Episódios de Radar FGV

Desenrola 2.0, Palmeiras e a expansão de naming rights no Brasil, lucro dos bancos com crédito

05 de maio de 20264min
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Este é o Radar Drops, seu podcast diário de notícias!

Começamos pela renegociação de dívidas: o governo federal lançou o Desenrola 2.0, que agora mira a classe média, estudantes e produtores rurais. Com foco em quem recebe até cinco salários mínimos, o programa permite descontos de até 90% e o uso do FGTS para abater débitos. Flávio Ataliba, pesquisador do FGV IBRE, destaca que a maior abrangência é um ponto positivo, mas Katherine Hennings, também do FGV IBRE, alerta para o "risco moral" e a necessidade de educação financeira para evitar novos ciclos de endividamento

Na sequência, a expansão dos naming rights no Brasil: de estádios como o novo "Nubank Parque" a estações de metrô, marcas estão pagando milhões para associar seus nomes a espaços públicos e privados. Somente o Metrô de São Paulo já arrecadou mais de R$ 51 milhões com esses contratos. Para Roberto Kanter, professor da FGV, o valor desses acordos é influenciado pelo fluxo de pessoas, mas o grande desafio é realizar ativações que gerem conexão real com o público, indo além da simples exposição da marca.

E mais: o ganho bruto dos bancos com operações de crédito no Brasil atingiu o maior patamar desde 2013. O chamado "spread" bancário, a diferença entre os juros de captação e de empréstimo, superou os 15 pontos percentuais este ano. Segundo Rafael Schiozer, professor da FGV EAESP, esse aumento é explicado pela alta inadimplência e pelo crescimento expressivo da concessão de crédito em modalidades mais arriscadas, como o cartão de crédito e o crédito pessoal.

👉 Créditos jornalísticos: O Globo Online, Folha Online, Diário do Comércio

👉 Produção: Nícolas Queiros, Davi Afonso, Eduardo Bittencourt

Radar Drops, os principais fatos do Brasil e do mundo, com curadoria do FGV Notícias. Acesse: https://portal.fgv.br/noticias

Este programa é gerado por IA. Pode haver inconsistências na pronúncia de algumas palavras.

Participantes neste episódio4
F

Flávio Ataliba

ConvidadoPesquisador
K

Katherine Hennings

ConvidadoPesquisadora
R

Rafael Schiozer

ConvidadoProfessor
R

Roberto Kanter

ConvidadoProfessor
Assuntos3
  • Custo do CréditoAlta do spread bancário · Maior patamar desde 2013 · Impacto da inadimplência · Crescimento de crédito em modalidades arriscadas
  • Programa DesenrolaRenegociação de dívidas · Alívio para classe média e produtores rurais · Descontos de até 90% · Uso do FGTS para abater débitos · Risco moral e educação financeira
  • Expansão de naming rights no BrasilAssociação de marcas a espaços públicos e privados · Estádios e estações de metrô · Arrecadação de milhões com contratos · Conexão real com o público
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Radar Drops, informação para o seu dia. Olá, hoje é 5 de maio, começa agora o Radar Drops, informação para o seu dia, sob curadoria do FGV Notícias. O nosso boletim de hoje traz três temas essenciais e totalmente independentes do mundo da economia e dos negócios, todos analisados por especialistas da FGV.

A pauta inclui o novo Desenrola, as estratégias de Naming Rights e, para fechar, a alta do spread bancário. Vamos nessa? Abrindo o nosso primeiro arquivo. O foco agora é o Desenrola 2.0, o novo programa governamental de alívio de dívidas.

O ponto central do programa é, sem dúvida, a escala. A meta é beneficiar até 100 milhões de pessoas. E a grande novidade é a expansão além do público de baixa renda, alcançando agora estudantes, microempreendedores, produtores rurais e a classe média com renda de até R$ 8.105.

Faltando seis meses para as eleições, o governo estruturou essa versão para dar aquele alívio rápido no orçamento das famílias. Os descontos são bem expressivos, variando de 30% a 90%. E tem mais. A medida libera o uso do FGTS para abater os valores e foca na renegociação de dívidas a partir de R$ 100. Analisando tudo isso, pesquisadores do FGV Hibre trazem perspectivas que a gente precisa considerar. O Flávio Ataliba destaca que ampliar o programa para a classe média é um passo super positivo.

Por outro lado, a Katherine Hennings faz um alerta importante sobre o risco moral. Ela aponta que essa intervenção constante passa uma mensagem complicada, criando a expectativa de que o Estado vai sempre perdoar as dívidas de tempos em tempos. Ela ainda reforça que, para resolver isso de verdade, a gente precisaria focar em educação financeira. Afinal, o endividamento quase sempre vem da urgência do consumo, algo que o programa não resolve na raiz.

Mudando completamente de assunto, vamos para o nosso segundo tópico, o mercado superaquecido de naming rights nos espaços públicos brasileiros. Acordos gigantescos e bem recentes ilustram perfeitamente essa onda. O estádio do Palmeiras, por exemplo, adotou o nome Nubank Park num contrato estimado em 10 milhões de dólares por ano.

Já no setor de mobilidade, o metrô de São Paulo conseguiu receitas passando dos 51 milhões de reais, só associando marcas às estações, como aconteceu na estação Carrão-Açaí. O mais fascinante é que as marcas não estão só comprando o direito de colocar um letreiro na fachada.

Elas entram de cabeça na experiência diária do público, marcando presença na comunicação visual, nos avisos sonoros e em ações de relacionamento. O grande objetivo aqui é fixar a marca na memória de longo prazo das pessoas. É por isso que esses contratos costumam durar décadas. O professor de MBAs da FGV, Roberto Canter.

esclarece que a dinâmica de preços desses contratos tem influência direta de fatores como o volume de pessoas, o perfil do público e a localização do espaço. Ele também avisa que o maior desafio é não confundir essa estratégia com um patrocínio qualquer, exige um esforço enorme e contínuo de ativação. Batizar o local é só o primeiro passo para criar uma conexão de verdade com os frequentadores. E para fechar o nosso boletim, vamos ao terceiro e último assunto, a realidade macroeconômica por trás da alta do spread bancário no Brasil.

Só para alinhar os conceitos, o spread bancário é basicamente a diferença entre a taxa de juros que os bancos pagam para captar dinheiro e a taxa que eles cobram na hora de emprestar esse recurso para os clientes. Neste ano, essa diferença passou dos 15 pontos percentuais, batendo maior nível desde pelo menos 2013.

Quando a gente detalha os dados do Banco Central sobre os custos que compõem o spread, fica muito claro o impacto de cada fator. A inadimplência é, de longe, o pedaço mais pesado, consumindo mais de 33% do total. Logo atrás, vem as despesas administrativas, perto dos 25%, seguidas pela margem financeira com 21%. E, por último, os tributos, também na faixa dos 21%.

Para entender o que realmente empurrou esse aumento, o professor titular de finanças da FGV e AESP, Rafael Schozer, faz uma análise cirúrgica. Ele aponta que o spread cresceu impulsionado pela própria inadimplência. E o calote está tão alto porque a concessão de crédito para pessoas físicas disparou, principalmente nas linhas mais arriscadas, como o cartão de crédito e o empréstimo pessoal.

Esse foi o Radar Drops de hoje. Esse episódio foi produzido a partir das principais contribuições de especialistas da FGV em matérias veiculadas na imprensa. Voltamos amanhã com mais um programa. Até lá!

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