Episódios de Chá de coragem, com Elisama Santos.

Ep. 85 - ME DESCOBRI BISSEXUAL AOS 40. E AGORA?

21 de abril de 202623min
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Quem você deixa entrar na sua casa? Quem pode abrir a geladeira? Quem deita na sua cama?

Na conversa de hoje, refletimos sobre intimidade e a importância de selecionar quem realmente merece acessar nossas verdades mais profundas.

Nosso ouvinte se descobriu bissexual aos 40 anos e pede um pitaco sobre como conduzir isso dentro do seu casamento, com os amigos e família.

Quais são os cenários prováveis e o que é puramente imaginário? Será que precisamos falar tudo pra todo mundo? Será que é relevante?

Vamos explorar a vulnerabilidade de descobrir novos pedaços de si mesmo na maturidade e de ser fiel a nós mesmos e a quem realmente importa na nossa vida.

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✦ Créditos ✦

Conceito, Roteiro e Direção: Elisama Santos e Natália Araujo

Cenário e Produção: Natália Araújo

Filmagem e Edição: Natália Araújo

Participantes neste episódio1
E

Elisama Santos

HostAutora e apresentadora
Assuntos2
  • Intimidade e VulnerabilidadeEscolha de quem se aproxima · Coragem de ser verdadeiro · Medo do julgamento · Abertura de relacionamentos · Descoberta da bissexualidade
  • Desafios da bissexualidadeAceitação pessoal · Impacto no casamento · Reações de amigos e família
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O que é intimidade para você? Como que a gente faz o cálculo de quem pode chegar mais perto e de quem pode se afastar? E como é que a gente se sente durante esse cálculo? Aceita o chá de coragem?

Oi Elisama, é um prazer te escrever aqui. Como é gostoso poder falar com você. Eu espero muito que você leia a minha carta e me dê o seu chá de coragem. Que ele chegue como seu abraço, que eu já experimentei pessoalmente e que é tão aconchegante. Então Elisama, o que eu vim te contar hoje é sobreviver por muito tempo nas escuras. Eu passei dos 40 anos e às vezes sinto que atravessei metade da vida sem nunca ter sido completamente eu.

Não por falta de vontade, mas por falta de coragem. Ou talvez por falta de linguagem, de referência, de permissão. Desde sempre eu me percebia diferente. Mas eu não sabia exatamente o que isso significava. Passei muitos anos da minha vida lutando contra a possibilidade de ser gay.

Lutando mesmo, como se fosse algo que eu pudesse vencer ou corrigir. E junto disso, tinha o peso do preconceito, do medo do julgamento, do lugar que a gente sabe que a sociedade ainda reserva para quem foge do padrão. E tinha mais uma confusão. Eu gosto de mulheres. Sempre gostei. Então eu pensava, não pode ser isso.

Até que, há alguns anos, na terapia, alguém me apresentou uma possibilidade que nunca tinha sido nomeada para mim. Eu podia ser bissexual. E aquilo fez o meu silêncio enorme virar sentido.

Mas entender não resolveu nada. Porque mesmo depois de saber quem eu sou, eu continuei brigando com essa parte de mim. Culpa, negação, medo. Enquanto a vontade sempre estava ali, quieta, insistente. Hoje eu sou um homem casado, tenho uma família linda e uma esposa maravilhosa. E foi para ela que eu contei primeiro. Porque eu precisava, pelo menos dentro de casa, existir inteiro.

Não foi fácil. A gente atravessou momentos difíceis, silêncios, inseguranças. Mas a gente ficou. E mais do que isso, a gente se encontrou de novo. Hoje, a gente vive com verdade, com parceria, com amor.

Só que agora, outra coisa começou a pulsar mais forte. A vontade de ser eu fora de casa também. Com amigos, em conversas. Em qualquer lugar onde eu não precise meditar o tempo todo. Onde eu não precise medir cada palavra para caber numa versão aceitável de mim. Eu já escrevi cartas para os amigos. E eu não enviei. Elas ficaram guardadas como parte de mim que ainda não tiveram coragem de existir no mundo.

E tem mais um ponto que atravessa tudo isso. Recentemente, eu e minha esposa decidimos abrir o nosso relacionamento. Foi uma decisão construída com muito diálogo, respeito e cuidado. Ela é uma mulher linda, desejada, livre e eu admiro isso.

Mas eu, sendo lido como um homem hétero, carrego um invisível que me limita. Ninguém sabe que eu sou bi. E eu também desaprendi a flertar, me mostrar, me permitir. Às vezes, eu penso que se as pessoas soubessem, talvez fosse mais fácil viver essa nova fase com mais verdade. Mas junto com essa vontade, vem o medo. Medo do julgamento, do preconceito, do que podem dizer. Medo do impacto na minha esposa, nos meus filhos.

Porque hoje eu não sou só eu. Eu sou parte de um todo que eu amo profundamente. E aí eu fico nesse lugar, entre abrir a porta ou continuar deixando só uma fresta. Entre viver parcialmente seguro ou arriscar viver mais inteiro. Eu não sei qual o tamanho da coragem necessária para isso. E nem se coragem é ausência de medo ou se é caminhar com ele mesmo. Então eu te escrevo para isso, para te pedir esse chá de coragem. Não necessariamente para sair contando para todo mundo.

Mas para entender qual o caminho possível. Como ser fiel a mim sem deixar de cuidar de quem caminha comigo? Como ampliar minha vida sem destruir aquilo que eu levei tanto tempo para construir? Com carinho e esperança. Eu gostei muito da analogia da casa, né? De pensar, eu não sei se eu abro a porta ou se eu deixo só uma frestinha.

E eu quero que você pense na sua casa, na sua relação com a sua casa. A casa é um lugar que circula na sua casa da intimidade, né? Então assim, tem um rapaz que me entrega um ovo de quintal. Normalmente ele não entra na minha casa. Se ele precisar entrar, vai ser para beber uma água e ir no banheiro. Vai ficar ali pela porta, pela sala, não vai entrar. Assim como algumas visitas que eu vou deixar entrar somente na sala. Mas que não vão subir para o meu quarto, não vão tomar banho no meu banheiro, não vão deitar na minha cama.

E eu tenho amigas muito íntimas que chegam na minha casa e entram e vão deitar na minha cama. Porque a gente tem uma super intimidade. Assim, ontem, foi ontem, eu precisei de um objeto que eu sabia que uma amiga tinha. E eu liguei pra ela e falei, tá em casa? Ela falou, tô passando aí pra pegar tal coisa. Eu falei assim, você pode me emprestar. Porque eu sabia que ela ia me emprestar e eu já tava passando pra pegar. Você entende?

Assim, a intimidade, ela não é igual pra todo mundo. E por que eu tô trazendo isso?

Porque é hora de começar a perceber quem que você vai deixar entrar nessa casa que sabe tudo de você. Porque às vezes você descobre algo sobre você e fala, meu Deus, se eu não contar pra todo mundo, se as pessoas não souberem quem eu sou, eu vou estar sendo falso. Eu vou estar escondendo, eu não vou estar sendo honesta. Honestidade, eu vou falar pra todo mundo. Mas vem cá, amor. Você conhece alguém que é hétero e que chega toda noite, tudo bem, prazer? Eu sou hétero.

Oi, tudo bem, eu descobri que eu sou hétero. Não tem necessidade de fazer isso, sabe? Então você não tem a obrigação de contar das tuas intimidades pra ninguém. Você não tem a obrigação de abrir todas as portas da tua casa e deixar que deitei na tua cama. Mas também não dá pra você ficar isolado na sua casa, não tem ninguém que entra na sua casa e que fique à vontade. Então eu quero que você pense a intimidade como essa casa.

Vamos trazer aí para uma visão mais física da coisa. Pensa em intimidade com essa casa que você tem, que você pode permitir que as pessoas entrem ou não. Você fala, eu escrevi cartas para amigos e eu não tive coragem de mandar nenhuma delas. Vamos chamar o medo para conversar? Qual é o medo que você tem com esses amigos?

E por que você tem medo de falar com esses amigos? Veja, eu sei que as pessoas têm preconceitos. Que as pessoas têm as certezas delas sobre quem a gente deveria ser ou como a gente deveria agir. Mas caramba, a gente tá falando dos seus amigos.

Não tem nenhum amigo que é desse que entra na sua casa e pode abrir tua geladeira? Que deita na tua cama? Que fala, caramba, não tem uma Coca-Cola, não. Não fiz propaganda, tá? Quando eu tô recebendo, eu não tenho uma refrigerante nessa geladeira. Você não tem nenhum amigo assim? Nenhum. Então, esse amigo não pode saber essa intimidade sua? Você tá conseguindo entender o que eu tô te falando aqui?

Você não precisa abrir a porta da sua casa, abrir a porta do seu quarto e falar, gente, todo mundo entra aí, descobre tudo o que vocês querem. Mas também não dá para você olhar para os seus amigos e falar, ninguém tem essa intimidade. E se ninguém tem essa intimidade, se você achou necessário escrever cartas para os seus amigos para contar isso, e você não enviou nenhuma, é hora de chamar esse medo para conversar. Sabe?

O medo, ele faz tudo parecer muito grande. Esse medo é de quem? E aí eu trocarei o nome desse medo aqui por uma ansiedade. Porque o medo é essa sensação de algo que está acontecendo. E a ansiedade, ela é esse medo projetado para o futuro, né?

E ela faz uma confusão enorme na nossa cabeça. Eu não sei se eu já falei aqui, mas tem uma explicaçãozinha que eu faço na minha palestra nova sobre as emoções, que eu faço no livro novo, que eu vou trazer aqui para você. A ansiedade, ela faz com que três cenários se tornem uma coisa só. Que cenários são esses?

O primeiro cenário é o que é possível e provável de acontecer. Então é aquela coisa que, nossa, se eu contar para os meus amigos, eles vão tomar um choque, eles vão falar, caramba, velho. Ou não, né? Ou não, eles sempre imaginaram e vão falar, ai, que legal, tá bom, e sabe quando a gente vai fazer o que mesmo? Provável e possível.

Improvável, é possível, mas improvável. O que é possível e improvável? É possível que um amigo seu fale, ah, cara, preciso de um tempo para pensar um pouco sobre isso. É possível. Mas, dependendo da intimidade que você tem com seus amigos, é bem improvável que isso aconteça, né? Pensam nos seus amigos, você acha realmente que algum vai fazer isso? E tem o impossível e improvável quase alucinatório.

Que é aquela coisa que a nossa sociedade faz parecer que é possível, mas que nem é. Que a pessoa te xingar. Rompe meio com essa pessoa, não é verdade? Mas que a pessoa fala coisas absurdas pra você, enfim. Provável e possível.

possível, mas improvável, impossível, improvável, alucinatório. A ansiedade faz com que, provável, possível, possível, improvável e impossível, se misturem. E a gente olha todos os cenários como se eles tivessem igual potencial de acontecer. Como se eles tivessem igual possibilidade de vir para o mundo. Eu quero que você chame a tua ansiedade para conversar. Que você dê nome para esses negros.

Bota aí num papel se vai te ajudar. O que você acha que vai acontecer com escolher um amigo que é o amigo que tem intimidade de deitar na tua cama? Ou a amiga que tem intimidade de deitar na tua cama? Poxa, é essa amiga que é importante para mim que ela saiba. Pronto, então tá. Quais são os cenários? Separe os cenários, porque senão tudo parece tão grande que você não vai conversar com as pessoas.

E aí, eu preciso te dizer que talvez você esteja com tanto medo de contar, porque você precisa ver os seus próprios preconceitos interiorizados, sabe? Porque eu te conheço. E quando eu li a carta, não foi nenhuma novidade pra mim, desculpa. Mas eu olhei e pensei, ok. E não muda nada, sabe? O jeito que eu te olho, gente...

Era a mesma coisa se falar, eles amam descobrir que eu nasci no Nordeste. Mentira, eu ia fazer, ai meu Deus do céu, jure, onde me conte. Não é um negócio gigante, juro pra você que não é. E se tá gigante no contexto das pessoas que você vive, talvez seja a hora de você perceber os lugares em que isso não é gigante, que isso só é. E eu te garanto que existem muitos lugares que isso só é.

E eu te garanto que existem amigos seus e amigas suas e pessoas com quem você convive, que inclusive são como você e você sabe disso. E aí, talvez seja o momento de você perguntar, quem você quer que aceite? Com quem você quer conversar? Porque existem descobertas sobre nós que a gente não precisa conversar com, sei lá, com seu pai e sua mãe, porque você sabe que vai ser um atrito desnecessário.

Não, Elisão, mas eu acho importante conversar com meu pai e com a minha mãe. Então tá, então você sabe que com seu pai e sua mãe, essa é uma conversa mais intensa, que você vai precisar se preparar emocionalmente, porque eles tinham a cabeça mais quadrada, enfim. Mas não dá pra você achar que a conversa com seu pai e com sua mãe, e quando conversa com os amigos que você faz churrasco, ela é igual, porque ela não é, entendeu? É só mais uma informação sobre você. E uma informação que...

Que de verdade só muda a tua vida de mais ninguém, cara. Ninguém pode ficar putaço com você por conta disso. Se ficar, você está falando muito mais sobre a pessoa do que sobre você. Do que sobre os seus desejos.

E aí eu não pude deixar de notar na hora que você fala, a gente abriu a relação. E eu tô insegura porque a mulher, minha mulher é linda e ela é. Eu tô insegura, minha mulher é linda. É desinibida e eu não sei nem como é que eu namoro. Eu não sei nem como é que eu paquero. Você descobriu uma bissexualidade dentro de um relacionamento. Heterossexual. Dessa relação heteroafetiva. Você não sabe paquerar. Mesmo.

Você aprende. Porque ninguém nasceu sabendo. Entendeu? E aí você permite que a vulnerabilidade de não saber, de não ter garantias, que ela te acompanhe. Nessa jornada que é descobrir esse novo pedaço de você. É uma pena que você tenha levado 40 anos para descobrir esse pedaço de você.

Que massa que aos 40 anos você descobriu algo novo sobre a tua vida. E que você vai poder experimentar muitas coisas agora aos 40 anos. E aí, aos 40 anos, você vai sentir a insegurança do menino de 15 quando chamou a primeira vez alguém para sair.

Aos 40 anos você vai ficar na dúvida assim, poxa, o que é que tá rolando aqui de sentimento com essa pessoa? Pois é, cara, isso chama vida. Sabe? Isso só vai acontecer e só está acontecendo porque você tá vivo. A gente tem tanto medo da vulnerabilidade, né? Você fala comigo assim, ah, Elisâmia, eu tenho medo dos reflexos nos meus filhos, pra não botar as pessoas que eu amo.

E eu só consigo pensar que algo muito errado você tinha feito, sabe? Eu até me fico parado. Mas tudo foi nada errado. Eu vou te contar uma história minha. Da minha adolescência. De uma época que eu não tenho a cabeça que eu tenho hoje. De uma época que bissexualidade não era algo que a gente falava. De uma época em que todas as pessoas faziam as coisas escondidas. A gente tá falando aqui dos anos 90. E aí uma grande amiga minha, duas grandes amigas minhas.

Estavam chorando muito um dia. A mãe de Wanda, elas tinham brigado, tinham feito um escândalo. E elas estavam chorando muito. Elas me chamaram pra conversar. E aí, elas de mão dadas, a gente fez uma coisa horrível. E a gente vai entender se você não quiser mais andar com a gente. E assim, eu tenho uma mente criativa. Não sei se você assistiu o Fantástico Mundo de Bob quando você era criança, porque era um desenho que eu amava.

Ah, amor, eu pensei em tanta tragédia. Eu pensei até que ela tinha matado alguém. Juro por Deus. Pensei de tudo.

E elas falaram, a gente está namorando. Eu te juro que minha vontade vai agredir as duas, mas não foi porque eu fiquei decepcionada. Eu falei assim, desgraçadas, eu pensei tanta coisa ruim, eu estou com o coração acelerado, eu estava enjoada, eu estava com vontade de vomitar, de tanta ansiedade que eu estava achando que elas tinham feito algo terrível. Elas estavam se sentindo tão culpadas por algo tão normal, que para mim nem era normal, mas eu tinha pensado tanta coisa, que na hora que elas me contaram, eu fiz...

não acreditam nisso não. Que vocês fizeram esse drama tudo pra mim. Eu tô aqui achando que vocês mataram alguém. Aí eu saí listando um monte de coisa que eu tinha pensado. E elas começaram a rir falando, tá tão maluca, Elisana? Eu falei, gente, olha o que você tá contando pra mim. A gente tinha ali 15, 16 anos. E pra mim foi tão chocante. Eu guardo, você trouxe agora, eu tinha esquecido isso. Eu guardo a sensação, assim, que elas estavam se sentindo tão mal.

E que elas falaram no pesar. E aí eu li a tua carta. E me veio se pesar, sabe? E não tem motivo pra pesar. De verdade, não tem. Não tem motivo nenhum pra você achar que... Ai, meu Deus, vai acabar com a vida dos meus filhos. Por quê? Como? Porque se o cara...

Bacana, gentil, engraçado, doce pra caramba, cuidadoso pra caramba. O pai hiper, mega, ultra presente.

A tua intimidade não precisa ser aberta pra todo mundo, não. Sabe o que eu pesquei aqui? A minha sensação com o teu e-mail foi que assim, Elisama, eu acho que se eu não conto pras pessoas, elas não têm a oportunidade de decidir se elas querem continuar andando comigo. Então eu prefiro que... Então eu me sinto mentiroso que eu tô omitindo essa coisa importante delas. Não. Ninguém tem o que saber da tua intimidade.

E se uma pessoa vai se afastar de você por causa disso, beijo, né, bem? Beijo, né? Vai-se embora. Porque não é uma companhia que a gente está querendo aqui do nosso lado, não. Se vai se afastar de você por causa disso, ela pode seguir uma dela. Você não está fazendo nada de errado, não. Você não está fazendo nada de grave, não. E aí você fala, ah, eu tenho uma sensação que se mais gente souber, vai ser mais fácil. E o pá que era alguém, não, não vai.

Não vai ser mais fácil. Porque aqui dentro, se expor pra alguém, pra querer alguém, é... Eu não te ajudo muito a vulnerabilidade, sabe? Chama alguém pra sair. Fala que você tá afim de alguém.

É muita vulnerabilidade. E sim, quando a gente está falando de relações homoafetivas, a gente está falando de, então, não sei se essa pessoa também é. Vou ter que esperar um pouquinho mais, pescar mais sinais, entender direito o que está acontecendo aqui. Mas, ó, se abre para essa vulnerabilidade. Vulnerabilidade, segundo a Brennan Brown, é aquilo que a gente sente quando a gente não tem garantia.

E não existe, não existe nenhuma emoção maravilhosa, nenhuma situação poderosíssima na tua vida, gostosíssima na tua vida, que não venha acompanhada dessas sensações de que eu não tenho garantia nenhuma, mas eu quero muito. Não tem, não existe. A gente faz sentir esse ai meu Deus e agora tantas vezes na vida.

E aí você fala, não sei se coragem é não ter medo. Não, coragem não é não ter medo. A gente vai com medo. A gente vai com o coração acelerado. A gente vai com o estômago doendo um pouquinho. Ai, a gente vai com o nó do peito. A gente vai com a sensação de, ai meu Deus, ai meu Deus, ai meu Deus. E a gente vai.

E a coragem é isso, sabe? Mas a vulnerabilidade, ela é caminho para a coragem, ela é a antessala da coragem, você não chega na coragem sem atravessar esse mar de vulnerabilidade que você está atravessando.

Você não chega na coragem sem assumir que você não faz a mais remota ideia do que vai acontecer amanhã. Por mais que você tenha muitos planos para amanhã, você não sabe o que vai acontecer amanhã. Então, vamos combinar que a gente vai aceitar a vulnerabilidade como parte do processo. Vamos combinar que você não contar para as pessoas.

que não são íntimas? Quais são os teus desejos? Com quem você quer namorar, transar ou beijar na boca? Não é você estar escondendo e sendo falsa para as pessoas? Vamos combinar que tem incômodos na nossa casa, que a gente só abre para quem a gente quer, para quem é próximo.

Eu não me sinto culpada de não chamar o rapaz que entrega o uvo aqui em casa pra vir no meu quarto. Não, a gente não precisa. Chama essa culpa pra conversar também. Sabe? Chama ela pra conversar, vê o que ela tá te contando. E respira, cara.

O apoio mais importante você tem. Você falou assim, eu quero ser eu fora de casa também. Cara, você consegue ser você em sua casa. Com as pessoas que você mais ama no mundo. Que negócio massa. Quem te dá o sustento de passar pelas situações difíceis com você, está de mão dada. Se os amigos se forem, vai doer.

Mas caramba, se eles foram por esse motivo, eles precisavam ir mesmo. E tem um mundo enorme lá fora. Gente igualzinha a você. Gente que essa informação vai ser assim. E? Como foi pra mim? Que não muda absolutamente nada. Tem gente aí que não enxerga a relevância.

Sabe? Talvez você esteja falando com as minhas amigas lá, quando a gente tinha 15 anos. Como se você tivesse matado alguém e você não matou ninguém. E você está com medo de como vai ser descobrir esse lado seu. De chamar esse pedaço seu que nunca saiu para dançar com vocês e para dançar com você. Se abre para conhecer esse pedaço seu.

Talvez a sensação de não ser inteiro, ela também esteja por conta desse medo, sabe? Você também não conhece esse seu eu solto, feliz, saindo por aí. E você não precisa escrever na testa nada pra ninguém. Você não deve nada pra ninguém. Tá bom?

É isso, meu amor. Você gostou da conversa? Gostou? Manda o episódio pra aquele amigo, pra aquela amiga, pra aquela pessoa que você acha que vai se beneficiar dele de algum jeito. Tá bom? Não esquece de deixar um coraçãozinho, um foguinho, um apoio, a tua história pro nosso amigo aqui. Tá? Não esquece de deixar um comentário massa aí. Tá bom, meu amor. Eu te espero no próximo episódio. Um beijo e até.

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