Ep. 75 - RELACIONAMENTO NÃO PODE SER UMA PRISÃO, Chá de Coragem com Elisama Santos
Você já sentiu que está em um relacionamento apenas por medo de magoar o outro ou por não saber como viver sozinha?
No episódio de hoje lemos o relato profundo de uma relação de 12 anos que começou na adolescência e hoje se tornou um fardo de controle, silenciamento e desejo inexistente.
Refletimos sobre como o machismo e os traumas de infância moldam nossas escolhas amorosas e por que tantas mulheres se sentem culpadas por quererem ser livres.
Até quando insistir em uma relação que não está dando certo? E como sair desse lugar que apesar de conhecido, não está confortável?
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✦ Créditos
✦Conceito, Roteiro e Direção: Elisama Santos e Natália Araujo ✦Cenário e Produção: Natália Araújo
✦Filmagem e Edição: Natália Araújo
- RelacionamentosMedo de magoar o outro · Culpa por querer sair · Relacionamento por inércia · Controle e silenciamento · Falta de liberdade pessoal
- Relacionamentos FamiliaresRestrição a sair com amigos · Ameaças veladas · Culpabilização do medo · Comportamento controlador · Negação de convites sociais
- Masculinidade tóxica e fragilidadeInvalidação de perspectivas feministas · Negação de problemas de gênero · Comportamento machista não reconhecido · Falta de acolhimento sobre feminismo · Expectativas tradicionais de gênero
- Trauma InfantilBrigas dos pais · Medo do pai · Fuga de casa através do namoro · Repetição de padrões · Violência doméstica na infância
- Expectativas de casamento e diferenças de visãoFalta de conversas sobre futuro · Expectativas não alinhadas · Casamento como mudança de dinâmica · Papel esperado da mulher · Expectativas do homem pós-casamento
- Limites em RelacionamentosSilêncio como punição · Recusa em dialogar · Desvio de assuntos importantes · Falta de conversa sobre o futuro · Invalidação de preocupações
- Mudanças de VidaCrescimento em fases diferentes · Conhecimento sobre feminismo · Novas amizades e trabalho · Divergência de valores · Pessoa que se era aos 14 vs hoje
- Sexo como construção social e intimidadeTezão e vínculo emocional · Educação sexual inadequada · Falta de exploração pessoal · Pressão para performar · Corpo como parque de diversões
- Impacto do comportamento pessoal em relacionamentosUso diário de pornografia · Trauma associado ao pai · Educação sexual limitada do homem · Desrespeito percebido · Efeito na dinâmica sexual
- Culpa e Peso EmocionalResponsabilidade colocada na mulher · Demanda de performance · Controle sobre sensualidade · Validação através do sexo · Padrões contraditórios de comportamento
Será que o medo de magoar as pessoas agora no presente justifica tomar uma decisão pode te magoar muito no futuro? Como que a gente faz esse cálculo de que mágoa que a gente dá culpa? Aceita chá de coragem? Oi Elisama, eu te acompanho há um tempo e sempre assisto aos seus vídeos de chá de coragem. Eles são incríveis. Eu tenho 26 anos e desde os meus 14 namoro com o meu atual marido. Entre aspas, porque ainda não nos casamos oficialmente.
Nós já moramos juntos há dois anos. Depois de morarmos juntos e observar algumas situações, eu comecei a me questionar frequentemente sobre manter esse relacionamento para o resto da minha vida. Assim como tanto espero de um casamento. Cresci com a péssima referência do casamento dos meus pais, que me traumatizou muito. Desde muito pequena, passei a ter uma vigilante quando eles começavam a discussão, pois era eu quem separava as brigas com muito medo do meu pai bater na minha mãe.
Lembro-me do aperto do peito que sentia e de como as palavras dele fixavam na minha cabeça no dia seguinte. Quando eu cresci e tive a permissão de namorar, foi como se eu tivesse um refúgio quando essas coisas em casa estavam caos. Mas assim que fiz 18 anos, comecei a trabalhar e fazer novas amizades. E desde então, ouvi meu namorado dizendo que eu tinha mudado, com um certo pesar nas palavras dele. Mas, na verdade, naquela época, como amiga do trabalho, foi quando eu conheci sobre feminismo
sobre as violências vividas por nós mulheres. Ele nunca foi muito receptivo a conversar sobre o assunto machismo. Na cabeça dele, eu exagero. Não lembro de uma vez em que ele tenha validado com sinceridade o verdadeiro interesse. Qualquer coisa que eu tenha falado a respeito desse tema. Por não querer passar pela situação que minha mãe passou, eu acreditei que meu relacionamento era diferente, que era saudável, e que o meu namorado era um homem diferente. Mas, na verdade, eu escondi dos meus amigos todas as vezes
tratamento de silêncio para eu sair e chegar mais tarde que eu comi nada, por exemplo. A briga mais recente foi hoje. Um amigo muito querido me chamou para ir no bloquinho de carnaval e disse para eu levar o meu marido. Eu cometei com ele sobre esse convite e o retorno foi, vai lá que você vai ver quantos de mim vão estar aqui quando você voltar. Isso não é lugar de uma pessoa que vai casar, estar. E eu rebatia dizendo que eu gostaria que ele fosse comigo e que é um ambiente normal para diversão. Ele simplesmente negou, assim como faz com
E eu acabo indo sempre só, mas sempre com uma culpa e vigilante. Não posso chegar muito tarde em casa e nem passar do ponto na bebida. Eu sou a que sempre tenta ter conversas de alinhamento para que possamos fazer e rever combinados dentro do nosso relacionamento. Ele fica calado, ouvindo, mas sem aprofundar. Em nada. Nessa mesma discussão de hoje, dentro do carro, ele disse para eu ficar quieta porque se ele batesse o carro, a culpa seria minha.
Porque naquele momento ele não queria brigar. Eu fiquei quieta, mas me sentindo extremamente invalidada. Chegando em casa, eu tentei retomar o assunto e ele disse. A gente está não sei quantos meses sem transar e você está preocupada com um bloquinho? Pelo amor de Deus. O fato é que eu me sinto exausta todos os dias e realmente o sexo fica em último plano para mim. Não me sinto atraente e prefiro dormir do que performar um sexo que não sinto prazer.
Que eu não sinto nada na penetração. Eu costumo perguntar para ele se ele está bem com o fato de não transarmos tanto. E ele nunca é verdadeiro comigo.
calado e diz que tá tudo bem, e do nada solta essas insatisfações no meio de uma outra pauta. A verdade também é que desde que nos mudamos, eu soube que ele consumia, diariamente, vidas pornográficas. E isso me machucou muito, porque meu pai também fazia isso, e eu sempre achei um desrespeito. Acho que isso minou o meu desejo por ele. E eu associei que eu era um objeto sexual, além de ser pressionada socialmente, a ser a mulher ideal.
Ele cuida da casa, se arruma pro marido, transa. O sexo virou mais uma demanda pra mim.
Mais um lugar em que eu precisaria ser boa para ser validada e amada. Estou há poucas semanas no casamento e me sinto confusa sobre manter esse relacionamento. Por favor, me dê o seu picado. Ai, gente, eu não sou a pessoa que vai chegar aqui e falar, faça isso ou não faça aquilo. Mas lendo o e-mail, eu não acho que você está confusa sobre o que você tem que fazer sobre o seu relacionamento. Eu acho que você sabe o que tem que fazer.
Mas às vezes é tão difícil fazer o que a gente sabe que a gente precisa fazer. Sabe, às vezes,
parece quase impossível a gente dar conta das escolhas, das demandas da vida. Às vezes parece que é quase impossível a gente dar conta do que o nosso sentimento está pedindo. A gente não escolhe como a gente se sente. Então, você não escolhe se você vai continuar apaixonado, não vai. Você não escolhe se você vai enxergar os problemas dessa relação, não vai. Isso acontece.
que vem. Eu quero te falar algumas coisas. A primeira delas é que a gente muda ao decorrer das relações. A gente muda e a gente muda muito. Então, assim, todo dia quando você tem uma relação lojeiva, todo dia você acorda, olha pra pessoa que tá do teu lado e mesmo que você não verbalize isso, você está refazendo um acordo. Você está dizendo, olha, hoje, apesar de tudo, eu continuo com você. Hoje, a eu que eu sou, quem eu sou hoje, convive com quem você é hoje, dá conta de
convém com quem você é hoje e às vezes ama, às vezes nem tanto quem você é hoje. Mas todo dia a gente está mudando. E os casais, eles não mudam para a mesma direção e no mesmo ritmo, porque somos todos diferentes. Então, às vezes, você muda de opinião política, você muda de gostos, você muda de um monte de coisa para um lado e essa pessoa muda para o outro. Você não tem como garantir que com quem você está se relacionando hoje vai continuar com opiniões semelhançações.
suas, porque pode até ser semelhante a sua hoje, mas amanhã você pode mudar. E aí a opinião que essa pessoa tem hoje, isso é assim, algo que fala, pelo amor de Deus, como que você ainda pensa isso? Quando se começa uma relação muito jovem, os riscos dessa mudança são maiores. E aí eu vou, só vou abrir o e-mail aqui de novo, pra eu ver a idade, porque ela me fala da idade, se eu não me engano aqui, ele já tem 12 anos de relacionamento, ele começa, não, tem 14 anos, e desde, tem 12 anos de relacionamento, já tem 14, tá com, desde os 14 anos com esse namorado.
Gente, o meu filho tem 14 anos. Eu olho pra Miguel, ele não vai ser o mesmo quando ele tiver 26. Gente, porque assim, não é qualquer fase de mudança, entende? É a saída, vocês começaram ali saindo da infância e agora vocês saíram da infância, foram pra vida adulta, pra juventude, vida adulta. Não tem como ser a mesma pessoa. Vocês estão se relacionando com pessoas diferentes. E aí é o momento de olhar e pensar quem eu sou hoje. Consegue se relacionar?
sentido se relacionar com quem ele é hoje. Não é sobre como a gente viveu. E aí tem um pontinho nessa história que traz o motivo de muitas mulheres se casarem. Quantas mulheres se casaram pra sair de casa? Quantas mulheres começaram a namorar pra fugir de dentro de casa? Pra fugir do que viviam com o pai e com a mãe? Pra fugir do que viviam do controle, das violências? Enfim, o tanto de coisa que vivia dentro de casa e aí você casa pra sair, pra ter seu espaço.
Quantas mulheres saem de casa porque elas tinham que cuidar de 10 irmãos? E elas saem porque falam assim, pelo menos eu vou estar cuidando só do meu marido. Porque a gente aprende que a contrabastida de ter saído de casa é cuidar desse homem que tirou ela de casa. Então, você me fala de um namoro que ele já começa como uma fuga. Então, talvez, nem lá, quando você tinha 14 anos, você namoraria a mesma pessoa se você tivesse uma vida que fosse...
saudável. Se você não tivesse uma família que de muitas formas te faz encarar violências que você não queria encarar na sua vida. Se você tivesse escuta, acolhimento, apoio, talvez você nem começasse a namorar com essa pessoa. E aqui, gente, é importante entender que os relacionamentos, eles não vão ser são ruins. Os relacionamentos difíceis, eles não são somente ruins. Eles têm os seus momentos legais. Eles têm os seus momentos bons. Eles têm as fases boas. Mas a gente precisa olhar pro
predominante na relação, tá? Vamos trazer essa ideia do clima da relação. Qual que é o clima predominante na relação? Assim, eu sou baiana. Na Bahia, o clima predominante é um clima mais ensolarado. É um clima de calor. Chove, chove. Faz frio, faz frio. Às vezes tem trovoada, tem trovoada. Mas o clima é um clima que é quente. Bastante sol. Aquele é o clima predominante lá no meu nordeste, no lugar da Bahia que eu morava. Morava em Feira de Santana, a princesa do sertão.
Imaginar. Hoje eu moro em Cotia. O clima predominante já mudou um pouco, tá? Já não é mais o mesmo de quando me mudei pra cá. Mas normalmente o clima aqui é muito ameno. 24, 25. O calorão é algo estranho pra gente. E o friozão é só numa época determinada. Aqui a gente tem estações muito bem marcadas. Na Bahia eu não tinha estação muito bem marcada. Faz calorão? Faz calorão. Já fez 35 graus? Já fez 35 graus. Já fez 1 grau? Já fez 1 grau.
exceções. Elas não são a regra. O clima do meu tempo, do tempo aqui, ele é o clima amém. Qual que é o clima da tua relação? Você consegue dizer? Vamos parar de se apegar momentinhos. Ah, o momento é esse. Qual que é o clima da relação? O que é que tem predominado? Não é o clima que era. Quando eu vim pra cá, o clima que era muito mais frio do que é hoje. Falando de hoje. Falando do que a gente tá aqui há algum tempo já vivendo.
Qual que é o clima dessa relação? Se o clima da relação, o normal da relação, é que você se sente em
Se o normal da relação é que você não possa falar o que você pensa, se o normal da relação é que você não seja escutada, se o clima da relação é que você tenha que mentir para os seus amigos sobre o que você vivencia, a gente tem um problema. Ah, Elisão, mas tem dias de sol maravilhosos. Ok, tem os dias de sol maravilhosos, mas não falando do clima. Porque você não vive... Eu não vivo nas férias. Eu não vivo nas férias. Eu não vivo nos dias maravilhosos das férias. Eu vivo aqui. É desse clima aqui que a gente tem que pensar.
que está o clima da relação. E aí, minha gente, o machismo é um problema social. Que alguns homens conseguem assumir que existe e que contamina o comportamento deles e que alguns homens não conseguem assumir. Mas assumindo ou não assumindo, existe. Guia multi-comportamentos. Determina tantos outros comportamentos. E existe o sinal de alerta na relação quando você não pode nomear a violência. Assim, eu sou amiga de muitas pessoas brancas. Muitas pessoas brancas.
liberdade, com todas as que são minhas amigas, de se um dia elas forem racistas comigo, eu falo, olha cara, esse comentário foi racista. Amiga, putz, deixa eu te explicar aqui. E as vezes que aconteceu, as minhas amigas respiraram fundo e tentaram falar comigo, tá bom amiga, o que foi que eu fiz de errado? Sou casada, com um homem, volta e meia ele tem comportamentos machistas, por quê? Porque ele é homem, porque ele vive nessa sociedade.
A gente já teve discussões dele falar comigo, ah amor, mas eu não fui machista, ele falou, ô ô, se um branco
lá, foi racista com você e você falar com ele que ele foi racista e ele olhar pra tua cara e falar, mas eu não fui racista. Você acha o quê? Ele vai ficar puto. Então, é ó, mesma coisa. Tô falando que tu foi racista. Ou tu foi machista. Não, respirada. E me escuta aqui, porque isso não é pessoal com você. Isso é, você está cumprindo comportamento social, que é uma bosta que eu não vou aceitar e que a gente vai precisar sentar aqui pra conversar sobre ele.
E a gente senta e conversa. Sentamos e conversamos felizes, sorridentes, abertos para a mudança. Ai, meu Deus do céu, não vivendo na coíris. É claro que não.
gente. Numa das vezes sou eu quem tá puta, às vezes é ele quem tá puta e a gente senta aqui, mas a gente vai conversar. Se você não pode conversar sobre o que te incomora na relação, você não vai me dizer que esse clima dessa relação é ensolarado, porque ele obviamente não é. Obviamente é um clima que te deixa mais tensa. É um clima que... Eu ia falar que é um clima mais imprevisível, mas eu não acho que ele é imprevisível. Me parece que é um clima bem imprevisível.
E aí eu quero te falar uma coisa. Esses dias eu ouvi alguém falar, acho que eu já citei essa frase aqui no podcast.
Amiga, assim, se na planta tá desse jeito, a planta é bonita, a planta é massa pra gente comprar o imóvel. Se na planta tá assim, o que você acha que vai acontecer quando o papel estiver passando? Ah, a gente já mora junto. Se a gente tá falando da estrutura machista, a assinatura no papel, pra muitos homens, é uma tomada de posse da mulher. O que você acha que vai acontecer? Ele falou pra você, isso ir pra esse lugar não é o comportamento
Prestes a se casar. Senta com ele. Qual é o comportamento que você espera de mim no pós-casamento? Sabe essa conversa que a gente não tem? Porque assim, não sou eu que vai te ajudar a tomar essa decisão. Não sou eu mesma. Você precisa tomar essa decisão. Mas não tome de acordo com as vozes da sua cabeça, não. Escute ele. Senta com ele, escuta ele. Me conta o que é que você espera pra mim do pós-casamento. Gente, sabe o que acontece?
A gente fala assim, ah, eu vou casar, eu tô apaixonada, eu amo essa pessoa, eu quero ver o resto da minha vida com ela.
a gente não tem conversas com a pessoa sobre o que ela espera para o futuro dela, sobre o que a gente espera para o nosso futuro e o quanto isso se casa. A gente não tem conversas com a pessoa sobre o que ela pensa, sobre um monte de coisa. Inúmeras coisas a gente acha que pode ficar para lá, mas não pode. A expectativa do que é um casamento para cada um que está envolvido é essencial para que a gente saiba onde a gente está se metendo.
Por que eu não estou falando somente da tua felicidade ou minha infelicidade? Eu estou falando
dos dois. Porque se ele tem uma visão de casamento que é diferente da sua, ele também vai ser infeliz. A grande diferença é que, em regra, durante a infelicidade do casal, a mulher adoece e o homem adoece e faz adoecer. Em regra, a doença masculina não fica somente com ele. Mas ele também vai ser infeliz. E aí pra encerrar, pra não ficar muito grande, eu não posso deixar de falar de sexo, né? Porque você me diz assim, ah, eles amam, eu me sinto não desejável, eu não consigo transar com ele. E é muito interessante como a sociedade bota sempre
a culpa da mulher, né? O cara é um grosso, o cara não te escuta, o cara não te cuida, o cara não te conquista, mas você tem que cruzar com ele. Você tem que estar assim, uh, uh, cheia de fogo. Não demais, né? Porque fogo demais também quer dizer que você não é uma mulher pra casa, então você não pode ter fogo demais. É o fogo na medida certa. Não é assim que funciona. O sexo, ele tem uma construção. O tesão, ele não começa nos órgãos sexuais. O tesão começa na nossa cabeça. O tesão é uma questão de
Vínculo também. E se uma pessoa mata o teu tesão todo dia, como que você vai ter tesão? E aí você me fala assim, Elisama, eu não gozo com penetração. Como que eu digo isso sem estar falando termina, nem traia ele? O que eu posso te dizer é que você não goza com penetração com ele, porque aparentemente como você começou a namorar com ele com 14 anos, amor, você não sabia o que era sexo. Ah, mas eu não era virgem, não interessa.
Com 14 anos você não sabe o que é sexo. Então, talvez você está comendo cebola um tempão e está falando, não gosto de chocolate. Mas você está comendo cebola, como é que você sabe se você gosta de chocolate?
E pode ser que você realmente não goste de chocolate. E aí? Você vai casar e viver com uma fábrica de chocolate sendo que você não gosta de chocolate? Como é que você vai saber mais de você? Pelo jeito, a penetração é bem importante pra ele. Então talvez seja a hora de sentar com ele e conversar. Vem cá, se a nossa vida sexual ficar assim. Se eu passar mais um ano sem transar com você, como fica o nosso casamento? E aí deixa ele te falar o que ele pensa sobre isso. Ah, Elisame, ele não conversa. Você vai ver os gestos. Alguma pergunta,
ele vai ensinar. Por que eu tô te falando conversa com ele? Porque tem coisa que tá meio bosta, sabe? E que a gente não senta pra falar, vem cá, como é isso pra você? Eu sinto, eu tenho uma sensação e não é um ai amor. Não, eu quero conversar com você sobre o nosso futuro. Eu não gosto de penetração, eu acho que eu nunca vou gostar. Porque provavelmente com ele você nunca vai gostar mesmo. Então assim, não gosto de penetração, nunca vou gostar.
E aí? Você acha que a gente pode fazer outras coisas? Você quer fazer outras coisas? Eu não tô falando dele não, tô falando de você primeiro. Antes de conversar com ele. O que você tá falando da penetração?
Mas e o resto? Você gosta de fazer alguma coisa com ele? Porque sexo é amor. Sexo é muito além da penetração. A gente tem muita brincadeira gostosa nesse negócio. Você se diverte? Tem uma coisa que fala assim. Ah, não gosto de penetração. Ok. Um monte de mulher não gosta mesmo. Mas e todo o resto? E as coisinhas. As coisinhas tudo que tem. Você tem conseguido curtir essas coisinhas tudo? Ou não? Ou você nem sabe que coisinhas são essas?
Porque a gente tem um grande problema no Brasil. E aí você fala que ele vê pornografia. A gente tem um grande problema desses homens educados pela pornografia.
Porque normalmente todos eles não sabem o que é um sexo que cuida de uma mulher. Que dá tesão pra uma mulher. O cara que ele é educado pela pornografia, o que ele sabe fazer é penetrar. Só. E aí, talvez, nem todo o resto que tem de legal no nosso corpo, porque a amiga do nosso corpo é um parquinho de diversões massa, eu vou te contar. Pelo jeito você nem conhece o seu corpo, gata. A pergunta é muito além do casamento, sabe? Então assim, meu conselho pra você é conversa com ele. Senta e fala.
pra você não, tá? Todo mundo aí que tá com casamento marcado. Olha, Elisama é louco, né? O povo tá em paz e Elisama vai trazer aí umas pulguinhas atrás da orelha. Mas tá com casamento marcado? Já conversou sobre o que é o casamento pra você? Já perguntou pra essa pessoa com a expectativa dela pós-casamento? O que é que ela espera de você no pós-casamento? Você já falou pra ela o que você espera? Porque não é só o outro que tem expectativa, tá amor?
Tu também tem um monte. O que é que você espera na vida de vocês pós-casamento? Vocês já conversaram sobre isso? Você tem vontade de ter filho? E outra pessoa? E ó, gente, não vem com esse de
ideia. Meu amor, você está cansado de quem está aí agora. Para com essa ideia de que pode mudar de ideia. Não pode, não. Agora, você não sabe para que lado pode mudar de ideia? Pode mudar mesmo. Pode se radicalizar no que ele já não quer. E aí? Então, assim, vamos conversar, gente. Então, meu conselho um é conversa. Escuta. E meu conselho dois é se escuta. Sabe? Se escuta. A gente tem tanta resposta dentro da gente. E a gente ouve tão pouco o tanto de coisa que a gente tem para falar para a gente mesmo. É isso, meu amor. Te desejo coragem. Coragem para
não que você for tomar na sua vida. Te desejo coragem e apoio, tá bom? Se você quer o meu pitaquinho ariano na sua história, se você quer o meu colinho de amiga, manda e-mail. Vou ler teu e-mail aqui, quer dizer, provavelmente vou ler teu e-mail ou não, porque tô recebendo tanto e-mail, gente. Nossa, obrigada pela confiança de vocês, pelo carinho de vocês. Obrigada de verdade. Cada história que eu leio, eu leio todos os e-mails, assim, eu não leio, eu não tenho acesso ao e-mail em si, então eu não respondo diretamente os e-mails de vocês.
equipe, recebe os e-mails e manda todos os e-mails pra mim. E aí eu leio todos. Eu não sei o nome de ninguém que manda e-mail. Eu não recebo o que foi o remetente, o e-mail da pessoa, nada. Só recebo o conteúdo. E cada e-mail que eu leio, eu me sinto tão privilegiada. Sério, porque é um privilégio muito grande ter essa confiança de vocês, esse carinho. Então, obrigada de verdade. E é isso. Se você gostou da nossa conversa, manda pra alguém.
Manda pra aquela amiga. Manda pro namorado. Se você acha que vai ser render uma boa conversa.
Manda pra todo mundo pra eu falar. Vamos conversar sobre o futuro. Um grande beijo, meu amor. Segue, bota coraçãozinho, comenta pra ajudar o algoritmo a saber que eu sou muito legal, tá? Comenta aí. E é isso, meu amor. Um beijo e até o próximo episódio.