Superávit do Brasil pode resistir a Trump, Conselho aprova etanol a 32%, home office de servidores
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Começamos pelo comércio exterior: o Brasil caminha para registrar o segundo maior superávit de sua balança comercial este ano, apesar das tensões com os Estados Unidos. No primeiro semestre, as exportações atingiram o recorde de US$ 184,8 bilhões, impulsionadas pela demanda chinesa por commodities como soja e petróleo. Enquanto as vendas para os EUA recuaram 13%, atingindo o patamar histórico mais baixo de participação (9,4%), a China consolidou-se como principal parceira, respondendo por 31,6% das exportações. Segundo Livio Ribeiro, pesquisador associado do FGV Ibre, a expectativa de impacto do novo "tarifaço" de 25% proposto pelo governo americano é considerada baixa, uma vez que o Brasil tem conseguido compensar perdas diversificando mercados, especialmente na Ásia.
Na sequência, a matriz energética e o bolso do consumidor: o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. A medida visa reduzir a dependência de petróleo importado, cujo preço disparou para US$ 86 o barril após novos conflitos no Oriente Médio. Entretanto, o alívio nas bombas pode ser sutil. De acordo com André Braz, coordenador do IPC do FGV Ibre, o impacto tende a ser pequeno e mais perceptível na margem do que como uma queda expressiva para o motorista. Para o especialista, o efeito no IPCA deve ser limitado, já que o preço final depende de variáveis complexas como câmbio, impostos e margens de distribuição.
E mais: a consolidação do home office no serviço público federal. Atualmente, um em cada cinco servidores ativos no Brasil trabalha em regime remoto, seja híbrido ou integral, somando quase 108 mil pessoas. O modelo, que cresceu 28% em relação a 2024, é sustentado pelo Programa de Gestão e Desempenho (PGD), que troca o controle de ponto por metas de produtividade. Pastas como o Ministério da Gestão e Inovação e o Ministério da Fazenda lideram a adesão, com mais da metade de seus quadros em teletrabalho. No entanto, Gabriela Nunes, professora da FGV, ressalta que o modelo impõe desafios à cultura organizacional, destacando a dificuldade de manter o engajamento e a equidade na distribuição de tarefas entre equipes distribuídas.
👉 Créditos jornalísticos: Estadão, GaúchaZH, Extra
👉 Produção: Nícolas Queiros, Davi Afonso, Eduardo Bittencourt
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