O MOTIVO OCULTO POR TRÁS DAS SUAS ESCOLHAS AMOROSAS
Será que nós realmente escolhemos quem amamos… ou nossas experiências emocionais fazem essa escolha por nós?
Neste episódio do ContraCorrente Podcast, Marcos Souza recebe Dr. Carlos Macedo, mestre e doutor em Psicanálise Clínica, para uma conversa profunda sobre como a infância, as experiências familiares e as feridas emocionais influenciam nossos relacionamentos e até a forma como educamos nossos filhos.
Você vai entender por que tantas pessoas repetem os mesmos padrões afetivos, como reconhecer escolhas que parecem conscientes, mas não são, e por que o autoconhecimento é o primeiro passo para construir relações mais saudáveis.
Uma conversa que pode mudar a maneira como você enxerga o amor, a família e as suas próprias escolhas.
Assista até o final e responda para si mesmo: quem você ama… foi você quem escolheu?
CONTATO: (21) 99593-9555
@carloshenriquepsi
#ContraCorrentePodcast #Psicanálise #Relacionamentos #Autoconhecimento
- Trauma Infantil· SaudeInfluência de traumas infantis na vida adulta · Abandono · Injustiça · Humilhação
- O papel dos pais na educação modernaEducação antes do nascimento · Exemplo dos pais como principal forma de educação · Amamentação e desenvolvimento infantil · Filhos não devem realizar sonhos não concretizados dos pais
- Dependência Emocional vs Amor· SociedadeMedo de perder o parceiro · Relacionamento saudável vs. dependência · Cura de feridas emocionais
- Separação e relacionamentos com filhosCriança não tem culpa na separação dos pais · Alienação parental · Importância do tempo com os filhos após a separação · Equilíbrio na nova dinâmica familiar
- Impacto no Aprendizado Infantil· EducacaoObservação, tentativa e erro na infância · Comportamento dos pais como modelo · Impacto do uso de tecnologia na infância
- O Papel das Emoções e Traumas na DoençaIntimidade e comunicação com os filhos · Liberdade com responsabilidade na criação · Silêncio infantil como sinal de alerta
- Expectativas e realidades em relacionamentos· SociedadeMudanças na visão de mundo da mulher · Expectativas do homem na relação · Diferenças geracionais em relacionamentos
Alô, correnteiros! Mais uma vez estamos aqui com o Dr. Carlos Henrique Macedo, que é mestre e doutor em psicanálise clínica. E hoje a gente vai falar especificamente da escolha do parceiro até a pré-adolescência dos filhos. Em primeiro lugar, mais uma vez, Carlos, obrigado pela sua presença, pelo espacinho na sua agenda que você sempre consegue fazer para prestigiar aqui o Contra Corrente Podcast, né? E te parabenizando também porque os nossos bate-papos aqui são muito edificantes.
Eu aprendo muito e eu acredito também que os nossos seguidores recebem aí também um curso, né, de psicanálise e um bom aprendizado que sempre ajuda em alguma coisa no dia a dia da nossa vida, né. Então seja muito bem-vindo mais uma vez, tá. E eu já vou logo puxar aqui uma perguntinha para você, vou fazer aqui um gancho para essa perguntinha que é o seguinte: Por que que muitas vezes a gente acredita que escolheu alguém por amor quando na verdade foi uma escolha feita pelas nossas próprias feridas, tá?
Então a pergunta é o seguinte: a escolha do parceiro revela apenas uma preferência ou revela muito da nossa história emocional?
Ok, Marquinhos, de cara eu quero te agradecer por esse espaço, esse papo bacana que a gente tem aqui. E eu sempre falo que o nosso intuito aqui é fazer com que as pessoas pensem. Isso. Bem, eu tenho refletido muito sobre um assunto e você entrou logo com a sua primeira pergunta batendo nesse assunto. Primeira coisa: amor. Quando você fala assim, quando a gente se questiona que a gente busca um relacionamento, ou que está em um relacionamento por amor ou por feridas antigas, que normalmente são apresentadas e alicerçadas na nossa infância.
Eu quero que você que vai ouvir esse podcast se questione agora: o que é o amor? Quando em nossa vida nós tivemos uma plena consciência que estávamos amando? Será que nós temos? Será que o amor, esse amor de relacionamento, que é um amor diferente de pai e de mãe, que o amor de pai e de mãe ele já vem com uma pulsão antropológica A mãe ama o filho por amar, o pai ama o filho por amar, ou deveria ser assim, porque ele tem esse movimento que está na nossa evolução.
Ok, mas e quando você vai para um relacionamento, você também tem um movimento evolutivo? Tem, de dar continuidade à espécie. Isso é uma coisa. Agora, será que nós estamos amando verdadeiramente o outro? Temos maturidade para poder olhar para uma outra pessoa e dizer eu te amo, e isso refletir intimidade profunda? Que o amor é intimidade, ninguém ama sem intimidade. Porque é um sentimento que ele transcende qualquer tipo de lógica.
O amor não é lógico. Então ele precisa de intimidade, ele precisa de paixão. Você é impulsionado por esse sentimento a desejar o outro em primeiro lugar. E aí a paixão, ela não morre com o tempo no amor. Ela pode assumir outros formatos, mas ela não morre. Você continua desejando o seu parceiro. E a empatia, você só pode dizer que você ama quando você se coloca no lugar do outro. Não de uma forma submissa, não de uma forma de uma dependência emocional, mas é isso que faz você crescer no relacionamento.
Porque o relacionamento é a maior troca da nossa vida. Quando você nasce, você já é impulsionado a amar os seus pais. Porque é quem te acolhe. Esse amor surge de uma, como uma pulsão. Mas e quando você conhece alguém, como é que isso se manifesta? Então o primeiro ponto é, quando a gente fala amor, será que todos os relacionamentos aonde as pessoas se encontram, aonde elas fazem parte da vida um do outro, eles estão sendo preenchidos por amor?
Porque se fosse, as coisas estariam mais fáceis. Eu acredito que boa parte dele não. Existe uma confusão muito grande nisso aí. O que era amor? O que é amor? O que é paixão? E o que é aquela vontade de você através do outro resolver situações que estão no seu ser. Então, como a paixão é muito profunda, você cai nisso aí. Caramba, a minha vida tá muito melhor! Pô, esse é o meu parceiro, esse é a tampa da minha panela, falando aqui de uma forma até metafórica.
Pô, eu tô mais— isso é maravilhoso, isso é bacana, mas por que isso se apaga? Por que o tempo tem esse poder de apagar esse sentimento? E aí duas pessoas que se declaravam, que estavam amando, daqui a pouco nem consegue se olhar mais, nem consegue conversar. A intimidade é perdida, tanto a intimidade de ser quanto sexual. A empatia começa a competição. Ah, eu quero mais que o outro, entendeu? Então, primeira coisa é essa pegada: o que é o amor na sua vida?
Você pode dizer verdadeiramente que você já amou? Esse é um ponto com relação a você procurar o outro e confundir tudo isso, porque todos os nossos sentimentos que eles não ficaram resolvidos, eles foram apresentados em uma relação profunda, uma relação de amor. Que é do filho para mãe, do filho para o pai, de um irmão para o outro irmão. Então, como eles foram colocados em uma relação de amor, o seu entendimento é que eles sejam resolvidos também uma relação de amor.
E aí que tá o nosso erro. Aí que a gente erra. O que tem que ser resolvido tem que ser resolvido aqui. O outro é um complemento, é um caminho, é uma soma de pessoas que vão buscar um mesmo objetivo. Mas de forma feliz, não infeliz. Claro que vai passar por situações difíceis, que vão passar por situações difíceis, claro. Mas será que o tempo tem esse poder de sufocar e acabar com o amor? Será que as situações do dia a dia têm esse poder? Será que você realmente estava amando?
Verdade, é muitos questionamentos. E é isso que enriquece a nossa vida, né, que a gente começa a pensar e de repente a gente nem chega a alguma conclusão, mas isso fez a gente pensar. Se fez a gente pensar foi porque tocou alguma coisa lá dentro, né?
Exatamente, verdade, exatamente.
É o que eu tava falando, isso faz a gente pensar que talvez a pergunta mais importante nem seja com quem eu me relaciono, né, mas quem dentro de mim está fazendo essa escolha.
Perfeito, perfeito. Porque, Marquinhos, primeiro assim, quem nós somos? Quem é o Marquinhos? Quem é o Carlos? Marquinho ou Marcos é um ser em adaptação e evolução. Não queira fugir disso. Observação, tentativa e erro. A gente vai ouvir muito isso hoje aqui, essas três palavras, porque é isso é que nos impulsiona a se autoanalisar. As feridas que estão no inconsciente, elas não se curam por si só. Elas estão querendo emergir, e isso às vezes te conduz, mesmo sem você saber, a tomar decisões, a ter escolhas, a buscar parceiros, não por uma condição comportamental consciente, e sim por aqueles traumas, por aquelas feridas que estão querendo ser saradas.
Só que o seu parceiro não é o seu psicanalista, não é o seu terapeuta. Normalmente essas feridas, com o tempo, elas vão se agravar. E aí vai haver sofrimento de um lado, sofrimento de outro, e rompimento da relação. É o que na maior parte das vezes vem a acontecer.
É verdade, é verdade. Então é verdade, você tá falando aqui, eu tô pensando em várias situações minhas e de pessoas que eu conheço também, na hora. É porque é pura realidade, né? É realidade pura, pura e dura, e dura, e dura, porque é dolorosa, né? Sim. E tem muita gente que nem tem a menor consciência disso.
Não tem, porque é impulsionada a um padrão repetitivo.
Isso. Aí acha que isso tá certo, que é assim que funciona.
Pois é. Quando na realidade não funciona, não funciona, não funciona. E a pessoa entra numa relação, sai de uma relação, entra em outra relação, porque a chave não está na relação, a chave está nas situações que ficaram mal resolvidas, principalmente na sua infância.
Isso me puxa para uma outra pergunta: será que muitos relacionamentos começam a dar errado muito antes do primeiro encontro? A pergunta é a seguinte: existe uma relação entre os traumas da infância e o tipo de relacionamento que construímos na vida adulta? Você já até começou a responder essa daí, mas vamos miuçar isso aí.
Sim, existe sim. Mas olha só, a gente tem que ir um pouquinho mais além, tem que ter um pensamento um pouquinho mais empírico e a gente trazer todas as situações que movimentam as relações. Então você tem questões psíquicas, né? A gente já falou de algumas aqui da infância. Vamos bater bem nisso. Nós temos questões socioculturais, né? E eu vou te colocar aqui algumas. Vamos pensar assim, você pega 40 anos atrás E assim, eu tô nesse meio aí tranquilamente, 40, 50 anos atrás eu já não tô, cara.
Qual era a expectativa? Vamos pegar aqui assim, que eu acho isso muito legal da gente poder falar. E eu fico muito chateado às vezes quando a coisa é muito rasa, porque hoje em dia, Marquinhos, Tá muito, tá até difícil de você falar, porque parece que as pessoas ficam esperando você ter um posicionamento ideológico. Ah, o cara começou a falar disso, opa, esse aqui é do meu grupo, eu já te rotula logo, né? Ah não, esse aqui é do outro grupo, não serve.
Então, sabe, a gente tem que ultrapassar isso. Isso tá muito raso, tá até chato.
Isso é de uma pobreza, cara, tá chato, sabe?
Inteligência. Então, então é o seguinte, se você vai falar sobre alguma coisa, já tem um grupo. Ou você vai ser situação ou oposição, e ninguém pensa. Isso não é só política não, em tudo, em tudo. Eu nem tô entrando nesse ponto porque é o seguinte, essa parte política aflora, mas tá em tudo, tá? Então assim, vamos pensar assim, vamos pegar um agente da relação que é a mulher. O que a mulher ela entendia como visão de mundo, não só dela e da sociedade como um todo, há 50 anos atrás?
Qual era a expectativa que a mulher tinha como visão de mundo? E vamos tentar entender hoje. Nós estamos pegando um agente da relação, poderia pegar qualquer um, e eu vou pegar também. Será que nós homens estamos entendendo ou evoluímos a ponto de estar páreo a páreo nessa relação de visão de mundo hoje em dia, homem e mulher? Porque ninguém mais, ninguém mais de uma forma justa, de uma forma correta ocupou mais espaço do que a mulher de 40, 50 anos para cá, e vai ocupar muito mais.
E é justo, é correto. Agora eu te pergunto, na relação, qual é a expectativa que a mulher tinha de um homem que vai se relacionar com ela há 40 anos atrás, há 50, e hoje em dia?
Já mudou bastante também, né?
Cara, isso não tem nada a ver com a questão psíquica infantil. Isso é um movimento sociocultural. Você tá entendendo, Marquinhos? Então você tem dentro desse movimento períodos de idade também. Você tem pessoas que se relacionam com 18 anos, você tem pessoas que se relacionam com 30 anos, você tem pessoas que se relacionam com 50, 60. Então como é que você pode ter uma receita de bolo?
É, se cada um já tá no estágio mais diferenciado, como é que eu posso chegar aqui?
Eu fico muito, sabe, curioso quando a pessoa chega e coloca uma coisa pronta em cima disso aí. Eu estou trazendo aqui movimentos socioculturais, movimento humano que faz com que você pense de forma diferente, avalie de forma diferente e procure um outro tipo de parceiro. Com uma outra cabeça, com uma outra visão de mundo. A sua expectativa muda muito. De repente você tá muito mais resolvido com seu eu e você já não quer passar por qualquer situação. Aquilo para você, você já, opa, já vou sair fora, entendeu?
Interessa mais, né?
Entendeu? Por quê? Porque você já dá um passo à frente da paixão. Você dá um passo à frente daquilo que te domina como ideal, aquela coisa ideal, nossa, não sei o quê. Não, não, você já vai um pouco mais, você vai um pouco mais além, você vai olhando a essência. Então eu acho que quando a gente fala de relação hoje, nós temos que trazer todas essas colocações, todas essas colocações em cima da mesa. Qual o momento que nós estamos vivendo hoje para ter uma relação sadia?
Qual é a expectativa de um para o outro? E eu falo em qualquer tipo de relação, porque assim, ó, eu acho, eu acho bastante bacana isso, que eu atendo casais heterossexuais e atendo casais homossexuais, e as dificuldades são as mesmas. Sim, as dificuldades são as mesmas. Então assim, a relação quando você tem um e quando você tem outro é qual é a visão de mundo desses dois agentes. É esse o primeiro ponto. O segundo ponto, quais são os traumas, os recalques?
Né, que você traz da sua infância. E ele, como foi, mais uma vez eu digo, ele como foi inserido em uma relação profunda, ele também vai ter mais facilidade de se manifestar em uma relação profunda. E aí você quebra um pouco da paixão quando você começa a conviver, a rotina O dia a dia, quando você vê realmente quem a pessoa é.
É, são os desgastes também, né?
Sim, sim, sim. Isso faz parte das etapas da relação.
É verdade.
Você tem, né, você tem a parte do eu ideal, a parte da paixão. Depois você tem a parte da apresentação do eu real. E aí depois você tem a parte do conflito. Mas quando você passa por isso, normalmente depois vem a parte do entendimento, a pacificação, a pacificação.
Sim, entendeu?
Se você conseguiu passar por essa parte da competição e do conflito, e aí é que eu trago a questão do amor.
É isso que eu tava pensando.
Exatamente aí que eu trago essa questão, porque é o seguinte: o que vai me dificultar de ter um entendimento melhor com aquela outra pessoa se eu a amo de verdade? E o que vai dificultar aquela outra pessoa realizar até uma transformação, uma ajuda de um profissional ou uma cura psíquica, ou entre outras coisas, se eu não quero perder o meu parceiro? Será que isso é maior do que o amor? Será que nós estamos verdadeiramente amando?
Será que essa fase do conflito tem esse poder? Se nós estivéssemos amando de verdade, porque o que que você não faz por amor? Eu não tô falando de uma dependência, mas se você Fuma, sei lá, se isso é ruim para sua família, para os seus filhos, você deixa de fumar, vai ser mais importante. Se você bebe, você deixa de beber. Se você usa droga, você deixa de usar droga. Se você tá trabalhando pouco, você vai trabalhar mais, porque isso é uma coisa como um todo.
O amor seria o estímulo para essas coisas, e para coisas boas.
E para coisas boas. Isso é que é legal, porque quando você confunde o amor com sofrimento, o que te conduz é a dor. Você leva aquela relação querendo sanar ou calcificar fraturas lá de trás.
Aí a penitência não termina nunca, né?
Não termina nunca, porque não é por aí. O outro não tem esse poder.
É esse lance de rimar amor com dor, né? Isso só é música, né? Pois é, só música.
E uma coisa muito cultural também, que a gente vê em filme, ah, quem ama sofre, quem não sei o quê, cara.
Isso nunca foi verdade.
É, cara, assim, até porque isso não é amor, não tem nada a ver com isso, não é, entendeu? Então é o seguinte, gente, a dor ela tem que ser tratada. Ninguém fica 100% bom e também ninguém sai 100% são da sua infância. Isso é mentira, entendeu? Ninguém sai 100%, mas você vai aprender a se conhecer, cara. Isso é importante. Você vai aprender a conviver, não só conviver com outro, mas conviver com você.
Você conhecer seus próprios limites também.
Exatamente, exatamente. Então, mais uma vez eu trago: a gente abandonou um movimento que a gente vai falar dele muito quando a gente falar de infância, um movimento pulsional de observação, tentativa e erro. Você não quer mais observar, você não quer mais tentar, e você não se dá mais o direito de você errar. Você busca uma perfeição, e nós estamos longe de ser perfeito.
É verdade. Então dá para concluir, né, que a gente talvez a gente passe a vida tentando resolver no parceiro conflitos que começaram dentro da nossa própria casa.
Total. Total.
O que me leva a perguntar a você o seguinte: por que muita gente chama de amor aquilo que na verdade é medo de perder, né? A pergunta na verdade é: como saber como estamos vivendo um relacionamento saudável e quando estamos apenas alimentando uma dependência emocional?
Ok, vamos lá. Assim, existe alguns algum tipo, existe sentimentos que ele nos acompanha, eles são apresentados na infância, tá? Eles, você vai passar por eles, ok? Agora, o que a gente tem que entender é quando aquilo se transforma em uma patologia. Então eu vou falar aqui alguns, tá? Os que são o que a gente vê na clínica, o que a gente mais vê na clínica, e com processo de regressão a gente consegue ressignificar aquele momento.
Abandono, cara, é nenhuma criança na sua infância que passa por uma situação de abandono consegue chegar sã ou bem equilibrada em um relacionamento. Eu não estou falando em uma forma consciente. Você trabalha, você estuda, você faz tudo, tem sua vida tranquilo. Eu estou falando do inconsciente, daquilo que você não vê, daquilo que você pode vir até ter um padrão de repetição sem perceber. O abandono, o que que faz? Ou ele normalmente vai fazer com que você tenha muito medo de você perder aquela pessoa, de você passar por aquela experiência, aquele trauma de infância, aquilo que te machucou.
Então você pode vir a ceder muito do seu eu para você não perder aquela pessoa. Você pode criar um eu ideal, que é o que aquela pessoa quer, o outro, né? Porque você não quer perder. Ou você pode ser até muito possessivo, depende. Você pode ser controlador, você pode ter ciúme em excesso porque você tá tentando se antecipar. Eu não quero perder, então eu tenho que controlar para eu não poder perder. Então, dependendo da sua estrutura, da sua fixação desse eu na adolescência— tem um outro momento que a gente vai bater nisso aí.
A adolescência é a grande chave, é o grande momento transitório para você suavizar ou você somatizar esses sentimentos. A gente vai bater nisso em um em um outro momento. E aí você chega na relação. Então a pessoa que sofre um abandono, ela pode apresentar essas motivações comportamentais com o outro, e o outro não vai dar conta.
Não vai mesmo.
Essa é a realidade. E você sai dessa relação Ah não, eu aprendi. Ah não, tá. Aí entra em uma outra relação. Como isso, como esse movimento é inconsciente, você passa a repetir esses mesmos movimentos em um padrão repetitivo e você novamente perde uma relação. Então o abandono, eu vou falar aqui alguns, o abandono é um deles, ok? A injustiça Também é outro sentimento. Uma criança que é muito penalizada, eu tô falando de criança, mas pode ser na fase da adolescência ou como adulto, de forma injusta.
Então tem aquela criança que quebrou o copo, aí, mas é menor, aí tem um outro maior: você tinha que estar tomando conta, você não tomou conta, você vai ficar de castigo, você apanha. E ele, pô, E não foi ele nem que quebrou o copo. Então a injustiça— eu peguei só um exemplo, tá, existe vários— faz com que a pessoa, quando adulta, em uma relação, ela tenha dificuldade de perdoar. Esse é o primeiro ponto: dificuldade de perdoar.
É porque eu acho que ela já tem uma resistência muito grande e uma ela não vai mais querer carregar o peso do outro, né?
É, esse é pouco.
Isso revolta imediatamente, né? Porque ela já tem aquilo gravado já no DNA dela já, né?
Exatamente. Um ponto. O outro ponto é que normalmente ela, em uma discussão ou qualquer situação de mais conflito, ela tem dificuldade de reconhecer os seus erros. É uma pessoa que tem dificuldade. Ah não, pô, eu fiz isso porque você também fez isso, aquilo, aquilo. Por quê? Porque ela criou um mecanismo de defesa. Porque quando ela passou por isso, por essa injustiça que foi feita pelo pai, foi feita pela mãe, e ela não teve como se defender, ela não tinha nem condições físicas nem condições intelectuais para ela poder.
Ela tá falando, mas não fui eu, não sei o quê. Não interessa, cara, ela cria um mecanismo de defesa. Então ela, eu erro, mas é difícil reconhecer o meu erro, eu aponto vários outros erros seus. E aí, para ter um equilíbrio, eu fui injusto, mas você também foi.
Se justifica, né?
Entendeu? Então ela se justifica porque lá atrás ela não teve como ou ele, tá? Outra coisa que também, para a gente não ter um papo raso, quando eu falo ela, eu falo ela ou ele, ela, a pessoa. Quando eu falo filho, pode ser menino, pode ser menina, tá? O cara tá tendo, tá sendo personagem, entendeu? Então assim, a injustiça também traz. Um outro ponto é a humilhação. Uma criança que é humilhada de forma desproporcional, desproporcional, ela pode criar na relação uma agressividade, ou ela pode já entrar em um padrão de submissão.
Por exemplo, e a pior humilhação para uma criança é o que vem do pai e da mãe, que ela leva para relação. Então, seu fraco, Seu gordo, seu burro, seu não sei o quê. Então, cara, ela já entra em uma relação embaixo porque ela já foi bombardeada. O seu, a sua adoração ou a sua composição do eu foi fragmentada e ela já chega nessa relação em uma posição. E se pegar um outro né, muito impositivo, deita e rola em cima dessa pessoa.
É porque a história vai continuar, né?
Exatamente, o padrão vai ser repetitivo. E talvez ela até procure, talvez é para ela tentar corrigir. Engraçado que esse outro até atrai mais, porque ela volta aquele padrão que não ficou resolvido lá atrás. Para ela tentar corrigir, entendeu? Então, o abandono, a injustiça, a humilhação, entre outros, são padrões que vão se repetir no seu relacionamento. Você já vai entrar em um relacionamento querendo resolver aquilo que ficou lá atrás.
Entendeu? E o abandono é assim, ele pode ser um abandono físico, né? A pessoa nunca mais vê aquela outra, ou a pessoa está com a outra, está se sentindo abandonada, sim, porque não existe mais nenhum tipo de intimidade.
Eu não sei qual que é pior até. Pois é, é que existe uma diferença enorme, né, entre amar alguém e precisar desesperadamente dessa pessoa para conseguir viver.
Pois é, cara, pois é. Mas aí eu volto lá atrás, né? Primeiro o seguinte, o que é amar alguém. É, esse é o primeiro ponto. Será que realmente, quando você olha para uma pessoa e você diz eu te amo, isso é seguro? É, isso é real? Isso tem respaldo? Ou é um momento, né? Ou é uma paixão, um arrobo, né? Ou é, ou é. E é lógico, como eu falei lá atrás, É como esses traumas, eles foram colocados em um relacionamento com profundidade. Normalmente, quando você entra em outro relacionamento com profundidade, é o que o seu inconsciente vai procurar resolver, e você não dá conta, e nem o outro.
Isso me leva a pensar uma coisa aqui, é Isso acontece muito e acho que todo mundo já ouviu isso, ou da sua própria história ou de alguém sempre muito perto, que fala assim: pai, eu tenho o dedo podre, não é possível, só atrai o mesmo tipo de gente. Pois é, eu sempre tenho o mesmo tipo de problema, só muda o nome das pessoas. Pois é, pois é, exatamente isso aí.
Exatamente, exatamente.
Essa cura, essa cura precisa de uma terapia. Exatamente, porque muitas vezes também é inconsciente, a pessoa nem sabe. É inconsciente. É inconsciente. É porque se não for inconsciente, dá para você sair dessa.
Quem tá de fora até percebe, mas é muito difícil, tá, para pessoa. Por quê? Porque o inconsciente, ele tá buscando uma solução para aquilo ali, entendeu? E o caso da terapia, que além, além do terapeuta ter a técnica e a ferramenta ele tá de fora da situação. E é muito diferente de você conversar com a sua mãe, de você conversar com sua irmã, de você conversar com um amigo. Não é que seja ruim você conversar, é bom, é bom. Mas que eu tô falando que a ferramenta e a técnica e o fato de você tá fora são os elementos que fazem com que você chegue a um entendimento de autoanálise. Sim, isso é importantíssimo, é verdade.
Isso aí só com uma ajuda profissional mesmo, exatamente. Não, não vai ter diferença.
É muito assim, eu fico bobo como você vê situações prontas. Não, não, você faz isso aqui que você vai se resolver. Não, você faz isso aqui em todo.
Gente, não dá. É o mundo parecendo um iFood, né?
Pois é, cara, entendeu? Não dá, não dá. E as pessoas compram essas ideias e acham, não, tá tudo bem, e repete o padrão, e repete o padrão.
É verdade. Perguntinha aqui, perguntinha aqui: muita gente acredita que a educação começa quando a criança aprende a falar, mas será que ela não começa muito antes, na forma como o casal se relaciona, no ambiente da casa, e até mesmo durante a gestação? Então a pergunta é a seguinte: os filhos começam a ser educados antes mesmo de nascer?
Sim, sim. Eu, quando você tem uma família ou um casal equilibrado, e isso é até antes da gravidez, isso vem da escolha da gravidez. E aí também eu trago um contexto sociocultural, né? Será que toda gravidez é planejada? Será que toda gravidez vem em cima de um alicerce financeiro, um alicerce de entendimento do casal? Será que todo esse movimento, toda criança que nasce, vem de um casal estruturado, que realmente você resolveu as suas questões A gente tá junto, fizemos isso, agora é a hora da gente ter um filho. Será que a gente sabe que não, né?
Que não, cara.
Então assim, a gente não pode viver num mundo de fantasia, a gente tem que viver com a realidade. Então esse é um ponto, tá, que ele sai um pouco da questão psíquica. Claro que ele vai influenciar na questão psíquica hoje em dia, até a forma que a gente se alimenta pode influenciar na questão da sua resistência com questão à depressão, e entre outras coisas ele vai influenciar. Mas nós temos que entender isso bem. Quando você passa por essa situação, você tem tudo para, na formação ou na condução infantil da educação— e eu falo que educação é impor limites Isso é uma coisa que às vezes as pessoas confundem.
Elas tratam o filho como Sua Majestade o Rei, ou deixando ele em terceiro plano ou em segundo plano. Então não pode ser nenhuma coisa nem outra, nenhuma coisa nem outra. Então a educação, a formação começa já daí, de bem antes, no casal. No casal, ok? E aí você tem a criança em si, ela passa por fases, né? Essas fases são fases humanas, fase do seu desenvolvimento psíquico, sexual. Mas a educação do seu filho começa com o respeito e o entendimento que você tem com a sua parceira e vice-versa.
Verdade, isso muda completamente a forma como a gente enxerga a criação dos filhos, né? Porque talvez a primeira educação que uma criança recebe não venha de palavras, mas do ambiente emocional em que ela é esperada, acolhida e criada. Antes de ensinar um filho a viver, os pais já estão ensinando pelo exemplo de que dão um ao outro, né?
Sim, perfeito, perfeito. Porque, Marquinhos, agora eu quero entrar em um ponto aqui. A maior evolução que a gente tem no menor curto espaço de tempo é da criança. E veja que uma criança, ela nasce, né, ela vem de uma vida no útero, esse é o entendimento de vida dela, ela já se projeta um mundo exterior totalmente diferente. Ela tem som, ela tem cores, ela tem afeto, ela tem o leite materno. É fundamental. Aí eu vou entrar também numa questão sanitária: é fundamental que a mãe amamente a criança até o 6º mês.
Isso tem uma consequência uma consequência física no organismo, no sistema imunológico daquela criança, e psíquica também, porque o desapego do útero para a vida externa é muito profundo. Então o seio da mãe, o aconchego da mãe, esse ato é uma transição que a criança tem que ter daquela vida no útero para essa vida externa, sem contar os outros benefícios que tem, entendeu? Então isso é importante também. Uma outra coisa é você entender que o seu filho, e aí você já começa desde cedo, ele não tem a obrigação de cumprir ou de realizar o que você não conseguiu lá atrás.
Eu vejo muito isso, né, pais que: ah não, mas a minha filha— porque tem tanta coisa mal resolvida lá atrás que quando chega no filho entende que o que eu passei ou que não foi resolvido, a minha filha ou o meu filho vai ter que dar conta, entendeu? Então isso é muito ruim também. Cada ser humano é especial de uma forma. Você não pode delegar para o outro realizar tarefas que você, por uma questão da vida, não realizou na sua vida.
Jogar esse peso em cima do outro é muita, é muita maldade, né?
É assim, eu assim, Marquinhos, ainda que não seja consciente. Pois é, cara, eu nem coloco como maldade, mas é um entendimento que nós devemos ter. É por isso que eu falo, a gente tem que pensar, sabe? A gente tem que pensar. Quando você vê alguma coisa pronta, eu acho, eu fico assim admirado como tem pessoas que têm essa facilidade de trazer tudo pronto. E faça isso que seu filho vai ser assim, faça isso que você vai abrir uma porta ou uma chave neural.
Cara, assim, não dá, sabe? Não dá. Cada ser humano é uma espécie única e o que ele vai absorver da apresentação do eu e da fixação do eu na adolescência. Tem muito dos pais, tem, mas passa pela avaliação e pelo sentimento dele também. Total, muito bom.
Fazer outra pergunta aqui para você: por que criança observa muito mais do que escuta? A pergunta é o seguinte, é a seguinte: os filhos aprendem mais pelo comportamento dos pais ou pelas palavras?
Observação, tentativa e erro é um conjunto das duas coisas. A criança, ela vai ter fase que ela vai evoluir pela observação, né? Ela tá engatinhando, ela tá vendo que tá todo mundo de pé, e ela vai por observação, tentativa e erro começar a ficar de pé. Ela cai, levanta, observa, tenta de novo, observa, e assim vai com tudo. Quando você chega na fase da comunicação, que a criança ali após os 5, 6 anos, que tá na fase escolar, que ela perde um pouco aquela observação só do pai e da mãe, então já é aquela relação com os amigos, com os colegas, ela passa a ter maior comunicação, aí realmente a comunicação vem como um instrumento evolutivo para essa criança.
Mas assim, a criança ela tem que ser, ou você tem que permitir que a criança, sabe, seja impulsionada. Eu vejo muita classificação comportamental de crianças Eu não sou muito dessa, dessa linha. Eu acho que são poucos casos. Claro, se você tem uma família, claro, se a criança vive em um ambiente carregado de sociopatia, claro que ela vai. Mas eu vejo numa questão normal, ah, porque a criança tem esse déficit, porque a criança, gente, tem criança que vai ser mais imperativa do que a outra.
Vamos botar essa garotada para poder brincar. Entendeu? Vamos botar para às vezes, pô, mas a criança não consegue dar todo o gás. Então vamos criar meios para isso, sim, entendeu? Vamos criar meios para isso. Às vezes tem criança que você não vai ter que levar no parque à noite. Às vezes tem criança que você vai ter que levar no parque à noite, a criança brincar, brincar, e tudo bem, entendeu? Você não precisa já não, porque eu não dou conta, porque não sei o quê, vamos levar. E pô, então tem que ter uma medicação, sabe?
Tudo é laudo, né?
Pois é, cara.
Assim, eu acho que a gente tem que assim, ó, Não tem uma regra.
Aí os pais: não, mas eu não era assim, mas o seu irmão não é assim, sabe? Tem essa comparação. E eu vou trazer depois alguma coisa aqui, o que passa pela cabeça do filho único e o que passa pela cabeça do filho do meio. Eu vou trazer isso aqui também, entendeu? Então quer dizer, cada história é uma história. Os pais erram também, os pais, de comparar um filho com outro. Sabe, às vezes tem cara que vai ser mais inteligente mesmo, vai tirar nota melhor na pós-escola, tirou 10, outro tirou 8, mas fez o que dava.
Tudo bem, pô, vamos estudar um pouco mais, mas foi bom dentro do que você podia fazer, foi bom. Tem um que vai ser atleta, vai, vai se identificar com uma arte marcial, mas esse talvez vá para música, vá, cara, sabe, eu fico muito preocupado com essa coisa muito, é muito rígida, muito fixa, né? Não, isso aqui, nossa, mas já tá. Ah, não tem esse déficit? Ah, cara, calma. A criança tem déficit de atenção, tá bom. Como que você tá apresentando as coisas para essa criança?
A criança tem dificuldade de se alimentar. Isso é fase, tem fase mesmo que o gosto, o gosto mais doce, vai ter mais atenção. Mas aí o que que você faz com isso? Você realmente coloca ali a comida e aí, ah não, mas eu não vou comer isso. Tá bom, uma hora você vai comer, você vai ficar com fome, uma hora você vai comer, entendeu? Então são coisas que você sabe, o troço que eu fazia muito e até hoje eu faço, rapaz, tem a hora, até pela hipnose eu tive um gancho com isso.
A hora do sono é a hora que tem um relaxamento do seu subconsciente. Então essa é a melhor hora para você incluir determinadas observações. Então, por exemplo, a criança ama que você conte história na hora de dormir. Pode ser menino, pode ser menina, qualquer criança ama isso porque a fantasia faz parte da vida da criança. Então você tem lá uma criança que ela não comeu, ela teve dificuldade para ela comer, e você falou, brigou, brigou, mas a criança não tem aquela resistência.
E uma coisa que eu vou colocar aqui, que nem toda, que a criança não é tão inocente como a gente acha que é, e nem a criança também é tão responsável como a gente acha que é. Também, pô, vamos lá, vamos pôr com calma. Então, por exemplo, aí você chegou lá, contou uma história do aquele garoto, ele ama o Homem-Aranha. Eu tô falando garoto aqui, mas poderia ser qualquer um. Aí você vai contar a história, aí você fala o seguinte, pega o seguinte gancho: pô, o Homem-Aranha, ele ia subir nessa parede aqui, puxa, mas ele ficou fraco, ele lembrou que ele não almoçou.
Se ele tivesse almoçado, comido, se ele tivesse feito a a refeição, arroz, feijão, carne. Pera aí, o Homem-Aranha desceu, foi lá, comeu, agora ele ficou forte. Cara, na hora do sono que o seu subconsciente tá aberto, cara, você não sabe o poder que isso tem com a criança. Como a criança naquele momento ela consegue entender isso de uma outra forma inconsciente quando ela for comer Não é uma chave, não é um pronto, mas ela vai associar isso.
Cara, o Homem-Aranha caiu daquela parede porque ele não comeu, nesse momento do sono, entendeu? Então tem, então é o seguinte, pô, como é que você tá conduzindo o seu filho, né? Quais são as ferramentas que você tem utilizado para que ele se torne uma pessoa melhor? Porque você não cria o seu filho para você, cria para vida. O seu principal, ou a sua principal meta, é fazer com que esse cara seja um cara de bem, ou essa menina.
Não interessa quem ele vai ser ou a escolha que ele vai ter. O que interessa é que seja uma pessoa de bem resolvida, entendeu? Isso é que importa.
Verdade. No fim das contas, né, os filhos se tornam aquilo que os pais dizem para eles serem. Eles tendem a reproduzir aquilo que viveram dentro de casa. E isso traz uma responsabilidade enorme para qualquer família, né?
Sim, sim, sim. Aí eu vou dar um gancho aqui, Marquinhos, que não tá muito no nosso tema, mas eu vejo muito isso na clínica. Pais, porque até agora a gente falou de relação contínua, tá? Você conheceu uma pessoa, teve o casamento, teve o filho, criou os filhos, todo mundo junto, todo mundo certinho. Vamos botar um outro gancho nisso aqui. Separação. O que que acontece com a criança e qual o grande entendimento dos pais com separação?
Primeira coisa, cara, a criança não tem nada a ver com isso. Essa é a primeira coisa. Se você se separou de uma forma ruim, isso não é bom que aconteça, não é bom. Mas você procure resolver isso com a outra pessoa, ou da justiça, ou o que for. A criança não tem nada a ver com isso. Não use o seu filho para atingir o outro, porque você não tem ideia do dano psíquico que vai causar no seu filho. Um filho, ele não é formado para ele odiar o pai ou para ele odiar a mãe, seja por qualquer erro.
Depois, com o tempo, com a maturidade, isso vai vir normalmente. Você vai perguntar o que houve, o que não houve. Então isso, mas você não pode, gente, não faça isso, sabe? Tente, procure uma ajuda profissional, mas não coloque o seu filho nesse bolo. A criança não tem uma estrutura psíquica para ela resistir a uma situação dessa. Esse é um ponto, tá bom? Um outro ponto que eu vejo também na clínica, e vejo mais, infelizmente, mais pelo lado dos homens, infelizmente, tá?
E isso tem até assim, a mulher, ela pulsionalmente, veja bem, que o nosso papo aqui não é raso. Pulsionalmente, por uma questão antropológica, ela nasce para ser mãe, tá? E o homem é adaptado a ser pai. O homem não nasce para ser pai, ele é adaptado a ser pai quando ele acha uma companheira, quando ele tem uma relação de amor. Claro que a plenitude de tudo aquilo faz com que ele, cara, pô, e tem excelentes pais, tá? Uma coisa que a gente vê, tem pais que são melhores do que mães, tá?
Isso eu vou te falar. Mas a mãe, ela dificilmente, a mãe ela busca uma relação aonde o filho fique em segundo plano. E isso às vezes acontece com alguns pais, ele se permite que nessa outra relação, aquela família anterior— e a família, eu falo filho, a mulher não tem nada a ver com isso— você se separou, seu filho, cara, vai ser seu filho para sempre. É seu filho, ele só nasceu, ele só tá ali por você, entendeu? Seja qualquer companheira que você vai achar, que você vai trazer para sua vida, cara, escolha alguém que ame também o seu filho.
Não se permita que uma outra relação te afaste do seu filho. Não seja fraco a esse ponto, nem dependente a esse ponto. Ninguém tem esse poder de se afastar do seu filho. Eu sei que normalmente, quando a relação tem um litígio, não só jurídico, mas um litígio também emocional, é muito difícil, né? Normalmente, se a mãe não tiver uma maturidade, ela vai, acaba usando isso contra o pai. Não faça isso, cara.
É a famosa alienação parental.
Pois é, não faça isso. Deixe o seu filho crescer, porque para ele já vai ser difícil. Eu também não estou dizendo aqui que a pessoa tem que permanecer em um relacionamento a qualquer custo. Infeliz? Não, vá viver a sua vida. A gente tá aqui para ser feliz. Você está aqui por uma escolha, e não é uma escolha qualquer. Uma ejaculação masculina tem milhões de espermatozoides. Qualquer um poderia fecundar o óvulo e não seria você.
Você já foi escolhido perante milhões de outros indivíduos. Então a gente tá aqui para ser feliz, para a gente tentar fazer o melhor possível. Então, cara, não faça isso, sabe? Passe por esse momento. Eu sempre digo que casal que se separa tem que dar um tempo sozinho, dá um tempo sozinho, deixa a poeira baixar um pouquinho, deixa a poeira baixar. Então assim, já entrar em outro relacionamento e aí você não tem tempo com seu filho Eu acho incrível também que quando a pessoa se separa— e olha, eu não estou falando isso como regra, eu estou falando isso por uma questão psíquica da criança, tá?
Eu falo isso com muita responsabilidade, tá? Que isso fique bastante claro. Quando você se separou que você tá lá na visita com seu filho, cara, tira um tempo com seu filho. Às vezes o cara, o cara se separou, ou a mulher, pode até ser qualquer um, aí já traz aquela outra pessoa já na primeira, segunda visita com seu filho. O cara não quer conhecer já outra pessoa, o cara quer estar com você, cara, tá morrendo de saudade, ele quer estar contigo.
Então pera aí, pô. Fico meu tempo com o meu filho. Se a pessoa não entender, tchau. Já é um sinal que lá na frente vai dar ruim.
Problema agora que vai ser lá na frente muito maior.
Pois é, cara, ninguém tem o poder de te afastar do seu filho. Agora, ninguém também pode virar refém de filho.
Isso é uma outra coisa. Tudo é um equilíbrio, né?
Tudo é, pois é, tudo é um equilíbrio. Eu trago uma, mas trago outra que é para você, que é para você olhar para você. Mas pera aí, Entendeu? O seu filho também não pode— e isso acontece, hein, isso acontece— não pode ditar qual vai ser a sua vida daqui para frente, que você não pode conhecer uma outra pessoa, que essa outra pessoa também pode ter filhos, que você tem que ser exclusivo dele. Não, não é assim. Por isso que esse equilíbrio Por isso que o tempo vai fazer com que você traga, ou que você coloque, todas essas situações de uma forma mais equilibrada.
É saber administrar, né?
Pois é, cara. Pois é.
Logo no começo eu realmente acho difícil, porque as pessoas estão no calor da emoção.
Pois é, mano.
E esse lance até que você falou, ah, que separou, aí já quer logo na primeira visita já levar o namorado, a namorada nova.
Nova.
Isso aí para mim pode até ser que não, mas para mim sempre foi um querendo provar para o outro que não tá mal. E todo mundo que faz isso tá muito mal, muito mal, porque você não se deu o tempo de digerir aquilo que aconteceu. Sim, sim, você já entrou em outra relação e consequentemente mais lá na frente vai dar o mesmo problema que deu na antiga.
E Marquinhos, você sabe que é uma coisa importante que às vezes eu falo assim, eu, eu vejo, é assim, ó, Você, quando tá casado, você— eu vou pegar aqui um caso. Você se casou com 20 anos, você era, você é uma pessoa. Passou o tempo, 40 anos, as suas escolhas, o seu pensamento, a sua visão de mundo muda, entre outras coisas. Mas só que você viveu casado, a sua vida tava ali. Quando você se separa, cara, você tem que se conhecer novamente.
Sim. Você tem que se encontrar nova. Pera aí, quem é esse eu agora que vai viver sozinho? E você só consegue isso, cara, dando um tempo, dando um tempo. Ah, é dolorido? É. Mas tentativa, observação, tentativa e erro, é isso que faz a gente evoluir.
É, no fim das contas, né, os filhos não se tornam aquilo que os pais dizem para eles serem. Eles tendem a reproduzir aquilo que viveram dentro de casa. E isso traz uma responsabilidade enorme para qualquer família.
Exatamente, né? Exatamente.
Vou te fazer outra pergunta aqui, Carlos. Existem feridas que uma criança leva para a vida inteira sem nunca conseguir explicar de onde elas vieram. Até que ponto os conflitos entre os pais podem afetar emocionalmente uma criança?
Total, total. Total, porque assim, ó, uma criança, quando ela nasce ou quando ela vai se desenvolvendo, ela nunca perde o vínculo com o pai e com a mãe. Ela tem determinadas fases da vida que ela enxerga o pai e a mãe de um jeito, depois ela vai enxergar de um outro jeito, mas ela nunca perde esse vínculo estrutural. Quando uma criança ela olha para o pai, para mãe, ela tá entendendo que ela vai ser. Claro que depois tem as suas escolhas, que é importante, tem os seus acertos e os seus erros, tem a sua observação, mas isso nunca sai da estrutura da criança ou do jovem ou do homem e da mulher madura.
Por mais que você não queira. Então é isso, é importantíssimo. Você decidiu ter um filho ou aconteceu, a sua vida não vai ser a mesma, cara. Não vai mesmo, não vai. Esquece, esquece, tá? É muito melhor a gente de uma forma equilibrada entender isso. Sua vida não vai ser mais a mesma. Você cumpre uma função natural. A natureza, ela pede 3 coisas de qualquer ser vivo, qualquer ser vivo: se adaptar, escolher um parceiro e dar continuidade à espécie.
Então, isso é um movimento natural muito maior, muito mais profundo. Você tem que entender isso, parar de ser raso. Você tem que entender, a sua vida vai mudar mesmo, entendeu? E você tem que também observar e procurar entendimento para tentar fazer o melhor possível. Perfeito ninguém vai ser. Nenhum pai ou nenhuma mãe pode se culpar, pode se culpar que o filho de repente um determinado período desandou ou qualquer coisa, você fez o melhor que podia.
Não é culpa sua, você fez o melhor que você podia, mas tem o outro, o outro também vai ter a escolha dele, entendeu? Então não é culpa sua. Então vejo muito isso na clínica também, sabe? Não é sua culpa, você fez o que podia. Você fez aquilo, ah, errando. Observação, tentativa e erro. Aquilo que você achava que era melhor. Agora, por exemplo, deixa eu te falar aqui sobre aquela questão que eu te falei de filho único e filho do meio.
Tem coisas que sai da sua, que sai da sua condução. Por exemplo, quando você tem um filho único, a tendência, a tendência é que haja uma dependência emocional maior entre pai, mãe e filho, e entre filho, pai e mãe, porque não tem ninguém para dividir aquilo. Sou só eu. Pode ser uma dependência emocional maior ou até um traço narcisista, entendeu? Uma coisa ou outra. Você, e aí você tem que ter esse entendimento. O filho do meio, ele sempre se sente injustiçado.
O que que acontece com o filho do meio? Você tem um filho mais velho, que é o primeiro filho. Ok, aí passou 2, 3 anos, vem o filho do meio. O filho do meio, meu amigo, é o caçula. Então ele tá, pô, vivendo a plenitude. Ele tem o irmão de 3 anos que ele já olha, e isso impulsiona o desenvolvimento dele. Ele olha mais para o irmão do que para o pai, porque o irmão tá mais próximo, né? E aí nós temos que ter cuidado também com esse irmão para não regredir, não querer voltar para poder ter a mesma atenção.
Então por isso que os pais têm que ter esse cuidado, fazer com que esse irmão mais velho participe do desenvolvimento desse irmão mais novo. Mas só que passou o tempo, 3, 4 anos, vem um outro filho, veio o caçorro lá. Aí o filho do meio tá aonde? Ele nem é o primogênito, aquele que quando sai os pais falam: olha, você olha os seus irmãos, hein, e você obedeça o seu irmão mais velho. E nem aquele caçula que quando chega já, já tem aquele porque é pequeno, porque é menor, e o filho do meio tá ali.
Cara, o filho do meio, ele tem uma tendência a ele se sentir injustiçado, entendeu? Então os pais têm que ter esse entendimento. Não é? Ele tem que trazer o aconchego do caçula também para o filho do meio, e tem que trazer a responsabilidade do mais velho também para o filho do meio, que isso faz com que ele fique mais equilibrado, entendeu? Eu não sou o mais velho, não tenho a total responsabilidade, mas tenho parte dela. Eu não sou caçula, não sou aquele que é mais frágil, mas em parte eu sou também um pouco acolhido.
E o que que acontece com isso? Às vezes o filho do meio se torna até mais independente quando ele, quando ele sai disso aí. Ele fica, pô, cara, eu nem tô aqui, tô lá, e eu vou, pô, é, eu vou tocar. O filho do meio normalmente ele se torna até mais independente, mas sempre vai ter essa coisa mal resolvida. Porque, irmãos, uma outra coisa irmãos, eles vivem uma relação de amor, de competição, de situações que não ficaram resolvidas na infância.
E isso leva para maturidade também, não é só relacionamento. Isso você vê também em relação de irmãos também.
Talvez seja exatamente por isso que tantos adultos ainda carregam dores que nunca entenderam, né? Muitas vezes a origem não está na vida adulta, ela tá lá na infância, certo?
Assim, ó, só para a gente também, existe a questão do trauma, tá? Existe a questão do trauma. Então você tem as questões lá da infância. Então vamos pensar numa criança que passou numa infância tranquila, equilibrada, mas ela sofreu um trauma com 12, 13 anos, um abuso sexual, a perda do pai, a perda da mãe, a perda de um irmão. Claro que o trauma ele vai tirar toda essa lógica dessa estrutura comportamental, dessa evolução. O trauma ali pode, ele não fica, você teve um trauma fora da infância, até na sua maturidade, isso pode mudar o jogo, entendeu?
Ele pode trazer consequências também que não estão ligadas à infância. O que vai estar ligado à infância É se esse trauma teve uma profundidade maior que deveria ter ou não. Aí sim ele pode estar ligado à infância. Verdade.
Fazer outra perguntinha aqui para você: encontrar esse equilíbrio talvez seja um dos maiores desafios da educação. Como criar os filhos emocionalmente fortes sem formar adultos frios ou emocionalmente dependentes?
Cara, tá aí. Hoje em dia isso é uma pergunta difícil de se responder, mas a gente vai tentar trazer o melhor. Assim, a gente tem que entender que as informações que chegam para uma criança hoje é totalmente diferente de 40, 50 anos atrás, entendeu? Por exemplo, uma criança hoje que ela— vamos pegar o nosso cotidiano. Eu lembro que na minha infância eu conseguia sair para rua brincar. Então vinha amigos de um local, vinha amigos de outro, vinha pessoas mais simples, de classe diferente, de cor diferente, cara, e todo mundo se resolvia.
Então hoje em dia o que que acontece? Você já não tem mais essa condição de você chegar para o seu filho e pôr, falar: não, brinca aqui na rua, brinca aqui de frente de casa. Que eu fiz muito isso, Sabe, eu fiz muito isso. A rua é um, é como se fosse um preparo para vida, porque você tem que interagir com as outras pessoas, você tem que se resolver, entendeu? Você vai, não tem muito isso que fulano, cicrano. Você quer brincar, você quer se divertir, você quer participar, entendeu?
Então hoje em dia não tem muito isso, tem muitas crianças que ficam em casa no videogame.
Essa coisa de rua hoje em dia já era, né?
Já era, cara. E infelizmente, e assim, o jogo ele tá entrando de forma muito contundente, suprindo essa necessidade de observação, tentativa e erro, que isso você tinha no relacionamento, sim, na interação, né? Na interação. Então você pensa lá, um jogo, você observa Aí você tenta, pô, não consegui passar dessa fase. Você erra, aí você volta, pô, não, agora eu vou observar. Cara, isso mexe com situações suas antropológicas de observação, tentativa e erro.
Quem faz não faz à toa, entendeu? E isso realmente prende a criança. Então a criança ela pode substituir esses elementos que são fundamentais para o seu desenvolvimento, para sua interação com o outro através do jogo, através de uma ficção, entendeu? Então os pais, assim, é educar, é colocar limite. Não adianta, é assim. E a criança, ela não tem que ser tratada de uma forma a ser colocada em uma redoma de vidro, aonde se torna quase um ser intocável.
Você leva a criança numa praça, aí de repente tem uma outra criança que você percebe que é de uma outra classe que tá chegando perto da sua, e aí você já pega no colo, já leva para outro local. Cara, como é que essa criança vai se relacionar com isso?
Vai ser cheia de problema, entendeu?
Então, cara, assim, deixa interagir, deixa botar o pé no chão. Eu fico vendo o Meu neto, eu tava, eu já sou avô, eu apresentei para ele. Eu vejo muito com ele aqueles filmes da Disney, desenho, tá? Aí eu vou pegar um caso dele, né? Aí ele viu Tarzan, aquela história da Disney, uma história legal lá do Tarzan, né? Desenho, desenho. Aí no outro dia eu tava com ele lá numa praça, cara, primeira coisa que ele quis foi querer subir na na árvore.
Vovô, me ensina aqui subir na árvore. Ele ficou, ele ficou amarradaço, entendeu? Então, cara, assim, aproveitem essas situações, tenha contato com a natureza. Isso tem uma pulsão antropológica, sobrevivência, sabe? Saia com seus filhos. Eu sei que hoje é difícil, mas acampe em algum local guardado, um parque que você possa ali para, sabe, para que a criança tenha contato com a natureza, para que veja uma outra coisa sem ser o seu quarto, o seu celular, ou, entendeu, sabe?
Nós temos que buscar. Não adianta um: ah não, mas eu não posso, que o mundo se apresenta dessa forma. Cara, tem que tentar. A sua responsabilidade hoje em dia com essa formação que você falou aí é muito maior do que antes, é muito maior do que antes. Só para a gente fazer mais um gancho aqui rápido, eu lembro que antes, no meu tempo, não tinha celular, não tinha Zap, não tinha nada, cara. A minha mãe limitava até onde eu podia ir.
Você só pode ir até essa rua. Mas a gente garoto jogava bola, aquele negócio todo, cara. Quando eu chegava, eu passava para um outro local. Quando eu chegava em casa Meu amigo, minha mãe já sabia que eu passei. Mas como? Não tem Zap, não tem nada. Por quê? Porque todos os moradores ali eram vizinhos antigos, conhecia você, sabia qual era a regra. Ó, eu vi seu filho em tal local.
Então era mais fácil, ela era atualizada assim.
Então era mais fácil, entendeu? Então hoje em dia assim tá tudo, mas nós temos que nos adaptar. O seu filho Ele não pode ficar entregue a uma determinada situação porque você acha que aquilo, ah não, isso é normal e que vale para todo mundo. Verdade, cara, não dá, não dá mesmo.
Proteger é importante, mas preparar um filho para enfrentar a vida é talvez o maior ato de amor que um pai e uma mãe podem oferecer, né? Ficou bem claro nisso aí que você explicou. Total, Carlos. Agora eu vou fazer a última perguntinha porque o papo tá tão interessante que a gente nem sente, né? Mas vamos deixar com essa daqui, que também acho que vai fazer o pessoal raciocinar, pensar bastante. Nem toda criança que sofre consegue colocar isso em palavras.
Existe algum sinal em que os pais costumam ignorar e que pode indicar que uma criança está sofrendo emocionalmente?
Sim, vamos lá. É para você poder conhecer o outro, você tem que ter intimidade com esse um para o outro. Você tem que perceber no olhar. Isso é intimidade. E eu já faço um alerta: qual intimidade que você tá tendo com seu filho? Porque quando você tem intimidade, cara, você percebe no olhar o que aconteceu. Você percebe que o comportamento fica diferente. Você tem que dar espaço. Eu digo que o papel dos pais, do pai, da mãe, ou seja, de qualquer casal que tem um filho, é liberdade com responsabilidade.
Você tem que incentivar esse movimento, liberdade com responsabilidade. O seu filho, ele tem que ter liberdade para ele— mais uma vez eu falo filho, seria ele o filho— para ele poder conversar com você qualquer assunto, mesmo isso é ruim. Ele tem que ter essa liberdade. Então, o relacionamento com o seu filho, dos pais com os filhos, ele precisa de intimidade. Não adianta você— eu sei que é difícil, tá? Não falo isso porque eu já passei isso.
Fui pai, sou avô, sou pai, né, avô. Quando você chega, que você senta, você tá cansado, não sei o quê, você quer— a criança, cara, ela tá doida para ela poder estar com você, estar com você. E aí você, pô, não, pega o seu celular, eu pego o meu aqui, não sei o quê. A criança tá ali, você tá aqui, a criança tá ali, você tá aqui. Ah, é hora da janta, tá tudo bem, você tá aqui, criança tá ali, daqui a pouco vai dormir, cara.
E não teve interação, né?
Pois é, cara. Assim, ó, intimidade. Você quer a maior proteção que você pode trazer para o seu filho? A maior segurança que você pode trazer para o seu filho é criar um relacionamento de intimidade. É, né?
O filho tem que ter segurança de chegar no pai e na mãe, né, cara?
Porque sem isso, esquece. Nós vamos ficar aqui abordando fases, temas, filosofias, interações, não sei o quê, não sei o que lá, coisas prontas, cara. Isso tem que ter intimidade. A intimidade é que vai fazer com que você tenha segurança que o seu filho ele vai caminhar bem.
E se ele precisar de alguma coisa, você vai ficar tranquilo porque ele vai te pedir ajuda. Pois é. De repente não vai pedir para alguém na rua.
Pois é, entendeu? Ele pode até assim, isso é depois, no outro, numa outra reunião nossa eu vou tratar muito sobre a questão do adolescente, né? Como é que essas coisas da rua também, mas assim, é um outro ponto. Mas se você cria uma intimidade na infância, e a intimidade se cria na infância, você leva isso pelo resto da sua vida.
Com certeza.
A criança, o adolescente, o adulto vai levar isso pelo resto da vida, porque vira base, né? Vira base, cara, vira base.
Verdade. Às vezes o silêncio de uma criança fala muito mais alto do que qualquer choro e perceber esses sinais cedo pode mudar completamente a história daquela família, né?
Sim, porque criança nunca não tem essa, essa condução pulsional de ficar em silêncio.
Verdade.
Criança quer brincar, criança quer interagir, criança quer se desenvolver. Observação, tentativa e erro.
É criança, espontaneidade, né?
Pois é, cara, criança é verdadeira. O silêncio é que alguma alguma coisa está acontecendo, tem alguma coisa errada, entendeu? Então, mas só que o silêncio já é um indício que você precisa melhorar a sua intimidade, porque quando você tem intimidade, a sua atitude não permite esse isolamento. Você já vai conversar ou vai tratar disso antes. É verdade, porque a criança vai ter liberdade dela se expor, por isso que se sentir segura de se expor.
A correção, você pensa assim, ó, existe a correção autoritária, aquela correção rígida, e existe a correção de um professor. O pai tem que ser muito mais um professor do que um general. Sim, porque ele tem que corrigir, mas ele tem que dar a fundamentação, né?
Por que que tá fazendo aquela correção?
Pois é, cara, não tem. Você deve corrigir, mas não faça isso por si só.
Fundamente essa correção, explica isso, entendeu?
Explica, entendeu? Isso é importante que a criança entenda isso.
Nossa, isso livra, isso livra um ser humano de tantos traumas. Nossa Senhora! Então tá, Carlos, a gente chegou ao fim, né, desse, desse bloco aí falando sobre o prazo, né, da escolha do parceiro até a pré-adolescência dos filhos. Deixa aí as suas redes sociais, como é que as pessoas conhecem seu trabalho, né, porque eu acredito que vai ter muita gente aí curiosa, mais curiosa para te conhecer também.
Bacana, Marquinhos, mais uma vez eu Agradeço por esse espaço. Eu espero que de verdade, tá, de verdade, que o que a gente disse aqui, o que foi colocado, se isso chegou como um instrumento de transformação para uma pessoa, já tá muito bom. Sim, entendeu? Já tá muito bom. E bem, eu Tenho aí um outro, nós temos é um outro vídeo também ali atrás. Você que por acaso gostou desse, assista o outro também dos outros profissionais que estão aqui.
Eu vejo todos, muita gente boa, sabe? É um trabalho muito bem feito. E se você quiser me achar lá no Instagram, é @doutorcarloshenriquepsic. E o meu telefone de contato é 21 995-939-555. Não espere que as coisas aconteçam nem na sua vida nem na vida do outro. Busque uma orientação técnica de um profissional.
Verdade, pessoal. Esses dados do Dr. Carlos Henrique Macedo vão ficar também aqui na descrição desse episódio, tá? Vocês é só chegar lá na descrição que vocês vão ver. Pessoal, hoje ficou muito claro que a educação de um filho não começa quando ele entra na escola, nem quando aprende a falar. Ela começa nas escolhas que fazemos como adultos, na forma como construímos nossos relacionamentos e no ambiente emocional que criamos dentro de casa.
Carlos, muito obrigado por compartilhar tanto conhecimento e tantas reflexões conosco, tá? Muito obrigado mesmo. E para você que nos acompanhou até aqui, fica uma pergunta: será que o maior presente de um pai, que um pai pode dar para um filho, é uma boa educação? Ou o exemplo de uma vida emocionalmente saudável? Pensa nisso. Esse foi mais um episódio do Contra Corrente Podcast, Contra Corrente do Óbvio. Eu sou o Marcos Souza e meu convidado hoje foi Carlos Henrique Macedo.
Obrigado aí a todos e até a próxima.
Isso aí.