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Brasil pode acionar OMC por bloqueio às carnes, risco para os pequenos negócios, projetos ferroviários

29 de julho de 20264min
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Este é o Radar Drops, seu podcast diário de notícias!

Começamos pelo comércio exterior: o Brasil avalia acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) ou recorrer a mecanismos de arbitragem contra o bloqueio da União Europeia às carnes brasileiras. Segundo Ligia Maura Costa, professora da FGV, a OMC enfrenta uma crise institucional grave, com seu órgão de apelação suspenso desde o primeiro governo Trump devido ao bloqueio na indicação de juízes, situação que persistiu sob Biden. Como alternativa, o Brasil pode utilizar o mecanismo de solução de controvérsias previsto no acordo Mercosul-União Europeia para tratar de medidas sanitárias.

Na sequência, a vulnerabilidade dos pequenos negócios: uma pesquisa da FGV com o Sebrae aponta que 45% das micro e pequenas empresas correm o risco de fechar as portas caso sofram um ataque cibernético. O levantamento revela que 44% dos pequenos empreendedores sofreram tentativas de golpe nos últimos 12 meses, sendo o boleto falso (38%), fraudes via Pix (30%) e centrais telefônicas falsas (31%) as principais ameaças. Enquanto 72% das grandes empresas possuem protocolos de segurança, apenas 17% dos pequenos negócios contam com proteção estruturada.

E mais: a diversificação dos polos de exportação através das ferrovias. Novos projetos ferroviários, como a EF-118, a Ferrogrão e o corredor Fico-Fiol, prometem reduzir a dependência dos portos de Santos e Paranaguá. Para Ciro Biderman, professor da FGV Cidades, essas rotas criam alternativas competitivas no Sudeste e no Arco Norte, facilitando o escoamento de grãos e reduzindo o custo de frete de fertilizantes. No entanto, o sucesso depende de investimentos em terminais e da conclusão sincronizada de obras portuárias e ferroviárias.

👉 Créditos jornalísticos: Valor Econômico, SBT News, Viva Notícias

👉 Produção: Nícolas Queiros, Davi Afonso, Daniella Ferro.

Radar Drops, os principais fatos do Brasil e do mundo, com curadoria do FGV Notícias. Acesse: https://portal.fgv.br/noticias

Participantes neste episódio2
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Ciro Biderman

Host
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Ligia Maura Costa

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Radar Drops, informação para o seu dia. Olá, hoje é 29 de julho, começa agora o Radar Drops, informação para o seu dia, sobre curadoria do FGV Notícias. Vamos direto à disputa comercial das carnes e às alternativas do Brasil no mercado europeu. Diante daquele recente veto da União Europeia à carne brasileira, o desafio agora é levar essa questão para a Organização Mundial do Comércio, a OMC. O governo brasileiro está avaliando as possibilidades legais para contestar esse bloqueio lá fora.

Mas olha só, a gente tem um obstáculo enorme pela frente. A professora Lígia Maura Costa, da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da FGV, explica muito bem que a OMC enfrenta uma verdadeira paralisia no seu mecanismo de solução de controvérsias. Acontece que o órgão de apelação da entidade está suspenso. As indicações de novos membros seguem bloqueadas desde o primeiro mandato de Donald Trump. Na prática, a instituição fica de mãos atadas para resolver disputas de forma definitiva.

?Voz B

Apesar disso, a professora Lígia traz um ponto muito interessante. O Brasil tem sim uma carta na manga. Aquele acordo firmado entre a União Europeia e o Mercosul tem um mecanismo próprio de solução de controvérsias por meio de arbitragem, que fica lá no capítulo 6º, focado em medidas sanitárias. E a grande sacada é que esse mecanismo não está suspenso, sendo um caminho perfeitamente viável para questionar esse veto.

?Voz A

Passando agora para outro cenário: os golpes digitais em negócios e o risco enorme para as pequenas empresas. Uma pesquisa fresquinha feita pelo Sebrae junto com a Fundação Getúlio Vargas mostra um panorama bem preocupante sobre as ameaças de cibersegurança que os empreendedores brasileiros enfrentam todos os dias.

?Voz B

Para se ter uma ideia do tamanho do problema, 44% dos pequenos negócios sofreram alguma tentativa de golpe digital ou por telefone no último ano. E o dado que mais acende o sinal de alerta é que entre os que relataram essas tentativas, 45% admitem que o impacto de um golpe bem-sucedido seria o suficiente para forçar o fechamento das portas de vez.

?Voz A

As táticas dos golpistas são bem variadas. O medo número 1 dos gestores são os boletos falsos, que afetam 38% dos negócios. Logo depois, vem as falsas centrais de atendimento por telefone, com 31%, e as famosas fraudes via Pix, marcando 30%. É assustador pensar que quase um terço das empresas atingidas já amargou prejuízos financeiros diretos no caixa. E a disparidade na preparação para lidar com tudo isso é gritante. 72% das médias e grandes empresas têm rotinas de segurança digital super estruturadas.

Já nos pequenos negócios, esse preparo despenca para apenas 17%. O abismo é ainda maior entre os microempreendedores individuais, onde só 10% contam com alguma proteção sólida. Avançando para o nosso próximo destaque: a expansão das ferrovias brasileiras e a diversificação dos polos de exportação. Os leilões ferroviários que estão no radar pretendem dar um fôlego novo à logística de exportação do país. A ideia é tirar o peso enorme de portos que já operam no limite, como os de Santos e Paranaguá, e criar rotas alternativas essenciais para escoar safras e minérios.

Temos projetos fundamentais desenhados para isso. O Anel Ferroviário do Sudeste, conhecido como EF-118, e o Corredor Fico-Fiel, por exemplo, vão conectar as linhas de trem direto a portos regionais bem específicos. A expectativa central é criar um corredor agrícola e mineral muito mais dinâmico, abrindo novas portas de saída pelo Espírito Santo, Rio de Janeiro e Bahia. Mas não basta apenas construir, é preciso muita sincronia.

O professor Ciro Bidermann, da FGV Cidades, faz um alerta essencial: a infraestrutura só vai funcionar de verdade se a conclusão dessas obras for casada. Como ele mesmo pontua, se a ferrovia fica pronta antes do porto ou o porto antes da ferrovia, o ganho logístico que a gente tanto espera fica completamente represado. O grande teste de fogo agora é garantir que o cronograma de todas essas obras bata exatamente no mesmo ritmo.

Esse foi o Radar Drops de hoje. Esse episódio foi produzido a partir das principais contribuições de especialistas da FGV em matérias veiculadas na imprensa. Voltamos amanhã com mais um programa. Até lá!