Camisa da seleção une torcedores, Brasil há 1 ano fora do Mapa da Fome, menos crianças com celular
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Começamos pelo resgate da "amarelinha". Após anos de forte associação com a polarização política, a camisa da seleção brasileira volta a ser adotada por torcedores de diferentes espectros ideológicos. De acordo com Marco Antônio Teixeira, coordenador da FGV EAESP, a percepção de que o uniforme pertence a um partido parece estar se diluindo. O movimento de retomada do símbolo nacional é reforçado tanto por lideranças políticas que buscam dissociar as cores da bandeira de clivagens partidárias quanto por manifestações culturais de artistas populares.
Na sequência, segurança alimentar: o Brasil completa um ano fora do Mapa da Fome, mantendo o risco de subnutrição abaixo de 2,5% da população. No entanto, especialistas alertam que o desafio persiste para 6,5 milhões de brasileiros que ainda enfrentam insegurança alimentar grave. Segundo Daniel Duque, pesquisador do FGV IBRE, o fortalecimento do Bolsa Família e a melhora no mercado de trabalho foram fundamentais para este cenário, mas a manutenção do índice exige políticas públicas permanentes em áreas como emprego, renda e agricultura familiar.
E mais, a tecnologia na infância: dados da Pnad TIC 2025, do IBGE, revelam que a posse de celulares caiu entre crianças de 10 a 13 anos, recuando de 56,7% para 55,2%. Foi a única faixa etária a registrar queda. Para Luca Belli, coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV, esse movimento, embora incipiente, está ligado a uma maior conscientização dos pais sobre riscos digitais e ao impacto de novas legislações, como o ECA Digital e restrições ao uso de aparelhos em escolas.
👉 Créditos jornalísticos: O Globo/ Globo Online, Estado de Minas Online
👉 Produção: Nícolas Queiros, Davi Afonso, Eduardo Bittencourt
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Marco Antônio Teixeira
- Seleção BrasileiraDespolarização da camisa amarela · Marco Antônio Teixeira · FGV EAESP · Lula · Flávio Bolsonaro · Copa do Catar
Radar Drops, informação para o seu dia. Olá, hoje é 3 de julho, começa agora o Radar Drops, informação para o seu dia, sob curadoria do FGV Notícias. No nosso boletim de hoje, vamos trazer 3 assuntos importantes que estão em pauta: a despolarização da tradicional camisa amarela da seleção, os desafios que o Brasil ainda enfrenta mesmo fora do mapa da fome, e uma tendência bem curiosa. Crianças cada vez mais desconectadas das telas.
Começando pela nossa cultura política, a camisa amarela está mudando de significado nas ruas. A gente sabe que, nos últimos anos, vestir a camisa da seleção virou quase um ato político. Tudo começou lá na época do impeachment de 2016 e ganhou muita força nas eleições de 2018. A camisa acabou virando um símbolo de polarização, muito adotada pela direita, e evitada pela esquerda. Na Copa de 2022, muita gente preferiu comprar os modelos azuis ou verdes para evitar qualquer mal-entendido.
Mas o cenário que estamos vendo agora é de despolarização. O amarelo está voltando ao dia a dia do brasileiro sem aquele peso partidário forte. E os dados do comércio mostram exatamente isso de uma forma muito clara. Para se ter uma ideia, na Copa do Catar, a marca Retro Goal relatou que a camisa verde foi a grande campeã de vendas. Hoje a história é bem diferente. De cada 10 itens vendidos por eles, 7 já são as clássicas camisas amarelas.
O público está ativamente retomando as suas cores tradicionais. O cientista social Marco Antônio Teixeira, da FGV e ESP, traz uma visão muito interessante sobre isso. Ele explica que a questão fundamental agora é tratar a camisa como algo que está acima das divisões políticas. As pessoas estão sentindo essa necessidade de separar o que é o maior símbolo nacional das facções partidárias. Claro que, nos bastidores, o cabo de guerra político continua.
O presidente Lula tem encorajado abertamente a esquerda a voltar a usar o amarelo, enquanto o senador Flávio Bolsonaro chegou a promover a peça como a camisa do Bolsonaro. E um detalhe curioso é que isso não é um fenômeno exclusivamente nosso. Nas eleições recentes da Colômbia, aconteceu uma apropriação quase idêntica com a camisa da seleção deles. Passando agora para o cenário econômico, vamos falar sobre os desafios nutricionais do país exatamente um ano após o Brasil sair do mapa da fome da ONU.
Sair desse mapa foi um marco histórico maravilhoso, sem dúvida. Mas a realidade nua e crua é que ainda temos 6,5 milhões de brasileiros enfrentando insegurança alimentar grave. É um desafio imenso que persiste no dia a dia de muitas famílias. A pesquisadora Semira Misdomeni aponta que existem 3 pilares estruturais que ajudaram a reduzir os índices de fome com sucesso até aqui. Primeiro, o combate direto à desigualdade de renda.
Segundo, o fortalecimento de programas de proteção social, como o Bolsa Família e o SUS. E terceiro, o incentivo à produção de alimentos através da agricultura familiar. O ponto central de tudo isso é o impacto econômico na base da sociedade. Como explica muito bem o pesquisador Daniel Duque, do FGV Hibre, o aumento da assistência à renda foi o que realmente permitiu que milhões de famílias simplesmente recuperassem o poder de compra necessário para sua sobrevivência, Diária.
O Daniel Duque também analisa outro fator que ajudou bastante. Entre 2023 e 2025, o Brasil contou com safras muito favoráveis, o que desacelerou o preço dos alimentos nas prateleiras. Isso, somado a um mercado de trabalho mais aquecido e forte, fez toda a diferença. Manter o desemprego lá embaixo é um fator essencial para garantir que a população continue alimentada. Mudando completamente de assunto, vamos falar sobre tecnologia.
Tem uma tendência surpreendente ganhando força envolvendo os mais jovens. Dados fresquinhos do IBGE apontam uma situação que é quase uma anomalia. Pensa só: enquanto a posse de celulares entre idosos com mais de 60 anos já passou dos 80% e a média nacional encosta nos 90%, o acesso a aparelhos entre crianças de 10 a 13 anos caiu para 55,2%. É simplesmente o único grupo etário no país que ou queda. Os motivos por trás desse recuo envolvem as preocupações cada vez maiores dos pais com a segurança online.
Também entram na conta as restrições ao uso de celulares dentro do ambiente escolar e as novas discussões da lei do ECA Digital. Hoje, já é bem comum ver famílias optando por adiar esse acesso. Existem casos de pais que decidiram que a filha de 11 anos só vai ter um celular próprio lá aos 16, preferindo investir o tempo dela em atividades como teatro e leitura para preservar a saúde mental. Pra dar uma dimensão do peso desse debate, o Luca Belli, coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV, faz uma comparação fortíssima.
Ele comenta que daqui a 10 anos nós vamos olhar pra trás e ver essa exposição não regulada das crianças às telas exatamente da mesma forma que hoje a gente olha pra década de 70, quando o cigarro era promovido livremente e até as crianças podiam fumar. Por mais que essa queda no uso mostre uma conscientização inicial das famílias, o Luca Belli ressalta que o Brasil ainda precisa de políticas públicas mais firmes. Para você ter uma ideia, países como Austrália e Indonésia já estão banindo o acesso de menores de 16 anos a redes sociais, e o Reino Unido planeja medidas bem semelhantes até 2027.
O Brasil ainda está dando os primeiros passos rumo a essa regulamentação. Caminhando para o fim da nossa edição de hoje, vamos recapitular as notícias que abordamos. Acompanhamos aqui 3 atualizações importantes da nossa sociedade: o movimento de retomada da camisa amarela no cenário cultural, os esforços econômicos que persistem na luta contra a fome e essa nova postura das famílias em relação à segurança digital das crianças.
Acompanhar essas dinâmicas é essencial para entender as transformações do país. Esse foi o Radar Drops de hoje. Esse episódio foi produzido a partir das principais contribuições de especialistas da FGV em matérias veiculadas na imprensa. Voltamos amanhã com mais um programa. Até lá!
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