Ep. 79 - POR QUE REPETIMOS OS ERROS? Chá de Coragem com Elisama Santos
Será que existe autosabotagem ou nossos comportamentos, mesmo os que nos machucam, são tentativas ineficazes de amenizar a dor ou de buscar o conforto do conhecido?
A partir da carta de uma ouvinte que se viu em dívidas e em um labirinto de autoexigência após o fim de um relacionamento, trouxe essa conversa sobre a dificuldade de estabelecer limites, a ilusão de que precisamos amar cada parte de nós e a tendência do cérebro em preferir o familiar, mesmo que não seja o ideal.
Esse episódio é um convite à compreensão e à empatia consigo mesmo pistas para você construir um caminho para construir uma relação mais gentil com você.
Aceita esse Chá de Coragem?
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✦ Créditos ✦
Conceito, Roteiro e Direção: Elisama Santos e Natália Araujo
Cenário e Produção: Natália Araújo
Filmagem e Edição: Natália Araújo
- Autoconfianca e AutodeterminacaoAmor próprio · Imperfeições pessoais · Relação com a comida
- Superação de erros do passadoAutosabotagem · Comportamentos compulsivos · Dificuldade em estabelecer limites · Relações amorosas
- RelacionamentosInfluência de parceiros · Dívidas emocionais
Sabe aquela sensação de desânimo que dá quando a gente se vê repetindo os mesmos erros? Cara, eu odeio perceber que eu tô fazendo a mesma merda, mas aí de um jeito diferente. O que a gente faz com esse cansaço que surge ao longo desse aprendizado que é viver? Aceita o chá de coragem.
Elisama, tudo bem? Sou sua ouvinte desde o Café com Cuscuz e você não faz ideia de quanto conteúdo já deu para a minha análise. Tenho um carinho enorme por você. Você trago clareza e tantos sentimentos confusos que eu já vivi. Obrigada por isso. Acabei de escutar o episódio sobre vivendo lutos e recomeços. E você falou uma coisa que era a última que eu ia pensar em refletir no que estou vivendo.
Entre todas as cobranças que eu tenho na minha mente desde sempre, coloquei algo que era para ser bom com mais um fardo. Aprender a me amar. Há uns dois anos, eu entendi na análise alguns comportamentos autopunitivos, compulsão alimentar, excesso de trabalho. Desde então, eu tenho me esforçado para podar esses comportamentos e evoluído bastante.
Mas se é um comportamento que até a semana passada nunca me passou também a estar enraizado. Enraizado na autopunição. Em uma consultoria financeira que eu ganhei, fui pega de surpresa quando a consultora me levou à hipótese de eu estar gastando dinheiro de forma compulsória, também como forma de me punir. Fez um boom na minha cabeça.
Eu sempre fui extremamente organizada financeiramente. Desde meu primeiro salário de estágio, eu sou uma pessoa ambiciosa e vim moldando a minha carreira para viver de forma confortável. Sou engenheira civil e decidi empreender há mais ou menos um ano e meio, período também que conheci minha última namorada, com perfil completamente oposto ao meu quando se trata de finanças.
Eu me apaixonei perdidamente. Acreditei que éramos opostos complementares, que ela me ensinaria a largar a mão um pouco do controle, curtir mais a vida, e eu ensinaria mais a ela sobre organização, sobre ambição. Esse encontro do sonho se tornou um pesadelo. Com seis meses de namoro, passamos a morar juntas. Eu recebia melhor que ela e trabalhava menos, mas estava no início de carreira de empreendedor e não tinha estabilidade. Até hoje eu nem tenho tanta.
Fizemos um combinado de eu pagar um pouco mais nas contas da casa e que ela pegaria uns frilas para complementar a renda e viver melhor, já que o salário dela ia ficar apertado só com as despesas fixas. Ela não pegou os frilas, mas também não se organizou para viver apertada. Continuou vivendo como se o dinheiro fosse se multiplicar sem exigir nenhum esforço.
No segundo mês, pela primeira vez, ela não tinha dinheiro para pagar tudo que precisava pagar. O pior, parte dos gastos eram coisas supérfluas que passei no meu cartão nas vezes que saímos juntas, mas que sempre foi combinado de dividir. Conversamos, ela prometeu se movimentar para conseguir o dinheiro. Nada. Assim seguimos por três meses sem fechar as contas, até que eu precisei pedir dinheiro emprestado pela primeira vez na minha vida, porque eu não tinha como pagar o meu aluguel. Aquilo foi um baque.
Levei mais ou menos dois meses a partir daí para entender que estava insustentável, que eram muitas as promessas que ela não cumpria, que ela não reconhecia os próprios erros e tentava me colocar no lugar de monstro por cobrar ela de cumprir nossos acordos financeiros e de divisão de tarefas. Ela era a vítima de se relacionar com alguém que é exigente demais, que não entendia o tempo dela, o cansaço dela, os problemas dela.
Passei boa parte do tempo elaborando esse luto, me questionando se era realmente isso ou se ela era realmente folgada. Depois de um ano de namoro, sete meses morando juntas, eu terminei. Me vi enrolada em dívidas de outra pessoa porque estava cega de paixão. Senti e ainda sinto muita raiva dela, que até hoje não me pagou, inclusive. Me arrependi amargamente de ter mergulhado nessa relação.
Acontece que desde que terminamos o relacionamento, que já faz seis meses, eu não consegui mais me organizar financeiramente. E não por falta de dinheiro, mas por não conseguir estabelecer limites para mim e para mim mesmo em cumprir. Eu comecei a gastar compulsoramente com coisas que eu nunca tive o costume de gastar.
Hoje eu ganho quase o dobro da renda de quando estávamos juntas e esse mês, pela primeira vez, faltou dinheiro para pagar as contas. Eu ganhei essa consultoria financeira e a consultora, que quando escutou a história, levantou essa hipótese. Eu estava me punindo por ter deixado ela fazer isso comigo. Fiquei quatro dias inteiro esperando o momento da análise e lá chegou no mesmo ponto que aparece tantas vezes.
Me diminuí para acabar em todos os relacionamentos que eu tive. Mas eu não consegui colocar limites porque sempre tinha medo da pessoa me deixar. Por acreditar que era muito difícil me amar. Porque eu não consigo me amar.
Eu já citei tantas vezes os traumas que me fizeram aprender a me odiar. Já cheguei a essa conclusão tantas vezes que eu me sinto em um labirinto tentando incessantemente achar a saída e me deparando com a parede ao final de todos os caminhos. Saí da análise irritada por ter chegado nesse ponto de novo. Diz que queria ter uma marreta para quebrar essa parede. Rompeço a limitação.
Eu estou restabelecendo uma boa relação com a comida. Estou construindo uma boa relação com o trabalho, mas eu não fui capaz de construir uma boa relação comigo mesma. Inconscientemente, eu encontrei outra forma de me punir. Eu, que sou uma pessoa de processos, extremamente pragmática, só queria que me desse um passo a passo de como aprender a me amar. Eu sei que não é possível, mas eu gostaria de te ouvir para ajudar a encontrar caminhos que talvez eu não tenha percebido. Um abraço apertado. Obrigada por me ouvir.
Ai, tantas coisas pra falar desse meio. A primeira delas é que eu não gosto da ideia da autopunição, autossabotagem. Eu não gosto dessa ideia de que a gente tá se castigando. Ah, eu tô me castigando porque eu permiti que ela fizesse isso comigo. Sabe, eu gosto de olhar um pouco mais a fundo isso.
a gente tá sempre tentando amenizar a dor. Eu não diria que a gente tá tentando ser feliz, mas a gente tá sempre tentando amenizar a dor, não sentir dor. É o que a gente aprendeu a fazer, é o que o ser humano quer fazer. Ele quer ficar na homeostase, ele quer ficar num ponto em que a vida tá normal. Eu não tô sentindo dor, não preciso sentir o êxtase do prazer, mas eu não tô sendo apertada pela dor, eu tô num suposto equilíbrio.
E para conseguir esse suposto equilíbrio, para conseguir não ficar imerso, imersa na dor, a gente aprendeu a desenvolver ferramentas, comportamentos que nos protegem ou nos protegeram ao longo da vida, que nos fazem amenizar a dor, que nos fazem sentir um pouco de prazer, que nos fazem sentir que a gente dá conta da vida. Essas ferramentas que a gente aprendeu, elas em regra não são as melhores ferramentas.
Porque ninguém chegou para você e falou, olha, essa ferramenta aqui, ela é muito boa para usar nesse momento, ela é a mais eficaz. Existem estudos que comprovam que ela é mais eficaz, ela foi planejada para isso aqui, não foi. Quando você era criança, você tinha o seu martelinho, você saiu batendo tudo com o martelinho e aí depois você descobriu ao longo da sua vida ferramentinhas, coisas que nem eram ferramentas que você resolveu usar como ferramenta, sabe? Quem nunca pegou uma faca para tentar tirar o parafuso?
Sabe assim, nem é uma ferramenta, mas é o que eu tenho. Eu tenho uma faca para tirar o parafuso. Seria o ideal uma chave estrela? Seria, mas o que eu tenho é uma faca. E é com essa faca que eu fico tentando tirar, virar aqui o parafuso. E auto-punição, auto-sabotagem, esses comportamentos que machucam a gente mais do que cuidam, eles são a gente com a faca tentando tirar o parafuso, sabe? É a gente sem outra ferramenta para cuidar da gente.
É a gente de um jeito muito ineficaz. Tentando cuidar da gente mesmo.
não é necessariamente você se punindo. E sabe por que eu estou falando isso? Que não é necessariamente você se punindo, você se castigando, você se fazendo mal. Porque em regra, parece que tem um inimigo dentro da gente, né? Alguém dentro da gente que precisa ser combatido. Uma parte nossa que precisa de uns gritos, que precisa do sacode, que precisa que a gente amarre essa parte da gente porque ela é cruel, ela é desalmada. Não, gente.
Tem uma parte sua que tem tomado decisões que te machucam porque ela realmente acredita que essas decisões são as decisões que vão te levar para um caminho conhecido. Essas decisões vão te levar para um caminho de menos dor. Porque, veja, conhecido não significa bom. Conhecido não significa gostoso. Conhecido não significa prazer. Conhecido significa conhecido. E o seu cérebro quer o conhecido.
Ele que é o confortável, o conforto do conhecido, o conforto do previsível. Entende? Então você acaba tomando caminhos para chegar em lugares que são caminhos ineficazes, mas são os caminhos que você conhece. E o teu cérebro fala assim, não vai por esse caminho aí não, gata. O caminho é diferente. Não vai por aí não, porque você não sabe o que você pode encontrar ali.
Ah, mas aqui tá ruim. Tá ruim mesmo, você conhece? Tá ruim mesmo, você sabe o que esperar? Sabe o rouba, mas faz? Então, ah, rouba, mas faz. E se for pra ler, rouba e não fizer. Então a gente tem, o nosso cérebro, ele tem a tendência de colocar a gente agindo da mesma maneira, não porque ele quer sacanear a gente, não porque existe dentro da nossa cabeça um sabotador.
Mas porque aquele caminho é o caminho que, de alguma forma, nós estamos concluindo de uma maneira ineficaz, de uma maneira meio ilógica, mas a gente está concluindo que aquele caminho é o caminho que vai fazer bem para a gente. Aquele caminho é o caminho que vai te ajudar a realizar o que você precisa. Aquele caminho é o caminho que vai te fazer nem ajudar a realizar o que precisa, mas para não piorar as coisas. Porque nem sempre o teu cérebro está lutando para melhorar as coisas. Às vezes ele só não quer piorar.
E aí, pelo medo de não piorar, ele às vezes te coloca no lugar em que você também não pode melhorar. Então, o primeiro ponto aqui é essa ilusão do auto-sabotagem, auto-punição, eu estou me maltratando, eu faço mal para mim mesma, não temos inimigos. Você faz besteira, você faz mal para você, tem comportamentos seus que te fazem mal.
Mas não é pensado nisso. Não é porque tem uma parte sua que você precisa combater. É porque tentando cuidar de você, você pega ferramentas, você utiliza ferramentas que te machucam. Achando que essa escolha vai te fazer bem, você se faz mal. Mas lá na sua intenção, lá em você, no que faz brotar esse comportamento, está a intenção de diminuir o teu sofrimento. Não está a intenção de causar sofrimento.
Isso, para mim, muda muito a forma que a gente olha para a gente. Então, esse é o primeiro ponto. Eu já falei aqui de auto-sabotagem algumas vezes. Eu não acredito nesse pedaço nosso que nos destruir. Mesmo o pedaço nosso que nos destruir, quem acredita nisso dentro da psicanálise, a gente está falando de destruir, mas para voltar para o estado primeiro de homeostase. No final das contas, eu quero o quê? Ficar sem dor.
Esse destruir não seria a fim, seria o caminho. Mas enfim, não vamos entrar nessa discussão filosófica sobre se destruir não destruir não. Esse é o primeiro ponto que eu quero dizer para você. O segundo ponto, amores, é essa pataquada que a rede social trouxe para a gente de que a gente vai conseguir amar tudo em nós. Amor não vai rolar. Você não vai amar tudo em você. Eu não amo tudo em ninguém nessa vida.
Antes de começar a gravar aqui, eu tava falando com a Nath, minha amiga que grava comigo. Falei, amiga, tava contando o final de semana com as crianças, dizendo como foi legal, como meus filhos são muito bacanas, eles são gentis. Nossa, eu tava falando aqui como é gostoso ser mãe deles. Amo loucamente. Mas eu consigo listar facinho, vários defeitos meus filhos. Tem várias coisas que eu pudesse fazer. Pega ajustadinho ali pra ficar mais fácil.
Isso não quer dizer que eu não os ame. Por que a gente criou essa ilusão de que a gente vai amar tudo na gente? Que eu vou olhar meu bracinho e vou falar Ai, que bonita essa pelanquinha no meu bracinho. Ai, que bonita essa característica minha que eu quero atropelar as pessoas às vezes. Não, não amo essas características minhas. Mas elas fazem parte de mim. E eu tô aprendendo de estar com elas.
Eu reconheço que elas não merecem o meu ódio a mim mesma, assim como nenhuma característica dos meus filhos faz com que eles mereçam que eu odeie eles ou que eu não os ame. Eles são incríveis, mesmo com essas características. Eu sou muito legal, mesmo com as minhas características que eu não considero tão amáveis assim. Nem tudo é lindo e amável em nós.
Então sim, a gente não vai amar tudo, mas a gente não é esse mito do amor próprio que tudo em mim merece a minha admiração. Não, gente. Vai ter todo dia, vou descobrir um negócio novo. É problema todo dia. E aí é um outro ponto, que é importante dizer, não tem cura pra você não, viu? Como não tem cura pra mim, como não tem cura pra ninguém, a gente vai ser a gente. Pois é.
Não existe o caminho que vai fazer a gente não lidar com as nossas belezas e nossas feiuras. Ambos são bastante. Não tem cura, gente. Eu gosto de pensar como uma casa. Sabe? Digamos que a casa está bagunçada. Aí você reforma, vai reformando os cúmulos da casa e organizando a casa.
Quando você acabou de reformar o último cômodo, o primeiro que você reformou já não está tão atualizado assim, já está precisando de um negócio diferente. E assim é a vida. Quanto mais bonitos estiverem os outros cômodos, mais arrumados, mais vão enxergar aquele primeiro e falar, nossa, ele podia estar melhor. E a gente vai construindo esse caminho de enxergar a sujeira das bagunças. O nosso caminho na vida, ele é um sobe e desce. Sabe?
Não é uma linha reta, assim, é ascendente. Ele sobe, ele desce, ele sobe, ele desce, a gente dá dois pés pra trás, três pra frente. Mas sabe o que eu aprendi? Eu aprendi cada vez que eu faço uma besteira.
que eu falo, meu Deus, olha eu aqui de novo. Eu só lembro do Chaves, sabe? Volta o cão arrependido com as suas orelhas. Já quando eu venho lá e lá vem o cão arrependido de novo, cada vez que vem, eu paro para pensar que esse cão arrependido não está voltando para o mesmo lugar.
Porque assim, o caminho é sobe, desce, sobe, desce, mas esse sobe, desce não faz você voltar para o começo. É um sobe, desce, sobe, desce, mas aqui você não está aqui embaixo. Você já subiu um pouquinho. E assim a gente vai, sabe? Pode não ser essa linha aqui, mas você dá dois passos para trás, mas você não voltou para o mesmo lugar.
E quando eu cometo alguns erros, ou volto para alguns sentimentos, que eu falo, gente, mas eu estou aqui de novo, nessa situação, querendo isso daqui, eu enxergo, mas eu não sou mais aquela que queria isso há dois anos. Essa é a exama de hoje, ela está com outras ferramentas.
Então assim, ok, estou com esse parafuso para lidar aqui, mas eu não estou mais com a faca. Já ganhei uma chavezinha estrela. Não é a chave ideal. Não tem o tamanho do encaixe certinho, mas ela já é uma chave estrela. Ela já é um material, uma ferramenta mais eficaz. E assim a gente vai aprendendo a enxergar as ferramentas, a reconhecer a ferramenta e a usar a ferramenta. O grande perigo...
É a gente achar que esse caminho de valorização de quem a gente é, de amor próprio, do que você chamar, é um caminho que é um caminho para você se curar de você. Você não é uma doença. Você não precisa de cura de você. E não existe cura, gente.
Pois é, a gente tem essas características tonas aí para lidar. Esse tanto de imperfeição. Porque são muitas, viu? Eita que eu sou um pacotinho daqueles de imperfeição. Tem coisa que eu não queria mais lidar.
Sabe, tem comportamentos que eu não queria mais ter. Tem momentos que eu não queria estar chorando por aquele motivo e falar, meu Deus, eu estou chorando por aqui. E aí aquele choro me explica, nossa, como isso é importante para mim. Nossa, como isso aqui foi importante para mim. Então seja lá qual for o pedaço seu que está gastando horrores, esse pedaço que talvez...
Tá querendo falar que tô endividada, mas não tô endividada que o prazer foi meu, não foi dos outros. Agora tô endividada pelos meus débitos. Sei lá, o que esse pedaço seu quer te dizer. Mas o que ele tá precisando agora é de limite, sim. Mas não é de um limite colocado na base do grito e do você louca, sabe? É um senta aqui, vamos conversar. O que é que tá fazendo você sair assim? Gastando tão loucamente.
E como é que eu lido com você? Com esse pedaço meu que quer tanto me cuidar dessa forma tão ineficaz. Dessa forma tão...
tão dolorosa. A gente viajou, né? E aí, a gente foi pra uma parte, eu não sei se contei isso aqui. A gente foi pro um lugar na cidade do Cabo que chama Table Mountain. É uma montanha que ela parece uma mesa mesmo. Ela é bem reta em cima.
E aí a Tebomonte tem outros horários que você deve visitar por conta das nuvens. As nuvens, elas cobrem. E aí tem um nome da nuvem que eu esqueci, mas é tipo se fosse uma toalha de mesa. É muito bonito de ver. E a gente foi, a gente tinha uma parte da montanha que estava com a nuvem. E as crianças queriam ir caminhando. As crianças não, meus adolescentes, né? Queriam ir desbravando ali no meio das nuvens. E eu falei, gente, aqui chega.
E chegou um momento que eu falei, não vou mais. Parou, é aqui. Nossa. E aí você acha o quê? Que eu recebi um abraço, um beijo, um obrigado, mamãe. Que lindo que você cuidou de nós. É claro que não. Ficaram possessos comigo, né? E aí depois que passou toda essa confusão, Helena me chamou para conversar e falou, mamãe, eu fiquei meio chateada.
Porque às vezes é muito ruim quando você não deixa eu fazer o que eu quero fazer. Porque você está com medo. Eu não estava com medo. E aí eu expliquei para ela o quanto é difícil fazer o cálculo, sabe? E eu falei, filha, eu tenho duas coisas que vivem brigando quase por um equilíbrio na minha vida com vocês. O meu desejo de que vocês tenham muita autonomia.
E o meu medo de negligenciar o que vocês precisam. O cálculo nunca é exato. E eu fico pendendo de um lado para o outro aqui com vocês. Tem hora que eu... Que vence a autonomia. Tem hora que vence o meu medo. Tem hora que a autonomia está me dizendo que massa. Tem hora que podia ser um pouco menos. E assim eu vou. Desenhando. Essa construção.
Eu estou trazendo isso porque, assim, a gente vai desenhando essa construção com a gente, com as nossas características, sabe? E existem momentos que algumas características da gente, elas vão crescer e vão ganhar perspectivas. E a gente vai falar, nossa, olha só como eu melhorei nisso, como eu melhorei na compulsão alimentar, como eu estou melhorando a minha relação do trabalho. E aí vai aparecer outra coisa, você cuidar. E assim a gente vai, dançando com a vida.
Procurando esse equilíbrio que é movimento, esse equilíbrio que não é estático, esse equilíbrio que é, sabe? Só se lembra que se amar não é aceitar tudo em você. Se amar não é achar que você é incrível e só isso, sabe? Se amar é achar que você é incrível também.
Se você quer uma relação de amor com alguém, é uma relação que é complexa. É uma relação que é difícil, fases difíceis. Então, a relação de amor suma com você mesma vai ter fase em que você vai olhar e falar, meu Deus, olha o que eu estou fazendo de novo. Como eu olho às vezes para o meu filho e penso, caramba, cara, a gente começou ontem sobre isso. E a gente vai.
tira do pedestal essa relação de amor próprio que querem colocar pra gente, sabe? E que querem que vire... Que vira uma obrigação, que é um produto que a gente tem que comprar. Se ame como se fosse possível simplesmente me amar e me amar fosse igual pra todo mundo. E aí, enquanto você falava, tem uma música... Gente, no final de ano, eu compartilhei com vocês, compartilhei no Instagram, as minhas músicas mais ouvidas.
E aí tinha o trap. E a galera, trap? E sua filha ouve o seu... Pelo seu Spotify? Eu falei, gente, não. Eu escuto Duquesa, Julia Costa. Eu adoro as negonas. Adoro escutar essa mulherada. E aí tem uma música da Duquesa que não gosta de palavras, etc. Nem vai ouvir, tá? Vocês não chamam, é rap, é trap. É isso mesmo. E aí tem uma música da Duquesa que ela fala, eu não sou fácil e eu não amo fácil. Eu não sou fácil. Eu, Elisama, não sou fácil.
E eu também não amo fácil. Ser amada por mim deve ser muito legal, porque eu, cara, sou leal pra caramba. Eu amo com todo o meu coração. Mas eu não sou fácil. E eu não vou te amar fácil. Se eu achar que você pode melhorar, eu vou te falar. Se eu precisar pegar o teu pé, eu vou pegando o teu pé.
Se eu achar que um comportamento meu seu doeu em mim, eu vou te falar esse comportamento doeu em mim. Eu não acho que eu amo fácil, porque eu sou fácil. Eu tenho medo de que esse acha fácil, inclusive.
Ninguém é, sabe? E por que meu amor por mim ia ser fácil? Os outros também não é. Então, eu só consigo olhar, porque comigo eu me cobro mais, comigo eu faço o que eu não faço com os outros, de olhar e pensar, o quê, querida? Está passando o limite com você, vamos dar uma respirada.
mas eu não brigo mais comigo quando eu reconheço meus padrões eu também queria depois de colocar luz num comportamento meu na terapia falar pronto, resolvi mas não é assim que funciona a gente põe luz no comportamento pra gente aprender quando ele vai aparecer e desenvolver as ferramentas de lidar com ele não quer dizer que ah, entendi, agora eu vou me transformar em outra pessoa não é assim, entendeu?
Aí você olha e fala, ah, é assim que eu funciono. Uau! Então, já que eu funciono assim, eu posso fazer isso, isso, isso, isso e isso. Mas o funcionamento da máquina é esse daí. Sacou?
Não é sobre você refazer o teu funcionamento. É sobre você aprender a lidar com o seu funcionamento. E sim, volta e meia esse funcionamento vai para lugares que você não queria que ele fosse. Vai ser de um jeito que você não queria que ele fosse. É comigo assim também. Tá bom? É isso, meu amor. Gente, esse episódio...
Foi atribulado. Vocês não estão entendendo. Apareceu uma voz do nada. Que a gente ficou caçando um celular fantasma aqui no quarto. A gente teve queda de energia. Então ele deve estar cheio de cortes. Espero que ele esteja fazendo sentido. Eu confio na Nath, na edição. Ela costuma fazer milagres. Mas é isso. Tenham dó de nós. Porque foi suado esse episódio. Foi suado. Se você gostou dessa conversa, meu amor. Compartilha com todo mundo.
Todo mundo precisa ouvir isso, sabia? Compartilha com as amigas, compartilha nos seus stories, compartilha com todo mundo este episódio maravilhoso. Tá? Bota assim, nossa, gente, sobre amor próprio, vocês precisam ouvir. Ó, já tô te dando a tela, gente, ainda pronta? Deixa aí comentário, coraçãozinhos, coisinhas pro algoritmo saber que eu sou muito legal, que eu sou bacaninha, tá? E é isso. Até o próximo episódio.