REAGE, Ô DE CASA #74 - Por que quem mora fora parece se afastar do Brasil?
Morar fora muda muita coisa.
Mas será que muda também a forma como a gente se conecta com o Brasil?
Nesse episódio do Reage Ô de Casa, eu reajo ao vídeo da Bia Bastos:
“Por que quem mora fora não quer saber mais do Brasil?”
Uma reflexão real sobre identidade, pertencimento e as mudanças que acontecem quando a vida acontece longe de casa.
🎥 Fonte: vídeo de Bia Bastos publicado no YouTube.
Conteúdo comentado com finalidade de reação.
💭 E você?
Morar fora te afastou do Brasil… ou te fez enxergar o país de outra forma?
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Envia seu vídeo — sua história pode aparecer por aqui.
- Survivor no Brasil e "No Limite"Diferença de violência no dia a dia · Medo de sair à noite · Normalização da insegurança no Brasil · Comparativo Brasil vs. Austrália
- Trabalho e RecompensaCusto de vida e acesso a bens no Brasil · Valorização da mão de obra no exterior · Acessibilidade de viagens e lazer · Desigualdade social no Brasil
- Adquirir, manter e abolir hábitosDificuldade de readaptação ao Brasil · Valorização de novas experiências · Identidade e conexão com o país de origem
- Dívida Pública BrasilVisão de estrangeiros sobre o Brasil · Contraponto à visão negativa
O de casa, bem-vindo ao O de casa. Esse é o Reage, O de Casa. Aqui a gente reage, comenta e ainda tem reflexões. Bora lá? O vídeo de hoje vai falar sobre os hábitos que adquirimos quando a gente vai morar fora e como é difícil readaptar quando a gente vai visitar ou quando a gente resolve voltar a morar no Brasil.
Esse é um vídeo da Bia Bastos, eu vou deixar aqui no link para vocês, arroba Bia Bastos, e ela mora na Austrália, e os vídeos dela são todos voltados à vida fora do Brasil, assim como o de casa. Então, segue ela também e vamos ao vídeo. O que é muito óbvio é segurança. Eu moro aqui na Austrália faz seis anos.
E a minha vida, a rotina que eu tenho hoje aqui na Austrália, eu acredito que eu nunca teria coragem de ter no Brasil. Como assim, Bi? Para você que não conhece muito da minha rotina... Olha só, no vídeo anterior do Reage, eu reagi falando sobre como a diferença de violência no Brasil e em Israel. E as pessoas ficaram...
Que? Israel? Israel não é violento? Como assim? Gente, Israel tem guerra. É diferente. A violência que a gente tá falando é a violência do dia a dia, sabe? Olha isso aqui que ela vai falar. E aí, quando eu fui pro Brasil, eu vi... Gente, que loucura. É muito doido como a gente vive no Brasil. E como eu vivia também no Brasil. E o anormal era muito normal. Por exemplo...
eu não teria coragem de fazer isso no Brasil, meus pais não deixariam fazer isso no Brasil. Eles iam falar, não, você não vai pegar seu carro na rua 3, 3 e meia da manhã, sozinha, à noite, de jeito nenhum, você não vai fazer isso. Outra coisa que é muito maluco, ir para o bar, etc., no Brasil, era muito maluco como eu me portava depois de 3 anos morando na Austrália, 2 anos e meio, mais ou menos, e como elas ficavam no meu pé da forma que eu me portava. Por exemplo...
eu ia com uma bolsa e eu deixava na mesa a bolsa, eu deixava bolsa e celular na mesa, e eu ia, sei lá, eu tava, por exemplo, aqui, eu ia até o vidro ali, fazer alguma coisa, e minhas amigas, Bia, sua bolsa, pega sua bolsa e seu celular em cima da mesa. E pra mim eu tava, gente, mas a gente tá aqui, tipo assim, não é que eu deixava e ia lá, não, a gente tava aqui, não, não, não, não deixa bolsa nem celular em cima da mesa. E aí eu fiquei, nossa, estranho. Abaixar o vidro, sabe?
Tá vendo, gente? Isso é coisa que a gente normaliza no Brasil. Ninguém tá falando aqui que, ah, que o Brasil, que é péssimo. Não, todo lugar, lugar nenhum é perfeito. Mas esse tipo de coisas do dia a dia, você não vê fora do Brasil. É sobre isso.
Olha só, continuando. Gente, parar em semáforo. No Brasil, à noite, madrugada, ninguém para no semáforo. Ninguém para no semáforo. Olha dos lados e atravessa. Porque é muito perigoso você simplesmente esperar o sinal abrir quando está de noite ou de madrugada no Brasil. E para a gente, quando eu estava no Brasil, isso era muito normal. Eu nem achava que era normal a gente viver isso. Porque a gente estava dentro daquele ciclo.
E quando você mora fora, mora num país que te dá segurança, isso é muito anormal. Quando você volta pro Brasil, você pensa assim, gente, as pessoas acham isso normal e não é normal. Conseguiram furtar meu celular e etc. Eu tava no estádio, enfim. Fui falar com os policiais. Sabe o que os policiais fizeram quando eu falei que furtaram meu celular? Ai, aonde tava seu celular? Eu falei, no bolso, mas eu tava segurando. Ah, mas deixou no bolso? Que vacilo. A gente, estando no Brasil, a gente começa a ver coisas que...
teriam que ser normais como anormais. Por exemplo, você não pode deixar o celular no bolso, né? Que burra! Em vez da gente achar anormal, que a gente não pode deixar o celular no bolso. Vocês estão conseguindo me entender? Faz sentido isso pra você? Então, assim, a primeira coisa é muito a segurança. É muito bizarra a diferença que a gente vê da vida que a gente leva morando fora e da vida que a gente tinha no Brasil.
várias coisas mudam. Obviamente, né, que vão falar ai, mas a Austrália não é perfeita. Óbvio que não é perfeita. Nenhum país é perfeito. Todos os lugares do mundo tem violência, etc. Mas a vida que eu tenho aqui na Austrália, eu posso te dizer com 100% de certeza. É uma vida muito mais segura do que eu tinha no Brasil. Gente, é sobre isso. É sobre estar mais seguro, se sentir mais seguro, podendo fazer as coisas do dia a dia. Só para terminar sobre a segurança. Olha só.
Mas a vida que eu tenho aqui na Austrália, eu posso te dizer com 100% de certeza, é uma vida muito mais segura do que eu tinha no Brasil. Eu já voltei para casa 3 horas da manhã de mini saia, cropped, voltei da balada a pé para minha casa, tipo assim, 20 minutos andando sozinha nesse horário da manhã. E eu fiquei com zero medo. Inclusive, eu estava fazendo FaceTime com a minha família.
Quando eu imaginaria isso no Brasil? Nunca, nunca. Então, é isso que eu falo, é muito... Não tem como, é muito diferente, é isso. Vamos lá. Olha isso aqui que ela vai falar sobre a questão financeira e o poder de compra, olha isso. Tanto que a gente trabalha ou trabalhou no Brasil, enfim, a gente não vê um retorno, a gente paga tudo muito caro, tudo muito caro.
restaurante muito caro, eletrônicos muito caro, tudo é muito caro, carro é muito caro, casa é muito caro, tudo é muito caro, então tudo é muito de difícil acesso no Brasil. Então, outra coisa que você, quando você mora fora, né, os brasileiros que moram fora, depois de viver uma realidade de que vê, beleza, eu vou trabalhar muito, porque grande trabalha muito também morando fora, não é porque, ai, ganhei em dólar, ganhei em euro, é porque a vida é mais fácil, não é por isso, não.
A gente ganha bem, mas a gente também trabalha muito. O nosso trabalho aqui, é isso que eu tô falando, a gente é valorizado. E outra coisa, a mão de obra que é muito valorizada. Então você consegue, um médico e um pedreiro, um médico e um pintor, consegue ir no mesmo...
consegue ir para o mesmo lugar nas férias, consegue viajar. Está vendo a diferença? Aqui não tem isso, gente. Qualquer pessoa de qualquer classe social, a gente não está falando de milionários, tá? A gente está falando de pessoas comuns, com profissões comuns, médico, dentista, paxineira, pessoal que trabalha na construção civil.
Todo mundo pode comprar os mesmos tipos de aparelhos, os mesmos carros, viajar para os mesmos lugares, comer a mesma comida, ir aos mesmos restaurantes, é tudo acessível para todo mundo. Não é porque é mais barato, é porque você é valorizado. Entendeu?
Bora lá! Coisa que é bizarramente diferente no Brasil, né? A desigualdade social é muito, muito grande e a gente não consegue ver o dinheiro no Brasil. Dependendo do que você trabalhar no Brasil, você não consegue ver o dinheiro. É simplesmente muito caro pra você viver no Brasil. Esse é um outro motivo que eu acho, que é porque é tão difícil pros brasileiros que tenham a experiência de morar fora...
querer voltar para o Brasil, sabe? É sobre isso, a gente adquire esses hábitos e depois para voltar, você vai sentir falta disso, você vai até criticar, né? Então, quando você não tem essa oportunidade, vai viver naquele ambiente, está tudo certo, gente. Ninguém está falando que quem mora no Brasil devia sair do Brasil para não viver isso não, entendeu? Mas quando você tem essa outra experiência, você não quer mais voltar para o que você tinha antes.
principalmente se essa experiência é uma experiência melhor. É só sobre isso. Olha só. Obviamente que tem muita gente que vem morar fora, né? Vem fazer intercâmbio, etc. Que tinha uma vida muito boa no Brasil. Aí é muito diferente, né? Porque se você tem uma vida muito boa no Brasil, sua família tá lá, seus amigos tão lá. Então você vem, tem essa experiência, mas volta porque você vive numa bolha, né? Então quando você mora fora também...
Você começa a valorizar muito mais as coisas, dar valor que realmente merece valor, que nem eu falo. Mão de obra. Hoje em dia, é muito, muito difícil. Alguém me falar o preço do trabalho da pessoa, e se eu, Beatriz, acho que o preço do trabalho da pessoa é caro, eu vou falar, tá bom, obrigada, e vou procurar outra pessoa que, pra mim, o preço seja mais acessível. Mas eu nunca vou falar pra pessoa, mas você não faz isso? Mas você não faz mais barato? Se a pessoa me dá a oportunidade de falar, mas você não faz mais barato?
Ah, e olha, se for uma condição pesada para você, a gente pode ver um valor melhor, aí tudo bem. Mas eu nunca mais fiquei pechinchando, né, que a gente fala no Brasil, o serviço da pessoa, porque é o serviço dela. Gente, é isso. Eu vou parar por aqui. Ela fala muita coisa que tem tudo a ver com o sentimento de quem mora fora. Dessa questão da gente se acostumar com determinadas situações e não querer voltar a viver aquilo de novo. Então, eu queria deixar aqui para vocês, como eu fiz da outra vez, estou
sobre essas mudanças de hábito, de quem vai morar fora e como isso muda a gente internamente. Eu fiz uma live, é o episódio 63, e essa live fala dos hábitos que mudaram em mim após a imigração. Então, tem muitas coisas que têm a ver com o que a Bia está falando nesse vídeo. Vale a pena você conferir.
Outro episódio que eu acho que vale a pena você conferir, que tem a ver com o que a Bia fala aqui também, é uma live que eu fiz, a live 67, que é Vida de Faxineira, porque ela fala justamente sobre essa questão de hierarquia, que não tem aqui nos Estados Unidos, a questão do poder aquisitivo que vale para qualquer pessoa, não importa a sua profissão, de como você é tratado, né?
cliente e prestador de serviço, que é cliente e prestador de serviço, não é chefe e patrão, é chefe e funcionário, patrão e funcionário, não é assim. Então, essa live também vale a pena você conferir, porque você vai ter vários exemplos disso aqui que a Bia falou. Agora, para dar um contraponto, é interessante também, na nossa temporada 3, a gente conversou com vários estrangeiros que falam português.
E principalmente sobre a questão da violência, como a gente que é brasileiro vê de uma forma e o estrangeiro vê de outra. A gente conversou com uma italiana no episódio 36, a gente conversou com uma italiana, a Cristina, e ela viveu um tempo no Brasil prestando serviço numa comunidade, numa favela no Rio de Janeiro. Então vale a pena vocês ouvirem esse episódio e tem outros episódios de estrangeiros, inclusive do Sérgio também, que trabalhou com a... Com estou
com a comunidade carcerária em Minas Gerais. O do Sérgio é o episódio 34. Então, vale a pena conferir esses dois episódios. Vocês vão ter uma noção para não falar que a gente está falando só mal do Brasil. O tanto que eles falam bem do Brasil, independente da violência. Então, vale a pena conferir esses episódios que eu citei aqui. Agora, vamos para o nosso momento reage. O que dá para aprender com essa história, gente? Depende do valor que você dá para determinadas coisas. Então, o que é mais importante para mim? É a segurança ou é a...
perto da minha família? É ganhar dinheiro ou é estar todo mundo unido vivendo junto, próximo, fisicamente? O que eu gostaria de viver de diferente? Então não tem certo ou errado, ninguém aqui está falando que é errado viver no Brasil ou como o brasileiro vive. A gente só está levantando o que é diferente e que...
Quando você sai, você percebe isso com mais claridade. É só isso. E aí você decide se você quer voltar para o Brasil, ficar perto da família, mas ter essas questões, ou passar aperto, vamos dizer assim, de estar longe da família, mas construir uma outra vida, num lugar que você sente mais confortável, fazendo o seu dia a dia mais tranquilo. É só sobre isso que a gente está falando.
E esse foi mais um Reage ou de casa? Onde a gente reage e comenta sobre vários vídeos sobre imigração. Então fica com a gente, tem muito conteúdo bom, todo domingo tem vídeo novo no canal. Coloca aqui pra gente, se você chegou até o final desse episódio, coloca aqui, hashtag reage.
Vamos ver se está todo mundo acompanhando, hein? E se você viu um vídeo que merece um Reage Ode Casa, manda para mim e a gente reage, quem sabe, juntos aqui da próxima vez. E a gente continua essa conversa no Ode Casa. Tchau, pessoal. Ode Casa.