Ep. 83 - COMO SABER SE AINDA CAMINHAMOS JUNTOS? Chá de Coragem de Elisama Santos
O medo de falar sobre o futuro com o parceiro, é um sinal de alerta? Como sonhar juntos sem combinar as expectativas e planos de cada um?
No e-mail desse episódio, nossa ouvinte após cinco anos de relacionamento percebe que seus planos de construir uma vida estável e uma família parecem colidir com as frustrações profissionais e a hesitação do parceiro.
A conversa explora a dificuldade de diferenciar um momento de crise passageira de uma divergência fundamental nos projetos de vida.
Será que estamos tentando montar o futuro sozinhas, sem pedir que o outro coloque suas peças na mesa?
Hoje a conversa é sobre maturidade emocional, a coragem de ter conversas honestas e o reconhecimento de que, às vezes, o silêncio e a hesitação do outro já são respostas claras sobre o destino da união. Ideal para quem se sente exausta por tentar convencer o parceiro a caminhar na mesma direção e busca clareza para tomar decisões sobre o próprio futuro.
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✦ Créditos ✦
Conceito, Roteiro e Direção: Elisama Santos e Natália Araujo
Cenário e Produção: Natália Araújo
Filmagem e Edição: Natália Araújo
- Construção de Vida em Comumrelacionamento · família
- medo de falar sobre o futuro
- Dilemas de Relacionamento
- Maturidade Emocional
- Reflexões sobre o Futuro
- pressão biológica e maternidade
Será que dá para diferenciar o medo de algo novo do comodismo de ficar sempre no mesmo lugar? E o que a gente faz quando a gente descobre a resposta para essa pergunta? Aceita um chá de coragem?
Olá Elisama, escrevo porque estou vivendo um dilema que tem me tirado do sono e sinto que preciso de um olhar de fora mais lúcido e menos envolvido emocionalmente do que o meu. Tenho 30 anos, sou médica e estou em um relacionamento há quase 5 anos com meu namorado, que também é médico.
No último ano, passamos a morar juntos em um apartamento que pertence à minha família. Foi uma solução prática naquele momento, enquanto nós dois terminávamos nossas especializações e ainda estávamos nos reorganizando profissionalmente. Recentemente, comecei a sentir vontade de dar um passo simbólico importante na nossa relação.
sair desse apartamento e ir para um lugar realmente nosso, alugado por nós dois, onde ambos pudessem se sentir igualmente em casa. Para mim, isso representava o início concreto da construção de uma vida em comum. Mesmo sabendo que isso significaria abrir mão de um conforto grande que tenho hoje, morar em um bom apartamento sem pagar aluguel, eu estava animada com a ideia. Comecei a procurar apartamentos, visitar lugares, imaginar como seria essa nova fase.
Mas percebi, enquanto eu me movia nessa direção, meu namorado parecia sempre hesitante. Cada apartamento tinha um problema, cada possibilidade vinha acompanhada de um talvez ou de uma dúvida. A conversa finalmente veio à tona quando ele disse que não queria investir energia em montar um apartamento agora, porque pretende novamente tentar uma prova de fellow em São Paulo no próximo ano. Esse ponto tem sido uma sombra constante na nossa relação.
Ele já tentou essa prova duas vezes e não passou. E carrega uma frustração muito grande em relação a isso. Muitas vezes eu sinto que essa frustração contamina outras áreas da vida dele. O problema é que mesmo não tendo qualquer responsabilidade por essa situação, às vezes sinto que acabo sendo incluída nesse lugar de obstáculo ou de limite para os planos dele. Enquanto isso, eu estou em um momento diferente da vida. Passei 11 anos seguidos focado exclusivamente em formação médica.
E hoje eu sinto uma vontade enorme de começar a construir outras dimensões da vida. Um lar, uma rotina mais estável, espaço para interesses pessoais e, eventualmente, uma família. Em uma das conversas recentes, ele comentou que gostaria de ter filhos em cerca de dois anos. Mas quando penso nisso, junto com a possibilidade de uma mudança para São Paulo, sem sequer termos formalizado um compromisso como um casamento, eu sinto que as peças não se encaixam.
A sensação que tenho às vezes é que eu estou tentando avançar em um projeto de vida a dois, enquanto ele está muito focado em resolver uma frustração individual. Depois da última discussão, eu acabei dizendo que talvez não faça mais sentido para mim dar esse passo de mudar de apartamento agora. Em vez disso, estou considerando usar esse dinheiro para congelar meus óvulos, para tirar um pouco da pressão biológica dessa equação.
No fundo, meu dilema é esse. Eu ainda amo essa pessoa e consigo imaginar a vida com ele. Mas, ao mesmo tempo, eu me sinto cansada de ter que convencer alguém a caminhar comigo na direção do futuro em comum. E, ao mesmo tempo, eu me pergunto se eu não estou apenas com medo de tamanha ruptura que é um término que traria para a minha vida, já que a gente compartilha a casa, a rotina e até dois gatos que amamos muito.
Como diferenciar um momento difícil dentro de uma relação de um sinal de que os projetos de vida já não caminham mais na mesma direção? E como saber se insistir um gesto de maturidade ou apenas medo de enfrentar uma separação? Obrigada por ler até aqui e sim, eu aceito o chá de coragem. Me ajuda. Querida, eu acho que você está querendo montar um quebra-cabeça que você não tem pelas as peças.
Amores, em uma relação, em um relacionamento, namoro, amizade, a gente não tem todas as peças do quebra-cabeça. Uma parte dessas peças vem na mão do outro. E aí você tem seus planos de que você quer uma vida em comum, você quer se mudar para que vocês sintam que a casa é dos dois, e você quer ter filhos, e você focou muito na carreira, você quer focar em outra coisa. Essas são as tuas pecinhas do quebra-cabeça, tá?
E aí é hora de você pedir para ele colocar as pecinhas dele na mesa também. Sabe? Porque casar, construir um futuro, é montar junto esse quebra-cabeça da vida. E é hora de falar, vem cá, põe as suas peças aqui na mesa. Vamos olhar juntos para as peças, as minhas e as suas, e ver o quanto elas estão se encaixando. O que a gente consegue construir com essas nossas peças juntas?
Porque talvez elas realmente não se encaixem. Mas é interessante como a gente muitas vezes faz esse movimento de ficar pensando sozinha, sabe?
de ficar ali confabulando sozinha, ah, eu acho que ele não tem tanto pensamento no futuro, olha, pegando pistas, eu vou pegar essa pista, essa pista aqui sobre o comportamento dele, essa outra pista aqui sobre o comportamento dele, talvez seja a hora de parar de pedir pistas, e falar, eu não quero brincar de adivinhar, além de brincar de montar o quebra-cabeça, eu quero brincar de montar o quebra-cabeça. Vamos sentar aqui, deixa eu te falar quais são as minhas peças nesse jogo.
As minhas peças são, eu foquei muito na carreira, agora eu quero ter um filho, agora eu quero pensar em uma estrutura legal para essa criança chegar, agora eu quero pensar em construir, investir na nossa família, investir em uma família. E aí você está falando do curso, da prova que você quer fazer, quer morar em São Paulo, então me conta, você falou que quer ter um filho daqui a dois anos, eu estou confusa.
Como é ter esse filho para você? Se pensa em ter esse filho daqui a dois anos, a gente morando em São Paulo, você já imaginou o trabalho que dá uma criança, rede de apoio? Eu não sei se eu quero ter esse filho, pelo jeito que vocês não moram aqui, então eu não sei se eu quero ter esse filho em São Paulo. Como é que a gente conversa sobre isso?
Tanto é uma hora de sentar e conversar e você fala assim, Elisama, será que é maturidade para tomar as decisões e ficar pensando aqui? E maturidade é a gente encarar a realidade como ela é, sabe?
maturidade, a gente sair um pouquinho da fantasia, de como a gente gostaria que as coisas fossem, a gente parar de conversar só com os nossos divertidamentes e chamar o do outro. E lidar com as consequências dessa conversa. E aí, às vezes a gente tem tanto medo dessa conversa. E eu quero te perguntar, do que é que você está com medo?
Porque você me fala que a última conversa com ele foi uma conversa em que você falou que você já não sabia se você queria se mudar. Talvez seja a hora de você ter uma conversa em que você fala o que você já sabe o que você quer. Porque o teu e-mail deixou muito claro para mim que você sabe o que você quer.
Sabe que a gente tem a tendência, a gente tem a tendência de na hora que vai conversar com a pessoa, de ir insinuando o que a gente quer e esperando que ela responda, porque aí a partir da dica que ela deu você já solta mais um pouquinho do que você quer. É como se a gente precisasse de uma determinada segurança para soltar os nossos desejos ali. Só que você já está numa relação que...
numa relação longa, que é uma relação com alguém que você quer construir uma vida. Não dá pra gente ter uma relação com alguém que a gente quer construir uma vida se a gente não poder falar a verdade sobre essa vida que a gente quer construir. Entendi.
A gente aprendeu, nós mulheres, nós aprendemos a não sustentar os nossos desejos de ir na relação. A gente aprendeu que se a gente fala que a gente quer casar, o cara vai fugir. Se a gente fala que a gente quer uma relação séria, a gente vai fugir. E se a gente fala que a gente não quer nada, só quer curtir, ele vai fugir também. A gente aprendeu que o homem está sempre a um passo de escapar do relacionamento.
a um passo de sair correndo da relação. E que por isso, a gente precisa estar sempre pisando em golvas para mantê-los perto de nós, para eles não se assustarem. Você está com medo de ter essa conversa com ele num lugar de não de... Ah, eu acho que talvez não seja a hora da gente se mudar, mas num lugar de, olha, eu estou pensando no futuro. E eu queria conversar com vocês sobre o nosso futuro.
E se a reação do outro pra essa conversa é, cara, ah não, ah não, não vem, eu não tenho tempo pra isso agora, eu tô focada em outras coisas, isso já é uma resposta também, sabe? Eu já falei pra vocês aqui algumas vezes que nem todo não ele é dito. Existem nãos que eles não são ditos. Existem nãos que eles ficam subentendidos.
Que eles ficam pairando na relação. E que a gente não consegue dar nome pra eles. E talvez seja a hora de ouvir esse não ganhar corpo. Sabe? De falar com ele, eu preciso saber o que você pensa sobre o nosso futuro. Se você passa nessa prova que você quer fazer, o que você acha que vai acontecer com a gente? Pergunta pra ele.
E por isso ele fala, ah, eu não sei, eu preciso muito que você pense e me dê uma resposta. Eu quero saber o que você sabe, diante do que vai acontecer, o que você imagina. E cara, assim, se ele falar, eu não pensei nisso, é uma pista muito grande da importância que a relação de vocês tem na vida dele.
Porque o homem não é ensinado a cuidar. A gente já falou disso aqui, o homem não é treinado para o cuidado. E aí essa ausência de treino para o cuidado é uma ausência que faz com que eles pensem pouco o futuro com as pessoas que estão com eles. Eles pensam muito um futuro para eles.
Mas se você quer construir uma família com essa pessoa, se você quer uma relação maior com essa pessoa, meio que você já são uma família, né? Você disse que já seria uma família, você já tem dois gatos e tal, mas não tem uma energia de família. Não tem esse propósito de futuro juntos, de uma forma que talvez você queira, e ele não. Ou talvez ele queira, mas queira de um jeito em que depende muito mais de você tomar atitude pra manter essa cola da relação. E é o ponto de você pensar, eu quero ser essa cola.
Eu quero estar nessa relação que, para a gente ficar junto, eu tenho que pensar sempre no futuro, porque ele pensa num futuro que é sobre a vida dele. E aí você diz assim, ah, Elisama, às vezes eu me sinto empecilho para o futuro dele. Parece que eu sou uma pedra no meio do caminho dessa prova, da conquista que ele quer. Caramba, você quer ser uma pedra no caminho da vida do outro? Você quer guardar essa sensação? Porque essa sensação, ela só vai se desfazer quando vocês conversarem sobre isso.
quando você entender o que ele quer para o futuro, quando você entender se o que você é e representa faz parte de uma alicerce para a vida de vocês, de uma construção para a vida de vocês.
Ou se realmente é uma relação que é um obstáculo. Eu lembro de uma amiga há um tempo, há muitos anos. A gente estava estudando, na época a gente fazia faculdade, ela estava perto de se formar. E ela namorava um cara que também fazia faculdade com ela. E ela tinha inúmeros planos para o futuro.
E ele tinha inúmeros planos para o futuro, só que os planos dele não incluíam ela. Os planos dele para o futuro pós-faculdade eram planos, muitos não voltados para a carreira, etc e tal, mas que eram incompatíveis na realidade com a continuidade da relação. E ela tinha muito medo de perguntar. A gente era muito nova, ela tinha muito medo de sentar com ele e conversar, e ficava nessa das pistas.
Um pouco depois da formatura, a relação acabou. Ele terminou com ela. E ele terminou com ela porque, assim, os projetos estavam muito claros. Foi muito boa essa relação. Foi muito maravilhosa essa relação. Não sei quanto tempo, mas... Penso que a minha vida pós-formatura vai ser outra. Talvez se ela tivesse conversado com ele antes, o baque não teria sido tão grande, sabe? Não estou te falando que nem como você prever o futuro. O futuro é muito incerto.
O que eu estou te trazendo aqui é que a gente tem uma tendência de querer construir o futuro com o outro, de montar esse quebra-cabeça da vida, sem pedir as peças do outro. Imagina, eu acho, eu acho que ele tem uma peça que encaixa aqui. Então eu vou montar todo o quebra-cabeça, esperando a pecinha que encaixa aqui que ele vai me trazer. Mas pode ser que ele não tenha essa peça na mão. Pode ser que ele tem essa peça na mão, mas ele não quer dar.
Ele não quer encaixar no seu cabra-cabeça. Pode ser que ele tenha outras peças na mão, que são muito legais e que vocês podem fazer um desenho diferente, porque as peças se encaixam de forma diferente. Eu não estou aqui te falando, olha, ele não te quer, ele é egoísta. Não estou te falando isso. Eu estou te falando que você só vai saber os planos com o futuro com ele, os planos dele para o futuro dele, e se esses planos te incluem se você sentar para conversar.
Se você falar, olha, isso é importante para mim, eu quero saber que planos são esses. E o quanto eu estou nesses seus planos. E aí não serve, não é lógico, meu amor, que você está nos meus planos para o futuro. Não, é uma coisa palpável. Você passa na prova, como é que vai ser para a gente?
E aí às vezes você pergunta, você passa na prova como é que vai ser pra gente, ele fala, ah, o tempo que eu estiver fazendo, não sei como é que funciona essa formação, que eu estiver lá, você mora aqui e a gente namora à distância, como se a gente tivesse 18 anos e não mais de 30. E aí você olha e fala, poxa, mas esse não é um plano que faz sentido pra mim. Entendeu? Você precisa saber, assim, o que é que faz sentido pra ele, o que faz sentido pra você, pra saber se você ainda tá caminhando pra uma direção que é próxima.
E eu não posso deixar de notar que você fala, Elisama, eu decidi que com esse dinheiro eu vou congelar os meus ovos para tirar a pressão biológica da equação. Você consegue diferenciar a vontade de ter um filho, da vontade de ter um filho com ele? Você consegue separar as coisas?
Você consegue imaginar ele sendo pai? Ele cuidando de alguém? Ele sendo um parceiro para ter esse filho? Você consegue imaginá-lo conversando com você sobre introdução alimentar? Você consegue se imaginar decidindo com ele se vocês vão colocar a criança numa escola Waldorf, construtivista ou numa escola bem tradicional?
Você consegue se imaginar negociando os plantões com ele, falando, olha, esse plantão aqui, tal dia que ele está plantando sou eu, então você que vai ficar com o nosso filho e vai fazer isso, você consegue. Porque às vezes, essa história do relógio biológico, e que eu não vou negar que existe sim, nossos óvulos tem sim um prazo de validade, vou falar que não tem? Existe.
Mas às vezes essa é uma história tão pesada e que soa tão alto e que fala tão alto que a gente não consegue ouvir para além dela, sabe? Que a gente mistura e fala, eu queria muito ter um filho, mas eu queria ter um filho dele porque já é mais prático, a gente já está na relação, a gente já está junto, a gente já mora de dois gatos. Será que a decisão de ter um filho a gente toma pela praticidade?
O que a gente faz aqui nessa equação? O que a gente faz aqui que diferencia o eu quero ter um filho ou eu quero ter um filho com essa pessoa? Eu quero dividir essa missão intensa, essa missão dificílima, mas que também divertidíssima, com essa pessoa. E não é com quem ele pode vir a ser.
É com ele que ele é hoje, que é a informação que você tem. A informação que você tem é que ele é hoje. Não é, ah, não, eu acho que ele vai ser... Não, a informação que ele tem é hoje. Como é a divisão com os gatos? Como é o cuidado aí com os gatos? Como é a divisão das responsabilidades da casa? Dessa casa, que é a casa da tua família? Porque tem hora que a gente não quer, sei lá...
Enxergar direito as nossas possibilidades, sabe? Que a gente está tão apegadinho, apegadinha. E você fala, Elisama, eu consigo separar com o modismo? Será que eu não estou com medo de fugir da relação? Eu estou com medo de sair da relação. Porque a relação só está numa fase difícil e eu não estou conseguindo dar conta numa fase difícil. Eu não tenho como te responder isso. Mais uma vez, o que eu posso te dizer é que...
As peças do quebra-cabeça não estão todas na tua mão. Sabem? E se essa decisão é uma decisão impulsiva, se é uma decisão você abandonando relação, ou se é uma decisão de maturidade, a gente só vai saber quando a gente vê pelo menos uma maior parte de cartas na mesa. E se ele falar, cara, eu não quero ter essa conversa, eu não tenho tempo pra essa conversa, eu não consigo pensar nisso agora.
Ele tá te falando que ele não quer botar as cartas dele na mesa. E você decide o que você faz com essa informação. Se você... Quer montar o seu quebra-cabeça na esperança de que ele tenha peças que se encaixem. E na dependência dele. Na dependência daquela peça. Que talvez nunca venha. Ou se você quer pegar suas pecinhas e construir um jogo em outro lugar. Sabe?
Eu só não quero que você ache que só o pacotinho de pecinhas que tá na tua mão é o suficiente pra você montar. E se quebra a cabeça, porque não é. Não se contenta com sinais, mulher. Não se contenta com conversas com as vozes da sua cabeça. Essas conversas precisam ser com as vozes da cabeça dele também.
Essas conversas, elas precisam ser de trocas mais profundas também, sabe? Essas conversas precisam ser de um lugar de que a gente vai construir. E a gente relaciona um negócio fácil, não é? Família não é um negócio fácil.
Não é. E eu vou te contar uma coisa, gata. Como você quer ter filho, quando a gente joga filho no meio da história, meu Deus do céu, o nível de complicação do joguinho aumenta absurdamente. O nível de dificuldade do joguinho, a fase que você vai, caraca, essa nova fase, ela vai para um outro nível.
Mais uma vez, precisa sentar e conversar. Sabe? E você precisa entender se... Ah, Elisabeth, eu converso. Se essas conversas que você está tendo, se você está falando o que você quer.
Se você está conseguindo sustentar os seus desejos. Porque, minhas queridas, se vocês não conseguem sustentar os desejos, se a gente não consegue sustentar o desejo da gente, numa conversa com quem a gente está se relacionando, como que você vai manter uma relação? Se você não consegue falar o que você quer, você tem medo de falar o que você quer ali naquela relação. Como que isso vai dar bom? Como que você vai se ver nessa relação?
Porque não dá pra separar você e seu desejo. Sabe? Porque o que você deseja faz parte de quem você é. E pra que alguém te veja com interesse na relação, precisa ver os teus desejos junto. E se você não consegue dizer os teus desejos pra essa pessoa com quem você quer construir uma família gata, temos uma questão.
Então fica aqui um... Você está com medo de ter essa conversa falando o que você quer? E um lembrete de que você não tem todas as peças do quebra-cabeça. Você não tem a resposta sozinha. Essa resposta vai vir quando você convidar o outro para jogar com você. E aí você observa, porque todas as atitudes dele são respostas. Tá bom? É isso, meu amor! Se você gostou da nossa conversa...
Você pode passar pra todo mundo. Você pode, inclusive, passar pro teu companheiro, teu companheiro, tua namorada, tua namorada. Falar, olha, vem cá, vamos juntar as peças do quebra-cabeça aqui que eu tô precisando montar. Tô querendo que essa brincadeira fique séria. Gente, como me preocupa que a mulher aprendeu que não pode falar, eu quero uma relação séria, assim. Pois tá na hora da gente poder assumir, eu quero uma relação séria. Se você não quer, tá tudo bem. Vou sofrer, vai doer, eu.
Vou procurar quem tem uma afinidade de querer e desejo descobrir. Tá bom? Manda para todo mundo. Joga nos grupos tudo aí. Tá certo, meu amor? Um beijo e até o próximo episódio.