Episódios de Refletindo sem pressa

#18 - Você não vai dar conta de tudo

11 de maio de 202624min
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Escolha qual prato vai cair. Porque não dá pra dar conta de tudo o tempo todo, tentar fazer isso tem um preço.

Nesse episódio, a gente fala sobre as duas armadilhas mais comuns quando o assunto é tentar equilibrar as áreas da vida: o tudo ou nada e o perfeccionismo. E por que as duas te deixam exausta sem te levar a lugar nenhum.

A proposta aqui não é te ensinar a equilibrar tudo o tempo todo, mas te ajudar a distribuir seu tempo e energia com intenção, considerando o quanto você tem, o momento que você está vivendo e as áreas que mais precisam de você agora.

Não é sobre dar conta de tudo o tempo todo. Mas sobre escolher dar um pouco pra tudo o tempo todo.

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Participantes neste episódio1
R

Raíssa

Host
Assuntos4
  • Ordem e equilíbrio na vidaO 'tudo ou nada' · O perfeccionismo · A ilusão de dar conta de tudo · A importância de escolher o que deixar cair
  • Aproveitamento de tempo e recursosO conceito do galão de gasolina · A importância de investir 1% em cada área · O 'quanto, quando e onde' · A roda da vida e suas 12 áreas
  • A Arte de Não Fazer NadaA conexão entre as áreas da vida · A variação da energia e do tempo · A comparação com redes sociais
  • Desfrutar do SimplesO pai dizendo 'te amo'
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Oi, você tá dando conta de tudo ou você já deixou vários pratinhos caírem? Quando foi a última vez que você sentiu que estava cuidando bem da sua vida e não só apagando incêndios? Como é que você tem distribuído o seu tempo e a sua energia no dia a dia?

Todo mundo, agora ou em algum momento, já tentou equilibrar todos os pratinhos da própria vida. As pessoas, no geral, esperam que a gente dê conta de tudo, né? Do trabalho, do relacionamento, da família, da academia, dos amigos, dos boletos, da saúde, do lazer e por aí vai. Mas, gente, não dá pra dar conta de tudo o tempo todo. É impossível, ponto.

Acabou o episódio. Brincadeiras à parte, realmente não tem como. Mas é preciso, sim, dar um pouco de si pra tudo o tempo todo. E é disso que a gente vai falar nesse episódio de hoje. Como é que a gente faz pra dar um pouco de si pra tudo o tempo todo, mas sem esperar dar conta de tudo.

E pra começar, eu já quero falar de duas atitudes muito comuns que eu vejo por aí. A primeira, e a mais clássica, é pensar que você tem que parar de dar atenção pra uma determinada área da sua vida, pra ir bem em alguma área específica. Ah, pra ganhar dinheiro e prosperar na carreira, eu preciso abrir mão da minha saúde. Ah, pra ser uma boa mãe, eu preciso abrir mão da minha carreira.

Ah, eu vou parar de sair com os meus amigos, ir pra festa, pro bar, porque eu tô 100% focada no shape e na dieta. Ah, agora que eu tô namorando, eu vou parar de dar atenção pros meus amigos. Eles vão entender. Tem muita gente que vai pra esse extremo de tudo ou nada. A pessoa foca a maior parte do tempo e da energia que ela tem em uma determinada área da vida e esquece todas as outras.

Na cabeça dela, quando a área X estiver bem, ela terá tempo e energia para cuidar das áreas Y e Z. Quando ela estiver muito bem sucedida no trabalho, ela começa a cuidar da saúde. Quando os filhos crescerem mais um pouco, ela volta a pensar na carreira. Quando ela estiver com o corpo dos sonhos, ela vai se permitir sair mais.

Só que, gente, esses pensamentos são um tanto quanto problemáticos, porque não dá pra separar as áreas da nossa vida como se elas fossem uma pizza. No fim das contas, todas as áreas se afetam mutuamente. Pensa no seguinte cenário da pessoa que decidiu focar 100% no trabalho e parou de se exercitar, de se alimentar bem, de dormir bem.

Como ela precisa performar no trabalho, ela faz horas extras, ela vai dormir mais tarde fazendo as próprias demandas e as demandas de outras pessoas do time. Ela dorme e acorda pensando no trabalho e a vida dela toda gira em torno do trabalho.

E aí beleza, o trabalho tá indo super bem, ela tá conseguindo progredir ali na carreira, talvez tenha sido promovida, ela tá entregando tudo e mais. No trabalho ela pode se gabar de ser uma máquina. Só que aí passa um tempinho, umas semanas, uns meses, pra algumas pessoas até alguns anos, e como ela não tá dando muita atenção pra saúde, ela começa a ficar mais cansada e indisposta.

E aí ela acaba demorando mais pra raciocinar coisas simples, ela começa a cometer alguns erros bobos no trabalho. E como ela já estava sem disposição e agora ainda está errando mais no trabalho, que é o foco da vida dela, ela tem ficado mais irritada e aí ela chega em casa e ela briga com a família. Ela explode com o namorado ou com o marido. Ela grita com os filhos que deixaram o pacote de bolacha aberto.

E aí como o corpo dela também começou a mudar, porque ela tá se entupindo de besteira, porque ela só consegue comer na mesa do trabalho, ela tá começando a se sentir mal com a própria autoestima, com a própria aparência. E aí ela começa a pensar que as pessoas estão falando mal dela, que as pessoas estão achando que ela tá mais deslanchada, que o marido já não gosta mais tanto dela assim, nem se sente tão atraído por ela.

E aí tudo vai virando uma grande bola de neve, né? Esse aqui é um exemplo muito genérico, mas pra gente pensar que, embora as áreas da nossa vida pareçam isoladas, cada uma no seu quadradinho, na prática tudo se integra, gente. Porque todos os pontos da sua vida se conectam em um único mesmo ponto, que é você. Então o seu trabalho vai afetar seu relacionamento, que vai afetar sua saúde, que vai afetar suas amizades, que vai afetar sua qualidade de vida, que vai afetar seu financeiro, que vai afetar tudo.

Quer ver um outro exemplo? Pensa quando você brigou feio com alguém. Ou você teve uma discussão com uma pessoa que é importante pra você. Sua cabeça fica ou não fica no que você falou, no que você deveria ter falado. Em como as coisas são e deveriam ser. Se você deve pedir desculpas, se a outra pessoa vai pedir desculpas. Que o fulano é assim ou assado. Por mais que você tente focar, às vezes, no trabalho, na academia, na leitura de um livro, sua cabeça volta pra discussão, não volta? Então, de novo, não tem como separar as coisas.

Ah, Raíssa, então você tá me dizendo que o jeito é equilibrar tudo. Já que tá tudo conectado, eu preciso então me dedicar igualmente pra todas as áreas da minha vida? Não. Não dá pra investir o mesmo tempo e a mesma energia pra todas as áreas da sua vida. Não dá pra ser 100% em tudo e não dá pra se dedicar igualmente pra todas as áreas.

Quem pensa que isso é possível, geralmente cai no outro extremo, que é o da ilusão do perfeccionismo. É a pessoa que acredita de verdade que ela consegue equilibrar tudo. Que ela consegue ficar igual um malabarista, equilibrando 30 pratinhos ao mesmo tempo, sem deixar nenhum cair. Só que aí no fundo a pessoa tá faltando ficar maluca de tanto se cobrar pra manter tudo equilibrado e perfeito. Mas isso também é impossível, gente.

E eu sei que quando a gente olha pras pessoas no dia a dia, quando a gente vê as pessoas na internet, nas redes sociais, parece que isso é possível. Parece que a pessoa consegue ir super bem no trabalho e ainda estudar e ainda treinar e ainda fazer cardio. E ainda ter o corpo dos sonhos e ainda ter um relacionamento perfeito. E ainda conseguir sair com as amigas e ainda isso e aquilo. Mas na vida real, as coisas não são bem assim.

Eu, pelo menos, nunca conheci ninguém que conseguiu manter tudo perfeitinho o tempo todo. Em um ou outro momento, quando as coisas estavam mais tranquilas, até que sim. Mas sempre desconheço. Só que quando a gente acredita que isso é possível, a gente entra nesse limbo de perfeição e autocobrança.

E aí a gente tem um episódio inteiro aqui nesse podcast pra falar disso. Não vou entrar nesse mérito. O ponto é que é que embora pareça que tá tudo lindo e perfeito, na realidade, muito provavelmente, essa pessoa que você tá vendo tá aos trancos e barrancos, quase à beira de um colapso, tentando manter tudo isso. E não é nem que o outro tá mentindo que dá conta de tudo.

Às vezes até tá. Tem gente que mente mesmo. Mas eu, Raíssa, acredito que a maioria só quer acreditar muito que realmente é possível. E eu tô aqui pra te dizer de novo que não é. Porque, gente, vão ter fases na vida e você precisará dar mais atenção pra uma ou outra área da sua vida.

Vão ter fases que você vai precisar colocar o pé no acelerador e se dedicar um pouco mais à sua carreira. Vão ter fases que alguém da sua família não vai estar bem de saúde. E você vai precisar se dedicar mais pra sua família. Vão ter fases que você vai precisar treinar e se alimentar melhor pra atingir um objetivo específico. Ou indo ainda mais pro dia a dia, pra um exemplo ainda mais simples.

Se você trabalha presencialmente em alguns dias da semana e outros não, assim como eu, vão ter dias que você vai ter mais tempo e energia pra fazer algum esporte. E vão ter outros dias, nos dias que você vai presencialmente no trabalho, que você vai ter pouco ou nenhum tempo pra fazer alguma atividade física. Porque você tem que gastar ali um tempo pra se deslocar até o trabalho.

Então é humanamente impossível, e contrário às leis da vida, acreditar que dá pra equilibrar tudo e dar conta de tudo o tempo todo. Tá, Raíssa, mas aí a gente faz o que, então? O que eu, Raíssa, acredito que é possível, nem sempre é viável, mas é o que é mais possível de se fazer, sem cair no extremo do tudo ou nada, nem na ilusão do perfeccionismo?

É escolher intencionalmente quanto, quando e onde você vai dedicar o seu tempo e a sua energia. É escolher qual prato você vai deixar cair em um determinado momento da sua vida. E não só esperar que ele caia pra depois você acabar sendo surpreendida com o fato de que ele caiu e se espatifou todo no chão. Pra ficar mais clara, eu vou usar uma metáfora que a Carol Hach usou uma vez em um outro contexto e que eu acho que cabe super aqui. Imagina que dentro de você tem um grande galão de gasolina.

E aí você tem vários mini galõezinhos pra cada área da sua vida. Então você tem o galãozinho profissional, o galãozinho da saúde, o galãozinho do relacionamento, o galãozinho dos esportes, o galãozinho da casa arrumada, vários galãozinhos. E você precisa distribuir a energia desse galãozão nesses galãozinhos. Nem sei se a palavra galãozinho existe, mas enfim.

Esse estoque de gasolina é limitado, né? Então você tem que escolher com muita sabedoria e inteligência como é que você vai distribuir essa energia toda ao longo dos seus dias, certo? Se você se lembra de abastecer um pouquinho todos os dias, cada um dos galões...

Mesmo que na terça você tenha colocado 10ml de energia, e na quarta 5ml, e na quinta só 1ml, você concorda comigo que se amanhã ou depois você precisar desse galão, ele estará abastecido? Então mesmo que em alguns dias o máximo que você consiga fazer seja o mínimo, sabe aquela coisa de fiz o que pude, pude pouco.

Mesmo que você tenha conseguido colocar só um tiquinho de gasolina em um determinado galãozinho, de pouquinho em pouquinho ele vai sendo abastecido, certo? Porque foi uma construção diária. Só que aí o que a maioria das pessoas faz? As pessoas que caem lá no extremo do tudo ou nada. Ela pega todo esse galão de gasolina e deposita em um galãozinho só. Ela pega o litro inteiro e coloca no trabalho, por exemplo.

Deixa todo o resto de lado. E depois ela acha ruim que os relacionamentos não dão certo. Que a saúde tá péssima, que a casa tá desarrumada. Mas ela não dedicou nenhum tempo, nenhuma energia pros outros galãozinhos. O que a pessoa perfeccionista faz? Ela tenta colocar tudo certinho. Cronometrar cada hora do dia, cada estoquezinho de energia. E colocar os mesmos MLs em cada um dos galãozinhos.

ignorando todos os outros contextos da vida dela. Então, o que eu acredito é que com o tempo e energia que a gente tem um dia, a gente precisa distribuir com intenção e se adequando ao momento e ao contexto da nossa vida, o tempo e energia que a gente tem pra cada área da nossa vida. Pergunta não é como que a gente faz pra encher todos os galãozinhos igualmente.

A pergunta é, dado o que eu tenho, como é que eu distribuo? Dado o tempo e a energia que eu tenho no dia, como é que eu distribuo com intenção e se adequando ao momento e ao contexto da minha vida, esse tempo e essa energia que eu tenho para cada uma das áreas mais importantes da minha vida?

Pra responder isso, eu sempre penso em três coisas. Quanto, quando e onde? Quanto é o meu estoque de tempo e energia? Tempo e energia são limitados, gente. Você concorda que você tem 24 horas no dia? E por mais que você reze e queira muito, você não tem como adicionar nenhuma hora a mais no seu dia?

E você concorda também que a sua energia é limitada e ela varia? Quanto mais coisas você faz, mais energia mental, física, emocional você gasta. E tem dias que você acorda bem e você tem mais energia. Tem dias que você dormiu mal e tá com menos energia.

Tem dias que você ficou doente e você não tem energia nenhuma. Então, quanto eu tenho de tempo e de energia? Primeiro ponto. Segundo ponto, quando? Qual é o meu momento de vida? Tem alguma área hoje na minha vida que tá exigindo mais de mim? Eu tenho alguma coisa urgente pra entregar no trabalho? Eu tô tentando criar algum hábito específico?

Eu quero ou preciso passar mais tempo com a minha família, com os meus filhos, com meu namorado, sei lá. Qual é o meu contexto de vida? O quando é pra lembrar da gente olhar a fase que a gente tá vivendo. Se é uma fase mais difícil, se é uma fase mais fácil, se é uma fase que tá pedindo mais pra alguma área ou pra outra.

E aí o terceiro ponto, onde? O onde é pra lembrar das áreas mais importantes da nossa vida. Eu sempre gosto de pensar nas 12 áreas que tem na roda da vida. Você pode jogar aí na internet, roda da vida, 12 áreas que você vai encontrar. Mas só pra citar essas 12 são, saúde e disposição, intelecto, equilíbrio emocional, espiritualidade, plenitude e felicidade, lazer e diversão, família, relacionamento, vida social, contribuição social, finanças e bens, realização e propósito.

Então ela pega ali os aspectos principais da vida, então pessoal, qualidade de vida, profissional e relacionamentos, e divide em 12 áreas. E aí pensando no quanto, quando e onde, você faz o quê? Você pensa, dado o meu estoque de tempo e energia, e considerando o meu momento de vida, para quais áreas eu escolho olhar com mais ou menos atenção nesse momento?

Retomando um exemplo que eu usei antes, se você está numa fase que alguém da sua família não está bem de saúde, se esse é o seu quando, o seu contexto, e se o seu estoque de tempo no dia a dia é dividido, sei lá, entre o seu trabalho, o tempo com a sua família e o seu tempo de atividade física.

Se não tem como flexibilizar no trabalho, talvez o pratinho da atividade física vai precisar cair nesse momento pra você dar mais atenção pra sua família e pra sua saúde emocional que estão exigindo mais de você nesse momento. Não é que você vai abandonar...

física de vez. Mas é que seu momento de vida tá te pedindo isso. Faz sentido? Na minha cabeça, no dia a dia, isso facilita muito pra eu conseguir entender o que que eu preciso fazer. Onde eu preciso focar a minha energia e o meu tempo sem me sentir culpada, sabe? De estar me dedicando mais ou menos pra alguma coisa.

Isso tanto pra uma visão macro, pensando na semana, no mês, no ano, no que eu quero fazer, no que eu preciso fazer, quanto no dia a dia, sabe? Então, por exemplo, sei lá, se eu tenho que entregar XPTO no trabalho, eu tenho que ir na academia, eu tenho que cozinhar, eu tenho que arrumar a casa, e eu quero terminar de ler um livro que eu tô lendo, e eu tenho que criar o conteúdo aqui do podcast, e hoje é um dia que eu dormi bem, eu tô descansada e eu tô com bastante energia.

Eu sei que eu vou conseguir fazer essas várias coisas dentro das minhas 24 horas. Só que se hoje é um dia que eu dormi mal e eu tô com pouca energia, eu já acordei meio estressada, eu vou tentar reduzir essas tarefas, eu vou tentar reduzir o onde. Porque o meu quanto, o meu estoque de energia tá limitado. E aí a gente precisa priorizar, né? Então, gente, em termos práticos, no dia a dia, a gente vai precisar pegar esse galãozão.

e distribuí-lo nos galãozinhos. E eu acho que pensar dessa forma, ter essa consciência do quanto, quando e onde, evita que a gente caia no que a gente conversou no início, do tudo ou nada, de abandonar completamente algumas áreas da vida em prol de outras, e evita também que a gente tente ficar igual uma maluca, equilibrando tudo o tempo todo.

Então não é sobre dar conta de tudo, não é sobre distribuir igualmente o seu estoque de energia para cada uma das áreas da sua vida. Mas é entender que é importante dar 1%, 1ml de gasolina para cada área. Tá tudo bem se você precisar dedicar mais tempo ao seu trabalho em um determinado dia, ficar trabalhando até mais tarde. E por conta disso você não conseguir passar tempo com a sua família, com o seu namorado, seus amigos, enfim.

Tá tudo bem se você precisou de alguma entrega do trabalho pra conseguir sair mais cedo e ir no aniversário de uma amiga sua. Tá tudo bem se você precisar dizer não pra uma amiga que tá te chamando pra sair, porque você precisa acordar cedo no outro dia pra treinar. Tá tudo bem se você precisar deixar o treino de lado um dia pra poder dormir mais um pouco.

Tá tudo bem você precisar deixar um pratinho cair pra manter o outro de pé. O problema, gente, não é deixar o pratinho cair. O problema é deixar ele cair sempre. O problema é você nunca investir um ml do seu galãozão nesse galãozinho.

No curto prazo, tá tudo bem você não dar conta ou precisar abrir mão de alguma área da sua vida em prol de outra. Isso faz parte. Mas no médio e longo prazo, você precisa tentar distribuir, colocando um tiquinho em cada área.

Eu não tô falando pra você investir 100%, 20%, 10%. É o 1% pra que não seja zero. Porque zero é deixar o prato caído. 1% é entender que não dá tudo, mas dá um pouco. Não dá pra dar conta de tudo o tempo todo. Mas dá pra dar o tempo todo um pouco pra tudo.

Em outras palavras, se você não consegue treinar uma hora porque o trabalho tá puxado, caminha por 10 minutos. Se você não consegue sair com as suas amigas toda semana porque você tá cansada, saia um dia a cada 15 dias. Se você não consegue entregar todas as demandas do trabalho...

Sem perder horas de sono. Entregue o que é mais urgente. Se você não consegue economizar 100 reais, economize 1 real. No curto prazo, escolha com consciência e intenção qual prato vai cair. Mas no momento seguinte, no médio e longo prazo, retome o prato que caiu. E invista nele. O bem feito é melhor que perfeito, gente. Eu sei que às vezes parece pouco. A gente tem mania de achar que o pouco não vale nada. Que já que é pra economizar só 1 real, então não vai economizar nada.

Mas se você economizar um real por cem dias, no final de cem dias você tem cem reais. Se você caminhar por dez minutos todos os dias, no final de um mês, você vai ter caminhado trezentos minutos. Que é o equivalente a cinco horas. Cinco horas de exercício é melhor do que zero horas de exercício. E eu não errei na conta, tá? Porque eu parei aqui pra perguntar pro chat de PT. Porque eu tava fazendo a conta errada e pensando que era três mil minutos e não trezentos. Mas enfim.

Vá acumulando de pouquinho em pouquinho, se você não puder investir mais tempo e energia nessa área agora. Ah, Raíssa, mas eu realmente não tenho tempo. Minha vida tá uma loucura. Não tá sobrando nem esses 10 minutos pra fazer exercício. Pode não ser o seu caso. Mas abre o seu celular, vai lá nas configurações, abre a opção de tempo de tela e me fala quanto tempo você ficou nas redes sociais na última semana.

Se você tiver ficado menos de 10 minutos, eu não vou falar nada. Eu retiro completamente o que eu disse e me ignora. Mas se você ficou mais do que os 10 minutos que você tá falando que você não tem, será mesmo que você não tem tempo ou você não tá manejando bem o seu tempo? Mulher, pega esses 10, 15 minutos e faz uma caminhada no Esteira vendo o TikTok. Eu não tô falando pra você deixar de ficar nas redes sociais. Tem um monte de vídeo engraçado que faz a gente dar risada e dar uma descontraída no final do dia.

Mas é importante que você seja honesta com você mesma. Será mesmo que você não tem tempo e energia? Ou você não tá sendo sincero sobre como você tem usado esse seu tempo e energia? Fica aí a provocação. Enfim, gente, isso é algo que eu tenho aprendido muito no meu dia a dia. Eu tenho exercitado todos os dias, porque a vida anda bem corrida. E são 500 pratinhos pra tentar manter de pé. E um...

uma única raiz, um único galãozão. Mas eu tenho percebido cada vez mais que olhar pro quanto, quando e onde e escolher mesmo, escolher como é que eu vou distribuir, qual prato eu vou deixar cair, qual galão eu vou me dedicar menos, tem me ajudado muito, muito, muito, muito.

a passar pelos dias sem me sentir uma completa derrota, um completo fracasso por não ter conseguido fazer mais, sabe? Eu não sei vocês, mas nas vezes que eu fiquei tentando apagar incêndio, tentando equilibrar tudo, o tempo todo, acreditando realmente que dava pra ser perfeita, vários pratinhos começaram a cair. E aí eu me surpreendia toda vez que um pratinho caía. Eu me sentia mal por ele ter caído, por eu não ter conseguido manter ele de pé.

Só que quando eu escolho qual prato vai cair, eu não me surpreendo mais quando ele cai, sabe? Tem um exemplo que eu dei uma vez nos stories lá do Instagram. E eu vou repetir ele aqui porque eu acho que é útil e facilita entender isso que eu tô falando também. Pensa que você tá na escola e você tem duas provas pra fazer no mesmo dia. História e matemática. E história você até que vai bem. Você não vai super bem, mas você consegue se virar. Dá pra passar. E matemática você tá ao ponto de pegar recuperação.

E aí, como essas duas provas vão cair no mesmo dia, você tem um tempo limitado pra estudar, né? E aí você pode pensar, não, eu vou estudar o que der das duas matérias e vambora. Ou você pode olhar pro contexto e pensar, eu tô ao ponto de pegar a recuperação de matemática. Se eu for mal em história, eu até consigo passar. Mas eu preciso ir muito bem nessa prova de matemática.

E aí escolher usar todo o tempo que você tem pra estudar só pra matemática. Se você foi tentando estudar pras duas coisas ao mesmo tempo, quando chega as notas da prova, se você tiver ido mal nas duas provas, tanto em história quanto em matemática, mas pior ainda em matemática do que em história, talvez você se surpreenda e fique chateada, né? Poxa, estudei tanto, como é que eu fui mal nessas duas provas?

Mas se você escolheu, intencionalmente, dedicar todo o seu tempo pra prova de matemática e não estudar nada pra história, quando chegam as notas, se você foi mal em história, é uma surpresa pra ti? Não, né? Você assumiu o risco de talvez ir mal na prova de história pra poder se dedicar à prova de matemática.

Então, mesmo que você tenha ido mal na prova de matemática também, ainda que você tenha se esforçado e se dedicado muito, acontece, né, não é porque você se esforçou muito que necessariamente as coisas vão ir bem. A vida dá dessas. Em vez que a gente se dedica muito e ainda assim as coisas vão no sentido contrário que a gente pensou.

Mas ainda que você tenha ido bem ou mal na prova de matemática, você não se surpreende com a nota de história, porque você escolheu deixar o pratinho da história cair. É a mesma coisa na nossa vida. Quando a gente escolhe, no curto prazo, olhar pro nosso contexto de vida, olhar pro que a vida tá exigindo da gente nesse momento, e escolhe qual pratinho a gente vai deixar cair, a gente não se surpreende nem se sente tão mal quando esse pratinho de fato cai.

Mas se a gente fica tentando equilibrar tudo, quando os pratinhos vão caindo, a gente vai sendo pego de surpresa. E aí cada prato que cai é um choque, é uma angústia, é uma frustração. Porque você não tava esperando que ele fosse cair. Então eu acho que ajuda muito pensar nisso, trazer essa consciência do quanto, quando e onde.

E escolher com intenção no dia a dia mesmo. Sem esperar dar conta de tudo. Mas também sem deixar de se dedicar um pouco pra tudo. Então, se vocês puderem levar uma única ideia desse episódio de hoje. Levem que não tem como você dar conta de tudo o tempo todo. Mas tem como você escolher dar um pouco de si pra tudo o tempo todo.

Não tudo de si, um pouco, com intenção e contexto. Faz sentido? Se fizer sentido, você me conta nos comentários. E se não fizer também, você me conta nos comentários também. Mas é isso, gente. Fechamos por aqui a parte principal. Indo agora pro nosso quadro de pequenas alegrias, vitórias e aprendizados da semana.

Que é o momento do episódio em que eu te conto uma pequena alegria e vitória da minha semana. E te lembro de pensar na sua pequena alegria e vitória também. Como uma forma da gente olhar com mais cuidado e carinho pro nosso dia a dia. A minha pequena alegria da semana foi... Eu peguei aqui a minha agendinha em que eu anoto tudo todos os dias. Pra olhar...

As pequenas alegrias da semana. E teve uma muito especial. Que foi o meu pai dizendo. Talvez pela primeira vez. Te amo filha. Meu pai diz te amo. Mas assim com essa direção. Essa intenção. Não tanto. Ele é meio turrão. Vem de uma outra criação. Em que demonstrar carinho dessa forma. Não é tão comum. Então essa foi a minha grande alegria da semana. Se tivessem vídeo. Vocês veriam o sorrisão que eu estou nesse momento. Fiquei muito feliz com isso.

Me conte nos comentários do Spotify ou no Corte em Vídeo que sai toda semana lá no Instagram. Qual foi a sua pequena alegria, vitória ou aprendizado da semana. Eu sempre fico muito feliz quando vocês me mandam. Mas é isso. Se fez sentido pra você, se você gostou desse episódio, não esqueça de seguir o Refletindo Sem Pressa. E avaliar com cinco estrelinhas na plataforma que vocês tiveram ouvintes.

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