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Arte Urbana: Como Murais Transformam Espaços | Ane Schutz

07 de maio de 202658min
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No Episódio #56 do MySpace, Regis Ozorio recebe Ane Schutz, artista visual, designer e ilustradora com mais de 20 anos de trajetória, para uma conversa inspiradora sobre arte, cidade, identidade e o impacto emocional dos espaços que habitamos.

Ane conta como sua relação com o desenho começou na infância, evoluiu para o design digital e, mais recentemente, se expandiu para o muralismo, que é uma arte em larga escala que ocupa paredes, fachadas e espaços públicos.

Nesta conversa rica e cheia de camadas, ela compartilha:

🎨 A formação de uma artista

A infância desenhando sem parar

A passagem pela arquitetura e pela música

A descoberta do design e da ilustração

O retorno ao papel e às tintas depois de anos no digital

A construção de um estilo próprio sem se limitar a técnicas

🧱 O muralismo como linguagem urbana

O que é muralismo e como ele se diferencia do grafite

A potência de pintar em grande escala

O impacto emocional de ver a arte ocupando a cidadeA democratização da arte: “ninguém precisa pagar para ver”

O processo técnico: briefing, moodboard, esboço, execução e prazos

🌍 Projetos marcantes

Mais de 20 murais para a marca Monjuá, viajando o interior do RS

A experiência internacional na Espanha, pintando com artistas de vários países

A oficina na Casa Mirabal, onde mulheres em vulnerabilidade pintaram juntas e como a enchente transformou aquele mural em símbolo

A criação improvisada em muros com imperfeições, buracos e texturas

A relação entre arte e autoestima coletiva

👩‍🎨 Ser mulher na arte urbana

A predominância masculina no muralismo

A falta de oportunidades e visibilidade

A importância de ocupar espaços e inspirar outras mulheres

A validação pessoal e coletiva de ver um mural pronto

🤖 IA e arte: ferramenta ou ameaça?

Por que a IA ainda não entrega profundidade artística

A questão ética do uso de imagens de outros artistas

Como a IA pode ajudar no burocrático, mas nunca substituir o processo criativo

A importância da emoção humana na arte

Um episódio que mistura técnica, sensibilidade, cidade, identidade e coragem criativa.

E que também mostra como a arte é capaz de transformar não só paredes, mas também pessoas.

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Assuntos7
  • Arte urbana e muralismoDiferença entre muralismo e grafite · Potência da arte em larga escala · Impacto emocional e democratização da arte · Processo técnico: briefing, moodboard, esboço, execução
  • Trajetória artística de FaíscaInfância e o desenho contínuo · Passagem pela arquitetura e música · Descoberta do design e ilustração digital · Retorno ao papel e às tintas · Construção de estilo próprio
  • Mulheres na Arte UrbanaPredominância masculina no muralismo · Falta de oportunidades e visibilidade · Importância de ocupar espaços e inspirar outras mulheres · Validação pessoal e coletiva
  • Projetos Marcantes de MuralismoMurais para a marca Monjuá no RS · Experiência internacional na Espanha · Oficina na Casa Mirabal com mulheres em vulnerabilidade · Criação improvisada em muros com imperfeições
  • Arte e a Cidade de Porto AlegrePresença artística pontual na cidade · Comparação com o consumo de arte no exterior · Oportunidades para a arte urbana em Porto Alegre · Iniciativas como o Festival Olho para Cima
  • IA e Arte: Ferramenta ou Ameaça?IA ainda não entrega profundidade artística · Questões éticas no uso de imagens de outros artistas · IA como ferramenta para otimizar processos burocráticos · Impacto no mercado de trabalho para artistas iniciantes · Falta de emoção humana na arte gerada por IA
  • Medo do Fracasso e Julgamento na ArteLidar com o medo do erro e da exposição · O erro como parte do processo criativo · Superação de barreiras pessoais e criativas · Importância do suporte emocional e pessoal
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A cidade que a gente vive é construída por prédios ou também por arte? Por que alguns lugares marcam a gente, mesmo sem a gente saber explicar?

O que vem primeiro? O espaço ou a identidade que a arte cria nele? Então, essas e outras questões que a gente vai estar conversando aqui hoje. Salve quem está na área, sejam muito bem-vindos a mais um episódio do MySpace. O meu espaço, o seu espaço de conversas inspiradoras e muita conexão com imóveis, com cidades e pessoas.

Eu sou o Régis Osório, advogado imobiliário, e quem me acompanha aqui sabe que eu estou sempre trazendo especialistas de diversas áreas, enfim, para compartilhar suas experiências, dicas, histórias, sempre conectadas com o universo imobiliário. Dessa vez, a minha convidada é Anne Schultz. Tudo bem, Anne? Tudo bem.

Então, antes de avançar, deixa eu só dar alguns recadinhos. Quem estiver ao vivo na transmissão, participe, faça perguntas. E se estiver escutando depois, deixe seu comentário aí. Isso ajuda muito o algoritmo a recomendar as pessoas. E fica por aí, acompanhe até o final, porque o resultado é sempre de muita conexão humana. Certo? Então vamos lá. Te apresento aí para as pessoas que não te conhecem.

Eu sou a Anny Schultz, sou artista visual, ilustradora, designer aqui de Porto Alegre. Já tenho aí 20 anos de carreira, muito na parte de design, mas mais recentemente me descobrindo artista e, enfim, me consolidando nessa área também.

Legal. Como que é a formação nessa área, por exemplo, tu é uma pessoa que desde pequena tu já tinha uma identidade, tu gostava de desenhar, de pintar, e depois no colégio isso virou para, enfim, ensino superior também nessa área. Como é que foi a tua formação nisso?

Todo artista é uma criança que desenhava e continua desenhando conforme foi crescendo, né? Porque tem essa diferença. Se tu parar, chegou ali na adolescência, parou de desenhar, essa pessoa não desenvolve. A gente continua desenhando. Às vezes tem ali aquela coisa do cérebro mais... 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82

desenvolvido para as artes e aquela coisa toda. Então, a gente continua exercitando isso, se descobrindo e evoluindo e aprendendo. Então, sim, o processo começa desde a infância. Depois, posteriormente, eu entrei na faculdade de arquitetura, fiz dois anos na arquitetura, não me formei, não venci a matemática. Depois fui estudar música, porque eu percebi que eu era muito mais artística. Perfeito.

Então, eu fui estudar música e aí eu comecei nessa época também trabalhar em estúdios de design. Minhas primeiras experiências foram na parte mais de design digital, mas eu sempre tentava trazer a experiência do desenho pro meu universo ali de trabalho. Então, sempre que tinha uma oportunidade, eu tentava fazer uma ilustração, colocar uma coisinha aqui e ali. Então...

Foi muito orgânico para mim. Não tem um dia que eu disse que sou ilustradora ou artista. Foi uma coisa que foi acontecendo conforme eu fui evoluindo e experimentando coisas. Tanto que a questão artística mesmo foi talvez uns 10 anos para cá, que eu entendi que eu podia sair das telas.

E voltar pro papel, porque quando criança a gente começa lá no papel. É verdade. Daí por causa do design, fui pro digital, aquela coisa toda. Fazia ali minhas ilustrações no digital. Mas, de repente, eu entendi, não, peraí, deixa eu voltar um pouquinho aqui. E aí começar a experimentar materiais, começar a experimentar tinta, spray, papel, parede. Então foi uma evolução de superfícies e de materiais ao longo da minha vida.

E como é que tu explora, por exemplo, essas diversas técnicas? Tu efetivamente autodidata? Como é que faz esse detalhe?

Eu sou uma pessoa que gosta muito de estudar. Vai falando, só vou apagar uma luz ali, mas continua falando. Claro, claro. Eu sou uma pessoa que gosta muito de estudar, enfim, e sempre fui muito curiosa. Então, eu sempre busquei... Fazer essas experimentações eu mesma. Então, sim, eu sou autodidata, mas o autodidata é aquilo, não é aquele que não estuda, é aquele que estuda por conta própria.

então eu sempre fui buscando, claro que eu fiz cursos nesse meio de ter cursos mais técnicos aprendi também com colegas com outros artistas tudo pra mim é uma oportunidade de aprender alguma coisa, então se eu tô se eu for fazer um trabalho com alguém e eu perceber que essa pessoa tem algo pra me ensinar eu vou tentar sugar o máximo dela e sempre foi assim então foi dessa forma que eu fui descobrindo as coisas e entendendo que às vezes as limitações é a gente que coloca né

Então, no momento que a gente não coloca a limitação do que a gente é capaz de fazer, a gente só faz. E acaba ficando complementar, por exemplo, não ser limitado a uma técnica específica, a experimentar e essa conexão com outras formas artísticas, que nem é a música. Eu acho que isso tudo acaba se complementando ali e eu acho que ajuda não ser muito...

rígido, né? E alguma técnica que tu tenha preferência? Como é que funciona isso? A minha técnica preferida mesmo é a pintura em spray e muralismo. É o que eu amo fazer. Não é o que eu mais faço hoje, mas é o que eu mais amo fazer. Se eu pudesse fazer 100% do tempo, alguma coisa seria isso.

Mas como eu também gosto da experimentação, eu talvez não conseguiria ficar só nisso. Porque eu sinto a falta de experimentar coisas diferentes e ver resultados diferentes. Eu costumo dizer que eu tenho um perfil generalista mesmo, que eu não me apego a um estilo ou alguma técnica. Porque eu acho que faz parte também da evolução de todo artista. Se a gente olhar artistas clássicos, inclusive no começo de carreira era uma coisa, no fim da carreira era outra. Então é uma constante evolução.

E o que é, vamos para as pessoas que não sabem, o muralismo, o que envolve ambientes internos, externos? Qual é o conceito que a gente encaixa o muralismo?

O muralismo é uma vertente do grafite, que todo mundo conhece. É mais popular chamar de grafite. Mas o muralismo é autorizado, no caso. Ele é encomendado. Então, é uma arte em larga escala, produzida com técnicas diversas. Pode ser tinta spray, pode ser tinta acrílica, pode ser outros materiais, colagem, enfim, lambe também. Então, existem várias técnicas de se usar para criar um mural, que é essa peça em larga escala.

normalmente em parede. E normalmente isso é uma coisa que alguém contrata ou ao contrário é espontâneo, existe necessidade de um espaço que está degradado, que surge uma oportunidade como é que funciona as oportunidades do moralismo?

Normalmente é contratado, sim, o cliente vem para a gente com uma necessidade, seja uma parede interna de uma pessoa física na sua casa, seja um escritório, seja um muro, a pessoa quer revitalizar um espaço. Também tem projetos mais...

de produtoras culturais, que aí vão chamar artistas para revitalizar uma praça, um lugar público, em parceria com a prefeitura, que vai financiar isso. Então, existem várias formas de chegar até a gente, mas pode ser ambos.

E por que tu falou que tu realmente tem um carinho especial com essa atividade do moralismo? Porque o que isso te causa? Enfim, o processo, o impacto que isso causa, o que te deixa realmente instigada em relação ao moralismo? São duas coisas. A primeira é a satisfação de saber que eu sou capaz. Porque a gente olha, quem olha de fora, quem não conhece a técnica,

impressiona pelo tamanho. Como faz pra passar desse tamanho? Eu não consigo desenhar um boneco. Como é que tu faz nessa escala? Então, no momento que eu termino um projeto, eu penso, nossa, eu sou capaz de fazer isso. Isso é muito especial. Me sinto realizada com um trabalho finalizado.

E também o impacto com as pessoas, porque normalmente elas estão em algum espaço que é frequentado por pessoas, seja na rua ou no escritório, mas tem pessoas circulando e vivendo aquela arte. Então ela é muito mais consumível, ela é muito mais democrática. E isso gera nas pessoas sentimentos variados.

Quase sempre são bons sentimentos. E o feedback que vem pra mim é sempre positivo. A experiência de conversar com as pessoas enquanto a arte está sendo produzida é muito maravilhosa. Então, essas duas coisas. Eu como pessoa, como indivíduo, satisfeita pelo que eu entreguei. E satisfeita pelo que as pessoas estão recebendo. Sabe? Tem essas duas.

Essa questão que tu está trazendo aí do alcance é curiosa, porque eu fico imaginando, eu desenvolver uma arte numa tela, ela muitas vezes vai ficar restrita, seja quem tem acesso àquele ambiente, ou mesmo que seja numa galeria, alguma coisa assim. Mas o muralismo, dependendo do tipo da intervenção, é um lugar de grande circulação. Então me parece que ela fica muito mais acessível às pessoas. Acho que tem essa conotação sempre.

Sim, justamente. É a democratização. Não precisa pagar nada, não tem uma cancela, uma porta. Está circulando, está indo para o trabalho, tem uma arte ali. Então, trazer isso para a vida das pessoas é... E quais foram os tipos de projetos que você participou nisso, em termos de diferença? Eu sei que tem coisas que são até residências ou corporativas, mas conta para nós que tipo de experiência você já teve em relação ao muralismo.

Eu já tive algumas experiências interessantes, tanto corporativas quanto mais... Pessoa física não é a palavra, mas mais pessoal. Uma delas foi que eu tive a oportunidade de pintar acho que mais de 20 lojas de uma marca de roupas aqui do Rio Grande do Sul, por todo o interior do estado, em várias cidades onde eles tinham loja. Eles me convidaram para criar. Eu criei um primeiro mural, eles gostaram tanto, as lojas amaram.

e eles decidiram que queriam colocar em todas as lojas. Não chegamos a fazer todas as lojas, mas fizemos mais de 20, com certeza. Viajei o estado inteiro de carro fazendo essas lojas por bons, acho que uns dois anos, talvez, indo fins de semana, porque dia de semana eu estava trabalhando em outras coisas. Então foi uma experiência muito legal de poder levar isso para o interior do estado também.

Que legal, que marca é essa? Eu gostaria de saber quem teve essa iniciativa. É a Monjoá, é uma loja de roupas. De roupas? Isso, é minha. E aí existia, obviamente, uma identidade a ver com a linguagem deles, mas não eram todas iguais.

Não, elas não eram todas iguais. É que a palavra monjoá, ela é... A Renan, vou lembrar se é do tupi-guarani agora, mas ela é uma palavra indígena. E elas queriam trazer essa figura indígena também para o contexto da loja. Então, a gente trabalhou figuras indígenas. No começo, elas eram mais...

não pessoais, não ligadas a uma figura específica. Depois eles trouxeram referências de mulheres indígenas que eles tinham contato de alguma fundação, eu não me lembro bem. E aí a gente usava essas mulheres como referência também pra criar. Mas cada mural era único. Eles tinham a mesma identidade, de cor, de estilo, mas eles tinham a sua singularidade. Fiquei curioso, quero saber mais. Que outras experiências dessas tu teve?

Também fui para a Europa recentemente, no ano passado, para pintar meu primeiro mural lá. Foi uma experiência, era um evento de mulheres, artistas, grafiteiras, muralistas, no interior da Espanha. Então, me inscrevi para o projeto, fui selecionada. E foi uma experiência muito legal. Fiquei acampada, foi num camping, a gente fez um muro, não me lembro quantos metros, mas acho que mais de 100 metros de muro.

Fiquei acampada lá com as meninas por um fim de semana inteiro produzindo arte, trocando ideias. De outros países? De outros países. Tinha Dinamarca, Rússia, tinha da Espanha. Então foi uma experiência muito legal também. Então a arte me levou para esse lugar e de ter essa troca com outras artistas, poder aprender ali, poder ajudar. Então foi uma experiência bacana também.

E como é que funciona, voltando aqui para a nossa realidade, as pessoas que te contratam, elas fazem um briefing, normalmente elas querem conduzir, te dão liberdade, como é que funciona normalmente?

É quando um cliente procura um artista, ele procura porque ele se identifica com o estilo de certa forma, com algum trabalho que aquela pessoa fez. Então, normalmente o cliente vem e diz, eu gostei disso aqui, queria algo parecido para mim. Já traz uma referência. Traz uma referência. Às vezes o cliente pode vir com referência de outros artistas também, mas é importante entender que cada artista tem a sua forma de fazer, seu estilo, então acaba que rola uma adaptação, mas a maioria dos clientes é tranquilo quanto a isso.

Depois disso, sim, vem um briefing com requisitos, coisas que precisa mostrar, ou a cor, ou... Enfim, a gente conversa. Eu gosto muito de fazer mood boards, que é pegar outras referências, inclusive de outros artistas e de outros temas, pra mostrar pra esse cliente, pra gente entender o que ele quer transmitir, entender a mensagem. Aí a gente trabalha num esboço pra provar essa arte e daí depois, sim, fazer a execução. Mas é um processo bem colaborativo.

E estabelecem prazos, porque eu fico pensando que a arte também não pode sofrer muita pressão, porque eu acho que prejudica. Às vezes você precisa ter confiança não exatamente quanto ao que você vai fazer, mas ao que você está sentindo. E esse processo envolve também o respeito a isso, ao seu tempo.

Eu normalmente, quando a gente se conhece, quando a gente conhece o nosso processo, a gente consegue mensurar o tempo. Então, eu sempre trabalho com prazos, gosto de trabalhar assim, até para o cliente saber tudo o que está acontecendo. Cronograma de quando vai ser entregue o esboço, quando vai ser ajustado, tudo certinho. É melhor assim, porque às vezes o artista que se sente muito à vontade, e a gente acaba procrastinando um pouco.

Então é bom ter datas, é bom fechar um cronograma certinho e entregar na expectativa do cliente. Claro que pode acontecer um atraso aqui e ali, houve algum problema, são seres humanos envolvidos, mas no geral eu não costumo ter problema com isso, porque eu já conheço o meu processo e eu sei como ele vai funcionar.

Sim, já domina a coisa, a situação. E passa, em algum momento, passa, eu sei que quanto mais a gente faz, mais a gente vai ficando bom naquilo, mas em determinado momento passa, conforme o desafio, um frio na barriga antes de começar alguma coisa assim. Sempre. Sempre. Todo trabalho.

Sim, muito, muito porque todo trabalho tem algum desafio alguma especificidade que vai que pode dar problema e a gente tem que estar sempre preparado pra esses problemas seja um erro que pode acontecer então eu gosto muito também de planejar todas as etapas da execução depois isso é um planejamento meu que não chega pro cliente mas eu gosto muito de fazer esse planejamento pra eu ter certeza de que eu vou entregar

E principalmente pela questão do tempo de execução, né? Porque pro cliente é importante que eu diga que eu vou entregar, mas pra mim é importante porque quanto mais dias eu trabalho, mais dinheiro eu tô perdendo, porque eu fiz um orçamento baseado num prazo X, num tempo de execução. E se eu demorar mais, é prejuízo pra mim. Então tem que balançar essa parte também. Sem falar que pode, inclusive, tá frustrando a expectativa, né? Se demora muito, assim. Sim, sim. O cliente quer ver pronto, né?

E teve algum desafiador de subir em andame, algum tipo de guindaste, alguma coisa assim?

Andaime sempre é um problema. Eu tenho perna curta, então não é tão fácil pra gente que é baixinha. Já tive problema, assim, de encomendar um andaime, o andaime chegar e chegar desmontado. E eu não consigo montar um andaime sozinha, não tenho essa experiência. Então esse foi um problema que aconteceu. Já aconteceu também com as plataformas, essas elevatórias. E aí era um problema que tinha uma árvore e fios de luz. Então tinha que estar sempre desviando desses dois elementos. Então sempre tem esses desafios com altura.

questão de segurança. E tu tens ajudante, alguém, uma pessoa que te acompanha, dependendo? Depende do projeto. Depende de projetos menores, não precisa, mas projetos maiores, principalmente se tem altura, é importante ter, além de todo o EPI, toda a segurança, é importante ter uma pessoa também para auxiliar. Sim. E tu, na tua casa, é possível imaginar que também tem intervenções nas paredes, em tudo?

Tem menos do que eu gostaria. Eu tenho uma no meu quarto que eu fiz antes da minha mudança, quando eu comprei apartamento, fiz reforma, aquela coisa. Eu tinha vários planos e acabei fazendo um no meu quarto, bem pequeno, assim. E aí eu tenho um pátio também. E ali eu tenho planos, mas é aquela coisa, né? Quando é pra gente mesmo, a gente vai postergando, mas vai acontecer.

Não, e eu imagino que tu também, atendendo a demanda das pessoas que te contratam, obviamente tu tem esse compromisso, então, tu teria que ter um momento, vamos dizer, mais ocioso para te conseguir te dedicar para as tuas coisas, né? Exato. Normal, faz parte.

Teve alguma experiência, a gente sabe que, às vezes, tu trabalha como freelance, a questão é essa, mas teve algum momento que tu trabalhou, até com a tua atividade antes de designer, numa equipe, e às vezes tu observava, enfim, que a mulher às vezes fica em segundo plano, a gente tem uma sociedade machista, eu digo isso porque a minha esposa...

ela é engenheira mecânica. Então, óbvio que nessa parte é muito mais manifesta isso. Mas a gente tem uma ideia que talvez no meio artístico isso não seja tão evidente. Mas eu acho que tem também no meio artístico. Tem, tem também, sim. Se tu sair na rua hoje e olhar os murais que tu vê, vai ver que a assinatura da maioria é de homens ainda.

muito também pela... Não culpa dessas pessoas especificamente, mas muito da nossa conjuntura social, enfim, dos desafios que a mulher já passa, desde sempre. A gente, às vezes, e é aquilo que eu disse antes,

É por isso que eu gosto de ter, que me satisfaz ver um trabalho pronto, porque eu sei que eu sou capaz. Porque a gente não acredita que a gente é capaz, porque a gente não é educada pra isso. A gente é educada pra outros caminhos. Perfeito. Então, pra mim, chegar nesse lugar e dizer, não, eu sou capaz de fazer, é dizer que toda mulher é capaz de fazer. Isso. Mas aí, nós temos, sim, menos artistas mulheres, né? Mas elas também, a gente acaba ficando um pouco de descanteio, porque a gente não tem essa...

às vezes a gente não consegue tomar conta pela falta da oportunidade. Então, e é isso, o artista, quanto mais conhecido ele é, mais chamado ele vai ser e quanto menos, né? Se retroalimenta. Exatamente, exatamente isso. Então acaba que a gente fica um pouco de escanteio, sim. E, de novo, não é culpa de artista especificamente, mas de todo o contexto. Uma conjuntura. É, exatamente.

Acho que até é um traço cultural. E eu acho que isso também agrega uma outra questão que tu falava ainda há pouco, que tu acha o muralismo desafiador, bacana, tu te identifica muito com isso. E eu acho também que depois de pronto ele traz uma ideia de validação para isso que tu acabou de dizer. Eu fui capaz, está ali, está a prova concreta disso, todo mundo vê isso, tem muito disso.

Sim, com certeza. E falar isso pra outras mulheres também, né? Ah, sim. Esse é o ponto. Eu tenho a minha validação pessoal, mas poder... Olha só, gurias, dá pra subir em andame, dá pra fazer esse tipo de trabalho. Não é um trabalho masculino, entendeu? Acho que isso é importante também.

Total. Então, como a gente está até falando dessa questão aí depois de pronto, quando nós, a gente de fora, que vê o trabalho pronto, está vendo aquilo lindo ali, mas dependendo do projeto, a gente nem imagina as dificuldades, que nem tu disse ainda há pouco, subir em andame, ficar, se submeter a um determinado...

grau de risco, questão da energia, que nem tu falou, mas tem isso, talvez para quem observa, não é muito tangível as dificuldades para executar o projeto, e eu acredito que o desafio dos projetos realmente são desafiadores.

Sim, tem vários níveis de dificuldade, dependendo do tamanho do projeto. Clima também interfere? Clima, se chover, se for na rua, não dá para pintar. Às vezes até interno, dependendo do material, da umidade.

A superfície também, uma parede descascada, uma parede de tijolinho, ela suga mais tinta, então talvez vai ter que precisar de mais demãos, vai precisar de mais tinta. Tem muitas variáveis que vão além do que se vê, né?

E essa questão, teve alguma experiência de fazer uma intervenção numa região, vamos dizer assim, mais de perfil de pessoas carentes, que, enfim, tinham pouca autoestima, e que esse impacto realmente trouxe uma transformação na vida das pessoas? Tu já passou por uma experiência desse tipo?

Sim, eu tive a oportunidade de fazer uma oficina, na verdade, aqui em Porto Alegre, na Casa Mirabal, que é uma casa de acolhimento de mulheres em vulnerabilidade, enfim. E a gente fez uma oficina pra pintar.

toda a extensão do muro da casa onde elas estavam acolhidas. E foi uma experiência, para mim, muito transformadora também, de ter contato com essas mulheres. A gente sabe, né? A questão de violência e tudo mais. Mas tu tá ali no meio delas e ouvir as histórias e, ao mesmo tempo, conseguir contribuir.

para que elas também façam a arte e também sintam um pouco desse poder de transformação e de que elas são capazes também de fazer coisas além do que elas costumam fazer, o que elas acreditam que elas podem fazer. Foi muito especial e teve esse sentimento que vem delas de participar, de colaborar e do legado que fica no local, que traz uma nova autoestima.

valoriza aquele espaço. Nesse caso específico, não foi só a tua intervenção, elas participaram? Elas participaram, sim. Foi uma oficina mesmo, que nós construímos o projeto juntas, definimos as cores juntas, pintamos juntas com a minha instrução ali, fiz ali as marcações, dizia para ela, faz assim, faz assado, e a gente construiu tudo juntos. Então foi uma experiência bem legal. E de quem foi a iniciativa para isso?

Foi de um projeto, agora até o nome do projeto é Olhe Pra Cima, que é um que também pinta murais aqui pela cidade, que está movimentando um pouco essa parte artística, que é do Vinícius Amorim. Foi, acho que, na primeira edição desse evento. E ele entrou com essa oficina como uma contrapartida também. E aí eu fui convidada para participar e pintar esse mural.

Tu participou, eu sei que algumas áreas que sofreram diretamente com a enchente, tiveram na sua recuperação, tiveram algumas intervenções dessa natureza. Tu teve alguma experiência com alguma área que teve da enchente? Na verdade é interessante porque essa que eu estava contando agora, da Casa Mirabal, a gente pintou esse muro, alguns rostos e os olhos das mulheres que a gente pintou no muro foram encobertos pela água.

E ficou bem na faixa dos olhos. Sério? Tem uma imagem muito emblemática, sabe? Porque elas ficaram afundadas nessa água. Então, foi muito forte aquela imagem. Ela foi usada na TV, apareceu no encontro da Patrícia Poeta. Porque foi uma imagem que ficou bem marcante. Mas eu não cheguei a trabalhar depois em nenhuma área que foi afetada.

Tem uma técnica, não sei se tem um nome específico ou se é só a criatividade do artista, que às vezes aproveita, por exemplo, uma árvore que acaba sendo o cabelo do personagem, alguma coisa assim. Tu já teve alguma situação onde tu improvisou com o local ali?

A gente sempre improvisa alguma coisa, mas eu fiz uma vez uma arte lá em Novo Hamburgo, no aniversário até de um artista, ele chamou vários artistas para a gente pintar umas paredes por lá. E o meu cantinho tinha esse espaço e tinha um buraco na parede na parte de baixo.

E aí eu pensei, o que eu posso fazer com isso? Porque eu não vou botar só mágica em cima e ignorar esse buraco. Então eu acabei fazendo uma figura feminina, que eu gosto de fazer, e aquele buraco virou o coração dela. Então eu fiz algumas coisas saindo do buraco, assim. Foi uma coisa meio que criada na hora, mas que ficou bem interessante. Então sim, a gente sempre tenta, né? Essa foi uma oportunidade legal.

Legal a capacidade do improviso ali, né? Sim. E referências em termos de artistas, assim, tu tem algum específico? Por exemplo, tem gente que tem uma identidade, um miró ou algo que o valha. Eu já vi lá no teu perfil, eu gosto muito, eu não sei como é o nome, eu não sei se é aquele artista francês que ele utiliza uma espécie de ilusão de ótica com as escadas, assim.

Eu acho aquilo espetacular. Eu me lembro como criança, eu ficava olhando para aquelas gravuras, e eu ficava tentando identificar uma lógica, horas parado olhando para aquilo. Eu vi que tu explora bastante isso. Que tipo de referências tu curte? Eu sou péssima com nomes de pessoas, mas eu tenho muitas referências, acompanho muitos artistas, gosto muito de artistas clássicos, Escher, Bosch.

Frida Kahlo. Eu me alimento muito desse universo, mas também artistas contemporâneos. Uma que eu gosto muito, que eu sempre cito, é a Tara McPherson, que tem um trabalho muito legal de figuras femininas também. É uma artista contemporânea. A Lauren. Eu não me lembro o sobrenome dela, mas também é uma outra artista de rua, de grafite mesmo, que faz um trabalho surreal de personagens femininas.

E detalhes infinitos. É um trabalho muito, muito detalhado. Então, sim, tem muitos artistas que me alimentam para continuar inspirada. E isso acaba gerando um caldeirão. Eu imagino que, às vezes, na hora que você vai desenvolver um projeto, isso flui ao natural. Penso eu, deve ser assim.

É, mais ou menos. Às vezes a gente tem que criar técnicas pra se inspirar, porque nem sempre a inspiração existe. Enfim, por N motivos. Nós somos seres humanos, sentimentos, isso tudo. Então eu gosto muito de observar e é isso. Tô sem inspiração, vamos olhar o trabalho dos outros, vou abrir um Pinterest, fazer alguma coisa nesse sentido. Mas pra alimentar os olhos com coisas que são boas. E isso acaba ativando a inspiração.

Tem a ver com o processo que tu disse que tu desenvolveu pra ti, né? Ou seja, tu não fica refém, assim, de um rompante que vem, assim, tu é intencional em relação a isso. Sim, sim. Faz parte mesmo desse processo. Como eu falei antes, que tem sempre o mood board, o mood board é essa etapa de eu olhar referências e me alimentar ao ponto de conseguir criar alguma coisa a partir disso.

Onde é que entra a inteligência artificial, se é que ela entra nisso tudo? Porque a inteligência artificial é uma ferramenta boa que veio para facilitar a vida da gente, mas eu acho que ela ainda é, em muitos aspectos, ela é...

super estimada, tá? As pessoas, é quase um, eu falo um hype, né? No meu ramo, como advogado, tem gente que diz, nossa, entrega a situação para um chat EPT e ele resolve o teu problema jurídico. E não é bem assim. Tem nuances, tem subjetividade, ele vai te dar alguns elementos para, talvez como ponto de partida, mas o detalhe, a vírgula, aquela situação muito peculiar, ele não pensa, né? Ele identifica padrões e nisso ele realmente não consegue 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82

atender satisfatoriamente. Está muito longe, eu diria. Como é que funciona no teu ramo a questão da IA? Do ponto de vista artístico, eu penso da mesma forma. A entrega ainda não chegou lá. A entrega é meio medíocre, vamos dizer assim. Mas tem pessoas que se contentam com isso. Então esse é um problema.

Porque acaba que tem, e muitas vezes até clientes que seriam menores, no caso, ou pessoas que não tem tanto poder aquisitivo ou dinheiro pra investir, acaba achando uma solução barata e que entrega uma coisa que visualmente parece apelativa e boa. Não que seja, mas pros olhos não treinados de uma pessoa é bom. Então, entra nesse hype aí de tudo ser feito por IA e tudo mais. Agora, na questão aí, mas como pessoal, como artista...

Eu acho sim que a gente tem que buscar entender essas ferramentas e como incorporar elas, mas eu não acredito na produção artística a partir delas. Perfeito. Eu acredito muito mais, eu quero muito mais que ela leia meus e-mails e responda... Ótimo. Como ferramenta para fazer o trabalho burocrático que eu não quero fazer. Porque meu trabalho de criar, ele é meu. Se eu perder a parte criativa, qual é o meu propósito?

como artista. Eu não tenho um propósito como artista se eu não crio mais. Total. Então, não me serve. Agora, pra me otimizar processos e fazer esse tipo... Tem também as questões éticas envolvidas, né? Que na geração de imagens ela acaba se alimentando de imagens de outros artistas. Então, tem também a questão ética envolvida. Então, assim, do meu ponto de vista, na produção artística mesmo, além de ela não ser capaz, 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82 82

Ela tira o meu propósito se eu for usar ela. E ao mesmo tempo, tu também não te vê ameaçada, né? Porque a gente não consegue imaginar um robô Android que vai pegar uma latinha de spray e chegar no muro lá e fazer alguma coisa assim. Eu acho que sempre...

a intervenção pessoal desse teu toque, da interação que tu tem com as pessoas, que aquele espaço está vinculado a alguém, seja como usuário, seja como dono, enfim, eu acho que isso não tem como, pelo menos penso eu.

É, não tem... Falta a emoção humana, né? Porque arte também é isso. Mas sim, tecnicamente, pensando... Até poderia se criar um robô. Aliás, tem. Existem máquinas feitas que pintam, ou até algumas que tatuam. Então, se especula, assim.

Mas vai ficar mais caro fazer assim do que fazer com um ser humano. Esse é um ponto também, pensando aí na conjuntura. Mas falta o valor humano, a interpretação humana dos sentimentos, daquilo que a gente quer expressar. Isso não tem como uma máquina reproduzir.

Mas sim, acontece, principalmente na parte de ilustração, eu conheço pessoas que estão com dificuldade de conseguir trabalho, porque tem os clientes que aceitam o medíocre e que acabam, né? Então, principalmente pessoas mais iniciantes na carreira têm mais dificuldade, porque essas pessoas mais iniciantes que pegariam os clientes menores, esses clientes menores preferem pagar uma IA que é ainda mais barata, ou eles acham que é mais barato, porque eles nem o orçamento fazem.

E, enfim, acaba que prejudica, sim, a nossa classe. Então, o futuro a gente não sabe. Se ela se aprimorar no nível de entregar o trabalho de um artista experiente, vai também, talvez, impactar.

com certeza, voltando para a questão da cidade que a gente falava antes e especificamente Porto Alegre Porto Alegre, a gente circula pela cidade, tem intervenções artísticas pontuais na Orla ali a região ali das Cuias ali também mais perto do estádio do Inter ali do Beira Rio e outros lugares assim, obviamente que tem algumas coisas antigas também lá no centro 82

mas a presença artística na cidade é pouco, ainda que a gente enxergue também grafite espalhado pela cidade, alguns prédios, mas em termos de quantidade é pouco. Tu teve a oportunidade de viajar, lá fora se valoriza mais em termos de cidade, se valoriza mais a arte.

Sim, comparando aqui, e não só falando de arte de rua, mas arte de forma geral, é uma experiência muito interessante a gente observar poder ir para cidades do interior, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa.

E sempre se deparar com uma galeria de arte, ou mais de uma galeria, até nas cidades de interior, com poucos habitantes. Então, o consumo de arte em outras culturas é diferente do que a gente tem aqui no Brasil. E aí, vindo para Porto Alegre, a gente vê muito isso. É muito pontual. Artista aqui, a grande maioria dos artistas, sofre para trabalhar com arte porque não tem mercado. Então, sim, é um reflexo, acho, da nossa cultura também.

E comparando, então, com essas outras experiências, é bem gritante como a gente não consome arte aqui.

E seria curioso, mas Porto Alegre, que eu acho que está com dificuldade de se encontrar em termos de identidade própria, de vocação, seria uma grande oportunidade se a cidade se voltasse mais para isso, se houvessem iniciativas, especificamente na questão dos murais, que isso fosse espalhado pela cidade, que fosse uma referência para que visitantes fizessem questão de circular por aqui para ver isso.

E isso, obviamente, não é uma coisa que acontece da noite para o dia. Mas cabe isso na nossa cidade, esse tipo de iniciativa, esse tipo de movimento? Com certeza, com certeza. A gente tem muito espaço, muito artista também querendo trabalhar, que nem eu falei. E poucas iniciativas para isso. Hoje a gente tem, até mencionei antes, do Vinícius Amorim, que tem o Festival Olho para Cima, que está trazendo esses murais aqui gigantes para a cidade, que é uma iniciativa muito bacana. Mas...

O que mais? Quem mais? Tem pouco, tem poucas iniciativas como essa que fazem aí, entram em editais do governo, conseguem verba, porque custa, tem um custo também. Ou clientes, pessoas, empresas dispostas a bancar.

tudo isso falta hoje como investimento mesmo pra gente trazer um pouco mais de arte pra Porto Alegre mas eu acho que tem muita oportunidade a gente poderia muito ser referência nessa questão de arte de rua especificamente, mas a gente pedala

É difícil. A gente conversava antes, em off, ali. Inclusive, a arte, quando ela está de forma ostensiva na cidade, parece que existe um código de conduta não escrito que ela, de alguma forma, inibe a própria pichação. Então, quando a gente vê a cidade com muito grafite, com muita intervenção, a gente vê menos a questão da pichação.

Então, até as pessoas que têm suas residências, seus prédios, suas casas, e se queixam da pichação, talvez seja até uma alternativa para inibir. Eu não sei, não existe um controle, mas é real isso. Onde tem intervenções, o pichador respeita. Acho que é isso.

Sim, tem um respeito, sim, na questão artística. Então, se tem uma arte, eles normalmente não picham em cima. Tem certos cuidados que a gente tem que tomar. Por exemplo, se eu for pintar uma parede hoje, cobrir a assinatura de alguém que já pichou ali antes, é possível que essa pessoa volte para...

É uma represária. Porque ela já era o espaço dela. Mas também acontece da gente conseguir conversar com essa pessoa, porque a gente tem contatos. Então, se a gente descobre quem é, pede autorização, a comunidade artística, nesse sentido, se conversa, eventualmente, para diminuir essas ocorrências. Então, a gente respeita dos dois lados. A gente, como muralista, respeita os pichadores, os grafiteiros e vice-versa. Mas, sim, é uma solução. Então, muitas casas, empresas, enfim...

prédios comerciais acabam adotando o grafite, o mural, como forma de inibir um pouco da poluição, entre aspas, da pichação. A pichação se enquadra como nisso? Óbvio que ela é uma manifestação social, mas ela também é considerada uma manifestação artística?

Sim, também é considerado, porque é uma forma de expressar, né? Esses grupos muitas vezes marginalizados ou invisibilizados, ou que não tem voz, é uma forma também dessas pessoas se expressarem. Então sim, é um movimento artístico considerado, mas é bem polêmico.

Porque, claro, ele causa um desconforto. Não é o mesmo conforto que a arte causa. Exatamente. Mas é uma forma dessas pessoas, às vezes, se sentirem parte da cidade, ou se sentirem pertencendo a esse lugar é meu, eu assinei aqui. Então existe esse caráter artístico também. Mas, claro, aí pensando esteticamente, sim, se questiona e tudo mais, mas é um equilíbrio, de novo, uma conversa que é importante ter.

E também, obviamente, a gente vê a pichação tem muito a ideia de ocupação, de espaço, não fisicamente, mas está ali a marca. Exato, exato. Eu estava vendo, tem um livro que eu acho interessante, provavelmente você conhece, Arte e Medo. E esse livro, uma das discussões que ele traz ali,

é que muitos artistas desistem por medo do fracasso ou do julgamento. E isso eu achei curioso, porque no resto da nossa vida está presente uma das coisas que as pessoas têm medo de gravar vídeos, de aparecer nas redes sociais, é o julgamento. E obviamente que o artista passa por isso.

No teu caso, considerando o papel em branco, muitas vezes é uma parede gigante, ou um espaço público ou corporativo, como é que tu lida com esse medo do erro, com a pressão do julgamento externo, já que a tua arte fica exposta?

É, isso é real. Ainda mais hoje em dia que todo mundo vê tudo em redes sociais. Então, o julgamento é ainda muito maior. E ainda além porque as redes sociais permitem que as pessoas sejam maldosas por trás. Então, elas vão falar o que elas realmente pensam. Então, sim, a gente tem esses receios. Mas, ao mesmo tempo, como parte de execução e tudo mais...

Uma coisa que eu incorporei pra mim é que o erro na execução, ele pode ser coberto. Tinta cobre tinta. Então, eu abracei esse mantra, vamos dizer assim, pra perder o medo de fazer.

Então esse é um dos medos que a gente supera com um pouco de terapia mesmo. Vai errar. O erro ele vai acontecer. Isso vem dos artistas clássicos também, de outras escolas que incorporam o seu erro que corrigem ou que fazem alguma coisa com ele. Então esse pensamento esse objetivo a gente tem que ter essa clareza a gente tem que ter. Vai acontecer. Vai dar problema.

E vamos resolver. Ponto. Aí, claro, o medo do julgamento, o medo de aparecer. Aí são questões mais profundas, né? Porque elas são muito mais individuais. Do meu ponto de vista, eu nunca vou ser perfeita, nunca vou chegar no nível que a gente, como artista, gostaria de estar, porque é sempre uma busca incessante por uma perfeição que não existe.

mas também se eu me acovardar e se eu me esconder, aí mesmo que eu não chego. Então, de novo, é superar a gente, superar as barreiras que nós mesmos criamos e lançar pro mundo e seja o que Deus quiser, né? Mas é isso.

Esse tipo de dificuldade, tu te resolve sozinha? Tu busca apoio de uma pessoa? Tu tem alguém que te apoia? Tu faz análise? Como é que tu tem algum suporte para isso? Ou tu sozinha busca resolver isso?

Eu sou bem resolvida, assim. Tenho muita clareza dessas questões. Tenho conhecimento das minhas limitações, de onde eu gostaria de estar e não estou. Mas eu também sei que apoio é importante. Então, os meus amigos são muito importantes nesse sentido. O meu marido é o maior incentivador que tem. Porque ele me bota num pedestal, assim, que às vezes eu falo menos, menos, um pouco menos.

Então, meu suporte emocional vem muito dele e dos meus amigos também, que estão sempre comigo. E é isso, incentivando e falando, nossa, que legal. Ou até comprando uma tela, sabe? Investindo mesmo. Acho que vem daí o alimento.

Legal mesmo. Uma outra questão. Grandes obras, como a Capela Sistina, de Michelangelo, foram trabalhos comissionados, foram trabalhos pagos. A gente, muitas vezes, fica idealizando o artista como se fosse uma coisa meramente espontânea.

Como é que tu equilibra a tua visão criativa pessoal com as demandas práticas e comerciais, por exemplo, das pessoas que te contratam para fazer intervenções nos imóveis? Tu sente que ter um cliente como um proprietário, alguma coisa, limita a arte ou não? De alguma forma, nada a ver em relação a isso.

Eu acho que não. Eu acho que ter um cliente nos traz novos desafios. Coisas que talvez a gente não faria se fosse por conta própria. Então eu acho legal ter cliente. Na verdade, eu até... Aí a falha minha, eu tenho produzido muito pouco trabalho pessoal. Porque eu tenho trabalhado muito mais pra cliente.

mas eu continuo ativa por conta dos clientes também. Então, para mim, é importante isso, e é importante o desafio de pedir algo que sai da minha zona de conforto. Isso vem do cliente, na maioria das vezes. Então, acho importante, acho necessário para a gente também. E a gente também, como artista...

se vender nesse sentido inclusive para se sustentar então essa relação comercial ela precisa existir para o artista sobreviver e agora a gente falando que é necessário também se mostrar nas redes sociais obviamente que tu deve documentar muita coisa que tu faz até porque isso gera conteúdo

Mas também isso é um desafio, porque no meio do teu processo, do teu comprometimento, daquilo que tu, às vezes, que nem a gente entra num flow, às vezes, de atuar, também é complicado ficar com compromisso.

em termos assim, de ter que estar produzindo conteúdo, de ter que estar se documentando. Isso às vezes não parece, eu não sei a tua sensação, mas não parece às vezes chato ter esse compromisso de ficar produzindo conteúdo para se mostrar, mas ao mesmo tempo se tu não te mostrar, ninguém fica conhecido. Enfim, como é que tu administra isso? Eu não sei se... Eu falei de um viés meu, mas como é que acontece contigo? É a mesma coisa. A gente tem esse problema, sim, tem muito esse problema de...

essa necessidade de se mostrar e de produzir o conteúdo, mas de não querer fazer isso porque isso é outro trabalho, né? É uma outra função que a gente tem que aprender, entender de edição de vídeo, de captação, de algoritmo, sabe? É um universo todo diferente, e tu sabe bem, e que a gente tem que entender pra fazer o nosso negócio girar.

Então, não é um trabalho que eu gostaria de ter. Eu faço pouco, inclusive. Eu até registro de documento. Reconhece. Exato. Mas, às vezes, eu não edito. Eu deixo lá. Eu tenho um trabalho, inclusive, que acho que dá uns dois anos guardado que eu nem postei porque eu não editei, porque eu não fiz. Então, assim, porque é mais um trabalho. Eu já estou trabalhando tanto, eu não quero fazer mais um. Mas é isso. Se não faz... É do jogo. É. Se não faz, não é visto.

É muito louco. E a gente está falando isso agora e a primeira coisa que me ocorre é aquelas... Às vezes o pessoal documenta, por exemplo, um show emblemático de algum artista que as pessoas não estão ali curtindo. Estão todas com o celular gravando e olhando para o celular. Daí eu sei, poxa, parece que o compromisso maior é de documentar aquele momento legal nas redes sociais do que efetivamente estar ali curtindo aquilo numa imersão. E tem um pouco a ver com isso que a gente está falando. É muito louco isso.

Sim, eu até tenho um trabalho que eu comecei a fazer, comecei a documentar. E aí eu vi que tava me dando um trabalho, porque eu parava o processo pra gravar, não sei o quê. Quer saber? Eu vou gravar ou só vou tirar uma foto no final e pronto. Não gravei. Desisti de gravar, porque eu queria aproveitar o momento, sabe? É exatamente isso. Ah, legal mesmo. Uma outra questão.

A gente, enfim, no mercado imobiliário, a aprovação do cliente, a valorização do imóvel, são métricas importantes. Mas para ti, o que mais pesa? A aprovação do mercado, dos críticos ali, ou a tua própria aceitação e satisfação daquele processo, do resultado final?

Eu acho que num trabalho comercial que eu estou entregando um projeto comissionado, o cliente tem que estar satisfeito. Perfeito. Eu não vou estar feliz se o cliente não estiver. Inclusive já aconteceu comigo de eu orçar um projeto, fazer o esboço. Aliás, aconteceu só uma vez, mas aconteceu. O cliente olhar e dizer não gostei.

E aí, pra mim, foi um baque, assim, porque é uma coisa que a gente não costuma ouvir muito, né, de cliente não gostei. Ele, às vezes, fala, ah, vou mudar isso, vou mudar aquilo, mas não, não gostei de nada. Apesar de ter tudo que a gente tinha conversado, a pessoa não gostou. Mas eu entendi que aquela pessoa, ela não queria uma arte em si, ela não queria. Foi um projeto, na verdade, que ela ia ganhar de presente.

Então, ela não enxergava aquilo pro espaço dela. E eu falei isso pra ela, foi bem tranquila a conversa, mas disse, olha, eu acho que tu não precisa de uma arte pra esse espaço. Eu acho que tu realmente não quer. Então, não adianta, eu posso fazer o projeto, outro artista pode fazer e eu acho que tu nunca vai gostar. E a gente conversou e chegamos à conclusão de que aquele projeto não ia acontecer. E não aconteceu hoje, não existe o projeto lá no espaço dela.

Então, tem que ter esse entendimento também. Porque o cliente vai olhar praquilo todo dia.

E se ele olhar praquilo todo dia ele achar ruim, eu tô acabando com a vida da pessoa, tô fazendo a vida dela pior, sabe? Porque ela tá tendo um sentimento ruim quando vê, e esse não é o objetivo. Então, acho que pra mim isso é mais importante, sim. É que o cliente tenha satisfação e que esteja feliz e que se sinta bem. Porque a arte também é pra evocar esses sentimentos bons e não... enfim.

Ou seja, nessa experiência que você está trazendo, mais do que o resultado da obra em si, é que a pessoa não havia interesse na intervenção naquele espaço, uma obra dessa natureza.

Era uma coisa mais profunda da pessoa. Isso, era da pessoa mesmo, porque ela ganhou de presente. Na verdade, um sócio dela sugeriu, ele gostava da ideia, gostou do meu trabalho, me chamou para conversar, eu fui lá e conversei. E aí, nessa conversa, ela me falou, eu não sei muito bem se eu queria, mas ele me mostrou ali umas referências e eu gostei, acho que vai ficar legal. E aí eu senti que ela estava incerta, que ela não tinha certeza daquilo. Sim.

Mas a gente foi adiante, porque, né, eu pensei, não, ela vai, quando ela vê pronta, ela vai achar maravilhoso, né? E fiz o projeto, botei tudo que ela queria, ficou... Eu gostei muito, queria muito ter feito o projeto, mas não adianta eu fazer o projeto e a pessoa não ficar satisfeita. Então, mas assim, era uma questão dela, né? Nesse caso era específico dela.

E as empresas? Que tipo de empresa é mais comum se interessar? Um restaurante? Enfim, uma clínica estética? Quem mais tem essa iniciativa? Eu acho que não existe limitação nisso. Eu já trabalhei muito para empresas de tecnologia, porque é um nicho que eu já atuo com design, então eu tenho mais contatos e consigo entrar nesse mercado.

Mas eu já fiz clínica de estética, já fiz residência. Então existe mercado em todas essas áreas. É muito de onde o artista consegue se colocar e os contatos que ele faz, a rede, o network e tudo mais.

E eu acho que também, de alguma forma, entra também o open mind do empresário, do dono do empreendimento, que valoriza esse tipo de intervenção, porque não é muito clássico, arregado. Porque também, às vezes, tem empresários que são muito de otimizar. Enfim, compra a tinta mais barata, que seja o branco, o gelo, enfim, é por aí.

Já outros estão mais preocupados com a experiência daquele que é o seu cliente, que vai conviver mesmo dos seus colaboradores. Às vezes tem um pouco essa preocupação. E agora se fala muito na NBR 1, eu acho que é. Ou seja, existe uma norma agora que já era para ser aplicável e atrasou um pouco.

que as empresas têm que se adaptar para proporcionar boas condições psicológicas para os seus colaboradores. Claro que isso às vezes passa por uma questão de assédio moral, uma coisa mais agressiva, mas também isso pode passar por um ambiente prazeroso, onde as cores que são utilizadas, uma intervenção artística, alguma coisa que foi pensada para que as pessoas...

vai vir aqui um especialista um psicólogo para conversar sobre a questão do burnout, as pessoas se sentem muito pressionadas e isso é real hoje em dia então de alguma forma combater isso através da arte, eu acho que a arte tem esse papel também

Sim, sim. Acho que trazer a arte para o ambiente corporativo, de empresa, ela traz uma leveza, ela traz uma descontração naquele ambiente. Não é uma parede branca que eu vou olhar aquela parede branca todos os dias. Sempre tem alguma coisa para descobrir numa peça de arte, ou enfim, para inspirar. Então, acho que...

Trazer esse movimento artístico, seja mural, sejam outras peças de arte, né? Porque não traz escultura, tela, que seja para o ambiente em si, corporativo. É uma forma também de deixar um pouco mais... Aliviar um pouco as coisas e não ficar tão engessadas. Claro que não é toda empresa que...

tem abertura para isso, mas poderia ter, porque não. Com certeza. E você tem muito contato com arquitetos, por exemplo, que eu imagino que arquitetos, não só pela formação que você teve um pouco de arquitetura, mas eu acho que a arquitetura lida muito com essa questão do ambiente, além de funcional, bonito. Você também tem muitos contatos com arquitetos?

Sim, muitas vezes arquitetos vêm fazer o orçamento para o cliente. Normalmente clientes residenciais, pessoa física mesmo, eles têm o projeto em mente e preveem ali um espaço para a arte e aí vem para a gente orçar. Então é bem comum acontecer. E tem alguma coisa nova de tendência que está surgindo de fazer, de utilizar material, as coisas... Existe, por exemplo, nesse tipo de intervenção alto relevo? Eu não sei.

Pode existir, pode existir sim. Eu não sei se hoje em dia tem alguma tendência diferente em termos de material, mas tudo é possível, né? Claro que cada artista saber trabalhar com material. Eu, por exemplo, não saberia aplicar hoje uma técnica com algum tipo de gesso, enfim. Mas tem artistas que fazem. Então, é muito que nem com colagem também, com tapeçaria. Existe também mural que envolve tapeçaria. Então, tem...

misturar técnicas é bem comum na arte em geral. Então, levar para a parede é só uma consequência. É válido. E quando termina a obra, existe uma recomendação? Olha, enfim, não pode lavar, tem para manutenção, para que aquela obra dure o mais tempo possível. Qual é o tipo de cuidados que a pessoa tem que ter?

Se for em área externa, é importante envernizar um verniz UV. Ah, sim. Depois que termina, envernizar. Isso, isso. Isso a gente pode fazer, o artista faz ou o artista contrata. Uma película de proteção. Exatamente, porque aí as cores não desbotam. Porque normalmente a tinta que a gente usa desbota muito fácil no sol. Em questão de um ano ela já desbotou. Então, com o verniz previne isso. Internamente.

Evitar esfregar com o lado verde da esponja. O clássico abrasão. Evitar abrasão é o básico. Mas não tem muito... O material que a gente usa é bem resistente. No geral, é tinta de parede normal ou a tinta spray é mais resistente ainda. Então, ela sobrevive muito tempo.

Mas claro que algumas coisas, arranhar e tudo mais, é possível um móvel, às vezes, que vai arranhar na frente. Esse tipo de cuidado básico com a parede que a gente já tem na parede. Sim, normal. Obviamente que se a pessoa tem pet em casa ou criança, vai ter que evitar que tenha muita exposição a riscos.

finalizando aqui já que a gente está chegando no final da nossa conversa como é que tu vê a tua evolução artística, como essa rotina de produção intensa e a repetição desses desafios te ajudaram a encontrar a tua própria voz ou a tua linguagem visual

Eu acho que eu ainda tenho muito pra aprender. É assim que eu me enxergo hoje. Eu tenho muito pra fazer. Eu ainda tenho muitas curiosidades de materiais que eu não experimentei, de superfícies que eu não pintei, de tamanhos que eu não atingi.

Então hoje, tudo que eu já vivi, tudo que eu já produzi, eu aprendi que eu não tenho limitações, que eu posso fazer o que eu quiser, mas eu tenho que fazer, eu preciso fazer. E eu quero fazer. Então hoje é assim, o meu objetivo é continuar fazendo. E aí, claro, e experimentando, né? Experimentando todas essas possibilidades que a arte nos dá.

Mas tu percebe, até aqui na tua jornada, uma evolução, vamos chamar de uma transformação, exatamente.

Sim, sim. Tanto técnica quanto pessoal. Acho que tem as duas coisas, né? Tanto a gente, claro, como ser humano a gente evolui, né? Ou a gente espera que a gente evolua com a vida. Mas tecnicamente, sim, também. Justamente por essas experimentações, hoje eu me sinto muito mais capaz de muitas coisas que eu achava que não eram. E me sinto capaz de coisas que eu nunca fiz ainda. Sim.

justamente por isso que eu estava comentando, eu sei que eu posso não ter feito, mas eu sei que eu consigo fazer, é só fazer. Então tem esse autoconhecimento que a gente acaba adquirindo com o tempo.

Espetáculo. Deixa eu ver uma coisa contigo. Quem tiver interesse, as pessoas que, enfim, se identificaram conversando aqui, escutaram a nossa conversa e acabam, de alguma forma, tendo interesse em entrar em contato contigo, como é que as pessoas podem te achar? No Instagram. No Instagram, não tem erro, é arroba anichutz. Anichutz, S-C-H-U-T-Z.

E, obviamente, que funciona como um portfólio. Tu coloca praticamente tudo que tu faz lá. Sim. Bacana mesmo. Tu vê, estamos chegando ao final aqui, quase fechando uma horinha dessa conversa. Muito legal. Para mim foi, assim, reveladora. Eu me sinto sensação do dever cumprido, porque esse era um tema que eu estava horas querendo explorar e eu acho que foi bem oportuno. Deixa eu dar os recados final aqui.

Quem escutou a nossa conversa, quem efetivamente nos acompanhou até aqui, ou quem gosta desse tipo de conteúdo, pode curtir aí, se inscreve para acompanhar os novos episódios. Segue também o programa no Spotify, isso nos fortalece bastante. E deixa uma avaliação, gostaria muito de saber. Anne, mais uma vez, super obrigado, adorei essa conversa. Eu que agradeço, obrigada pela oportunidade. Valeu, obrigado a todo mundo, tchau.

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