Vale o Replay: Humor, crítica e bom senso de Jacira Doce | Mamilos #504
Curadoria do Mamilos: Vale o Replay! ⏪
Dar conta de todo o conteúdo que sai diariamente é quase impossível, né? Por isso, em julho, o Mamilos faz uma pausa nos inéditos e traz uma curadoria carinhosa com as nossas conversas mais instigantes.
É um convite para desacelerar: puxa a cadeira para ouvir aquele papo incrível que acabou passando batido, ou aproveita para reouvir com calma e descobrir novas camadas da nossa conversa.
Dá o (re)play e vem com a gente!
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#MamilosPodcast #PodcastBrasil
- O papel do humor e da brincadeiraRir da própria desgraça · Humor sarcástico e irônico · Resistência através do humor
- Mentalidade positiva e gestão de riscoCrítica ao discurso motivacional · Coaching online · Culpa por não conseguir
- Infância e padrões familiaresAmbiente familiar religioso · Violência doméstica · Mãe protetora e fingindo felicidade · Pai de Guiné-Bissau e Angola
- Moda e EstiloDenúncia Fashion · Crítica ao consumo excessivo · Moda CLT · Tendências para quem?
- Sucesso e RealizaçãoTranquilidade financeira · Orgulho do trabalho · Pagar as contas
- Carreira e LiderançaDesafio de liderança · Relações de poder no trabalho · Diferença entre chefe e amigo · Contratação de pessoas melhores
Oi, gente, o que falar de julho, esse mês que para mães costuma não ter graça alguma? As crianças entram de férias e a gente continua trabalhando e se enlouquecendo, não é mesmo? Por isso que essa semana a gente escolheu trazer para vocês o episódio 506, em que a Jacira Doce vai nos ajudar a rir dessas desgraças todas, porque ela não tem dó nem piedade desses coaches online, esses homens que ficam nos mandando sorrir, agradecer, ir para academia que tudo se resolve, sabe?
Bota um cropped, reage. Na verdade, ela não tem dó nem da gente, né? Porque ela joga na nossa cara o terror de cada segunda-feira. Essa mulher fala as coisas mais duras com uma cara de paisagem que bate na gente, a gente nem percebe que a gente tá apanhando.
Né?
Então, o que eu posso te dizer além de pelo menos vem rir comigo, né? Se você não ouviu, vem a rir. Se você já ouviu, traz todos os seus amigos pra rir junto comigo.
Vamos rir da nossa desgraça, é o que nos sobra.
Vem!
Eu acho que a motivação, a automotivação, ela é muito individual, né? De onde é que ela vai chegar em você. Eu nem chamaria de automotivação. Eu acho que é um adulto funcional fazendo o que precisa ser feito. Com motivação? Não, às vezes você vai sem.
Mamilos, mamilos, mamilos, mamilos. Mamileiros e mamiletes, sejam muito bem-vindos ao Mamilos, esse espaço de diálogo de peito aberto. Eu sou a Cris Bartz, eu sou a Juvalau.
E quem a gente tem na nossa mesa hoje, Cris?
Jacira Doce. Por favor, se apresente para os nossos ouvintes. Quem é você na fila do pão?
Gente, é tão louco estar aqui ouvindo isso. Quem sou eu na fila do pão? E eu ouvi tanto e até agora não sei uma resposta. Porque eu não tenho treinado, né? A vida vai mandando sinais.
Mas essa é a grande pergunta da vida. Quem a gente é, né?
Cara, uma simples camponesa. Porque Brasília é o campo, né, gente? Aí eu chego aqui em São Paulo, eu fico olhando pra cima. Que prédio alto, né? É o Chico Bento, São Paulo.
Tão espelhado, né? Que arquitetura inspiradora, né, gente?
É, a modernidade, ela chegou pra acabar com tudo.
Mas realmente, uma simples camponesa.
Simples camponesa que produz conteúdo de moda, de humor, humor muito sarcástico, humor pressão baixa, é, e que vê a vida sobre essa ótica não tão otimista, não tão sonhadora. Não sou mais uma menina risonha que ri que sonha, já fui, hoje eu não sou mais.
Pessoal, vocês já sabem que eu resolvo a vida no app do Mercado Livre. Só esse mês a Nina me avisou na última hora que tinha apresentação do circo. E aí, como é que a mãe se vira? Eu encontrei tudo que precisava para fantasia que ela inventou lá no app do Mercado Livre. Achei o shampoo e o condicionador que o meu cabelo ama e às vezes não tem no meu bairro. Comprei um moletom Delícia quando deu aquela esfriada em São Paulo, na mesma semana em que eu precisei de um chinelo novo para ir para o Rio de Janeiro.
Ou seja, Tudo o que eu preciso, sempre com achadinhos, com preço que ninguém acredita. Por isso que eles estão chamando esse tipo de compra de comprita. E agora o Mercado Livre fez um feat com a Anitta e tá lançando o Anittaço. O Anittaço já tá rolando e tem produtos com até 70% de desconto em todas as categorias e frete grátis acima de R$19. Você ainda pode parcelar em até 24 vezes sem juros no cartão Mercado Pago. Assim todo mundo vai querer fazer compritas.
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Mercado Livre, conta de verdade quem é, já sei.
Vamos lá, se você não aguenta mais mensagens motivacionais, textão cheio de positividade e vídeos de rotinas inacessíveis, você precisa precisa conhecer a Jacira. Enquanto o mundo te manda sorrir, agradecer e ir na academia, Jacira aparece no seu vídeo pra dizer: Mais uma segunda-feira chegando, eba! Jacira Doce tem 36 anos, nasceu em Portugal, mas foi pra Brasília tão pequena que já é brasiliense de alma, essa camponesa. Já estudou Direito, se formou em Administração, trabalhou como babá, auxiliar administrativa, instrutora de dança e analista de business intelligence.
Já fez muita coisa por dinheiro, quem nunca, né? Mas encontrou nas redes sociais um lugar pra ser ela mesma. Hoje é uma das vozes mais afiadas e engraçadas da internet. Com humor ácido e uma sinceridade que atravessa a tela, ela critica a positividade tóxica, faz a gente rir dos próprios tropeços e ainda acerta em cheio nas reflexões. Nesse episódio, a gente vai conhecer melhor quem é a mulher por trás dos vídeos. Entender o que levou ela a criar esse conteúdo, como a infância moldou esse olhar crítico, qual a relação dela com moda e o que ela pensa de futuro.
Tudo isso, claro, tratando o cotidiano com o deboche e o sarcasmo que a vida pede e que ela faz tão bem. Bem-vinda, Mamilos! Obrigada!
Gente, que sonho, que coisa boa estar aqui, de verdade. Eu venci, eu acho que é isso, eu posso me aposentar amanhã, já foi. Ei, eba! Ganhou a corridinha.
Já cheguei lá, hein, cheguei lá.
Jacyra, eu queria começar falando justamente do cerne da maioria dos seus vídeos, que é um balde de água fria, né? É o anti-coaching.
Mais uma semana começando. Eba!
Eu queria entender em que momento você percebeu ou desejou quebrar essa bolha de positividade tóxica. O que que deu em você?
Eu acho que primeiro vem essa onda muito grande. Eu acho que ali Acho, eu senti mais forte quando a gente tava saindo da pandemia. Essa coisa de, vamos lá, você pode, você consegue. E eu falei, não pode e não vai conseguir. Ué, o que tá acontecendo? O que tá acontecendo? Eu acho que esses discursos, eles são muito ruins pra maior parte das pessoas. Porque quem tá falando disso partiu de onde? De que lugar? Quem é essa pessoa que tem esse discurso?
E eu acho mesmo que tem muita gente que não vai conseguir muitas coisas. E isso vai te enfraquecendo, né? Poxa, mas se existe esse discurso, só eu que não consigo? Qual que é a minha culpa? Acho que a gente vai se culpando por não conseguir, por estar acreditando num discurso que simplesmente não é real, que não se aplica a muitas vidas. Eu falei, não, alguém vai ter que falar o contrário, não é possível. Será que ninguém tá vendo?
Trago verdades.
Não vai dar tudo certo, gente. E saber que não vai dar tudo certo te aterra, né? E aí você vai lidando com outras possibilidades.
Tem um acolhimento que é de compartilhador, né? O fato de que eu não tô sozinha, né? Não tô louca então, né? Não tá, né? A hora que— não é que você tá falando para as pessoas, tá tudo horrível. É assim, vocês também estão sentindo o que eu tô sentindo? Tamo. Aí então já a situação não fica melhor, a perspectiva não fica melhor, mas você já fica mais É isso, né?
De não estar sozinho é muito bom, realmente tem efeitos, né, na gente.
Mas deixa eu te perguntar, tem um lugar na vida que a gente precisa se automotivar, né? Precisa falar, não, vamos lá, eu preciso dar um jeito. Várias pessoas encontram isso dentro das suas relações familiares, é a sua mãe te empurrando, é o seu pai te cobrando. Muitas pessoas encontram na religião, né? Muitos cultos evangélicos falam, você é filho de Deus, você merece, então faça. Tem vários lugares que a gente precisa, em vários momentos da vida, dessa motivação, que é: eu preciso assumir a responsabilidade por quem eu sou no mundo e eu preciso ir atrás do que eu desejo.
Que hora isso é um discurso válido? Que hora que a gente consegue utilizar isso em benefício próprio? Que hora que começa a virar esse discurso Sabe, que ultrapassa a realidade e que vira só essa palavra ressoando, que não tem cabimento no mundo.
Eu acho que quando esse discurso é vendido, pra mim já fica um pouquinho mais complicado, sabe? Quando ele não é, sei lá, uma conversa aqui entre amigas, uma coisa informal. Quando você, sei lá, faz um curso para motivar pessoas. Porque eu acho que a motivação, a automotivação, ela é muito individual, né? De onde é que ela... Ela vai chegar em você. Eu nem chamaria de automotivação, eu acho que é um adulto funcional fazendo o que precisa ser feito.
Com motivação? Não, às vezes você vai sem. De verdade, pra mim, por exemplo, o que me motiva, motiva é que eu preciso pagar minhas contas, eu preciso realizar meus objetivos, assim. Eu não sei em que momento, Cris, isso virou algo que poderia ser monetizado, assim, você dizer o óbvio pras pessoas. A gente tem que fazer coisas, não é... Não tem muita escolha, eu acho, na vida adulta nua e crua. Coisas precisam ser feitas, você precisa se sustentar, você precisa tentar se manter saudável. Dois pilares pra mim. E você vai ter que fazer o que tem que ser feito.
Mas será que a gente tem a ver com o fato da gente ir quebrando Algumas ligações muito fortes que a gente tem, historicamente sempre teve. Então assim, o senso de dever com a família, o senso de dever com a pátria, o senso de dever com os pares era tão grande que isso te motivava, o senso de dever. Você tinha que se mover no mundo. A partir do momento em que eu vou quebrando cada um desses laços, em que eu vou questionando quanto do indivíduo ele tem que esmagar dos seus desejos, das suas necessidades, para entregar para os outros.
A gente com a modernidade vai questionando tudo isso, individualismo, individualismo, individualismo. Aí eu só existo, eu só me movimento no mundo por mim mesmo. Isso dá uma paralisada, né?
Porque assim, se você tem que responder só a você, né? Você fica parado.
Eu acho que— você não acha que tem muito isso, essa automotivação? Porque a gente tá tão umbiguinho que a gente precisa o tempo inteiro buscar uma motivação, propósito no mundo. Mundo, você não acha?
Ai, propósito é tão chato, né? A coisa do propósito me mata, porque eu acho que em algum momento talvez a gente se deu uma importância que fala: caramba, será que você precisa ter um propósito? Caramba, eu acho um peso absurdo ter que ter um propósito, porque daí se você não tem, o que que tá acontecendo de errado com você? Eu não sei se eu tenho um grande propósito na minha vida, assim. Eu quero coisas que eu não chamo mais de sonhos. 36 anos, né?
Algumas coisas vão morrendo no caminho. São objetivos. E eu vou caminhando para eles dia a dia, com coisinhas, assim. Não vou fazer um movimento extraordinário, não tenho essa energia. Mas eu vou fazendo coisinhas com muita constância. Eu sou viciada em rotina, em constância. Porque funciona pra mim, faz bem pra mim, capricorniana, né. Eu preciso de algumas coisinhas. Então, dia a dia, eu vou fazendo coisinhas que têm que ser feitas. Não é nada... Gente, Drauzio Varella. Ele diz, eu faço.
Parece que tem um bom seguidor.
Não é parecido com o programa que a gente gravou de Audiotopia? Que é: quanto mais a gente perde o controle das coisas grandes... Sei lá se eu vou conseguir comprar uma casa, sei lá se eu vou conseguir casar, se eu vou conseguir ter uma família. Sei lá se o aquecimento global não vai destruir toda a minha cidade, minha perspectiva de futuro. Se essa economia não vai derreter a ponto de a faculdade que eu tô fazendo não ter nenhum sentido no futuro. Então, o que eu posso ter controle? As coisinhas, as coisinhas, sabe?
O meu cotidiano. A quantidade de água que eu como, as minhas frutinhas, o meu exercício físico que eu vou fazer. As minhas coisinhas de trabalho. Aí o que eu tenho que fazer? Terapia também é uma coisa maravilhosa, né? Teve uma época que eu queria muito trabalhar na Globo. E aí eu levei pra terapia, eu falei, quero muito. E aí ela falou assim, tudo bem. Todo vídeo que você fizer, você tem que pensar assim, esse o Boninho pode ver.
Então é um vídeo, não é, ai, uma carreira que construí. Que carreira? É um videozinho. E aí você vai plantando coisinhas dia a dia. São realmente— a vida é feita de coisinhas. E às vezes a gente pensa que é, né, uma grande história. Quem sou eu para ter uma grande história? São coisinhas. Coisinhas me trouxeram até aqui. Eu não fiz nada extraordinário, né? Então é construção.
Cris, vou compartilhar uma dor de cabeça que muita gente vai se identificar, que é a gente precisar de internet fora do Brasil, até porque a gente não vive mais sem isso. Né? Na primeira vez que eu fui cobrir o SXSW, eu descobri na marra que festival grande tem Wi-Fi ruim. E quando a gente viaja a trabalho, esse é um tipo de uma energia caótica bem específica, né? Desespelo. Porque eu precisava de mapa para me encontrar, de dado para subir vídeo nas redes em tempo real, precisava de sinal que fosse bom o suficiente para conseguir compartilhar com notebook.
E aí A escolha ficava entre dois pontos de dor de cabeça: ou eu chegava cansada, com malas, meio desnorteada e tinha que encarar a fila em loja de telefonia gringa para comprar um chip, ou, o que acontecia com mais frequência do que eu gostaria de assumir, bancava a preguiça, ficava na operadora brasileira, nem pensava nisso e assumia o rombo na fatura na volta.
Ô Ju, A Airalo acabou com esse dilema. Ela é um eSIM, que é um chip virtual que não precisa de cartão físico. E daí você instala o plano antes de embarcar, escolhe entre os mais de 200 destinos oferecidos, e quando o avião pousa, minha amiga, você já tá conectada. É sem loja, sem fila, sem Wi-Fi ruim e sem susto no cartão. A Airalo, ela tem planos locais, regionais, globais, e pacotes ilimitados para dar conta de mapa, vídeo e tudo que a viagem da gente sempre pede.
Na próxima viagem, vai de airalo.com e garanta o seu pacote de internet ilimitada. Eu acho que a perspectiva dos conceitos ficaram muito amplificadas no mundo onde todo mundo se compara, né? Mas eu queria entender esse primeiro lugar de de molde da Jacira Doce, porque você tem um humor muito irônico, né? Você fala coisas muito duras com uma cara extremamente clássica, uma voz assim bem, sabe, destrói soquinhos assim que a pessoa não percebe que está tomando.
Quero malhar, mas tenho preguiça. O que fazer? Malhar com preguiça. Vai você, sua garrafinha de água, sua preguiça, de repente uma cara fechada, nenhuma unidade de carisma, e vai Me conta um pouquinho do lugar que você cresceu, da sua família, da sua infância.
O que que tem da Jacira pequena que tornou ela tão doce agora?
Cara, é um molde muito ruim, gente. Que molde, cara! Eu fico pensando, será que eu tenho como processar meu pai de alguma forma? Porque não foi legal, não foi bacana.
Ai, que maravilhoso!
Meu pai é de Guiné-Bissau, minha mãe é de Angola. Eles se conheceram em Portugal. E aí a história que eu soube durante muito tempo da minha vida, que eu contei com muito orgulho na escola, é que meu pai foi para Brasília estudar, foi fazer doutorado. Ele que já tinha feito direito na Universidade de Coimbra, uma das mais tradicionais do mundo, foi fazer mestrado doutorado já na Universidade de Brasília. Ele fez, ele fez, mas ele saiu fugido de Portugal porque ele deu um cheque sem fundo e dava cadeia na época.
Eu sou contra, gente, imagina, você não pode dever mais, que que é isso, vai ser preso? Ninguém vai ficar na rua, né? E aí foi para Brasília fugido. Então é uma pessoa de um caráter peculiar, a moral dele é elástica, vamos falar assim. E aí veio para cá. E aí se meteu com o negócio de igreja, falou, vou ser pastor. Eu fico pensando muito como é que seria a minha história familiar se a gente não tivesse essa coisa da religião assim, porque pautou muito.
E aí a Igreja Assembleia é uma igreja muito rígida, e eu a filha do pastor, então eu tinha que fazer coisas que eu não acreditava. Eu desde muito nova eu queria ser dançarina do Faustão, eu não queria ser levita na igreja, sabe? Assim, aí complica.
Artística desde pequena.
É, eu queria assim, sabe?
Então, mas ele deixava você ver TV?
A gente via muita coisa escondida assim. E eu lembro que teve uma época que a gente tinha perdido o controle, então a gente via a TV muito perto para mudar, porque não podia ver novela. A gente via colada na tela assim. Então, e aí muita violência doméstica, uma casa muito triste assim, um ambiente muito triste para criança e para desenvolvimento de crianças, enfim. E aí eu sabia que eu imaginava que a TV era um lugar feliz, porque lá eu vi as pessoas alegronas, né, na TV.
Então eu queria ir para lá, não era nenhuma coisa de ser famosa nem nada, eu queria ir para um lugar que eu achava feliz, seguro. Então tem muito isso. E a minha mãe, eu acho que hoje, eu acho que ela fez muito aquilo que o Will Smith fez naquele filme. Como é que é o nome?
À Procura da Felicidade.
Ela ela maquiava muito a realidade pra gente, assim. Eu hoje eu sei que não, mas eu diria que a minha mãe era uma mulher muito alegre. Ela não era, ela tava fingindo, ela tava tentando fazer com que a gente não sofresse tanto naquele ambiente. E aí é isso, eu lembro da minha mãe tendo crises de riso, e hoje eu sei que não, ela não tava bem, né?
Mas é, o humor é uma ferramenta, né? O Trevor Noah Numa entrevista pra Ester Perel, ele tava falando do humor como o seu último espaço de liberdade. Porque pensa, você como criança, você não escolheu onde você tava. Você tem pouca agência. Ele fala de que a vida vai jogando coisas em cima de você. E outras pessoas podem te colocar em situações em que você, de fato, não tem escolha. Como você olha pra isso ainda é uma escolha. E o humor é uma arma...
Até de— a Cris usa muito essa palavra de picardia, de dizer: vem, você não consegue me destruir. Você faz, eu dou risada em cima disso. Você acha que a sua mãe tinha um pouco de: eu não vou me quebrar, eu tô passando isso aqui, mas você não me ganhou? Ela tinha um pouco disso, de usar esse humor para ficar, para manter a dignidade, eu diria?
Eu acho. E tinha muito de amar acima de qualquer coisa. Ela é uma pessoa muito afetuosa, muito amorosa, apesar de tudo. Eu com menos já sou mais amarga do que ela é. A vida me bateu pouco e eu já sou carrancuda assim. E eu acho que a gente tava resistindo, né, de alguma forma. E é uma escolha minha muito ativa ver a vida por essa ótica do humor, que é irônico, que é— eu sempre olho o outro lado. Mas pra ver graça, não é pro...
O outro lado costuma ser um pouco pior do que o que tá mostrado. Mas é pra ver...
É que não é bizonho, né? A gente comenta bastante, eu e a Cris, disso. Porque tem um humor autodepreciativo que ele é só triste. Ele vê a vida sempre cinza. Eu não te vejo assim. O seu humor é dessa... De rir das coisas, de se afastar das coisas. De não levá-las a sério, de não deixá-las te machucarem.
Peraí, isso aqui é o que todo mundo tá vendo, mas tem mais coisa. Vamos, é uma virada.
A sua mãe entra em alguns vídeos seus, né? Eu vi o vídeo que você tava falando com ela e tudo mais. Como que é a relação hoje? Como que ela enxerga o que você faz?
É uma relação boa, é uma relação distante porque ela mora em Portugal, então a gente se vê anualmente. E ela é uma mãe Eu acho que ela precisou ser muito protetora. Eu acho que ela ainda não entendeu que não precisa mais. Ela separou, ela tá bem, a gente tá bem. Eu acho que ela é uma mãe que tem dificuldade de ser mãe de adulto. Eu vou pra casa dela, ela regula o meu horário de alimentação, assim. A gente não mora juntas há muitos anos.
Mas ela: Ai, filha, já tá na hora de dormir, né? Eu falo: Não é possível, não é possível. Eu não quiser dormir hoje, mãe? Ela fala, ué, mas aí eu não vou dormir também. Não é possível! Ela é muito assim. Eu acho que também porque ela tá longe, aí quando ela tá perto ela fica muito— Só assim eu fico apaixonando.
É?
E eu fico meio adolescente quando eu tô na casa dela. Eu vejo que às vezes eu tô de fone. Aí eu falo, ai, que mico, cara. Tô com a minha mãe, tô de fone. Quantos anos eu tenho? Mas é que eu acho que ela vem com essa coisa muito protetora e ainda muito Mãe no pequeno. E eu querendo falar, não, aqui não, aqui você não vai mais mandar. Mas manda assim, ainda manda, ainda manda.
Que hora que você aprendeu a rir da vida?
Ah, desde muito cedo. Às vezes a minha mãe, eu conseguia não ir para o culto. Muitas vezes eu fingia que eu tava passando mal, né?
Quem nunca?
Para não ir para o culto, porque eu amava Fantástico. E o domingo do crente acaba com isso, gente. É na hora do Fantástico, você não consegue ver Fantástico. E às vezes eu fingia que tava passando mal e eu ficava em casa. E minha mãe voltava e falava assim, já me chama de já. Ai, já hoje foi bom você não ter ido, porque você não ia aguentar, você ia rir muito. A irmãzinha começou a sapatear, pisou na saia, a saia caiu. Aí eu falo, ai, mãe, para mim não ia dar, eu ia rir, não tem como.
Eu acho que é isso assim, eu tenho um olhar muito crítico sobre a vida e eu vou fazendo graça disso assim, porque senão não é isso, sabe, Ju? Fica rígido. Eu não sou rígida, sabe? Eu não sou. Eu consigo ver graça, mas é um humor crítico, assim.
Mas tinha alguém na sua família que era seu cúmplice? Porque rir sozinho é triste, né? Assim, tinha alguém que você só trocava olhares e a pessoa entendia o que você tava pensando? Que ria junto com você?
Ah, eu acho que a minha irmã, a minha irmã mais velha que eu, ela tem 42, ela também tem muito esse humor, assim. Assim, sabe? É porque a gente tava inserida num ambiente que era igreja evangélica, que ninguém queria estar, só meu pai. E para mim era tudo um circo. Eu falava, gente, que ritual é esse? Eu achava muito engraçado. E não dá para você rir da irmã sapateando, porque aquilo é sagrado para ela. Aquilo ali faz sentido naquela liturgia, faz sentido.
Mas eu sempre achei muito engraçado e Eu sempre falei, não é possível que tem que ser assim sempre. A dinâmica do culto sempre foi uma coisa que eu critiquei muito e que eu vi muita graça. Então a gente tava na hora do culto e o riso vinha aqui, ó. Aí o hino da harpa que não acaba nunca. Aí tem mais uma estrofe, não tem? A gente ria muito de hino da harpa, é uma coisa maravilhosa. E aí eu e a minha irmã, eu e as minhas irmãs assim, a gente queria rir, mas não podia porque a filha apóstolo não pode? Ainda tá rindo, tá endemoniada. Que que é isso?
Eu acho que é isso que é o complexo da religião, porque ela é muito sagrada para quem vai porque quer e muito difícil para quem vai obrigado.
Não faz sentido. E eu preciso ver sentido nas coisas desde muito nova. Eu percebi que eu precisava ver sentido. E aí, como eu nunca vi, enfim, sempre foi muito engraçado para mim e muito triste de estar inserida numa realidade que eu não queria.
É muito difícil. Você seus roteiros? De onde sai essa inspiração do vamos rir disto agora?
É do dia a dia?
Você vai lapidando? Eles são mais, eles são mais improvisados? Como é que é isso? De onde saem as ideias?
A coisa principal é que eu não tenho pretensão de ser engraçada, até porque eu não me considero engraçada. Veja, eu não considero.
E eu estou rindo por quê?
Tá com riso frouxo, tá feliz por quê? O que na sua vida tá tão bom?
Aí é com você, né?
E me deram um prêmio de humor, fiquei tristíssima, mas fui receber.
Entendi.
Botei um bonito vestido e fui. Então não tenho pretensão de ser engraçada. E aí pode ser que isso já me ajude, porque é um peso a menos que eu tenho. E surge muito de uma conversa aqui, que provavelmente vai sair uma coisinha de um vídeo, sabe? Eu tô sempre anotando, me mando mensagens pra falar, cara, isso aqui dá um vídeo. E as pessoas falam muitas coisas motivadoras, né? Falam, tudo é caminho. Gente que fala caminho para onde?
Que caminhada é essa, gente? Sabe que caminhadas são essas? Então eu vou anotando assim, surge muito disso.
Frase de para-choque de caminhão te dá muita ideia? Porque é muito mais assim, porque a gente fica falando dos coaches, mas essa tradição brasileira, essa Constituição brasileira, que é a frase de para-choque de caminhão, já trazia essa positividade tóxica raiz, é ou não é, gente?
O adesivo, né, Deus é fiel, já me pegava tanto, né? Eu via e tinha, teve uma época que tinha muito assim. Não tem um pior, que foi Deus que deu, né, o carro. Meu amor, as parcelas que você vai ter que pagar, só você sabe o esforço que você teve para comprar esse carro. Carro, sabe? Então assim, essas coisas me pegam muito. E aí o roteiro, eu não tenho uma coisa de sentar e escrever um roteiro assim. Eu tenho uma frase, vai, e aí dentro dela, na hora do vídeo, eu boto ali meu celularzinho e aquela frase vai crescendo.
É muito louco assim, eu tenho dificuldade de sentar e fazer roteiros. Os vídeos de segunda-feira eu gravo toda segunda-feira, não tratar no mood. Que segunda-feira é essa? Quem Quem sou eu nessa segunda-feira?
O que me tocou nessa segunda? O que me irritou hoje?
Então é do dia mesmo, assim. O que é um perigo, né? Porque às vezes a criatividade não vem. Só que eu já percebi que a galera tem um critério baixo também, né? Ai, Nina, tudo que eu posto é um kkk. Falo, não é possível, eles gostaram desse?
Mas peraí, se você não se acha engraçada, do que você ri? O que é engraçado pra você? Quem são as pessoas que te fazem rir? Qual é o tipo de humor?
Cara, as minhas amigas me fazem rir demais. Mesa de bar me faz rir demais. Sabe, é histórias, as histórias das minhas amigas eu amo ouvir, sabe. Aí são personalidades muito diferentes, né, tem a que tá solteira há anos, nunca namorou, e aí ela vem com cada história de festa que ela foi, que é maravilhoso. Vidas normais, histórias normais de pessoas muito cotidianas, muito normais, me fazem muito rir assim, sabe.
Eu acho que tem muita graça comum. Tem alguém, um profissional de humor que te faça rir?
Ah, eu gosto muito do Paulo Vieira. Acho que ele não tem um humor de— ele não vai dar uma cambalhota para te fazer rir, até porque eu vou ficar preocupada. Você sabe a idade que você tem, lindo? Você vai travar uma coluna sua, e aí? Gosto muito, gosto muito da Tatá. Eu acho que é um humor diferente do meu, mas que me pega bastante. Gosto bastante. Dani Calabresa, eu acho muito engraçada, acho ela engraçada no normal, sabe? Eu gosto mais de pessoas engraçadas do que de fato um número de humor. Pronto, eu acho que é stand-up.
Você tem bode de stand-up? Já deu, já chega?
Eu, para mim, para mim, todo mundo sentadinho, acabou. Não tem, não vamos falar nada mais em pé, é Complicado, eu acho complicado, eu acho que é. E aí eu às vezes eu infelizmente vejo, tem muita coisa que a gente vê sem querer, né, na internet. Aí esses homens eles fazem humor tão complicado, eles falam umas coisas de mulheres que já não é possível que vocês tenham tão rindo disso assim, é muito ruim. Mas aí eu fui, uma moça que chama aquela Miranda, ninguém sabe o nome dela, eu já sou misteriosa, esse é o arroba dela.
A Raquel Miranda. E aí eu fui num show de stand-up dela. Como é bom mulher fazendo humor, né? E muito normal, ela traz histórias da vida CLT dela e o humor dela é muito crítico. Ela faz crítica à Apple Baby, à comida afetiva. São coisas que todo mundo quer criticar num lugar muito comum. Humor comum me encanta muito, sabe?
É, eu gosto desse lugar que você ri do absurdo, que você também participa. É, eu vi uma vez, como é que a gente tá inserido? Eu vi uma vez um vídeo da vida de Tina, que era uma reunião de pais, e eu olhei e falei, cara, esse aí é mais ou menos o lugar que eu vou. E aí você ri de você mesma no absurdo, porque é quase uma caricatura da vida real, né? Mas ela é ela é você no final, você consegue se ver na caricatura. E eu acho que por isso que é tão divertido.
Agora, você falou, ai, tem um humor que eu acho que tá incorreto. Tem alguma coisa que você acredita que é um limite para você e que disso a gente não ri?
Eu acho que a gente não ri de muita coisa, né? Eu acho que se é um problema social talvez a gente não devesse rir. Vamos procurar soluções e não rir. Apesar de que eu acho que a gente precisa realmente falar de tudo. E se você fala com humor, você consegue chegar em mais pessoas. Isso eu percebo. E eu acho que fazendo humor irônico, eu tenho muita dificuldade, porque tem muita gente que não entende ironia. Então eu percebo que quando eu falo de religião, e eu sinto que eu posso falar porque eu vivi muitos anos da minha vida, é complicado.
Tem várias vezes que eu vou citar, sei lá, versículo, eu falo ditado, é uma provocação. Eu sei que é um versículo, mas aí tem pessoas que me corrigem: é um versículo, tenha mais respeito, sabe?
Então, mas é isso que você falou, né? A gente não deveria rir disso. A gente quem? A gente é muita gente. Porque para irmã que tá lá falando em línguas Aquilo é sagrado, não deveria rir. Para você era necessário rir para você suportar aquilo. A gente precisa de coisas diferentes e a gente lida com situações difíceis de formas diferentes. Você acha que a gente precisa ter tolerância nesse espaço comum de humor? Que tá tudo bem eu— para mim isso não é humor, isso não pode falar.
Para você é, vai continuar existindo no mundo. Qual o espaço de tolerância e qual o espaço em que a gente precisa silenciar? Não pode existir.
É, eu acho que tem coisas realmente que são sérias, são crimes, né? E aí os humoristas, eles sempre tentam assim dar uma esticada, mas eu acho que de verdade gordofobia não é engraçado, racismo, né, muito menos. Tem algumas questões de gênero que eu acho que não dá mais para a gente rir, porque enfim, as pessoas elas morrem, né? Então As mulheres sofrem realmente muito, então eu acho que não dá pra rir. Mas eu acho que tem coisas que são levadas muito a sério que talvez não precisaria, assim.
Eu acho que religião é uma delas. Eu conheci um humorista que ele faz— ele é evangélico e ele faz humor sem censura. E ele fez um personagem de um pastor que, meu Deus, era muito engraçado. Era um pastor dando uma receita de pudim naquele tom, como se— E aí era, sabe assim, maravilhoso. Eu ri demais daquilo. E como é que um pastor não vai rir disso? Gente, vocês são assim mesmo. É igual o Devocional.
Eu preciso rir de mim mesmo, tudo bem.
E aí, quando a gente consegue rir da gente, aquilo, você tira a importância da sua existência, porque sinceramente ela não tem. E aí você ri. E eu acho que a gente se encontra, sabe, nesses lugares de tolerância mesmo. Dá pra rir de muita coisa, tem coisa que não dá pra rir de jeito nenhum. E a gente vai entendendo o que que dá, assim. Tem lugares mais seguros. Eu acho que homens brancos conseguem fazer piada muito mais facilmente do que eu, por exemplo.
Mas eu vou tentando, eu vou achando o meu lugar. E eu não curto muito polêmica, né? Então Eu penso bastante antes de postar um vídeo. Eu fiz uma crítica... Eu tenho um quadro que é Crítica de Cinema Completamente Infundada. Porque não entendo nada de cinema. Mas eu sei o que é um filme ruim. E aí, eu não critico filme bom. Porque às vezes o filme bom eu nem entendo, né. Mas o ruim, eu consigo falar que ele é ruim. E aí, na época do Oscar, eu fiz uma crítica sobre Conclave que eu gostei.
E aí eu cito vários padres maravilhosos que a gente tem e tal. E eu juro por Deus, eu não sabia que o Papa tava doente. Vocês acreditam? Perdi esse furo.
Sim, sim.
Eu não sou muito ligada à Igreja Católica. Eu perdi esse furo mundial. E eu fiquei tão pensativa, eu falei, cara, será que era hora de eu ter feito a crítica desse filme? E agora, infelizmente, Deus o tenha. E aí eu falei, cara, será que não tá na hora de repostar? O vídeo de Conclave, eu falei, poxa, nada a ver, né? Tem gente, eu tenho muito seguidor padre, amo eles. Eu tenho um seguidor que a gente troca muito áudio com meu seguidor padre.
Padre Cauê, um beijão, amo. E aí ele postou uma história que tava triste, eu falei, poxa, não é a hora, sabe? Então eu acho que tem uma humanidade, uma sensibilidade, não fazer a graça, que você precisa perceber. Eu falei Ai, tocou meu coração? Não. Mas poxa, tem gente que tá triste hoje, não sei se é hora.
Porém, o vídeo da Gretchen com o conclave, é o conclave inteiro com a Gretchen, não sei se você viu. Aquilo ali é um Oscar, né?
Aquilo ali é incrível.
Mas claro, ele circula entre as pessoas que podem rir, que não estão num momento frágil com isso. É isso que eu acho, que eu tava tentando chegar. Não necessariamente é para todo mundo. Eu acho que contexto, a gente tá perdendo muito com a internet contexto, né? De que assim, aqui talvez funcione, ali não funciona. A gente, essa sensibilidade que você falou em relação ao seu seguidor padre, ela é no um a um, né? E aí quando você joga no marzão, que vai chegar sem contexto em um monte de lugar, em todo mundo, a chance de ofender.
E eu me preocupo com isso assim, eu amo o podcast Coisa Que Não Edifica constrói. Não sei se você conhece, de um português, você vai amar. E ele teoriza sobre humor, é muito legal. Humorista, ele teoriza sobre humor. E ele fala sobre o quanto a gente é preocupante a gente ter perdido esse músculo e esse exercício. A gente quer que as coisas não nos incomodem, a gente quer que as coisas respeitem a nossa sensibilidade. Não sei até que ponto isso é bom, entendeu?
Então todo mundo que levantar a mão e dizer isso me machuca, ou me magoa, a gente para de falar. Quanto que a gente tá realmente protegendo alguma coisa? Que o que bem público a gente tá protegendo com isso? Então acho essas reflexões interessantes assim.
E você tem muitos seguidores e as pessoas interagem muito nos seus vídeos. Você acabou de falar que tem gente que não entende ironia, tem gente que se sente ofendido pelos vídeos. Que hora que os seguidores são um termômetro e um guia. Que hora que você percebe que, pera, tá começando a me prender num lugar só, tá demais isso aqui? Você lê todos os comentários? Como que você gerencia a expectativa sua e dessas pessoas?
Não consigo mais ler todos, mas são sempre muitos assim. Eu fico muito feliz que as pessoas, elas realmente têm algo a dizer sobre o que eu tenho a dizer. Eu gero conversa. Isso eu acho que é maravilhoso, assim, é um presente. Eu sei o que eles querem ouvir. E aí eu tô num jogo, né? E eu jogo o jogo, eu sou boa de— eu não vou contra, eu não vou remar contra a maré. Eu tô lá, eu tenho essa audiência, eu sei o que eles querem ouvir.
Criativamente, eu acho isso complicado. Porque, caramba, se daqui a pouco eu quiser mudar muito Eu sei que algumas mãozinhas vão largar da minha, assim. Eu tenho essa consciência e eu acho que é uma escolha. Me encontram na rua e falam muito do vídeo de segunda-feira. Mas eu gosto muito de fazer o Denúncia Fashion.
Eu ia puxar esse.
Ah, esse pra mim é um deleite.
Da onde veio? Por que veio isso?
Ju, não é possível que todo mundo vai elogiar a tendência. Não é bacana, não é bonito. Vocês estão tudo feia na rua.
Sabe?
Dica de como estragar um look em 40 segundos. Aqui nós temos um belíssimo exemplar de conjuntinho de alfaiataria. E você pode se perguntar: ué, o que pode dar errado? Ô minha flor, tanta coisa! O sapato vai ser esse aqui, até aí ok. Mas eu tenho isso aqui. Ahahaha! Meu Deus do céu! Por que eu sou assim, meu pai? E o resultado é esse aqui. Ninguém vai saber se ela tá no pós-operatório dela, se ela fez a cirurgia de várices dela.
Ou se ela é autêntica. Me siga pra mais dicas. E alguém tem que ter um outro ponto, né?
É lógico, gente. A gente já achou bonito ombreira. Então evidentemente que tem tendência que não funciona, não é mesmo?
Não funciona, não é bom pra ninguém, sabe? É democrático, né? Todo mundo fica feia. Então eu gosto de falar um pouco do que ninguém tá falando. Assim, claro que tem gente falando. Mas é um conteúdo de desmoda, né? O que que é? Poxa, será que a gente só vai ficar falando de— a gente vai ficar só mostrando look bonito? Eu faço uns vídeos com os looks muito feios, que eu sei que são feios, mas porque eu acho que a gente tem que gerar um pouco de incômodo também, sabe?
Esse desconforto, ele é muito legal. A gente pode ficar desconfortável e criticar. Moda, tendência assim, não é? Não tá escrito em pedra, a gente pode criticar. Só que é isso, ninguém me encontra na rua e fala, que legal, Denúncia Fashion. Mas eu vou continuar fazendo, só que eu sei que o vídeo de segunda-feira precisa estar ali também. Eu vou colocando outras coisinhas para que a minha criatividade não sucumba ao desejo da minha audiência assim.
Eu sei o que eles querem ouvir, eu vou falando um pouco de droga, um pouco de salada.
Agora eu queria explicar um pouquinho na moda, porque eu, se colocar o bracelete na blusa, não fica bom para mim. E para você tá lindo, tá fashion, tá complementando.
Eu desconfio tanto desse elogio, não gosto para mim.
Você tá linda!
Falou mesmo, foi verdade.
Tem várias coisas que eu coloco porque eu vejo bonito na pessoa, já vou chegar em casa e tentar fazer isso, eu falo: não funcionou, não sustento. E tem outras coisas funcionam para mim, eu vou experimentando, descobrindo e tudo mais. Qual que é a sua relação real com a moda e de onde vem a informação, a inspiração, o teste e até o poder criticar? Porque eu lembro que nos anos 2000, até outro dia, a gente tinha as revistas que mostravam o certo e o errado. Então vinha assim: tem quadril largo?
Não.
Calça assim? Não.
Tirava foto das pessoas na rua, lembra?
Então, assim, de onde vem essa relação e como que você enxerga isso?
Sempre gostei muito de moda. Assim, a pobre da minha mãe tinha que ficar costurando, recosturando o vestido para, né? Era nós três, somos três irmãs da mesma mãe, e a gente sempre gostou muito de moda. A minha mãe é uma mulher extremamente bem vestida, ela usava muito conjuntinho, baratinho. E a gente sempre gostou. Era uma forma limitada de expressão, porque enfim, tinha que usar saia, não podia usar nada de decote. Era moda modesta, né, menina?
Que tá me matando por dentro. Conservadorismo vai acabar com a gente, eu juro por Deus. Mas a gente tentava, sabe? Mesmo sendo um universo de moda muito limitado, a gente tentava usar umas coisas diferentes e tal. Então acho que tem muito disso e de tentar hackear um pouco o sistema por dentro assim. Ah não, tá, tem que ser saia, mas que saia? Será que tem uma saia um pouco mais interessante? Então a gente ia fazendo essas descobertas.
E limitação também ajuda muito a criatividade, né?
Ajuda, cara. Dentro você tem 3 opções, como é que você vai ser criativo aqui nesse espacinho apertado? Eu acho que ajuda mesmo. E eu comecei a fazer um vídeo de se arrume comigo pra trabalhar. Que eu tava vendo, acho que eu vi no TikTok antes de ver no Instagram. Cada look era 60 mil. Aí eu falei, não é possível. Gente, ninguém tá comprando de fast fashion. Ninguém que consome moda possível e popular tá fazendo esse tipo de vídeo?
Não, vou ter que fazer. E aí era um lookinho bem CLT, sabe? Mas sempre... E aí eu percebi que as pessoas estavam mais interessadas sobre o que eu falava da roupa. A roupa era um detalhe, mas o que eu falava, que história que essa roupa vai contar. E eu acho que realmente moda é uma ferramenta absurda de comunicação, né? Você consegue dizer coisas e as pessoas, elas tiram algumas conclusões sobre você a partir do que você veste.
E eu acho que essa tem que ser uma consciência que a gente tem. Você pode não ligar para isso, Mas as pessoas, elas vão tirar conclusões sobre você antes de você dizer alguma coisa. Então acho que vem muito disso e de criticar, assim, porque tendência é pra quem, né? É pra que bolso? É pra que corpo? Então tendência me pega muito e é sempre muita, né? São muitas coleções o tempo inteiro, a gente não— é muito consumo. Então É, eu não sei, eu senti que eu precisava criticar isso porque tem mulheres normais se vestindo e saindo por aí todo dia.
É o que mais tem. É outra coisa que você critica muito, é CLT. Você falou aqui do Luquinha CLT e tal, os vídeos de segunda-feira também tem um pouco disso, né, do ranço de você trabalhar para alguém que tá puxando seu tapete, que é incompetente, fazendo uma atividade que não tem nexo. Só que agora você também contrata, eita, e você também tem que gerenciar pessoas e cuspir para cima, amore. Hoje, gente, caiu tudo que você critica, vem te perseguir, vem puxar o seu pé.
Eu quero saber se na prática dá para ser um chefe bom, se existe isso, ou você é chefe ou você é bom.
Esse vídeo seu é muito bom, de você falando, gente, eu não quero repetir as mesmas coisas, mas tá difícil.
Tô aqui sentadinha no sofá do meu escritório, em pânico, completamente em pânico, porque agora eu sou chefe, eu tenho 3 pessoas que eu tenho que teoricamente conduzir para que a minha empresa alcance resultados, e nada na minha vida me preparou para isso. Eu não achei que esse era um lugar que eu ocuparia. E eu não sei o que fazer, eu não quero fazer as coisas horríveis que chefes já fizeram comigo. Mas eu também não quero forçar uma relação que não existe.
Porque existe sim uma hierarquia. Falar mal de chefe era o meu hobby também, eu perdi um lugar de fala que eu amava. Eu não posso postar esse vídeo porque eles vão ver. Eu vou estar arruinada porque eu tô demonstrando uma fraqueza publicamente. Cara, vai ser difícil, eu já percebi que é um desafio. Assim, eu tenho outro vídeo que viralizou bastante, que era falando pro chefes assim, que tinha assim um grupo para falar mal dessa pessoa, que não era um amigo, que não era para ficar. Esse vídeo é para vocês, chefe, coordenador, líder.
Eu amo líder.
As pessoas da sua equipe não são suas amigas. Muito provavelmente elas não gostam de você. Elas têm um grupo só entre elas em que elas desabafam e elas falam de você? Gente, eu tive uma chefe que eu tinha que sair escondida para o almoço porque ela queria almoçar comigo. Eu não quero almoçar com chefe, que inferno! E eu acho que é isso, tem um chefe que tenta ser muito legal que, cara, você só é uma chacota assim. As pessoas vão falar mal de você do mesmo jeito porque são relações difíceis, é uma relação difícil, relações de poder.
No final do dia que você tem o poder de demitir a pessoa ou não. E demitir a pessoa é um poder enorme sobre a vida dela, né, sobre a sobrevivência dela.
É muita coisa. Bom, eu acho que o mercado que eu tô inserida é um pouquinho diferente de tudo que eu vivi na CLT. Eu acho que existem relações de trabalho muito complicadas. Eu tive, eu tinha um chefe, gente, que ele Tinha a mesa dele, o lixinho dele era aqui, era pegar, amassar um papel e jogar no lixo. Caía fora da lixeira, ele não pegava. Ele tinha que pegar no final do dia. E eu falei, não é possível. Isso é exercer poder de um jeito tão escroto.
Não é possível que você não seja capaz de colocar o seu lixo no lugar certo. Bom, tem esses extremos e eu acho que eu tô inserida num mercado um pouquinho melhor. Porque eu sinto que é um trabalho muito colaborativo. E eu contratei pessoas que são melhores que eu no que elas fazem. Então assim, de verdade, eu finjo muito que eu tô entendendo o que eles estão falando. Eles vão falando e eu vou falando, caramba, é mesmo. Você viu o microfone?
Eu não sabia qual que a gente tinha comprado. E é exatamente isso. Porque eu confio e eu contratei pessoas boas. Então eu não quero saber mesmo o que você tá fazendo. No final do dia a gente vai entregar uma coisa bacana, o produto do que a gente tá fazendo a 6 mãos vai ficar legal, é realmente o que eu acredito.
Mas como cobrar quando o produto não fica legal? Sem ser escrota.
Eu não cheguei ainda, é muito recente. O escritório tem, sei lá, eu tô no escritório há uma semana, tem uma contratação um pouco mais antiga que ainda não completou 6 meses. Eu ainda não, eu não cheguei nisso de falar assim, poxa, galera, vocês querem me falir? Vocês querem acabar com o meu negócio? Pode pegar o nosso telefone, vai chegar, não vai?
É só, é muito sofrido, né? Porque você quer fazer diferente do que fizeram com você, mas alguns limites precisam ser estabelecidos. E quando você vai exercer o poder, sendo que antes exerciam sobre você, eu acho que tem dúvida mesmo, né?
É um lugar que eu não Eu falo no vídeo, é real, eu não achei que eu ia ocupar esse lugar, sabe? Então é uma, é incômodo até. Eu não, eu não queria, não era o que eu queria, mas foi necessário.
Porque senão eu ia sofrer.
Acontece, eu tô sendo penalizada porque tá dando certo. É difícil, é estranho assim, porque realmente não achei que ia ser para mim.
Mas essa é uma boa pergunta, o O que que é dar certo? O que que é sucesso para você? Para onde você quer ir, cara?
Eu acho que sucesso é pagar as contas. Sucesso é assim: às vezes você vai no restaurante e você não vê o preço, mas você entende que— eu não sou doida também, né? Eu vejo: não, pera aí, deixa eu ver a carinha desse restaurante. Não, aqui eu consigo ir, eu vou conseguir pagar essa conta. Essa tranquilidade financeira é sucesso. Sucesso para mim, gente, de verdade. Eu já passei cada coisa. Então passar no débito e não tremer na base, cara, não vai dar não autorizado, né?
É bom, é bom. Eu acho que não é riqueza assim, poxa, que dia que eu vou ser rica no Brasil, né? Não vou. Mas é tranquilidade assim, sabe? Pagar as contas, é comprar um tênis bacana para o meu sobrinho. Sou viciada em comprar tênis para ele. Sabe? Eu compro de vez em quando, dá para comprar, eu compro. Então eu acho que é isso assim, de verdade. Eu acho que é também ter orgulho do trabalho. Isso para mim é sucesso. Tem muito orgulho do meu trabalho, do que eu venho fazendo, do que eu venho construindo. Eu acho que sucesso seria isso para mim.
Eu queria só encerrar levando um pouquinho para vida pessoal. Você me parece uma pessoa muito leve, que você fala, ah, o humor nem tem grande pretensão, mas chefe, eu não fico ali no pro gerenciamento. E talvez por ter passado por situações extremamente opressoras, né, talvez hoje você olhe para o mundo já com uma gratidão que você fala: gente, só vamos aí. Eu queria saber como é que é ser amiga, como é que é amorosamente, a Jacira, porque junto com esse caldo da leveza tem a ironia.
Você também é irônica com os amigos, com os amores. Tem hora que as pessoas precisam virar você falar, peraí, não entendi, você tá sendo irônico ou você tá falando sério? Como que combina ironia e leveza na sua vida pessoal?
A minha namorada às vezes ela fala, cara, agora você pegou pesado. Eu falei, eu sou humorista, eu recebi um prêmio de humor, você está se relacionando com uma pessoa humorista. Aí eu pego, eu boto ele na mesa. Eu diria que é bom, é bom conviver comigo assim, é realmente Eu vejo o mundo sobre a ótica do humor, então é sempre uma coisinha, sabe? E aí, obviamente que quando eu me sinto segura eu falo uns absurdos que não daria. Direitos humanos, o que são?
Eu acho que eu sou— eu entendo você me sentir leve. Eu acho que existe uma leveza, existe uma rigidez muito grande comigo, com meu trabalho. É realmente leve muito levo muito a sério questões de trabalho, qualidade de trabalho. Eu queria ter menos, gente. Eu queria tanto ser um pouco mais tosca, porque eu conseguiria produzir mais conteúdo se eu não fosse preocupada com iluminação, é áudio, é que roupa que eu vou estar, faz sentido eu estar com essa roupa para falar isso.
Eu penso em tudo isso, eu penso muito. Eu tenho um apego estético muito grande, então eu sou um pouco travada, sabe assim? Eu queria conseguir fazer com mais fluidez, assim. Eu penso muito antes de postar um vídeo. Mas eu me considero uma amiga boa, uma amante boa, uma namorada maravilhosa. E é isso, é uma vida com muita ironia e com muito amor, com muito humor pra ser possível, assim. Eu acho que é o que realmente faz a vida ser possível pra mim.
É trazer ironia, porque a verdade nua e crua que eu amo e que eu falo sobre, mas ela— eu acho que outra pessoa falando exatamente o que eu falo, o Brasil tava todo depressivo. E as pessoas amam, elas sabem essas coisas que eu falo. Eu acho que é a forma também, a minha escolha de comunicação, que também me ajuda muito a falar o que eu realmente acredito, só que desse jeitão.
Você acha que essa escolha tão cuidadosa no fazer, esse olhar, né, atento por fazer, buscando cada vez mais qualidade, vai te levar para Globo ao fim e ao cabo? Ainda tá no seu, no seu radar de desejo?
Eu acho que esse era mais um sonho de criança que eu precisei amadurecer, porque eu já fiz algumas coisas e eu entendi que é puramente trabalho. Aquela criança que via TV e queria sair da casa e ir pra TV porque lá era feliz. Não, tá todo mundo trabalhando, é trabalho. Eles estão estressados também. Eles estão fazendo entretenimento, mas eles estão estressados.
Até ontem eram CLT também. Hoje não são mais, são precarizados. Mas já foram CLT.
Já foi, pirou bem. Então tem isso, assim, é um sonho que ele tá amadurecendo junto comigo. Tem coisinhas aí, já gravei uma coisinha que vai ao ar dia 1 de julho.
Eba!
Ah, e o contrato que eu assinei, o jurídico? Não, eu falei uma data, tá tudo bem.
É isso, exato.
Uma data apenas.
Coisinha, coisinha.
Coisinha tá protegida. Que é o primeiro grande projeto pra TV, que eu acho que vai ser muito legal. Eu acho que eu vou gostar muito de me assistir, assim, sabe? Eu queria muito me ver na TV. Esse é um sonho que eu, inclusive, eu topei. É a Jacirinha. Ali é a Jacirinha realizando um sonho. E eu acho que, enfim, não dava pra negar. E eu quero muito ainda, eu queria muito ser apresentadora, eu queria muito amplificar os meus meios de comunicação, sabe?
Por onde eu falo com as pessoas. Até porque é um negócio de rede social, não confio, né?
Esse moço, se um dia ele acordar, desperta você. Poxa, gente, a audiência não é sua, audiência é dele, né?
É desse. Ele puxa aquilo da tua bota, acabou para mim, acabou minha carreira. Não, então eu tenho que colocar meus ovinhos em mais sextas, e eu tô me organizando para isso.
Ai, que lindo! É muito bom, e eu tenho certeza que vai ter muito sucesso, que você tem todos os elementos.
Imita para caramba, né? Também, né?
Imprime bem vídeo, imprime bem, imprime bem.
Tem estilo, tem carisma, tem sorriso que faz sorrir. E tem uma coisa muito interessante que você tava falando, que embora você seja muito criteriosa com o que você coloca no ar, te dá orgulho. Então uma coisa alimenta outra, né? Acho que se você se livrasse dessas, ai, vou fazer, deixa assim, faz assim, talvez você não tivesse tanto orgulho. Então tem dois lados e tá caminhando super bem, porque mais do que seguidor você tem muito engajamento, né?
As pessoas conversam com você. Eu acho que esse é o melhor termômetro. É por isso que a gente trouxe aqui, porque a gente tá lá assistindo, engajando e comentando e falando uma com a outra. Outra. Então muito obrigada por ter vindo. Já tô, já tô com roupa de assistir esse dia primeiro aí, quero ver o que que é. E a nossa porta, nossa porta sempre aberta, novos projetos, novas conversas.
Vamos trabalhar juntos, gente.
Obrigada, obrigada. Que coisa boa, que coisa boa, que coisa boa que eu fiz as minhas coisinhas sem parar, porque não dá para parar, né? A gente tem que fazer um pouquinho todo dia assim, pouquinho, pouquinho. Pô, não é muito não, mas um pouquinho todo dia a gente vai precisar fazer. É a vida, é o jogo da vida. E que bom que eu fiz. E aí eu acho que me trouxe até aqui, de verdade. Obrigada.
Eu queria te pedir no improviso para falar para os nossos ouvintes por que que com tanta coisa acontecendo no mundo a gente ainda precisa ter conversas adultas profundas e refletir sobre a vida. Conta, por favor.
Será que a gente precisa, Cris? Vamos desconversar? Aí eu acho assim, tem conversas despretensiosas. As conversas despretensiosas me interessam muito, sabe? Porque, por exemplo, aqui não tem um corte para viralizar, não tem, gente. Mas que conversa boa, sabe? Eu acho que a pretensão atrapalha muito as relações humanas íntimas naturais, atrapalha muito, sabe? Então conversa fiada é bacana assim, sabe? Aí Vamos, poxa, a partir dessa conversa vai surgir algo incrível.
Não, mas poxa, a gente trocou tanto, foi tão gostoso, sabe? Então assim, grandes conversas, sabe? Às vezes eu queria ouvir, sei lá, uma pessoa que eu admiro muito falando muita bobagem, falando água, sabe? Quem é essa pessoa fora o título que ela tem, sabe? A coisinha, o íntimo assim, uma particularidade sua. Eu acho que a gente cresce muito e troca muito em conversas despretensiosas com gente boa. Sempre rende, gente.
Muito obrigada por ficarem com a gente até aqui. Você já sabe, não deixa na mão do Marquito esse conteúdo chegar para quem precisa. É você que é o algoritmo que a gente quer ver nas redes sociais. Então, se gostou desse conteúdo, compartilha, manda para os amigos, e a gente se vê semana que vem.
Beijo!
Airalo
eSIM