EP. 78 - POR QUE HOMENS SÓ PERCEBEM O ERRO TARDE DEMAIS?, Chá de Coragem de Elisama Santos
Por que os homens só reconhecem o valor das relações quando elas terminam? Por que esperam tanto? Por que não de esforçam no cuidado?
De onde vem a dificuldade masculina de expressar vulnerabilidade e a qual a diferença entre a culpa e a responsabilidade diante dos nossos erros?
Esse é um convite para olhar para os próprios erros com honestidade, aprender a lidar com as consequências sem se colocar no lugar de vilão e descobrir como construir relações baseadas na lealdade e na presença real.
Aceita esse Chá de Coragem?
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Eu sou autora de 8 livros, entre eles 3 Best-Sellers, sabia?
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✦ Créditos ✦
Conceito, Roteiro e Direção: Elisama Santos e Natália Araujo
Cenário e Produção: Natália Araújo
Filmagem e Edição: Natália Araújo
- Crise da MasculinidadeExpressão de vulnerabilidade · Culpa e responsabilidade · Apego evitativo · Impacto da pornografia
- AutoconhecimentoTerapia e auto-sabotagem · Reconhecimento de erros · Mudança de comportamento
- RelacionamentosLealdade e confiança · Comunicação em relacionamentos · Cuidado emocional
Por que os homens costumam perceber que podiam ter feito mais pela relação só depois que ela acaba? Que mecanismo social é esse que mantém uma dor que machuca a pessoa e todo mundo ao redor? E o que a gente faz quando percebe que perdeu a chance de cuidar de algo muito precioso? Aceita o chá de coragem?
Música
Olá, tudo bem? Tenho 34 anos e escrevo para compartilhar um relato pessoal que foi muito atravessado por um episódio do seu podcast sobre culpa, erro e responsabilidade. Ouvir aquele conteúdo foi um divisor de águas para mim. Entre tantos vídeos, podcasts e conteúdos que encontrei tratando a pessoa que erra, sempre como o vilão da história, o seu foi o que trouxe uma visão diferente.
a visão de quem erra, do que fazer depois do erro e de como lidar com as consequências sem se destruir por completo. Por isso, escrevo também como forma de agradecimento e, se possível, para ouvir o pitaco seu.
Tive um relacionamento de aproximadamente 3 anos. Desde o começo, sempre existiu uma conexão forte de parceria, amizade, companheirismo e carinho entre nós. Eu sempre fui um cara carinhoso, parceiro e amigo. Ao mesmo tempo, ao longo de todo o relacionamento.
Minha ex-companheira era quem mais puxava a manutenção da relação. Conversas difíceis, ajustes de comportamento, alinhamento de expectativas, observações sobre atitudes minhas e dela. Ela sempre foi muito ativa nesse cuidado com o relacionamento.
Eu, por outro lado, sempre fui mais travado para me expressar. Tenho muita dificuldade de argumentar, de colocar sentimentos para fora e falar sobre o que me incomoda. Tenho medo de ser mal interpretado, de parecer bobo ou infantil, de gerar conflito, de virar uma briga ou até de provocar um término. Por conta disso, muitas vezes, eu preferi engolir o que sentia, empurrar os problemas para debaixo do tapete e fingir que dava para relevar.
Enquanto ela trazia até coisas pequenas para conversar, pensando bem na relação, eu acabava negligenciando a manutenção do relacionamento por imaturidade e medo de confronto. Comecei a fazer terapia incentivado por ela. Inicialmente o foco era trabalhar muito minha auto-sabotagem, minha tendência era me colocar para baixo um padrão de estagnação que desenvolvi depois de um período de depressão na juventude.
Ela sempre me apoiou muito nesse processo, me incentivando, me colocando para cima e estando presente. A terapia me ajudou a começar a me abrir mais com ela, a falar um pouco mais nas conversas difíceis e a não ficar em silêncio quando surgiam problemas. Ainda assim, esse processo foi lento.
Dentro do relacionamento, existiram questões mais profundas e delicadas. Uma delas foi meu vício em pornografia, que impactou diretamente nossa vida sexual. Eu sempre tive desejo por ela, sempre senti tesão, mas desenvolvi a ejaculação tardia por conta desse hábito.
O que fez com que muitas vezes ela gozasse e eu não. Quando isso começou a gerar questionamentos, eu me abri e falei sobre o vício. Foi um baque para ela. Mas mesmo assim, ela ficou do meu lado, apoiou, incentivou e tentou me ajudar. Troquei de terapeuta até encontrar um profissional que tratasse especificamente esse tema.
Hoje, eu sigo em acompanhamento, com avanços reais. Mas é um processo longo, e que desgastou muito emocionalmente ela. A ponto de, em alguns momentos, ela sentia que estava lutando contra a pornografia dentro do relacionamento. Houve um episódio que me marcou profundamente. Uma noite em que estávamos desconectados emocionalmente, meio no automático.
E ela acordou de madrugada chorando e pedindo para que eu fosse embora da casa dela. Aquilo me pegou de surpresa. Eu fui para o sofá, fiquei pensando no que eu tinha feito, mas desejando eu ir embora. Voltei, abracei, acolhi e deixei ela colocar tudo para fora. Não soube falar muito, mas estive ali presente. No dia seguinte conversamos e eu disse o quanto aquilo me doía, o quanto eu não queria vê-la daquele jeito e que eu ia lutar pela gente.
Hoje eu reconheço que aquilo foi um grande alerta, mas minha mudança de postura ainda foi lenta. Faltou timing, maturidade e uma virada mais profunda da minha parte. No fim do ano passado, as coisas começaram a mudar. Ela ficou mais distante e ao mesmo tempo mais insistente na manutenção da relação.
Hoje eu entendo isso como uma espécie de luto dentro da relação. Uma trânsito de vida final, quase desesperada de salvar algo que já estava muito frágil. Eu não percebi isso na época. Continuei cego por imaturidade e por não conseguir enxergar a gravidade do momento. O estupindo término aconteceu por conta do meu comportamento no Instagram. Já havíamos tido a conversa meses antes sobre limites, valores e comportamentos em redes sociais, quando eu segui de volta a uma pessoa que conhecia antes do relacionamento.
Na época, eu não levei aquela conversa tão a sério, tão a sério quanto deveria. Depois, ela descobriu que eu estava curtindo fotos de mulheres que eu conhecia. Por mim, curtir fotos de pessoas que eu conhecia pareceu algo normal, sem nenhuma intenção. Para ela, isso foi uma quebra de confiança e de um valor inegociável, a lealdade. Ela se sentiu desrespeitada, desconsiderada e terminou o relacionamento, dizendo que não havia mais futuro entre nós.
Hoje eu entendo que, independente da minha intenção, o impacto disso foi grande e abriu interpretações e feridas que eu negligenciei. Após o término, entrei num período intenso de culpa, arrependimento, vergonha e autocrítica. Na primeira semana eu fiquei muito mal. Na segunda, procurei ela para pedir desculpas e me responsabilizar pelo que fiz. Ao mesmo tempo, comecei a buscar conteúdo sobre o tema e me vi sempre colocada no lugar do vilão, o que me afundava mais ainda.
Seu podcast foi o primeiro que me trouxe outra lente. A de que o erro não me define, mas me responsabiliza. Que a culpa paralisa, enquanto a responsabilidade transforma. E que se algum dia houver um recomeço com ela, será uma relação nova, com cicatriz, que precisa ser cuidada, não simples voltar ao que era. Porque não tem como ser como antes, pois teve um acontecimento ali.
Encontrei algumas âncoras para atravessar esse período. Música que me colocava para cima, o seu episódio do podcast que eu ouvi em loop, sempre que a ansiedade batia, isso me ajudou a sair do lugar da autopunição e para um lugar de consciência. Passei a enxergar com mais clareza o quanto foi imaturo no relacionamento, o quanto negligenciei a manutenção da relação, o quanto negligenciei meu comportamento fora da relação e o quanto isso teve consequências reais para outra pessoa.
Comecei com ela novamente, de forma mais honesta e emocional do que jamais tinha conseguido ser.
Não para manipular ou reconquistar, mas para ser verdadeiro sobre o que eu sentia e reconhecia. Curiosamente, foi enquanto parei de tentar falar certo e falei do meu jeito emocional que a conversa fluiu de forma mais leve. Saí dessa conversa mais tranquilo, consciente do que causei, consciente da dor que eu gerei, consciente de que agora existe um processo que não se resolve com palavras. Adorecer, cuidar de mim, entender meus padrões e mudar meus comportamentos no futuro.
Queria compartilhar esse relato com você para agradecer pelo impacto no seu trabalho e, se possível, o seu pitaco sobre esse processo. Obrigada pelo escudo e pelo conteúdo que você produz. O impacto foi real para mim. PS, realizou uma bacaninha. Ai, gente!
Não é incomum, na realidade é muito comum, que os homens, quando chegam num processo de terapia, quando chegam num processo de reconhecimento do fim da relação, que eles nomeiam, nossa, eu não fiz o que eu podia ter feito para cuidar da gente. Eu deixei passar os avisos dela, eu não notei quando ela me falava isso, isso e isso, que era sério.
A gente tem muitas questões envolvidas nisso. A primeira delas é que os homens não são ensinados a cuidar da relação. Os homens, na realidade, não são ensinados ao cuidado de uma forma geral. Então, a mulher, a menina, ela é direcionada na infância a cuidar. Ela aprende que ela tem que cuidar.
Ela treina cuidando da bonequinha, ela aprende que ela tem que cuidar da família, que ela tem que cuidar da casa, que ela tem que cuidar dos outros. Então, as brincadeiras voltadas para as meninas são brincadeiras mais direcionadas ao cuidado. A gente vê as posturas das meninas pensando o tempo inteiro nesse carinho de cuidado, de como é que você está, você está bem, de observar o outro. Isso é um treino, gente. Isso não é uma habilidade que a gente vai falar assim, ah, nasceu com as mulheres.
Não é uma habilidade que nasceu com as mulheres. É uma habilidade que é exacerbadamente treinada nas mulheres e pouquíssimo treinada nos homens. E não é à toa.
que a gente vê nos cursos sobre relacionamento. Se vocês abrirem hoje os comentários aqui, vocês vão ver quantos comentários são de homens, quantos são de mulheres. Vocês vão ver quantos comentários nos meus livros são de homens, são de mulheres. A diferença, gente, é exorbitante. É uma diferença enorme. Porque o cuidado ficou no lugar da mulher e a manutenção numa relação é cuidado. E a manutenção numa relação pede algo e a manutenção numa relação é um livro.
que os homens não têm aprendido a lidar, a enxergar e a assumir, que é a própria vulnerabilidade. Os homens não são ensinados a se conectar com as próprias emoções. Não que a mulher seja ensinada a se conectar com as emoções dela, mas a mulher desenvolve lugares mais seguros para se conectar com as próprias emoções. Os homens não. Existe ali uma emoção
que ela é validada, ela é permitida, que é a raiva. Então o cara pode ficar puto, ele pode sentir raiva, todo o resto ele não pode. E aí os homens crescem a se reconhecer quando eles estão com medo, quando eles estão tristes, quando eles estão angustiados. Tudo vira uma ira, uma irritabilidade, que você não sabe direito a nomear. A gente tem aí uma outra questão. Quando a gente fala da teoria do apego, tem um episódio aqui falando da teoria do apego. Por sinal, gente, naquele episódio eu falo que são...
Três tipos de apego e o quarto. O quarto atrapalha o nome. É apego desorganizado, tá? É porque eu falo rápido, muita coisa na minha cabeça. E aí eu falo que o apego é ambivalente, seguro, ambivalente, evitativo. Ambivalente ou ansioso, evitativo e... E falo o terceiro nome que eu não lembro qual foi. Mas é desorganizado. Eu quero focar aqui em dois tipos de apego principais, que é os que a gente mais vê nos adultos.
A gente vê teoricamente três tipos de apego, o seguro. O seguro não é um apego perfeito, o seguro é aquela pessoa que considera seguro e está na relação, sabe? Ela sabe que ela pode contar com o outro, ela sabe que o outro pode contar com ela. Então tem os percalços na relação, ela sabe que a relação não vai ser perfeita, que relações são difíceis.
Mas ela tem ferramentas internas para lidar com isso. São as pessoas de apego seguro. Grande parte de nós não tem apego seguro. E aí a gente sai se dividindo entre o apego ocioso e um apego evitativo.
Por questões sociais, as mulheres tendem a ter o apego ansioso. O que é esse apego ansioso? É um apego em que eu sinto que eu preciso, eu tenho a sensação que eu preciso estar presente na tua vida o tempo inteiro e você tem que estar se provando para mim, para eu saber que a gente está junto. Então, o que eu faço agora? O erro é meu. No apego ansioso, eu penso sempre assim, o que eu podia ter feito, como é que eu conserto isso, o que é que eu faço?
Esse é o apego da maioria das mulheres. A gente tem uma tendência a esse apego ansioso. Por quê? Porque a gente foi treinada para o cuidado. A gente foi treinada para o que a gente pode fazer na relação. A gente foi treinada para tentar salvar o outro. Por mais que nós estejamos...
sejamos treinadas para sermos salvas por um homem, nós temos a tendência a sermos treinadas para salvar o outro no cuidado, etc. Os homens são, na sua maioria, evitativos. O que é o apelo evitativo? O apelo evitativo é aquele em que, sabendo que não é seguro estar com você, eu entro naquele lugar de por mim, eu nem queria mesmo.
Então eu paro de ter a minha necessidade emocional validada. Em vez de falar assim, você tem que atender a minha necessidade emocional, eu preciso ser amada por você? Apego ansioso. Apego evitativo fala, não, eu não preciso ser amada por ninguém. Necessidade emocional, o quê? O que é que isso come? Não sinto. Então o apego evitativo é aquele apego que eu falo, eu não preciso do outro.
E aí a tendência é se fechar, a tendência é falar pouco sobre as próprias emoções, a tendência é se abrir pouco para o outro, a tendência é se abrir pouco para si. Porque no apelo evitativo, o que você aprende a fazer? Você aprende a olhar para a emoção e falar, o problema é se eu sentir. Se eu parar de sentir, se eu parar de sentir, não vou precisar de ninguém, não tenho problemas. Opa, não sinto mais.
E aí você vai desenvolvendo mecanismos ao longo da sua vida para fugir do sentir, para fugir da conexão, para fugir da necessidade de estar com o outro.
Socialmente falando, nós somos incentivadas mulheres ao apego ocioso, por conta dessa tendência toda do cuidado, e homens a esse apego evitativo, por conta dessa coisa de você não tem que sentir, você é homem é um saco de batata, você é bicha, você está chorando com isso. Tudo que a gente já é homem, não chora, tudo que a gente cresceu ouvindo.
Então, para o homem, existe uma distância muito grande do próprio sentir. E olha, eu já falei aqui da dança apego evitativo ansioso, né? A pessoa ansiosa, quando ela fala, conversa comigo, vamos trocar sobre a nossa relação, vamos discutir aqui o que a gente precisa fazer para melhorar a relação.
Ela está dizendo assim, eu estou me sentindo desconectada de você. Eu tenho medo dessa desconexão, a gente não se resolver mais. Vamos sarar a nossa conexão, vamos ver como a gente fica junto. Aí a pessoa evitativa, ela ouve o seguinte. Você tem que fazer mais. Só que a pessoa evitativa, ela tem medo de ser...
Vista como alguém que fez besteira, ela tem medo de errar, ela tem medo de tudo que desperta grandes emoções. O que é que ela faz? Ela se encolhe. Ela se esconde dentro dela. Então o ansioso fala, por favor, por favor, conversa comigo, vamos se resolver. Aí o evitativo, sem falar, ele tá falando assim, eu vou ficar aqui quietinho, me deixa aqui quieto, no meu canto, porque quieto eu não corro o risco de fazer besteira.
Se eu ficar aqui bem quietinho, bem em silêncio, eu não pioro as coisas. E piorar as coisas é muito ruim. Já que eu não sei como eu vou melhorar as coisas, eu também não vou piorar as coisas. Eu vou ficar quietinho. Não existe. Fingir que não está acontecendo. Faz de morto, faz de morto, faz de morto. É o evitativo, entendeu? Algumas vezes esse evitativo vai ser grosseiro.
vai colocar a culpa no ansioso, falar, não, você tá demandando demais de mim, você quer demais, porque assim, o problema não sou eu. Eu não sinto isso, é você. O problema tá em você.
Quando o evitativo faz isso, o ansioso fica mais ansioso. E pensa, meu Deus do céu, a gente está realmente muito desconectado. Olha só o que está acontecendo aqui, eu quero conversar com você, eu quero trocar, eu tenho necessidade de sentir que a gente está junto nessa. E você está se afastando de mim. E se você se afasta de mim, eu entendo que você não quer estar comigo, eu fico mais ansiosa. Aí o que a pessoa do apego e do ansioso faz?
ela aumenta o comportamento de apego dela, aumenta a forma dela de conseguir apego, ela fica mais ansiosa e ela cobra mais. E aí o que o evitativo faz? O evitativo fica, aumenta o comportamento de apego dele, ele fica mais evitativo, ele fica mais apavorado, ele fica mais com vontade de fugir, de se esconder. Tem uma autora que ela é fantástica sobre relação, sobre educação com apego, não, sobre...
Ai, gente, sobre a teoria do apego, eu esqueci o nome dela. Climatério, querida, é você? Eu esqueci o nome dela. Mas ela fala que é a polca, a dança da relação. O inimigo da relação não é o evitativo nem o ansioso. O inimigo da relação é essa dança que os dois entram. E a forma da gente lidar melhor com a relação é a gente identificar a dança e falar, opa, peraí.
Alguns dos dois têm que ter lucidez para falar, a gente está entrando naquela dança. Em que eu fico ansiosa, e aí você fica me evitando porque eu estou ansiosa, eu fico mais ansiosa porque você está me evitando e a gente briga. Vamos começar? E aí? Como é que a gente lida com isso?
Isso é o quê? Relação madura. Uma relação madura é essa relação que a gente consegue sentar, nomear a nossa forma de apego, a forma que a gente aprendeu a lidar com as relações, e falar, olha, eu sei lidar assim, e eu quero aprender a lidar diferente por nós dois. Como eu disse, a maioria dos homens aprendeu o apego evitativo.
E aí na relação, a mulher sobrecarregada com cuidado fica nessa de ela é quem chama pra DR, ela é quem fala eu tô incomodada, ela é quem fala a gente pode melhorar, ela é quem busca terapia, busca um curso, marca uma viagem, é sempre ela. E o cara, ele tá sempre assim, ah, as coisas não se resolver, me deixa aqui quieto, como eu não sei o que eu vou fazer, e gente, essa dança ela não é consciente, tá?
Não é a mulher pensando, ah, essa é a hora de eu fazer assim, e cobrar, e cuidar, e não é o cara pensando, eu vou me esconder aqui e ficar quietinho. Não, é uma construção social que a gente vai desenvolvendo essas ferramentas e a gente fica preso e presa nelas. Estou falando aqui de mulher e homem, gente, mas enfim, tem as suas exceções, as suas construções diferentes, estou falando de uma forma geral, como a sociedade construiu, como a gente é socializado. E sim, a gente é socializado de uma forma muito dual.
O que eu quero trazer aqui para você? É tão importante momento em que a gente olha para os nossos erros e no meio aprende com eles, sabe? Pois é. Você provavelmente, pela sua descrição aqui, aprendeu teu apego evitativo.
Você aprendeu que não é seguro se abrir, que não é seguro falar, que não é seguro demonstrar sua vulnerabilidade, que não é seguro ser vulnerável. Você aprendeu a contar para você a história de que você não tem vulnerabilidades. Vulnerabilidade é bom, que é isso? Não, eu não sinto nada desse negócio não.
Sou muito forte, obrigada. E aí você não tem contato com o seu sentir. O que não quer dizer que você não sente. Quer dizer apenas que você não aprendeu a nomear e cuidar do seu sentir. E que o seu sentir determina comportamento seu, sei que você perceba. E quando a gente finge que a gente não está sentindo, a gente costuma magoar as pessoas que estão ao nosso redor. Eu nem entrei aqui no vício de pornografia, porque, infelizmente, é um vício muito, muito comum.
Que precisa ser tratado, que precisa ser olhado. Eu tenho muita esperança que a vida sexual dos nossos meninos não comece como começa normalmente com contato com um sexo que não existe, contato com um sexo que é uma performance violenta com a mulher.
Enfim, mas o que eu quero trazer pra você é que coisa importante conseguir olhar as relações e aprender como é que você funciona e entender o que é que você leva pras próximas relações. Porque nem sempre as coisas que a gente fez na relação elas são possíveis de serem consertadas, sabe? O que não quer dizer que você não vai aprender pras próximas.
O que não quer dizer que toda a sua reflexão, todo esse seu cuidado, todo esse aprendizado não está servindo para nada. Porque o que eu vejo é, muitas vezes, o homem após o fim da relação querer mudar e aprender, mas é por ela ainda. Ainda é para voltar para a relação. E você precisa aprender e mudar e se aprimorar por você.
Porque não sendo ela com você, vai vir uma outra pessoa. E você precisa saber o que você tem pra ofertar na relação, sabe? E você precisa saber os seus medos pra você conseguir conversar com essa pessoa. Você precisa saber as suas ansiedades pra você conseguir conversar com ela. Você precisa saber as suas dificuldades pra você falar, olha, pois é, tenho essa tendência aqui e eu não quero agir assim com você. Vamos pensar como é que a gente constrói isso de um jeito diferente?
Aqui em casa a gente tem o desenhadinho, assim, ansioso e o evitativo. Sabe? Eu acho que hoje eu já consegui construir com o Isaac um vínculo mais pro seguro. Muito da minha parte, ele ainda tem uma construção bem evitativa. E hoje a gente já consegue olhar e falar, ó, estamos entrando naquela dança, que a gente não quer mais entrar. Vamos conversar sobre isso.
Mas se o nosso relacionamento um dia não der certo, a gente sai dessa relação com muito aprendizado sobre como cada um de nós não funciona. Sabe?
E eu sei, eu já sentei com ele e vou sentar com qualquer cara que eu me relacionar na minha vida. Ou qualquer pessoa que eu me relacionar na minha vida. E falar, eu sou uma pessoa que precisa de gestos de carinho. Que gosta de abraço, que gosta de beijo, que gosta de palavras. Gosta de conversar sobre a relação. E eu quero falar isso logo no começo. Porque se isso for um problema, eu não quero começar a relação com ninguém.
Porque a gente tem uma tendência de achar que se eu ficar quietinha e eu não contar o que eu preciso na relação, a gente vai se resolver lá pra frente. E não vai, entendeu? E aí você aprendeu que você tem uma tendência a evitar a relação, que você não aprendeu a cuidar dela. E essa responsabilidade, amor, é toda sua. Cuidar disso é responsabilidade sua.
Eu fiz toda essa explicação sobre apego, sobre a sociedade, sobre como os homens são ensinados. Não é para você usar isso como justificativa, você homem, usar isso como justificativa. É para entender, eu não aprendi. E se eu quero lidar com essas mulheres que estão cada vez mais conscientes do que elas querem na vida, cara, eu vou precisar aprender. E não é uma crítica pessoal a você, falando, você é o incompetente!
Não é sobre você, é sobre o que você aprendeu socialmente falando. E o que você vai fazer com isso, sabe? Porque para nós mulheres que nos relacionamos com homens, a gente está só pensando assim, o que vocês vão fazer com isso? Porque de verdade, só saber não muda, sabe? O homem precisa decidir o que ele vai fazer com a relação. Ele precisa aprender a se vulnerabilizar. E aprender a se vulnerabilizar não é botar um açaí ou um coque.
Fica no hype aí. Sabe? Não é pintar unha. Não é falar que você é um homem super feminista. Não é sobre isso. É aprender a dar nome para os sentimentos. Se responsabilizar por eles. É aprender que você não aprendeu a escutar mulheres. Que você não aprendeu a cuidar.
Que você tem uma tendência a se defender das coisas que acontecem com você. A se defender das emoções. A achar que tudo é uma invasão. O seu espaço. Que achar que tudo é cobrança demais. Que você tem essa tendência. E que você quer aprender a dar uma respirada. E ir além desse padrão. E ir além dessa tendência. E se responsabilizar. Isso, cara. Você vai levar pra vida. Você disse que não tem quatro anos. Tem um monte de vida pela frente.
Que bom que você aprendeu. Vou estar aprendendo, né? Essa parte da lição aí está feita. É isso, meu amor. Se você quer meu pitaco, manda o teu e-mail, manda a tua história aí, que eu vou dar o meu pitaco na tua história. Se você acha que essa história pode ajudar alguém, envia. Bota agora para o teu marido, para o teu namorado, para os homens que você conhece. Manda aí, ó. Vamos conversar sobre isso aqui?
Você acha que existe essa dança na nossa relação? Você acha que a gente faz isso aqui? Você acha que eu sou assim? Eu acho que eu sou assim, eu acho que você... Aqui em casa é diferente. Eu acho que o ansioso é você, eu sou evitativa. Vamos pensar aqui como é que a gente conversa. Ou eu acho que aqui a gente tem duas ansiosas, amiga. O que a gente faz da vida? Duas evitativas, meu Deus do céu. Evitativo normalmente não se mistura com evitativo não, tá?
Evitativo normalmente tá com ansioso. Ansioso às vezes se mistura com ansioso. Mas evitativo com evitativo não... Porque quem mantém a relação com dois evitativos?
Tem que ter a colinha nocioso, tem que ter o vizinho nocioso aí pra manter essa relação. Mas enfim, manda pra quem se relaciona com você e vamos conversar, tá bom? Manda pros amigos todos também, porque aí os amigos conversam com os amigos. Ai gente, olha que delícia. Deixa seu comentário, tá? Segue, faz essas coisas todas, você sabe o que você vai fazer. Um beijo e até o próximo episódio.