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(DUBLADO) Agilidade Emocional: A âncora no caos | Mamilos #558

26 de maio de 202654min
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Quantas vezes você já varreu uma frustração para debaixo do tapete em nome de uma falsa positividade?

Para muitas mulheres que já conquistaram seus espaços profissionais, a regra do jogo sempre foi vestir a armadura, ser forte o tempo todo e ignorar o cansaço ou o medo. Mas qual é o preço fisiológico e psicológico que a gente paga por silenciar quem somos e engarrafar o que sentimos? 

No episódio #558, gravado diretamente do Flash Humanidades, o Mamilos recebe uma convidada mais do que especial para nos ajudar a tirar essa armadura: Susan David. Psicóloga premiada da Harvard Medical School, autora do best-seller Agilidade Emocional e uma das principais pensadoras globais em comportamento humano. Contrariando os gurus da internet, a Susan nos mostra que a resposta para as incertezas de hoje não é a resiliência cega ou a disciplina punitiva, mas sim a forma como nos relacionamos com as nossas próprias emoções. 

Durante a conversa, Susan desconstrói o mito das emoções "ruins", entendendo que a raiva, o medo e a tristeza não são sentimentos que devem ser evitados, porque as emoções não são boas nem ruins, elas simplesmente são. Ela ensina também a diferença fundamental entre sentir e reagir: as nossas emoções são dados importantíssimos, mas não devem ser encaradas como ordens ou diretrizes inquestionáveis.

Além disso, mergulhamos no conceito de vulnerabilidade sábia no ambiente de trabalho, compreendendo por que devemos agir e liderar a partir das nossas cicatrizes, e não exigindo que a equipe lide com as nossas feridas abertas.

O papo de hoje é um respiro, um abraço e um convite para você criar um vocabulário novo para o que sente.

Aperta o play e vem com a gente 🎙️✨🎧

Participantes neste episódio2
J

Ju Wallauer

Host
S

Susan David

ConvidadoPsicóloga premiada da Harvard Medical School
Assuntos7
  • Validação EmocionalDefinição de agilidade emocional · Emoções difíceis · Estreitamento cognitivo · Incerteza, complexidade e ambiguidade · Susan David
  • Positivismo vs. Não-positivismoEvitar emoções difíceis · Falsa positividade · Engarrafamento emocional · Brooding (fermentação emocional)
  • Afastamento e controle emocionalControle emocional (supressão) · Agilidade emocional (convivência) · Emoções como dados, não diretrizes
  • Divisão de emoçõesVocabulário emocional limitado · Alexifamia · Diferença entre sentir e expressar
  • O Impacto das EmoçõesEmoções como sinais · Emoções como guia para valores · Ação baseada em valores
  • Vulnerabilidade Autêntica em LíderesFerida vs. Cicatriz · Liderança e vulnerabilidade · Contágio social e emocional
  • Construção da CoragemCoragem como ação do coração · Liderança inspiradora · Entender as necessidades das pessoas
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as minhas emoções são dadas, mas não são diretrizes, não são orientações. A emoção é dado. A gente precisa sentir o que a gente sente. Mamilos. Mamilos.

Mamileiros e mamiletes, sejam bem-vindos ao nosso espaço de diálogo de peito aberto. Eu sou a Juvalauer e hoje estamos direto do Flash Humanidades, um evento para líderes de RH com o objetivo de discutir o futuro do trabalho, tecnologia e relações humanas. Nessa edição, eles trouxeram a Susan David para falar de agilidade emocional e muito gentilmente construíram a ponte para a gente trazer esse conteúdo para os mamileiros e mamiletes.

Então deixa eu apresentar essa mulher sensacional. Ela é psicóloga premiada da Harvard Medical School e passou décadas pesquisando o que diferencia pessoas que prosperam diante das adversidades das que ficam presas nessas adversidades. Contrariando os gurus que a gente escuta tanto nas redes sociais, a resposta não é resiliência, não é disciplina, não é positividade, é a forma como essas pessoas se relacionam com as próprias emoções.

Ela é uma das principais pensadoras globais em gestão e comportamento humano, reconhecida pela Thinkers50, o ranking mais respeitado da área. Professora no Departamento de Psiquiatria de Harvard, CEO da Evidence-Based Psychology.

O livro que ela escreveu, Agilidade Emocional, é best-seller número um no Wall Street Journal e o conceito foi eleito pela Harvard Business Review como a ideia de gestão do ano. O TED em que ela apresenta esse trabalho já passou 10 milhões de visualizações. Susan, seja muito bem-vinda ao Amilos. Thank you. I'm so excited to be here. Thank you. Conta para mim quem é você na fila do pão. I'm somewhere here.

Eu sou uma pessoa que já viveu em vários países diferentes e que percebeu que o que a gente bota no currículo nem sempre é o que está ali de baixo, como a gente fala com outras pessoas e como a gente fala com nós mesmos. Na minha infância, eu fui criada no subúrbio da África do Sul.

E eu vivi a perda do meu pai, muito jovem, e muitas das dificuldades que vieram por meio dessa experiência para mim, a minha família desintegrando, a gente sofreu muita pressão financeira. A minha mãe estava ali em luto pelo amor da vida dela, criando sozinha três filhos e os credores estavam batendo na porta.

Então, as pessoas que me elogiavam por ser forte, por não deixar minhas notas na escola caírem, por ficar focada nas minhas metas e nas minhas conquistas, e por dentro, eu estava morrendo. Eu tinha 15 anos quando isso aconteceu. Eu não tinha capacidade de carregar o peso daquilo que estava acontecendo dentro de mim.

E uma professora me viu, me enxergou. Ela se conectou comigo, se conectou com o meu trabalho, me convidou. Ela convidou a sala toda, mas eu senti que era para mim. Me convidou para escrever. E, por meio disso, eu fiquei muito interessada na psicologia e em como a gente se mostra para os outros. Então, quem sou eu na fila do pão?

É uma pessoa que eu estou tranquila comigo mesma, estou com os pés no chão, estou conectada com uma crença inerente de que mesmo quando a vida é bonita, ela também é frágil. E quando a vida é frágil, ela também é bonita. E que vai dar tudo certo.

as ouvintes do Mamilos, que são mulheres muitas, com mais de 40 anos, que para chegarem em um lugar que elas estão de carreira, tiveram que colocar essa armadura de ser muito forte e estão se sentindo um pouco presas nessa armadura, limitadas nessa armadura. Eu acho que o conteúdo que você tem para nos trazer vai falar muito com o coração delas, muito com as dificuldades que elas estão enfrentando agora.

Eu só vou avisar já agora que a gente está na gravação num evento, que vai acontecer daqui uma hora, o palco vai começar. Então vocês vão ouvir barulho, não estamos no estúdio do Mamilos, tá? Tenham paciência que o conteúdo merece. Vem comigo. Então vamos lá. A gente abriu já falando que o conceito central da sua pesquisa é agilidade emocional. O que é isso exatamente?

Bom, a definição mais básica que eu posso dar de agilidade emocional é que é a nossa capacidade de ser seres humanos saudáveis. Todo mundo, todos os dias, experimenta emoções difíceis, expectativas não atendidas, pensamentos difíceis, histórias que a gente conta para nós mesmos, que às vezes estão escritas na gente, ou essa armadura que você falou que a gente leva com a gente pelo mundo.

E esse é o nosso mundo interno. E como a gente lida com o nosso mundo interno, isso impulsiona tudo. Então, o impacto na nossa carreira, nos relacionamentos, nos nossos filhos, como a gente cria eles, em todos os nossos aspectos de como a gente vive, ama e cria a nossa família. A agilidade emocional é uma base.

É um conjunto de capacidades, é uma capacidade de ser um ser humano saudável. Claro que isso é uma definição bem ampla, mas tem muitos componentes, e esses componentes a gente pode aprender. Muitos desses componentes são diferentes de como a gente costuma entender e pensar nas emoções, pensar em nós mesmos como seres humanos, enfrentando esse mundo.

Mas na essência, é isso, é você ser saudável. Muito bom. Também é sobre como a gente responde às situações de estresse, às situações em que a gente é elevada ao limite. E aí eu te pergunto, o livro você lançou já tem oito anos. De lá para cá, o cenário me parece que ficou mais desafiador.

que as incertezas aumentaram, que a pressão aumentou. Como você vê o cenário em que a conversa sobre agilidade emocional acontece hoje em relação ao quando você fez a pesquisa? Essa é uma pergunta super interessante. Eu acredito.

que o conceito da agilidade emocional e um dos motivos pelos quais esse conceito teve essa longevidade é porque essas são habilidades básicas. Elas eram importantes há alguns anos, elas são importantes agora, e essas são habilidades que vão ser mais importantes do que nunca no futuro e no futuro do trabalho.

Então, quais são algumas dessas capacidades? Você falou da resiliência. Elas incluem coisas como ser capaz de conviver com os nossos pensamentos, experiências, sem julgar, sem a gente se colocar para baixo, e ter compaixão. A gente ter os pés no chão nesse mundo que está mudando, estar conectado com os nossos valores.

Eu tive uma conversa muito interessante com uma pessoa há alguns meses. Eu fui para um evento muito lindo. E essa pessoa, que é uma fotógrafa criativa que faz um trabalho maravilhoso, talvez os ouvintes conheçam. Humans of New York é o nome da conta. Eu fui para esse evento e a gente estava conversando e esse fotógrafo falou para mim. Susan.

O seu trabalho é muito quente, é muito no momento, o seu trabalho é muito necessário agora. Chegou a hora do seu trabalho brilhar. Eu olhei para ele e falei, olha que engraçado. Eu estou esperando 20 anos para alguém dizer isso para mim, porque eu estou focada nesse trabalho há tanto tempo, mas ele é um trabalho do momento. Por quê?

Porque, sim, essas habilidades de saúde são necessárias para a gente ser seres humanos estáveis no mundo. Mas a gente sabe que há preditivos psicológicos do que eu chamo de um estreitamento cognitivo. O estreitamento cognitivo é essa ideia.

de que eu não estou passeando pelo mundo com o sol no rosto, os pés no chão, eu não entro numa reunião com essa postura psicológica aberta, curiosa. Em vez disso, esse estreitamento cognitivo é um foco mais fechado, mais estreito. Do ponto de vista evolucionista, a gente enxerga uma ameaça. E como é que isso aparece na gente, e nas nossas empresas, e nas pessoas em quem amamos?

As pessoas talvez tenham visto isso acontecer. Polarização. Essa ideia do que é certo e o que é errado.

Eu estou certa, você está errado, e não importa o que acontece, eu vou continuar certa e você vai continuar errada. Esse estreitamento cognitivo se dá porque a gente não está experimentando a complexidade do mundo e das nuances. O que a gente está fazendo? Estamos entrando em colapso por causa da incerteza.

Eu digo que a gente está fundido com a nossa história e com o nosso pensamento. E a gente reage ao que está acontecendo no ambiente, em vez de escolher a nossa reação ou a nossa resposta. Por isso que eu digo que esse trabalho é tão do momento. O que prevê esse estritamento cognitivo? Tem três preditivos. Um é a incerteza.

o outro é a complexidade, e o terceiro é a ambiguidade. Então, se a gente pensa do ponto de vista da evolução, quando a gente não está ameaçado,

Quando a gente está passeando pelo mundo, a gente consegue ser aberto e ter uma postura psicológica curiosa, corajosa, solidária, porque a gente não se sente ameaçado. Mas o nosso cérebro, a nossa psicologia, enxerga ambiguidade, complexidade e incerteza como ameaças. E aí a gente tem esse estritamento que acontece automaticamente.

A capacidade para a gente dar um passo atrás, voltar para dentro de nós mesmos, se conectar internamente, se conectar com os outros, conseguir ficar estável de novo, o que eu quero ser no mundo, e usar a nossa iniciativa, pensar, eu posso estar certa, mas será que a minha reação está me ajudando, está trabalhando a meu favor? Essas são capacidades cruciais no mundo em mudança.

a construir o conceito de como é que a gente chega nessas habilidades tão fundamentais para os tempos de hoje, fundamentais em qualquer momento, como você falou bem, mas para os tempos de hoje. Passo por passo. O primeiro, eu queria que você falasse um pouco sobre por que você é tão crítica a classificar as emoções como emoções boas e emoções ruins. Emoções que a gente deve evitar, como a raiva, o medo, a tristeza, que a gente...

normalmente vai ver nos conteúdos de autoajuda como vamos sair logo dessa tristeza, vamos sair logo dessa apatia. Por que você tem tanta crítica a esse jeito de olhar para as emoções?

Aí vem a Revolução Industrial e a Revolução Industrial perpetua essa ideia. Se você colocar alguma coisa numa máquina e puder ser contado, é importante. A gente pode contar se uma pessoa teve um bom desempenho. A gente pode contar se a gente teve esse lucro aqui. Mas as emoções eram vistas durante décadas como coisas suaves, moles.

Então, quando eu estava estudando psicologia, eu estava fazendo o meu PhD em psicologia, no departamento de psicologia, e eu queria encontrar um orientador que me orientasse sobre emoções para o meu PhD. Eu não encontrei esse orientador.

Porque todo mundo me falava, ah não, o que importa é o seu raciocínio, é o seu comportamento, e a emoção é o subproduto disso. Então, a primeira barreira é essa ideia de que as emoções não são soft, elas não são molengas, as emoções são básicas, são fundamentais para o nosso bem-estar, para os nossos relacionamentos, para a nossa carreira, cultura, casamento, liderança, criatividade.

A gente aprende o mundo a partir das emoções. A revolução da inteligência artificial te deu uma certa razão, não te deu? Porque ela fala, a diferença do jeito que a gente entende o mundo para as máquinas é justamente porque a gente entende através das nossas emoções, dos nossos sentidos.

sem dúvida, e todo mundo está dizendo essa é a revolução da IA. Sim, é uma revolução, mas a revolução verdadeira. E acho que é por isso que esse trabalho está tão atual. A verdadeira revolução é a revolução das habilidades humanas. A verdadeira revolução é a revolução que acontece quando a IA está mudando o mundo de um jeito que a gente não esperava. Questões de saúde mental são essenciais.

É uma capacidade muito importante para nós. E a transformação não para. A gente está se afastando daquela ideia de que é uma questão só da minha capacidade de criar uma estratégia. A gente está se movimentando rumo a essa ideia de que a diferença fundamental, as habilidades fundamentais...

As habilidades mais importantes são aquelas que são humanas. A capacidade de se adaptar, de aprender, de crescer, de ter curiosidade, de enxergar o outro, de ter coragem quando você não tem a resposta.

de ter compaixão e solidariedade, o que é difícil hoje em dia. Então, emoções, sim. Em relação à tua pergunta sobre o que é positivo e o que é negativo, deixa eu explicar por que eu acho isso. As nossas emoções, elas evoluíram nos seres humanos para nos ajudar a calibrar a nossa presença no mundo. O que eu quero dizer com isso? O mundo está mudando o mundo está mudando.

Então o que eu quero dizer com calibrar a nossa presença no mundo? As nossas emoções, elas são um sinal que nos ajuda a entender. Quando eu estou aqui nessa sala, quando eu estou nessa conversa,

Qual é a minha postura? Qual é a minha postura psicológica? Como é que eu estou me sentindo? Como é que os outros estão se sentindo? Como é que eu consigo influenciar essa ideia? Como é que eu consigo transmitir o que eu penso? Tudo isso são momentos de você calibrar. Se você tem uma orientação de dizer que algumas emoções são boas e outras ruins, aí você desconta totalmente.

Essa fonte incrível de dados e de informações. Então, se você entra numa reunião e você está tensa, ansiosa, você fala, eu vou ignorar a minha ansiedade porque essa é uma emoção ruim. Eu vou ignorar e vou seguir em frente. Talvez você não vá se preparar tão bem para a reunião, você vai estar menos atento ao que está acontecendo.

Então eu acredito que as emoções são funcionais. Isso significa que elas não são boas, nem ruins, certas ou erradas. Elas simplesmente são. Ninguém fala para você, sua mão esquerda é boa ou ruim, sua mão direita é boa ou ruim.

Elas simplesmente são. As emoções são funcionais. Elas são sinais para nós. Quando a gente corta essas emoções difíceis, não estou querendo dizer, claro, tem algumas emoções que são mais fáceis do que outras. É mais fácil sentir prazer com uma música bonita. Não exige tanto de mim como ser humano.

Mas quando eu experimento culpa, por exemplo, como mãe, essa emoção é um sinal de que eu me importo em estar presente com meus filhos e de que talvez eu esteja me afastando disso, não fazendo o suficiente. Se eu estou entediada no trabalho, pode ser um sinal.

de que eu gosto de aprender, de crescer, e não estou aprendendo e crescendo. Se a gente bota essas emoções difíceis para debaixo do tapete, a gente começa a operar num mundo que é em negação, é uma situação de negação, negação da complexidade da realidade na nossa frente.

aprendido a ignorar as nossas emoções mais difíceis. Então, por exemplo, o Toughen Up, a mulher que vai ignorar que ela está com medo e vamos com medo mesmo. Ignorar, como, por exemplo, você estava contando da sua história, que você estava muito triste, que você tinha um luto, mas não tem tempo.

para ter luto, eu preciso entregar o relatório, eu preciso entregar a prova, eu preciso... Enfim, essas mulheres que eu falei que escutam a gente e que estão na casa dos 40, que já conquistaram muitas coisas na vida, elas aprenderam a suprimir as emoções.

Porque justamente pelo que você falou do ambiente de trabalho ter valorizado determinadas competências, se entendeu que quando a mulher chorava, por exemplo, no meio de uma reunião, isso mostrava que ela era mais fraca. Então, a gente aprendeu a regra do jogo, a gente olhou como que era o jogo, e a gente falou, eu vou conseguir fazer igual. Se eles fazem, eu consigo fazer igual.

Isso nos cobra um preço. Eu queria que você falasse sobre o preço, até fisiológico, da gente engolir tudo isso. Sim. Sim. Bom, quando as pessoas estão lidando com emoções difíceis, você falou de uma coisa muito importante aí.

A gente cresce num mundo, numa família, numa empresa, numa cultura organizacional, que tenha essas regras que estão à mostra. São regras não faladas, tácitas, de quais emoções são permitidas ou não. Por exemplo, a gente sabe...

que muitos homens têm isso que você acabou de falar, que é o que eu chamo de engarrafamento. Você engarrafar uma emoção, você coloca a emoção para debaixo do tapete, às vezes, a serviço de uma falsa positividade. Ah, vou ser felizinha. Você deixa essa emoção de lado, mas isso tem um custo. Há um custo para o bem-estar.

Vários estudos que mostram que quanto mais a gente deixa de lado as emoções difíceis, menos a gente consegue calibrar nossa presença no mundo, menos a gente está conectado com nossos valores, porque as emoções são sinais dos nossos valores, do que a gente valoriza.

Eu valorizo meus filhos. Eu valorizo o crescimento. Eu valorizo o cliente. Sei lá. Então, quando a gente coloca essas emoções de lado, a gente se desconecta de nós mesmos e dos nossos valores. Tem muitos estudos que mostram, inclusive, o custo para o nosso bem-estar. E a gente tem o que se chama... É um termo que eu vou usar. É um vazamento emocional. Você entra numa reunião, por exemplo,

E a emoção, ela transparece de um jeito, ela surge de um jeito que pode parecer contraproducente, ou que deixa a questão de lado, ou que mostra a questão de um jeito que não é tão fiel ao contexto que a gente está vivendo. Então, essa é uma forma de enxergar as coisas, uma outra forma.

É o brooding que a gente chama. É quando a gente sente a emoção. A gente fica presa nessa emoção. A gente fica tão focada naquela emoção difícil.

que é quase como se a emoção ela começa a escrever a nossa história, a gente fica refém dela. Uma metáfora no engarrafamento é como se a gente estivesse segurando aquela emoção lá longe e o braço vai ficando cansado, a gente vai ficando cansado, a gente pode ter um burnout, a gente tem dificuldade, a gente não consegue se conectar, a gente se desconecta de nós mesmos.

Isso é um engarrafamento. No brooding, que é uma certa fermentação, a emoção está tão dentro e tão perto da gente que a gente não consegue enxergar um sorriso de alguém ou de enxergar aquilo que está na nossa frente ou de se conectar com outra pessoa. Porque é como se aquela emoção escrevesse a nossa história.

Tanto a fermentação quanto o engarrafamento, elas são diferentes. Uma é você deixar a emoção de lado, outra é você ficar preso à emoção. Mas elas têm custos para o nosso bem-estar, para as nossas relações interpessoais. Ambas podem levar a burnout.

ambas têm uma probabilidade menor de serem associadas, as pessoas conseguirem se manter equilibradas. E reagindo ao mundo, você fala, ah, o que a gente vai fazer, então, nesse caso? São essas, aí é que essas habilidades entram em cena, essas capacidades. Em vez de você varrer a emoção, em vez de você ficar preso à emoção,

Primeiro, no nível bem básico, tem várias habilidades aqui, mas primeiro é entender que as emoções não são boas nem ruins. Elas simplesmente são. E talvez uma coisa que ajude as pessoas, nas redes sociais as pessoas falam WTF, sabe? Tipo, que pi é essa?

A pessoa fala, what the fuck, que porra é essa? Essa é uma forma de pensar nas emoções. Então, em vez de falar, que pi é essa? Você pode perguntar, what the fuck? Em vez de, what the fuck? Isso quer dizer, eu estou sentindo alguma coisa. Eu não quero ficar preso a isso, eu também não quero deixar de lado. Eu estou sentindo alguma coisa.

Qual é a função dessa emoção? O que essa emoção está sinalizando para mim? O que essa emoção está me dizendo sobre as minhas necessidades? Sobre o que é importante para mim? Sobre os meus valores? Se a gente se afastar dessa ideia de bom ou ruim e enxergar a emoção como algo funcional, isso nos permite nos conectar com esse caminho para avançar.

Como é que eu faço com que meus valores e necessidades sejam vistos, apoiados? Como é que eu obtenho uma conexão de que eu preciso? Como é que eu me conexo com as minhas decepções? E tem conversas importantes. É uma forma diferente de conviver com a emoção.

Pobrinho de repertório Para nomear as nossas emoções A gente costuma brincar aqui Que normalmente a gente só conhece os divertidamente Sabe? Raiva, alegria, tristeza Não dá para Navegar a complexidade da vida E das relações Com esse vocabulário pobrinho Sim

Você está descrevendo uma coisa que eu chamo de granularidade das emoções. Eu chamo isso de um superpoder, essa granularidade.

Tem estudos que mostram que crianças de 2 e 3 anos de idade que conseguem mais falar sobre as próprias emoções, elas vão melhor em termos de saúde mental, bem-estar, atingindo metas. Você vai falar... Que diferença isso vai fazer quando eu tenho 2 anos de idade, saber se eu estou com raiva, se eu estou triste, sei lá. Bom, quando a gente pensa naquela criança de 2 anos que agora está com 16.

E ela quer fazer parte de um grupo de amigos e está sentindo ali uma pressão do grupo. Isso é super importante para aquele adolescente. Você tem uma pessoa ali no grupo que tem a ideia genial. Hoje...

a gente vai esvaziar o pneu do diretor da escola. Aquela criança que consegue se conectar, isso está me deixando excitada, eu quero fazer parte dessa aventura, mas eu estou achando que isso é errado.

eu não estou muito conectada com essa ideia, eu estou com um pouquinho de culpa. Essa criança, que agora é um adolescente, provavelmente vai conseguir se ater aos próprios valores. Mas você tem razão. Na psicologia, a gente tem um termo, que é um dos meus preferidos, que eu sou nerd de psicologia. Chama Alexifâmia esse termo.

Alexifamia. Isso significa, se eu traduzir, falta de linguagem para emoções. E muitos de nós temos essa dificuldade agora. Essa falta de linguagem para emoções. Tem muita gente agora tendo dificuldade nessa área. Porque a gente vê algumas emoções e fala, é raiva ou tristeza? A gente vê isso nas redes sociais, né? Estou com raiva ou estou triste?

Então, deixa eu te dar um exemplo, um exemplo verdadeiro, tá? Esse executivo tinha sido um grande executivo de uma empresa, e um dia, do nada, ele não conseguia explicar, ele teve um ataque epilético, uma coisa inexplicável. Quando eu comecei a ver essa pessoa, a trabalhar com essa pessoa, eu estava ainda trabalhando na clínica, foi antes de eu começar a trabalhar com empresas, e essa pessoa...

vinha fazer terapia no consultório. Quando ele chegou ao consultório, ele não tinha casa, ele não estava mais casado, e ele tinha perdido o emprego, porque ele tinha tanto medo de que essa coisa que tivesse acontecido com ele, que tinha acontecido com ele, acontecesse de novo. Então, tinha toda essa psicologia. O que eu quero dizer com Alex e Fâmia? Ele vinha fazer terapia, e eu falava, como é que foi a tua semana? E ele falava,

Ah, teve só um probleminha aqui, outro probleminha. Semana seguinte, como é que foi a tua semana? Ah, um probleminha aqui, outro probleminha lá. Ele estava morando na rua. Ele não tinha qualquer apoio. E ele falava, só tive um probleminha aqui. Um dia ele chegou na terapia e eu falei pra ele, como é que foi a sua semana? E ele falou...

um probleminha aqui. Eu tive um probleminha, minha mãe morreu. A mãe dele era a única pessoa, ela estava em um residencial para idosos, era a única pessoa que o apoiava. Então, só ele estava descrevendo a vida dele, a pessoa vai pensar.

Ninguém fala isso, foi só um probleminha, minha mãe morreu. Mas com que frequência nas nossas empresas, está tudo o maior estresse. Um estresse danado, todo mundo estressado. Mas tem uma diferença entre estresse e frustração, estresse e ansiedade. Estresse e essa ideia de que eu estou na carreira errada ou no emprego errado. O segundo exemplo é uma pessoa de liderança com quem eu trabalhei.

Sempre que a gente conversava, esse líder descrevia as pessoas como se as pessoas tivessem raiva. Ele falava, a minha equipe está com raiva, ele falava. A minha esposa está com raiva. E eu queria que as pessoas parassem de sentir raiva. Está todo mundo com raiva. Aí eu falei para ele...

Quais são as alternativas? Você está chamando de raiva. Me dá dois outros nomes. Aí ele falou, talvez a minha equipe não esteja com raiva. Talvez eles estejam desconfiados.

Então, vejam, eu fico falando dessa postura psicológica porque tem uma postura psicológica que é a postura de você entrar em uma reunião com a sua equipe. E a sua equipe está com raiva. A postura psicológica é uma postura de defesa. Nós contra eles, negativa, resistente.

está afastado, desconectado, é isso que vem junto com essa postura psicológica. E essa linguagem, para trazer aquele termo, o estritamento cognitivo, a gente perde a nuance e volta para o certo, errado, etc., para essa dicotomia. Mas olha como é diferente quando a gente entra em uma reunião e a sua equipe não está mais com raiva, a equipe está desconfiada.

Ou perdeu a confiança, talvez. Aí a postura psicológica dessa pessoa como líder é você entrar numa reunião buscando criar confiança. Você entra na reunião tentando reconhecer que as pessoas na reunião talvez tenham tido uma experiência ruim antes.

Talvez com você, talvez com outro líder, talvez dentro daquela empresa. Elas não estão com raiva. Elas estão em busca de confiança, de uma relação de confiança.

Então, essas capacidades emocionais fazem com que você saia de um jeito reativo. Você está no mundo de um jeito reativo e você passa a caminhar no mundo de um jeito mais bem informado. E essa ideia de granularidade emocional, essa é uma capacidade muito importante. Ela nos permite dizer...

O que está acontecendo aqui, de fato? Pense em duas outras alternativas. Você pode enxergar e falar, ah, é isso que está acontecendo. E muda totalmente a postura psicológica e muda também os resultados das conversas. Eu acho que tem um aspecto dessa tentativa de controlar as emoções o tempo inteiro que tem a ver com o medo de ser sugado pelas emoções e não ter agência, de perder agência.

Então, acho que faz parte um pouco disso. A gente fala colonizar o corpo, né? Então, é o Just Do It da Nike. Não importa se você está com dor, você abafa a dor e faz mesmo assim. Isso para as emoções também se traduz. Não, se eu parar para pensar que estou ansiosa, porque não sei se vou pagar as contas no final do mês...

Eu posso entrar numa espiral que vai me deixar sem ação no momento em que eu mais preciso de agilidade, de esperteza. Então, eu não vou pensar sobre isso. E eu vou me manter muito ocupada. É o medo de ser sugada para dentro das emoções. A gente desconfia muito das emoções. E tem uma coisa no seu trabalho que eu acho muito legal, que é diferenciar você das suas emoções.

Como que é isso? Você já deu um exemplo aí. Essa ideia... Deixa eu explicar. A ideia de você estar fundido, mesclado com a emoção. O que eu quero dizer é isso? Uma fusão com a emoção. É como se eu não fosse diferente das minhas emoções. Eu estou triste. Essa tristeza tomou conta de mim. Essa ansiedade tomou conta de mim.

E é como se eu não tivesse mais agência ou iniciativa. E eu só consigo ter iniciativa tentando controlar a emoção. Só que tem uma outra forma muito bonita de a gente se conectar com as nossas emoções. As nossas emoções... Elas são amigas que a gente tem dentro de nós, que nos ajudam a nos conectar. Nos conectar conosco e com outras pessoas no mundo.

Quando a gente enxerga as emoções desse jeito e a gente para de policiar o que eu devo sentir, como eu devo sentir e quando, a gente simplesmente diz, bom, eu estou aqui, é assim que eu estou, vamos conversar. É libertador, num certo sentido. Quando eu era pequena, quando meu filho era pequeno, na verdade, a gente lia um livro para ele.

A gente vai caçar urso. Eu não caço, eu não caço urso, eu não caço nada. Mas é um livro muito lindo em que a família estava indo para uma aventura. Aí eles chegavam no rio, depois eles chegavam numa montanha e depois numa floresta. E o livro ia dizendo...

você não consegue passar por cima, nem por baixo, você precisa viver, você tem que atravessar isso. Essa é a essência, você tem que atravessar a essência dessa agilidade emocional. Claro que é difícil, me ajuda, me apoia. Estou falando sobre isso porque quando a gente tem essa fusão, a gente fica preso a essa emoção difícil. Você fala, eu estou triste, essa tristeza me define, a situação é essa, eu detesto meu emprego.

você não consegue enxergar nada, não tem nenhuma luz. Então, para você ter agilidade emocional, é agilidade dentro de nós. Por que a gente faz isso? Porque isso cria um espaço linguístico e psicológico. Eu sei que parece esquisito, mas deixa eu explicar um pouquinho melhor. Digamos que você fale.

Estou triste. 100% da minha pessoa está triste. Não tem espaço para mais nada. Quando você pensa, você fala, estou triste, você pode dizer, estou percebendo que estou triste. Você não está ignorando a emoção, não. Você está percebendo o que é essa emoção. Ah, estão me prejudicando. Estão me prejudicando. Sempre me prejudicam em todas as reuniões. Veja, não tem luz, não tem espaço.

Compara isso com, eu estou percebendo que talvez eu esteja sendo prejudicada. Pode ser verdade ou não, mas a gente está criando um espaço psicológico. Você não é a sua emoção. Você nota, você percebe a sua emoção. É um pensamento, é uma emoção, ela é uma história. E não necessariamente ela é um fato.

Então, são habilidades psicológicas que a gente pode aprender e desenvolver. E a gente sai dessa fusão e dessa prisão. Quando a gente se coloca preso na situação, a gente passa para uma situação que a gente pode respirar e ter uma postura psicológica de capacidade.

Eu percebi, eu sempre fui uma pessoa que silenciava as emoções para não ser sequestrada por elas. E o que eu percebi é que justamente isso me fazia ser sequestrada, porque como elas não eram ouvidas, eu ia empilhando emoções, emoções, e eu não tinha agência sobre como elas iam ir para o mundo.

E todo esse meu medo de ouvir o que as emoções estavam me pedindo, quando eu enfim pude escutar, eu percebi que não necessariamente elas me pediam uma ação diferente do que eu teria antes. Só queria ser reconhecida. Porque acho que a questão para muitas de nós mulheres profissionais é você não pode sentir isso.

A minha criança só queria ter o direito de sentir o que ela estava sentindo. Agora eu estou com medo, agora eu estou nervosa. Não, mas como é que você, 11 anos fazendo a mesma coisa, como você pode ficar nervosa para encontrar a Susan hoje? Não pode. Eu só quero poder. Me deixa... Olha para mim e fala, eu estou nervosa. Pronto, você vai fazer a entrevista igual, você vai conversar com ela igual, está tudo bem. Só me deixa poder ser, me deixa poder sentir.

É um mundo de diferença. A gente acha, às vezes, que é tão complicado, às vezes não é. Pode ser muito simples. Agora, a gente, ao mesmo tempo, eu achei legal também que...

não somos só nós e as nossas emoções e o nosso mundo. Tem muito de contágio social. Aí você escreve sobre contágio social, corta, oito anos depois, estamos num mundo em que vivemos, como fica o contágio social na época do algoritmo elevado a 200 potências, em que a gente tem um rage bait.

mandando na nossa vida. Está todo mundo inflamado. A gente fala aqui no Mamilos que a gente faz jornalismo anti-inflamatório. Porque tudo na nossa vida nos alimenta para a gente viver da raiva. Como que a gente responde isso? Eu gostei muito dessa ideia do seu podcast, porque é fundamental esse trabalho.

Eu acredito que o que a gente está vendo é um contágio emocional em grande escala. É um tipo muito específico de contágio emocional. A gente fala sobre essa ideia de botar as emoções de lado. Nas redes sociais, o que a gente vê é esse exemplo da fermentação, do brooding que eu falei. Essa ideia...

Eu estou sentindo alguma coisa, eu preciso expressar. Só porque eu estou sentindo, eu preciso falar sobre isso. Porque eu sinto alguma coisa, o mundo todo precisa saber disso. Porque eu sinto alguma coisa, esse sentimento está certo e todas as outras pessoas estão erradas. Então, a gente está vendo uma fusão diferente acontecendo, que é essa fermentação. E isso acontece em uma grande escala. Está acontecendo em grande escala. Às vezes, as pessoas dizem...

Quando as pessoas podem falar sobre emoções na rede social? Isso é uma alfabetização emocional, mas não é, não. Tem uma grande diferença entre a gente sentir o que a gente sente e a gente expressar aquilo que a gente sente. A gente está juntando tudo isso, como se fosse a mesma coisa.

É como se você dissesse, porque eu sinto, está certo, e eu preciso contar para todo mundo, eu preciso contar para o meu chefe, para o meu gerente. Então, a gente está juntando sentir uma coisa com expressar o que a gente sente. A gente também está confundindo um pouco sentir o que a gente sente com essa alfabetização emocional para a gente caminhar no mundo. Você pode sentir o que você está sentindo?

Claro que, com o meu trabalho, eu quero dizer que a gente tem que sentir o que a gente sente. Mas a gente não precisa falar de tudo. A gente precisa se mover no mundo rumo aos nossos valores, ao que é importante para nós. Enfrentar o desconforto, ter conversas difíceis. A gente precisa ser capaz de fazer isso.

Então, quando eu sinto e eu expresso imediatamente o que eu sinto, isso é uma coisa fundamental ali no meu trabalho. A emoção é dado. A gente precisa sentir o que a gente sente. As emoções, elas não são orientações, não são diretrizes. Não é só porque você sente alguma coisa, isso não significa que é verdade. E não significa que você necessariamente precisa expressar o que você está sentindo. Tem uma diferença gigante entre você sentir o que você sente.

E escolher se você vai expressar aquilo ou não. Você pode dar uma caminhada, você pode dormir melhor, você pode largar o celular, começar a fazer ginástica. Eu comecei em janeiro.

Falar com pessoas de quem você gosta, fazer um diário, escrever. Tem tanta coisa que você pode fazer, só que a gente está criando essa ideia de que, se eu sinto, eu tenho que expressar. A necessidade de ouvir os meus sentimentos. O meu chefe não tem, certo? O meu colega não tem. A gente não pode empurrar para os outros a necessidade de ouvir e processar os nossos sentimentos. Você concorda? Sim.

Mas como é que você junta essas duas coisas, né? Você cuida da sua emoção e você não está ouvindo elas. Como é que funciona isso? Olha, eu tenho a minha melhor amiga, eu adoro essa pessoa, gente, é melhores amigas desde a infância, eu adoro essa minha amiga, eu valorizo o que ela fala, eu gosto dela, eu respeito ela, mas eu não fico ouvindo tudo o que ela fala.

Dá para equilibrar as duas coisas. Eu só posso gostar dela, cuidar dela, conectar com essas ideias. As minhas emoções são dados, mas não são diretrizes, não são orientações. Tem uma coisa interessante que está acontecendo nas empresas e no mundo, como um todo. É quase como se tivesse uma supervalorização da vulnerabilidade.

Ser vulnerável se tornou como se fosse um estandarte. Sim, se tornou um estandarte, um distintivo. Eu acho que a vulnerabilidade é super importante.

Ela é uma cola social. Quando eu fico vulnerável na frente de alguém, a pessoa também fica vulnerável. Isso é muito importante. A gente se abre. Mas a vulnerabilidade, ela precisa ser sábia. Sábia. Vulnerabilidade é sábia. O que eu quero dizer? Se a gente pensa nessa linha, eu estou sendo bem nerd aqui de psicologia, mas enfim.

Uma ferida e uma cicatriz. Vamos pensar entre uma ferida e uma cicatriz. Quando eu estou sentindo o meu sentimento, dizendo para as pessoas e agindo, agindo a partir das minhas emoções, com frequência, eu estou agindo a partir da minha ferida. Eu estou agindo a partir da minha ferida. Quando eu ajo a partir da ferida, eu estou pedindo para a minha equipe, para a minha empresa, para a minha família, para todo mundo.

que eles façam o meu trabalho. E o meu trabalho é com as minhas emoções. Então, quando eu ajo a partir das feridas, eu estou pedindo a outra pessoa que faça o meu trabalho. E eu estou abrigando.

o meu processamento, a minha saúde psicológica, estou transferindo isso para outras pessoas. Se eu posto alguma coisa na rede social, dizer, aconteceu isso comigo e eu estou falando com vocês sobre a minha ferida. Todos os comentários ali no meu post vão dar forma ao meu processamento. Se o que eu fiz estava certo, estava errado. Então, eu estou reagindo ao mundo.

Então, eu acho que a vulnerabilidade, ela precisa ser sábia. A vulnerabilidade mais eficiente numa organização, ela não vem da ferida, ela vem da cicatriz. Ela vem da cicatriz. Ah, eu tive essa experiência, equipe, e eu aprendi tal coisa com essa experiência. Eu tive alguns insights, isso vem da cicatriz. Por que eu estou falando de empresas?

Porque a outra camada disso é confiança contextual. Quando a gente tem lideranças, pessoas em empresas, criando feridas, essa pessoa está me dando feedback, está me dando promoção, ela pode me demitir, ela pode me promover. Não é ético.

E coloca um ônus na liderança para que a liderança resolva tudo. Só que a liderança não é. Eles não são psicólogos. Eles não são formados. Mas o psicólogo pode trabalhar com as suas feridas, claro. Então é muito importante.

Tem agora uma mistura que está acontecendo entre sentimento e expressar o sentimento. E isso está entrando no local de trabalho e não está sendo saudável. Não é bom, outro é ruim. É você dizer, eu consigo fazer as duas coisas e eu consigo me movimentar. Vamos fazer as rapidinhas, as flash questions. Só cinco para a gente terminar. Como é que você define estresse?

Eu defino o estresse como uma falta de capacidade. Qual é a diferença entre agilidade emocional e controle emocional? O controle emocional vem da ideia de que a emoção precisa ser colocada de lado ou suprimida. Isso é uma ficção. Isso não funciona.

A agilidade emocional é a capacidade de conviver com as nossas emoções, com curiosidade, com compaixão e ainda assim ter a coragem de se conectar com esses valores. Emoções são o guia da nossa vida?

Olha, eu diria que as emoções apontam para as coisas que são importantes para nós, para os nossos valores. As emoções são orientações, são os valores que nos guiam. Quais são os hábitos essenciais para desenvolver a resiliência emocional? Não joga suas emoções para debaixo do tapete. Seja gentil consigo mesma. Seja gentil com nós mesmas.

Não é uma questão de você baixar a expectativa, ser gentil com nós mesmos, estar associado com níveis mais altos de coragem, curiosidade, capacidade de enfrentar riscos. E pergunte para você mesma uma pergunta importante. A minha resposta, a minha reação, dá para trabalhar com ela? O que eu quero dizer com isso? Se eu continuar fazendo isso que eu estou fazendo,

mais um mês, mais um ano, mais dois anos, vai me levar para onde eu quero ir? Se a resposta for não, então não está funcionando. E eu acho que isso é muito importante. Com frequência, é uma coisa simples. Digamos que eu esteja me sentindo prejudicada no trabalho. Será que eu falo na reunião ou será que eu fico quieta na reunião? O que eu faço?

Está funcionando? Se eu ficar quieta todas as reuniões, eu sempre ficar quieta todas as vezes? Está funcionando? Vai me levar para onde eu quero ir?

talvez eu me beneficie de ficar quieta. Talvez esse gerente saia da empresa daqui a três meses e está tudo certo. Se eu ficar falando o tempo todo, onde é que isso vai me levar? Então, essa ideia da gente parar de pensar no que é certo e no que é errado, a gente tem que pensar. Essa ação está me deixando mais perto de ser a pessoa, a líder, a pessoa que eu quero ser?

Está funcionando? Isso te diz se a conversa que você está evitando, ela está sendo evitada por uma coisa boa? Isso é uma orientação. É uma forma muito útil de pensar como a gente avança no mundo. Tem coragem para você. Para mim, coragem tem essa etimologia da palavra coragem.

A palavra significa do coração, coragem. Tem muita psicologia pop por aí que fala, ah, conviva com o seu desconforto, como se você está numa situação desconfortável só para fazer isso e tudo bem. A coragem.

Significa vem do coração, coragem. Você está tendo uma conversa difícil, você está tomando medidas difíceis, você está se candidatando ao emprego que você quer e talvez você nem consiga aquele emprego, porque aquilo é importante, porque vem do coração.

encorajar o que os líderes fazem com as pessoas, não é um checklist. Vem do coração. É entender a necessidade das pessoas que estão ali na nossa frente, quais são os valores dessas pessoas. E ver quando é que a gente pode ter conversas. Os líderes que se afastam dessa ideia, tem uma luz no fim do túnel, o líder que diz,

antes, a gente nunca enfrentou esses desafios antes a gente está nessa confusão, a gente não sabe não temos todas as respostas mas a gente sabe onde a gente quer chegar como a gente quer agir uns com os outros e a gente quer caminhar rumo a esses valores para mim, isso é encorajar eu já sabia que ia ser bom mas foi melhor ainda eu ficaria mais várias horas espero ter outras oportunidades de conversar com você

Obrigada. Gente, muito obrigada. Vocês já sabem, seja o algoritmo que você quer ver no mundo, leva essa conversa para as pessoas que você gosta, para continuar essa conversa no seu trabalho, com a sua família, com as suas amigas. E a gente tem uma lista de transmissão do Mamilos onde a gente avisa quando os episódios saem e a gente avisa quais vão ser os entrevistados para vocês também nos mandarem perguntas. Entra lá na lista de transmissão do Mamilos no Instagram do Mamilos. Obrigada e até a semana que vem.

Mamilos.

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