El Niño e alta de preços, vaquinhas eleitorais, tribunais descumprem decisão do STF
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Começamos pelo impacto climático na economia: o fenômeno El Niño entrou no radar do governo federal devido ao risco de elevar os preços de alimentos e energia no segundo semestre de 2026. Com a possibilidade de um fenômeno de forte intensidade, o mercado já projeta um acréscimo de 0,3 ponto percentual na inflação deste ano. Segundo Amanda Schutze, coordenadora do FGV Clima, o fenômeno deve ser encarado como um "choque macroeconômico" que afeta desde a logística até a infraestrutura e o PIB. Em resposta, o governo instalou uma sala de situação no Palácio do Planalto e destinou R$ 337,5 milhões para o combate a incêndios florestais, a maior dotação da série histórica.
Na sequência, o financiamento das eleições de 2026: as chamadas "vaquinhas virtuais" já arrecadaram quase R$ 3 milhões para os 10 pré-candidatos mais apoiados. Renan Santos, do partido Missão, lidera o ranking com mais de R$ 1,1 milhão recebidos. Para Marco Antonio Teixeira, professor da FGV, há uma correlação direta entre o apoio financeiro e a força nas redes sociais, beneficiando políticos que já possuem engajamento digital consolidado. A modalidade é estratégica especialmente para siglas menores e com poucos recursos do Fundo Eleitoral, enquanto grandes nomes como Lula e Flávio Bolsonaro ainda não iniciaram suas campanhas de arrecadação online.
E mais: o descumprimento do teto constitucional no Judiciário. Pelo menos sete tribunais estaduais pagaram salários acima dos limites estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em maio, utilizando brechas em resoluções do CNJ e do CNMP. O levantamento aponta que 616 magistrados receberam vencimentos superiores ao teto, com casos extremos como o de uma juíza do Distrito Federal que recebeu R$ 495 mil após a aposentadoria. Para Vera Monteiro, professora da FGV, o cenário reflete conflitos de interpretação e uma "luta de poder" entre as cortes, classificando os pagamentos excessivos como um dano ao patrimônio público.
👉 Créditos jornalísticos: Valor Econômico, Portal G1, Folha Online
👉 Produção: Nícolas Queiros, Davi Afonso, Eduardo Bittencourt
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Radar Drops, informação para o seu dia. Olá, hoje é 6 de julho, começa agora o Radar Drops, informação para o seu dia, sob curadoria do FGV Notícias. O boletim de hoje destaca os impactos econômicos do El Niño, a alta nas vaquinhas eleitorais e a questão dos supersalários no Judiciário. Impactos econômicos do El Niño e a atenção do governo. Pois é, esse fenômeno climático entrou com tudo no radar de preocupações federais. E olha, não é só pela mudança no tempo, não.
A questão aqui é que a gente está falando de um verdadeiro choque macroeconômico. A expectativa de um El Niño forte agora no segundo semestre tem o potencial de afetar a agricultura, a geração de energia e até dar aquele empurrãozinho chato na inflação, em cerca de 0,3 ponto percentual. Isso pode inclusive limitar o ritmo de queda da taxa de juros no país. E a resposta do governo já está em andamento. Uma sala de situação foi criada lá no Palácio do Planalto para acompanhar tudo de perto.
Além de monitorar infraestruturas supercríticas como as bacias hidrográficas e os reservatórios de água, um orçamento histórico de R$337,5 milhões foi liberado. Esse dinheiro todo vai direto para o reforço das agências ambientais, com foco total na prevenção e no combate direto a incêndios e ao desmatamento. Para a gente entender melhor o tamanho desse impacto, a professora e coordenadora do FGV Clima, Amanda Schutz, explica que os modelos climáticos apontam uma probabilidade enorme de efeitos bem severos em diversos setores da nossa economia.
A especialista da FGV bate na tecla de que os riscos climáticos precisam, de uma vez por todas, ser incorporados permanentemente ao planejamento econômico e às estratégias de investimento do Brasil. Ou seja, o clima precisa receber exatamente o mesmo nível de atenção que os riscos fiscais e cambiais já recebem. Vaquinhas eleitorais em alta: arrecadação digital milionária para 2026. As campanhas de financiamento coletivo na internet estão com números impressionantes.
Pra se ter uma ideia, apenas 50 dias depois da liberação pela Justiça Eleitoral, os 10 pré-candidatos que têm o maior apoio já juntaram quase R$3 milhões. É muito dinheiro rolando em pouco tempo. O topo desse ranking de arrecadadores é liderado por Renan Santos, que já passou da marca de R$1 milhão. Logo atrás, a gente encontra nomes como Jones Manoel, Marcel Van Hattem, Rodrigo Espada e Kim Kataguiri. E tem um detalhe super interessante nessa história toda: os pré-candidatos daqueles partidos maiores, que já vão receber uma fatia gigante do fundo eleitoral público, ainda nem começaram as campanhas de arrecadação na internet.
O resultado? Esse espaço acaba sendo totalmente dominado por siglas menores que estão sabendo maximizar essa ferramenta ao extremo. E todo esse sucesso financeiro tem uma explicação muito clara. O cientista político e professor da FGV, Marco Antônio Teixeira, esclarece que existe uma ligação fortíssima entre o sucesso dessa arrecadação e uma presença massiva nas redes sociais. O professor da FGV explica que a internet atrai um perfil novo de militante.
São pessoas que atuam totalmente fora daquelas estruturas de partido tradicionais. Sabe o eleitor que não vai necessariamente para rua segurar bandeira, mas que é super mobilizado no ambiente digital? Pois é, ele pega todo esse engajamento e converte direto em apoio financeiro. Supersalários no Judiciário e como tribunais driblam a decisão do STF. Pelo menos 7 tribunais estaduais estão dando um jeito de contornar uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal para continuar fazendo pagamento de supersalários aos magistrados.
A gente está falando de pagamentos que ultrapassam e muito o teto constitucional do funcionalismo público, que hoje está fixado em R$46.400. O tamanho dessas cifras é de cair o queixo. Só no mês de maio, os dados mostram que 616 juízes e desembargadores receberam valores imensamente acima do teto. O caso mais extremo e chocante desse período foi o pagamento de incríveis R$495 mil em um único mês para uma juiz aposentada no Distrito Federal.
Um valor astronômico que foi impulsionado principalmente por indenizações de férias não tiradas. Mas como essa manobra administrativa é feita? É através de uma resolução conjunta editada pelo Conselho Nacional de Justiça e pelo Conselho Nacional do Ministério Público. Essa norma interna simplesmente recriou uma série de benefícios que já tinham sido extintos lá atrás, abrindo uma brecha imensa. Na prática, os tribunais usam isso para flexibilizar ou até ignorar por completo o limite super rigoroso de 35% para o pagamento de penduricalhos.
Um limite que, vale lembrar, foi estabelecido como regra pelo próprio STF. A professora de Direito Administrativo da FGV, Vera Monteiro, avalia as atitudes dessas cortes de forma bem incisiva. A especialista da FGV aponta que os tribunais estão adotando interpretações totalmente equivocadas, feitas sob medida para beneficiar os próprios colegas, e não hesita em chamar toda essa movimentação financeira de um verdadeiro saque do patrimônio público.
É uma situação escancarada que mostra as tensões gigantescas em torno do controle de gastos dentro do próprio sistema de justiça. Esse foi o Radar Drops de hoje. Esse episódio foi produzido a partir das principais contribuições de especialistas da FGV em matérias veiculadas na imprensa. Voltamos amanhã com mais um programa. Até lá!