Ep. 84 - COMO DEFINIR NOSSAS PRIORIDADES? Chá de Coragem com Elisama Santos
Mergulhamos num dilema infelizmente comum: Uma mãe que se vê obrigada escolher entre um trabalho que a sobrecarrega e a presença na vida da família.
Como equilibrar a realização pessoal e profissional?
Vamos pensar juntos sobre o "sucesso" vendido pela sociedade de alta performance e que frequentemente se mostra incompatível com uma vida pessoal plena.
Nossa conversa também aborda a dura realidade de que nenhuma grande decisão traz apenas alívio. Sim, toda escolha envolve uma renúncia e, muitas vezes, um período de luto pelo que ficou para trás.
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Eu sou autora de 8 livros, entre eles 3 Best-Sellers, sabia?
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✦ Créditos ✦
Conceito, Roteiro e Direção: Elisama Santos e Natália Araujo
Cenário e Produção: Natália Araújo
Filmagem e Edição: Natália Araújo
- Equilíbrio entre trabalho e famíliaDilema da mãe trabalhadora · Impacto das escolhas profissionais · Expectativas sociais sobre sucesso · Consequências emocionais das decisões
- Pressões sobre mulheresCobranças sobre mães · Expectativas de desempenho
- Tomada de DecisãoAmbivalência nas escolhas · Renúncias necessárias
Será que alguma decisão é capaz de trazer só paz e tranquilidade? E o que a gente faz quando a vida parece que está nos encurralando? Aceita o chá de coragem.
Elisama, meu bem, te conheci há um ano e desde então os pitacos que você dá para os outros me servem diariamente. Então pensei, por que não ter o meu pitaco particular? Te escrevo então com humildade, pois queria tanto entender o que está acontecendo comigo ultimamente. Bom, eu sou uma mulher de 40 anos, mãe de um casal crescido, minha filha tem 16 e meu filho tem 12 e casada há 18 anos. Sou feliz no casamento e meu marido é também um grande amigo, parceirão mesmo.
Eu também sou bem parceira e dividimos as responsabilidades financeiras com a casa e a criação dos nossos filhos. Há nove anos, decidimos que, com as crianças já crescidinhas, era hora de eu voltar ao mercado de trabalho. Comecei como operadora de caixa, passei a vendedora e com muito suor me tornei supervisora, sempre na mesma empresa.
Com o passar dos anos, o salário cresceu e com ele também a carga horária, responsabilidades além da conta e muito, mas muito trabalho mesmo. Mesmo os finais de semana e feriados. Fui me afastando dia após dia daqueles que eu mais amo, mais amo, chegando cada vez mais tarde em casa para acompanhar o varejo.
Comecei a tratar com fornecedores, participar das decisões, me aproximei muito dos patrões e me tornei o braço direito deles. Meu marido, como mencionei, muito parceiro, se desdobrou para fazer o corre com as crianças, mesmo trabalhando fora. Eu assumi diversas contas importantes, pois a grana que estava entrando era boa. Realizei diversos sonhos e garanti bom plano de saúde, boas vestimentas para todos e alimentação de primeira.
Porém, claramente, eu estava na contramão da família. Resolvi ter uma conversa clara com os patrões, pedindo um horário de trabalho mais condizente com a minha realidade familiar. Ao que fizeram, ficaram de estudar e me dar um retorno. O retorno nunca veio. Então eu solicitei uma nova reunião para informar que sairia da empresa em quatro meses. Tempo suficiente para se reestruturarem, darem férias para determinados funcionários antes da minha saída e viabilizarem algo mais que desejassem. E aí
No desespero, me prometeu um horário de trabalho mais sustentável que me permitisse conviver com a minha família e o que me agradou. Mais de um ano se passou e o prometido não se cumpriu. Eu sofria muito pensando em meu marido sozinho em casa com as crianças, nos eventos familiares equilibrando diversos pratos e eu...
sempre perdendo alguma coisa. Resolvi distribuir currículos e rapidamente encontrei oportunidade de trabalho em horário comercial e sem trabalho aos finais de semana. Cheguei na empresa e entreguei minha carta de demissão, porém com a ressalva de que eu cumpriria aviso prévio, pois foi o único pedido que eu fiz na nova empresa, que segurasse minha vaga para que eu pudesse cumprir os 30 dias em respeito aos anos de convivência e responsabilidade.
Novamente desesperados, me fizeram mil promessas e propostas de melhoria, dessa vez tudo registrado em contrato.
o que eu decidi veementemente não aceitar, custasse o que custasse. Acontece que no novo emprego meu salário foi reduzido a menos da metade. O cargo é nível iniciante e eu tenho que aprender tudo novamente, o que não tem sido fácil. Ainda sem falar no quanto foi difícil decepcionar os patrões e os colegas de trabalho. Sair de um lugar onde se trabalha de olhos fechados, com um cargo de liderança, e chegar em outro onde tudo é novo e não se tem amigos, tem sido extremamente difícil.
A ponto de me perguntar se eu fiz a coisa certa. Mas quando eu me sento à mesa com a minha família para jantar, eu vou a festinhas, ou jogamos um jogo, eu vejo que valeu a pena. Mas por que meu coração está tão pesaroso? Por que há momentos em que eu pareço me arrepender? Que sensação é essa, Elisama? Me dá seu pitaco? Beijos.
Amores, nenhuma decisão, nenhuma mesmo, ela vai trazer só quentinho no nosso coração. Nenhuma decisão, ela vai trazer só felicidade. Nenhuma decisão, ela vai trazer só alegria. Nenhuma decisão, vai ser só gostosa. As decisões que a gente toma na vida, elas vão fazer a gente abrir mão de uma ou de outra coisa. Vão fazer com que a gente esteja decidindo qual que é a nossa prioridade na vida.
A vida profissional, o sucesso profissional, da forma que ele está sendo entendido hoje, que ele é empacotado para a gente, ele é incompatível com a vida. É incompatível com a vida. Você não ter tempo para curtir os seus. Você não ter tempo para ter um final de semana. Você não ter tempo para uma viagem, você faltar todos os eventos importantes. É incompatível com a vida, gente, porque o trabalho tem que ser meio.
É também algo muito legal, é interessante, mas a gente precisa ter vida. Sabe essa história de, ah, mas quando você trabalha com o que é, mas você nunca tá trabalhando? Mentira! Mentira! A gente pode ter sim uma estafa, burnout, adoecer fazendo algo que a gente ama, que a gente adora, porque tudo em excesso faz mal. Tudo. Minha mãe dizia que até água em excesso faz mal. Então, assim...
Não dá para acreditar que o parâmetro de sucesso que está sendo vendido para a gente, de alta produtividade, de alta performance, ele vai ser respeitoso com ter uma família, ter amigos e ter vida. Vocês já repararam que parece quase ofensivo você falar que você tem uma vida no trabalho?
As pessoas ficam esperando que você seja a pessoa que veste a camisa, entre aspas, e vestir a camisa significa você abrir mão de tudo que é seu pela empresa. Mas aí, o que fica na tua vida? Ah, mas eu quero trabalhar e ganhar muito. Você quer trabalhar e ganhar muito pra quê? Pra quem? E pra mulher, a gente tem um peso diferente, sabe?
Porque a gente tem cobranças altíssimas sobre o que é que uma mãe deve ser. E cobranças altíssimas sobre o que essa profissional deve ser. E a gente quer ser perfeita na execução de ambos os papéis. E vai ser impossível estar 100% em tudo.
Entendeu? 100% é o que você, na melhor das hipóteses, tem para dar. Tem para trabalhar na vida. 100%. Esse seu 100% é para você dividir entre você, entre o trabalho, entre os amigos, entre o seu marido, entre os filhos e a vida.
100% aí é o que você tem para você partir essa fatia de bolo. Você não tem como. Dá o bolo inteirinho para os filhos, dá o bolo inteirinho para o trabalho. É impossível. A gente vai dividir fatias.
E existem fases que o trabalho, ele ganha destaque na nossa existência, ele ganha prioridade. E nessas fases a gente vai lá e a gente faz curso, a gente estuda e a gente dá o sangue, caraca! Mas isso aí tem que ser uma fase. Tem fase que é a vida pessoal que está pedindo foco muito maior.
O que vai acontecer aqui é que em cada fase eu vou lidando com dar 60% do bolo aqui e tá dando um pouco menos do bolo pro outro. Não dá pra eu achar que eu vou dar 100% do bolo pros dois lados porque eu não tenho isso pra dar, entendeu? 100% eu tenho é por todo. E se eu divido, eu divido, gente. Se eu divido, eu divido. É matemática.
E aí você fala, por que eu estou me sentindo tão pesarosa? Porque para ter o tempo em família que você queria tanto, você precisou abrir mão de uma parte sua que era importante, que era fácil. Para ter esse tempo com a família que é tão relevante para você, você precisou fazer uma escolha.
E eu acho que não tem nenhuma escolha que a gente faz, que a gente simplesmente tem 100% de certeza o tempo todo. Tem sempre uma coisinha que faz a gente duvidar um pouquinho, falar, meu Deus do céu, era isso mesmo que eu queria? Era isso mesmo que eu dava conta de fazer? Era isso mesmo que eu desejava? Você está falando de uma diminuição da sua renda de mais de 50%. Sua renda caiu para menos da metade. Como que você não vai sentir?
Como que você não vai ficar meio angustiada e com dúvidas se você fez a coisa certa? E aí tem uma escolha, gente, que infelizmente às vezes a gente tem que fazer.
De o que eu vou ter pra dar, sabe? E fazer as pazes, o que a gente vai ter pra dar. E talvez o que você tenha pra dar pros seus filhos, hoje, não seja o plano de saúde que cobre os melhores hospitais do mundo. Talvez não seja a escola que, sei lá, que é bilingue e que aprova a gente nas melhores universidades do exterior. Talvez a tua prioridade hoje seja ter o tempo de jogar o joguinho.
Ah, eles vão, mas a gente pode ter tudo. Pode ter tudo em parte. Você não podia ir no trabalho que você tinha. E você sabe que eles não cumpriram a palavra deles algumas vezes para você. E sabe o que acontece, gente? A gente fica pensando assim, ah, mas será que eu não me precipitei?
E se eles tivessem cumprido a palavra e tivessem me mantido na empresa, eu ia estar conseguindo as duas coisas, Elisabeth. Eu ia conseguir o tempo em casa e eu ia conseguir manter o padrão financeiro da minha família. Eu não vou te falar que é impossível renegociar as coisas numa relação. Não vou te falar isso porque é perfeitamente possível.
mas precisa de um engajamento e de um desejo muito grande de todos os envolvidos. Que você meio que já sabe que não era algo que tinha tanto assim nessa relação. Eu me lembro, quando o Miguel era pequenininho, de um casal de amigos que falaram com a filha em inglês. Eles são brasileiros, ambos, e eles só conversavam com a menina em inglês.
porque eles queriam que ela crescesse, já crescesse bilingüe. E aí eu perguntei para ela uma vez, vem cá, e entre vocês dois, vocês falam que língua? Vocês falam português ou vocês falam inglês? E ela falou, Elisama, a gente fala português porque é muito difícil mudar a linguagem de uma relação.
É muito difícil mudar a linguagem da relação. A gente começou namorando falando em português, a gente tem, sei lá, a gente tinha 4, 5 anos juntos falando em português o tempo inteiro, até que a menina nasceu, eles começaram a falar com a menina em inglês. Mudar essa linguagem da relação pediria, demandaria um esforço de ambos que eles decidiram que eles não tinham para dar. Então, eles falavam em inglês com a menina, em português entre si.
A sua linguagem dentro da empresa, a linguagem da sua relação com a empresa, ela está estabelecida nesses anos todos em que você trabalha lá. Ela há nove anos, né, eu acho que você falou. Essa linguagem, ela está estabelecida há muito tempo, nos finais de semana que você dedica para a empresa, no dia a dia que você dedica para a empresa, na certeza de que liga para ela porque ela vai saber resolver. Mudar essa linguagem pediria um esforço muito grande de ambos.
Não quer dizer que seria possível pedir um esforço muito grande de ambos. Você olhar para trás hoje e falar, caramba, eu acho que eu me precipitei, eu podia ter ficado lá e eu podia ter tudo, só vai te fazer sofrer muito. Você fez uma escolha e agora você pode lidar com as consequências nessa escolha. Você pode tentar voltar, tentar negociar de uma nova forma, o que não é exatamente fácil.
Ou você pode, assim como você cresceu lá naquela empresa, crescer de um jeito diferente nessa. Já estabelecer com essa empresa que você está agora uma linguagem diferente. Ou com novas empresas que você vai trabalhar, porque tem muita empresa no mundo, você pode estabelecer uma linguagem que te respeite mais e que respeite seus desejos.
E aí é hora de perguntar qual que é a tua prioridade, sabe? Que não tem que ser a maternidade. Veja, a sua prioridade não tem que ser quero ficar com os meus filhos. Porque eles já estão adolescentes. Eles já são adolescentes. Uma tem 16, outra tem 12. É você entender qual que é a minha prioridade aqui com eles.
Você ficou em casa até que eles tivessem nove anos. É isso. Então, não tem nove anos de trabalho. Você tem sete, oito anos trabalhando. Trabalhando fora. Porque dentro de casa a gente trabalha bastante. Então, você ficou com eles até que eles tivessem nove anos. Você deu tudo que você podia ali nos nove anos para você estar presente, para você estar com eles o tempo todo.
E aí depois, durante oito, nove anos depois, a tua prioridade foi outra. Sete, oito anos depois, a tua prioridade foi outra. A tua prioridade foi a vida financeira, foi o que você já conseguiu estruturar e que, então, se perdeu, tá aí, construído. Agora você pode olhar pra vida de novo e pensar qual que é a minha prioridade aqui a partir de agora.
Sabendo que quando você estava em casa cuidando das crianças, você estava abrindo mão da vida financeira e da vida profissional. A gente está o tempo inteiro fazendo esse cálculo aqui. É que essa exigência de que a gente seja perfeita em todos os lugares, ela maltrata muito a gente. Ela machuca muito a gente.
Ela faz com que a gente não respeite os nossos limites e que a gente não respeite as nossas escolhas. Nos dizem que a gente tem que trabalhar como se não tivesse filhos e ter filhos como se não tivesse trabalho. É possível. Será que existe alguém que realmente consegue fazer isso?
E não sei se você já conhece o livro O Ano Que Eu Disse Sim, da Shonda. A Shonda, ela escreveu esse livro há, acho que já tem uns oito, nove anos. E tem um trechinho do livro, um capítulo do livro, que ela conta de toda a rede de apoio gigantesca que ela tem pra ela conseguir manter o trabalho que ela tem.
Então, as pessoas que brincam com as crianças, parentes dela, funcionárias, ela tem toda uma estrutura que faz com que ela consiga ser a Xunda. Ter a Xunda além de criar os personagens que ela cria, as histórias que ela cria.
Eu dou conta ou eu não dou conta. Eu não dou conta pode ser substituído por eu não ter um apoio suficiente. Você fala, eu tenho um parceirão, Elisama. Um parceirão. Tá, você tem um parceirão. Mas ainda assim é pesado. Dois. Somente dois para dar em conta de uma família o tempo inteiro. Talvez o que você consiga sustentar e equilibrar. O que vocês consigam sustentar e equilibrar nesse momento. Seja esse novo trabalho.
Mas você não vai sentir só alegria, sabe? Não vai ser só leveza, não vai ser só paz. Eu acho tão injusto quando as pessoas falam Ah, eu sabia que era aquela decisão porque o meu coração ficou leve, porque eu fico bem. Essa sensação de que a gente vai chegar lá, num lugar em que as decisões vão trazer alegria e tranquilidade, paz e certezas. E isso não vai acontecer. Não vai acontecer.
Tem sempre uma dúvida ali, ó, esperando a gente na próxima esquina. A gente toma uma decisão e vai ter outra ali, esperando a gente. Fazendo a gente se questionar se é esse caminho que a gente tem que tomar mesmo. E nenhum caminho ele é definitivo, entende? Mas eu quero que você saiba que nenhum caminho ele vai ser só de satisfação.
a insatisfação vai estar no jogo. E é hora da gente se perguntar. E a Brandon Brown, deixa eu lembrar qual que é o livro, eu acho que é o... Eu achava que isso só acontecia comigo, acho que é esse o nome do livro.
Ela fala de perguntas que ela aprendeu a fazer para si mesma, para sair dessa mente que diz, está vendo só como você está sendo incompetente, está vendo só você saiu da empresa e agora você não está dando isso para as crianças. Se você ainda estivesse lá, você estava dando isso para as crianças. Ou então, está vendo só você está aqui trabalhando, está tendo a festinha no dia das mães na escola e você não foi. Essa voz, ela se faz algumas perguntas.
Eu não lembro todas as perguntas, mas eu lembro que ela pergunta não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim, não é assim,
a si mesma, é possível atender o que essa voz quer? E nesse caso, é possível estar 100% no trabalho e estar 100% com as crianças? Não é possível. Não é possível.
E a gente, sem se perguntar do quanto as possibilidades que a gente desenha na nossa cabeça são possíveis, a gente vai sendo engolida por elas. E acreditando que a gente tá sendo incompetente ou tá sendo irresponsável, que a gente só fez besteira.
Porque não vem, sabe? A vida não chega com um papel assim, que ela te entregue e fala, tome. Aqui é a garantia de que você tomou a melhor decisão possível. Fique em paz. Ela não vai fazer isso com nenhuma decisão nossa.
nenhuma e o tempo inteiro a gente vai estar sempre com essa dúvida de e se eu fizesse de outro jeito? E se eu tomasse outra decisão? E se eu tivesse tomado outro caminho? A vida vai estar o tempo inteiro aqui. Nesse jogo com a gente, a gente vai aprendendo a transitar nesse jogo. Observe o que você tem ganhado desde que você tomou essa decisão. Na outra empresa a gente sabe o que você ganhava. Financeiro.
O retorno era financeiro, já era claro, o retorno era financeiro. E essa situação, né? Um trabalho que você já conhecia, que você sabia que você era muito boa nele. Agora, o que você tem ganhando? Do que você abre mão e o que você ganhou? Tá valendo a pena. Tem outra forma de equilibrar as coisas de um jeito que te respeite, que respeite a família. Mas esse pesar, essa dor que vem de vez em quando, ela vai aparecer, sabe?
Escuta ela, o que ela está te contando. Chora essa injustiça de não ter tido tudo de vez. Chora, você não tem que estar feliz com a decisão que você tomou o tempo inteiro. Você pode sentir medo das decisões que você tomou. Gente, a ambivalência faz parte da vida. Nós somos seres essencialmente ambivalentes. A gente sente alegria e medo e dor e angústia e felicidade. A gente sente tudo misturado, é um bolo assim.
As decisões raramente trazem uma coisa só. As situações da vida, elas raramente trazem uma coisa só. Elas são uma mistura, sabe? Elas têm muitas nuances. Você cobra estar parada num nuance só, em um lado só da decisão, em um sentimento só de agir na decisão. É injusto você se cobrar isso, porque é impossível.
Porque você não vai sentir uma coisa só. Essa tristeza não significa necessariamente que você tomou decisões erradas. Significa só que você é humana.
Ui, que dá medo. E a gente tá falando aqui do fim do trabalho, né? Sair da relação de trabalho. Pode ser uma relação amorosa, pode ser uma amizade, pode ser mudança de país. Vai ter sempre um momento que a gente vai falar, meu Deus do céu, será que eu tô me decisando certa? E mais uma vez, não vai chegar um certificado da vida, um diploma da vida. Te falando, está aqui, querida. Prova de que você tomou a melhor decisão. Não vai vir.
A gente vai lidar com essa dúvida como parte da construção de quem a gente é, como parte da nossa humanidade. O que é que eu te desejo? Eu te desejo uma vida profissional que você possa olhar e curtir.
E hoje eu desejo paz com a vida profissional. Porque existem fases que a vida profissional está servindo somente para pagar as nossas contas mesmo. Essa história de tudo tem que ser cheio de propósito. Tudo tem que ser cheio de propósito. Porque a gente tem que amar o que a gente faz e propósito, e propósito, e propósito. Ela é muito cruel, muitas vezes. Às vezes o propósito é pagar as contas, sabe? Às vezes o propósito é viabilizar os passeios, as viagens, o tempo com a família.
mas você é esse proposto a gente pode ficar em paz com esse proposto também tá bom
É isso, meu amor. Se você gostou do episódio, compartilha. Bota no grupo do trabalho. Bota no grupo do trabalho. Fogo, pega fogo, cabaré. Bota no grupo do trabalho. Fala aqui, ó. Hum, vamos conversar sobre isso. Todos nós. Tá bom? Manda pros amigos, pras amigas. Deixa o comentário aqui. Não esquece, não. Não esquece, não. Porque aí o Spotify, o YouTube, as redes sociais, elas vão continuar achando que eu sou legal.
E aí elas vão distribuir mais o meu conteúdo e mais gente vai ter oportunidade de pensar as coisas que a gente pensa aqui nessa nossa relaçãozinha gostosinha. Tá bom? Um beijo e até o próximo episódio.