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Juntas e Separadas: quando a vida pede um novo roteiro | Mamilos #555

05 de maio de 20261h27min
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Você já sentiu que estava seguindo um roteiro que, no fundo, não foi você quem escreveu?

Ou que cumpriu todas as regrinhas daquele manual de "como ser uma mulher bem-sucedida", mas a conta da felicidade não fecha?

O convite hoje é tirar a série "Juntas e Separadas" da tela e trazer direto para a nossa vida real.

Para nos ajudar a olhar para essas encruzilhadas, recebemos as atrizes Natália Lage, que interpreta a Ana Lia, e Débora Lamm, a Claudinha.

A nossa conversa é sobre a delícia e o susto que é ter a liberdade de mudar de ideia.

Sobre amadurecer e descobrir que o "felizes para sempre" é, na verdade, uma grande dramédia cheia de curvas, perdas, dores inevitáveis e daquelas gargalhadas que salvam o dia.

É sobre ter a coragem de desconstruir a mulher ideal, que dá conta de tudo e não incomoda ninguém, para finalmente abraçar a mulher autêntica que nasce dos nossos atritos, do nosso autoconhecimento e dos amores que a gente nem sabia que podia viver.

Mas, acima de tudo, esse episódio é uma celebração. Uma homenagem àquela rede visceral de amigas que nos mantém de pé quando tudo ao redor desanda, e que tem a coragem de nos dizer a verdade, olho no olho, mesmo quando dói.

Vem que a conversa tá boa! Aproveita e já compartilha esse vídeo com as mulheres que ajudam a escrever o roteiro da sua vida 🩷

Assuntos8
  • Recomeços e mudanças de vida após os 40Separação e divórcio · Menopausa e envelhecimento · Redescoberta da identidade · Novos relacionamentos e sexualidade · Carreira e vocação após os 40
  • AmizadeConstrução da amizade entre as personagens · Importância da amizade feminina · Amizade como rede de apoio · Fricção e conflitos em amizades sólidas
  • Relacionamentos não heteronormativosDesconstrução da heteronormatividade · Amor entre mulheres · Preconceito e julgamento social · Claudinha e a descoberta de sua sexualidade
  • Representatividade femininaPerspectiva feminina na criação de conteúdo · Desafios da carreira de atriz · Autenticidade versus padrões estéticos · A entrega e a vulnerabilidade do artista
  • Ghosting e relacionamentos modernosComportamento de ghosting em relacionamentos · Covardia e irresponsabilidade no término · Vaidade masculina em relacionamentos · Impacto do ghosting em mulheres acima dos 40
  • Papel da família no apoio a idososInversão de papéis no cuidado · Desafios emocionais do cuidado · Demência e perda de memória · Culpa e busca por liberdade do cuidador
  • Maternidade e filhos saindo de casaSíndrome do ninho vazio · Projeções e expectativas na maternidade · Independência dos filhos e autonomia da mãe
  • Histórias de vida e superaçãoEquilíbrio entre drama e comédia na vida · Honestidade e leveza ao abordar temas difíceis · A vida como uma jornada de aprendizado
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Início do segundo tempo. Descansei, tomei minha aguinha, fiz minha reposição hormonal e bora pros mais 45. A gente precisa ser autêntico. Porque tudo faz com que a gente se molde para ser igual alguém. A gente não é igual ninguém.

Mamileiros e mamiletes, sejam muito bem-vindos ao Mamilos, o seu espaço de diálogo de peito aberto. Eu sou a Cris Bartz. Eu sou a Juvalauer e preparo o café, que hoje o tricô vai ser forte. Mas antes, um minutinho para a palavra dos nossos anunciantes. E se todas as meninas pudessem crescer seguras e estudar, brincar e sonhar com o futuro?

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Voltamos e a pauta é sobre juntas e separadas. Quando juntas? Quando separadas? Bom, tem séries que você assiste e beleza, gostei muito, me diverti. E tem séries que você termina um episódio e já quer mandar um áudio. Um áudio do tipo, amiga, você vai gostar de ver isso, porque no mínimo a gente vai precisar falar sobre psicoputos. Juntas e separadas é exatamente esse tipo de série.

Ela é leve, divertida, meio caótica, assim como cada uma de nós. E no meio disso, vai encostando em coisas muito reais. Separação, recomeço, amizade, solidão, desejo, envelhecer. Tudo aquilo que a gente vive, mas nem sempre fala com tanta honestidade e humor.

E talvez o mais gostoso seja isso. Ela não acompanha só histórias de amor. A série acompanha principalmente histórias de amizade. Dessas que seguram quando a gente está com o resto tudo desandado. Mesmo que a gente também brigue com as amigas leais.

Hoje o Mamilos começa olhando pra essa história de perto. Como ela foi construída, seu processo e o que ficou depois que as câmeras desligaram. E a partir daí, a gente abre a conversa pro que a série provoca na vida real. Porque se deu vontade de ligar pra uma amiga depois de assistir, é porque tem coisa boa aí que merece ter conversado. E a gente trouxe quem tava lá, quem deu vida aos personagens. Natália já é de casa, por favor, se apresente pros nossos ouvintes. Quem é você na fila do pão?

Eu sou... Nasci de criada em Niterói. Isso diz muito. Tenho 47 anos. Sou atriz. Sou... Sou mais o que na vida? Ah, não sei. Sou um monte de coisa. E é um pouquinho de analia. Um pouquinho de analia. Sim, com certeza. Débora, Débora, que bom te conhecer. Já estava aqui te etando antes. Por favor, se apresente para os nossos ouvintes quem é você na fila do pão.

Então, ouvintes, eu sou Débora Lã, sou filha de Ana Clara Lange, Huberto Lã, duas caras sensacionais que me puseram no mundo, que foram as minhas primeiras referências de seres humanos. Atriz, diretora teatral, estou correndo aí na fila do pão para poder comprar pão, né? É muito importante. Então, a gente faz de um tudo.

E tô aí querendo descobrir junto com, sei lá, nessa jornada aí chamada Vida, que é Débora Lange, estamos de construção. Muito bom. Eu queria começar falando do tema central da série, que é a amizade. E o texto da Thalita constrói muito bem, né? Porque a gente vai assistindo e vai acreditando que vocês são amigas, que vocês já se conheciam, aquelas personagens, elas existem.

Mas eu queria saber se alguma coisa mudou na relação de vocês. Como é que foi construído o afinamento para que quando a gente assistisse, acreditasse que vocês já estavam ali, já existiam antes de ligarem as câmeras?

Acho que assim, já de cara, a gente já tinha uma certa afinidade, né? Porque, enfim, eu acho que nós quatro estamos nesse barco há muito tempo, né? Mesmo quem a gente nunca tinha trabalhado, a gente já tinha se cruzado, já tinha se admirado, já tinha se identificado pela trajetória e tudo. Então, nós já éramos conhecidas umas das outras.

E claro que teve um trabalho de uma intimidade além, porque ali elas têm muita intimidade, né, Nath? É uma coisa, assim, realmente de amigas e irmãs, né? E esse é, de fato, o tema ali abordado principal, na minha opinião, né? E foi isso. A gente fez um trabalho de preparação super profundo com a Helena Varvac.

que é uma preparadora de elenco sensacional, junto com as diretoras, a Minnie, a Rebeca, a Jéssica. A gente fez realmente um mergulho para que essa amizade pudesse imprimir, de fato, a importância que ela tem. Não foi difícil, né? Nem um pouco. Inclusive, foi fácil. Porque, além desse carinho, acho que dessa admiração que a gente já tinha uma pelas outras.

A gente tinha essa base, que é esse texto super bem construído, onde você tem essas mulheres que são muito diferentes e com uma amizade muito forte, né? Que vai se consolidando no decorrer da série. Então, isso que a Debinha falou, assim, o olhar da direção, essa equipe feminina, esse tempo que a gente teve.

de criar essas memórias ali com a Helena Varvá, que é essa preparadora de elenco que é maravilhosa. E eu acho que é um pouco... Sei lá, trabalho de equipe é meio uma mágica assim também, né? Você junta um bando de gente, e por mais talentosos que eles sejam, tem um troço maior ali que faz a junta, faz a liga, sabe? A gente chama de química, né?

Exatamente. Pô, deu química. É, aí teve uma vontade de todo mundo também de querer contar essa história, né? Um olhar carinhoso para as colegas, assim, de admiração e de vontade de estar junto. E a gente começou pelas cenas do bar, que é onde elas se encontram, né? É, a gente começou por todas as cenas delas quatro.

Então, isso foi... E já de cara, a gente teve que lidar justamente com o tema central. Virando noite, elas sempre se encontram no bar de noite. Então, foram duas ou três semanas noturnas. Exatamente, noturnas. Pra começar. E aí, a gente muito tempo junta ali. Todo mundo palhaça, né? Todo mundo da brincadeira, do jogo.

Foi muito gostoso. E foi ótimo também, porque quando a gente foi pras histórias individuais, a gente já carregou um pouquinho de cada uma, né? E a gente já carregou pra lá, pras histórias individuais, entendendo o que era a força daquele coletivo, né? Isso foi muito bom. É, mas aí também tem uma sacada de direção que ajuda muito, né? Escolher por onde começar.

A gente tá falando de história, é muita história, são muitos temas. Eu queria saber de vocês se vocês acham que tem alguma diferença, quando a gente tá contando a história de mulheres, pra ficar tão real, pra ficar tanto a gente se identificar, o fato de ser contada por mulher. Tem coisa que só uma mulher conseguiria contar, vocês acham? Ah, com certeza, com certeza. Tem uma vivência, tem uma cultura, tem um sentimento que...

Não é que um cara não possa fazer o filme sobre uma mulher ou falar sobre uma mulher, mas é porque a gente fala de outro lugar, né? A gente fala de um entendimento, de uma sensação que é muito nossa. Então, acho que a gente tem mais propriedade. E eu acho que na série, assim, o fato da gente ter essa equipe proeminentemente feminina, porque só o Lula, que é o diretor de fotografia, que é homem, que é um cara que já vinha trabalhando com a Minnie muito tempo.

mega talentoso, maravilhoso. A gente até gosta. A gente até gosta dele. Ele é até de negro. Que nem o monitor do programa da Laura. A gente até gosta. Mas ele não consegue entender, né? A percepção, a construção de um argumento do qual ele tem pouco contato. E aí faz diferença. Isso. E, surpreendentemente, os homens também estão gostando muito de assistir a série. E talvez... Talvez por esse lugar mesmo, de ser tão legítimo, né? De um lugar de fala feminino.

E, claro, são universos muito diferentes. A gente vive num mundo que separou muito bem esses papéis, né? O que é o do homem, o que é da mulher, o que cabe ao homem, o que cabe da mulher, o que cabe na boca de um homem, o que cabe na boca de uma mulher, o que é uma ação masculina, o que é uma ação feminina. A gente vive nesse mundo o tempo inteiro, né? Então, é natural que ali...

Seja aquela equipe fosse majoritariamente feminina, porque é um lugar de mais intimidade mesmo, com esse lugar, com esse papel, e com essa vontade também de gerar algum tipo de discussão em cima. Agora, todas as personagens estão em transformação, elas estão se deslocando.

Eu queria saber se pra alguma de vocês pegou alguma coisa, algum deslocamento, ou mesmo te deu mais argumento pra dar um suporte pra uma amiga, pra alguém que tá na vida de vocês. Eu acho que todas nós, a gente meio que se reconhece um pouco em cada, né? A gente é meio um mix and match ali das quatro, e isso foi, eu acho que, uma sacada, uma esperteza da Thalita muito legal.

Que é isso que eu falei, assim, delas terem histórias muito distintas e dramas distintos, né? Então, cada uma meio que representa, simboliza um aspecto, um momento, enfim, um temperamento ali de mulheres, né? Mas eu acho que...

O que pegou, assim, mais pra mim foi essa coisa da menopausa que a minha personagem tá passando na série e que eu ainda não estava, à época, quer dizer, tava começando a flertar com ela, assim, mas falando, não, não é você, não. Imagina, tá querendo me enganar.

E agora veio, né? E é realmente um momento de mudança muito estrutural pra mulher, assim. Annalise deu spoiler. Pois é, ela me deu total spoiler. E é uma adolescência, é uma segunda adolescência com uma bagagem que você não tem na adolescência, né? E você olhar pra essa...

segunda parte, né? Porque na melhor das hipóteses você viva lá 80 anos, 90 anos você tá ali na metade da vida e aí as coisas não são exatamente como elas eram você já tem uma outra experiência, um outro olhar sobre as coisas mas tem muito tempo ainda e muita coisa pra fazer ainda, né? Eu acho que a nossa geração também tá se apropriando cada vez mais disso, né? A gente vem de uma geração que a gente tava falando ali antes, né?

Tipo, 50 anos, vó, acabou, vai aposentar, vai descansar. E as mulheres, aos 50, hoje em dia, estão, tipo, nem começou, gente. Vamos lá. Início do segundo tempo, descansei, tomei minha aguinha, fiz minha reposição hormonal e bora pros mais 45, né? Exatamente. E a gente falou muito pouco sobre menopausa ainda, né?

Ainda tem tanto o que falar. Eu diria como a Nath. Eu acho que o assunto da menopausa foi, assim... Teve uma tônica. E ele nem parece tanto, né? Não, é de leve. Mas pra mim também pegou muito. Justamente porque... Eu tô entrando também, né? Até tava comentando com a Nath.

quando a gente chegou aqui, eu falei pô, Nath, não ficava menstruada dois meses, fiquei agora ela ah, que bom, né amiga, mais ou menos porque eu tenho peça hoje vou fazer peça menstruada é muito chata muito bom rolou isso hoje agora aqui, chegando

Desculpa, pode falar. Não, porque tem todos esses assuntos, né? Tem as relações frustradas ali da Laura, que eu acho que traz esse debate também que muitas mulheres estão passando, que eu acho que é muito decorrente desse novo lugar da mulher também, onde os homens estão tentando se entender, eles estão se embaralhando totalmente, eles não sabem lidar com essa mulher que não precisa deles. Exato. E estão muito confusos. Então, a Laura meio representa essa mulher que vai... rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés

Dando com a cabeça na água e não acertando muito, né? Tem a questão da Claudinha de descoberta. Pera aí, não dá spoiler. Calma, segura a garra. Tem uma coisa muito interessante na série, que eu acho, que as pessoas estão falando assim, pô, mulheres recomeçando a vida. Recomeçando por quê? Eu acho que a gente viveu um tempo e durante muito tempo...

que existia uma certa crença ingênua de que a felicidade completa era você casar e ter filhos, né? E eu acho que essas mulheres que a gente representa ali na série, e as mulheres, pelo menos, esse papo de geração pode ser meio careta, mas, assim, na maioria ali na nossa geração, acho que são as últimas sobreviventes dessa crença, né? Que casar e ter filhos... Ficaram ali no meio do caminho, né? Nossa, que sucesso, né?

E não, elas realmente percebem ali por volta dos 40 que aquilo ali talvez não seja tão interessante para elas. Talvez elas realmente não estejam felizes, né? E é justamente aí que começa esse segundo tempo.

Aí você vai dizer que agora elas estão velhas. Não, agora que começou. Porra. Um monte de tema que ao mesmo tempo é delicado, pode ser dramático. E pode ser muito engraçado, divertido. Estou falando de menopausa, que tem um monte de mulher chorando, vocês estão dando risada aqui. Estou falando de divórcio, que pode ser o fim da vida. Vocês estão dando risada. Como encontrar?

esse equilíbrio delicado pra ter sensibilidade que a série tem, pra tocar, porque a série toca as pessoas, e ao mesmo tempo ter muito riso, ter muita alegria, ter muita leveza. Como é que chega nesse... Eu acho que esse foi o maior desafio nosso como atriz, né? Exatamente. De dar esse tempero. É, e a Minnie trouxe muito isso, né? A nossa diretora e também a Rebeca, a Jéssica, enfim, as outras diretoras, mas...

esse conceito da série, esse cheiro da série. Dramédia. É, essa dramédia. É difícil fazer isso. Porque você mesclar esses momentos... Eu mesma, sim, particularmente, tinha vários momentos que eu me sentia muito perdida, que eu falava, tá, não, isso aqui... É, mas será que tá muito pesado? Ou será que não? Ou aqui, será que não tá engraçado? Deveria ser mais engraçado? Pra mim, isso foi uma questão, assim, um desejo e uma motivação também do trabalho, né, Debinho?

É, sem dúvida. E eu acho também que se a gente leva só pro engraçado, a gente deixa... Esvazia, né? Esvazia. E se a gente leva só pro drama, a gente esvazia também. Se a gente leva só pra um lado ou se a gente leva só pro outro, falta humanidade. Porque a gente não é isso. É, a vida é uma dramédia, né? É, exatamente.

Então é natural, se você quiser contar com honestidade qualquer parada, você tem que ir para um lado, ir para o outro, rever, recalcular aqui qual é a verdade dessa cena e não a verdade da prateleira que vão colocar depois, entendeu? Esse negócio de gênero.

porra, a gente não tá botando nem de pessoa mas engenheiro, vai botar a prateleira do negócio total não, é isso vamos levar o que essa cena pede e não o que a prateleira que vai vender depois tá dizendo que é

com todo o respeito e apesar de achar que facilita, às vezes, você dizer é mais por aqui, é mais por ali mas eu acho que a humanidade é mais temperada que isso e a gente tá aqui no nosso ofício de tentar retratar, né? exatamente, brilhantemente

Vamos passar um pouquinho agora sobre cada um dos temas que a série aborda. E ele começa pelos separadas. Não posso deixar de falar da generosidade que tem da Analia, que é a personagem da Natália, de incluir a Laura num grupo que já existia. Isso não é uma coisa fácil. É verdade. Quando vocês já são…

três amigas e caiam um outro elemento, precisa ter uma gênero e falar, tá bom, vamos recolher esse pedacinho de Ana Laura pós-separação e trazer ela pro grupo. Mas ali são quatro mulheres que duas já estão divorciadas há mais tempo, duas estão num divórcio mais recente e as estatísticas mostram que é isso aí mesmo, 70% dos divórcios hoje no Brasil de casais heterossexuais, o pedido parte da mulher.

E quando a gente olha pra esse cenário, eu queria saber, na opinião de vocês, se isso reflete uma mulher mais exigente hoje, uma mulher que quer mais pra ela. É sim, eu acho que é uma mulher que tá tomando conhecimento de que pode fazer isso, né? Porque eu acho que até a geração dos nossos pais... É... Tim...

ou um pouco antes, dos nossos avós, assim, minha avó separou, minha avó separou, minha avó separou, é, mas era um tipo escândalo, isso, mas ela bancou, e se casou de novo, e viveu, enfim, a vida toda, com o outro marido dela, e tal, mas é, aí a gente tá nessa, a gente tá saindo dessa transição, e entendendo, que a vida tá nas nossas mãos, e que a gente tem que ter, a nossa autonomia, financeira, emocional, e, rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés

E essa ficha caindo, a gente está se posicionando, né? Então, eu acho que tem um pouco a ver com isso. É, de partir da mulher, sem dúvida. Eu acho que tem isso, né? Estamos numa curva feminina ascendente. A gente sabe que ela já ascendeu, já despencou, já ascendeu, já despencou. Não é a primeira. A gente sabe que existem inúmeras formas de fazer com que essa curva se intimide.

Então, vamos ficar ligadas. Aliás, padrão de beleza é uma delas. Vamos ficar um pouco ligadas nisso, que daqui a pouco a gente está fazendo tudo para a gente se fragilizar novamente e corresponder cartilhas. O sistema é bruto. Ele vai se sofisticando. Exato. Mas é isso. Eu acho que é um sintoma das mulheres. Um sintoma bem evidente.

Mas uma vez que acontece, vamos lá, a personagem que a Cris falou aqui, a Laura, ficou casada por mais de 20 anos. Quando a gente separa depois de uma relação tão longa, você não perde só o companheiro. É uma parte da sua história que foi, que é contada, é o narrador da sua história, testemunha da sua história, né? Você perde um pouco de como você se vê, do que você acha de você mesmo.

Como vocês acham que pode ser feita essa reconstrução da identidade?

Eu acho que a reconstrução da identidade, ela não está, assim, o primeiro, né? Você, não, qualquer tipo de separação precisa desse rompimento geral. No caso da Laura, ali na série, sem dúvida, né? Mas eu acho que a princípio, porque nada impede de que depois essa pessoa que viveu tanto tempo com ela, né? Que se reajeitem ali, entendam aquele amor que existiu-se, né?

em algum momento, não é possível, a pessoa fica 20 anos junto, alguma coisa tem ali, né? Algum amor existe. E como é que esse amor prospera na vida sem ter essa ideia de amor romântico, de morar junto, de não sei o quê, de ser um casal, né? Amor existe em várias vertentes.

Eu acho que primeiro, não necessariamente você perde essa pessoa, né? Eu acho que é uma questão de tempo, e pelo menos no que eu desejo para mim e para os meus amores. Lógico, a gente sabe que de vez em quando a gente tem um erro de escalação. A gente escala errado, né? Mas eu não tenho o menor interesse já de primeira mão.

De nunca mais falar ou de nunca mais... Já aconteceu comigo, mas não porque eu queria. Sabe? De nunca mais ter uma relação com uma pessoa que dormiu comigo anos da minha vida. Pra mim, entendeu? Então tá, tudo bem. Pede-se essa testemunha. Vamos supor que no pior dos casos...

E aí? Mas você de testemunha não tá bom, não? Precisa ter alguém dizer, é verdade, é, realmente. Ela já foi no pão de açúcar, assim. Estava nublado. Não precisa, entendeu? Não precisa. Mas eu acho que a ideia é justamente levar os amores adiante de outra forma, sabendo... E aí?

Trazer uma outra configuração praquilo e continuando com... com... com... com essa testemunha aí. A Joana é um bom exemplo, né? Que ela tem um ex-marido, que ela tem uma relação boa. A Ana Lia também tem uma relação boa com o ex-marido. Tem ali um ponto de virada onde as coisas podem se realocar. Mas tem uma cena da Claudinha que é muito boa.

Que é a sua personagem, Débora, quando o ex-marido busca as filhas. E aí, a casa é dela. Ela vai ter um momento, assim, de silêncio. De ela com ela.

Como que vocês acreditam que pós um divórcio a gente consegue equilibrar essa sensação que é um pouco de solidão, mas é um tantão de liberdade, é um, ai, Deus me livre quem me dera. Como vocês enxergam isso? Eu acho que é um pouco o que é a vida, sabe? Você nunca vai ter experiências absolutas. Outro dia meu pai me ligou falando, pô, tem uma coisa ruim? Enfim, meu pai...

O cachorro daqui morreu e tal, lá do sítio, e fechei um negócio muito legal. No mesmo dia. Cacacry. É, cacacry. E eu acho que a vida é sobre isso. Você ficar 20 anos com uma pessoa, você vai abrir mão de algumas coisas, porque, enfim, é da natureza de uma relação conjugal muito próxima que você vai estar mais perto daquela pessoa, dividindo mais com aquela pessoa, e aquilo vai misturando vocês, e quando você sai daquilo, você tem que falar...

caramba, disse ela que nunca teve uma relação de 20 anos, mas eu imagino eu observo, mas é isso você tem que tentar entender de novo como é que você se recoloca nas suas relações, no seu trabalho, nas coisas que você faz, enfim mas você também tem ali uma pessoa que está muito próxima você tem vários ganhos com isso, então eu acho que é um pouco aceitar ok

que em todos os momentos você vai pagar preços por alegrias e vai, né? E a vida é isso e legal isso também. E saber tirar proveito disso e, na melhor, melhor das hipóteses, conseguir rir das coisas ruins, das solidões, dos medos, das tristezas, não se levar tão a sério, sabe? Não sei.

A coisa de se fazer companhia, né? Saber ser sua própria companhia. Eu vim de uma casa muito cheia. Eu tenho duas irmãs. Meus pais, tipo, meus avós eram separados. Mas meus pais, esse ano, por exemplo, fazem 50 anos de casar. Maravilhosos, gente. É, por fé. São o máximo.

enfim, maior pega pra capar no love ali ótima definição maior pega pra capar no love porque não tem como não ser é uma ilusão porque se também não tem o pega pra capar é porque não tem o love concordo eles estão ali ouvindo uma casa muito cheia muito cheia de gente logo que eu saí de casa eu pensei, porra, que silêncio

Mas era uma mistura de bom e ruim. Era assim, a sobrancelha pra baixo e o sorriso. Porra, que silêncio. Chorrindo, sabe? Chorrindo é bom pra caralho. É meio... Agora, eu tenho uma outra temática que a série passa, que é muito delicada, que é a personagem da Joana, que é a Luciana Paz, que eu tô muito apaixonada por ela.

que ela tá com o pai já num estado muito avançado de esquecimento, ela aspira muito cuidado. E é uma inversão muito forte, né? Você passar a cuidar de quem cuidava de você. E a gente vê ela ali perdida naquele processo. O que vocês acreditam que mais desorganiza emocionalmente quando você passa a cuidar dos pais?

É, eu acho que tem, assim, são várias coisas que a gente vai velando durante a vida, né? Eu acho que quando a gente deixa de ser criança, a gente nunca deixa de velar aquela criança que um dia a gente foi, né? Caraca! Era muito doido, porque quando eu era criança, simplesmente eu dormia no restaurante.

E acordava no outro dia na minha cama já com uma madeira. Com uma madeira, né? Caraca, que louco. Que maneiro. É muito louco. Acho que a gente vai velando isso aos poucos, né? Que as coisas não parecem do nada, né? Tipo...

Eu tinha uma impressão também, quando eu era criança, que meu mundo inteiro me amava. Porque quem era meu mundo? Meu pai, minha mãe, a gente se amava. Meu mundo inteiro me amava. Aí, quando eu comecei, a primeira vez que eu me apaixonei mesmo, que eu acho que foi quando eu encerrei a infância, por um terceiro, por uma terceira, eu acho que foi até terceira na época, eu pensei, caramba, tem isso, né? Corre o risco dela não gostar de mim também. Existe isso. Caralho, que desespero!

que loucura, né? então tem isso, acho que a gente vai velando etapas, né? e essa coisa também de perceber a questão da fragilidade dos pais que sempre foram na verdade, a gente que via como super herói eu lembro que meu pai, o único homem dentro de casa, eu achava ele enorme quando eu via jogando bôlei na praia

Quando eu vi ele jogando o bolo, eu era pra aquele tampinha do levantador. Porra, tá de sacanagem que ele tem esse tamanho. É isso. E aí vai... É um processo que você vai desvelando, né? Não é que o negócio aparece. Você vai só reconhecendo. E ele vai continuando, né?

progressivamente, progressivamente. Só que é desafiante, porque também tem uma hierarquia que eles não te obedecem, né? Tem isso. Aí eles começam a ter questão, aí você fala, mas tem que ir ao médico, tem que ver, não sei o quê. Não, pode deixar que eu vou ver? Que eu vou ver? Aí você fala, meu Deus, eu não tenho como controlar, né? Eu não tenho como mandar. É diferente, né? Que quando você é filho, você fala, sim, papai, sim, mamãe, você obedece.

Eu obedece, pelo menos eu obedeci. A Nath também tem cara que eu obedeci, amor. Eu obedeci, eu obedeci.

Não, e vai ficando cada vez mais complexo, né? Porque como ele já tá muito debilitado, tem uma das cenas que ela vai sair pra encontrar as amigas e ela deixa lista pro cuidador, e ela deixa telefone. E aí, tem uma outra coisa no cuidar dos pais, que tem um pouco da mistura de cuidar dos filhos, que é esse limite entre, não, eu vou manter a minha liberdade, mas tem a culpa, tem o... Como que vocês acham que, como cuidadoras, eu vou manter a minha liberdade,

é possível olhar pra isso e falar assim, manter a cabeça pra fora sabe, não ser sugada por tudo que o cuidado exige terapia, coração né, porque amigas que vão te puxar é, a gente é, nós somos formados por culpa, né eu sou muito assim

Uma sensação de responsabilidade pelo mundo, de não poder falhar, de querer corresponder, né? Nossa, Analia, nem parece você falando isso. Acontece. E é muito difícil você olhar pra você num momento onde alguém que você ama tá precisando, né? Porque a sensação é de que você tem que estar ali o tempo inteiro. Mas isso também te adoece e você, adoecido, não consegue cuidar.

Então, é um equilíbrio muito delicado. E tem nessa trama da Joana também um aspecto que deve ser muito difícil, que eu nunca passei, graças a Deus, mas que é essa demência que vai vindo da velhice, que o pai não lembra. Ela fala que é atriz, você é advogada.

que é aquela pessoa que te ajudou a construir a sua primeira identidade, que te disse quem você era, de repente olha pra você e fala que você é outra pessoa. Nossa, você não tem mais esse olhar. A pessoa vai deixando de estar ali. Ela vai morrendo aos poucos. Talvez seja até generoso. Vai deixando você despedir um pouco. Exato. A gente fez um programa muito legal sobre sonho.

Não sei se vai lembrar disso, que ele fala que o que a gente vive no sonho é a mesma coisa que o que a gente vive na vida real, da perspectiva do cérebro, não tem diferença. Pelo contrário, as emoções, como o cognitivo fica menos acionado, as emoções ficam mais afloradas.

e a gente não tem restrição de tempo, não tem linha cronológica e tal. E ele fala que isso é muito parecido com o que existe, com o que o Alzheimer faz no cérebro. E eu lembro que o jeito que ele falou, eu falei, cara, tudo na vida, as coisas não são... É...

absolutas. A leitura que a gente dá pras coisas muda como a gente vive as coisas. Se você pensa que é um sonho, que ela tá realmente... Não, você não vive mais naquela casa. Eu não sou... Não é aquela...

Se a gente vê como um sonho, já muda um pouco. Então, acho que a gente pouco fala sobre cuidar de idoso, pouco fala sobre esse envelhecer, que é a perda gradual dos sentidos, a perda gradual das possibilidades do corpo e tal.

E que quanto mais a gente falar, como vocês estão trazendo na série, mais possibilidades a gente tem de ter outras leituras, outros significados, pra gente se relacionar de outras maneiras. Exato, exato. Né? Porque acho que... Como é que... Eu gosto muito do que a Ana Cláudia Arantes fala sobre o cuidado, o cuidado de paz. E eu acho que a gente fala mais de menopausa, a gente conversou isso aqui. A gente fala pouco sobre... A gente falou muito, muito, muito sobre puerpério.

Falou muito, muito, muito sobre filhos, filhos e como criar filhos. E o que a gente sabe sobre etapas de desenvolvimento e educação. E pouco. É porque tá chegando a época. Peraí que a próxima a gente vai falando de abuso com a idade. E foi um pouco que a gente discutiu quando a gente conversou do filme que eu fiz o Domingo à Noite, né? Que era isso, assim. O pai tem Alzheimer. Uma família, o pai tem Alzheimer. E a mãe descobre que tem.

E aí os filhos querem cuidar, querem se meter, querem falar, tem que fazer isso. E ela ainda tá, ela tem muitos, ela tem muito mais momentos de lucidez. Então ela fica meio, não, peraí. Eu não vou, você vai me botar num negócio, eu vou cuidar do seu pai, a gente vive bem aqui. E que medida é essa, né? Qual que é a medida? Assim, que medida que você consegue... Quem tá cuidando de quem, né?

E é realmente difícil, eu não sei também, assim. Agora, a série também aborda o próprio envelhecimento que a gente tá passando nessa idade, né? Tem cenas muito boas, como as cenas... Chá de revelação, que a Joana descobre que pentelhos também ficam brancos. Tem a parte que eu adoro, que a Analia vai ralar um queijo e o namorado fala, olha, o bracinho dela balança.

Tem a secura vaginal. Ai, meu Deus, eu vou ter que explicar por quê. Que apesar de estar excitada, eu preciso de lubrificante. Então, tem uma série de coisas que vão mostrando ali a mudança no corpo. Como é que vocês estão encarando o envelhecimento de vocês? Hum, eu tô encarando. Tô de boa, assim. Quer dizer, é óbvio que...

Tá de boa com o pelo no queixo? Porque a cena também da depilação do queixo é muito boa. É, eu acho que tem uma coisa, porque tem perdas e tem ganhos, né? E aí, eu fico meio nisso. Não, fisicamente tem ganho nenhum, amiga. Não, não, tem ganhos emocionais. Tem ganhos de confiança, tem ganhos de gerência sobre a própria vida. Eu lembro que eu descobri recentemente que eu posso pensar meus pensamentos.

Ué, como assim? Juro. Assim. Eu tinha uma sensação de ser meio refém das coisas que eu sentia e pensava, sabe? E eu acho que vem vindo uma confiança e uma experiência do tempo que vai falando assim, ah, isso aqui acho que não quero não.

Não quero pensar. Não quero pensar assim, não vou botar luz sobre isso aqui. Às vezes uma questão séria e triste, ou que não tem muita saída, e que às vezes a gente fica ali, remoendo ou remoendo, você sabe que aquilo não vai levar a lugar nenhum, e que você fala assim, não, eu já entendi, já vivi o suficiente pra saber que isso aqui eu não quero registrar, ou eu não quero ficar alimentando, porque óbvio que em questões que você não consegue, que você não precisa.

mudar alguma coisa ou que você não vai conseguir mudar alguma coisa, né? Mas eu acho que a gente vai ganhando realmente essa autonomia sobre a própria emoção, né? Mais ou menos, mas... Não sei, eu acho que eu tenho essa impressão que a gente perde por um lado e ganha do outro. Né? E aí, isso de certa forma tem uma novidade também em ganhar, né? Eu acho que ganhar um passado é muito legal.

Depois que você faz dos 40, né? Eu já estou indo agora, quase chegando nos 50. Mas, assim, eu tive essa impressão muito concreta. Porque quando eu cheguei nos 40, eu olhava para trás e eu conseguia enxergar o passado. Isso é muito... Dá um conforto, cara.

Porque aí você tem mais dicas, né? De quem você é, de quais são os seus propósitos, né? Do que você fez, né? Isso. Quem você formou, né? Exato. É como se você olhasse de cima e falasse assim, ah, tá, eu sou essa pessoa aqui que fez essas paradas aqui, né? Tem um passado, assim, que você consegue olhar pra trás e... Pô, isso é... É um lastro quase, né? É, dá um conforto. Vocês não ficam assustadas de pensar que o ano 2000 foi a...

26 anos atrás eu tava ali no réveillon dos anos 2000 2000? caralho eu tô revoltada que a gente já tá com um quarto de século é, gente tá muito errando isso aí pessoal o burro do milênio foi outro dia, pô

é, exatamente e quando você conversa com alguém que nasceu depois do ano 2000, ah, eu nasci em 2010 você fala, não conversa não, não fala é muito interessante mas essa bagagem toda, esse passado todo vai trazendo camadas de complexidade certo? porque a vida vai ficando mais interessante mas a nossa bagagem vai ficando maior e aí vocês falam na série também de maternidade, de ex-parceiros de novos arranjos ok

O jogo, a gente vai passando de fase no videogame, né? E vai ficando mais complexo. Por exemplo, dividir o cuidado dos filhos com o ex-parceiro. Já não é muito fácil no casamento. Mas separou, aí começa a ter mais negociação. Aí a série mostra a Claudinha fazendo suas negociações com o ex. Eu tenho uma amiga que diz que guarda compartilhada é uma falácia. Porque em 50% do tempo, ela precisa fazer 90% de trabalho.

E aí, vocês acham que isso tudo, essa complexidade que a gente está descrevendo, passa muito pelo quanto a gente se cobra de ser boa mãe? Eu acho que sim, com certeza. Mas eu sou uma mulher, estou falando de mim, e vou tentar falar da Claudinha, que é a pessoa ali que eu tentei doar toda a minha honestidade e sensibilidade. Mas enfim, eu sou uma mulher que escolhi não ter filhos.

E isso nunca foi uma... Por mais que a gente viva num mundo que achasse que sim, que deveria, mas isso nunca foi uma questão para mim. E eu não sei responder a sua pergunta por conta disso. Mas eu imagino que essa negociação seja uma negociação que tem um valor muito grande, porque é a partir do momento que são seres humanos.

E eu acho que a prioridade tem que ser justamente o crescimento saudável, não é sobre a mãe nem sobre o pai, eu acho que é sobre a galera que está vindo ali. E claro, aí no restante do tempo, cada um cuida de si. Mas nessa negociação, acho que o importante é a galera.

E a Claudinha faz isso, né? A Claudinha tá tendo... Inclusive, a Claudinha quase volta por isso. Eu acho isso uma parte muito importante da série, que é sobre... E é muito linda a cena que ela tem uma conversa com uma pessoa evangélica dentro do ônibus. Ah, é!

Porque é isso, assim, ah, eu tô pensando em voltar. É. Porque a despesa tá alta. Exato. Porque vai ser melhor pras meninas. E aí a mulher fala, você gosta dele? Não. Então não vai dar certo, entendeu? Não é isso que você tem que mostrar pras suas filhas. É. E assim, não voltar porque se os filhos querem que volte, não tem essa opção. Tô partindo que não tem a opção da volta. É tipo, é, separados e...

fazendo com que prospere ali uma coisa... Porque, assim, respingar nas crianças ou nos filhos, sei lá qual idade teriam esses filhos. Ah, é que a teoria é essa. E eu acho que a maior parte das pessoas bem intencionadas, quando se separam, estão mirando aí. A prática é muito difícil. É, imagino. Porque eu também não tenho filho. Não foi uma decisão deliberada. Foi uma coisa meio que aconteceu. Tenho óvulos congelados. É Peter Pan aqui.

acha que talvez um dia, mas também uma coisa que eu já me desobriguei a ter uma posição sobre isso. E concordo muito com o que você está falando. Tenho que fazer uma parte porque me relaciono hoje com um homem, meu amor, que é uma exceção à regra e que é um ex-marido que tem uma guarda compartilhada.

roots, assim, que ele faz metade do trabalho e eu tenho participado também dessa vivência dele, é muito bonito ver também que eu acho que existem essas pílulas, esses caras que estão olhando novamente e assumindo, né, e trazendo pra perto e tentando ter um compromisso maior com a criança, que eu acho que é tudo pro bem da criança, mas em 90% dos casos eu acho que talvez rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés

Não sei se tem a ver com esse instinto maternal ou se é uma coisa também histórica. Ah, o instinto não tem não. Tem muito tranto mesmo. Tem muitas culturas. 100% cultura, 0% instinto. Mas é muito difícil você se relacionar já com um ex-marido. Imagina um ex-marido que você tem que falar todo dia, né? Exato, mas a gente falou muito aqui eu e a Cris, que é...

Quando a gente olha a gente em relação à nossa mãe, porque a gente tá sempre se comparando. Será que eu tô fazendo do certo? Você olha pros seus pares, pras suas amigas, e você olha pra essa referência que você tinha. Não, mas minha mãe fazia o meu lanchinho. Mas minha mãe, eu não tô fazendo. Então, eu tô falhando.

Se o cara olhar pro pai dele, qualquer coisa que ele fizer é muito. É maravilhoso, verdade. E aí, se você tá separado, e o cara é um bom pai no sentido de ele tá importado com a criança, ele... Porque quando a gente tá falando aqui de 50% do tempo, é um cara, como seu namorado, assim, ele tá importado, ele quer. Só que o padrão dele é tão diferente do nosso...

Que se ele não deixar passar fome, só por estar com a guarda 50%, ele já é. Já tá fazendo muito mais do que era esperado. E aí, você só tem 50% pra fazer tudo. Sim. Aí complica, porque não é uma fé. O tamanho da operação é muito grande.

E aí, fica... Dois são mães, né? Não há muito filho. Fazendo filho aí, tá mãe? Ah, é, você... Fazendo sexta. Tem dois. É, mas vocês são corajosos. As do dois são pré-adolescentes. Vocês são corajosos, entendeu? Tem que ter muita coragem mesmo. Isso aí, aplaudo mesmo. Tem que ter. É muito maravilhoso. Não, e depois que você passou isso tudo, você vai chegar na fase da Analia, que é a sua personagem, que o filho vai sair de casa. Aham.

E é todo esse sofrimento de tipo, você fez um ótimo trabalho, é por isso que ele tá indo. Exato. É muito Deus me livre quem me dera. Porque não, é isso aí mesmo, trabalhei direitinho. Meu filho é independente, vai ter a vida dele. Aquele buraco, aquele vazio. E é muito bom que a Ana ali é produtora, e ela fica meio produzindo a vida do filho. Ela vai organizando, vai fazer comidinha. Vai levar no seu filho. Por isso, pra com uma sarna pra se coçar. É, exatamente.

E essa cisão, né, eu acho que dá daquilo que a gente acredita, daquilo que a gente pensa e deseja e de como a gente sente as coisas e percebe. E a humildade que a gente tem que ter de ver que tem coisas que a gente não controla, né? Assim, emoções que a gente não controla. Então, o seu discurso vai acompanhar aquilo que você quer performar, né? Porque, assim, você sabe o que é certo, você entendeu, você observa, você, né? Mas o seu sentimento não...

condiz, né? Eu acho que o choque da Analia é esse, assim, ela se depara com ela mesma, ela acha que tá tudo certo, que tá organizado e que, bom, se conversar, né, assim a gente faz muito isso na vida a gente dá respostas a gente dá respostas pras coisas e às vezes não percebe que não são essas as motivações, né? É, e eu acho que pode ter a ver assim também no caso da mãe que sente muito vazio quando a mãe que sente muito vazio

quando o filho sai, tem a ver com... Com o que espaço foi que aquele filho tomou, né? Será que buraco que aquele filho tapou, né? Que tipo de projeção foi colocado ali, né? Porque se você coloca... Se esse filho entrou ali na sua vida e tudo também gira em torno dele...

Meu irmão, se fodeu. Entendeu? Porque você deve criar filho pro mundo. Deus me livre pro filho ter uma mãe também que caramba, não saiba respeitar essa individualidade. Que é um pouco o caso da mãe da Claudinha também. Que não deixa ela...

A mãe da Claudinha, na verdade, que é a Luísa e Cardoso, que faz... Nossa, tá muito maravilhosa. Ela tá ali naquele trampo de ajudar a Claudinha, porque, né, mil coisas, aquelas duas filhas, a separação, ela tá até ali na parceria, sabe? Pô, não, então beleza, tô aqui, tô com você, vou te ajudar. Mas assim, mas a que custo, né? Ela critica a Claudinha da hora que ela acorda.

Até a hora que ela vai dormir. Né? E, enfim. Beleza. Tá ajudando numa parte. Tá atrapalhando bastante. Mas a gente conversa bastante disso aqui, né, Cris? Que as pessoas vêm pras relações com o que elas têm. Então, é um pouco da nossa geração também. A gente falou muito nos programas de perpério, do mamilos e tal. Que a gente fala, não, a minha mãe pode entrar, mas tem que entrar. E aí, a lista de coisas que não podia falar, que não podia fazer, que não podia... Ela não pode vir, né?

tem que vir uma outra pessoa, não ela eu não quero a minha mãe, eu quero uma pessoa e as pessoas não são assim então é no conflito, é na tensão em eu te colocar limite, não é que a relação pode acontecer e é muito bom, né, o limite que a Claudinha consegue colocar na mãe dela, que inclusive é um limite amoroso é um limite convidativo agora a Claudinha dá muito trabalho nessa série, porque além de se separar

Ela se apaixona por uma amiga. Ela conheceu uma pessoa, foi lá, se apaixonou. Não tinha nada programado. Não era uma coisa que ela estava procurando. É uma coisa que ela tem dificuldade para reconhecer. Porque ela está em outro ambiente, em outra esfera.

Mas ela resolve viver. Uma mulher depois dos 40 anos, ela vai se dar mais oportunidade? Os 40 anos ajudam um pouco a combater a heteronormatividade? Se separar depois dos 40? O que vocês pensam sobre isso? Eu acho que a gente não tem a ver com idade. Eu acho que a gente está num mundo agora que tem diversos assuntos sendo debatidos, talvez por conta da...

das redes sociais, uma coisa que ajudou, porque tem mil problemas, mas tem algumas vantagens, tem uma democratização ali da fala, do espaço, de cada um dizer o que pensa, e tem lados negativos e positivos nisso, mas acho que a gente vive num mundo em que os assuntos estão vindo mais à tona, que a gente está questionando certas coisas que são estruturalmente muito importantes na formação da gente.

pilares, né? Como diversos tabus, né? Pô, hoje em dia a gente até questiona e deve ser questionado mesmo, dá maior trabalho, mas a gente tá refazendo o nosso vocabulário, né? Porque tem coisas que não cabe mais se dizer, né? Enfim, é um trabalho danado que dá. Então, não sei se tem a ver com a mulher ali depois dos 40, pode ser que...

Ela vai abrir a sexualidade. Eu acho que nesse momento do mundo, a gente tem mais referências de que o amor não é um só. Não existe uma forma só de amar. Existem formas de amar. E que o amor, ele por si só, é.

Quando ele desperta, ele desperta. Porque se fosse assim, só se apaixona por homem, só se apaixona por mulher. Aí a gente só pode ir fechando cada vez mais. Mas eu só me apaixono por mulheres do cabelo enrolado, de cor castanha clara. Bom, gente, essa possibilidade de ser feliz só vai diminuir.

E com os olhos amendoados, verdes, mas escuro. E, meu, você só vai diminuindo a sua possibilidade de ser feliz, né? Talvez a maturidade dos 40, que eu acho que é o caso da Claudinha ali. A Claudinha foi atravessada por um sonho, né? Olha aí. Porque ela mesma... Não conseguia conceder. É um sonho que pra ela foi pesadelo, né? Que... M rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés rés

O que eu tô fazendo sorrindo com a senhora? Foi isso, tava pensando num boy e de repente chamou a bíblia. É muito bom. De tamanha ingenuidade dela, né? Do mundo muito fechado. E que, pô, um sonho derrubou aquelas paredes ali no soco.

né, mas eu acho que... Mas talvez também a maturidade dela também tenha ajudado ela a se posicionar, né. Tem essa questão, né, a Claudinha ela cumpriu um checklist heteronormativo ali, bem forte, ela casou, ela foi fiel, aí ela foi traída, aí ela é religiosa, ela tá ali com a mãe perto, ela tem duas filhas, as Marias, então, tá, fiz isso, tudo que foi pedido eu cumpri, mas eu não tô feliz.

E aí, de repente, quando aparece a namorada, que nem a namorada, é amiga, e vai trocando ideia, e ela vai... Pô, tá legal isso aqui, né? Essa mina é legal, essa mina é legal. Ah, mas é minha amiga. Ela nem sabe, porque ela não tem a referência. Não tem a referência. Então, ela nem sabe o que ela já tá sentindo. Né? E isso é muito triste. Pô, a pessoa não ter...

Ela é invadida pelo sentimento, ela não reconhece, ela é obrigada a reconhecer. Exatamente, ela se depara com aquilo, né? Porque, pô, é tão triste, né? A pessoa não tem essa referência, então ela não sabe que isso pode acontecer. E uma coisa tão libertadora que é o amor, né?

Então, para a Claudinha é muito forte isso. E ela passa por um processo de reconhecimento disso, que é doloroso, né? Que é, tá, mas e aí? O que faz com isso agora? Exato, porque ela foi construída dentro daquelas amarras, né? E aí tem toda uma questão ali da culpa, que já foi dita aqui.

A questão dos pilares sociais, claustrofóbicos e tal. E desse olhar externo também, né? Da mãe, do ex-marido, que ameaça realmente ela. Isso eu acho mais terrível do drama da Claudinha. É quando ele fala, você não vai ficar com as minhas filhas.

Porque minhas filhas não podem vir. Gente, mas historicamente os filhos são muito usados pra manipular as mulheres. Muito pra dominar, pra controlar, pra que a gente, né? Pra nos ter reféns mesmo, né? Mas eu fiquei pensando na frase do Contardo Caligares, que você sempre cita. Que é, a gente não quer ser feliz, a gente quer uma vida interessante.

Então assim, não é que amar uma mulher vai fazer ela necessariamente mais feliz porque, ó como trouxe o caos na vida dela mas é uma vida mais interessante é, e amor, né e é uma vida acompanhada isso que é bonito de ver na construção desse romance

Agora eu tenho companhia, agora eu tenho uma parceira. Ela fala, eu gosto de ficar com você, eu gosto do que a gente conversa, eu gosto de como a gente sorri juntas. Agora, o desafio não tá só nisso, dessa reconstrução que pode vir no mesmo gênero. A Ana Lia se apaixona por uma pessoa muito mais jovem. E não só é mais jovem, como é amiga do filho. Nossa senhora! Na verdade, essa é a questão. É quando ela... Mas desculpa, eu te interrompi.

Não, pode vir. Não, não sei. Eu acho que a questão mais grave, mais do que ele ser jovem, que tem muito preconceito ainda, ela...

fica pensando como lidar com aquilo. Sim, até porque se fosse o contrário... Não, se fosse o contrário, ela tava tranquilo. Ninguém nem questiona, né? Um homem bem mais velho, um homem de 47, tem a Analia, né? Eu era mais nova, mas ela tinha 47, hein? Tinha, sei lá. E o menino tem 24, né? É uma distância, mas se você pegar um homem de 47 com uma menina de 24, tranquilo, vamos casar. Tá aí, Leonardo Capri tá aí pra provar que é isso.

Mas eu acho que esse atravessamento do filho, para mim, como atriz, foi o mais difícil de entender quando ela compra a briga, mas também legítimo para caramba, porque era uma pessoa que estava anestesiada do afeto durante muito tempo.

Não vou me apaixonar, não quero saber. Não vou, sabe? Mas estava resolvida e estava feliz ali, que também é uma opção, né? Você também viver a sua sexualidade de uma maneira mais... Menos comprometida emocionalmente. Mas, de repente, ela é arrebatada por um troço. Só que tem a pessoa que ela mais ama o bichinho dela ali no meio, machucado, porque...

É difícil pra todo mundo. Eu acho que é um dilema ético interessante. Claro, isso é o mais legal da personagem, da Annalie e de todas as personagens. Porque tem isso, né? Não tem uma coisa... Vamos contar a história dela e a história tem suas complexidades, né? E isso tem muito na série, a complexidade de cada uma.

E isso é um ponto super debatido. Porque, enfim, a gente anda pela rua, os amigos, os nossos amigos estão vendo também a série, né? E vêm conversar, direto caem nesse... Não, até... Pô, mas aí você também... Não, mas isso jamais poderia acontecer. Mas para de ser careta, porra.

Hoje mesmo, no voo vindo pra São Paulo, o produtor da minha peça, o Ben Medeiros e o Luiz Antônio Forte, que vieram pra São Paulo comigo, estavam debatendo sobre isso. O Tunil, não. Aí o Ben, que isso, porra? Se liga, Tunil, tá careta pra... É, eu acho que esse é um dos grandes ganhos da série, assim, de um modo geral, que é... Abre debates, né? É, levantar essas questões e... Eu trouxe vocês aqui por isso, né?

realmente, assistir a série é um pedaço mas conversar sobre ela é um pedaço muito interessante né, olhar pra essa mulher que foi arrebatada por um sentimento e que vai enfrentar desafios né, porque vai ter que explicar pro menino de 24 quem é o Zacarias exato

mas vai ter uma paixão muito genuína que tá acontecendo a gente fez um programa sobre mulheres que namoram homens mais jovens com a Miriam Goldberg que tem uma pesquisa de 10 anos acompanhando casais onde a mulher é mais velha e nesses casais o homem tá muito feliz

E a mulher tá sempre muito neurada, né? Que hora que ele vai terminar, ele vai trocar por uma novinha, a mãe dele não vai gostar de mim. E, na maioria das vezes, como a gente acabou de ver, 70% dos divórcios acontecem em casais héteros porque a mulher pede o divórcio. Então, o fato da personagem ter bancado viver essa experiência...

inclusive sendo zoada pelas amigas que umas ou as outras, né? Isso é muito legal também, porque abre a liberdade pra perguntar, eu acho que é a Joana que pergunta, mas você é sapatona? Como é que fala isso? Como é que fala isso? Né? Se eu tô aprendendo também. Eu acho que é a própria Claudinha que pergunta pra menina pra Joana. Ah, você é sapatona. Pra Joana, a pessoa que eu acho ali no borde. Você é sapatã? É sapatã.

É assim que fala? Eu não quero errar. Então, todas elas, e é uma fase, assim, 45 mais, começando a aprender coisas totalmente novas, né? E tendo que narrar a própria vida pro rapaz mais jovem, ao mesmo tempo que o filho tá aprendendo a lidar.

E tem uma outra… Tem a personagem da Joana que tá ali. Já que eu tô sozinha, eu vou ter um filho, né? Porque eu não tô aqui fazendo nada. Que é hilário, que é delicioso. Que fala muito com o que você falou. A gente tá projetando o quê? E tem uma parte muito importante da Laura. Que a Sharon tá muito maravilhosa fazendo esse papel.

Que é, tem uma frase que eu não lembro quem fala, que é... Ela sai de uma relação e entra na outra, e ela tá sempre se jogando de cabeça, ela tá sempre apaixonada, e alguém fala assim, ah, mas também... A gente não foi ensinada a se reconhecer uma pessoa se não tiver um homem ao lado.

E o quanto isso pode ser traiçoeiro e jogar a mulher que tá com 45 mais ou que acabou de separar em relações muito ruins. Como vocês veem isso? Isso é abordado na série de uma maneira muito interessante. Como vocês veem isso culturalmente, nas amigas de vocês, na vida de vocês?

Eu acho que a Laura é um caso específico, assim, de alguém que quer viver, ela é muito intensa, e ela ficou 20 anos casada. Então, ela falou, dá licença, sai da frente, eu vou tentar, sabe? Porque ela ficou, acho que, muito tempo também meio acomodada ali naquele casamento, né? Que já dava sinais de que tinham problemas, e ela resolveu experimentar coisas. E é isso, assim, a gente tá nesse momento onde quando você vai pro mundo...

você tá sujeita a esses tipos de caras que também são caras que tão ali patinando, que não tão entendendo, né? E tem um detalhe muito importante, que faz toda a diferença. A Laura é uma mulher muito empoderada. Aham. Né? É uma mulher, assim, famosa. Que ela anda na rua, o cara... Rica, né? É rica, famosa, independente.

muito nervosa pois é, que quando se separa o cara que parou ela na blitz fala, pô, vai ficar tudo bem porque todo mundo sabe da vida não é qualquer mulher também é uma mulher referência que deixa também a coisa mais complexa como assim uma mulher

que é tão admirada, tão forte, que serve de exemplo para outras, se vê nesse lugar, na sombra de um homem, atrás de um homem, e chega uma hora que sai para lá, vamos recomeçar, e é Paula. É.

Cara, ela se ferra muito, né? Eu acho que ela fica um pouco aqui analisando. Ela corre literalmente atrás de um homem. É muito bom. Ela corre literalmente, né? O cara subiu. Ela quase é o meme do senhora, senhora. Que isso? Você me viu aqui e não tá me reconhecendo? Isso eu acho, tipo, sei lá. Eu não sei nem dizer o nome desse tipo de ser humano. E ela vai vivendo uma adolescência...

Tardia mesmo, porque a filha da personagem da Analia, que é a personagem da Nath, ele fez ghosting com você. Ela rendeu. Ah, eu tenho amigas que estão aprendendo isso na pele também, pós-40. E falando assim, foi essa semana, na segunda-feira, uma amiga falou pra mim, falou, Ju...

Na nossa idade, eu sei que existe. Mas na nossa idade, como é uma pessoa com mais de 40 anos? Some. Some. Eu acho absurdo também. Eu não consigo conceber, entendeu? Eu acho, tipo, muito absurdo. É muito covarde. É tão verdade que a Laura fala, Mano, eu vou chamar a polícia. Porque deve ter acontecido alguma coisa. A gente tava num grupo de mulheres discutindo isso. E daí uma outra falou, não, eu sempre penso. Deve ser. Ou ele tá morto, né? Morreu, ele não consegue falar.

Será que foi sequestrado? Enfim, tem muitas possibilidades, né? É muito irresponsável, né? Porque eu não posso crer que uma pessoa de 40 anos vai falar, deu beijos, falou, entendeu? Porque não tem que explicar muita coisa. A gente não tá pedindo um tratado. A gente não vai ficar no pé. Exato. Só que pra mim não estar mais rolando.

Vou me mudar pra Macedônia. Sei lá, entendeu? Não precisa sequer ser verdade. Esse é o ponto. Não estamos aqui nem tratando de verdade, né? Não precisa ser boa, desculpa. Mas assim, ghost é inconcebível. 40 a mais. E é muito doido, porque esses caras já se comportam como se eles fossem...

A última cereja do... Como se... Gente, é óbvio que ela tá gostando. É óbvio que é ela que quer muito mais estar comigo do que eu que quero estar com ela. Aí, na verdade, esse ghosting aí é um negócio meio... De uma vaidade, né? Exato. Você vai gostar dessa história. Eu vou fugir porque essa mulher está atrás de mim. Mas é você que tem chinelo de presente. Para de ser doido. É, toda uma amiga minha.

Tá, tudo bem que faz muito tempo, não é nessa época do ghost. Mas o cara fez um ghost em vintage, porque ela tinha uns 20 anos dela. Então faz 20 anos. Ela foi no trabalho do cara. Ela esperou ele na saída. E falou assim, oi. Oi, tudo bem? Você me levou no fim de semana para conhecer a sua avó. Você entende? Então assim, não precisa nada. É só você me dizer não, obrigada, falou. Mas assim, você não me leva para conhecer a sua avó?

Tive que ir pro interior, pegar não sei quantos quilômetros, mas depois sumir. É, não faz sentido, né? Entendeu? Não faz sentido. Envolveu a velhinha no assunto. Disse que ela queria conhecer a vó também. Maravilhoso. Entendeu? Mas eu acho que a gente tem que chamar a responsabilidade também e falar e ficar atenta também que a gente tá nesse momento, que o comportamento tá esquisito e de que modo que a gente ganha uma autonomia, assim, mesmo essas pessoas que são mais emocionadas, e eu me incluo nelas, assim, de...

atrizes, né? que se entregam, que sentem muita coisa e tal, e de ter uma medida ali, não se critique por isso sei lá, eu acho que não, não, não, eu acho que é isso mesmo que bom que você é emocionada eu acho que faz toda a diferença entendeu? acho que a gente precisa dessas pessoas que encaram a vida mesmo com esse envolvimento porque ser emocionada é levar a vida com

com verdade, com seriedade com profundidade você é maravilhosa, cara eu gosto muito nada disso como se fosse defeito não, isso é uma qualidade sensacional eu tava falando, eu sinto muito não, não tô te pedindo desculpa, eu tô te falando que eu sinto muito eu sinto eu queria passar por dois pontos antes da gente encerrar, e um deles é a carreira

que também tá ali na série. A Joana era advogada, vira atriz, nada tá encaixando direito, é aquela confusão. A Laura, depois que se separa, muda a vida, quer mudar o programa que ela apresenta, mas isso não é bem visto. A Analia fala, amiga, fica quietinha, senão eu vou perder o emprego. Vou me substituir por uma novinha, tem que pagar as contas. E a Claudinha nos tranca e barranca, sendo professora, tem um puta produto em mãos.

Poderia ser uma empreendedora, mas olha aquilo ali, só estou passando tempo. Imagina as bolsas lindas que ela não vê como um potencial de ganho. Então, o que eu queria perguntar para vocês sobre carreiras, 40 a mais, levando em consideração o que as personagens estão passando, essa idade serve mais como liberdade ou mais como medo e julgamento para poder olhar para o trabalho?

Eu acho que tem, o julgamento, ele nasce muito na gente, ele é externo, mas eu acho que o pior, o mais avassalador é aquele nosso mesmo, é o nosso preconceito, é a nossa dificuldade de topar as coisas, de ter coragem, de investir numa coisa nova depois que você ficou muito tempo. Eu acho que, falando pessoalmente, talvez a Debian...

concorda um pouco, a profissão de atriz é uma profissão muito difícil de se manter nela, né? Você pode até despontar, fazer um negócio, fazer sucesso ou conseguir algumas coisas, mas você permanecer no ofício é muito desafiante, porque...

Você lida o tempo inteiro com essa fragilidade de que pode não ter o trabalho. E assim, mas isso é qualquer pessoa. Isso é outro dia, eu ouvi a Mary Striep falando. A gente tá volta e meia...

desempregada, porque você faz um trabalho muito legal, mas nada te garante o próximo, né? A gente vai construindo tijolinho por tijolinho. E eu acho que a gente tem que ter coragem para entender as nossas vocações, os nossos desejos, as nossas aptidões e investir sem medo. E também, se não for o caso, chegar em algum momento ou abrir outras frentes ou ir fazer outra coisa, eu acho maravilhoso também, porque você não joga fora nada que você aprende, né?

ir pra qualquer lugar que você vá, né, assim, você vai levar o seu olhar, a sua aprendizagem, o que você já passou. Então, eu acho que a gente tem que olhar pra esse momento da vida com coragem, entender esse meio do caminho, né, até aqui, vim até aqui, o que que ainda dá pra ir, ou o que que não vai rolar porque eu vou ficar aqui dando murro em ponta de faca.

essa trajetória não é pra mim. Ou dentro disso que eu faço, a Debinha dirige, né? Eu tô começando a escrever umas coisas, eu pinto. Acho que pinta bem pra caramba. As pessoas vão fazendo ou vão abrindo frentes, né? Não necessariamente, ah, vou mudar de profissão, vou largar tudo. Mas você vai experimentando outras coisas e eu acho muito legal a gente se permitir abrir essas lacunas, sabe? Porque...

A gente pode ser muita coisa e a gente se cobra muito a perfeição pra ser uma coisa só. Ah, eu quero ser a melhor nisso aqui. Não, eu sou boa num monte de coisa. Vou fazer daqui, faço aquilo ali também. E cozinho bem. O outro faz café bem. O outro faz não sei o que, sabe? Eu acho que assim, eu acho que depois dos 40, pelo menos eu tive uma...

Eu acho que eu tive isso desde cedo, mas depois dos 40, tudo de certa forma dá uma iluminada, né? E eu acho que assim, é a busca da autenticidade. A gente vive num mundo onde a gente é moldado...

muito o tempo inteiro pra ser iguais, né? Iguais uns aos outros, né? Vamos ser iguais. Existe um modelo, um padrão. As caras estão todas iguais, né? Nossa, sim. Exato. E aí a gente vai se distanciando muito do que a gente é.

Por exemplo, eu que escolhi a profissão de atriz, eu sei que o tipo físico que eu tenho, assim, me atrapalha demais. Mas, assim, onde me interessa não ser eu?

assim, eu sou assim, naturalmente, esse é o meu natural claro, né, às vezes mais pra cá mais pra lá, mais não sei o que, a gente vai ali, tem toda uma preocupação que não é ser padrão, que é ser autêntico

E eu fico pensando nisso, por exemplo, aí o que a gente vai? Corre por fora. Eu também dirijo teatro, assim como a Nath escreve, como a Nath pinta. Eu dirijo teatro. Faço, por exemplo, eu tô fazendo agora a Pediatra, da Andréa Del Fuego, no teatro. Brilhantemente vão assistir. Não tem como perder. Agora, dia 1º de maio, a gente treina no Rio, lá no SESI. Mas estão aqui no...

Estamos aqui, é a última semana agora. É no dia 5. Primeiro de maio, Sesi, Rio de Janeiro. Mas enfim, é uma personagem que começa... Eu me dei, né? Eu me dei essa personagem. Eu me escalei pra fazer essa personagem. Que é o que eu devo fazer por mim. E aí, o que acontece? Essa personagem transa.

as primeiras páginas do livro inteiro eu sei que que o padrão é assim, pessoas com o meu corpo não transam, né? no padrão televisivo

padrão audiovisual. Então, eu nunca vou poder fazer uma personagem que transa, porque, tipo, ah, não, se a personagem transa, já vamos chamar uma gostosa. Duas personagens transantes na sequência. É, tipo, gostosa, eu me considero super gostosa, mas não sou uma gostosa padrão. Enfim, gente, é isso, entendeu? Quando seria escalada pra fazer uma personagem que trepa uma peça de uma hora, os 30 primeiros minutos da peça?

nunca, se isso fosse audiovisual e eu não tivesse me escalado nunca, sacou? a gente precisa ser autêntico porque tudo faz com que a gente se molde para ser igual alguém a gente não é igual ninguém é verdade, tudo empurra a gente pra média tudo empurra a gente pra média exato

A gente tá na era da mesmice, né? E somos todos da média mesmo, porque a gente se importa com isso. Não, a gente tá aqui debatendo. Somos medíocres, mas o que talvez deixe a gente diferente é que a gente se incomoda com a medicação. Mas todos somos. Todos somos. Mas tem uma coisa que eu queria aproveitar essa oportunidade pra falar, que quando eu entendi melhor o que é ser uma atriz convivendo e conversando,

Eu tenho profunda admiração por uma pessoa que, pra fazer um bom trabalho, ela tem que sentir muito. E ela trabalha numa profissão onde tem zero segurança. Como isso é possível? Eu não consigo entender. Eu também não sei. Porque não é só a segurança se vai ter um papel ou não. Isso aí já é difícil e tal. Mas é, quando você lê o roteiro é uma coisa, quando você grava é outra.

E quando vai pra edição e ficar pronto, vai ser outra. Já saiu da sua mão, né? Então assim, o trabalho que você fez tá na mão de outra pessoa, né? Porque tem o roteiro, você sabe as suas falas. Mas como aquilo vai ser montado e cortado, tá numa sala que você já não tá mais. É, verdade. E aí, você pode chegar simplesmente, a hora que você for assistir o que você fez, e falar, ué, mas foi isso aí que eu fiz? Não dei essa pausa, né? Eu odeio essa pausa e tiraram a minha pausa.

Que é o grande lance do teatro. Porque no teatro você consegue… Ainda nem cheguei aí. Vamos chegar, vamos chegar! Porque o teatro é muito pior. O teatro é você fazendo uma cara limpa pra alguém. A pessoa de cabeça, a forma morreu. Você tá passando mal. Se você falar com a boca muito aberta, vai ver a sua garganta. Não tem nada entre a arte e as pessoas. Então, é um ato de uma entrega.

Ser ator e ser atriz. A entrega não é só pro personagem. É pra arte em si. Sim. Então assim, você não só não sabe se você vai ter dinheiro. Como também você nem sabe direito o que você tá fazendo. É. Muito obrigada por vocês fazerem isso.

É de uma loucura ímpar. É de uma loucura ímpar mesmo. E é muito bonito, entendeu? É, eu também. É muito bonito. Uma vez, eu convencei com uma atriz que ela falou Ah, e a hora que eu fui ver o filme, eu não tava. Ah, sim, acontece. Cortaram a minha personagem. Já passamos.

Eu quase chorei. Eu falei, como isso é possível? O filme tava com três horas. Ela expôs a sua trilha toda, não importa. Na hora que ela parte ali, sobrou. Então, assim, é esse tipo de entrega, sabe? É um imponderável. O teatro, pra mim, é... Vem aqui, pula num abismo. E a pessoa, claro, vamos lá. Com certeza. Abismo? Pô, fiz muito. E é um negócio assim... Já pula de abismo? Já abismo?

Vamos pular de bang jump? Amor, eu sobrevivo a um terceiro sinal há 30 anos. Você tá me chamando pra pular de bang jump? Isso não é nada, amor. Vai pular você que não tem o terceiro sinal pra sábado ou agora às nove e meia. Eu acho que esse filme recente O Valor Sentimental, a crise nervosa que a atriz tem antes de entrar no palco, acho que dá um pouquinho essa dimensão de e...

Nunca tá 100% preparado, nunca tá segura. Então, é viver num imponderável o tempo todo. Mas tem uma coisa assim também, que eu acho que a gente vai entendendo com o tempo, né, Nath? Que a nossa profissão também, às vezes, leva a gente a crer que é sobre a gente, sobre chegar em algum lugar, né?

Nunca chega, minha irmã. Nunca chega. E não é sobre a gente. Não é para chegar, não é sobre chegar, né? É sobre nós. Não é sobre você. É o que você pode emprestar pra que a gente tenha mais dinheiro. Porque é isso. É muito mais sobre quem vê do que sobre quem tá fazendo. É que a gente tenha mais ferramentas pra tentar ficar mais íntimo desse mundão louco aí.

E o que que nessa história aqui que tá todo mundo aqui contando, você pode contribuir um pouquinho e trocando com o outro, se surpreender e se transformar. Exato. É na troca, né? Porque é sobre a gente, é ali porque a gente empresta e tal, mas não é terapia.

também. Não, tem essa delícia. Não é, não é. É um negócio que está a serviço, que tem uma generosidade tremenda, porque é experiência coletiva, sempre é muito sobre quem tá vendo. É por isso que eu amo teatro, porque o teatro, ele exige a experiência coletiva. Ele exige. Você vai de certa forma o audiovisual também.

O livro, a arte em geral. Entendeu? Você faz um quadro e fala, aqui é uma onça. Sério, aqui é uma onça? Mas eu tinha visto aqui um liquidificador. Amor, você tá certo. Você tá certo. Qual a autoria sua? Fez sentido pra você? Tá certo.

entendeu? É isso, por isso que a cena triste, vamos botar uma música triste pra sublinhar, quanto mais aberta você deixa né, você, mais você tá trazendo convidando o espectador pra conversar com você é isso, imagine eu acho maravilhoso que as discussões sobre arte, a gente fala sobre o que que é ah, esse filme é sobre pra você, né Bonito? exatamente, e a gente se degladiando e esse é o grande barato eu adoro, você não entendeu ok

esse é o grande barato o grande barato é isso eu lembro quando eu era, sei lá, adolescente na escola fui ler um livro que eu imaginava a menina igual a mim, ah, ela tem um cabelo assim não sei o que, aí minha amiga falou ah, ela tem um cabelo assim? Não e caramba, ela leu outro livro

E isso é o mais legal. E a arte, em geral, tem isso. E quanto mais a gente confiar essa auto... Essa coautoria a quem a gente tá compartilhando essa experiência, né? Só que em lugares diferentes. Mais aquilo...

Ganha força, né? E valor. Exato. E traz cumplicidade. De quem tá fazendo com quem tá vendo. Se você indicar o que a pessoa tá querendo sentir, é claro que você pode conduzir isso de uma forma muito inteligente. Se você quiser. A comédia faz isso como ninguém. A comédia, eu acho isso inteligentíssima. Tá sempre ali despretenciosa e tá conduzindo todo mundo. Gente, opinião. A não ser que, a não ser que. Aqui tu vai rir, quer vir? Caca, caca, caca, caca, caca, caca.

enfim, você vai conduzindo, você vai conduzindo e isso é experiência artística nos traz, mas o grande barato é justamente você deixar esse espaço e quando isso acontece

E provocar conversa, né? Porque é justamente no autocompletar, nas lacunas que se constrói, que você pode trazer o que é seu pra obra, que permite o que a Cris falou, que é pegar o telefone e ligar e falar. É porque essa história é a sua cara, a pessoa que assistiu.

Não achou que era a cara dela. Ela não se viu naquilo. Mas é o olhar do outro, da amiga sobre você. Que também te ajuda a narrar a sua história. Que também te ajuda a contar a sua história. Fala, é você sim, você é assim. Eu queria pegar esse gancho pra última pergunta pra gente encerrar. Que é, de novo, voltar pro cerne da história que é a amizade. Que pra mim, uma das coisas mais preciosas é quando as amigas brigam.

Isso é muito importante. Onde tem amor, tem fricção. Onde tem fricção, vai ter que ter conversa, mas vai ter lágrima, vai ter mágoa. Vai ter, eu tava certa, você tava errada. E as desavenças que acontecem, elas são muito reais. Você é uma egoísta, não, você só pensa em você.

E aquela dor. E que depois ela vai caminhar. São amizades muito sólidas. E elas vão caminhar pra voltar àquele amor ali. Só que hoje a gente tá muito pouco disposto a essa fricção, né? Assim, discutiu, nunca mais fala. Discutiu, faz um post na internet. Gente, pelo amor de... Pô, odiei o que você fez.

eu achei essa parte tão verdadeira, porque assim, não existe uma relação com muito afeto que não vai ter fricção. Como que vocês encaram isso nas relações de vocês, nesse momento que a gente tá tentando higienizar tudo, né? Tudo tem que ser areadinho, tem que estar limpinho. Não, é, a gente tá prisioneiro dessa ideia individualista de que cada um...

no seu quadrado e se você me fala alguma coisa que eu não gosto se você é mesmo diferente de mim você vai ser excluído da minha rede, dos meus amigos e eu vou viver aqui a minha vidinha de modo que eu vou conseguir ter uma organização e um controle sobre as coisas e eu...

concordo muito com você, eu acho que a vida não se dá assim, eu acho que as relações mais verdadeiras são as que permitem que a gente revele coisas que não são legais na gente e perceba no outro e o outro tem a capacidade de ouvir.

porque a gente acaba que nas relações a gente vai virando espelhos, a gente vai projetando e vai vendo, e que a gente tem que perceber também que as coisas que nos incomodam, elas dizem muito respeito a gente, por que aquela pessoa, aquele jeito me atravessa, por que eu gosto daquilo, por que eu não gosto daquilo outro.

E permitir esses espaços, essas conversas e até esses desentendimentos, né? Pra gente crescer, porque a gente cresce sim, né? A gente cresce no atrito, a gente cresce...

conhecendo a gente mesmo e o outro. Então, acho que não existe muito relação saudável, se é que se pode dizer essa palavra, sem que as pessoas passem também por dificuldades. Não existe relação profunda sem isso, porque é natural. Somos pessoas diferentes. E pra quê? Tipo, brigou, acabou?

Não, brigou. É isso, brigou, dá ghost, né? É, brigou, respirou, digeriu, voltou, e voltou mais forte. É, mas essa verdade de você trazer toda a sua emoção, porque quando vier...

de uma maneira forte, aquilo te atravessou, você tá machucada, ferida, com medo, enfim. Não vai vir a CNV, a comunicação não violenta. Não vai vir a conversa terapeutizada. Não vai vir. Vão ser faladas coisas que são difíceis, que são ruins de ouvir. E eu acho que tem isso. A Cris me provocou esses dias. Tipo, nem a gente que é, assim, 11 anos, especialista em conversas difíceis. A gente não faz.

Porque a gente vai evitando o conflito. Não quer dizer que a gente vai pro outro lado, que é dar o ghosting. Mas eu comecei, depois que ela falou isso, eu comecei a olhar nas minhas relações. Todo mundo dá um passo pra trás na hora que vai chegar o conflito. E deixa a temperatura baixar. E aí, eu vou conversar com você, né? Conversar com outras pessoas, pra ver outras perspectivas. Então, eu cedo em algumas coisas, sem falar muito.

Na hora que tá com muita energia, na hora que você tá triste, na hora… Não vamos pro embate, a gente foge do embate. Porque a gente entendeu…

Que falar coisa errada, que ser duro, que ser injusto, isso quebra o vínculo. E não é verdade. Não necessariamente é verdade. Porque é difícil você construir relação se você não tiver também. Tem coisa que só vai conseguir vir à tona.

Se tiver esse impulso. Essa é a minha pergunta. Ou da raiva. Será? Porque também a gente fala muitas coisas que a gente nem pensa também. Ah, claro. Só quero te magoar. Então, uma certa bandeira. Só quero te magoar. Vou falar uma coisa bem dura. Tem isso também.

Poxa, eu tô aqui com raiva, eu vou dar uns berros com você, né? E às vezes você nem pensa, nem tá pensando nisso. E tá só soltando a raiva ali em cima do outro. Eu acho que a gente também tem que... Por exemplo, quanto menos a gente adia a briga, mais amorosas as diferenças podem ser conversadas. Sim. Aí sim, se você ficar adiando, adiando, adiando, adiando, adiando, adiando, vai uma hora, você vai...

Mas assim, diferenças existem no dia a dia. Joga um negócio aqui, já manda uma piadinha aqui. É tentar perceber antes, né? É porque já chegar muito violento também é meio... Mas eu não acho que é do violento. Eu acho, sabe? Eu acho. Com o depois, que a gente volta lá no início da conversa, que pressupõe...

que não é uma coisa ou outra, que as coisas são misturadas e que a pessoa vai errar, que a pessoa desidealizar as pessoas e falar assim, essa pessoa às vezes é um filho da puta, mas ele é muito legal também, ou ela, ou enfim. Sim. E é isso aí, a gente vai amar apesar de, né? Somos esse combo. É, pra além dessas coisas e enfrentar as pessoas como elas são e enfrentar a gente também, né? Porque muita gente não quer olhar. Porque às vezes o lado positivo é muito maior, né?

E é isso, somos feitos desses lados, de afinidades. Ninguém gabarita o ser humano perfeito de ninguém, né? Pois é, mas é isso que está sendo vendido, né? É isso. É que uma relação boa é uma relação que não tem conflito. Essa venda é muito dolorosa. Tem um quadro no New York Times há 20 anos que chama Modern Love.

Que gerou até uma série, né? Que gerou uma série. E o cara que fazia as curadorias da história de amor, há pouco tempo ele foi escrever o que eu aprendi escrevendo essas histórias. E ele acabou de se separar. E ele falou, me ajudou bastante. E ele…

O que ficou muito marcado pra mim do que ele escreveu é que muitas vezes a gente acha que uma relação boa se assemelha a um vaso de cristal que precisa ser protegido. E o que ele entendeu que boas relações são bolas de basquete. São kintsujis, aqueles japoneses que fazem o remunho. Ela precisa que caia, ela vai lá embaixo, ela sobe. Ela vai lá embaixo, ela sobe, ela não quebra.

Mas ela quica, ela sai do controle, ela tem altos e baixos. Então, essa sujeirinha de eu ser humana e encostar na humanidade do outro torna as relações longevas. E elas são, eu gosto muito da palavra que você trouxe, íntima. Você só briga com quem você tem intimidade.

ser só boazinha. É isso. Ser boazinha como um tímido. É, mas ser boazinha, você pode ser boazinha e ao mesmo tempo se impor. E se impor de uma forma e isso não fazer de você algo que não seja uma pessoa...

Legal, boazinha. É, a forma como a Claudinha se impõe. Quando ela vira e fala pra mãe dela. Não, cara, você tem que jogar no meu time. Mas a Claudinha, ela chega violenta. Porque a Claudinha calou isso uma vida inteira. Uma vida inteira. Então, ela já chega batendo no peito, não sei o quê. E, pô, lógico, né? Eu acho que ela adiou, se abriga a vida inteira. E chegou ali, ela não conseguiu mais adiar. Porque o que aconteceu foi bizarro. O que eu tô tentando...

trazer, é que às vezes, eu fazia muito isso, tá? Eu chegava na análise depois dessa briga e falava poxa, eu fiz de novo, eu não podia fazer assim, assim. E tem um tanto que é o, isso é verdadeiro, é o que você dá conta, entende? É isso que você traz. Isso, exatamente. Que isso não é errado per se, entendeu? É o que dava pra fazer naquela situação. Porque sem isso...

Sem esse empurrão, ela não conseguia destamponar. Da mesma maneira que o sonho precisou derrubar a parede. Entende? Então, não é de uma personalidade só, de uma pessoa só, de uma situação só. É do humano. Que quando é muito difícil…

Ou você vai fazendo sopetão, você pega no contrapé, ou não vai sair. Porque você nunca vai escolher ter aquela conversa. Porque aquela conversa te destrói. Porque é um limite muito difícil de colocar. Entendeu? Claro, isso acontece muito, né? Como a pessoa que tô aqui 12 anos pregando a comunicação não violenta, eu queria pregar de volta. Traz a violência de volta! Que é assim, às vezes o autêntico, o que você dá conta...

ele pode ter um efeito construtor, de criar vínculo, não só de destruir. É o que você faz a partir disso. Porque, claro, no ideal, no PowerPoint, seria melhor... Senta com a sua mãe e conversa com ela a partir de... Beleza, mas esse não vai existir. Então, que a conversa exista, é melhor. E aí, depois a gente faz a contenção de danos, a reparação. Que isso também é uma relação saudável.

Uma relação saudável não é só que é feita no planejamento. Sim, perfeito. É. Aliás, qual o seu signo? Será que a gente já entra aqui? Não sei, tá acabando. A gente não falou de signo, é isso? Nem sempre uma boa conversa é uma conversa boa. É isso! Mas a conversa precisa. Ela não tem que… Você não tem que se sentir bem necessariamente no final, né? Mas vai ser uma conversa. A gente sabe que é uma conversa quando as peças se movem.

moveu, então aconteceu uma conversa boa não necessariamente uma boa conversa a gente tem que terminar essa conversa, mano obrigada, foi um prazer te conhecer foi um prazer te ver de volta obrigada

já estou, olha, eu quero fazer um pedido formal, segunda temporada de Juntos e Separadas, eu estou eu quero na minha mesa, até semana que vem, por favor, Globoplay o seu Globoplay, vamos aí moço quero fazer uma convocatória aqui, cariocas vão assistir Débora Olana, pediatra é isso, isso, por favor, façam isso por vocês, isso é bom, hein Cési, alô, alô Cési graça aranha nossa, eu ia falar uma piada com aranha aqui, que não ia ser bom

Bom, Graça Aranha. César e Graça Aranha, 1º de maio, A Pediatra. Direção de Inês Viana, maravilhosa, que fez a adaptação do livro da André Del Fuego. É produção do Bem Medeiros, Matheus Ribeiro e... Quem mais? Eu dirijo... Eu dirijo, não. Eu divido a cena com o meu amor, Luiz Antônio Fortes, maravilhoso. Que dá vida nos personagens aí também.

Só tem como dar certo. Meninos, obrigada e voltem sempre. Muito obrigada, vocês são maravilhosos. Maravilhosas, amigas, tudo. Bom, esse conteúdo vai chegar nas suas amigas se você enviar. Seja esse algoritmo, gente, o Juntas e Separadas. Mamilos. Mamilos. Mamilos. Mamilos.