O Diabo Veste Capitalismo - por Marjorie Sanho (CompletaMente POP)
💼O trabalho, a estética e a exploração invisível.
Por que ainda queremos ser como Miranda Priestly? Pra quem estamos performando? Neste episódio, observamos as armadilhas do trabalho glamorizado, da cultura da performance e da estética "profissional" que esconde esgotamento e desigualdade. Entre CLTs cansadas, filtros de LinkedIn e a estética do burnout, a crítica é afiada — mas vem com glitter.
👠 Referência principal: O Diabo Veste Prada
📚 Indica Mente POP:- Livro: A Sociedade do Cansaço, de Byung-Chul Han;
- Músicas: The Winner Takes It All (ABBA) & I'm Still Standing (Elton Jonh);
- Série: Superstore;
- Influencer: @anaclaranp
💬 Reflexão: o crachá combina com a sua saúde mental? Qual foi o trabalho mais esteticamente pesado que você já teve?
Segue, avalia e compartilha com quem já confundiu sobrecarga com sucesso.
- A romantização do trabalho e a busca por parecer bem-sucedidocultura da performance·esgotamento profissional·O Diabo Veste Prada
- A cultura da performance nas redes sociais e a estética do burnoutredes sociais·burnout aesthetic·produtividade
- A figura de Miranda Priestly como símbolo de sucesso e adoecimento no trabalhoMiranda Priestly·O Diabo Veste Prada·cultura de performance
- A exploração invisível e a pressão estética no ambiente de trabalhocapitalismo·estética profissional·saúde mental
- A importância de equilibrar trabalho e vida pessoal para o bem-estarequilíbrio vida-trabalho·saúde mental·O Diabo Veste Prada
- Dicas para lidar com a pressão do trabalho e a cultura da produtividadeA Sociedade do Cansaço·Superstore·Ana Clara NP·saúde mental
Ei, será que eu posso te fazer uma pergunta? Quanto custa parecer bem-sucedido? Nossa, já começamos forte, né? Mas assim, nesse mundo onde crachá vira acessório e burnout é uma rotina fashion, eu acho bem assim importante a gente falar sobre isso, sabe? Quanto custa parecer bem-sucedida? Quanto custa, sabe, essa visualização, essa performance de ser bem-sucedido Pra as outras pessoas. Bem, seja bem-vindo ao Completamente Pop. Hoje a passarela é do capitalismo, mas cuidado, tá?
Porque se for pra ser explorada, que seja pelo menos servindo um look babado. Bem, nem sempre o crachá vai combinar com a sua dignidade, né? Bem, pensando dessa forma, eu acho que a gente pode já meter o salto nesse sistema e cutucar com um pouco de senso crítico e muito glitter essas questões. Como alguns sabem, vai lançar daqui a um tempo o filme do Diabo Veste Prada 2. E eu tive a ideia de, eu acho que, começar já falando sobre trabalho, sobre cinema e tudo mais.
Então assim, acho que a gente pode chegar num consenso de que em alguns momentos, às vezes vários, a gente vai chegar no final do dia e dizer assim: nossa, como eu estou cansado. Eu me senti a Andy do Diabo Veste Prada, que correu o dia inteiro de salto, ficou sem almoço e tá questionando tudo da minha vida. Eu tô questionando os cursos que eu fiz, as decisões que eu tomei. Cara, tô questionando se realmente eu ainda tô viva ou se eu só vivo pro trabalho, sabe?
Tipo... enfim. E eu acho que muito disso é pela romantização que a gente tem dos nossos próprios sonhos, sabe? Tipo, nossa, meu sonho é trabalhar com tal coisa. E aí você acorda cheio de planilha, com despertador de 4:30 da manhã. Você vai dormir de 11 da noite, você tem casa pra arrumar. Você tem muita coisa pra fazer e você fala, nossa, eu sonhei com isso? Meu Deus. Sabe? Eu acho que é um ponto. Mas bem, meu nome é Marjorie e hoje a pauta, além de grife, né, é sobre trabalho, sendo bem sincera.
Mas o capitalismo vai estar nos seguindo nessa costura meio dramática. Bem, eu acho que o primeiro ponto que a gente pode trabalhar é a Miranda, né. A Miranda, ela vista como a vilã ali, a mulher que cobra, cobra, cobra. A mulher que ela tá no topo da carreira dela, sabe. Ela tá no melhor momento da vida dela, onde ela é o centro das atenções. Ela é o norte pra todo mundo da... Dali do rolê, que trabalha com design, que trabalha com moda, que trabalha com revista, com modelagem, enfim.
Ela é vista como a maior, a mais mais. Ela é tipo a Andrée Surak da Vogue. Então assim... Mas a gente olhando isso, apesar dela ser a vilã no filme, por que será que a gente quer ser ela? Por que será que a gente quer tanto ser bem-sucedido? Sabe? A gente tá querendo se provar pra quem? Ou pra quais ambientes? Né, acho que a gente entra muito nisso. Bem, quando a gente fala muito sobre essa questão de performance, sobre essa questão de idealizar as coisas, principalmente em relação ao trabalho, eu acho que a gente entra num limbo, num poço que é difícil escalar depois, sabe?
Tipo, a vaga perfeita. Perfeita não, calma aí, meu português é um pouco deficitário, né? Mas enfim, aquela vaga perfeita onde o crachá vem com nome dourado, tem sala com ar-condicionado, É um chefe incrível, que sei lá, tipo, tem uma janelona de vidro com uma vista maravilhosa. E você vai de salto, com perfume Floratta Red, entendeu? Você sobe no elevador e tira, ai, indumentária do dia, tirar foto pro dump. E chega lá com um decolleté na mão.
Gente, que trabalho dos sonhos é esse, sabe? Tipo, esse sonho, muitas vezes, ele vem forrado de uma exploração meio invisível. De você, sabe? Então nesse caso, que é o tema desse episódio é trabalho, mas assim, eu acho que o título que eu posso botar aqui é o diabo veste capitalismo, né? Porque essa idealização que a gente faz, a gente é o nosso próprio diabo. Então eu acho bem interessante já começar dessa forma, porque quando a gente fala de trabalho, mesmo que seja algo que a gente gosta, pode virar uma prisão muito forte e assim meio que invisível.
Quando a gente vê, meio que já tá lá dentro. Entendeu? Principalmente com essa estética atual de chefia, de produtividade, de ser bem-sucedido, de cobrança, sabe? A gente cobra um preço pra gente mesmo, a gente bota uma pressão em cima da gente, que o preço é basicamente a nossa alma, entendeu? Dois boletos são pagos com, porra, quase um litro de suor. E eu falo isso, soltar aqui algumas informações, né? Eu sou estudante de universidade pública.
Então assim, a piada geral quando assim você bota os pés numa universidade pública é: universidade pública, a gente paga com a alma. Porque realmente não é questão de dinheiro, de você tá pagando. Ok que tem um custo muito alto, inclusive de você estar lá dentro, né? Mas tipo, tem uma questão muito mais específica de você literalmente pagar com a alma, de você estudar e você trabalhar e você tá ali, você querer ser alguém no mundo e você tá querendo se provar para você mesmo, inclusive o tempo inteiro.
Você quer se provar para professor, para colega de classe, Pra o namorado, a namorada, pra família, pra você mesmo, um grupo de amigos, com gente que você nem sequer conhece e que você nunca vai ver na vida também. Enfim, entra nessas questões. Então assim, é um pouco complicado a gente falar de trabalho sem a gente falar sobre cultura de performance, né. Sobre como a gente vira o nosso próprio carcereiro no meio de tudo isso.
Mas voltando um pouco pro filme, que vai ser o que vai embasar a nossa referência pop aqui. É um filme clássico, né, onde assim, vou dar um leve spoiler pra quem nunca assistiu. A Andy é a personagem lá da— ai, meu Deus, como é o nome dela? Como é o nome da menina? Esqueci. Gente, pera aí que eu esqueci, eu vou pesquisar aqui. Anne Hathaway, é a personagem da Anne Hathaway. E ela é tipo assim, uma garota normal, meio perdida, que chegou lá tipo meio que de paraquedas, sabe?
Ela é muito perdida, ela Chega lá pra fazer uma entrevista, ela nem sabe quem é a Miranda, sabe? Ela não sabe muito bem. Tipo, ela chega lá vestida de qualquer jeito pra um negócio que tem a ver com moda. Enfim, tipo, todo o roteiro do filme é escrito pra ela meio que se transformar completamente. Tipo, não só visualmente, mas também emocionalmente, tudo. Dentro do espaço do trabalho, né. Ela vive exclusivamente pro trabalho, ela perde o aniversário do namorado.
Ela leva um fecho aqui, um fecho ali. No outro dia, ela aparece, tipo... Transformada já naquilo que pontuaram pra ela. Enfim, tipo, tudo isso pra se encaixar num sistema onde exigem muitos sacrifícios estéticos, sociais e emocionais, sabe? Dentro dessa questão, tipo, a Miranda, que é a chefe dela no caso, ela é vista muito como fria, exigente, tipo um símbolo de poder, sabe? Isso seria um problema ou não? Porque ela é uma linha entre admiração E adoecimento bem doentio de trabalho, sabe?
Tem uma frase muito legal do filme que, assim, eu levo isso pra minha vida. Igual as frases da Lady Gaga. Que alguém fala pra ela, tipo assim: Ai, nossa, mas a Miranda, ela é muito exigente, ela é muito trabalhosa, que não sei o quê. E ela fala assim: Ah, você fala isso porque ela é mulher. Eu não vou lembrar a frase específica, mas é tipo assim: É porque ela é mulher. Porque se ela fosse um homem, ela seria muito elogiada por ela ser firme.
E não... Fria e cuzona, enfim. Isso é, tipo, gente, muito pontual, sabe? E eu acho que dentro dessas questões, a gente pode se perguntar quantas vezes a gente já achou bonita alguém que não tem tempo nem pra almoçar. Quantas vezes a gente engoliu o choro no banheiro do trabalho só pra, tipo, fazer parte do jogo, seguir a rotina e tudo mais. Eu falo isso, gente, Agora eu tô meio que de férias. Eu tô gravando esse episódio num domingo.
Eu tava numa rotina de meses e meses e meses trabalhando 16 horas por dia. 16! Então assim, eu até tinha planejado outro episódio pra começar o podcast. Mas eu acho que seria muito injusto até comigo não começar falando de trabalho. Até porque assim, abrindo aqui as portas pra discussão. Esse episódio, por falar de trabalho, ele toca muito no que será esse podcast, né? Tipo, eu não quero fazer disso aqui um trabalho, isso aqui é um hobby e é pra me deixar feliz, sabe?
Ah, mas é porque você comprou equipamento. Ah, mas é porque você fez... Gente, mas também fazer um negócio bonito, né? Tipo, pô, é pra mim. No final do dia, me deixando feliz é a questão. Mas voltando pro filme novamente, tipo, quantas coisas a gente abre mão e faz puramente por questões estéticas, de não, eu preciso porque isso é mais tipo, isso é o ritmo do jogo, sabe? Ou você joga ou você perde, como já diria Taylor Swift, sabe?
O trabalho vira muito identidade, tipo, ah, é fulano, fulano é o quê? Ah não, fulano trabalha com isso, fulano é tal coisa, fulano é fisioterapeuta, fulano é médico, fulano é professor, tipo, fulano é o trabalho, sabe? Quando não, isso é uma coisa assim mais Não é que não seja ligada ao trabalho, mas é ligada à personalidade da pessoa no trabalho. Nossa, mas fulana ela é muito fechada, fulana é muito fria. Nossa, mas fulana é muito exigente.
Sempre é relacionado a essas questões. Até porque assim, gente, a gente passa no mínimo 8 horas dentro de um ambiente de trabalho, no mínimo. Quando a gente não leva trabalho pra dentro de casa, entendeu? Tipo, coisas assim pontuais e tudo mais, enfim. E essa questão do trabalho virar uma identidade... Cara, assim, a gente pode meio que se perder um pouco nessa questão de ficar amando esse caos de, não, é porque eu trabalho muito, não tenho tempo nem pra almoçar.
Nossa, hoje eu nem tomei café direito, sabe? É 11 horas da manhã e eu tomei no máximo, tipo assim, uma água quando eu acordei. E eu tô aqui, linda e maravilhosa, trabalhando, tof, tof, tof, tof, sabe? Tipo... Gente, pelo amor de Deus, sabe? Não basta você ser bem-sucedido, você tem que mostrar pros outros. E aí a gente entra um pouco no quesito, no ambiente de rede social. Tipo, 7 da manhã, tá lá você com um cafezinho preto, uma legenda motivacional, entendeu?
Com uma musiquinha assim bem clean. Gente, que vida é essa, sabe? Tipo, é pra mostrar pros outros, sabe? E aquela questão: trabalhar leva esgotamento. Trabalhar não é sinônimo de força. Sabe? Você tem que fazer isso de uma forma saudável, né. Trabalho não é uma estética pra ser sucesso, não é a regra. Tipo, você trabalhar tantas horas por dia, você não ter tempo pra nada. Sabe? Isso não é uma estética legal. Sabe? Isso é muito assim...
Ai, eu poderia usar uma frase aqui, mas com certeza isso aqui cairia na hora se eu falasse isso, né. Então vou me abster de colocar outra palavra, tipo... É tão chifrinho. Nossa, eu amenizei muito, né? Mas tipo assim, essa estética de, ai, nossa, trabalho, trabalho, trabalho, tipo muito workaholic. Gente, me poupe, sabe? A gente é geração Z, a gente tem que tomar vergonha na cara, sabe? O trabalho, ele realmente vai sustentar tudo, sabe?
Porque eu, por exemplo, vou dar o meu exemplo, eu não me sinto feliz quando eu trabalho muito, porque porra, não tenho tempo para dormir. Eu durmo muito mal quando eu trabalho muito. Então assim, Porra, realmente, tipo, tem momentos assim que tipo uma piada ou outra, óbvio, por exemplo, eu vou soltar de, nossa, eu posso estar triste o quanto for, mas quando eu escuto o pof pof do meu salto, escutar não é bem meu forte, né, mas tipo assim, quando eu faço uma coisa assim tipo pof pof do meu salto, tipo eu indo para resolver alguma coisa para mim, para minha vida durante o trabalho, eu me sinto muito importante e tudo mais, né.
Enfim, eu acho que essa parte de Ser um salto ali do... Não só a questão feminina, mas tipo assim, nossa, eu estou posturada no meu trabalho e tudo mais, enfim. Mas essa parte de ser um CLT de salto, que se celebre e tal, é muito importante. Porque uma hora você tá de salto e sendo celebrada, e na seguinte você tá de bota ortopédica e tá sendo ignorada em casa, entendeu? Estética é um critério de autoridade, sabe? Mas é aquela questão, autoridade pra quem também?
Por que a gente tá performando tanto, entendeu? Uma coisa é, tipo assim, você ter 19 anos e você tá, tipo assim, nossa, mas eu tenho que escolher uma faculdade, eu tenho que escolher um curso, eu tenho que, sei lá, virar empreendedor e fazer tudo ao mesmo tempo. Enquanto você tem uma vida pessoal, tem cachorro, tem família, tem... Porra, questões psicológicas. Vocês têm muita coisa pra lidar. E aí, você se sente, tipo, muito sobrecarregado naquela crise do...
Tô quase nos 20, não faço nada. E aí você vai pro TikTok, começa a scrollar. E aí aparece uma clean girl que, porra, acorda 5 da manhã pra correr. E aí o quarto dela é todo branquinho. E ela fala o quanto ela foi produtiva naquele dia dela, que ela acordou 5 da manhã, que ela fez um planner colorido numa bancada branca que, nossa, parece um hospital. E tem 8 reuniões por dia. E ela vai, almoça, tipo... Um almoço bem colorido, assim, tipo...
Ai, não, porque hoje eu vou tomar um matcha às 6 da tarde. Porque tem cafeína pra mim render o resto do dia, mas eu não vou tomar café. Bicha, quem vai pagar teus boletos atrasados? Entendeu? Quem é que vai cuidar da tua dor nas costas? Entendeu? Porque você tem um chefe tóxico. Você tem insônia, entendeu? Essa rotina de performance, principalmente dentro de rede social e pra o outro... Puta que me pariu! Tipo, é muito burnout aesthetic, sabe?
Vai entender, tipo, porra... Quando você olha, você vê que você tá num buraco sem tamanho. Mas eu acho que existem formas da gente lidar com isso de uma forma mais saudável, sabe? Você tem 20 e poucos anos. Ah, mas é que eu tenho 30. Ah, mas é que eu tenho 50. Mona, tá morta? Então vai tomar no cu, entendeu? Não precisa de tudo isso, entendeu? No final do dia, você só tem que ser suficiente pra você. Ah, mas é porque eu tenho marido.
Ah, é porque eu tenho namorado. Ele que seja suficiente pra ele. Você não tem obrigação de se encaixar. Em padrão nenhum de, tipo assim, porra, ser uma peça essencial pra aquela pessoa se desenvolver. Seu papel ali é dar apoio, entendeu? Ah, mas é porque os meus amigos todos, eles vão pra Dubai nas férias. Você é todo mundo? Já diria minha mãe. Tu não é todo mundo, porra, entendeu? Tipo, se coloca no teu lugar. Não é uma questão de você fazer parte.
Obviamente, todo mundo quer ser desejado. Todo mundo quer aquela glamorização de ser reconhecido por ser bom no trabalho, de ser uma pessoa gentil, de ser uma pessoa bem-sucedida. Mas isso atravessa muitas questões, como cansaço, exploração, cobrança estética, toda essa cultura de performance, toda essa questão de você abrir mão de um tempo de qualidade com a sua família, um tempo de qualidade com você, entendeu? Um tempo pra você, porra, fazer um hobby.
Vai pintar um Bobbigoodies, entendeu? Vai consertar um banquinho de madeira, vai passear com o cachorro, vai tomar um banho de sol, sabe? Vai comer um churrasquinho, tomar uma cerveja, vai fazer alguma coisa que não seja tão romantizada, entendeu? Que você tenha que postar no Damp no final do mês, que você não tenha que postar um TBT daqui a algumas semanas, que você tenha que tá, porra, tirando uma foto, você tenha que— não, porque hoje eu fiz tal coisa.
Você não precisa se mostrar para ninguém, sabe? É aquela questão, a gente vê muito a Miranda como uma pessoa, né, a vilã ali das questões, mas a gente quer muito ser ela, entendeu? É o sujo falando do podre, nem é do mal lavado, sabe? Essa da questão de você querer estar com aquele crachazinho ali com o nome dourado, mas você também querer esse crachá dourado, esse patamar estético com 20 e poucos anos, você querer tudo isso sem você, tipo, porra, ter concluído a faculdade ainda, você não tá com doutorado completo, porra, tipo, tantas coisas para você fazer, não tem uma louça para lavar, entendeu?
Não tem um banheiro para limpar, um lixo para tirar de casa, um cachorro para alisar, nem que seja o da rua, sabe, que são sempre muito muito queridos com a gente, é aquela questão, tipo, não adianta você querer fazer algo além das suas questões, sabe? É aquela questão, você dá o sangue pela empresa pra ser demitida rápido, sabe? Você vai morrer e no outro dia vai ter uma pessoa idêntica a você fazendo exatamente o mesmo trabalho.
Porque você é um número pra empresa, entendeu? Mas a empresa pra você não é um número, é o seu ganha-pão, é o seu salário. Não adianta você, porra, ter uma cara de chefe, você botar um lookinho de escritório que você comprou na Shein, você comprar um salto confortável, às vezes que nem é confortável, só para você manter uma postura que não se sustenta. E você também pegar, chegar cansada do trabalho, de toda, depois dessa cultura de performance, de você passar o dia inteiro interpretando alguma coisa que você não é, e você chegar em casa e pegar o Instagram, pegar o LinkedIn, você pegar o TikTok e você tá olhando lá, e aí tem uma bonita que acordou 5 horas da manhã, tem ciclana que ganhou uma promoção, tem beltrano que, ai não, que eu estou encerrando um ciclo hoje porque eu vou para outra empresa.
Fulano foi demitido, gente. Ciclone que acordou 5 horas da manhã, ela dormiu a tarde inteira no dia anterior e botou o telefone para gravar. Ela gravou durante a semana inteira pedaços e mudou o horário na legenda. Aquele postzinho collab que você vê no TikTok, gente, pelo amor de Deus, que dali é dinheiro? Vocês têm que tomar um pouco de vergonha na cara, entender que o mundo não é um morango, entendeu? Essa questão de você dar o sangue, se esforçar mais do que os outros, ai, É trabalho enquanto eles dormem.
Bicha, tu só tá se matando. No final do dia, seu chefe vai continuar sendo seu chefe, você vai continuar sendo um número. O burnout e a produtividade vão ser medalhas silenciosas. Porque, ai, eu quero ser muito produtivo. Ai, porque eu quero muito fazer tal coisa. No final do dia, você vai ganhar é um belo, assim, de um cansaço extremo que você não vai conseguir se levantar da cama. Isso se você conseguir dormir, porque se você continuar essa rotina, você vai ganhar uma insônia, uma depressão, você vai começar a se alimentar mal, vai cair cabelo, a unha vai quebrar, você vai ficar pálida e tudo mais, entendeu?
Tipo, é uma piada que eu escuto muito de que eu praticamente virei o Michael Jackson porque eu mudei de cor. Porque eu basicamente trabalho tanto, trabalhava no caso, graças a Deus, trabalhava tanto que, bicha, eu não tinha tempo para pegar sol. Eu saía de casa, tava escuro, eu voltava, tava escuro. Eu não tinha tempo para brincar com as minhas gatas porque eu não tinha energia. Às vezes eu não tirava nenhum tênis, eu só encostava no lugar, eu dormia, entende?
Tipo, você ser um trabalhador de baixa renda, porque assim, eu acho que aqui ninguém é rico, mas tipo assim, o CLT de salto alto não é o mesmo CLT que vai com tênis fodido e ferrado, que pega ônibus, que pega metrô todo santo dia para estar ali, entendeu? Você vai de Uber Black, UberX, para tal lugar. Porra, você vai de ônibus, você pede 99 moto, entendeu? Trabalho é uma questão essencial porque a gente vive num mundo capitalista.
Isso é um ponto, isso é um fato, eu não posso falar o contrário disso. Mas também existe o trabalho do cuidado, da limpeza, da saúde, que é muito diferente desse glamour. A menina que acorda 5 horas da manhã para correr, para fazer um skincare, que usa, porra, um shampoo da Sebastian, não é tu que usa seda, que o banheiro tá sem o reboco, que toma banho de água fria porque não tem um Lorenzetti e parece que a gente tá no inverno.
Você não é essa pessoa, então não se bote nesse padrão, entendeu? Procure. Ah, mas é porque eu quero consumir algo rápido, que não sei o quê. Beleza, se dá o trabalho, o mínimo do trabalho de fazer bem pra você e procurar alguém na rede social que tenha algo parecido com você. Entendeu? Um rosto parecido com o seu, uma rotina parecida com a sua, um corpo parecido com o seu, para você não tá se comparando com uma pessoa que, porra, já nasceu com a vida ganha, entendeu?
Uma pessoa que tá ali, ó, plena. Se ela quiser ir para as Maldivas hoje e mandar um WhatsApp para o pai, tá o dinheiro na conta. Uma pessoa que, ai, é porque eu sou empreendedora. Meu amor, ela só tem um nome de família, ela não precisa nem sequer ser inteligente, saber o básico de administração. Pra fazer alguma coisa na vida. Então assim, meu amor, esses padrões estéticos de você ser competente, de você ser respeitada, depende muito do ambiente que você tá.
Se tu mora numa comunidade, numa favela, e você sai 4 e pouca da manhã, pega 3 ônibus, pega metrô pra chegar num lugar lá pra limpar banheiro, você não vai ser a mesma pessoa que acorda 9:30, anda 14 metros, está na empresa Sobe o elevador, vai pro último andar com uma vista maravilhosa, com seu cafezinho que alguém se fudeu muito pra fazer porque acordou cedo pra caralho pra entregar aquela merda pra você. E você passar o dia literalmente, tipo, ah, e fulano decidiu o quê?
Ah, tal coisa, beleza. Marco almoço com ciclaninho lá na área garden que a gente vai almoçar. E o almoço dura 4 horas. E você fala que é uma reunião de trabalho. Você não é essa pessoa. Se Deus quiser, um dia você vai chegar num patamar que você não precisa trabalhar tanto. Que você não precisa se desgastar tanto, acordar tão cedo, você não precisa vender as férias para ter o dinheiro para botar comida em casa. Mas é um dia, até lá você tem que se organizar melhor, porque a gente sabe como é a realidade do nosso país, entende?
Mas aquela questão, não adianta você olhar e consumir conteúdos que não fazem, porra, parte da sua vida, entendeu? É tipo um ambiente muito Defasado. Uma coisa é dizer assim, nossa, mas eu quero chegar até tal cargo e eu vou seguir essa pessoa por conta disso. Ótimo, super válido. Outra coisa é você seguir uma pessoa que só tem a vida perfeita, aparenta ter a vida perfeita, sabe? No final do dia, essas estéticas de, ai, grow balls, clean girl, essa rotina de sucesso de, não, você tem que fazer isso, sabe?
Esse papozinho meio de coach só vale foder, entendeu? É aquele meme de, nossa, eu entrei no emprego dos sonhos e agora virou um pesadelo pro RH. Realmente, entendeu? Tipo, entra muito nessas questões. Tipo, você pegar e entrar dentro dessas questões sem ter o mínimo de senso, sabe? Tipo, até de classe. Tipo, porra, bicho, tu é pobre, tu não é rico não. Então não adianta você seguir uma pessoa que tá com a vida ganha, entendeu?
Que literalmente o emprego dela tem um nome. E você achar que caralho, que ótimo, que pleno, que não sei o quê. Não. Sabe? Tipo, acho que dentro dessas questões eu acho que eu posso citar formas de lidar melhor com isso e tudo mais. Porque aquela questão, gente, a gente não vive num conto de fadas. A gente sofre muitas questões o dia inteiro, a gente não tem a vida ganha. Vamos concordar que a gente não tem a vida ganha? Então assim, eu acho que é o momento de botar aqui nosso quadro fixo, que é o Indica Mente Pop.
Que é hora de a gente indicar algo assim também que possa ajudar, que possa resolver, fora tudo que já foi falado aqui nesse curto podcast, né? Eu acho que assim, se você gosta de leitura, se você gosta de livro, eu indico A Sociedade do Cansaço, né? É um livro curtinho, sabe? Tipo assim, dá você dar um respiro, você termina. Eu, por exemplo, eu costumo ler bastante, então eu acho que é super tranquilo você ler esse livro porque ele é curtinho, é tipo, ele é tranquilo.
Eu não consigo falar o nome da pessoa que escreveu, gente, porque assim... É um nome meio asiático, então eu não vou nem sequer me arriscar a falar, né. Mas enfim, acho que como livro, A Sociedade do Cansaço. Já de série, se sua vibe é mais séria, você pode assistir Superstore, né. Que é uma série assim, crítica, meio hilária e tal. Que mostra um cotidiano bem precarizado de uma loja de departamentos. Entendeu? Vai trazer ali um humor, é um negócio assim tranquilo, sabe?
Pra você assistir, sei lá, numa quinta-feira. Sendo que você ainda tem que trabalhar sexta. Mas você se deu o luxo de assistir alguma coisa no final da noite, que você teve tempo. Sabe? Bota na TV, bota no telefone, no tablet, se você tiver. Nem que seja pra você só ficar escutando e tudo mais. As legendas são ótimas, dependendo do lugar que você assiste. Né, bem tranquilo. Eu acho que... Dicas assim mais práticas é: se possível, pega um solzinho.
Ah, mas é porque eu já trabalho no sol. Então pega uma sombra, amor, entendeu? Você pode tipo assim ver formas de lidar com a situação. Bebe mais água, pega um solzinho, come uma fruta, entendeu? Ah, mas é porque eu não tenho essa logística. Bicha, bota uma porra de uma laranja, uma banana no negócio, na mochila e leva pro trabalho. Leva, entendeu? Se der tempo, você come. É melhor você levar para o trabalho e trazer de volta do que você tá no trabalho, querer comer e não ter, entendeu?
Tipo, você arrumar um tempinho ali, uma faixa de tempo, tipo assim, que conseguiria comer a porra da fruta e você não comer. Então bebe mais água, água, porque assim, um rim tá caro. Hemodiálise é um inferno para fazer. Conheço pessoas que fazem hemodiálise e eu vejo o quão sofrido é. Então vai beber uma água, que esse teu rim aí tá só uma pedra, entendeu? Pega um solzinho, conversa com os teus amigos. Eu sei que assim, a gente tem que marcar pra ver os amigos a cada 3 meses.
Porque ninguém tem tempo pra porra nenhuma. Mas tenta, se esforça um tiquinho pra você se sentir melhor. Se você é muito de rede social, eu indicaria você seguir a Ana no TikTok. A Ana, ela fala muito sobre trabalho, sobre clássico. Mas assim, aquele humor, sabe? Gostosinho. Que ela vai refletir muito sobre essas questões de trabalho e tal, ela dá umas dicas muito boas. O arroba dela é @anaclaranp no TikTok. Super tranquilo de achar, ela é bem de boa, bem tranquila.
Mas assim, fora essas indicações, comentem aí se vocês têm alguma indicação extra, tipo, ah, eu indico série tal, eu indico ciclano de tal, eu indico isso, eu indico aquilo. Estejam abertos, entendeu? Aqui nós somos uma comunidade assim muito tranquila. Podem ficar à vontade e indicar aí o que vocês também fazem quando o dia tá uma merda, quando vocês não têm tempo pra nada e tudo mais, sabe? Mas assim, as dicas essenciais é: gente, por favor, parem de consumir, parem de dar stream, parem de dar engajamento nesse negócio de Office at Work, nesse negócio de trabalhar muito.
Começou alguém com esse papo torto pro seu lado, se saia de perto. Não precisa ser grosso não, que saia. Bota lá, não tem interesse, entendeu? Não interessado, por favor não mostra para mim. Se a pessoa só fala daquilo, bloqueia logo o criador, porque, gente, isso é uma falácia. Então a pessoa tá ganhando dinheiro às suas custas, entendeu? Com seu engajamentozinho ali de tipo assim, final do dia, quando você já tá esbaforido, isso só vai fazer você se sentir mal.
Então evite, sabe? Evita, que é o melhor que tu faz para tua vida. Mas assim, encerrando essa nossa discussão, eu acho que a gente pode fazer a pergunta do quê, né? Você quer ser mais uma Miranda na sua vida, que é aquela pessoa que, porra, só vive pro corre, entendeu? Que o capitalismo é praticamente ela e, porra, demite quem usa Crocs? Ou você quer ser uma pessoa que cuida mais de você, né? Plot spoiler do final do filme do Diabo Veste Prada.
A Angie no final ela larga meio que ali o emprego, ela larga a Miranda e vai embora. E até joga o telefonezinho dela na fonte e tudo mais. Porque ela fala assim, ai, essa vida, não vou ficar me matando pra isso não, entendeu? Eu acho que a gente pode chegar no meu termo. Nem é tipo jogar tudo pro ar e nem é tipo assim só viver pro trabalho. É saber conciliar as coisas, o que é muito difícil, né. A gente pode concordar que essa questão é muito difícil, senão eu não estaria falando aqui, né.
Mas do mesmo a gente só tem consciência e não fala sobre isso. Mas eu acho que seria bem importante da gente pensar na gente de uma forma mais carinhosa, né? É aquela questão: a gente tá trabalhando pra quem? Pra quê? Em qual corpo? Entendeu? No final, o crachá qualquer um usa, sabe? O que seria do crachá sem a gente? A mesma coisa, sabe? Porque o diabo Pode até vestir Prada, mas a gente anda de ônibus com marmita e orelha de 3 dias, sabe?
Quem tá com a vida ganha, ótimo. Mas a gente, olha, é lá naquele lugar que a gente toma todo santo dia. Então fiquem de boas, fiquem calmos, não vivam somente por trabalho. Se quiserem conversar, estamos aqui, entendeu? Fiquem muito assim à vontade pra discutir, pra conversar e tudo mais, enfim. Se esse episódio de alguma forma cutucou algumas verdades dentro de você, compartilha com alguém, bicha, entendeu? Não é tipo assim, nossa, eu vou jogar nos meus stories.
Se quiser, fica à vontade, me marca inclusive, é @marjo.sanho no Instagram. Mas assim, se você tá ouvindo isso aqui por alguma plataforma de streaming, dá 5 estrelas, sabe? Me conta aqui qual foi o trabalho mais esteticamente pesado que você já teve, sabe? Fiquem à vontade, tá bom, meus anjos? A gente se encontra num próximo episódio do Completamente Pop, onde a cultura nunca vem sozinha, né? Um beijo, bom descanso, e nada de chefiar burnout na vida de vocês, tá, meu bem?
Nada disso. Vocês são muito amados, vocês são muito queridos, não só por mim, mas também pela família de vocês. Então tomem cuidado da cabecinha, porque terapia é muito mais caro que qualquer boleto que você possa pagar na sua vida.