Governo adota Lei da Reciprocidade, número de feminicídios cresce, concessões de aeroportos
Neste episódio do Radar FGV, falamos sobre a reação do governo brasileiro ao novo pacote de tarifas imposto pelos Estados Unidos e a decisão de aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica. O professor Gustavo Pessoa, da FGV, analisa o alcance global dessas taxas e a possibilidade de o Brasil levar o caso à Organização Mundial do Comércio diante de um cenário de negociações diretas limitadas.
Abordamos também o novo recorde de feminicídios registrado no Brasil em 2025, com mais de 1.500 vítimas, dado que contrasta com a queda geral de homicídios no país. O especialista Rafael Alcadipani, da FGV, discute a falta de confiança no sistema de justiça e a urgência de mudanças culturais e institucionais para proteger mulheres em ambientes domésticos.
E ainda: as estratégias distintas de modernização aeroportuária entre Brasil e Estados Unidos para atender à crescente demanda de passageiros. Enquanto o modelo americano foca em investimentos públicos e gestão local, o Brasil amplia sua infraestrutura por meio de concessões à iniciativa privada, conforme analisam os especialistas Cleveland Prates, da FGV Direito SP, e Gildemir Silva, do FGV IBRE.
👉 Créditos Jornalísticos: Jovem Pan News TV, Globo News, TV CNN Brasil
👉 Produção: Nícolas Queiros, Davi Afonso
O Radar FGV é o podcast do FGV Notícias. Nossa proposta é detectar os principais acontecimentos da semana e trazer análises de especialistas da Fundação Getulio Vargas sobre esses temas.
Acesse o FGV Notícias: https://portal.fgv.br/noticias
Este programa é gerado por IA. Pode haver inconsistências na pronúncia de algumas palavras.
Cleveland Prates
Gildemir Silva
Gustavo Pessoa
Rafael Alcadipani
- Feminicídios no BrasilCrise de segurança feminina · Contraste com queda de homicídios · Falta de confiança no sistema de justiça · Alpaca Zuzu
- Reciprocidade no caso RamagemTarifas americanas · Proteção de exportações · Organização Mundial do Comércio · Gustavo Pessoa
- Infraestrutura AeroportuariaDemanda crescente de passageiros · Investimentos públicos vs. concessões privadas · Cleveland Prats · Charles de Gaulle
Olá, hoje é 25 de julho. Começa agora o Radar FGV, podcast de notícias do Brasil e do mundo, sob curadoria do FGV Notícias e comentários de especialistas da Fundação Getúlio Vargas. Na nossa edição de hoje, vamos passar por 3 assuntos essenciais. Primeiro, as tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Depois, um alerta importantíssimo sobre os altos números de feminicídios no país. E para fechar o nosso boletim, vamos entender o futuro dos aeroportos e os desafios logísticos do setor aéreo.
Podcast Radar FGV. Acompanhamos recentemente o anúncio de novas tarifas americanas sobre produtos importados. A resposta imediata do governo federal brasileiro a esse pacote foi a decisão de aplicar a chamada Lei da Reciprocidade Econômica. Basicamente, essa é uma medida direta para tentar blindar a economia do país e proteger as nossas suas exportações contra essas novas barreiras. E para entender bem a dimensão desse movimento, o professor da FGV Gustavo Pessoa deu uma entrevista muito esclarecedora sobre o assunto.
Essas novas tarifas agora anunciadas num percentual de 12,5% são poucos diferentes das outras tarifas de 25%, porque essas novas tarifas foram anunciadas indiscriminadamente para quase todos os países que fazem comércio com os Estados Unidos. Então diferentemente da outra tarifa, acaba colocando todos os países no mesmo patamar. Então eu vejo com uma tranquilidade um pouco maior, porque o único que vai se prejudicar com isso é o próprio Estados Unidos, que vai acabar inflacionando os produtos internamente.
Uma retaliação por parte do Brasil, neste caso, acaba sendo possível. Porque existem vários países envolvidos. Nós falamos de 59 países mais os 27 países da União Europeia, o que que acaba dando espaço para que você retale através da OMC. Com certeza isso não vai fazer o presidente Donald Trump recuar das tarifas, porém mostra o posicionamento de descontentamento de vários países com a condução dessa política econômica norte-americana.
Americana. Então eu acredito que o Brasil está centrado, respondendo de uma forma adequada neste sentido e nessas tarifas que são totalmente abusivas, apesar das outras tarifas serem pior ainda, porque são direcionadas apenas ao Brasil e direcionada a alguns setores que acabam impactando o nosso comércio internacional.
Infelizmente, o Brasil bateu um novo e trágico recorde no último ano. Mais de 1.500 mulheres foram assassinadas no país por razões de gênero. É um dado assustador que escancara a gravidade de uma crise de segurança muito específica e urgente para a população feminina. O que torna essa estatística ainda mais chocante é a direção das curvas de criminalidade. O aumento expressivo dos feminicídios acontece na exata contramão da redução geral de homicídios no país.
Ou seja, enquanto os assassinatos no quadro geral caem, a violência letal focada especificamente contra as mulheres atinge níveis recordes. Para analisar a raiz desse problema complexo, o professor e pesquisador da FGV e a ESP, Rafael Alcadipane, aponta que a questão vai muito além da simples gestão de segurança pública.
Existe uma subnotificação porque as mulheres não acreditam no sistema de justiça criminal brasileiro para resolver seus problemas, né? E muitas vezes, quando recorrem, já é tarde demais. São pessoas que têm relação íntima com essas mulheres e que aceitam e que praticam absurdos, famílias muitas vezes que aceitam, e um estado que é conivente com esse tipo de tratamento grotesco que as mulheres sofrem no país que a gente vive. Parece que os homens esquecem que eles vieram de uma mãe, e parece que o governo, tanto federal quanto estadual, eles esquecem que essa é uma chaga fundamental que não vai ser tratada com aplicativo, com tecnologia.
É preciso mudar mentalidades, é preciso mudar a forma de operar as instituições policiais e também de toda, todo o sistema público para que a gente possa dar o valor devido outras mulheres no Brasil.
O levantamento do nosso boletim revela um panorama muito interessante sobre as estratégias que os países estão adotando para evitar que os sistemas aeroportuários entrem em colapso nas próximas décadas. O professor da FGV Direito ESP, Cleveland Prats, explica muito bem a lógica por trás dessas obras gigantescas.
Eu costumo dizer que a gente tem uma regra de bolso, né, que é mais ou menos de 2 para 1, né? Para cada crescimento de 1% do nível de renda de do PIB dos países, você acaba tendo um crescimento de 2% na demanda dos aeroportos, né? Então não adianta você pensar em fazer investimento no aeroporto é depois que a demanda já tá aí, né? Você tem que antecipar esse processo. Obviamente, na medida em que você começa a perceber que o teu aeroporto fica muito cheio, muitas vezes você precisa reestruturá-lo, né, adaptá-lo para uma nova situação, é criar novas pistas de saída e assim por diante, né?
E o pesquisador do FGV Híbrido, Gildemir Silva, resume a questão central dessa pauta. A diferença é porque os aeroportos americanos, eles são das administrações locais, estaduais, e eles são sustentados porque o financiamento público, né? Isso é uma opção do ponto de vista de segurança. Esse foi o Radar FGV de hoje. Voltamos semana que vem com mais notícias. E não perca, de segunda a sexta, o Radar Drops, na sua plataforma de áudio favorita.
Até lá!