Ep. 74 - EXISTE O "DAR CERTO" NA VIDA?, Chá de Coragem com Elisama Santos
Sabe aquela sensação de conquista? De chegar lá? Dar certo na vida?
Não sabe? Pois é. Será que ele chega? Será que existe esse lugar?E se existir, será que ele é imutável ou pode ganhar novos contornos?
Esse é o dilema da nossa ouvinte que apesar das conquistas profissionais ainda carrega um sonho de infância.
Será que os sonhos da infância ainda faz sentido pra quem a gente é hoje?
Aceita esse Chá de Coragem?
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Eu sou autora de 8 livros, entre eles 3 Best-Sellers, sabia?
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✦ Créditos ✦
Conceito, Roteiro e Direção: Elisama Santos e Natália Araujo
Cenário e Produção: Natália Araújo
Filmagem e Edição: Natália Araújo
- Sucesso e RealizaçãoDefinição pessoal de sucesso · Mutabilidade do conceito ao longo das fases da vida · Diferença entre expectativas e realidade · Dificuldade em reconhecer conquistas próprias · Mudança de percepção sobre o que é 'dar certo'
- Sobrecarga de trabalhoSensação de responsabilidade total pelas pessoas amadas · Impacto físico e emocional da sobrecarga · Dificuldade em delegar tarefas · Ansiedade e medo de não conseguir dar conta · Sinais do corpo indicando limite · Necessidade de apoio e autocuidado
- Sonhos e Aspiracoes PessoaisDissonância entre sonho infantil e vida atual · Identificação das sensações por trás dos sonhos · Possibilidade de ressignificar sonhos antigos · Satisfação de necessidades antigas de formas novas · Aceitação de que nem sempre é possível viver o sonho original
- Motivação e Bem-estar PessoalSegurança financeira e emocional como raiz do sonho · Ausência de obrigação e responsabilidade · Sensação de paz e tranquilidade · Influência da origem socioeconômica · Formas alternativas de se sentir cuidada
- Relacionamentos FamiliaresConflito entre ser mãe e ser profissional · Culpa ao deixar filhos para trabalhar · Redescoberta de identidade além da maternidade · Benefício de múltiplos papéis para a autoestima · Necessidade pessoal de autossuperação
- Crise de identidade e propósito pessoalAproximação de um colapso mental · Sintomas físicos de ansiedade · Episódio de luto da mãe enquanto família em crise · Pensamentos catastróficos · Momento de decisão sobre pedir limite
- Estratégias de delegação e apoioImportância de criar rede de apoio · Distribuição de responsabilidades entre familiares · Apoio da sogra e irmã · Reconhecimento de que o mundo não desaba se não fizer tudo · Limite entre essencial e delegável
- Imigração e oportunidades de carreiraMudança para os Estados Unidos em 2022 · Aceitação de proposta em matriz de multinacional · Realização profissional versus impacto familiar · Adaptação à nova realidade de país estrangeiro · Sonho materializado mas com custo emocional
- Segurança OperacionalAjuda financeira contínua aos pais · Cuidado com pai aposentado · Responsabilidade com sobrinho · Impacto financeiro dessa responsabilidade · Possibilidades de diminuir custos sem abandonar
- Movimentos SociaisMovimento trad wife como antifeminista · Idealização de vida doméstica na internet · Influenciadores que escondem privilégio financeiro · Falta de transparência sobre custos do modelo tradicional · Casamento como negócio financeiro
Existe algum momento da vida que a gente para e fala, hum, dei muito certo? E o que acontece se você chegar neste ponto da vida e ter a sensação que deu tudo errado? Como que a gente lida com essa dança entre certo e errado na vida? Aceita o chá de coragem? Eles amam. Adoro o seu trabalho. Cada episódio me faz refletir muito sobre muita coisa. Minha história é um pouco diferente de tudo que eu ouço você trazer para o chá. Mas eu decidi compartilhar, pois quem sabe outras pessoas possam ser abraçadas com seus pitacos.
Tenho 42 anos, casada há 10 e tenho uma filha linda de quase 7 anos. Ter uma família, casar e ter filhos sempre foi meu objetivo de vida. Sou de uma família muito simples, cresci ouvindo minha mãe dizendo que eu deveria estudar, trabalhar e lutar pelos meus sonhos e nunca depender de ninguém, principalmente de homem. E assim eu fui. Estudei muito, comecei a trabalhar com 16 anos para ajudar meus pais financeiramente. Fiz faculdade, duas pós-graduações, MBA,
viajando a trabalho. Mas eu dizia sempre, se tudo der errado na minha vida, eu serei executiva. Pois, o meu sonho de vida era ter e poder cuidar da minha família. Eu sempre fui a líder. A líder nas minhas relações. O meu relacionamento de 5 anos, que eu tive antes de conhecer meu marido, terminou por traição. E o traidor disse que fez isso, pois a única maneira que ele encontrou de se sentir superior a mim. Te culpando. Com relação à ajuda financeira para minha família, eu faço até hoje.
Não só para o meu pai e minha mãe, mas também meu sobrinho mais velho, que mora na casa da minha mãe. Em 2022, recebi a proposta de mudar para a matriz da empresa que eu trabalho aqui nos Estados Unidos. Para uma pessoa de família muito simples, este convite foi quase como um sonho que não parecia possível ser realizado. Eu e meu marido conversamos e tomamos a decisão juntos de vir. Estou aqui há quase quatro anos. A cidade que moramos não tem nenhuma oportunidade de trabalho para o meu marido.
Estou exaustelizando. Exausto de carregar tudo nas costas. Minha sensação é que eu perdi o controle da minha própria vida e não posso parar, pois isso impacta diretamente todas as pessoas que eu mais amo. Me vira e mexe, eu me lembro com tristeza daquilo que eu dizia lá atrás. Se tudo der errado na minha vida, ser executivo. Enfim, deu tudo errado mesmo? Grande abraço. Gente, ouvindo a história, lendo esse e-mail, eu pensei como a gente tem conceitos de certo e errado muito diferentes.
Porque para algumas pessoas falar, caramba, eu vim da família muito pobre e hoje trabalho na matriz de uma multinacional nos Estados Unidos, eu sinto a minha família, consigo pagar para o meu pai, blá, blá, blá. Puts, isso é sucesso e eu estou muito bem. Então, eu quero começar pensando o que é o certo e o errado. O que é o dar certo? Quem determina o que é dar certo? E será que esse dar certo, ele é o mesmo em todos os momentos da nossa vida? Como é que eu posso dizer isso?
ficar, sabe? Em cada fase da vida, você vai olhar para a realidade, olhar para o que te acontece e pensar, poxa, isso aqui devia ser assim, não devia ser assim, quando isso aqui ficar assim, eu acho que vai estar legal, quando ficar de outro jeito, não vai estar. A gente está o tempo inteiro interagindo com a vida, a vida interagindo com a gente, o que muda as nossas percepções, o que muda a nossa forma de enxergar a realidade, o que muda a nossa forma de ler a realidade.
Então, assim, a ideia do que é dar certo ou não, ela não é imutável. Então, é muito difícil você chegar
Em um ponto da vida. E falar assim, nossa, eu dei certo. Ou deu tudo muito errado. E achar que essa resposta é universal. E ela vai te abraçar para sempre. Não vai. A gente vai estar aqui construindo o que é o dar certo, o que é o dar errado. O que é a vida com mais nuances. E aqui a gente traga mais um ponto. Não existe só o preto e o branco. O dar certo ou o dar errado. A vida tem muitas outras cores e nuances no meio do caminho.
o que eu considero dar certo e eu considero dar errado e a minha vida tem tanta coisa. E aí quando a gente tá cansada, quando a gente tá nitidamente num processo de adoecimento, de sobrecarga, parece que não existe saída nenhuma. E aí você fala, nossa, eu sustento meus pais, eu sustento a minha mãe, eu sustento meu sobrinho, eu sustento a minha filha e meu marido não tem como arrumar emprego. Então assim, só pode ser eu. E é por isso que deu tudo errado,
quando você me fala assim, ah, Elisama, eu queria cuidar da minha família. Você está cuidando, não sei se você percebeu. O que você faz é cuidado. Você está cuidando da sua família. E se seu sonho era dar certo para você, era conseguir cuidar da sua família, gata, está dando certo. Tem coisas que você vai precisar ajustar, mas você está cuidando da sua família, você não está descuidando dela. Talvez você esteja descuidando um pouco de você no meio do caminho, o que é muito difícil de lidar, mas assim, o que você faz é cuidado. Agora, o que você entende por cuidado?
você não consegue considerar o que você faz. Cuidado. Ah, Elisabeth, eu sinto falta de estar mais tempo com a minha família, de estar mais tempo com meus filhos. Eu tenho inveja no meu marido porque meu marido está em casa e eu não estou. E a gente tem muitas coisas para olhar. Você fala, na cidade que eu moro, não tem como ele arrumar um emprego. Amor, tem um monte de emprego hoje que é virtual, tá? E tem um monte de emprego possível.
Pode não ter o emprego que ele quer, mas aí são coisas diferentes. Entre o emprego que ele quer e não ter nenhum emprego,
em quatro anos, a gente tem um caminho também que é longo. Será que não é hora de conversar e de ajustar as expectativas? Porque você ajustou seus sonhos. Você ajustou o teu conceito de certo e errado. Não seria hora dele ajustar o conceito dele também? Eu te falei que quando a gente está sobrecarregada, muito, muito, muito cansada, a gente enxerga que só a gente pode dar conta de tudo aquilo. E aí você fica com a sensação de que você está amarrada, sabe? De que se você disser aquele não,
o mundo vai ruir. Então, só existe essa forma de viver. Só existe esse jeito de cuidar dos seus pais. Eu não sei quanto você dá para os seus pais ou para o seu sobrinho. Será que não tem nenhum outro jeito de você ajudar que não seja te custando tanto quanto custa hoje? Será que não tem nenhum outro jeito de diminuir um pouquinho o custo financeiro da tua vida e pensar, ok, eu consigo equilibrar as coisas. E eu te trago uma pergunta, que é assim, o que é que você achou que seria a vida?
que se desse certo sendo dona de casa. O que você achou que seria essa vida? Desenhe aí para você, hoje, bem honestona. Porque você fala, eu sempre fui líder, Elisama. O que você achou que seria uma vida em que você só trabalha dentro de casa e cuida dos seus filhos e pronto, e que esse era o sonho da sua vida? Que sensações, que sentimentos, que experiências você acha que só essa vida poderia te trazer e que nenhuma outra vai te trazer? E veja, eu quero aqui, gente,
que eu não estou minimizando o trabalho que é cuidar de uma família e ser dona de casa. Teve um episódio que eu falei alguma coisa de Tradwife e alguém me mandou mensagem falando assim, ah, eu fiquei triste porque eu trabalho, eu não trabalho fora de casa, eu trabalho só em casa. E eu achei que tinha uma desvalorização. Gente, Tradwife não é dona de casa. O movimento da Tradwife, da esposa tradicional, é um movimento antifeminista em que diz que as mulheres não nasceram para estar trabalhando fora de casa.
nasceram para cuidar. E aí a gente tem esses grandes perfis na internet de mulheres que acordam às cinco da manhã para fazer o pão da família e falar, olha, isso aqui é o que me realiza. E fazer outras mulheres acreditarem que realmente é aquilo que realiza elas. Enquanto elas ganham, vivem com um carro caríssimo e não precisam trabalhar para conseguir nada daquilo na vida delas. E elas não contam o preço de ser uma traduva. Elas não contam dos medos, das inseguranças, do quanto às vezes,
O esposo que tem uma esposa, o cara que tem um esposo troféu, acha que o que ele paga não é somente pelo sustento da casa, é pela mulher que ele tem. E o casamento vira um grande acordo de negócios. Então, eu não estou falando aqui, não estou misturando dono de casa com trade wife, tá? Foi só uma explicação que eu quis trazer aqui para a gente não entrar numa confusão. Mas, enfim, o meu sonho era cuidar da casa, era ficar... Vamos olhar para esse sonho? Por que esse era o teu sonho?
Que sensações você achou que teria se você fizesse isso? Como você desenhou essa vida? Como você desenhou essa vida de dar certo? O que seria ela? E por que eu estou te convidando para você pensar nisso? Porque às vezes a gente tem umas expectativas bem reais da realidade, sabe? Esses dias eu encontrei uma amiga e aí ela me falou que a filha dela falou assim, mamãe, eu queria morar aqui. Eles tinham viajado para um lugar incrível e a menina não quer ir embora. E ela começou a chorar muito e falou, mãe, eu não quero morar aqui.
Ou não quero morar, voltar para o Brasil, ou quero morar aqui nesse lugar que é incrível, que é lindo, que é fantástico. E a mãe fez, filha, eu sei que esse lugar é muito fantástico. E que sim, a vida aqui seria diferente de diversas formas. Mas a vida aqui também seria igual de diversas formas. A mamãe ia ter que trabalhar, o papai ia trabalhar, você ia para a escola. Essa rotina aqui, em que a gente está brincando o dia todo, todo mundo junto, passeando, fazendo isso que a gente está fazendo,
não seria a rotina se a gente morasse aqui. Isso que a gente está vivendo é outra história. São as férias. E aí a menina fez, ah, eu quero morar nas férias. Ela, agora? Agora é. Agora você quer morar nas férias. Eu também queria, minha filha, morar nas férias. Então, assim, será que dá certo de morar num sonho? Quando você fala, eu queria estar na minha casa, cuidando dos meus filhos. Eu fui dona de casa por um tempo. Isaac Engenheiro Civil, quando a gente teve Miguel, eu falei, amor, eu vou fechar o escritório. Quando Miguel nasceu,
fechar escritórios, eu era advogada, e vou me dedicar a Miguel por um tempo. Eu quero criar um vínculo com ele, eu quero estar ali. E caramba, como mexeu com a minha cabeça, inúmeras vezes. Inúmeras vezes. Como foram mais ou menos três anos, quatro anos, talvez, em que eu fiz biquinhos, mas meu trabalho principal era cuidar dos meninos. E quantas vezes eu olhei e pensei, e me senti improdutiva, mesmo pensando, caraca, eu tô...
e nos seres humanos muito legais. Quantas vezes eu me senti deslocada, quantas vezes eu, Elisama, que sou super líder, sabe? Como você, que sou muito realizadora. Quantas vezes eu senti falta de estar fora de casa, sem estar conversando com criança e estar agindo, sem ser a Elisama mãe ou a Elisama esposa, só queria ser outra coisa, sabe? Quantas vezes eu senti falta? E aí, quando eu voltei a trabalhar fora e fiz as minhas primeiras viagens, tive uns meses de culpa,
conquistando uma Elisama que era além da mãe e além da esposa. E não é que todo mundo tem que ter isso, tá? Falando que era importante pra mim. Pode ser que exista quem fala, nossa, não, mas só cuidar da casa e pensar nas crianças é o suficiente pra mim. Eu vi um casal um dia desses falando, ah, não, eu não tenho vontade de... A gente nem tem vontade de sair sozinho, porque a gente se diverte tanto com as crianças. E eu penso, cara, eu me divirto muito com os meus filhos.
E eu amo sair sozinha com o meu marido também. E eu amo sair sozinha com as minhas amigas. E eu amo sair sozinha
de sozinha. Uma coisa não lula a outra, mas isso sou eu. Eu tenho essas necessidades. Eu preciso ser além da mãe. Eu preciso não ouvir mamãe o tempo inteiro. E eu sou uma mãe muito, muito melhor quando eu sou mais que mãe. Se, tipo assim, estávamos de férias e essa convivência é super intensa e eu ali na função e tirei esse, não vou trabalhar agora, vou ficar com as crianças. Cara, como eu estava com saudades de sair um pouco, de conversar com outras pessoas. E olha que meus filhos são adolescentes. E foi muito gostoso.
Foi muito legal, mas definitivamente não é o que eu quero para a minha vida. E aí eu te pergunto isso, quais eram as sensações por dois motivos. Primeiro para talvez desmistificar, e aí você conseguir dar nome. Será que o que você quer não é como aquela menina falando que iria morar nas férias? Será que o que você entende por dar certo não é morar num sonho de uma menina que achava que ia ficar em casa, cuidando da casa, e com uma casa bonita, e com uma casa que nunca teve quando criança?
esse dar certo, não era tentar satisfazer essa menininha, sendo que você nunca vai poder ser essa menininha vivendo aquilo, porque hoje se você ver isso, você vai ser uma mulher adulta? E o outro ponto é, será que não tem nenhuma sensação, nada desse sonho que você tinha, que não pode ser trazido para a tua realidade hoje? Então assim, ah Elisama, eu sonho, eu sonhava em trabalhar de casa, em ficar com ele, com as crianças,
em cuidar da família, porque eu acho que tem um tempo ali junto, uma sensação de paz, de tranquilidade, de ausência de obrigação, que me faz muito bem e que eu queria ter lá na minha vida. Tá bom, você não pode ter isso de segunda a sexta, mas um sábado e domingo, não tem nenhum dia que você consegue organizar na sua vida e falar, cara, esse é o meu dia de estar com a família. Ah, Elisama, não tenho, não sei como fazer isso, porque tem tanta coisa pra resolver. Amor, tu tá me dizendo que o teu esposo não tá arrumando nenhum emprego,
fora de casa, né? Porque ele não tá conseguindo. Não tem nada que possa ser delegado pra ele que chegar ao final de semana e vocês consigam ser só vocês. Assim, qual era essa sensação que você achou que você teria se você não trabalhasse fora, estivesse só em casa? E se ela é real, se ela é possível, o que é que você consegue trazer dela pra tua realidade? Pra quem você é hoje. Entende? Então assim, ah, eu queria, eu tinha esse sonho.
Eu falei aqui no episódio sobre inveja. Que a gente sente inveja não é somente, não é
pessoa. A gente se sente inveja do que a gente acha que essa pessoa tem e sente diante do que ela tem. A gente não quer a coisa. A gente quer o que aquela coisa proporciona pra gente. Então, um carro chique, um carro caríssimo, ele não é só o carro caríssimo. Ele é o prestígio, o conforto, a sensação de que vence na vida. Ele é um monte de coisa para além do carro caríssimo. Entendeu? O objeto não é o objeto. O objeto, ele tem uma história que eu conto, a narrativa, que me faz querer
Ou repudiar o objeto. A mesma coisa é um modelo de vida. Um modelo de vida, ele tem sensações, sentimentos, experiências que me fazem querer muito esse modelo de vida ou que me fazem repudiar esse modelo de vida. A minha pergunta para você é, você consegue enxergar o que é que te fazia querer muito ser essa dona de casa? Cuidar da sua família dessa forma que, mais uma vez, você está cuidando da sua família de uma outra forma?
consegue identificar o que que era? Pra você talvez tirar esse sonho da idealização. E aí quando você fala, Elisama, tu exausta. Eu ouço uma mulher perto de um burnout. Eu ouço uma mulher bem sobrecarregada. Em 2018, a minha mãe teve câncer de mama. Meu marido tava desempregado, tava com duas crianças pequenas. Foi a fase mais difícil da minha vida. E eu cheguei muito perto de pirar. Eu já falei aqui, eu tive movimentos involuntários na face, eu tive zumbido por sátil, eu tive um monte de sintoma físico,
Meu corpo falava, gata, se tu não parar, eu paro. Então, assim, foi muito difícil. E eu olhava para a realidade e fazia, mas como que eu vou parar? Eu vou falar para minha mãe, vá sozinha para a quimioterapia bonita, eu vou falar para os meus filhos, se virem porque eu não posso cuidar para vocês. Eu olhava para a minha realidade e fazia, eu não posso, eu tenho que dar conta de tudo que está aqui. E cada vez que eu olhava para a realidade e pensava, eu tenho que dar conta de tudo que está aqui, eu ficava mais ansiosa e eu dormia com meu coração muito acelerado. E em quantas noites eu dormia pensando, eu vou infartar.
Eu não vou conseguir acordar amanhã e aí que todo mundo vai se ferrar, mesmo que eu não vou estar aqui. E aí quando eu entendi que eu vou precisar de algum limite. Então assim, eu não vou conseguir falar, minha mãe vai em todas as quimioterapias sozinhas, mas eu vou descobrir alguém que pode ir uma vez na semana, conversar com a minha irmã, vem cá, tu consegue ir nessa pra eu ir na outra. Eu vou dar um jeito que a minha irmã morava em outra cidade.
Então assim, quando ela podia, ela estava aqui. Aqui não, ela estava com a minha mãe, mas nem sempre ela podia, ela trabalhava em outra cidade. Mas a gente é amigos, eu tenho primas.
Sabe? Eu olhava meus filhos e pensava, cara, ok, eles precisam ser cuidados, quem disse que tem que ser por mim? E quantas vezes eu pedi pra minha sogra ficar com eles? Quantas coisas eu falei com o Isaac, amor, você vai ter que dar conta disso porque chega. Sabe? Então assim, o mundo não vai desabar se você começar a falar, ok, isso aqui é essencial que eu faça, mas isso aqui eu posso delegar, isso aqui eu posso passar pra alguém.
Eu sei que só de pensar, quando a gente é a líder, o coração acelera muito, a gente fala, não vou, não vou conseguir, eu não posso. Mas gata,
Se você não for começar a fazer paradas programadas, teu corpo te para, porque você não é uma máquina. O teu corpo te conta que você chegou no limite e ele nem sempre te conta de um jeito fofo, amigável e gostosinho. Às vezes ele te conta, uou, te dando sujos bem grandes. Então vai a hora de você pensar assim, se eu estou tão exausta, eu já trouxe aqui, eu vou falar de novo, eu não dou conta, pode ser substituído por eu não ter um apoio suficiente. Quem cuida de você? Quem te apoia? E aí, para encerrar,
Eu vou voltar para a sua vontade de falar, Elisama, eu queria estar em casa, cuidando da casa, só queria cuidar dos meus filhos. Talvez fosse o teu desejo de ser cuidada, falando muito alto, de não se preocupar com o teu sustento e com nada, porque aquilo vai vir. Uma segurança que gente que veio de onde a gente veio, e eu falo a gente porque eu sei de onde você veio, sei se ele me falou, então é muito semelhante, que a gente nunca teve, sabe? Mas você pode ser cuidada de outros jeitos também, tá bom?
pra você, se não fez sentido, se fez sentido, me conta aqui, tá? Beija o teu coraçãozinho, a tua florzinha, o teu oi, Elisora! Nos comentários, porque eu adoro saber que vocês estavam aqui comigo até agora, tá bom? Manda esse episódio pra alguém que você ama muito, que você acha que tá precisando conversar sobre esse tema, pra falar, olha, eu quero falar porque eu tô me sentindo assim. Enfim, gente, vamos espalhar, tá bom? Ajuda a amiguinha, eu já te falei, eu já te pedi, ajuda a amiguinha, tá certo?
Um beijo, meu amor, e até o próximo episódio.