falando, que é um filme maravilhoso do Adam Sandler. E assim, ele é um puta ator, como normalmente o são os comediantes. Vamos só lembrar, gente, que o Tom Hanks começa a carreira fazendo comédia, né?

ADAlberto Dell’Isola

Claro, Joias Brutas.

JCJoão Carvalho

Joias Brutas. Tom Hanks começa a carreira fazendo comédia. Robin Williams, que fica famoso como um grande ator, era de stand-up, era da comédia. Normalmente o cara que é capaz de fazer comédia é capaz de fazer drama. É, fazer comédia é muito difícil. Fazer comédia é mais complexo do que fazer drama. Então, normalmente, comediantes costumam ser excelentes atores, né? A piada de Il Pagliacci, né? Você conhece a piada do Il Pagliacci? Lógico, né?

ADAlberto Dell’Isola

Não, como que é a piada?

JCJoão Carvalho

O cara chega no psicólogo.

ADAlberto Dell’Isola

Aí pode contar a piada.

JCJoão Carvalho

Não, isso aí todo mundo conhece. É, o cara chega no psicólogo, fala assim: doutor, eu tenho uma depressão terrível, eu sou muito triste, meu mundo é cinza, eu não consigo sorrir. Eu não tenho sentido nenhum na minha vida. O médico fala: não, fique tranquilo, está na cidade Il Pagliacci, o maior palhaço de todos os tempos. Todos que vão no show dele se emocionam, riem, é terapêutico, é maravilhoso, vá no show dele. Mas, doutor, eu sou o Il Pagliacci, sabe?

Então assim, é isso, é essa ideia de que o comediante muitas vezes faz a comédia de um lugar de profunda tristeza, de um lugar de profunda melancolia, de um lugar de profunda crítica a um mundo, e ele usa a comédia no sentido do castiga-te ridendo mores, castigar os costumes com riso, né? Nesse sentido, o Sandler, cara, assim como todos esses outros comediantes que eu enumerei aqui, e eu só enumerei alguns, tem milhares de outros para a gente falar no mundo inteiro.

Roberto Benigni, gente, ganhou Oscar, comediante. Os primeiros filmes todos do Benigni são comédias escrachadíssimas, no melhor estilo Adam Sandler, tá? Só não ganhou Oscar porque ele era Adam Sandler. Só não ganhou Oscar porque ele pega os brother dele, engana a Netflix e ganha milhões para passar 5 meses rindo com os brother dele.

ADAlberto Dell’Isola

Isso. Eu não vou entrar no debate sobre Adam Sandler não, porque não tem debate. Os roteiros para mim tem a ver com a expectativa que você tem ao criar. O Adan, quando faz joia bruta, é diferente de estar fazendo, sei lá, que dá vida adoiada. Enfim, mas aí, para a gente não perder o contato com o tema, qual que foi a crítica que acaba surgindo envolvendo a gaiola? Tem um experimento que não foi feito, uma resposta ao Universo 25, que é o Rat Park. Já até comentei em algum episódio aqui.

JCJoão Carvalho

Que é mesmo, chama Rat Park.

ADAlberto Dell’Isola

Então você imagina como que foi bonitinho esse negócio. Eu tô imaginando aí, não é Disneylândia do Mickey Mouse não, porque nos anos 70 tava tendo uma guerra às drogas muito ferrenha nos Estados Unidos, né?

JCJoão Carvalho

Então parabéns às drogas, né? Vamos dar aqui parabéns às drogas desde o primeiro ano todos os anos vencendo a guerra às drogas, tá? Então parabéns às drogas. E aí, guerra às drogas não é guerra às drogas, guerra às drogas é guerra contra pobre, mas a gente discute depois.

ADAlberto Dell’Isola

Grande estadista americano chamado Nixon que foi que inventou esse negócio. Depois teve um outro grande estadista chamado Reagan, que são os grandes nomes aí da divulgação da guerra às drogas tinha lá o Just Say No, inclusive muitas pessoas não sabem, era um homem, foi o único ser humano na Terra que tinha 17 dígitos de QI.

JCJoão Carvalho

O problema é que os 16 primeiros eram zero.

ADAlberto Dell’Isola

Isso que é um problema. E aí o que que aconteceu naquela época? Tava tendo muito experimento com animal sobre drogas. E aí tem alguns experimentos que mostrava, por exemplo, a cocaína ou heroína, mostrava um ratinho, tava viciado em cocaína, mostrava viciado em heroína e colocava disponível água, água com a droga e comida. E ele sempre morria, sempre morria, sempre morria. Inclusive tinham vários comerciais americanos que mostrava o ratinho tremendo assim, ó, tipo nos anos 70, foram veiculados na mídia e tal.

Os fliperamas que você pega dos anos 80 até o final dos anos 90 tem muito, é, just say no to drugs.

JCJoão Carvalho

E assim, os filmes todos, cara, os filmes todos sempre tem um tio que normalmente ainda é um veterano de guerra que foi drogado e viciado pelo Estado americano, que é o tio que usa drogas e ele sempre se dá mal, saca? Era aquela coisa bem filme dos anos 80. Que você grava assim: ei, Kevin, vamos comer um smorgasbord na casa da vovó. Aí chega na casa da vovó: ei, vovó, por que você está triste? O tio John andou usando drogas. Ó não, ele cheirou maconha e explodiu, sabe? Era desse nível.

ADAlberto Dell’Isola

Eu até me incomodo em certa medida o incentivo discriminar da droga, no sentido de geralmente as pessoas que são a favor da descriminalização frequentemente querem só resguardar o próprio uso burguês da droga.

JCJoão Carvalho

Muitas vezes sim. Eu acho que é uma questão de saúde pública.

ADAlberto Dell’Isola

Sim, são questões diferentes. E aí o Bruce Alexander foi um psicólogo—

JCJoão Carvalho

desculpa, só a última coisa para a gente poder avançar, que às vezes é difícil, mas a gente tem que falar o óbvio. Descriminalização não é igual a obrigatoriedade do uso, né? Porque tem uma galera que é assim, né? Tipo assim, agora o aborto vai ser libertado, eu vou ser obrigado a abortar? Meu senhor, você é homem.

ADAlberto Dell’Isola

É, e eu acho que é importante a gente entender.

JCJoão Carvalho

As drogas não vão ser mais criminalizadas. Meu senhor, ninguém vai ser obrigado a fumar pedra na rua. Nós estamos falando também, existe milhões de níveis de discussão nisso.

ADAlberto Dell’Isola

Né?

JCJoão Carvalho

Quando às vezes se fala de descriminalização de drogas, não está se falando de todas as drogas. Existem modelos de descriminalização universal de todas as drogas, modelos de descriminalização de algumas drogas.

ADAlberto Dell’Isola

Não, e tem a diferença de descriminalização. Se a gente for pensar na nossa sociedade viciada em Prozac e tudo mais, eu acho que é importante a gente entender que quando fala de descriminalização É diferente de legalização. E quando a gente fala de descriminalização, os debates têm que ser outros: impacto no SUS, se o Estado vai subsidiar, como que vai ser o estudo por conta disso, quais estudos estatísticos a gente tem para poder elencar os impactos sociais, impacto em diminuição de sistema prisional, impacto em diminuição de certas violências, arrecadação de imposto.

Tem milhões Não, sim, mas eu quero ressaltar que é muito comum a gente falar os impactos positivos. A gente não sabe os impactos negativos. O turismo em relação à droga, o impacto negativo em relação ao próprio SUS. O quanto será, por exemplo, que é melhor para o SUS tratar o drogado do que a quantidade de gente que tá morrendo no tráfico? Não sei. A gente não tem estudo sobre isso. Ou seja, a gente tem que ter sempre um debate assim.

JCJoão Carvalho

É uma discussão mais complexa.

ADAlberto Dell’Isola

Não é tão simples assim. E são sempre discussões regionais, não é porque algo funciona em Portugal, funciona na Holanda, funciona no Brasil. Porque isso é curioso, né?

JCJoão Carvalho

Porque é muito comum, é porque as pessoas têm uma ideia de adaptação mecânica de sociedades diferentes.

ADAlberto Dell’Isola

É muito engraçado que a direita e esquerda têm os seus terraplanismos próprios, né?

JCJoão Carvalho

Porque o liberal sempre vai falar de Suíça, Alemanha, desde que eles não estejam protestando por direitos.

ADAlberto Dell’Isola

É, então assim, por exemplo, o que acontece Quer dizer, lá é lindo, né?

JCJoão Carvalho

Aqui se quebrou uma vidraça, tem que sair correndo para proteger a vidraça.

ADAlberto Dell’Isola

Não, mas o que eu tô querendo falar, outra coisa, é que quando a gente chega, por exemplo, vai elogiar economia, vai pegar Alemanha, vai pegar país pequeno para comparar com o Brasil. Liberal faz isso. Agora, quando vai falar de descriminalização de droga também, vai comparar Holanda com o Brasil. Pô, aí não, aí não, né? Portugal e Holanda, não, pô, brincadeira, né? A gente tem que ter uma noção que o nosso país não é federalista no mesmo nível dos Estados Unidos.

Estados Unidos dá para poder pensar tipo Holanda, tipo Portugal, porque é um estado, o estado é soberano em relação a essas decisões. O Brasil não é. Ou seja, a gente tem um debate que realmente vai ser amplo e não é nem proposta desse episódio hoje, mas o fato é que essas guerras drogas era uma guerra que foi perdida há muito tempo. Isso tem que ser debatido, tem que ser questionado. E aí tinham esses experimentos do ratinho que morria sempre, o ratinho morria sempre.

Aí o Bruce Alexander, nos anos 70, pensou: mas é claro que o rato vai morrer, claro que o rato vai usar droga, porque só tem isso para fazer na gaiola, ele tá preso numa jaula. No momento que você coloca um ratinho na jaula, já não é mais um estudo sobre o ratinho usando droga no dia a dia, sobre o comportamento dele natural no, entre aspas, ambiente dele. E aí, o que aconteceu? Ele pegou os ratinhos drogados que estavam morrendo de overdose e colocou no que ele chama de Rat Park, que seria em português Rato-land, mas não é bem isso não, seria tipo um grande parque.

JCJoão Carvalho

A tradução correta é Fazenda dos Noia.

ADAlberto Dell’Isola

Isso. E deixou os ratinhos lá, e quase todos os ratos pararam de usar, e muitos continuaram usando. Inclusive muita gente não comenta isso, mas continuava usando de forma recreativa, sim, e não morrer de overdose.

JCJoão Carvalho

E aí usava no fim de semana com os brother. Isso.

ADAlberto Dell’Isola

E aí esse Rat Park tinha brinquedo para os ratos, eles podiam ter relações sexuais, podia ter conexões e tudo mais.

JCJoão Carvalho

Enfim, era um paradigma muito diferente, completamente, completamente.

ADAlberto Dell’Isola

E aí, primeiro ponto que a gente percebe é que não existia uma estimulação ambiental no Universo 25 para esses ratos formular. Sim, no Rat Park tinha. O segundo ponto que eu acho importante é que, da mesma forma que a gente não pode generalizar o Universo 25 para ser humano, a gente também não pode generalizar o Rat Park para ser humano. São limitações, mas que nos dão provocações sobre talvez variáveis importantes para entender o que que tá acontecendo, certo?

Porque a gente não identificar que nessa arquitetura do universo 25 a gente não quer só comida, existem motivações até mesmo universo do animal. Ou seja, é igual a pessoa chega assim, fala assim: não, mas o meu bichinho lá em casa, meu cachorro, meu gato, precisa mais nada não. Você não sabe, você não é um bichinho, você não é um bichinho. Ele quer atenção, ele quer carinho, ele quer passear, quer tudo mais, entendeu? Então esse universo 25 é aquilo que você falou lá no início, era perfeito para quem?

Para quem? Agora vem um ponto que eu queria que o senhor falasse um pouco mais, que as pessoas vão associar isso com comunismo. Que que eles falam, cara? A minha é muito cruel. Que que eles fazem? As pessoas estão mostrando, elas começam a falar, porque isso para mim não é uma crítica ao comunismo, cara, isso é uma crítica ao bem-estar social. É falar que fome tem que existir para o cara correr atrás das coisas. Não, né?

JCJoão Carvalho

Isso é absurdo, é completamente absurdo, é completamente absurdo.

ADAlberto Dell’Isola

E a gente, olha só, não tô falando de comunismo não, tô falando socialismo não, não, eu tô falando de ações afirmativas para o cara não ter fome. Se eu começar, se você me falar que eu sou comunista por achar que as pessoas têm que ter direito amplo à alimentação, educação, saúde, moradia, essas bobagens. Se eventualmente eu ser a favor da crise habitacional que tá acabando com o Brasil, tem invadindo até mesmo a China. Essa especulação imobiliária do grande capital se concentrar. Você tem uma ideia, cara? Eu tava em Portugal, tinha um prédio lá.

JCJoão Carvalho

Não, Portugal, cara, assim, Lisboa principalmente. Lisboa principalmente, brasileiro. As coisas para o interior de Portugal ainda são menos piores na parte habitacional do que é Lisboa. Então assim, Mesmo as cidades grandes de Portugal, que cidade grande, grande, grande, grande em Portugal você tem duas: Lisboa e Porto. Sim, né? O resto é, a gente tem que pensar comparativamente. Nós estamos falando de uma nação que você atravessa ela de carro num dia.

ADAlberto Dell’Isola

A especulação imobiliária em Lisboa, cara, chegou num nível de insanidade.

JCJoão Carvalho

E por que que ela chegou nesse nível de insanidade? Briga de imposto. Lisboa ficou ridiculamente barato na zona euro, e principalmente depois que os incentivos de impostos da Irlanda foram acabando, teve muita empresa que se mudou ou para Lisboa ou para o leste europeu. Então você teve uma especulação imobiliária muito grande em Praga, por exemplo, e em Lisboa nessa época, que primeiro rolou em Dublin. Porque como eles entraram baixando os impostos para as empresas, todas as empresas mandaram a sede para Dublin, todas as empresas mandaram os call centers para Dublin, tudo foi para Dublin.

ADAlberto Dell’Isola

Enfim, mas aí a questão da especulação imobiliária em Lisboa. Agora, Lisboa tem a grande vantagem que não tem aqui, que para eles 30 km é muita coisa. Então, por exemplo, se você tiver em Belo Horizonte ou São Paulo ou Rio, andar 30 km custou a cara mesmo jeito, certo? Claro que não vai estar tão caro, mas custou a cara. Em Lisboa, a queda é drástica. Você pega 20 km, 30 km, que a nossa noção de distância é diferente, completamente É profissional.

E aí, só para, enfim, tinha brasileiro, cara, dono de prédio em Lisboa, para usar Airbnb.

JCJoão Carvalho

Cara, o Airbnb é uma praga, uma praga, uma praga, é um câncer. Tanto que Nova York teve que proibir.

ADAlberto Dell’Isola

Eu não vou entrar aqui no debate, que não é nenhum debate que eu não tenho conhecimento técnico para fazer, se deveria proibir Airbnb, mas que esse negócio não pode ser, você também, né, cara, regulamentado e louco e tal, no cu e foda-se. Não, e sem contar a concorrência desleal com hotel que tá pagando tudo, né? Enfim, mas aí o ponto é esse argumento.

JCJoão Carvalho

E sem contar o golpe do cativeiro com a foto bonitinha. Golpe do cativeiro com a foto bonitinha. Você entra no site, você acha que pela foto é bonitinha, você chega no lugar, é um cativeiro. Você entendeu? Esse aí, esse também, o golpe do cativeiro.

ADAlberto Dell’Isola

Daí pior que eu fiquei sabendo que nem a Booking é 100% confiável mais, cara. Você pode chegar um hotel que não existe, filho. Capitalismo tardio tá desafiador. Mas aí, é, eu não tô querendo, então eu tô querendo dizer que você falar que se o cara não tem que ficar correndo atrás da habitação dele, ô gente, pera aí, o cara hoje que ganha um salário mínimo, mais 50% da habitação dele, mais 50% do salário dele tá por trás da habitação do mínimo, cara, numa cidade minimamente grande.

Então você falar que você suprir condições básicas vai fazer a sociedade colapsar me parece absurdo.

JCJoão Carvalho

Cara, sabe o que que é ainda mais absurdo? A materialidade histórica das experiências sociais humanas mensuradas na nossa contemporaneidade. Vamos lá, quais que foram os maiores crescimentos econômicos da história humana do século 20 em diante mensurados. Primeiro, o ciclo de crescimento da antiga União Soviética no período entreguerras. A Rússia czarista era um império falido que tinha passado o século 19 dando golpe na França até falar chega.

Não podia sair um francês e um russo que o russo voltava para casa com dinheiro e o francês com a promessa. Era um país agrário, era um país com 93% da sua população analfabeta, que passa pela Revolução, passa pela sua guerra civil, que é a única guerra civil do planeta onde 14 países se juntam contra uma facção do país e é uma guerra civil, né? Assim, a guerra civil russa tem o nome mais irônico de todos os tempos. E ela chega depois da Segunda Guerra Mundial como a segunda maior potência do mundo.

ADAlberto Dell’Isola

Beleza.

JCJoão Carvalho

Durante este período, depois do fim da Guerra Civil, você começa a ter a implantação dos planos quinquenais. E mesmo com a preparação para guerra, você vai ter distribuição de terras na agricultura, garantia de moradia nas cidades, tentativa de implementação de pleno emprego, que não vão chegar, mas obviamente vão melhorar muito as condições sociais, acesso franqueado à saúde e você tem um crescimento gigantesco. Uai, a sociedade não colapsou, né?

Aí você pega o segundo maior ciclo de crescimento, China, a partir do período Tang. O que que você tem de novo? Por mais que você tem uma ruptura em relação ao que era o período do Mao, onde na China eles tinham aquilo que eles chamavam de tigela de ferro, onde tudo era garantido, e vai-se para que eles chamavam de tigela de barro, onde nem tudo era garantido, boa parte daquilo que o Estado franqueava 100% antes passa a ter um subsídio, mas não é totalmente franqueado, você ainda assim tem um Estado que vai tentar ser um garante social de muito mais coisas do que um Estado capitalista qualquer, e você vai ter um crescimento gigantesco.

Aí agora o terceiro maior ciclo, Vietnã. Beleza. Quando você pega os ciclos dos tigres asiáticos, que tem números absolutos muito próximos, alguns anos até inclusive passando desses ciclos, você tem um outro sistema que você vê concentração de renda, você vê certos problemas sociais aparecendo, você vê certas favelizações. É só olhar a Coreia do Sul, questão de trabalho na Coreia do Sul. E aí, meu irmão, como é que você faz? Para fazer essa ilação de que se tiver as coisas, vai explodir.

ADAlberto Dell’Isola

Uma coisa aí, que se a pessoa faz uma crítica um pouco mais elaborada, ela teria que ir para um argumento que não tem experimento, que a sociedade não vive sem o fetiche da mercadoria, mas não tem experimento.

JCJoão Carvalho

Não tem. Mas aí assim, ainda assim, não, sim, mas eu tô querendo dizer assim, a ideia de que tipo assim, a sociedade não vive sem fetiche da mercadoria.

ADAlberto Dell’Isola

Como que a gente chegou no capitalismo então?

JCJoão Carvalho

Pois é, qual fetiche da mercadoria a gente tinha na Babilônia?

ADAlberto Dell’Isola

Não, eu até considero que esse fetiche vai ser histórico, no recorte histórico de cada povo, que vai ser hoje espelhinho, enfim. Mas aí, sabe que o povo, o grande problema que eu vejo é porque é um debate que vira Fetiche da mercadoria, a gente tá trabalhando com certos conceitos.

JCJoão Carvalho

Mercado é uma categoria muito anterior ao capitalismo, beleza. Fetiche sobre mercadoria pensa numa valorização de valor que é muito típica do período capitalista.

ADAlberto Dell’Isola

Não, claro, claro.

JCJoão Carvalho

Se eu vou pegar esse conceito e vou abrir esse conceito, talvez eu preciso de um outro conceito. Não, sim, mas guarda-chuva, ele consegue ser, sabe. Mas minha proposta, que a gente fica debatendo sobre isso, não, eu sei, mas eu tô falando assim, eu acho que mesmo quando você parte para outras formas de tentar fazer esse debate, a materialidade, porque assim, é um debate muito infraestrutural, sabe? A ideia de que tipo assim, que existiria algum tipo de base econômica de uma sociedade de camundongos que pode ser extrapolada, é bizarro, sabe?

ADAlberto Dell’Isola

Pensar, porque para mim uma questão estrutural importante em relação a socialismo e as experiências que a gente teve é que eu vou ter que ter uma economia planificada, eu vou ter que ter, que é o que a China faz hoje inclusive, cara.

JCJoão Carvalho

Daqui a 72 anos, é, não, hoje já é projetamento, não é nem planificamento, é projetamento, é um negócio absurdo, e geralmente chegando antes Não, e assim, não, e outra coisa, os cara tão começando a construir as estruturas de cidade que eles vão precisar em 2060.

ADAlberto Dell’Isola

Pois é, é uma coisa cabulosa. E de onde que tinha isso no Universo 25, cara?

JCJoão Carvalho

A começar que, tipo assim, pô, primeiro, velho, é um confinamento, né, velho? É um confinamento.

ADAlberto Dell’Isola

Acabou, é confinamento, é uma jaula.

JCJoão Carvalho

É uma jaula.

ADAlberto Dell’Isola

Uma jaula.

JCJoão Carvalho

E detalhe, sabe, porque assim, desculpa, cara, é muito diferente da natureza, aonde o grupo dos betinhas que foram mogados podiam simplesmente se mudar para outros lugares e para outro Sabe, igual o macaco faz, que o macaco perde.

ADAlberto Dell’Isola

Se os macacos eles participam dessas brigas de liderança, aí o macaco perdeu o reinado dele, cara, ele é expulso e vai buscar um outro lugar para ele. Ele não vai ficar no cantinho da sala chorando as pitangas não, é, sabe?

JCJoão Carvalho

E assim, porra, é um universo confinado, não existe economia de camundongos, eu acho que fora do Estortilheiro, né, porque é um documentário histórico muito importante.

ADAlberto Dell’Isola

Do atileiro. Eu vejo que é muito mais um exame, um teste projetivo. A pessoa vai, viés de confirmação, ela vai olhar para o experimento e afirmar valores que são importantes para ela por algum motivo, certo? Então vai ter gente que vai comentar, pô, se eles tivessem dinheiro para comprar um fuzil, cara, igual, cara, tem uns vídeos do Cogos. Nossa, caralho, eu nunca gosto de citar o Cogos, eu nunca citei, mas vou citar agora, só agora.

Que eu não quero ficar incentivando as pessoas assistir esse tipo de coisa. É uma pessoa que infelizmente tem transtorno mental severo, severo. E eu não gosto de defender a saúde mental só das pessoas que eu gosto, não. As pessoas que eu não gosto, eu não acho que existe capacitismo do bem, certo? Então é um cara claramente com transtorno do autismo, claramente. Mas eu acho que ele é diagnosticado, eu acho que ele é diagnosticado.

Mas ele chegou a afirmar que o jeito de acabar com o fuzilamento de criança em escola era armar as crianças na escola, era armar as crianças.

JCJoão Carvalho

Sim, enfim, tá aí algo que não tem como dar errado, né?

ADAlberto Dell’Isola

Esse tipo de extrapolação. E o pior que eu já achei que era um personagem. Aliás, eu sempre acho que é um personagem.

JCJoão Carvalho

Você já parou para pensar que os assaltos à padaria acabariam se cada padaria tivesse um míssil intercontinental balístico?

ADAlberto Dell’Isola

É, o pensamento é esse, você entende? E aí eu queria encerrar o episódio comentando sobre as hierarquias de Maslow.

JCJoão Carvalho

Conecta muito, faz todo sentido com esse tipo de experimento, porque criticam muito.

ADAlberto Dell’Isola

Ah, Maslow criou a hierarquia de necessidades, tá em todo coach, toda, enfim, tem muito sobre isso e não tem evidência científica, não sei o quê. Vamos lá, quais evidências científicas a gente tem para qualquer construto da psicologia, cara?

JCJoão Carvalho

Tirando inteligência, personalidade, construtivas, a parte da neuropsicologia.

ADAlberto Dell’Isola

Acabou, acabou, acabou, acabou. É tudo construção, sim, geralmente baseada em filosofia, coisa do tipo.

JCJoão Carvalho

E aí a hierarquia de necessidades é aquela que vai falar assim, olha, a gente quer que fique muito claro, gente, que não é por isso que deixa de ser ciência não, tá?

ADAlberto Dell’Isola

Claro que não, é claro que não. O preguiçoso inteligente tem aí de prática baseada em evidência e psicologia Eles não percebem que o critério deles de evidência tira a própria psicologia como evidência, porque é um critério para ciência errar, sem ser errado, sem ser dúvida. Pô, enfim. E aí tu vai ter o primeiro, cara, se eu não tiver fisiologia, eu não tenho que pensar em projeto, não tem como eu pensar em vestibular se eu não tiver comida aqui hoje.

Sim, beleza. Então, primeiro nível da hierarquia de Mesmer é fisiologia, só que depois é segurança, porque não basta ter comida hoje, eu tenho que ter certeza que amanhã eu vou ter. Quando você saltar da manhã, inclusive muita gente— que meu filho tá indo armado para escola para estar tudo bem, já se resguardando. Muita gente inclusive tem esse sonho, né, de morar no exterior.

JCJoão Carvalho

E classe média, AK-47 da Fisher-Price, toda coloridinha, faz barulho, pô, gulosinho.

ADAlberto Dell’Isola

Mas existe um fetiche às vezes da classe média de querer mudar para o exterior e não entende que alguém com a condição financeira dele de brasileiro na Europa não vai ter as regalias que tem aqui, não vai ter regalia que tem aqui, é uma vida muito mais dura em relação. Mas enfim, mas muita gente prefere por questão de segurança. Pô, eu prefiro eu ter uma vida que não vai ter faxineira, que não vai ter ajudante, que não vai ter nada, e que eu vou fazer isso tudo sozinho, mas meu filho pode ir sozinho a pé para escola.

Segurança. Agora, depois de segurança, cara, que vão surgir questões de autoestima, essa questão de autoestima, vínculo social, vai vir depois até o que vai chamar— na verdade, depois lá da segurança vai ter relações sociais, depois autoestima, depois que começa a falar que autorrealização é hierarquia dos Titãs.

JCJoão Carvalho

A gente não quer só comida, a gente quer bebida, diversão e arte.

ADAlberto Dell’Isola

E eu não quero nem colocar essa questão de, ah, meu propósito de vida, que propósito de vida é uma ideia muito contemporânea, né?

JCJoão Carvalho

Assim, a gente tem umas coisas, cara, que a gente toma como se fossem historicamente garantidas, como se fossem coisas que sempre existiram e que são muito mais contemporâneas que a gente imagina. Claro, inclusive infância.

ADAlberto Dell’Isola

Não, infância é uma coisa recentíssima.

JCJoão Carvalho

Infância é uma coisa super recente. Adolescência, mais recente ainda.

ADAlberto Dell’Isola

Criança era um mini adulto. Sim, não tinha essa distinção de criança, adulto. Então dizendo que ia ser certo, errado, não existia, são construções sociais. E inclusive o coach sempre vai pela busca do extraordinário e não percebe que o mais fantástico da vida é o ordinário. O mais fantástico é igual, cara, eu fui fazer a Bia dormir esses dias, Beatrizinha. Tem que falar, Beatrizinha linda, maravilhosa. Tá dormindo. Passou 15 minutos, ó, dormiu.

João sabe com esse negócio do dormiu, séria, é o momento mais sério de casa, é dormiu. E ela tava com o travesseirinho assim, aí eu fui olhar se ela tava respirando direitinho, se não tava atrapalhando ela, se tava dormindo mesmo. Ela pegou o travesseiro, tirou, achou! Meu Deus, achei! Quem procurar acha!

JCJoão Carvalho

Foi lá, viu? É, tava aqui, cara.

ADAlberto Dell’Isola

Para mim, isso aí que é extraordinário. Sim, cara. E as pessoas ficam buscando esse extraordinário fora, que eu vou ser um cara com isso. Cara, olha para sua casa.

JCJoão Carvalho

É isso, é isso.

ADAlberto Dell’Isola

Então teve até um coach famoso aí, desses empresários. Não gosto de ficar citando nome não, esse eu vou citar não, que falou assim: para mim, o mais importante é minha família. E aí teve um negócio dele de família, não sei se foi casamento, que que foi, que mostrou ele filmando, mexendo no computador no meio do casamento, na lua de mel. Nossa, cara, que coisa absurda! Aí teve estado, chegou assim: mas se para você a família é tão importante, por que que você não fica mais com sua família? Ah, porque eu tenho projetos maiores para família.

JCJoão Carvalho

Ele falou: não, é para isso que eu tenho o Bu, eu tenho a minha cadeira de cunho que eu sento ali no canto, ele está cuidando da minha família.

ADAlberto Dell’Isola

É, aí até que eu perguntei para o cara: Então o seu projeto de família envolve ficar longe da sua família. Não, cara, cara, se você quer ser conservador na sua família, vai cuidar da sua família.

JCJoão Carvalho

É isso, cara. Mas assim, citando o grande cientista do Watchmen, né, o Rorschach, que é aqui o cientista.

ADAlberto Dell’Isola

Eu achei interessante, Rorschach de cientista.

JCJoão Carvalho

Não, é porque eu tô brincando com o Rorschach de cientista e o Watchmen, né, porque no Watchmen tem o personagem, né, tem o Rorschach também no Watchmen. Mas quando a gente vê assim, cara, é essa ideia de teste de Rorschach, né, cara? Você bate o olho e você joga aquilo que você quer jogar ali em cima. É exatamente isso, sabe? Porque assim, da mesma forma que você extrapola o Universo 25 para falar: malditos soviéticos, olha o que eles fizeram com esses pobres ratinhos, né?

Maldito Stalin matou milhões de ratos nas minhas gaiolas que eu mesmo criei de uma forma louca. Não que o cientista tenha feito isso nem tal, eu tô falando assim a partir da vulgata da coisa, cara. Muitas vezes a gente pega uma coisa e extrapola uma outra completamente maluca. Por exemplo, o que você mais tem na internet é post de tipo assim, você pega uma foto de um tanto de galera na rua, morando na rua, numa situação horrível, e fala: se o comunismo chegar no Brasil, essa será a realidade do Brasil.

Aí você pergunta pro cara: de onde que é essa foto? Não, essa foto é de Los Angeles, saca? E aí você fica assim, ah, sabe? Então assim, a gente tem que entender o teste pelo que ele é. E a crítica tem que ser justa. Agora eu tenho uma última crítica, cara. Infelizmente, o eixo de rotação da Terra—

ADAlberto Dell’Isola

meu Deus, meu Deus, me surpreendeu, tá?

JCJoão Carvalho

Infelizmente, o eixo de rotação da Terra não foi inclinado da forma correta. Isso significa que mais uma Hora Boa chegou ao final. Agora, aproveitando para falar, pessoal, que eu conversei com vários ouvintes, e assim Eu não quero implicar nada não, mas o eixo da rotação da Terra não tá tão correto assim. Che Guevara não é o verdadeiro culpado, sem dúvida.

ADAlberto Dell’Isola

Só quero deixar isso aí. Inclusive, é culpa do Fidel um negócio. Meu primo Aldanita veio cá, que eu tava conversando com vários ouvintes, história boa, e descobri que ninguém se inscreve no nosso canal. O pessoal vai lá no Spotify e assiste lá, meu amigo. A gente tem o número de visualização que é igual o número de inscritos, cara. Que absurdo, que absurdo! Você vai inscrever no canal sim para dar relevância para o canal.

JCJoão Carvalho

Inscreve no canal, não só inscreve no canal, liga o sininho, porque aí você vai ser notificado. A gente tá postando short todo dia, a gente tá postando cortes todo dia, e agora tem vídeo exclusivo para membro. Começamos a colocar uns vídeos exclusivos para membros. Você que ainda não é membro, deixa eu te te contar um segredo: você não ganha só o vídeo exclusivo não, você tem tier para entrar no grupo. Nosso grupo de Telegram é uma delícia, é só gente maravilhosa.

Nós estamos lá também, galera, trocando ideia, mandando muito link legal, discutindo muita coisa. É muito bacana. Então vire membro, siga o canal, ligue o sininho, curta, comente, compartilhe. Pede na internet para algum site transformar um episódio do Hora Boa em um QR code, tatua na cara. Eu não te peço nada, nunca te pedi nada.

ADAlberto Dell’Isola

Uma coisa que eles não sabem: se a gente tivesse mil, pelo menos mil apoiadores, tinha episódio todo dia, tinha episódio 2 por dia, ia ter episódio ao vivo eu fazendo a Bia dormir. Eu já comprei. Nossa, dormiu, hein? Parabéns! Entendeu? Ia estar igual o CEO.

JCJoão Carvalho

É verdade, é verdade. Então você pode transformar o Hora Boa na TV Hora Boa, aonde eu e o Alberto vamos ficar 24 horas por dia com o nosso plano familiar de nunca mais ver a nossa família.

ADAlberto Dell’Isola

Isso, exatamente.

JCJoão Carvalho

E na semana que vem a gente volta. Obrigado, minutinhos, a gente ama vocês. Você, jovem que não é um rato careca, mas está ficando, tá? Aproveite o código da Manual 40% de desconto. A gente volta na semana que vem. Um beijo no seu coração, até a próxima e tchau, tchau!

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Alberto Dell'Isola

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