Controle de celular e redes sociais ainda não é visto como violência por 56% dos brasileiros | O TEMPO Entrevista
A violência contra a mulher nem sempre começa com agressões físicas. A escrivã da Polícia Civil de Minas Gerais, Aline Risi, explica que os primeiros sinais costumam aparecer por meio do controle, das ameaças, da violência psicológica e, cada vez mais, da violência digital.
No O TEMPO Entrevista, ela destaca que o ambiente virtual passou a reproduzir comportamentos já presentes nos relacionamentos abusivos e alertou que esses episódios não devem ser tratados como demonstrações de afeto. “Antes de chegar na agressão física, a mulher já está passando, muito provavelmente, por violência psicológica, moral e patrimonial”, afirmou.
Durante a conversa com o jornalista Léo Mendes, Aline comentou dados do Datafolha e do Movimento Mulher 360 que mostram que 56% dos brasileiros não reconhecem o controle das redes sociais como uma forma de violência contra a mulher.
Na avaliação da policial, esse comportamento ainda é banalizado. “O simples fato de falar assim: abre seu celular que eu quero ver as mensagens. Isso é um tipo de violência, é violência psicológica. Muitas vezes o ciúme é travestido de amor, de paixão, mas não é. É um controle”. A escrivã também destacou que a violência digital pode anteceder crimes mais graves, inclusive o feminicídio.
Ao orientar mulheres que enfrentam esse tipo de situação, Aline Risi recomendou preservar todas as provas e procurar a Polícia Civil o quanto antes. “Ela tem que guardar print, gravação, vídeo. Tudo isso vai subsidiar a prova, porque crime na internet deixa rastro. Não existe crime perfeito”, afirmou.
O TEMPO Entrevista com a escrivã da Polícia Civil de Minas Gerais, Aline Risi, vai ao ar no sábado, 11 de julho, às 18 horas, no canal de O TEMPO no YouTube.