O que esperar do encontro Lula-Trump
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Vera
Renadeja
Bruno Carazza
- Encontro Lula-TrumpComércio internacional · Tarifácio · Relações Brasil-EUA · Agronegócio brasileiro · China
- Investigação EUA contra BrasilRedes sociais e liberdade de expressão · PIX · Empresas de cartão de crédito americanas · Meta · Banco Central
- Minerais críticos e terras rarasIndústria da nova tecnologia · Reservas minerais · China · Brasil
E vamos falar mais cedo, receber mais cedo o nosso colunista Bruno Caraza, todas as quartas-feiras conosco. E aí, Bruno, tudo bem? Boa tarde. É, noite já. Boa noite. Boa noite, Vera. Boa noite, Renadeja. E boa noite para todos vocês que estão acompanhando. Boa noite, Bruno. Hoje está tudo diferentão aqui. Bruno, nosso assunto é justamente a visita do presidente Lula a Washington. A gente já tratou em reportagem.
mais cedo, mas queríamos ouvir você. Por quê? A gente sabe que esse encontro vai testar se a tal química entre os dois continua valendo, mas ele tem temas muito importantes colocados sobre a mesa. Um deles passa pelo comércio internacional. Como é que ficaram as relações entre Brasil e Estados Unidos depois das reviravoltas em relação ao tarifácio? E o que ainda tem para ser negociado nesse capítulo?
Pois é, Vera, é uma reunião que tem um cunho político, geopolítico, diplomático, mas também tem um cunho econômico muito relevante. Do ponto de vista comercial, o Trump abalou as relações entre os países, quando ele...
Adotou o tarifácio, coisa de um ano atrás, em abril do ano passado E por incrível que pareça, do ponto de vista das relações entre Brasil e Estados Unidos Acabou sendo um tiro no pé, porque o tarifácio
ele afetou tanto a quantidade de mercadorias que a gente vende para os Estados Unidos, quanto afetou também a quantidade de mercadorias que os Estados Unidos vendem aqui para o Brasil. Então, essa medida acabou encolhendo as trocas comerciais entre Brasil.
com o primeiro trimestre do ano passado, que foi antes do tarifácio, as trocas entre Brasil e Estados Unidos caíram 15% nesse período. E aí houve uma queda tanto de exportações quanto de importações. E vários dos produtos brasileiros foram prejudicados nas vendas do Brasil para os Estados Unidos, principalmente as vendas de produtos do agronegócio brasileiro, que é muito relevante para a economia aqui no Brasil. Então...
Então destravar essa agenda é muito importante para diversos setores da economia brasileira. E por incrível que pareça, essa medida do tarifácio do Trump acabou jogando o Brasil mais próximo do principal rival dos Estados Unidos, que é justamente a China. Enquanto as exportações do Brasil para os Estados Unidos, por exemplo, caíram 19%.
ano passado, nossas vendas para a China subiram mais de 21%. Então, enquanto o Trump fecha o mercado para o Brasil, o Brasil acaba direcionando os produtos para a China, o que vai contra essa agenda de aproximação entre Trump e Lula.
E, Bruno, os Estados Unidos também com uma investigação aberta contra o Brasil, que trata de vários assuntos. Tem o Pix, tem as redes sociais. O que tem em jogo nessa frente das negociações?
Então, é uma pauta que aparentemente tem a ver com essa questão de redes sociais, com liberdade de expressão, mas na verdade a gente está falando de negócios. Tanto na relação de regulação das redes sociais, que é um assunto que permeia discussões tanto no Congresso quanto no...
que os Estados Unidos abriram contra práticas supostamente desleais do Brasil em relação à economia brasileira e um dos argumentos é o PIX. No caso do PIX, as empresas de cartão de crédito americanas, em associação com a Meta, tinham um interesse muito grande de lançar um sistema de pagamentos digital no Brasil, estavam se preparando para isso, mas o Banco Central acabou sendo mais rápido na arquitetura.
do PIX. Então, esse mercado que poderia ser ganho por essa associação de empresas financeiras americanas e a meta acabou sendo capturado pelo PIX e é um processo irreversível. Nessa questão das relações de meios de pagamento, vale aquela máxima do the winner takes it all, aquele que chega primeiro ganha o mercado todo, que foi o que aconteceu com o PIX.
O PIC se popularizou no Brasil, a população brasileira usa o PIC massivamente e aí é muito difícil que isso seja revertido por uma decisão do Trump. Então é mais uma medida que o Trump vem tomando aí nessa área da investigação, mas que tem pouco potencial de se reverter aí em medidas concretas que abalem o funcionamento do PIC.
E para a gente fechar, Bruno, eu queria te ouvir sobre um outro assunto que vai estar na mesa, que é a negociação sobre terras raras e minerais críticos, que coincidentemente está também na pauta do Congresso. Quais são os interesses em jogo aí e qual a conveniência de se discutir isso nesse momento? Não tem conveniência nenhuma nesse caso, não é, Vera? Na verdade, é um interesse muito grande que o Trump tem.
eles se tornaram fundamentais para a indústria da nova tecnologia.
E a China acabou saindo na frente, ela acabou assegurando para si as principais reservas desses minerais estratégicos no mundo todo, desenvolvendo uma capacidade de refino e de aplicação muito grande e os Estados Unidos estão...
nesse processo. O Brasil tem reservas muito grandes de muitos desses minerais, das terras raras e outros minerais críticos e os Estados Unidos estão de olho nessas reservas e isso acaba sendo um trunfo que o Brasil tem e que o Trump, e que o Lula certamente vai levar para essa negociação com o Trump amanhã. Resta saber se a gente vai saber aproveitar essa...
para os próximos anos. Certo. Sua citação ao ABBA não passou despercebida pelos ouvintes aqui, viu, Bruno Caraz? É uma máxima que vale para a economia também. É isso. Está certo. Até quarta que vem. Obrigada por hoje, Bruno. Tchau, tchau, gente. Um abraço.