Episódios de Chá de coragem, com Elisama Santos.

Ep. 87 - CONFIANÇA ESTILHAÇADA E O RESGATE DA PRÓPRIA HISTÓRIA, Chá de Coragem com Elisama Santos

28 de abril de 202623min
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Como se reconstruir quando tudo desmorona à nossa volta?

*ALERTA DE GATILHO: ABUSO SEXUAL*

Após sobreviver a um relacionamento abusivo e enfrentar a terrível realidade do abuso sexual contra seu filho, nossa ouvinte pede ajuda para reconstruir sua capacidade de confiar.

Trouxe o conceito de "desmentido" de Ferenczi, explicando como a invalidação da dor pelo outro pode ser tão traumática quanto a própria violência original.

Através do relato sobre o livro "Um hino à vida" de Gisèle Pelicot, refletimos sobre o desafio de permitir que um novo parceiro entre em sua vida e em sua casa após tantas feridas.

O episódio discute como a sociedade muitas vezes responsabiliza as vítimas e como o medo e a vergonha são usados para silenciar mulheres.

Uma conversa honesta e acolhedora sobre a necessidade de validar a própria história e a coragem monumental de quem, mesmo sentindo-se como um vidro estilhaçado, busca forças para juntar os cacos e acreditar que a paz e o afeto seguro ainda são possíveis.

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✦ Créditos ✦

Conceito, Roteiro e Direção: Elisama Santos e Natália Araujo

Cenário e Produção: Natália Araújo

Filmagem e Edição: Natália Araújo

Participantes neste episódio1
E

Elisama Santos

HostAutora e apresentadora
Assuntos3
  • Reconstrução PessoalRelacionamento abusivo · Abuso sexual infantil · Desconfiança em relacionamentos · Validação da dor · Sociedade e vítimas
  • Desafios da MaternidadeSolidão e abandono · Busca por apoio
  • Acolhimento DesabrigadosTeoria de Ferenczi · Revitimização
Transcrição59 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

E quando a vida parece não dar descanso? Quando é uma onda atrás da outra e a gente parece não ter espaço para respirar? Como acreditar que em algum momento a paz vai ser uma realidade? Aceita o chá de coragem?

Olá Elisama, acompanho seu trabalho há alguns anos e decidi que era o momento de compartilhar parte da minha história com você. Gostaria de receber o seu pitaco. Fui mãe aos 26 anos, já formada em psicologia e meus planos profissionais e pessoais ruírem. Na época, precisei acreditar que o melhor para mim seria casar com o pai do meu filho.

Um relacionamento super rápido, regada love bombing, ghosting, mentiras e traições. Terminei essa relação ainda grávida, fui humilhada por ele, me senti envergonhada. Passei privações financeiras e muitos, muitos medos. Alguns anos depois, consegui identificar que ele tem personalidade narcisista. E sentiu esses defeitos disso por anos e anos.

Até quando meu filho completou três anos, ele me relatou comportamentos inadequados do pai com ele. Confirmamos a terrível hipótese de abuso. Passei por vários processos. Pensão alimentícia, regulamentação de guarda e visitação, registro de ocorrência na delegacia, ida ao conselho tutelar, defensoria pública, medida protetiva de urgência, estudo social com psicólogo do juiz. Não necessariamente nesta ordem.

Junto a tudo isso, muita dor, abandono e solidão. Passei todos esses anos sem me apaixonar, só cuidando do meu filho, trabalhando, produzindo e sobrevivendo. Nenhum homem que conheci me passava segurança ou despertava afeto sincero. Na verdade, mulher solo, independente e que sabe nomear o que sente e as violências que passa, assusta de verdade os homens.

Mas, ao final de 2025, já com 31 anos, conheci uma pessoa em um formato que parecia coisa do destino. Parecia aquelas coisas que tem que acontecer, sabe? Um conto de fadas adulto. Daí nos envolvemos, envolvemos nossos filhos com muito cuidado. Mas de uma forma que as crianças já estavam vinculadas. Eu me aproximei da família dele e estava tudo perfeito. Mesmo em meio às imperfeições que ambos tínhamos em nossas histórias. Ficamos três meses juntos.

Muita troca, afeto, desejo, ternura, conversas sinceras, planos. Nada estava faltando, pelo menos não para mim. Mas em algum momento, ele compartilhou comigo um sonho. Sonho esse bastante perverso. Vou resumir. Neste sonho, meu filho se vingava dele e o acusando de abuso sexual e o mantendo preso e longe da sua própria filha. Nesse cenário, eu era omissa e mesmo sabendo da verdade, não fazia nada.

Ele passava anos na cadeia e quando saía, o meu filho dizia a ele, eu passei anos longe do meu pai por causa da minha mãe e não morri. Você também não morreu. Segundo ele, isso o perturbou. Pelo meu filho ter ciúmes dele, o que é normal, já que ele nunca teve experiência no terceiro, isso deixou-o preocupado. Fiquei muito ofendida com esse sonho, senti que a maior dor da minha vida estava sendo batida em um liquidificador.

Depois de expor o quanto aquilo me machucou, tivemos alguns dias de silêncio e ele decidiu terminar comigo. Nas palavras dele, mesmo gostando muito de mim, ele não estava seguro. Estava com muitos problemas pessoais e resolveu encerrar. Estou resumindo.

Elisama, meu ponto é o seguinte. Eu demorei ambos para escolher gostar de alguém. Anos para decidir que eu estava pronta. Anos para me sentir segura de deixar um homem entrar em minha vida, em minha casa, com meu filho lá. Amos sem conseguir fazer planos com ninguém. Anos sem sentir que alguém me enxergava para além da maternidade sólida, dos meus problemas com o pai e do meu filho.

Hoje eu me sinto um vidro estilhaçado. Sem saber como eu vou juntar meus caquinhos. Me sentindo ferida e revitimizada por essa sociedade que coloca as vítimas no lugar das problemáticas. Penso que foi assim que ele chegou a mim e ao meu filho. Cansada de ouvir que me admiram, mas sem querer correr junto a mim. Não sei como fazer para gostar de alguém de novo. Já que isso sempre foi desafiador demais para mim. Os amigos não entendem por que estão sofrendo tanto.

Nem a terapia está me ajudando muito nesse momento. Eu só sinto dor e vontade de paralisar, mas eu não posso. Uma mãe solo nunca pode parar. Aguarda o seu pitaco. Com carinho. Ua, eu quero começar a nossa conversa te dizendo que eu sinto muito pelo que você viveu.

E sim, a gente vive em uma sociedade em que as vítimas, elas são responsabilizadas pelas violências que sofrem. Há poucos dias, eu concluí a leitura do livro... E gente...

Eu esqueci o nome do livro. Eu vou procurar e me colocar aqui, porque eu sou muito boa em esquecer o nome do livro. Mas é daquela senhora que descobriu que o marido dela adopava

violentava e deixava que outros homens a violentassem, né? Ele oferecia o corpo dela nas redes sociais bizarras de homens, e alguns homens foram pra casa dela, e a história toda de como descobrir o que aconteceu foi uma história muito, muito violenta e muito bizarra. Eu vou tentar resumir aqui, e vou te trazer um contexto, tá bom?

Ela era casada com ele há muitos anos, sei lá, acho que desde os 16 anos ela estava com ele. Ela já tinha quase 50 anos com ele. E filhos adultos. E ela nunca desconfiou de absolutamente nada dele. Passaram por diversas situações juntas. Juntos.

E aí um dia ela viajando para cuidar dos netos, ele ligou para ela para falar de um chip que o telefone dele tinha perdido o telefone e que ele precisava reabilitar o telefone e mandar um código para o chip para ela. E aí ela não entendeu muito bem, porque ele sempre foi muito metódico, muito organizado.

Mas ela conseguiu dar todo o código. Quando ela volta para casa, ele fala para ela que ele foi preso no mercado, filmando embaixo da saia de uma mulher. E que por isso ele tinha perdido o celular. E que ele tinha que ir na delegacia. Nesse dia ele chorou, ele falou com ela que amava muito ela, que ele nunca tinha feito isso e que ele nunca queria perdê-la. Quando ela chega...

Na delegacia com ele, o delegado fala, ele vai para um lugar, uma outra sala, e o delegado pergunta para ela se ela sabe porque ela está lá. Ela fala, sei sim, ele me contou tudo. E ela sabe, ele sabe o quê? Ah, que ele filmou embaixo da sala da mulher, mas ele é um homem honesto, ele é um homem maravilhoso, trabalhador, e aquela coisa toda que a mulher faz, defendendo o homem. E o delegado abriu o computador e mostrou uma foto.

De uma mulher de cinta liga. Com um homem pegando ela por trás. E fala, é a senhora nessa foto. E ela olha para a foto. E apesar de perceber que parecia ela. Ela não reconhece a cinta liga. Ela não reconhece aquele rosto. Meio deformado, caído. Ela fica assustada. E ela demora um tempo para entender o que estava acontecendo. E o delegado mostra a foto já com outro homem. Uma outra cinta liga. Um homem diferente.

E ela descobre que por 20 longos anos, ele ofertou o corpo dela para diversos homens estuprarem ela, além de estuprá-la. Então ele a dopava.

E aí nesse período de 20 anos, ela não sabia de nada, mas ela começou a ter déficits cognitivos, a procurar psiquiatra, a procurar ginecologista, porque tinha uma coisa saindo dela que ela não sabia o que era, a procurar ginecologista porque ela acordava molhada, porque depois de tudo ele banhava ela na cama, ela não fazia ideia de nada. Enfim, quando chega o dia do julgamento, ela o tempo inteiro pediu que o processo fosse em sigilo. Quando chega o dia do julgamento...

E ela se imagina um tribunal com 50 acusados, porque era o marido e mais 50 homens a violentar. Com 50 acusados, 50 advogados e ela ali sozinha achando que estava protegendo o próprio nome. E aí ela fala, eu estou protegendo quem?

E ela tomou uma decisão, ela chama os advogados e fala eu quero que o sigilo de justiça seja quebrado, o segredo de justiça. Eu quero que o meu processo seja público. E ela conta que na hora que ela fala que o processo seja público, os advogados das partes, eles enlouquecem da outra parte, os advogados dos acusados.

Porque tudo que eles queriam era o sigilo, eles se alimentavam do medo dela de ser exposta. Do medo de que as pessoas apontassem e falassem, olha, aquela dali, foi ela dali, foi aquela. Da desconfiança das pessoas, como assim, 20 anos e ela não sabia o que acontecia com ela. Enfim, esse medo fazia com que ela não quisesse falar que o processo, o nome dela fosse divulgado e estava protegendo os caras.

E aí ela conta no livro como ela virou um símbolo praticamente, que ela saía do tribunal e que ela começou a receber muitas cartas de mulheres falando obrigada por ter falado aquilo, de mulheres que descobriram que os maridos também dopavam elas porque existe uma rede de acontecimentos desse gênero e que descobriram porque ela falou.

Por que eu trouxe a história dessa mulher? Hoje, inclusive na época do julgamento, ela já foi acompanhada de um novo amor. De um cara que ela disse ser um super parceiro e que ela estava muito feliz com ele. Por que eu estou trazendo essa história para você? Porque eles sabem da nossa vergonha, os homens sabem do nosso medo de sermos apontados na sociedade e eles se alimentam muito disso.

E eu preciso te lembrar que você não tem motivo algum de ter vergonha. Você tem motivo de ter medo. Você tem motivo de ter raiva. Você tem motivo de sentir um monte de coisa, mas, cara, vergonha do que te aconteceu não pode estar entre eles. Essa vergonha precisa ser olhada de cara. Ser encarada assim, de frente, olho no olho, porque ela não devia estar aqui.

Porque nada do que aconteceu com o teu filho é responsabilidade sua. Nada. E eu quero te dizer que eu sinto muitíssimo, mas muito mesmo, que ninguém entenda o tamanho da tua dor. Você usou a palavra, eu me sinto revitimizada. Você não se sente, não. Você está sendo revitimizada.

Não é só uma sensação. Ferenzi é um psicanalista que eu amo a teoria de Ferenzi. Ele traz um conceito que eu já falei aqui em algum momento, que é o desmentido. Ferenzi dizia que o trauma, como se ele fechasse o ciclo dele, ele ficasse mais forte. Quando você não encontra o olhar do outro te falando, nossa, isso doeu mesmo.

Quando alguém chega para você e fala, mas você não tem motivo para sentir essa dor. Não, isso não aconteceu desse jeito. Ou isso aconteceu, mas a sua percepção sobre o que aconteceu está errada. Que todos esses acontecimentos, eles te desmetem. E quando eles te desmetem, quando eles falam que isso não é sério, realmente sério, eles te revitimizam.

Você se machuca de novo. A Alice Miller, ela trazia o conceito da testemunha esclarecida. Ela dizia, ela diz que a gente precisa de alguém ao nosso lado que olha para a gente e fala, nossa, isso é realmente violento. Isso realmente dói. Essa dor não é uma ilusão. Você demorou para confiar em um outro homem.

Um cara que você confiou, que entrou na tua vida, que é o pai do teu filho, abusou do teu filho. Isso mexe com a sua capacidade de confiar e de viver de uma forma muito profunda. E você não está exagerando, você não está sendo louca. Você está sendo humana, mulher. E depois de anos você encontra alguém que conseguiu.

te falar que era seguro, te mostrar que era seguro, que conseguiu fazer com que você acreditasse de, caramba, a minha história não se resume a isso, a minha história é maior. E essa pessoa se aproxima de você e ela pega toda essa confiança e rasga, sabe, joga no lixo.

Essa confiança que você demorou tanto para construir. Essa confiança que você nem sabia se você era capaz de construir um dia. Você não está sofrendo somente por uma relação de três, quatro meses que acabou. Você está sofrendo porque você deu algo que você nem sabia que você ainda tinha para dar para alguém que não soube cuidar, entendeu?

Você está sofrendo porque algo muito rico, muito precioso foi descartado por alguém. E eu não posso interpretar o sonho dele porque eu não o conheço. E eu acredito muito na potência dos sonhos. Então eu não posso interpretar os sonhos dele, mas eu posso te falar algo.

que é facilmente notado quando a gente fala de relações com mulheres, relações de mulheres com mulheres que têm filhos com outros homens, né? É difícil para o cara chegar numa relação já tendo a certeza, a convicção de que ele não vai ser a prioridade dessa mulher.

Não é? Ele já sabe que ela tem outra prioridade. E é uma prioridade que não foi ele quem fez. Que quando pelo menos é o filho dele, ele disputa. Porque não são poucos homens que disputam, mas é o filho dele. Mas ele já chega na relação sem ter a ilusão de que ele vai ser o centro da tua vida, porque você já tem um centro. Porque os homens estão acostumados a se tornarem o centro da vida das mulheres.

Eles aprenderam a chegar na relação e ter você inteira cuidando de tudo e observando tudo e nutrindo tudo e colocando os desejos dele em primeiro lugar. Mas você tem um filho. Esse lugar dos desejos em primeiro lugar está ocupado. Não é por ele. Não vai ser ocupado por ele. E perceber isso é um choque para alguns homens, né?

Melhor seguir a vida, procurar alguém que aumente as chances dele de ser o centro da vida, porque na sua vida não vai ser. O que eu posso te dizer é que existem outras pessoas no mundo com quem você pode se relacionar sim.

Que consigam cuidar do teu filho. Que consigam entender a tua dor. Que consigam respeitar.

O teu tempo de se aproximar. Que consigam entender que o que é, o que faz parte da tua história, sendo que é só parte da tua história, sabe? Eu acho que essa é uma das coisas mais difíceis. É você encontrar alguém que enxerga a tua dor, o teu trauma, mas que não te reduz a tua dor, o teu trauma. Entende? É alguém que sabe que isso aí foi um trecho da sua história.

Mas não é a sua história inteira. É um pedaço dela. A Esther, acho que é o nome dela, a gente tem que procurar depois. Que é a pessoa que viveu essa situação do livro, né? Essa mulher francesa que viveu essa situação do livro. Ela conta que quando ela descobriu que ele violentava, ela começa a pensar na vida inteira e pensar o...

Onde, quando, quais foram os momentos que isso acontecia. E iam surgindo fotos que quando a polícia prendeu o celular dele no mercado, a polícia acessou as fotos do celular dele. E quando a polícia chamou a mulher na delegacia, quis confirmar porque ela estava, aparecia uma pessoa morta nas fotos. Então queria confirmar que ela realmente era dopada.

E aí encontrou ali inúmeras posts dele. Ele tinha filmagens, os posts dele ofertando para os homens. Enfim, aquele horror inteiro. E ela fala que por um tempo ela precisou se afastar de todo mundo.

que quando a advogada ou advogado dava a mão pra ela, ela conseguia aceitar aquele carinho, aquele cuidado, mas quando era filha dela, uma amiga dela, que ela sentia quase uma raiva, porque ela falava assim, eu não quero que você me enxergue sendo essa dor. E aí ela se afasta, ela vai morar num lugar distante de tudo e de todos por um tempo.

E depois que ela conhece esse homem que ela começa a sair, que ela conta...

E que a única coisa que ela pede é que ele, em momento nenhum, assista aos vídeos. Quando ela decide que vai ser público, ela já está com ele. Ela fala com ele que vai deixar pública a história inteira. E pede que, em momento nenhum, ele assista aos vídeos. Então, ele vai com ela para o tribunal, para o julgamento. E cada vez que algum vídeo vai ser colocado como prova, ele levanta e sai antes. Ele e os filhos. Porque ela pede que os filhos também nunca assistam aos vídeos.

E aí ele e os filhos levantam e saem. E ela construiu uma relação de alguém que a apoiou no meio dessa história toda. Cara, e é uma história assustadora. E ela já tinha mais de 60 anos quando ela descobriu isso. Você tem 31. Não era pra você já ter vivido tanta coisa aos 31. Não era pra você ter uma cicatriz tão grande aos 31.

Nenhuma mãe nesse mundo merece carregar essa dor. Carregar esse medo. Carregar essa marca, essa chaga na história. Mas ela não te define, sabe? E, caramba, eu entendo o teu cansaço. Tem que falar pras pessoas que isso foi sério.

Cansa. Ninguém enxergar que dá um pouquinho de abertura para outra pessoa depois de tudo que você viveu foi algo gigantesco, que demandou tanta energia. Isso cansa. Imagina a tua exaustão. E aí, eu quero te aconselhar a conhecer mais pessoas, a conversar com mais pessoas.

a procurar uma rede de apoio que consiga te ouvir um pouquinho mais. Você fala, nem na terapia eu tô conseguindo conversar direito com isso. Amor, tá tudo bem. Trocar de terapeuta, tá? Não tô falando que eu sou terapeuta é ruim ou boa, nada disso. Eu tô falando que em algum lugar você tem que encontrar espaço. Pra que essa dor exija, assim, exista sentido de definir. Pra que o medo da confiança existe. Em algum lugar tem que haver esse espaço.

Que lugar vai ser esse, eu não sei, mas tem que haver, sabe? Enfim, eu quero que você encerre esse episódio, quero encerrar esse episódio que fique guardado em você. A certeza de que foi muito sério, tanto o que aconteceu com teu filho, quanto o que aconteceu com esse cara.

Dizer que eu sinto muito que ele não soube cuidar da confiança que você tão arduamente descobriu dentro de você. E dizer que o fato dele não ter conseguido cuidar dessa confiança não significa que você nunca mais possa ofertá-la a alguém. Respira. Chora essa dor porque dói mesmo.

Encontra um colo para chorar essa dor. Eu queria poder te dar um abraço agora. Porque esse colo físico, ele é muito importante. Então, encontra esse colo. E quando essa dor for pranteada, como ela merece ser pranteada, vai para o espaço. Você vai descobrir que dá para confiar sim. Vai chegar o momento, com alguém. Não sei que momento vai ser esse.

Mas vai chegar o momento de confiar de novo. Só cria muito perto de você redes de apoio para quando você precisar sentar e chorar as dificuldades que você já viveu aos 31 anos da tua vida. Tá bom?

Eu vou procurar, gente, o nome do livro e vou pedir pra Evelyn, que é quem faz os títulos, as legendas. Eu vou pedir pra Evelyn colocar aí na legenda direitinho o livro, o nome do livro e o nome da autora, tá? Pra vocês lerem. Ok, meus amores.

Se você curtiu o episódio, se você acha que ele pode ser importante, se tem alguma amiga que está passando por algo semelhante, algum amigo, alguém que você quer que receba um colinho, manda esse episódio, tá bom? Deixa aqui teu abraço para essa nossa amiga, deixa aqui tua torcida para que ela consiga confiar muito, alguém que alguém com muita segurança passe no caminhão dela para ir lá.

acreditar que é possível a gente confiar nas pessoas também. Essa coisa de você ter que conseguir sozinho é brutal, tá, gente? A gente consegue. Confiança é com o outro. Não necessariamente é uma relação afetiva ou sexual, mas é nos encontros que a gente alimenta a confiança. Que não faltem bons encontros pra ela, tá? Todo mundo deixa sua torcida aí. E é isso, meu amor. Até o próximo episódio. Um beijo. Tchau, tchau.

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